A Revelação dos Templários

A REVELAÇÃO DOS TEMPLÁRIOS

LYNN PICKNET E CLIVE PRINCE

Agradecimentos

Este livro não teria sido possível sem a ajuda e o apoio de um grande número de pessoas; porém dado a natureza polêmica de nossas conclusões queremos assinalar que nossas opiniões não são necessariamente partilhadas por aqueles que citamos a seguir.

Queremos agradecer a:

*      Keith Prince pela documentação meticulosa oferecida ao nosso trabalho, tanto nas bibliotecas como em campo, por suas idéias incisivas e muitas vezes heterodoxas sobre o tema, e por entregar literalmente sua vida e sua integridade física a este projeto.

*      Craig Oakley, por sua ajuda, entusiasmo e colaboração constantes em nossa investigação.

*      Filip Coppens, por nos orientar com grande entusiasmo e facilitar muitas materiais valiosos originais.

*      Lavinia Trevor, nossa agente, por aplainar o caminho para a publicação do livro e por nos livrar dessa pressão.

*      Jim Cochrane, redator responsável da Bantam Press, que nos forneceu comentários construtivos e bem informados… mas não nos pressionou.

*      Agradecimentos também aos colegas dele Kate Melhuisb, Sheila Corr e Martin Macrae.

*      Lucien Morgan, por dar-nos a idéia para este livro.

O material dos capítulos 8 e 9 sobre Rennes-le-Château deve muito a informação facilitada e comentada com muitas pessoas:

* No Reino Unido, aos membros do Grupo de Pesquisa Rennes-le-Chateau, especialmente a John e Joy Millar, Gay Roberts, Howard Barkway, Jonothon Boulter, Marke Pawson e Guy Patton. Agradecimentos também a Guy por colaborar em nossa investigação sobre os Cavaleiros Templários.

*Na França há que se agredecer especialmente a colaboração de Alain Féral, Sonia Moreu, Antoine e Claire Captier, Jean-Luc e Louise Robin, Celia Brooke, Marcel Captier e Elizabeth van Buren. (E também agradecemos a Monique e Michael Marrot, de La Pomme Bleue de Rennes-le-Château, cujos pratos muitas vezes tornaram memoráveis muitas de nossas jornadas). Continuamos em dívida com o falecido Jos Bertaulet por seus estudos sobre Notre-Dame de Marceille, e agradecemos a hospitalidade de sua viúva Suzanne e filhos Christian e Diederick.

*John Stephenson e Anita Fortsythe que nos atenderam em Ferran, animaram nossas excursões pelo Languedoc e partilharam conosco seus conhecimentos sobre a comarca. Ficamos também agradecidos por sua estupenda hospitalidade e conversa, e por apresentar-nos a Gold.

*Peter Humber, por ceder-nos sua casa em Languedoc durante a nossa primeira viagem de estudo, e por sua reação tão calma ao que estivemos a ponto e perpetrar lá… e agradecemos também aos habitantes de Ferran e ao departamento de bombeiros de Montreal, que nos acudiram em auxílio naquele fatídico dia de 17 de janeiro de 1995. E também pelo finado Café Fou de Peter em Botindary Road, que parecía de certo modo predistinado a se converter em nosso refúgio.

* Robert Hosvells, por tantas e gostosas discussões noturnas sobre temas esotéricos de todas as classes, aos quais contribuiu com seus amplos conhecimentos.

* André Douzet, por partilhar generosamente os resultados de suas exaustivas investigações sobre os mistérios da França.

* Niven Sinclair, por sua grande generosidade e fascinantes revelações sobre a Capela Rosslyn e os Templários

* Jane Lyle, por partilhar conosco seus extensos conhecimentos sobre a sexualidade sagrada e, como sempre, por sua jovialidade e apoio moral e prático.

* Steve Wilson, por sua ajuda com os mandeus, por facilitar-mos uma apresentação em  «Talking Stick» e por uma viagem de trem divertida e memorável.

* Karine Esparseil López. por colaborar com as traduções de francês e nos dar ânimo e concerder-nos sua valiosa amizade.

* Prestamos os nossos agradecimentos também as seguintes pessoas por sua ajuda em diversas maneiras, seja proporcionando-nos as informações necessárias ou simplesmente dispensando-nos elogios e ajuda moral:
Nicole Dawe e Charles Bywaters e suas respectivas filhas, Laura Daw e Kathryn e Jennifer Bywaters; Trevor Poots; Andy Collins; Dominique Hyde; Lionel Beer e seu grupo TEMS; Steve Moore de Fortean Times; Bob e Veronica Cowley de RILKO, Georges Keiss; Yuri Stoyanov, Benoist Rivière; Henri Buthion; Jean-Pierre Aptel; André Galaup; Louis Vazart; Gino Sandri; Manfred Cassirer; Alun Harris; John Spencer; Steve Pear; Olivia Robertson da Fellowship of Isis; Caroline Wise; Gareth Medway; Tony Pritchett; Mick e Lorraine Jones; Mark Bennett; Dave Smith e Natalic Hac; Loren McLaughlin; David N. Corona; doutor Richard Wiseman, Sylvia Patton; Barry e Fiona Johnstone; Sarah Litvinoff; Vida Amadoli; Helen Scott; Michèle Kaczynski; Mary Saxe-Falstein; Sally «Morgana» Morgan; Will Fowler; Sheila e Eric Taylor; Samuel López; James Dew; Nic Davis; Lisa Bailey; David Bell; I-N. Y ao pessoal das salas de leitura da  British Library e da Westminster Reference Library.

* Agradecimentos aos serviços de urgência de Limoux e Carcassone por salvar a Keith Prince… uma pessoa anônima que telefonou para avisa-los de  Notre-Dame de Marceille.

INTRODUÇÃO

Leonardo da Vinci colocou em marcha a busca que levou a este livro. Nosso estudo sobre o papel do fascinante e misterioso genio do Renascimento na falsificação do Sudário de Turim desembocou em uma investigação muito mais ampla e mais comprometida sobre as ‘heresias’ que haviam impulsionado em segredo suas ambições. Foi preciso averiguar no que participou, o que soube e acreditou, e porque recorreu a certos códigos e símbolos na obra que deixou para a posteridade. A Leonardo temos que agradecer, por conseguinte [ainda que seja um agradecimentomuito dolorido], os descobrimentos que se condensam neste livro.

A princípio nos pareceu raro vermos submersos no mundo complicado, e em muitas ocasiões algo tenebroso, das sociedades secretas e crenças heterodoxas. Por muito que Leonardo, segundo é crença comum, tenha sido um ateu e um racionalista; porque nós descobrimos que nada está mais distante da verdade. Em qualquer caso, aos poucos deixamos para trás este personagem para nos encontramos sós diante de algumas implicações profundamente inquietantes. O que havia começado como uma modesta averiguação sobre alguns cultos interessantes, porém que de modo algum fariam tremer o mundo, se converteu em uma investigação sobre as próprias raízes e crenças originárias do mesmo Cristianismo.

Em essência tem sido um recaminhar através do tempo e do espaço; primeiro, de Leonardo a época atual; logo, o retorno ao Renascimento e mais atrás contudo, passando pela Idade Média até a Palestina do século I – o cenário onde se situa as palavras e as ações de nossos três protagonistas principais: João Batista, Maria Madalena e Jesus. De passagem muitas vezes temos que nos deter para examinar os numerosos grupos e organizações secretas com um olhar todo novo e objetivo: os francomaçons, os cavaleiros templários, os cátaros, o Priorado de Sião, os essênios e o culto de Isis e Osiris.

Estes temas naturalmente se tem discutido em muitos outros livros recentes, em especial ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, que desde o princípio tem sido de particular inspiração para nós. ‘The Sign and the Seal’, de Graham Hancock, ‘The Temple and the Lodge’, de Baigent e Leigh, e o último, ‘The Hiram Key’, de Christopher Knight e Robert Lomas. Continuamos em dívida com todos estes autores pela luz que eles tem lançado sobre nosso terreno comum de investigação, porém cremos que todos eles fracassaram em achar a chave essencial que vá ao coração destes mistérios.

O que não deve estranhar ninguém. Toda nossa cultura se baseia em certas premissas a respeito do passado, e mais especialmente do cristianismo e o caráter e motivos de seu fundador. Porém se estas premissas são erroneas, então as conclusões que baseamos nelas estão distantes da verdade ou ao menos oferecem uma imagem deformada dos fatos.

Quando vimos pela primeira vez as conclusões inquietantes que estabelecemos neste livro, nos pareceu que estávamos equivocados.

Porém logo chegou o momento em que se impunha tomar uma decisão: ou continuávamos com a nossa investigação e publicavamos as nossas conclusões, ou teriamos que esquercermo-nos de termos realizado uns descobrimentos cruciais. Optamos por continuar. Do início ao fim este livro prolonga de uma maneira natural a relação ao que temos citado anteriormente, como se tivesse amadurecido em seu tempo.

Ao reacompanhar as crenças propostas por milhares de hereges de séculos diferentes, temos descoberto um panorama de notável continuidade. Nas tradições de muitos grupos de aparência muito diferente subjazem sempre os mesmos segredos e muito parecidos. A princípio nos pareceu que essas sociedades se haviamm mantido secretas por mero atavismo, ou talvez por afetação, porém logo compreendemos que a prudência os aconselhava a manter aqueles conhecimentos bem distantes das autoridades, e sobretudo longe da hierarquia eclasiástica.

A questão principal não se baseia em saber no que eles crêem, sem duvída, e sim se estas crenças tinham uma base substancial. Porque se elas tinham e a clandestinidade herege guardou efetivamente a chave que falta em relação a cristandade, então sim estamos diante de uma perspectiva verdadeiramente revolucionária.

Neste livro descrevemos a nossa viagem de oito anos por terras em sua grande maioria incógnitas, porque se bem que houvemos contado com o guia dos mapas traçados por outros expedicionários anteriores, eles se detiveram antes de chegar aonde nós tinhamos que chegar.

22 de julho de 1996

PRIMEIRA PARTE: As Sendas da Heresia

1. – O Código Secreto de Leonardo da Vinci

É uma das obras de arte mais famosas do mundo, e das que mais tem se apoiado. O afresco De Leonardo ‘Última Ceia’ é tudo quanto resta da Igreja de  Santa Maria delle Grazie, perto de Milão, pois a parede onde este afresco foi pintado foi a única que permaneceu de pé ao ser bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda que outros muitos artistas admirados como Ghirlandaio e Nicolas Poussin, e inclusive um pintor tão extravagante quanto Salvador Dali, tenham dado suas próprias versões de uma cena bíblica tão significativa, é a de Leonardo que, por algum motivo, mais tem cativado as imaginações. A temos encontrado reproduzida em múltiplas versões que abarcam ambos extremos do espectro de gostos, desde o sublime até o ridículo.

Algumsa imagens são tão familiares que nunca são bem olhadas, ainda que se ofereçam ao olhar do espectador abertas a um exame mais detido, mas em um plano mais profundo e cheio de sentido, seguindo como livros fechados. Assim ocorre com a Última Ceia de Leonardo… ainda que pareça mentira, como quase todas as outras obras dele que tem chegado até nós.

Foi a obra de Leonardo (1452-1519), esse genio atormentado do Renascimento italiano, a que nos colocou na trilha que acabou por levar-nos a uns descobrimentos tão estarrecedores quanto a suas consequências, que a princípio nos parecia impossível que eles tivessem passado desapercebidos por gerações inteiras de estudiosos, o que finalmente ressaltou diante de nosso olhar surpreendido, e incrível que uma informação tão explosiva tivesse permanecido por tanto tempo esperando pacientemente ser descoberta por uns autores como nós, alheios as escolas oficiais da investigação histórica ou religiosa.

É assim que vamos seguir a história refazendo seus passos contados e voltarmos a Última Ceia para a olhamos com outros olhos. Não é o momento agora para nos situarmos no contexto conhecido dos postulados da História da arte. Queriamos ve-la como a veria um recém chegado completamente ignorante dessa imagem tão arqui-conhecida. Que as escamas dos conceitos prévios caiam de nossos olhos e que olhemos a verdade, como se fosse a primeira vez em nossa vida.

O personagem central, pelo suposto, é Jesus, a quem Leonardo menciona sob o nome de ‘Redentor’ em sua notas de trabalho [mas que o leitor seja advertido que não deve ter nada por sabido, por mais óbvio que pareça]. Está em atitude contemplativa e olha para baixo e um pouco para sua esquerda, as mãos estendidas na frente sobre a mesa, como se oferecesse algo ao espectador. Como esta é a Última Ceia em que, segundo nos ensina o Novo Testamento, Jesus instituiu o sacramento do pão e vinho, no  qual convida a seus seguidores que comam e bebam dizendo que são sua carne e seu sangue, seria razoável buscar algum cálice ou taça de vinho diante dele, concluindo o oferecimento.

Afinal, para os cristãos, esta cena antecede imediatamente a paixão de Jesus no horto de Getsemani, onde ele reza com fervor pedindo ‘que afaste de mim  este cálice’ [outra alusão ao paralelismo vinho-sangue] e também a sua crucificação, na qual morreu derramando seu sangue pela redenção da humanidade. Porque não há vinho diante de Jesus, e apenas quantidades simbólicas em toda a mesa. Acaso tem razão os artistas que dizem ser um gesto vazio este das mãos abertas? Visto que apenas há vinho, talvez não seja casualidade que tampouco se tenham partido muito poucos dos pães que vemos sobre a mesa. E já que o próprio Jesus identificou o pão com seu próprio corpo que seria partido no supremo sacrifício. Está se comunicando alguma mensagem sutil quanto a verdadeira natureza dos padecimentos de Jesus?

Ele olha contemplativamente para baixo e ligeiramente a sua esquerda, as mãos abertas na mesa diante dele como se apresentando alguma dádiva ao espectador. Como nesta Última Ceia na qual assim nos diz o Novo Testamento, Jesus iniciou o sacramento do pão e do vinho urgindo que seus seguidores partilhassem deles como sua ‘carne e sangue’; pode-se razoavelmente esperar algum cálice ou taça colocado diante dele, a ser abarcado pelo seu gesto. Afinal, para os cristãos esta refeição imediante antes da paixão de Jesus no Jardim de Getsemani quando ele ferventemente orou que ‘afaste de mim este cálice’, uma outra alusão a imagem do sangue-vinho e também antes de sua morte pela crucificação quando seu sangue sagrado foi derramado em benefício de toda humanidade. Ainda que não haja vinho em frente de Jesus [e uma mera quantidade simbólica na mesa inteira]. Pode estarem estas mãos estendidas fazendo, segundo artistas, um gesto essencialmente vazio? A luz da falta do vinho talvez não seja acidente que  de todo pão na mesa muito pouco esteja partido. Como o próprio Jesus identificou o pão como seu próprio corpo que era para ser quebrado no supremo sacrifício, está alguma mensagem sutil sendo transmitida sobre a verdadeira natureza do sofrimento de Jesus?

Isto todavia é a mera ponta do iceberg da não ortodoxia apresentada nesta pintura. Na narrativa bíblica é o jovem São João, conhecido como ‘Amado do Senhor’ que estava fisicamente tão perto de Jesus que nesta ocasião inclinou-se em seu peito. Ainda que a representação de Leonardo desta jovem pessoa, não seja, como requerido nas direções bíblicas. tão reclinadas, mas invés se incline exageradamente para longe do Redentor, a cabeça quase que coquetemente inclinada para a direita. Até mesmo quando diga respeito a este caráter, para os recém chegados a pintura pode ser perdoada por conter curiosas incertezas sobre o chamado São João.

Enquanto seja verdadeiro que as próprias predileções do artista tendessem a representar o epítomo da beleza masculina como algo de certa forma afeminado, certamente esta é uma figura feminina que vemos. Tudo sobre ‘ele’ é surpreendentemente feminino. Tão velho e deteriorado quanto possa ser o afresco, pode-se ainda ver as pequeninas e graciosas mãos, as caraterísticas belas e delicadas do semblante, o peito distintamente feminino e o colar de ouro. Esta mulher, porque certamente é uma mulher, também está usando uma indumentária que a marca como sendo especial. Ela é a imagem em espelho da indumentária do Redentor. Onde um veste um robe azul e um manto vermelho, o outro veste um robe vermelho com um manto azul, em estilo idêntico.  Ninguém mais na mesa veste roupas que espelhem aquelas de Jesus deste modo. Central em toda composição está a forma que Jesus e esta mulher fazem juntos; um M gigantesco quase como se eles estivessem literalmente unidos pela cadeira mas tivessem sofrido uma separação ou até mesmo se separado. A nosso conhecimento nenhum academico tem se referido a este caráter feminino como algo mais que São João e a forma do M também tem passado desapercebida por eles.

Leonardo foi, como descobrimos em nossas pesquisas, um excelente psicólogo que se divertia em apresentar aos patronos que tinham dado a ele comissões religiosas o padrão com imagens altamente não ortodoxas, sabendo que as pessoas veriam a mais perplexante heresia com equanimidade porque elas geralmente apenas veriam o que esperavam ver. Se você é comissionado para pintar uma cena cristã padrão e apresenta ao público algo que se parece superficialmente com  isso, eles nunca questionarão seu simbolismo dúbio. Ainda que Leonardo deva ter esperado que talvez outros que partilhavam de sua não usual interpretação da mensagem do Novo Testamento reconheceriam sua versão, ou que alguém, em algum lugar, algum observador objetivo, um dia tomaria a imagem desta misteriosa mulher ligada com a letra M e faria as perguntas óbvias. Quem era este M e porque ela era tão importante?

Porque Leonardo arriscaria sua reputação e até mesmo sua vida nestes dias de piras flamenjantes, para inclui-la nesta crucial cena cristã? Seja quem for ela, seu próprio destino parece menos do que seguro, porque uma mão corta através de seu gracioso pescoço inclinado no que parece ser um gesto ameaçador. O Redentor, também é ameaçado por um dedo indicador para cima positivamente lançado em sua face com veemência óbvia. Tanto Jesus e M parecem estar totalmente indiferentes a estas ameaças, cada um aparentemente perdido no mundo de seus próprios pensamentos, cada um a seu modo sereno e composto. Mas se símbolos secretos estão sendo empregados, não somente adverte Jesus e sua companheira de seus destinos separados, mas também para instruir [ou talvez lembrar] o observador de alguma informação que caso contrário teria sido perigosa tornar pública. Leonardo está usando esta pintura para transportar alguma crença particular que teria sido muito insano partilhar com uma audiência mais ampla de um modo óbvio? E pode ser que esta crença possa ter uma mensagem para muito mais do que um círculo imediato, talvez mesmo para nós hoje?

Vamos olhar mais este surpreendente trabalho. A direita do observador do afresco um alto homem barbado se inclina quase em dois para falar com o último discípulo na mesa. Ao fazer isso, ele fica completamente de costas para o Redentor. Neste discípulo, São Tadeu ou São Judas, se reconhece como modelo o próprio Leonardo. Nada que os pintores da Renascença até mesmo apresentaram foi acidental ou incluindo meramente por ser belo, e este exemplar particular do tempo e da profissão foi conhecido ser uma insistência para a dupla ambiguidde visual. [A preocupação dele em usar o modelo certo para os vários discípulos pode ser detectada em sua irônica sugestão que o irritante Prior do Monastério de Santa Maria pousasse para o personagem de Judas!]. Então porque Leonardo se pinta olhando tão distintamente para longe de Jesus?

Há mais.  Uma mão anômala aponta uma adaga para o estomago do discípulo, uma pessoa longe do M. Por nenhum excesso de imaginação a mão pode pertencer a alguém sentado a mesa porque é fisicamente impossível para aqueles próximos terem se retorcido tanto para ter a adaga naquela posição. Contudo, é verdadeiramente surpreendente, quanto a isso, não é que a mão sem um corpo exista, mas que em toda nossa leitura sobre Leonardo temos chegado a apenas um par de referências a isso, e elas mostram uma curiosa relutância em achar algo não usual quanto a isso. Como o São João que realmente é uma mulher, nada pode ser mais óbvio, e mais bizarro, uma vez que seja ressaltado, ainda que completamente apagado do olho do observador e sua mente, simplesmente porque é tão extraordinário e ultrajante.

Temos frequentemente ouvido ser dito que Leonardo era um pio cristão cujas pinturas religiosas refletiam a profundidade de sua fé. Até onde temos visto, ao menos uma delas contém um conjunto de imagens altamente duvidosa em termos da ortodoxia cristã, e em nossa pesquisa posterior, como devemos ver, nada pode estar mais distante da verdade do que a idéia de que Leonardo foi um verdadeiro crente, isto é,  de qualquer forma aceita ou aceitável de cristianismo. Já as caraterísticas curiosas e anômalas em apenas um de seus trabalhos parecem indicar que ele estava tentando nos contar uma outra camada de significado naquela familiar cena bíblica, ou um outro mundo de crença além do ressalte aceito da imagem congelada no mural do século XV perto de Milão. Sejas quais possam ser estas inclusões heterodoxas, elas foram, isto não pode ser ressaltado demais, totalmente em variância com a cristandade ortodoxa. Isto em si mesmo dificilmente é novo para os materialistas/racionalistas de hoje, porque para eles Leonardo foi o primeiro cientista real, um homem que não tinha tempo para superstições ou religiões de qualquer forma, que era a própria antítese do místico ou do ocultista. Ainda que eles, também, tenham falhado em ver que isso foi plenamente excluído diante de seus olhos. Pintar a Última Ceia sem importantes quantidades de vinho é como pintar o momento crítico de uma coroação sem a coroa; ou é perder completamente o ponto ou estabelecer bem um outro, na extensão em que isso marca o pintor como nada menos que herege, alguém que possui crenças religiosas mas que está em estranheza , talvez até mesmo em guerra, com aquelas da ortodoxia cristã.

E os outros trabalhos de Leonardo, temos descoberto, ressaltam suas próprias obsessões heréticas embora cuidadosamente aplicadas na formação consistente de imagens, algo que não aconteceria se o artista fosse um ateu meramente engajado em ganhar sua vida. Estas desnecessárias inclusões e símbolos também são muito, muito mais do que uma resposta cética satírica a uma tal comissão; eles não são apenas o equivalente de aderir um nariz vermelho a São Pedro, por exemplo. O que estamos olhando na Última Ceia e seus outros trabalhos é o código secreto de Leonardo da Vinci, que acreditamos ter uma surprendente relevância para o mundo hoje. Pode ser argumentado que seja o que for que Leonardo acreditou ou não acreditou, isto era meramente o ponto fraco de um homem, e um homem notoriamente estranho, um em cuja história encontramos infindáveis paradoxos.

Ele pode ter sido um solitário, mas ele era também a vida e alma do grupo; ele desprezava os previsores da fortuna, mas suas narrativas listam dinheiros pagos a astrólogos; ele era um vegetariano a amante de animais mas sua ternura raramente se estendia a humanidde. Ele obcessivamente dissecava cadáveres e observava execuções com os olhos de um anatomista. Ele era um profundo pensador e mestre de enigmas, conjurando truques e farsas. Dado uma tal visão geral complexa, talvez fosse de se esperar que suas opiniões pessoais sobre religião e filosofia fossem não usuais, até mesmo excentricas. Apenas por esta razão, pode ser tentador descartar suas crenças heréticas como irrelevantes hoje. Conquanto seja geralmente admitido que Leonardo era enormemente dotado, a tendência moderna ao ‘epoquismo’ arrogante buca indeterminar suas obtenções. Afinal, quando ele estava em seu florescimento, até mesmo a técnica da impressão era uma novidade. O que poderia um tal inventor solitário em tal tempo primitivo possivelmente ter a oferecer a um mundo que é infindavelmente informado pela Net, e que pode, em uma questão de segundos, se comunicar por telefone ou máquina de fax com pessoas em continentes que nem mesmo foram descobertos nos dias dele?

Há duas respostas a isso. A primeira é a de que Leonardo não foi, para usar um paradoxo, um genio comum. Embora a maioria das pessoas saiba que ele projetou máquinas voadoras e primitivos tanques militares, algumas de suas invenções eram tão improváveis em seus dias quando aquelas de um virada mental mais caprichosa tem até mesmo sugerido que ele possa realmente ter tido visões do futuro. Seus projetos para uma bicicleta, por exemplo, apenas vieram a luz em 1960. Diferente dos dolorosos estágios de tentativa e erro no desenvolvimento da inicial biclicleta vitoriana, contudo, o traçador de estrada de da Vinci tinha duas rodas e igual tamanho e um mecanismo de cadeia e engrenagem. Mas até mesmo mais fascinante do que o projeto atual, está a possível razão porque ele pode ter inventado uma bicicleta em primeiro lugar. Para um homem que sempre havia querido voar como os pássaros, mas tendo um desejo motor para pedalar ao longo em estradas menos do que perfeitas, precariamente equilibrado em duas rodas, é completamente surpreendente. [ e não é, diferente de voar, uma figura em qualquer fábula clássica]. Leonardo também previu o telefone, entre muitas outras afirmações futurísticas pela fama. Se Leonardo era algo mais do que um genio, do que os livros de história o permitem, há ainda a questão como o possível conhecimento que ele poderia ter tido, se impingiria de um modo significativo ou disseminado cinco séculos depois que ele viveu.

Conquanto possa ser argumentado que os ensinamentos de um rabino do século I possam ser esperados terem até mesmo menos relevância para nosso tempo e lugar, também é verdade que algumas idéias são universais e eternas, e que a verdade, se ela pode ser encontrada ou definida, nunca é essencialmente indeterminada pela passagem dos séculos. Contudo não foi a filosofia ou a arte de Leonardo que primeiramente nos atraiu até ele. Foi seu trabalho mais paradoxal, aquele que é ao mesmo tempo incrivelmente famoso e menos conhecido, que motivou nossa pesquisa intensiva sobre Leonardo. Como descrito em detalhes em nosso último livro, descobrimos que ele foi o mestre que falsificou o famoso Sudário de Turim, que há muito tinha sido acreditado ter sido impresso  com a imagem de Jesus ao tempo de sua morte. Em 1988 a datação por carbono provou ser ele um artefato do final dos tempos medievais ou início da Renascença, mas para nós, ele permaneceu uma imagem verdadeiramente notável, para dizer o mínimo. Principal em nossas mentes estava a questão da identidade do fraudador, porque seja quem fosse que tenha criado esta relíquia, tinha que ser um genio.

O Sudário de Turim, como toda a literatura reconhece, a favor e contra a sua autenticidade, se comporta como uma fotografia.  Ele exibe um curioso ‘efeito negativo’ o que significa que se parece como uma vaga marca de queimadura ao olho nu, mas pode ser visto em bons detalhes no negativo fotográfico. Porque nenhuma pintura conhecida ou impressão por riscar se comporta desta maneira, o efeito negativo tem sido tomado pelos crentes no Sudário como sendo a prova das qualidades miraculosas da imagem. Contudo, descobrimos que a imagem no Sudário de Turim se comporta como uma fotografia precisamente porque é isso que ela é. De início, tão incrível quanto possa parecer, o Sudário de Turim é uma fotografia. Nós, juntamente com Keith Prince, reconstruimos o que acreditamos ser a técnica original e ao fazer isso se tornou claro que a primeira pessoa até mesmo replicou todas as caratéristicas até então inexplicadas do Sudário. E a despeito das afirmações dos crentes no Sudário que isso era impossível, nós o fizemos usando um equipamento extremamente básico. Usamos uma camera escura, uma roupa quimicamente coberta, tratada com materiais prontamente disponíveis no século XV, e grandes doses de luz. Contudo, o sujeito experimental de nossa fotografia era um busto de gesso de uma menina, que estava desapontantemente anos luz longe do modelo original. Porque embora a face no Sudário não fosse, como tem sido amplamente afirmado, aquela de Jesus, ela era de fato a face do próprio fraudador. Em resumo, o Sudário de Turim é, entre outras coisas, uma fotografia de cinco anos de não outro que Leonardo da Vinci.

A despeito de algumas curiosas afirmações em contrário, este não pode ter sido o trabalho de um pio crente cristão. O Sudário de Turim, visto no negativo fotográfico, aparentemente mostra o corpo quebrado e sangrante de Jesus. Deve ser lembrado que este não é um sangue comum; para os cristãos ele não é apenas literalmente divino: ele é também o veículo pelo qual o mundo pode ser redimido. Para nossas mentes, não se pode simplesmente falsificar aquele sangue e ser considerado um crente; Nem pode-se ter qualquer respeito pela pessoa de Jesus e substituir sua imagem pela nossa. Leonardo fez ambas as coisas, com um cuidado meticuloso e até mesmo suspeita-se um certo contentamento. De fato ele sabia que, como a susposta imagem de Jesus, ninguém  perceberia que era o próprio artista Florentino. O Sudário seria louvado por um considerável número de romeiros até mesmo durante seu próprio período de vida. Por tudo que sabemos, ele até mesmo realmente se esgueirou nas sombras e os observou a assim o fazerem, o que estaria de acordo com seu caráter conhecido. Mas ele também supôs quantos romeiros estariam passando diante de sua imagem através dos séculos? Ele imaginou que um dia pessoas inteligentes realmente seriam convertidas ao catolicismo simplesmente por olhar sua face bela e torturada? E possivelmente ele pode ter previsto que a imagem cultural ocidental do que Jesus realmente se pareceria viria grandemente da imagem no Sudário de Turim? Ele entendeu que um dia milhões de pessoas do mundo estariam venerando a imagem de um homossexual herege do século XV em lugar de seu amado Deus, que Leonardo da Vinci se tornaria a imagem de Jesus Cristo? O Sudário foi, acreditamos, quase a piada mais ultrajante e bem sucedida até mesmo apresentada na história. Mas embora ele tenha enganado milhões, é mais do que um hino de arte de uma farsa sem sabor. Acreditamos que Leonardo usou a oportunidade para criar a máxima relíquia cristã como um veículo para duas coisas: uma técnica inovadora e uma codificada crença herética.

A técnica da fotografia primitiva era, como os eventos viriam a mostrar, altamente perigosa para se tornar pública naquela era paranóide e supersticiosa. Mas sem dúvida divertiu Leonardo se assegurar que este protótipo fosse visto pelos mesmos sacerdotes que ele desprezava. De fato pode ter sido que este irônico guardião sacerdotal fosse puramente coincidental, meramente uma volta fatídica em uma história já notável, mas para nós isto tem a marca de Leonardo pelo controle total, que pode ser vista aqui para alcançar muito além da tumba. O Sudário de Turim, uma fraude e trabalho de um genio que ele é, também carrega certos símbolos que resaltam as particulares obsessões de Leonardo, como visto em outros de seus trabalhos, mais aceitos. Por exemplo, há na base do pescoço do homem do sudário uma distinta linha de demarcação. Quando a imagem como um todo é virada em um mapa de contorno usando a mais sofisticada tecnologia de computador, podemos ver que a linha marca o fim inferior da imagem da cabeça na frente, enquanto há, como isso, um mar de escuridão chata sem imagem imediatamente abaixo disso até que a imagem começa novamente no peito superior. Acreditamos haver duas razões para isso. Uma é puramente prática, porque a imagem da frente é um composto, o corpo sendo aquele de um homem genuinamente crucificado e a face sendo a do próprio Leonardo, e então a linha talvez por necessidade indique a junção das duas imagens. Contudo, este fraudador não era um trabalhador mediano, e teria sido relativamente facil obscurecer ou esmaecer esta indicadora linha de demarcação.

Mas que tal se Leonardo de fato não quisesse se livrar dela? Que tal se ele a deixou lá deliberadamente para estabelecer um ponto para ‘os olhos que vêem’? Que possível heresia pode o Sudário de Turim levar, até mesmo em código? Certamente há um limite para os símbolos que alguém possa ocultar em uma única imagem  simples e total de um homem nu crucificado, e uma que tem sido analisada por muitos cientistas principais usando equipamento de primeira linha?  Conquanto ainda estaremos retornando a este tema em seu devido curso, vamos meramente apontar por agora que estas questões podem ser respondidas ao olhar dois principais aspectos da imagem. O primeiro diz respeito a abundância de sangue que parece estar correndo fresco dos braços de Jesus e que podem parecer, superficialmente, contradizer a simbólica falta de vinho na mesa da Última Ceia, mas de fato reforça este ponto em particular. A segunda diz respeito a óbvia linha de demarcação  entre a cabeça e o corpo, como se Leonardo estivesse chamando nossa atenção para uma degola. Até onde sabemos, Jesus não foi degolado, e a imagem é uma composição, então estamos sendo pedidos considerar as imagens dos dois caracteres separados que não obstante estão estreitamente ligados de algum modo.  Mas ao fazer isso, porque deveria alguém que foi degolado ser colocado sobre alguém que foi crucificado? Como estaremos vendo, esta pista da cabeça cortada no Sudário de Turim é meramente um reforço dos símbolos em muitos dos trabalhos de Leonardo.

Temos notado como é anômala a mulher, M, em sua Última Ceia, que aparentemente está sendo ameaçada por uma mão que se posiciona perto de seu delicado pescoço, e como o próprio Jesus é ameaçado por um dedo indicador levantado perto de sua face, aparentemente um aviso, ou talvez um lembrete, ou ambos. Nos trabalhos de Leonardo este dedo indicador levantado está sempre, em todos os casos, em uma referência direta a João Batista. Este santo, alegadamente o precursor de Jesus, que dise ao mundo ‘acautele-se do cordeiro de Deus’, cujas sandálias ele não era digno de desamarrar, foi de suprema importância para Leonardo, se formos julgar apenas por sua omnipresença nos trabalhos sobreviventes do artista. Esta obsessão por si só é curiosa para alguém que tem sido amplamente considerado pelos racionalistas modernos não ter tempo para a religião.  Um homem para o qual todos os personagems e tradições da cristandade eram nada, dificilmente teria devotado tanto tempo e energia a esse santo em particular, como ele o fez com João Batista. De tempos em tempos, novamente é João Batista que domina a vida de Leonardo, tanto a nível consciente em seus trabalhos quanto em um nível sincrônico nas coincidências que o rodeiam. É quase como se João Batista o seguisse. Por exemlo, sua amada cidade de Florença é dedicada a este santo e também o é a catedral em Turim onde o falsificado Sudário está.

Sua última pintura, que com MonaLisa, ficou não reclamada nas camaras de suas horas agonizantes, era de João Batista, e sua única peça sobrevivente de escultura [executada juntamente com Giovan Francesco Rustici, um conhecido ocultista] também apresentava Batista. Ela agora está acima da entrada do batistério em Florença, alto acima as cabeças dos turistas, e infelizmente, fornecendo um bom lugar para os irreverentes bandos de pombos.  Este dedo indicador levantado , que chamamos de ‘gesto de João’, foi apresentado na Escola de Atenas de Rafael [1509]. Lá vemos o venerável caráter de Platão exibindo este sinal, mas em cirunstâncias que não são bem uma tal alusão misteriosa como se pode suspeitar. De fato, o modelo para Platão não foi ninguém mais que o próprio Leonardo, obviamente fazendo um gesto que não era somente caraterístico dele de algum modo, mas também profundamente significativo para ele [e presumidamente também para Rafael e outros em seu círculo]. No caso parece que estamos dando importância demais ao que chamamos ‘gesto de João’, mas vamos olhar outros exemplos disso no trabalho de Leonardo. Ele figura em várias de suas pinturas, e, como temos visto, também carrega a mesma importância.

Em seu trabalho inacabado, ‘Adoração dos Magos’ [que foi começado em 1481] um espectador anônimo faz este gesto perto de uma colina de terra na qual cresce uma árvore de alfarroba. Muitos observadores dificilmente perceberiam isso, porque seus olhos seriam inevitavelmente atraídos para o que eles acreditariam ser o ponto inteiro da imagem, como o título sugere, a veneração da Sagrada Família pelos ‘homens sábios’ ou magos. A bela e sonhadora Virgem, com o infante Jesus em seus joelhos, é retratada como um personagem insípido e incolor. Os Magos se ajoelham, apresentando a ela seus presentes para a criança, enquanto ao fundo uma multidão anda em círculos ao redor, aparentemente também venerando a mãe e a criança. Mas, como na Última Ceia, isto é apenas uma pintura superficialmente cristã e merece um exame mais de perto. Os veneradores ao fudo dificilmente são exemplos de saúde e beleza. Delgados quase ao ponto de serem como cadáveres, suas mãos estendidas parecem não muito estarem elevadas em admiração, mas mais como se eles estivessem aranhando em um modo de pesadelo o par. Os Magos apresentam os presentes, mas apenas dois, ao invés dos legendários três. Olíbano e incenso são oferecidos, mas não ouro. Para aqueles dos dias de Leonardo o ouro significava não apenas a riqueza imediata mas também um símbolo de realeza e aqui isso é retirado de Jesus. Se alguém olha por trás da Virgem e dos Magos, parece haver um segundo grupo de veneradores. Eles são muito mais saudáveis e de aparência normal, mas se alguém segue a linha dos olhos deles é óbvio que eles não estão olhando para a Virgem e a criança, mas parecem estar reverenciando as raizes da alfarrobeira, na qual um homem está fazendo o ‘gesto de João’. E a alfarrobeira é tradicionalmente associada a João Batista. Abaixo nocanto inferior da mão direita da pintura um jovem homem se volta deliberadadmente para longe da Sagrada Família. É geralmente aceito que este é o próprio Leonardo, mas de certa forma é um argumento fraco que é frequentemente usado para explicar sua aversão – que o artista sentiu-se indigno de encara-los, e isto dificilmente se sustentará. Porque Leonardo é amplamente conhecido não ter sido nenhum amante da Igreja. Além disso, no personagem de São Tadeu ou São Judas na Última Ceia eles também está virado de costas para o Redentor, assim sublinhando alguma extrema resposta emocional às figuras centrais da história cristã. E como Leonardo dificilmente foi o épitome de piedade ou humildade, esta reação é improvável de ter sido inspirada por um sentimento de inferioridade ou servilismo.

Voltemos a pintura bela e assustadora de Leonardo, ‘A Virgem e a Criança com Santana’, que embeleza a Galeria Nacional de Londres; e novamente aqui estão os  elementos  que devem – mas raramente o fazem – perturbar o observador com suas implicações subversivas. O desenho mostra a Virgem e a criança junto a Santana [Mãe de Maria] e João Batista como uma criança. O  infante Jesus aparentemente está abençoando seu primo João, que olha para cima reflexivamente, enquanto Santana espia intencionalmente a face distraída de sua filha de lugares perto, e está fazendo o ‘gesto de João’ com uma mão curiosamente grande e masculina. Contudo, este dedo indicador levantado se eleva imediatamente sobre a cabeça de Jesus que está dando sua benção, como se sombreando isso literal e metaforicamente. E embora a Virgem pareça estar sentada de um modo extremamente desconfortável, quase como se em uma sela lateral, de fato é o posicionamento de Jesus que é particularmente estranho. A Virgem o segura como se ela o tivesse exatamente lançado para cima para fazer sua benção, como se ela o tivesse trazido para a imagem simplesmente para fazer assim, mas só o possa sustentar com dificuldade. Enquanto isso, João repousa casuamente contra o joelho de Santana como se despreocupado da honra que lhe está sendo dada. Pode ser que a própria mãe da Virgem a estivesse lembrando de algo secreto relacionado a João? Segundo a nota acompanhante na Galeria Nacional, alguns especialistas, intrigados com a juventude de Santana e a presença anômala de João Batista, tem especulado que a pintura realmente apresentasse Maria e sua prima Elizabeth, a mãe de João. Isto parece possível, e se correto, reforça o ponto.

Esta aparente inversão dos papéis usuais de Jesus e João também pode ser visto em uma das duas versões da ‘Virgem das Rochas’ de Leonardo. Os historiadores de arte nunca tem explicado satisfatóriamente porque devam haver duas, mas uma é atualmente exibida na Galeria Nacional em Londres, e a outra, para nós, muito mais interessante, no Louvre em Paris. A comissão original foi de uma confraternização conhecida como Confraternidade da Imaculada Conceição,  e era uma pintura simples para ser a peça central da capela deles na Igreja de San Francesco Grand em Milão. [as outras duas pinturas para o tríptico eram para serem feitas por outros artistas]. O contrato, datado de 25 de abril de 1483, ainda existe, e lança uma luz interessante sobre os esperados trabalhos e sobre o que os membros da confraternidade receberam. Nele eles cuidadosamente especificaram a forma e as dimensões da pintura que eles queriam, uma necessidade porque a modura do tríptico já existia. Estranhamente, ambas das versões terminadas de Leonardo atendem a estas especificações, embora porque ele tenha feito duas delas não seja sabido. Podemos, contudo, lançar uma suposição sobre estas interpretações divergentes que tinham pouco a ver com perfeicionismo e muito com uma consciência de seu potencial explosivo. O contrato também especificava o tema da pintura. Era para retratar um evento que não é encontrado nos Evangelhos mas que está presente a muito tempo na história cristã. É a história de como, durante a fuga para o Egito, José, Maria e o bebê Jesus tinham se abrigado em uma caverna deserta, onde eles se encontraram com o infante João Batista, que estava protegido pelo arcanjo Uriel. O ponto desta história é que ela permitiu o escape de uma das mais óbvias e embaraçosas perguntas levantadas pela história no Evangelho do batismo de Jesus. Porque deveria um Jesus supostamente sem pecado precisar afinal do batismo, dado que o ritual era um gesto simbólico de ter lavado os pecados de alguém e o comprometimento da futura divindade? Porque deveria o próprio filho de Deus se submeter ao que claramente era um ato de autoridade da parte de Batista? Esta história nos conta como, em seu encontro notavelmente fortuito dos dois infantes sagrados, Jesus conferiu ao seu primo João a autoridade de batiza-lo quando ambos fossem adultos.

Por várias razões isto se nos parece a mais ironica comissão que a confraternidade deu a Leonardo, mas suspeita-se igualmente que ele teria ficado deliciado ao recebe-a, e em fazer a interpretação, ao menos em uma das versões, muito sua própria. No estilo do dia, os membros da confraternidade tinham especificado uma pintura extravagante e ornada, completa com toques de folha de ouro e um tumulto de querubins e profetas espectrais do Velho Testamento para encher o espaço. O que eles receberam no fim era muito diferente, em uma tal extensão que as relações entre eles e o artista se tornaram acrimoniosas, culminando em um processo que se arrastou por mais de vinte anos. Leonardo escolheu representar a cema tão realisticamente quanto o possível, sem nenhum personagem estranho a ela, não haveria gordos querubins ou sombrios profetas do juizo final para ele. De fato, a ‘dramatis personae’ tem sido talvez excessivamente reduzida gradualmente, porque embora esta cena supostamente apresente a fuga para o Egito da Sagrada Família, José não aparece nela.

A versão do Louvre, que foi a anterior, mostra uma Virgem em um robe azul com um braço protetor ao redor de uma criança, o outro infante estando agrupado com Uriel. Curiosamente, as duas crianças são idênticas, mas ainda mais estranho, é a criança com o anjo que está abençoando a outra, e a criança de Maria que está ajoelhada em subserviência. Isto tem levado os historiadores de arte a assumirem que, por alguma razão, Leonardo escolheu posicionar a criança João com Maria. Afinal, não há rótulos que identifiquem os indivíduos e certamente a criança que tem a autoridade de abençoar deve ser Jesus. Há, contudo, outros meios de interpretar esta pintura, meios que não apenas sugerem mensagens fortemente subliminares e altamente não ortodoxas, mas que também reforçam os códigos usados nos outros trabalhos de Leonardo. Talvez a similaridade entre as duas crianças aqui sugira que Leonardo estava deliberadamente falsificando a identidade delas para seus próprios propósitos. E, enquanto Maria está protetoramente abraçando a criança geralmente aceita como João com sua mão esquerda, sua mão direita está estendida acima da cabeça de ‘Jesus’ no que parece ser um gesto de clara hostilidade. Isto é o que Serge Bramly, em sua recente biografia de Leonardo, descreve como ‘o reminescente talão de uma águia’. Uriel está apontado através da criança de Maria, mas também, enigmaticamente ao observador, o que é, resolutamente para longe da criança e da Virgem. Conquanto seria mais fácil aceitar este gesto como uma indicação de quem seria o Messias, há outros possíveis significados.  Que tal se a criança com Maria, na versão do Louvre, da ‘Virgem das Rochas’, seja Jesus, como poderia ser lógico de se esperar e o mais jovem com Uriel fosse João? Lembre-se que neste caso é João que está abençoando Jesus, com o último se submetendo a sua autoridade. Uriel, como protetor especial de João, está evitando até mesmo olhar Jesus. E Maria, protegendo seu filho, está lançando uma mão ameaçadora alto acima da cabeça do bebê João. Várias polegadas diretamente abaixo da palma esticada dela a mão apontadora de Uriel corta diretamente através, como se os dois gestos estivessem compreendendo alguma pista críptica. É como se Leonardo estivesse indicando que algum objeto, alguma coisa importante mas invisível, devesse preencher o espaço entre eles. No contexto de modo algum é fantasioso entender que os dedos esticados de Maria querem parecer como se estivessem colocados em uma coroa de uma cabeça invisível, enquando o dedo indicador de Uriel corta o espaço precisamente onde deveria estar o pescoço. Esta cabeça fantasma flutua exatamente sobre a criança que está com Uriel. Então esta criança é efetivamente rotulada afinal, porque uma as duas era para morrer decapitada? E se este é verdadeiramente João Batista, é ele que é mostrado dando a benção, sendo o superior. Ainda que quando nos voltamos para a versão muito mais posterior da Galeria Nacional, descobrimos que todos os elementos necessários para fazer este interpretação herética estão faltando, mas apenas estes elementos. As duas crianças são bem diferentes na aparência, e a que está com Maria sustenta a tradicional cruz longa de Batista [embora seja verdade que deva ter sido acrescentada por um artista posterior]. Aqui a mão direita de Maria ainda está esticada sobre a cabeça da outra criança, mas dessa vez não há sugestão de uma ameaça. Uriel não mais aponta nem olha para fora da cena. É como se Leonardo estivesse os convidando a localizar as diferenças ousando nos fazer tirar nossas próprias conlusões dos detalhes anômalos.

Este tipo de exame do trabalho de Leonardo revela uma plétora de sub-correntes provocantes e perturbadoras. Parece haver uma repetição, usando vários engenhosos sinais subliminares e símbolos, do tema de João Batista. De tempos em tempos novamente ele, e as imagens que o denotam, estão elevadas acima da figura de Jesus, até mesmo se estamos certos, nos símbolos que estão perspicazmente colocados no próprio Sudário de Turim. Há algo dirigido sobre esta insistência, não menos no muito intrincado das imagens que Leonardo usou,  e de fato, no risco que ele assumiu em apresentar até mesmo uma tal sagaz e subliminar heresia ao mundo. Talvez, como já temos apontado, a razão pela qual ele teha terminado tão pouco de seu trabalho não tenha sido porque ele era um perfeccionista, mas também porque ele estivesse ciente demais do que poderia acontecer a ele se alguém de importância visse através da fina camada da ortodoxia a clara ‘blasfêmia’ que jaz sob a superfície. Talvez até mesmo o gigante físico e intelectual que foi Leonardo estivessem um pouco cauteloso quanto a cair em complicações com as autoridades, uma vez que isto era bem o bastante para ele. Contudo, certamente ele não teria qualquer necessidade de colocar sua cabeça no bloco por trabalhar tais mensagens heréticas em suas pinturas a menos que ele tivesse uma crença apaixonada nelas.

aComo já temos visto, longe de seu um ateu materialista tão amado por muitos modernos, Leonardo era profundamente comprometido com um sistema de crenças que corre totalmente contra o que era então, e ainda é agora, a principal corrente da cristandade. Isto era o que muitos possam preferir chamar de oculto. Para a maioria das pessoas hoje esta é uma palavra que tem conotações imediatas e menos do que positivas. É tomado como significando magia negra, ou criações de charlatães depravados, ou ambos. De fato, a palavra oculto simplesmente significa ‘escondido’ e é geralmente usada na astronomia, tal como na descrição de um corpo celestial ‘ocultando’, ou ‘eclipsando’ outro. Onde Leonardo estava preocupado, pode-se concordar que conquanto haja de fato elementos em sua vida e crenças que batem com ritos sinistros e práticas mágicas, é também verdade que o que ele buscava era, acima e além de qualquer coisa mais, o conhecimento. A maioria do que ele buscava tinha, contudo, sido efetvamente ‘ocultada’ da sociedade e por uma organização poderosa e omnipresente em particular. Pela maior parte da Europa naquele tempo a Igreja barrava qualquer experimentação científica e dava passos drásticos para silenciar aqueles que tornavam suas opiniões individualmente particulares, públicas.

Contudo, Florença, onde Leonardo nasceu e cresceu, e em cuja côrte sua carreira realmente começou, era um centro florescente para uma nova onda de conhecimento. Isto, muito perplexantemente, era devido inteiramente a este cidade ter sido um paraíso para grandes números de ocultistas e mágicos influentes. Os primeiros patronos de da Vinci, a família Medici que governava Florença, ativamente encorajava a erudição oculta e até mesmo patrocinou pesquisadores para procurarem, e traduzirem, específicos manuscritos perdidos. Este fascínio pelo arcano não era o equivalente da Renascença aos horóscopos de jornal de hoje. Embora houvessem áreas inevitáveis de investigação que nos pareceriam ingenuas ou claramente supersticiosas, havia muitas mais que representam uma séria tentativa de entender o universo e o lugar do homem dentro dele. Os mágicos, contudo, deviam ir um pouco adiante, e descobrir como controlar as forças da natureza. Parece nesta luz, talvez isto não seja assim tão notável que Leonardo de todas as pessoas fosse, como acreditamos, um participante ativo da cultura oculta de seu tempo e lugar. E o distinguido historiador Dame Frances Yates tem até mesmo sugerido que a chave toda para o genio de longo alcance de Leonardo posa ter estado nas idéias contemporaneas  do mágico. Os detalhes das precisas filosofias tão prevalentes neste movimento oculto Florentino podem ser encontradas em nosso livro anterior, mas brevemente, o objeto central a questão de todos os grupos daquela época era o hermeticismo, que tomou seu nome de Hermes Trimegistus, o grande, se lendário, mago egípcio cujos livros apresentavam um coerente sistema mágico. Mas de loge a parte mais importante do pensamento hermético era a idéia de que o homem era de algum modo literalmente divino, um conceito que por si só era tão ameaçador para manter os corações e mentes do rebanho da Igreja que devia ser considerado um anátema. Os príncípios herméticos foram certamente demostrados na vida e no trabalho de Leonardo, mas ao primeiro olhar pareceria haver uma evidente discrepância entre estas sofisticadas idéias filosóficas e cosmológicas e as noções heréticas que não obstante patrocinam a importância das figuras bíblicas. [devemos ressaltar que as crenças heteredoxas de Leonardo e seu círculo não eram meramente o resultado de uma reação contra uma Igreja corrupta e crédula. Como a história tem mostrado, havia de fato uma forte e certamente não descoberta reação a Igreja de Roma, o inteiro movimento protestante. Mas tivesse Leonardo estado vivo hoje não o encontrariamos adorando naquele tipo de igreja também].

Contudo há uma grande quantidade de evidência que os hermeticistas podiam também serem claramente heréticos. Giordano Bruno (1548-1600), o pregador fanático do hermeticismo, proclamou que suas crenças vieram da antiga religião egípcia que precedeu o cristianismo, e que o eclipsou em importância. Parte deste florescente mundo oculto, mas ainda tão cuidadoso da desaprovação da Igreja para ser algo mais do que um movimento subterrâneo, eram alquimistas. Novamente eles são um grupo que sofre de um moderno preconceito. Hoje eles são considerdados tolos que desperdiçaram suas vidas tentando em vão transformar o metal base em ouro; de fato esta imagem é uma útil tela de fumaça para os alquimistas sérios que estavam mais preocupados com a apropriada experimentação científica, mas também com a transformação pessoal e seu implícito controle total do próprio destino da pessoa. Novamente, não é difícil ver que alguém tão faminto de conhecimento quanto Leonardo faria parte deste movimento, talvez um dos primeiros participantes dele. Conquanto não haja evidência direta de seu envolvimento, ele foi conhecido por se associar com comprometidos ocultistas de todas as sombras, e a nossa pesquisa em sua falsificação do Sudário de Turim sugere fortemente que a imagem foi o resultado direto de seus próprios experimentos ‘alquímicos’. [De fato temos chegado a conclusão que a própria fotografia foi uma vez o maior dos segredos alquímicos]. Falando simplesmente, é altamente improvável que Leonardo não estivesse familiarizado com qualquer sistema de conhecimento que fosse disponível em seus dias, mas ao mesmo tempo, dado os riscos que envolviam ser abertamente parte deles, é igualmente improvável que ele colocasse qualquer evidência disso no papel. Ainda que, como temos visto, os símbolos e imagens sejam repetidamente  usadas em suas chamadas pinturas cristãs onde dificilmente aqueles que, tivessem eles entendido sua verdadeira natureza, teriam sido apreciados pelas autoridades da Igreja. Até mesmo assim, um fascínio como hermeticismo pode ser, ao menos superficialmente, quase o fim oposto da balança para uma preocupação com João Batista, a importancia atribuida da mulher ‘M’.

De fato, era esta discrepância que nos intrigou em uma tal extensão que nos aprofundamos posteriormente. De fato pode ser argumentado que o que todos estes infindáveis indicadores levantados significa é que um genio da Renascença era obcecado por João Batista. Mas é possível que um significado mais profundo jaza sob a crença pessoal de Leonardo? Foi a mensagem que pode ser lida em suas pinturas de algum modo realmente verdadeira? Certamente o Mestre a muito tinha sido reconhecido nos círculos ocultos como sendo possuidor de um conhecimento secreto. Quando começamos a pesquisar sua participação no Sudário de Turim chegamos a muitos rumores entre tais pessoas para avaliar que ele não apenas tinha uma mão em sua criação, mas também que ele era um reconhecido mago de algum renome.  Há até mesmo um cartaz parisiense do século XIX anunciando o Salão da Rosacruz, um local de encontro para ocultistas de mente artística, que apresenta Leonardo como o Guardião do Santo Gral [que em tais círculos pode ser tomado de antemão o guardião dos mistérios]. Novamente, rumores e licença artistica não fazem por si mesmos acrescentarem muito, mas, se reunidos com todas as outras indicações listadas acima,  eles certamente aguçam nosso apetite para saber mais sobre o desconhecido Leonardo. Até onde tivemos isolado a maior margem do que pareceu ser a maior obsessão de Leonardo: João Batista. Conquanto não fosse apenas natural que ele recebesse comisssões para pintar ou esculpir aquele santo enquanto vivia em Florença, um lugar dedicado a João, é um fato que, quando deixado por conta própria, Leonardo assim o escolhesse. Afinal, a última pintura que ele estava a trabalhar antes de sua morte em 1519, que não foi comissionada por qualquer pessoa, mas pintada pelas próprias razões dele, era de João Batista. Talvez ele quisesse a imagem para olhar enquanto estivesse morrendo. E até mesmo quando ele tinha sido pago para pintar uma cena cristã ortodoxa, ele sempre, se ele pudesse se afastar disso, emfatizava o papel de Batista nela. Como temos visto, suas imagens de João são elaboradamente criadas para transmitirem uma mensagem específica, até mesmo se pega de forma imperfeita e subliminar.

João certamente é apresentado como importante, mas então ele era o precursor, o arauto e parente sanguíneo de Jesus, então é apenas natural que seu papel deva ser reconhecido deste modo. Ainda que Leonardo não estivesse nos dizendo que Batista era, como todo mundo mais, inferior a Jesus. Em seu quadro ‘A Virgem das Rochas’ o anjo está, argumentavelmente, apontando para João, que está abençoando Jesus e não vice versa. Na ‘Adoração dos Magos’ as pessoas sadias e de aparência normal estão venerando as raízes elevadas da alfarrobeira, a árvore de João, e não a incolor Virgem e a criança. E o ‘gesto de João’, aquela indicador da mão direita levantado, está lançado na face de Jesus na Última Ceia no que de nenhum modo é claramente amante ou apoiador; no mínimo, parece estar dizendo de uma maneira claramente ameaçadora ‘Lembre-se de João’. E o que é o menos conhecido dos trabalhos de Leonardo, o Sudário de Turim, tem o mesmo tipo de simbolismo, com sua imagem de uma cabeça aparentemente cortada sendo colocada sobre um corpo classicamente crucificado. A evidência completa é que, para Leonardo ao menos, João Batista era superior a Jesus. Tudo isso pode fazer Leonardo parecer ter sido uma voz bradando na escuridão. Afinal, muitas grandes mentes tem sido execêntricas, para dizer o mínimo. Talvez esta seja ainda uma outra área de sua vida na qual ele ficou fora das convenções de seu tempo, não apreciado e só. Mas também estavamos cientes, até mesmo no início de nossa pesquisa no final da década de 1980, que a evidência, embora de uma natureza altamente controversa – tinha emergido nos anos recentes que o ligavam com uma sociedade secreta sinistra e poderosa. Este grupo, que alegadamente existiu muito séculos antes de Leonardo, envolveu alguns dos mais influentes indivíduos e famílias na história européia e, segundo algumas fontes, ainda existe hoje. Não apenas, é dito, eram os membros da aristocracia os principais movimentadores nesta organização, mas algumas das mais eminentes figuras de hoje na vida economica e politica a mantém viva para suas metas particulares. Se nós tivéssemos carinhosamente imaginado naqueles dias iniciais que estariamos passando nosso tempo em galerias de arte decodificando pinturas da Renascença dificilmente teriamos estado mais adiante da verdade.

CAPÍTULO DOIS
DENTRO DO SUBMUNDO

Nossa pesquisa sobre o ‘desconhecido’ Leonardo era para se tornar uma busca longa e incrivelmente envolvente, pode-se dizer, de uma iniciação do que uma simples jornada de A a B. Ao longo do caminho nos encontramos em muitas avenidas cegas, e nos tornamos pegos na armadilha no submundo daqueles ligados a sociedades secretas que se deliciam não apenas em jogar jogos sinistros mas também em serem agentes de desinformação e confusão. Frequentemente nos encontramos confusamente imaginando apenas como a simples pesquisa da vida e trabalho de Leonardo da Vinci pudesse possivelmente nos levar a um mundo que não acreditávamos existir fora dos mais impenetráveis filmes do grande surrealista francês Jean Cocteau como seu Orfeu, com sua apresentação de um Submundo alcançado por andar magicamente por espelhos. De fato foi este mesmo expoente do bizarro, Cocteau, que iria fornecer ainda mais pistas não apenas das próprias crenças de Leonardo, mas também da existência de uma continuada tradição subterrânea que tinha as mesmas preocupações.

Estavamos para descobrir que Cocteau [1889-1963] não parece ter estado envolvido nesta sociedade secreta, a evidência para isso será discutida abaixo. Mas primeiro vamos analisar o tipo mais imediato de evidência – aquele de nossos próprios olhos. Surpreendentemente perto das luzes brilhantes e do clamor da Leichester Square em Londres está a Igreja de Notre-Dame de France. Localizada em Leicester Place, virtualmente a porta seguinte a um salão de sorvetes muito popular e em moda entre adultos, é notoriamente difícil de encontrar, porque sua fachada dificilmente se anuncia com o exibicionismo que se pode associar às grandes igrejas católicas. Pode-se claramente passar por ela sem um segundo olhar, e certamente sem entender exatamente como significativamente sua decoração difere daquela da maioria das outras igrejas cristãs. Originalmente construída em 1865 em um local com associações aos Cavaleiros Templários,  Notre-Dame de France foi quase que totalmente destruída pelas bombas nazistas na Blitz, e reconstruída na década de 1950. Uma vez passado seu modesto exterior, o visitante se encontra em um hall grande, alto e arejado que de início pode parecer típico do projeto católico moderno. Quase privada de pomposo estatuário que sobre-adorna muitos outros edifícios, ela não obstante contém pequenas placas apresentando as Estações da Cruz, um alto altar debaixo de uma alta tapeçaria de uma jovem Virgem loura cercada por animais em adoração, que, embora de certa forma reminescentes de uma das mais belas cenas de Disney, ainda está dentro de uma aceitável apresentação da jovem Maria, e uns poucos santos em gesso presidindo sobre os lados da capela. Mas do lado esquerdo do visitante, quando ele olha na direção do altar principal, há uma pequena capela onde não há uma estátua de culto, mas não obstante tem muito mais seu proprio seguimento de culto. Os visitantes vem  aqui para admirar e tirar fotografias de seu mural não usual, que foi trabalho de Jean Cocteau, que o terminou em 1960, e a igreja é  orgulhosa de vender cartões postais deste famoso trabalho de arte. Mas, exatamente como é o caso das pinturas cristãs de Leonardo, este afresco, quando meticulosamente examinado, revela consideravelmente menos do que simbolismo ortodoxo. E a comparação com o trabalho de Leonardo não é acidente. Até mesmo dado a brecha de 500 anos, não obstante pode ser dito que Leonardo e Cocteau  estavam de alguma forma colaborando através dos séculos? Antes que voltemos nossa atenção para a curiosidade de Cocteau, vamos olhar a Igreja de  Notre-Dame de France em geral.

Embora não única, é certamente não usual para uma igreja católica ser redonda, e aqui esta forma é enfatizada em vários detalhes. Por exemplo, há uma surpreendente clarabóia em forma de domo decorado com um desenho de anéis concêntricos, que não pode ser fantasioso demais interpretar como algum tipo de teia de aranha. E as paredes, tanto dentro quanto fora, tem o motivo repetido de cruzes de braços iguais alternadas e ainda mais círculos. A igreja do pós-guerra, embora tão nova quanto posa ser, se eleva orgulhosamente incorporando uma placa de pedra que tinha sido retirada da Catedral de Chartres, esta jóia na coroa da arquitetura gótica e, como iriamos descobrir, um foco para aqueles grupos cujas crenças religiosas não eram tão claramente ortodoxas quanto os livros de história nos levam a acreditar. Pode ser objetado que nada existe de particularmente profundo ou sinistro em incluir uma tal pedra; afinal, durante a guerra, esta igreja era um ponto de encontro das forças da França Livre e um pedaço de Chartres era, certamente, um símbolo pungente de tudo que a terra natal significa. Contudo, nossa pesquisa viria a mostrar que havia de fato mais do que isso. Dia a dia muitas pessoas, londrinos e visitantes igualmente, paravam em Notre Dame de France para orar e tomar parte nos serviços religiosos. A igreja parece ter sido uma das mais ocupadas em Londres, e também atuava como um abrigo conveniente para os despossuídos das ruas, que eram tratados com grande gentileza. Mas é o mural de Cocteau qe atua como um imã para a maioria que vai lá como parte de sua viagem a Londres, embora eles possam bem ficar em vantagem com o oásis de calma no meio da agitação da cidade.

Inicialmente o afresco pode ser desapontador, porque grande parte do trabalho de Cocteau  a primeira vista pode ser pouco mais que um esquete pintado, uma cena simplesmente ressaltada em poucas cores em puro gesso. Ele apresenta a Crucificação: a vítima sendo cercada por aterrorizados soldados romanos, mulheres lamentando e discípulos. Ele certamente tem, pode-se pensar, todos os ingredientes da tradicional cena da cricificação, mas, como a Última Ceia de Leonardo, ele merece um exame mais de perto, mais crítico e mais do senso cumum. A figura central, a vítima da mais horrível forma de tortura, bem pode ser Jesus. Mas igualmente é verdadeiro não sabemos sua identidade com certeza simplesmente porque o vemos apenas dos joelhos para baixo. O resto de seu corpo não é mostrado. E aos pés da cruz está uma enorme rosa azul avermelhada. Ao fundo está uma figura que nem é um romano ou um discípulo, alguém que está de costas para a cruz e que parece estar severamente perturbado pela cena que se desenrola atrás dele. Na verdade, é um evento muito perturbador testemunhar a morte de qualquer homem em tais circunstâncias; é certamente suficientemente atormentante; mas estar presente quando Deus encarnado está esvaindo seu sangue seria indescritivelmente traumático. Ainda que a expressão deste personagem não seja aquela de um perplexo humanitário, nem aquela de um crente despojado venerador. Se alguém é honesto, a sobrancelha contraída e a a olhada de lado são aquelas de uma testemunha desencantada e até mesmo desgostosa. Esta não é a reação de alguém que esteja remotamente inclinado a curvar seus joelhos em veneração, mas de alguém que está expressando sua opinião de igual para igual. Então quem é esta presença desaprovadora no mais sagrado evento da Cristandade? Não é nenhum outro que o próprio Cocteau. E se alguém se lembrar que Leonardo se pintou olhando para longe da Sagrada Família na Adoração dos Magos, e para longe de Jesus na Última Ceia, há no mínimo, pode-se dizer, uma familiar semelhança entre os dois pintores. E quando se considera que ambos artistas foram ditos membros de alto escalão da mesma sociedade secreta herética, a pesquisa posterior se torna irresistível. Brilhando sobre a cena está um sol negro, lançando seus raios escuros no céu adjacente. Imediatamente diante dele está uma pessoa, presumidamente um homem, cujos olhos elevados e esbugalhados, silhuetados contra o horizonte, são notavelmente como arrogantes peitos. Quatro soldados romanos em um ataque épico posam ao redor da cruz, sustentando lanças de um modo estranho e aparentemente significativo, em ângulos – e um deles tem um escudo que ostenta um desenho de um falcão estilizado. E aos pés de dois deles está uma peça de roupa sobre a qual há dados espalhados. A soma total dos números mostrados neles é 58. Um insípido homem jovem aperta suas mãos aos pés da cruz, seu olhar de certa forma vago centrado em uma das duas mulheres na cena. Elas por sua vez parecem estar unidas por uma grande forma de M exatamente abaixo do homem que tem olhos como seios. A mais velha das mulheres olha para baixo em seu luto e parece estar chorando sangue; a mais jovem está literalmente mais distante, seu corpo todo afastado disso. A forma espalhada do M é repetida na frente do altar imidiatamente diante do mural. A última figura da cena, na extrema direita da imagem, é um homem de idade indeterminada, cujo único olho visível é desenhado na fora distinta de um peixe.

Alguns comentadores tem ressaltado que os ângulos das lanças dos soldados formam um pentagrama, isso mesmo uma figura não ortodoxa em uma tal tradicional cena cristã. Isso, contudo intrigante, não é parte de nossa atual investigação. Como temos visto, parece haver links superficiais entre as mensagens subliminares nos trabalhos religiosos de Leonardo e de Cocteau e é este uso partilhado de certos símbolos que chamou nossa atenção. Os nomes de Leonardo da Vinci e Jean Cocteau aparecem na lista dos Grão Mestres do que se afirma ser uma das mais velhas e influentes sociedades secretas da Europa, o Priorado de Sião. Enormemente controvertido, sua própria existência tem sido questionada e portanto qualquer de suas alegadas atividades são frequentemente sujeitas ao ridículo e suas implicações ignoradas. De início, simpatizamos com este tipo de reação, mas nossas investigações posteriores certamente revelaram que o assunto não era tão simples assim.

O Priorado de Sião veio pela primeira vez a atenção do mundo de lingua inglesa em 1982, através do best-seller ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ de  Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, embora em sua terra natal, a França, relatos de sua existência vieram a público já na década de 1960. E uma ordem cavaleiresca ou quase-maçonica com certas ambições políticas e, assim parece, consideravelmente um poder por trás das cenas. Tendo dito isso, é notoriamente difícil categorizar o priorado, talvez porque haja algo essencialmente quimérico sobre a operação inteira. Contudo nada há de ilusório sobre a informação dada a nós pelo representante do priorado com quem nos encontramos no início de 1991. O encontro sendo o resultado de uma série de cartas mais do que bizarras enviadas a nós depois de uma discussão no rádio sobre o Sudário de Turim. O que levou a este encontro ligeiramente surreal é detalhado em nosso livro anterior, mas pelo momento é suficiente dizer que um ‘Giovani’, o qual apenas conhecemos sob este pseudônimo, um italiano que afirmava ser um membro do alto escalão do Priorado de Sião, tinha nos observado cuidadosamente até mesmo nos estágios mais iniciais de nossa pesquisa sobre Leonardo e o Sudário.

Seja qual for a razão, ele tinha finalmente decidido nos contar sobre certos interesses desta organização e talvez até mesmo nos envolver em seus planos. Grande parte da informação era para levar eventualmente, depois de uma certa forma tortuosa, a examinarmos isso, ao nosso livro sobre o Sudário de Turim, mas ao menos a mesma quantidade novamente não tinha relevância para aquele trabalho, e foi portanto omitida dele. A despeito de frequentemente surpreendente, ou até mesmo chocante, as implicações das informações de Giovani, fomos levados a considerar a maior parte delas seriamente, simplesmente porque a nossa pesquisa independente a confirmava. Por exemplo, a imagem no Sudário de Turim se comporta como uma fotografia porque, como temos demonstrado, é precisamente o que ela é. E se, como afirmou Giovani, sua informação realmente veio dos arquivos do Priorado, então há razão para abordar a noção deles, talvez com um pouco de ceticismo saudável, mas por nenhum meio com a negativa de muitos de seus detratores.

Quando pela primeira vez ficamos envolvidos com o mundo secreto de Leonardo, logo entendemos que se esta sociedade sombria tivesse tido uma parte integral na vida dele, então poderia ir um longo caminho para explicar sua força motriz. Se ele já tivesse sido parte realmente de uma poderosa rede subterrânea de algum tipo, seus patronos influentes, tais como Lorenzo de Medici e Francisco I da França podem também terem estado implicados. Parecia haver alguma organização sombria por trás das obsessões de Leonardo. Mas ela era, como afirmam alguns, realmente o Priorado de Sião? Se são verdadeiras as afirmações do Priorado, então já existia uma organização venerável quando Leonardo foi recrutado para suas fileiras. Mas seja qual for sua idade, ela deve ter exercido uma atração poderosa e talvez única para o jovem artista e para vários de seus igualmente incrédulos colegas da Renascença. Talvez, como os modernos Maçons Livres, ela oferecesse o avanço material e social, facilitando o caminho do jovem homem pelas mais influentes côrtes européias, mas isto não explicaria a evidente profundidade das próprias estranhas crenças de Leonardo. Seja no que for que ele tenha tomado parte, isto apelava ao espírito muito mais que aos interesses materiais. O poder subjacente do Priorado de Sião é ao menos parcialmente devido a sugestão de que seus membros são, e sempre tem sido, guardiães de um grande segredo, um que, se tornado público, abalaria as próprias fundações da Igreja e do Estado. O Priorado de Sião, algumas vezes conhecido como Ordem de Sião ou Ordem de Nossa Senhora de Sião, bem como por outros títulos subsidiários, afirma ter sido fundado em 1099, durante a Primeira Cruzada e até mesmo então isso foi uma matéria de formalizar um grupo cuja guarda deste conhecimento explosivo já vem de muito antes. Eles afirmam estarem por trás da criação dos Cavaleiros Templários, este corpo curioso de monges-guerreiros medievais de sinistra reputação. O Priorado e os Templários se tornaram, assim é declarado, virtualmente a mesma organização, presidida pelo mesmo Grão Mestre, até que eles sofreram um cisma e seguiram caminhos separados em 1188.  O Priorado continuou sob a custódia de uma série de Grão Mestres, incluindo alguns dos nomes mais illustres na história tal como Sir Isaac Newton, Sandro Filipepi (conhecido como Botticelli), Robert Fludd, o filósofo ocultista inglês, e, com certeza, Leonardo da Vinci, que, é alegado, presidiu o Priorado pelos últimos nove anos de sua vida. Entre seus líderes mais recentes estavam Victor Hugo, Claude Debussy e o artista, teatrólogo e cineasta Jean Cocteau.

E embora eles não fossem Grão Mestres, o Priorado tem, assim é alegado, atraído outros luminares através dos séculos como Joana D’Arc,  Nostradamus (Michel de Notre Dame) e até mesmo o Papa João XXIII. Fora tais celebridades, a história do Priorado de Sião envolveu algumas das maiores famílias reais e aristocráticas da Europa, geração após geração. Estas incluem os d’Anjous,  Habsburgs,  Sinclairs e Montgomeries. A relatada meta do Priorado é proteger os descendentes da velha dinastia Merovíngia de reis no que agora é a França, que reinaram do século V até o assassinato de Dagoberto II no século VII. Mas então os críticos afirmam que o Priorado de Sião não existiu até os anos de 1950 e consiste em um punhado de mitomaníacos sem nenhum poder real, realistas com delírios ilimitados de grandeza. Assim por um lado temos as próprias declarações do Priorado de seu pedigree como uma razão de ser e por outro as declarações de seus detratores. Estivemos confrontados com este golfo aparentemente insuperável e, para sermos honestos, tivemos dúvidas sobre continuar esta linha particular de pesquisa. Contudo, entendemos que embora uma avaliação do Priorado logicamente se quebre em duas partes, as questões sobre sua existência nos dias atuais e de suas declarações históricas, a matéria é bem complexa e nada ligada com aquela organização é bem nítida. Uma ligação duvidosa ou aparente contradição relativa as atividades do Priorado inevitavelmente leva os céticos a denunciarem a coisa inteira como uma completa falta de lógica do início ao fim. Mas devemos ser lembrados que estamos lidando com fazedores de mitos, que frequentemente estão mais preocupados em conduzir idéias poderosas e até mesmo chocantes pelo uso de imagens arquetípicas do que em comunicar a verdade literal. Da existência moderna do Priorado não temos dúvida. Nossos contactos com Giovani nos persuadiram que ele, ao menos, não era um trapaceiro aleatório da confiança e que a informação dele era para ser acreditada. Ele não apenas fez nos dar fatos valiosos sobre o Sudário de Turim. Ele tambémnos forneceu detalhes sobre vários outros indivíduos que estão atualmente envolvidos com o Priorado e outras organizaçõews esotéricas, talvez aliadas, tanto no Reino Unido quanto no Continente. Por exemplo, ele nomeou como um membro companheiro um consultor de publicação com o qual haviamos trabalhado na década de 1970. A primeira vista, a informação de Giovani sobre este homem nos pareceu como mera fantasia prejudicial da parte dele, mas dentro de poucos meses algo muito estranho aconteceu. Pelo que certamente foi uma surpreendente sincronicidade, que o mesmo consultor comparecesse a uma festa dada por um de nossos amigos em novembro de 1991 em um restaurante de que ela particularmente gostava – que de modo algum era perto de sua casa, mas exatamente na esquina de um de nós. Então foi especialmente perplexante descobrir alguém que havia sido indicado por Giovani entre os participantes da festa, bem na nossa porta. Nos mantivemos em contacto com ele depois e fomos convidados a sua casa em Surrey.  Sempre uma boa companhia, não era difícil passar um tempo com ele e sua esposa, mas gradualmente um fato tornou-se evidente. Ele era membro do Priorado de Sião. Nosso contacto com ele durante este período culminou com uma festa depois do Natal em sua casa de campo.  O evento foi glamuroso mas amigável e nossos anfritriões e convidados eram encantadores cosmopolitanos, que eram notavelmente talvez, em retrospecto, excessivamente interessados em nosso trabalho sobre Leonardo e o Sudário. Isto foi muito lisongeiro, mas de cdrto modo inquietante, especialmente porque todos eles eram membros da cena bancária internacional. Nosso anfritrião já nos era bem conhecido como membro de algum tipo de organização maçonica, mas a despeito de sua pronte e frequentemente ruidosa esperteza, ele também era um ocultista praticante.  Sabemos que isso é verdade, parcialmente porque ele nos disse no que era claramente um movimento deliberado. Obviamente ele queria que soubéssemos algo sobre os ensinamentos ocultos dele e de seu círculo, mas o que exatamente? Seja qual for a natureza de  sua agenda oculta  tinhamos aprendido que o Priorado existe entre homens e mulheres influentes de lingua inglesa. Giovani também nomeou um certo diretor de uma casa publicadora em Londres, que nós também conheciamos, como membro do Priorado. Conquanto fossemos incapazes de confirmar a afiliação dele a esta organização, descobrimos que seu interesse no oculto se estende além de artigos e livros ocasionais que ele escreve sobre o assunto sob outros nomes.

Ele também desempenhou um papel importante na publicação de ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ em 1982. (e certamente não é coincidência que ele tenha uma segunda casa perto de uma certa vila francesa que tem, como devemos ver, uma maior parte a desempenhar no drama que circunda o Priorado de Sião). O fato importante que emerge de nossos contactos com estes homens é que o moderno Priorado de Sião não é, como o afirmam os criticos, meramente uma invenção de um punhado de franceses com fantasias monarquistas. Por causa de nossas experiências e contactos recentes, não há dúvidas em nossas próprias mentes que o Priorado existe agora. Seu afirmado pedigree histórico, contudo, é bem um outro assunto. Deve ser admitido que os críticos do Priorado tem um ponto no qual a primeira referência documentada a ele data tão recentemente quanto 25 de junho de 1956. Sob as leis francesas todas as associações devem se registrar, paaradoxal quanto isso possa ser, parece ser este o caso das chamadas sociedades secretas.

A afirmação do Priorado ao tempo de seu registro era que sua meta é fornecer ‘estudos e ajuda mútua aos membros’, uma declaração que, embora positivamente Pickwikiana em seu suave altruismo, é também um estudo de cuidadosa neutralidade. É declarado ser sua única atividade a publicação de uma revista chamada CIRCUIT que era, nas próprias palavras do Priorado, ‘para informação e defesa de direitos e liberdades das casas de baixa renda’ (foyers HLM – literalmwnte o equivalente do Conselho Britânico de Habitação). A declaração listou quatro oficiais da associação, o mais interessante e mais conhecido dos quais era um  Pierre Plantard, que também era o editor de CIRCUIT. Desde esta obscura declaração, o Priorado de Sião tem se tornado conhecido por uma audiência muito mais ampla. Não apenas seus estatutos tem aparecido impressos, completos com a assinatura de seu alegado Grão Mestre naquele tempo, Jean Cocteau, [embora, com certeza, esta possa ser uma falsificação] mas também o Priorado tem aparecido em vários livros. Seu debut foi em 1962 em ‘Os Templários estão Entre Nós’ de Gérard de Sède, que incuia uma entrevista com Pierre Plantard. Em 1982, o fenomenal beste seller ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln chegou as livrarias, e estabeleceu a controvérsia certamente feita do Priorado como um assunto em moda para o debate entre um público muito mais amplo. Que este livro pedia organização e extrapolou de suas metas alegadas, será contudo abordado mais tarde. Pierre Plantard emerge do material para o domínio público como um personagem colorido que tem aperfeiçoado a arte política doe olhar diretamente para o questionador enquanto talentosamente lida com atual questão de uma maneira ou outra. Nascido em 1920, ele primeiramene veio ao conhecimento público na França Ocupada em 1942 como o editor de um jornal chamado Conquista para uma Jovem Cavalaria [Vaincre Vaincre pour une jeune chevalerie], que eram marcantemente crítico dos opressores nazistas, e que de fato foi publicado com a aprovação deles. Este era oficialmente o órgão da Ordem de Alpha-Galates, uma sociedade cavaleiresca e quase maçonica, baseada em Paris, da qual Plantard se tornou Grão Mestre aos 22 anos. Seus editoriais apareceram primeiramente sob o nome de ‘Pierre de France’, então ‘Pierre de France-Plantard’ e finalmente simplesmente ‘Pierre Plantard’. Sua obsessão com o que ele considerava ser a versão correta de seu nome pode mais uma vez ser vista quando ele adotou o grandioso título de  ‘Pierre Plantard de Saint-Clair’, que foi o nome sob o qual ele apareceu em ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ e que ele usou quando foi Grão Mestre do Priorado de Sião entre 1981 e 1984. (Vaincreis agora é o título do boletim interno do Priorado, que  Pierre Plantard de Saint-Clair edita com seu filho Thomas.)  Este uma vez projetista para uma firma de fogões, que alegadamente tinha dificuldade de pagar o aluguel de tempos em tempos, não obstante tenha exercido uma influência considerável na história européia. Foi Pierre Plantard de Saint-Clair sob o apelido de ‘Captain Way’ que esteve por trás da organização dos Comitês de Segurança Pública qe trouxeram de volta ao poder o General de Gaulle em 1958.

Vamos agora considerar a natureza essencialmente paradoxal do Priorado de Sião. Primeiramente, de onde vem a informação pública sobre esta organização e quão cofiável ela é? Como citado em ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, a fonte primária é uma coleção de apenas sete documentos enigmáticos alojados na Biblioteca Nacional de Paris, que são conhecidos como Dossiês Secretos. A primeira vista eles são uma confusão de genealogias históricas e textos e trabalhos alegóricos mais modernos que são atribuidos a autores anônimos ou a autores com claros pseudônimos ou que apresentam nomes de pessoas que nada tem a ver com eles. A maioria destas entradas diz respeito a suposta obsessão Merovíngia da sociedade e o centro sobre o famoso mistério de Renes-le-Chateau, a remota vila no Languedoc, que foi o ponto inicial para a própria investigação de Baigent, Leigh e Lincoln. Contudo, certos temas outros e maiores emergem disso, que, para nós, são muito mais significativos e que abordaremos rapidamente. O primeiro dos itens nos Dossiês Secretos foi depositado em 1964, embora seja datado de 1956. O último item foi depositado em 1967. Podemos somente muito razoavelmente descartar grande parte do conteúdo como sendo algum tipo de piada. Contudo, nos acautelamos contra tal reação imediata, porque a nossa experiência com o Priorado de Sião e seu modus operandi é  que isto glorifica uma desinformação muito deliberada e detalhada.

Por trás desta tela de fumaça de falta de lógica em uma escala completa, prevaricação e ofuscação, há um intento muito sério e bem pensado. Contudo, o que nem em um milhão de anos teria fascinado e motivado tais grandes nomes como Leonardo e Isaac Newton por tanto tempo foi esta suposta obsessão em restaurar a muito finda linhagem sanguínea Merovíngia a uma posição de poder na França Moderna. Na evidência dada nos Dossiês Secretos, o caso para a sobrevivência da dinastia além de Dagoberto II, sem mencionar uma linhagem clara de descendência diretamente até o século XX, é na melhor das hipóteses frágil e na pior, demonstravelmente fictícia. Afinal, qualquer pessoa que que tenha até mesmo tentado rastrear sua própria árvore familiar para trás além de duas ou três gerações logo descobre como é complexo e problemático o inteiro processo. Então novamente, então  podemos ser deixados com a pergunta de exatamente como uma tal causa possa ter inspirado homens altamente inteligentes por geração após geração. Dificilmente podemos imaginar semelhantes a Isaac Newton e Leonardo sendo super-impressionados por, como exemplo, uma sociedade britânica cuja meta fosse restaurar o poder dos descendentes do Rei Harold II [ morto pelo homens de Guilherme o Conquistador em 1066].  Para um moderno Priorado de Sião há grandes dificuldades em alcançar suas metas de restaurar a linhagem sanguínea Merovíngia. Não apenas há o problema de fazer a França Moderna deixar de ser republicana e voltar a monarquia, que ela rejeitou a um século atrás. Mas até mesmo então [assumindo que a sucessão da dinastia merovíngia possa até mesmo ser provada] que esta dinastia em particular não tenha declaração ao trono, porque a nação francesa não existia durante a era Merovíngia. Como sucintamente coloca o escritor francês Jean Robin, “Dagoberto era um Rei na França mas em nenhum ponto o Rei da França”.

Os Dossiês Secretos podem parecer uma completa falta de lógica mas a completa escala de esforço e recursos colocados neles, e para manter suas declarações, dá uma pausa. Até mesmo o escritor francês Gérard de Sède, que devota muitas páginas estreitamente argumentadas para demolir a alegada evidência para o caso Merovíngio dado nos Dossiês, tem admitido que os recursos e pesquisas eruditas e academicas que foram para dentro deles eram desproporcionalmente impressivos. Embora sendo destruidor sobre este ‘mito delirante’ ele não obstante conclui que há um real mistério por trás disso tudo.

Uma curiosa careterística dos Dossiês é a constante e subjacente implicação que os autores tiveram acesso aos arquivos oficiais do governo e da polícia. Para tomar apenas dois exemplos entre muitos: em 1967 um panfleto foi acrescentado aos Dossiês chamado ‘A Serpente Vermelha’ que foi atribuído a três autores:  Pierre Feugère, Louis Saint-Maxent e Gaston de Koker e datado de 17 de janeiro de 1967. embora seu depósito na Biblioteca Nacional seja datado de 15 de fevereiro. Este texto extraordinário de 13 páginas que geralmente é o mais apreciado como exemplo de talento poético, também abrange um simbolismo astrológico, alegórico e alquímico. O que é sinistro sobre isso, contudo, é que os três autores foram todos encontrados enforcados em um período de 24 horas entre eles, em 6-7 de março daquele ano. A implicação é que suas mortes foram o resultado de sua colaboração na escrita da ‘Serpente Vermelha’. Contudo, uma pesquisa subsequente tem mostrado que o trabalho foi depositado entre os Dossiês em 20 de março, depois que eles já haviam sido encontrados mortos e que a folha do depósito foi deliberadamente falsificada para ter a data de fevereiro. Mas a coisa mais surpreendente de todo este estranho negócio é que estes três alegados autores realmente não tinham qualquer ligação com este panfleto afinal, ou com o Priorado de Sião. Alguém presumidamente tinha se apoderado do fato destas três mortes bizarrameente sincrônicas e o utilizado para seus próprios estranhos propósitos. Mas porque? E como ressalta de Sede, eram apenas 13 dias entre as três mortes e o depósito do panfleto na Biblioteca Nacional, que foi um rápido trabalho como a sugerir fortemente que o autor real tinha conhecimento interno de investigações confidenciais da polícia.

E Franck Marie, um escritor e detetive particular, tem estabelecido conclusivamente que o mesmo datilógrafo foi usado para A Serpente Vermelha e alguns os últimos documentos nos Dossiês Secretos. Então houve o caso dos Documentos falsificados do Lloyds Bank. Alegados pergaminhos do século XVII encontrados por um sacerdote francês no fim do século passado, que supostamente provavem a continuidade da linhagem descendente Merovíngia, foram adquiridos por um cavaleiro inglês em 1955 e depositados em um cofre em um ramo do Lloyds Bank em Londres. Embora ninguém realmente tivesse visto este documentos,  são conhecidos existirem cartas que confirmaram o fato de que eles foram depositados e eram assinados por três proeminentes homens ingleses de negócios. todos os quais tinham prévias ligações com os serviços britânicos de inteligência. Contudo, em sua pesquisa para o ‘The Messianic Legacy’ (a continuação de ‘The Holy Blood and the Holy Grail’), Baigent, Leigh e Lincoln foram capazes de provar que as cartas eram falsificações, embora elas incorporassem partes de documentos genuínos apresentando as assinaturais verdadeiras, e cópias de certificados de nascimento dos três homens de negócios. O ponto mais importante e de maior alcance, contudo, é que seja quem for que os forjou parece ter obtido partes genuinas de documentos dos arquivos do governo francês, o que de algum modo implica fortemente o serviço francês de inteligência. Mais uma vez, nos deparamos com um sentimento de alta estranheza. Uma enorme quantidade de tempo, esforços e talvez até mesmo perigo pessoal deve ter estado envolvido em estabelecer tal elaborado complô. Mas ao mesmo tempo, em uma análise final, parece ser completa e absolutamente sem propósito. A este respeito, contudo, o inteiro negócio está meramente seguindo as velhas tradições das agências de inteligência, nas quais poucas coisas são o que parecem ser e mais aparentemente sejam assuntos de direto exercício de desinformação.

Há , contudo, razões para fazer uso de paradoxos – até mesmo de claras absurdidades. Tendemos a lembrar que o absurdo, e, sobretudo, as ilogicidades que são deliberadamente apresentadas como fatos escrupulosamente argumentados, tem um curioso efeito poderoso em nossas mentes subconscientes. Afinal, é esta parte de nós mesmos que cria os nossos sonhos, que operam com seu próprio tipo de paradoxo e não lógica. E é esta mente subconsciente que é o motivador, o criador, que, uma vez tenha sido ‘fisgado’ continuará a trabalhar até mesmo sobre a maioria das mensagens subliminares por anos, extraindo cado último pedaço de significado simbólico de um pequeno recorte de um aparente jargão prolixo de difícil compreensão. Os céticos, que se orgulham em geral de sua sabedoria mundial, são frequentemente, de fato, curiosamente ingenuos – porque eles vêem tudo como claramente preto ou branco, verdadeiro ou falso, que é exatamente o que certos grupos desejam que eles vejam. Por exemplo, qual o melhor meio de atrair a atenção por uma lado, mas filtrando os indesejados intrometidos ou os casualmente curiosos de outro, do que apresentar ao público uma informação aparentemente intrigante ms também virtualmente sem sentido? É como se até mesmo chegando perto do que realmente é o Priorado de Sião constituisse uma iniciação; se você não está pensando nisso então a tela de fumaça efetivamente lhe colocará fora de uma investigação mais profunda. Ms se de alguma forma isto é pensado por você, então logo lhe será dado aquele material extra, ou você mesmo o descobrirá, de um modo suspeitamente sincronico, que o insight extraordinário dentro da organização que repentinamente faz com tudo se encaixe em seu lugar. Em nossa opinão, é um grande erro descartar os Dossiês Secretos simplesmente por causa que sua mensagem aberta é demonstravelmente implausível. A escala completa do trabalho por trás deles argumenta a fazer deles terem algo a oferecer. Admitidamente, muito obsessivo desequilibrado tem passado muito tempo em algum trabalho vasto e condenado, e as horas homem envolvidas nisso não fazem elas próprias os resultados mais dignos de nossa atenção e respeito. Mas aqui estamos lidando com um grupo que claramente está trabalhado em algum plano intrincado e, tomados juntos com todas as outras dicas e pistas [que se tornarão evidentes em seu devido curso] é claro que algo está acontecendo. Se eles estão tentando nos dizer algo, ou esconder algo, enquanto ainda pingam pistas sobre sua importância. Então o que fazer com as declarações históricas do Priorado? Isso realmente remonta tão longe quanto o século XI e suas fileiras realmente incluem todos os nomes ilustres dados nos Dossiês Secretos?

Primeiramente pode-se dizer que sempre há um problema em provar a existência, corrente ou histórica, de uma sociedade secreta. Afinal, o segredo mais bem sucedido disso tem sido quanto mais difícil é corroborar sua existência. Contudo, onde pode ser demonstrado ter havido repetidos interesses, temas e metas entre aqueles que são ditos terem pertencido a este grupo pelo passar dos anos, é seguro e até mesmo sensível assumir que um tal grupo pode ter realmente existido. Tão improváveis quanto possam parecer as listas dos Grão Mestres do Priorado [como dada nos Dossiês Secretos] , a pesquisa de Baigent, Leigh e Lincoln tem estabelecido que esta não é uma lista aleatória. Há de fato persuasivas conexões entre os Grão Mestres que se sucedem. Além de conhecer um ao outro, e em muitos casos realmente serem relacionados, estes luminares partilhavam de certos interesses e preocupações. É sabido que muitos deles eram associados a movimentos esotéricos e sociedades secretas como a Maçonaria Livre, Rosacruzes e a Companhia do Santo Sacramento, todos partilhando de metas comuns. Por exemlo, há um distinto tema hermético que corre por toda a literatura conhecida deles – um senso de real excitação com a perspectiva do homem se tornar quase divino em até mesmo estender as fronteiras de seu conhecimento. Além disso, nossa pesquisa independente, que apresentamos em nosso último livro, tem confirmado que estes indivíduos e famílias ja estavam implicados nos negócios do Priorado durante séculos e eram também os mesmos movimentadores primários que mantiveram o que pode ser chamado da Grande Farsa do Santo Sudário.

Como já temos visto, Leonardo e Cocteau empregaram o simbolismo heterodoxo em suas pinturas supostamente cristãs. Separados por 500 anos, sua composição de imagens mostra uma notável consistência e de fato, outros escritores e artistas que tem sido ligados ao Priorado trabalham com tais motivos em seus outputs. Isto por si só sugere fortemente que eles realmente eram parte de algum tipo de movimento subterrâneo organizado, que já estava bem estabelecido até mesmo nos dias de Leonardo. Como ele e Cocteau tem sido declarados como seus Grão Mestres, e se alguém leva em conta suas preocupações compartilhadas, parece razoável deduzir que eles eram de fato membros do alto escalão de algum grupo ao menos muito semelhante ao Priorado de Sião. A massa de evidência reunida por Baigent, Leigh e Lincoln em ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ para a evidência histórica do Priorado é inatacável. E ainda que mais evidência tenha sido reunida por outros pesquisadores – que foi publicada na edição revista e atualizada de 1996 do livro deles. [este livro é essencial leitura para qualquer um interessado neste mistério]. Toda esta evidência mostra que houve uma sociedade secreta operando do século XII, mas é o moderno Priorado de Sião seu descendente? Certamente, conquanto os dois grupos possam não estar necessariamente ligados como declarado, o moderno Priorado tem conhecimento interno sobre a sociedade histórica. Afinal, somente através dos membros de hoje é que primeiramente ouvimos do Priorado no passado. Mas até mesmo o acesso aos velhos arquivos do Priorado não necessariamente implicam em uma genuina continuidade.

Em uma conversa recente com o artista francês Alain Féral, que, como protegido de Cocteau, trabalhou com ele e o conhecia muito bem, eles nos disse claramente que seu mentor não havia sido Grão Mestre do Priorado de Sião. Ao menos, nos assegurou Feral, Cocteau nunca tinha estado envolvido com a mesma organização que desde então declarou Pierre Plantard de Saint-Clair como Grão Mestre. Contudo, Feral tem realizado sua própria investigação sobre certos aspectos da história do Priorado de Sião, especialmente aqueles relativos a vila Rennes-le-Chateau no Languedoc e sua opinião é que aqueles listados nos Dossiês Secretos como Grão Mestres do Priorado, adiante e incluindo Cocteau, estavam ligados por uma genuina tradição subterrânea. A este estágio de nossa pesquisa resolvemos ignorar as putativas ambições políticas do moderno Priorado e ao invés nos concentrarmos em seus aspectos históricos, o que pode, com certeza, ajudar a lançar alguma luz sobre o primeiro. Os Dossiês Secretos, fora a mitomania Merovíngia, colocam uma grande ênfase no Santo Gral, na tribo de Benjamim, e no personagem do Novo Testamento de Maria Madalena. Por exemplo, na Serpente Vermelha aparece esta declaração: ‘Para alguém que desejo libertar, se eleva diante de mim os aromas do perfume que impregma o sepulcro. Antigamente alguns a chamaram ISIS, a rainha das fontes beneficentes, VENHA ATÉ MIM TODOS VOCÊS QUE SOFREM  E QUE ESTÃO SOBRECARREGADOS E EU LHES CONFORTAREI. Outros: MADALENA, do famoso vaso cheio de bálsamo curativo. Os iniciados a conhecem por seu verdadeiro nome: NOTRE DAME DES CROSS.

Esta curta passagem é intrigante, não apenas por causa da última frase – Notre Dame des Cross – que não faz qualquer sentido seja ele qual for [a menos que Cross seja um nome de família em cujo caso se torna ainda mais intelegível] . ‘Des’ é a versão plural de do, mas cross não existe em francês, e , com certeza, está no singular em inglês. Então há uma peculiar confusão de Isis com Maria Madalena; afinal, uma era uma deusa e a outra ‘uma mulher caída’ e elas são figuras de culturas diferentes sem nenhuma ligação aparente.  Com certeza, há um problema imediato, pode-se pensar, e ligar assuntos aparentemente tão diversos quanto Madalena o Santo Gral e a Tribo de Benjamim – sem mencionar a deusa mãe egípcia Isis, com esta linhagem sanguínea Merovíngia. Os Dossiês Secretos explicam que os Francos Sicambrianos, a tribo da qual os Merovíngios descenderam, eram de origem judaica; eles eram a tribo perdida de Benjamim, que migrou para a Grécia e então para a Alemanha, onde eles se tornaram os Sicambrianos. Contudo, os autores de ‘The Holy Blood and the Holy Grail complicaram o cenário ainda mais posteriormente. Segundo eles, a importância da lihagem Merovíngia não era meramente apenas o sonho de colecionador de um punhuado de realistas excentricos. A afirmação deles levou o assunto inteiro a um outro reino – um que certamente capturou a imaginação de milhões de leitures entusiasmados do livro. Eles alegaram que Jesus havia se casado com Maria Madalena e que nasceram filhos desta união. Jesus sobreviveu a cruz, mas sua esposa foi embora sem ele quando ela levou as crianças para estabelecer uma colônia judaica no que é agora o sul da França.

Foram os descendentes deles que se tornaram a família regente dos Sicambrianos, assim fundando a linhagem Merovíngia de reis. Esta hipótese pode parecer fazer sentido dos principais temas do Priorado, mas ela levanta suas próprias questões maiores. Como temos visto, é imposssível para qualquer linhagem sanguínea sobreviver em uma forma ‘pura’ necessária para sustentar uma tal campanha, não importa de quem ela descenda. É inegável que há um caso muito bom  para Jesus ter se casado com Maria Madalena, ou ao menos ter algum tipo de relacionamento íntimo com ela, o que discutiremos em detalhes mais tarde, e até mesmo para ele ter sobrevivido à Crucificação. De fato, a despeito da crença popular em contrário, nenhuma destas avaliações conta com o trabalho de  Baigent, Leigh e Lincoln, tendo estado estreitamente argumentada por vários academicos muitos anos antes da publicação de ‘The Holy Blood and the Holy Grail’.

Há, contudo, um problema maior nas assunções que jazem por trás dos argumentos deles – uma que eles estão claramente cientes embora eles evitem chamar atenção para isso. Para eles, os Merovíngios são importantes porque são descendentes de Jesus. Mas se ele sobreviveu a cruz, ele não pode ter morrido por nossos pecados, não pode ter sido ressureto e portanto não era divino, nem era Filho de Deus. Então porque, pode-se perguntar, eram estes alegados descendentes considerados tão importantes? Um desses santificados grupos de descendentes é acreditado não ser outro que o próprio Pierre Plantard de Saint-Clair. A despeito da linguagem inflamada empregada sobre este hipótese por alguns comentadores, deve ser declarado que ele próprio nunca tem declarado ser um descendente de Jesus. Não pode ser ressaltado suficientemente que não é uma idéia cristã que Jesus não fosse Deus encarnado e portanto que a prole dele não fosse de algum modo divina, o que dá a idéia de que da sucessão Merovíngia sua alegada importância. A base de toda esta crença é que, como Jesus era da linhagem de David e portanto o legítimo rei de Jerusalém, este título caia automaticamente, se apenas teoricamente, em sua futura família. Então é o poder político, muito mais do que o poder divino, que é afirmado pela ligação Merovíngia. Baigent, Leigh e Lincoln claramente construiram a teoria deles sobre as declarações feitas nos Dossiês Secretos, mas em nossa opinião eles tem sido de certa forma seletivos em escolher exatamente o que tais declarações citam como evidência. Por exemplo, os Dossiês Secretos, afirmam que os Reis Merovíngios, de seu fundador Meroveee a Clovis [que se converteu ao cristianismo em 496] eram ‘reis pagãos do culto de Diana’. É, certamente, difícil reconciliar isto com a idéia de que eles descenderam de Jesus e de uma tribo judaica.

Um outro exemplo desta curiosa seletividade da parte de Baigent, Leigh e Lincoln é esta do ‘Documento Montgomery’ Isto é, segundo estes autores, ‘uma narrativa que tem emergido entre os arquivos da família Montgomery, da qual um membro o partilhou com eles. A data de suas origens é incerta, mas a versão que eles mostraram vem do século XIX. Seus valor para eles reside no fato que, em essência, ele sustenta as teorias levadas adiante em ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, embora com certeza isto não possa ser cosiderado ser prova deles. Ele ao menos estabelece que tal idéia, que Jesus se casou com Maria Madalena, foi conhecida um século ao menos antes que eles começassem a pesquisa deles. O Documento Montgomery conta a história de Yeshua ben Joseph (Jesus, filho de José) que se casou com Miriam [Maria] de Betania [o personagem bíblico que muitas pessoas assumem ser o mesmo que Maria Madalena). Como um resultado direto de uma revolta contra os romanos, Miriam foi presa e apenas libertada porque ela estava grávida. Ela então fugiu da Palestina, terminando no Gaul [que agora é a França] onde deu a luz uma filha. Conquanto seja fácil ver porque o Documento Montgomery foi tomado por Baigent, Leigh e Lincoln como apoio para a hipótese deles, é estranho que eles não façam mais de certos aspectos da história.

Em sua narrativa, Miriam da Betania é descrita como ‘uma sacerdotisa de um culto feminino’, como a veneração Merovíngia da deusa Diana, e isto acrescenta um brilho distintamente pagão a história, o que é difícil de se reconciliar com a noção que o Priorado esteja primariamente preocupado com a continuidade da linhagem sanguínea do Rei David, o que incluiu Jesus. Interessantemente, o moderno Priorado nem negou nem confirmou a hipótese apresentada em ‘Holy Blood and the Holy Grail’ e mais uma vez as suspeitas de alguém são levantadas. Pode ser que o Priorado esteja jogando conosco? Uma coisa tem se tornado muito clara para nós: a ambição que motiva o Priorado não é puramente o poder político que Baigent, Leigh e Lincoln atribuem a ele.

De tempos em tempos novamente os Dosiês mencionam pessoas – ou entre os atuais Grão Mestres ou aqueles associados ao Priorado que primariamente não são políticos, mas ocultistas. Por exemplo, Nicolas Flamel, Grão Mestre de 1398 a 1418, foi um mestre alquímico,  Robert Fludd (1595-1637) foi um Rosacruciano, e mais próximo de nosso tempo, Charles Nodier (1801-44) foi uma maior imfluência por trás do moderno revivalismo oculto. Até mesmo Sir Isaac Newton (1691-1727), que hoje é melhor conhecido como um cientista e matemático, foi um devotado alquimista e hermeticista, e certamente possuia pesadamente cópias anotadas de manifestos rosacrucianos. Então com certeza há Leonardo da Vinci, um outro genio que os modernos entendem completamente, vendo seu penetrante intelecto como o produto de um pensamento apenas materialista. De fato, como temos visto, suas obsessões foram retiradas de bem outras fontes, e o tornam outro candidato ideal para a lista dos Grão Mestres do Priorado. Surpreendentemente, conquanto reconhecendo os interesses ocultos de muitas desas pessoas,   Baigent, Leigh e Lincoln não parecem apreciar a importância completa das obsessões delas. Afinal, em muitos destes casos, o oculto não era mero hobby ocasional, mas realmente o foco principal da vida deles. E nossa própria experiência tem indicado que os indivíduos preocupados com o Priorado moderno também são ocultistas comprometidos. Então que possível segredo pode ter focalizado tantas ds mais brilhantes mentes ocultas do mundo por tanto tempo, dado que é implausível a ‘história cobertura’ Meovíngia?  Tão persuasivo e mentalmente inovadora quanto possa ser ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, sua explicação das metas e motivos do Priorado são basicamente insatisfatórias,  Claramente há algo acontecendo que é dificilmente provável, dado a quantidade enorme de tempo e energia que parece ter atraído com o passar dos séculos, tratar-se meramente da legitimidade de uma monarquia francesa. E seja o que for isso, deve ser uma tal ameaça ao status quo que, até mesmo na Idade da Iluminação, tinha que ser mantido em segredo, ser um assunto guardado estreitamente na rede subterrânea de iniciados.

Cedo em nossa pesquisa sobre Leonardo e o Sudário de Turim nos encontramos enfrentando, de tempos em tempos, o sentimento inevitável que existe um segredo real que tem sido ciumentamente guardado por uns poucos selecionados. Na medida em que nossas investigações continuavam não podemos afastar a suspeita que os temas que haviamos discernido na vida de Leonardo e em seu trabalho paralelizavam estreitamente com aqueles que tinhamos discernido no material disseminado pelo Priorado. E, certamente, valia a pena entrecruzar as intimações que estes mesmos assuntos estavam também enovelados no trabalho de Jean Cocteau. Já descrevemos o mural do artista na Igreja de  Notre-Dame de France em Londres. Mas exatamente qual a relevância deste peculiar conjunto de imagens para o trabalho muito mais anterior de Leonardo, e de algum putativo movimento esótérico e até mesmo herético? A mais óbvia conexão com a obra de da Vinci é o fato de que o artista se pintou olhando para longe da cruz. Leonardo, como já mencionamos, se apresentou deste modo ao menos duas vezes: na ‘Adoração dos Magos’ e na ‘Última Ceia’. Considerando a expressão da face de Cocteau, que certamente implica em profundo desconforto com a cena inteira, pode não ser esticar demais o ponto muito além de achar uma similar hostilidade na violência com a qual Leonardo se afasta da Sagrada Família na Adoração.  No mural de Cocteau podemos ver o homem na cruz apenas de suas coxas para baixo, o que implica em alguma suspeita sobre sua verdadeira identidade. Como temos visto na ‘Última Ceia’ de Leonardo, a curiosa completa falta de vinho parece implicar em uma séria questão sobre a natureza do sacrifício de Jesus: aqui o artista vai mais longe por não mostrar de todo Jesus. Muito similar também é a  gigantesca forma de um M; no trabalho de Cocteau ela liga as duas mulhers que lamentam, presumivelmente a Virgem Maria e Maria Madalena. E novamente pode-se assumir que é esta última que vemos afastando-se da figura de Jesus. Enquanto sua mãe olha para baixo chorando, é a mulher mais jovem que dá as costas a ele; o M da última Ceia de Leonardo liga Jesus a suspeita mulher ‘São João’ e esta ‘Dama M’ também está se inclinando o mais longe possível dele, enquanto ao  mesmo tempo parece estar perto.

O mural de Cocteau também contém o simbolismo que é, uma vez se esteja ciente das preocupações do Priorado de Sião, muito explicitamente ligado a ele. Por exemplo, há 58 pontos mostrados nos dados que estão sendo lançados pelos soldados e este é o número esotérico do Priorado. A surpreendentemente grande rosa azul avermelhada aos pés da cruz é claramente uma alusão ao movimento rosacruciano, que, como devemos ver, tem links estreitos com o Priorado e certamente com Leonardo. Como temos visto, os membros do Priorado acreditam que Jesus não morreu na cruz, e algumas de suas facções mantém que uma vítima substituta sofreu o que era para ser o destino dele. A julgar pelo conjunto de imagens apenas neste mural, pode-se ser tentado a pensar  que aquelas eram as próprias opiniões de Cocteau. Por exemplo, não somente deixamos de ver a face da vítima, mas há uma inclusão de uma figura não geralmente associada a cena da Crucificação. Este é o homem longe a direita cujo único olho visível é desenhado em uma inconfundível forma de peixe, certamente uma alusão ao código inicial cristão para “Cristo’. Então quem é supostamente este homem de olho de peixe? A luz da noção do Priorado que o próprio Cristo nunca foi pregado na cruz, não poderia esta ser uma figura extra do próprio Jesus?  Foi o que era para ser o Messias realmente uma testemunha da tortura e morte de um sub-rogado? Se isto fosse verdade, pode-se bem imaginar suas emoções. Então novamente, nos murais de Leonardo e Cocteau, vemos a ‘Dama M’, certamente em ambos os casos Maria Madalena.  Agora, que conhecemos a crença do Priorado que ela se casou com Jesus, explicaria porque ela estava na Última Ceia, a direita de seu marido, e porque ela,  como ’sua outra metade’ está usando a imagem espelho das roupas dele.  Embora haja uma tradição pouco conhecida nos tempos medievais e iniciais da Renascença de apresentar Madalena na última ceia, Leonardo tornou conhecido que o personagem a direita de Jesus em sua versão era São João. Porque ele fez tal engano deste modo? Talvez este fosse um meio sutil de dar ao seu conjunto de imagens um acrescido poder subliminar? Afinal, se o artista nos diz que é um homem e nosso cérebro nos diz que é uma mulher a confusão é provável de nos fazer continuar a ponderar isso em um nível subconsciente por um longo tempo.

Em ambos murais, a Madalena parece estar quietamente expressando suas próprias dúvidas por meio de sua linguagem corporal sobre o suposto papel de Jesus. Era ela de fato tão próxima dele como conhecido na história real? Madalena era realmente a esposa de Jesus e portanto parte interna da informação sobre a verdadeira consequência da Crucificação? Este é o porque ela se afasta? O papel de Madalena é sagazmente – se subliminarmente – enfatizado na última Ceia, mas a maior obsessão de Leonardo parece ter sido com o trágico personagem do Novo Testamento, João Batista. Se ele realmente era um membro do Priorado de Sião – e dado sua suposta ênfase na linhagem sanguinea de Jesus – esta obsesssão com Batista parece de certo modo intrigante. Mas isto realmente atende aos interesses do Priorado de Sião?

Nosso misterioso informante Giovani tem nos deixado com uma tantalizante pergunta: “Porque os Grão mestres sempre são chamados de João?” Ao tempo pensamos se tratar de alguma alusão velada a sua própria escolha de pseudônimo, e devidamente tomamos o ponto de que ele próprio não tinha um escalão menor. Mas de fato ele nos chamou atenção para uma outra escolha de título, um assunto muito mais importante. Conquanto os Grão Mestres sejam conhecidos na organização como  ‘Nautonnier’ (timoneiro), eles também tomam o nome de João ou se mulher, Joana. Leonardo, por exemplo, aparece em outra lista como João IX. Isto não é importante, peculiar embora que possa parecer para uma tal antiga ordem cavaleiresca, o Priorado tem sempre declarado oportunidades iguais na sociedade secreta, e quatro de seus Grão Mestres tem sido mulheres. [Hoje, uma seção francesa do Priorado está sob o controle de uma mulher]. Contudo, esta politica é totalmente consistente com a verdadeira natureza e metas do Priorado, como viemos a entende-las.  As preocupações do Priorado são indicadas pelos titulos usados em sua hierarquia organizacional. Segundo seus estatutos, abaixo do Nautonnier está um grau consistente de três iniciados, chamados ‘Príncipes Noaquitas de Notre Dame’ e abaixo está um grau de nove chamado “Cruzados de São João”. Há seis graus posteriores, mas os três do topo compreendem os treze membros dos graus mais altos, formam o corpo regente.  Coletivamente isto é conhecido como  Arch Kyria – a última sendo uma respeitosa palavra grega para mulher, o equivalente inglês de ‘dama’. Especificamente no mundo helenico dos séculos iniciais  antes de nossa era cristã, era um epíteto da deusa Isis.

O primeiro Grão Mestre da sociedade foi, deve ser dito, um verdadeiro João, Jean de Gizors, um nobre francês do século XII. Ms o real enigma reside no fato curioso que seu título no Priorado foi realmente João II. Como os autores de ‘The Holy Blood and theHoly Grail’ pensam:  Uma maior questão com certeza, era que João: João Batista? João Evangelista, o ‘Discípulo Amado’ no quarto Evangelho? Ou João O Divino do Livro da Revelação? Parece bem ser um desses três. Quem então era João I? Um outro pensamento provocante da ligação João é mencionado no livro de 1982 “Rennes-le-Chateau: a capital secreta: da história da França’ de Jean-Pierre Deloux e Jacques Brétigny. Ambos autores são conhecidos estarem estreitamente envolvidos com  Pierre Plantard de Saint-Clair; eles estavam, por exemplo, entre a entourage deste quando Baigent, Leigh e Lincoln se encontraram com ele na década de 1980 e ele certamente contribuiu enormemente para o livro. Claramente a propaganda do Priorado explica como a sociedade foi formada. (Deloux e Brétigny também escreveram artigos relacionados ao Priorado de Sião na revista ‘The Unexplained’ – que, segundo alguns, foi criada e financiada pelo Priorado.) A idéia principal era, é afirmado, formar um ‘movimento secreto’ com Godfroi de Bouillon – um dos líderes da Primeira Cruzada, como o primeiro movimento. Na Terra Santa, Godfroi encontrou uma organização secreta chamada Igreja de São João e, como resultado, ‘formou um grande projeto’. Ele colocou sua espada a serviço da Igreja de São João, esta igreja esotérica e iniciática que representava a tradição, que baseava sua primazia no Espírito. Foi deste grande projeto que o Priorado de Sião e a organização tem sempre os nomes de seus Grão Mestres como João, e foram formados os Cavaleiros Templários.

E como diz Pierre Plantard de Saint-Clair por meio de Deloux e Brétigny: Então, no início do século XII foram reunidos os meios, espiritual e temporal, que vieram a permitir a sublime realização do sonho de Godfroi de Bouillon: a Ordem do Templo seria a sustentadora da espada da Igreja de São João e os porta estandartes da primeira dinastia, as armas que obedeciam ao espírito de Sião. A consequência deste fervente ‘Joanismo’ era para ser um ‘renascimento espiritual’ que virasse de cabeça para baixo a cristandade. A despeito de sua importãncia óbvia para o Priorado, a ênfase em João permaneceu extremamente obscura – no início desta investigação nós nem mesmo sabíamos que João era tão reverenciado, sem falar porque. Mas qual é a razão para tal obscuridade? Porque eles não nos dizem a que João eles estão se referindo? E porque a reverencia [contudo extrema] para qualquer dos santos João até mesmo começaria a ameaçar as próprias raízes da cristandade? É ao menos possível fazer uma suposição a que João o Priorado tinha em mente, se a obsessão de Leonardo com o Batista seja algo a se ir. Ainda que, como temos visto, a idéia do Priorado sobre o papel de Jesus fosse dificilmente ortodoxa, e parece ilógico achar isso de acordo com uma tal reverência ao homem que alegadamente somente era importante como o precursor de Jesus.  Pode ser que o Priorado, como Leonardo, secretamente reverencie João Batista acima do próprio Jesus?  Este era um pensamento muito grande. Se há qualquer razão para acreditar que Batista tenha sido superior a Jesus, então as repercussões seriam inimaginavelmente traumáticas para a Igreja.  Até mesmo se a ‘visão’ Joanita fosse baseada em um mal entendimento, não há dúvida dos efeitos que esta crença teria se isso fosse amplamente conhecido. Seria quase como a máxima heresia – e os Dossiês Secetos enfatizam repetidamente o caráter anticlerical dos descendentes Merovíngios e seu encorajamento positivo à heresia.

O Priorado é sagaz em conduzir a idéia que a heresia é uma boa coisa por alguma razão específica dele próprio. Entendemos que a putativa heresia Batista tem perplexantes implicações, e que se fossemos escavar posteriormente no Priorado precisariamos confrontar diretamente a questão de João Batista, embora de início não estivéssemos convencidos que encontrassemos qualquer evidência para apoiar a heresia. Até este momento tudo o que tínhamos como evidência  para as crenças do Priorado sobre o Batista era a própria manifesta obsessão de Leonardo por ele, e o fato de que eles chamassem seus Grão Mestres de João. Francamente, não tinhamos uma séria esperança então de encontrar nada mais concreto do que isso, ms na medida em que o tempo passava, iriamos descobrir muito mais do que evidência sólida que o Priorado de fato fazia parte de uma tal tradição Joanita. Com ou sem evidência a sustentar isso, esta heresia pode ainda ter sido acreditada por gerações de membros do Priorado. Mas isso era ao menos parte do grande segredo que eles supostamente possuem e guardam com tal tenacidade?

A outra figura do Novo Testamento que é de imensa importancia para o Priorado, é, como temos visto repetidamente, Maria Madalena. Os autores de  ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ tem explicado que sua particular importância reside apenas no fato [alegdo] que ela foi casada com Jesus e mãe de seus filhos. Mas considerando a menos que total admiração do Priorado por Jesus, esta explicação parece fraca. Para esta organização Madalena parece ter alguma importância toda sua, e o próprio Jesus é quase irrelevante. Na história do Documento Montgomery, por exemplo, o papel dele é simplesmente confinado a ser o pai dos filhos dela e ele não toma qualquer parte no resto da narrativa. Pode-se ir longe demais para dizer que até mesmo sem Jesus há algo sobre esta mulher que a torna de suprema importância.

Mais tarde em nossas pesquisas conseguimos contactar Pierre Plantard de Saint-Clair com algumas perguntas sobre o interesse do Priorado em Maria Madalena. Recebemos uma resposta do secretário de Plantard, Gino Sandri – um italiano que vive em Paris – que, embora curta e concisa, foi ainda fragrante do famoso senso do Priorado de travessura. Em sua resposta Sandri disse que era possivel ajudar, mas ‘talvez vocês já tenham a informação sobre o assunto?’ Claramente esta era uma dissimulada ‘pontada’ de algo que ele sabia sobre nós, mas tomamos coração deste comprimento de mão virada. Ele parecia estar implicando que já tínhamos toda a informação que precisávamos conhecer, mas era conosco fazer sentido dela. Mas a carta de Sandri tem uma parte de travessura: embora pós marcada de 28 de julho, a própria carta tem a data de 24 de junho, o Dia de João Batista, Para um externo, qualquer conexão particularmente esotérica entre Maria Madalena e João Batista é um assunto para fantasia, porque os textos conhecidos do Evangelho nem mesmo registram que eles se conheceram. Ainda aqui temos um aparente antigo segredo que envolve – e honra – a ambos de um modo não incerto. O que havia sobre estes persoagens do século I que asegurasse esta duradoura e herética tradição?  O que eles possivelmente até mesmo representem que fosse tão perturbador para a Igreja? Era, como se pode imaginar, muito mais difícil saber por onde iniciar. Mas sempre que nos aprofundávamos na história de Madalena uma área estava consideravelmente mais próxima de casa do que Israel se mantinha emergindo como importante. O Priorado particularmente ressaltou a história que a levou ao sul da França, de forma que era para onde tinhamos que ir, se apenas para descobrir por nós mesmos se esta história era meramente uma fabricação medieval que, como o Sudário de Turim, estava destinada a atrair um lucrativo comércio de romeiros.  Mas havia, desde o início, algo especialmente compelente sobre a conexão deste enigmático personagem do Novo Testamento com aquela área em particular, algo que ia além de tais considerações mercenárias. Fomos investigar o segredo de Madalena em seu solo lar.

CAPÍTULO III
NAS PEGADAS DE MADALENA

Ela é bela, muito do mesmo modo que as estátuas das deusas gregas são belas, muito mais do que bonitas ao modo moderno. Fortemente apresentada, com seu cabelo caindo partido ao centro, a impressão que ela dá é uma de quase severidade e integridade escolar. Há pouco aqui a sugerir a libertina voluptuosa das histórias, Porque isso, nos é dito, é a cabeça de Maria Madalena.  O cranio, normalmente na mostra de toda sua perturbadora glória terrível na basílica, agora está decentemente envolto em uma máscara dourada e apresentado diante de multidões na cidade de St Maximin na Provença. Este evento anual acontece no domingo mais próximo da festa de Madalena, 22 de julho. Em 1995, o ano de nossa visita, a parada aconteceu em 23 de julho, em um calor sufocante e a luz do dia. Quase as quatro horas da tarde, tendo apenas acabado de seus longos almoços franceses, o povo da cidade finalmente trouxe a relíquia em uma suspeitosa liteira oscilante. Centenas de pessoas convergeriam para a procissão, talvez exatamente porque estivessem lá – todo mundo ama uma parada – mas parecia haver muitos romeiros genuinamente fervorosos entre a multidão, os olhos fixos alegremente na curiosa cabeça que se movia entre eles. Temos que nos lembrar, contudo, que sempre há romeiros, sempre crentes fervorosos, em qualquer, ou toda, coisa, e que a crença é por si só não uma medida de autenticidade histórica. Não obstante, vindo como estavamos de uma cultura livre de Madalena, o absoluto poder deste festival nos deu uma pausa. Este de fato é um sério país de Madalena. Havia também uma certa ironia em nossa presença em St Maximin. A datação por carbono do Sudário de Turim em 1988, que tinha estabelecido que ele era uma falsificação, e que voltou nosso interesse por ele, tinha usado, como material de controle, o material de uma malha do século XIII pertencendo ao Santo Luis IX que estava guardada na basílica de St Maximin. Para os propósitos desta investigação, contudo, todos os pensamentos quanto ao Sudário de Turim foram postos de lado. Estavamos lá, no sul da França, para encontrar a verdade sobre Maria Madalena, a mulher acreditada estar no coração de muitos antigos mistérios, e cujo poder se estende a cultura de hoje de um modo que não haviamos ainda dominado completamente.  Em pé lá no calor extremo, um calor quase estupefaciente, testemunhamos a procissão anual da alegada cabeça de Madalena com uma mistura de sentimentos. Para nós trazidos da Inglaterra protestante, as festividades catolicas  e o inteiro ritual que cerca as relíquias tem algo de um choque de cultura. Estas coisas parecem sem gosto, pomposas e até mesmo horríveis.

Ainda que aqui o que atinge alguém forçosamente não fosse uma ridícula apresentação de superstição, mas a devoção e o orgulho do povo local, cujo entusiasmo por esta santa em particular não pode ser dito ser inteiramente solene. Talvez a palavra operativa aqui seja ‘local’, porque  é Provençal, não francesa, a bandeira que balança acima das cabeças e é tomada muito como uma santa local até mesmo se ela veio a estes litorais de algum modo tarde na vida. Maria Madalena, é acreditado, veio da Palestina pelo mar e se estabeleceu na Provença, onde morreu. Tal é seu poder continuado que ela não é apenas reverenciada, mas amada com uma curiosa paixão, na área neste dia. Certamente há uma devoção extraordinária, até mesmo fanática dedicada a ela na Provença e a história de sua morte nesta área persiste. Muitos acreditam nisso como matéria de fato. Ainda que isso seja meramente um outro exemplo da pia continuação de uma tradição católica. Fomos atacados pelo sentimento invasivo aqui que algo muito mais importante jaz sob a superfície. E foi precisamente o que submergiu, o veio subterrâneo do significado que estavamos determinados a descobrir.

Primeiramente, como pode ser que o corpo de uma judia da Palestina do primeiro século venha a ser colocado a repousar no sul da França? Exatamente o que há sobre esta mulher, esta santa em particular, que evoque tal paixão e devoção tanto tempo depois de sua morte? E porque – se de fato é verdade – o Priorado de Sião tem por ela tal não usual veneração? Até mesmo antes que fizesemos nossa primeira viagem para a França especificamente para pesquisar os sítios tradicionalmente associados ao culto dela, passamos muito tempo refletindo sobre seu background. Precisavamos saber como ela era percebida historicamente em nossa cultura, e quão forte seu impacto continuado pudesse ser. Porque em contraste com a relativa frieza com a qual ela é recebida na moderna Inglaterra protestante, para muitos catolicos de sangue quente europeu ela é objeto de uma devoção fervorosa e até mesmo apaixonada. Para eles, ela é a mulher mais importante depois da Virgem Maria. Pergunte as pessoas mais educadas de hoje quem era Maria Madalena e o que ela representou e as respostas são muito interessantes. Quase todo mundo responderá que ela era uma prostituta, mas depois  – dependendo do ponto de vista da pessoa envolvida – geralmente haverá um comentário sobre seu mal definido, embora implícito, relacionamento com Jesus. Esta assunção cultural, tão confusa quanto possa ser, encontra expressão na música de Tim Rice/Andrew Lloyd Webber  ‘I Don’t Know How to Love Him’ [eu não sei como ama-lo] do musical ‘Jesus Christ Superstar’ (1970),  no qual ela é retratada como ‘o picante com coração’ tão amado do teatro britânico, e seu papel como confortadora de Jesus que também deu a ela a auto-estima por ele. Quando o musical foi apresentado pela primeira vez, e mais tarde transformado em um filme, causou algo de uma sensação entre os principais cristãos, até mesmo entre os britânicos carateristicamente não emocionais. Isto foi, talvez, principalmente devido a um sentimento de ultraje  que uma história envolvendo Jesus tenha sido explorada pelo  ‘showbiz’ e transformada em uma ópera rock entre todas as coisas!

Uma versão de Madalena apareceu na ‘Vida de Brian’ de Monty Python (1979), embora esta não fosse a razão para os gritos de ultraje que se elevaram das fileiras dos cristãos pelo mundo. Dado o personagem de Brian ser uma pequenina alusão velada ao próprio Jesus, esta comédia sagaz e estranhamente perturbadora foi altamente considerada como claramente blasfema. Mas colocando de lado toda irreverência, o filme nunca estabeleceu retratar Jesus, sendo um comentario satírico dos cultos messianicos de hoje, que não obstante, em nossa opinião, talvez por acidente ou projeto, incorporou alguns profundos insights e alguma detalhe curiosamente bem pesquisado. Nele a namorada de Brian, Judite – surrrealmente representada como sendo gaulesa -, era o real poder por trás dele e de seu movimento; de fato sua feroz retórica fez dele um homem, ambora também acabasse por fazer dele um mártir.

Os cristãos fizeram piquetes em cinemas em vários países quando eles viram o filme de Martin Scorcese, ‘A Última Tentação de Cristo’  (1988).  Embora o próprio Jesus fosse retratado como algo de ingenuo, esta não parece ter sido a razão para uma reacão horrorizada tão disseminada. Isto era muito mais  devida a explícita apresentação de sexo entre Maria Madalena e Jesus – até mesmo embora fosse meramente uma sequência de fantasia. Por razões que analisaremos mais tarde, este inteiro conceito é curiosamente repugnante para a maioria dos cristãos, provavelmente porque eles tomam isso como implicando em certas perguntas fundamentais sobre a divindade de Jesus. Para eles, a noção de um Jesus sexuamente ativo, até mesmo dentro de um contexto de casamento, é automaticamente blasfemo; sugestões que de fato devem implicar que ele não pudesse também ser o Filho de Deus.

Mas o que foi mais significativo para nós sobre a feitura da ‘Última Tentação de Cristo’ foi o óbvio e persistente fascínio de Scorcese por Madalena, e com o conceito de seu relacionasmento íntimo com Jesus [e muito interessantemente, o próprio diretor é cristão]. Não é, contudo, meramente a permissividade moderna que tem feito de Madalena um ícone. Pela história ela sempre tem incorporado de certa forma a atitude ds mulheres – de modo não aberto apenas a outras importantes figuras femininas nos Evangelhos, a não sexual e remota Virgem Maria. Nos tempos vitorianos, por exemplo, Madalena era uma boa desculpa  para apresentar prostitutas penitentes meio nuas e em êxtase. Ao mesmo tempo de algum mmodo santa e pecadora, conhecida e desconhecida.  Era moda nos bordéis daquele tempo para alguns prisioneiros encenarem sua penitência, embora os detalhes particulares destas ‘Peças de Mistério’ possuissem pouco da história dela como contada nos Evangelhos. Nos tempos pós feministas de hoje, a ênfase está em seu relacionamento com Jesus. A Madalena pode ter mantido seu papel como teste no qual um evento ou qualidade mostra o fator decisivo dos contemporaneos costumes sexuais seculares, mas a imagem dela pela história também tem refletido a atitude da Igreja em relação as mulheres e sua sexualidade. É somente como uma prostituta arrependida que ela é admitida na congregação dos santos e a disseminação de sua história depende de sua penitência e desconfortável estilo de vida solitário. Ssua santidade repousa em sua auto-abegação. Nas últimas duas décadas esta Maria tem se tornado o foco do meio pelo qual A Igreja Cristã tem lidado com suas seguidoras femininas, particularmente quando a ordenação de sacerdotes mulheres na Igreja Anglicana pela primeira vez se tornou um assunto controvertido.

Não foi por acidente que na ornação das primeiras mulheres como vigários em 1994 a lição que foi lida do Novo Testamento foi a história de como o Jesus ressurecto se encontrou com Madalena no jardim. Não não naturalmente, sendo a única mulher importante na historia de Jesus além de sua mãe, ele é tomada por muitas mulheres ativistas dentro da igreja moderna como um simbolo potente de seus direitos. Msa o poder continuado de Maria Madalena não é imaginário: ele sempre tem existido e exercido uma profunda atração pelos séculos, como deixa claro Susan Haskins em seu estudo recente “Maria Madalena’ (1993).  De início o poder absoluto de Madalena parce intrigante, especialmente já que ela é dificilmente mencionada no Novo Testamento. Somos tentados a pensar que, como no caso de Robin Hood, a própria pobreza de informação fornecesse uma tentação para inventar um material mítico para preencher as lacunas.  Ainda que se alguém criou uma fantasia sobre Maria Madalena fosse a Igreja. A imagem dela como uma prostituta arrependida nada tem a ver com a história dela em Mateus, Lucas, Marcos e João: o personagem descrito no Novo Testamento é muito diferente daquele conjurado pela Igreja. Os Evangelhos são apenas textos relacionando Maria Madalena com a maiora das pessoas que são familiares, então voltemos a elas agora.

Até recentemente, o personagem dela tem sido visto pela maioria dos cristãos como sendo marginal à história mais ampla de Jesus e seus seguidores. Mas dentro dos últimos vinte anos tem havido uma distinta mudança na percepção dos eruditos sobre ela. Neste dias o papel dela parece ser consideravalmente mais importante e é sob a luz destas descobertas que baseamos nossa própria hipótese. Fora a Virgem Maria, Maria Madalena é a única mulher mencionada pelo nome em todos os quatro Evangelhos. Ela primeiro aparece durante o ministério de Jesus na Galiléia como uma de um grupo de mulheres que o seguiam – ‘e ministravam para ele a substância delas’. Era ela que tinha os sete demonios retirados dela. A tradição também a identificou com duas outras mulheres no Novo Testamento: Maria de Betania, irmã de Marta e Lázaro, e uma mulher não nomeada que unge Jesus com óleo de nardo de uma jarra de alabastro. Esta conexão será explorada mais tarde, mas pelo momento nos confinaremos a figura inequivocamente identificada como Maria Madalena. Seu papel toma um significado inteiramente novo, profundo e duradouro, quando ela é registrada como estando presente na crucificação e mais especialmente quando ela se torna a primeira testemunha da ressureição. Embora os quatro evangelhos falem da descoberta da tumba vazia eles são notoriamente diferentes; não obstante, todos concordam em identificar a primeira testemunha do Jesus ressurecto. Esta foi indubitavelmente Maria Madalena. Ela não foi apenas a primeira testemunha feminina, mas a primeira pessoa a ve-lo depois que ele emergiu da tumba, um fato que tem grandemente sido obscurecido por muitos que preferem contar apenas homens como sendo verdadeiramente discípulos de Jesus e seus apóstolos.

A Igreja, de fato, tem baseado sua autoridade inteiramente no conceito do apostolado. Pedro sendo o Primeiro Apóstolo e portanto o conduto pelo qual o próprio poder de Jesus foi transmitido para a posteridade. A autoridade Dele, embora muitos acreditem que isto tenha vindo da declaração ’sobre esta rocha construirei minha Igreja’, é oficialmente acreditada vir dele ser o primeiro dos discípulos de Jesus a ve-lo no estado ressurecto. Mas a narrativa do Novo Tclaramente contradiz o ensinamentio da Igreja sobre isto. Claramente, em apenas uma narrativa, a Madalena tem sofrido uma enorme injustiça; uma que tem implicações de muito longo alcance. Mas há mais. Ela tambem foi a primeira discipula a ser instruida por Jesus para levar as novas de sua ressureição aos outros discípulos. Curiosamente talvez, a própria Igreja inicial reconheceu seu verdadeiro lugar na hierarquia e deu a ela o título de ‘Apostola Apostolorum’ (Apostola dos Apóstolos), ou mais explicitamente, o Primeiro Apóstolo. A razão pela qual Jesus deve ter escolhido  aparecer primeiro em sua forma resurrecta a uma mulher tem sido um espinho no quadril dos teólogos. Talvez a mais curioa explicação apareceu na Idade Média, quando foi seriamente sugerido que o meio mais rápido de espalhar uma nova seria dizer a uma mulher!

Agora geralmente é entendido pelos eruditos que as mulheres desempenharam um papel muito maior e mais ativo no movimento de Jesus tanto durante seu período de vida quanto mais tarde, quando este movimento se espalhou entre os gentios,  do que geralmente tem sido admitido pela Igreja. Ironicamente, talvez, a verdadeira imagem do lugar da mulher então pode até mesmo não conhecido agora se não fosse a grande controvérsia atiçada pela campanha contra a ordenação de mulheres. Foi apenas quando a Igreja se tornou uma instituição formalizada – sob a infuência de São Paulo – que o papel da mulher foi minimalizado. E o processo também foi retrospectivo. Em outras palavras, embora as mulheres não tenham sido personagens menores no primário drama cristão, Paulo e seus partidários se asseguraram que elas seriam empurradas para a margem pela história. É verdade que a impressão dada apenas nos Evangelhos é que os discípulos de Jesus são todos homens. Somente uma única referência no Evangelho de Lucas menciona mulheres viajando com Jesus. Isto pode ser confuso quando mais tarde parece que as mulheres subitamente aparecem do nada para tomar o lugar central ao redor da cruz. A julgar pela marginalização a cavaleiro ds muheres nas narrativas em geral, é intrigante porque eles se tornam tão abruptamente o centro de atenção: Poderia ser porque todos seus companheiros homens tenham realmente desertado dele? As mulheres foram deixadas neste ponto crucial da história apenas porque elas eram seus últimos amigos fiéis remanescentes? Os Escritores dos Evangelhos podem ter tido que recontar o papel das mulheres na crucificação simplesmente porque elas eram suas unicas testemunhas, e é somente com base em seu testemunho que a história de apoia. Significativamente, o testemunho das mulheres não era permitido nas cortes judaicas da lei naquele tempo, então a palavra delas sobre qualquer coisa não era considerada importante.

Entre as muitas implicações deste ponto é que a história de Maria Madalena, sendo a primeira a encontrar o Jesus ressurecto deve ter tido alguma base no fato. A história que foi baseada primariamente na palavra de uma mulher é altamente improvável de ter sido fabricada. Exemplos brilhantes de lealdade, e de coragem em permanecer com um criminoso condenado, as mulheres todas devem ser aplaudidas. Mas uma em particular se eleva acima das outras: Maria Madalena. A importância dela é sugerida pelo fato de quase sem exceção seu nome vem primeiro seja qual for a lista das seguidoras de Jesus. Até mesmo alguns católicos de hoje sugerem que isto foi porque ela era a líder das discipulas mulheres. Em uma tal sociedade rigidamente formalizada e hierarquica, esta honra não era nem menor nem acidental; a Madalena vem primeiro, até mesmo quando listada por aqueles sem qualquer consideração pelo lugar de qualquer mulher no movimento de Jesus e especialmente sem nenhum amor por esta mulher em particular. Ela estava, como temos visto, ‘ministrando para’ Jesus e seu discípulos msculinos. Isto sempre tem sido explicado pela idéia de que ela fosse um tipo de servente devotada, constantemente se prostrando diante dos homens muito mais importantes no grupo. Mas os fatos são muito diferentes: não há dúvida que as palavras originalmente usadas significa ‘apoiava’ os outros, e ‘de sua substância’ significa ‘com suas posses’. Na opinião de muitos eruditos Maria Madalena, talvez como outras mulheres do movimento de Jesus, não era pobretona, mas uma mulher de meios independentes que mantinha Jesus e os outros homens. Embora a narrativa bíblica também use estas palavras sobre outros mulheres apoiadoras, é, como temos visto, ela que vem primeiro. Maria Madalena é colocada a parte das outras mulheres por seu próprio nome. Todas as outras mulheres que são mencionadas pelo nome nos Evangelhos canonicos são definidas por seu relacionamento com um homem,  como esposa de, mãe de. Somente esta Maria tem o que pode ser considerado um nome completo, embora exatamente o que signifique será discutido mais tarde.

Ainda que este personagem poderoso e importante permaneça curiosamente enigmático. Depois de um cumprimento de certa forma de mão virada dado a ela nos Evangelhos quando ela parece ser selecionada fora, ela nunca é mencionada novamente – nem nos Atos dos Apóstolos nem nos escritos de Paulo [até mesmo em sua descrição da descoberta da tumba vazia], nem nas cartas de Pedro. Isto pode ser visto como ainda um outro mistério destinado a ser muito discutido  mas nunca resolvido – até que voltamos para os escritos conhecidos como Evangelhos Gnósticos, onde a imagem é subitamente esclarecida em um grau surpreendente. Estes documentos, dos quais há mais de cinquenta, foram descobertos em 1945 em Nag Hammadi no Egito e são uma coleção dos textos iniciais cristãos gnósticos, os originais de alguns são reconhecidos datarem de aproximadamente o mesmo tempo dos Evangelhos canonicos. Eles são escritos que foram considerados ‘heréticos’ pela Igreja inicial e portanto foram sistematicamente destruídos como se contivessem algum grande segredo que fosse potencialmente perigoso para o estabelecimento emergente. O que muitos destes textos proibidos proclamam foi a proeminência de Maria Madalena e um deles é até mesmo chamado Evangelho de Maria. A Maria deste evangelho não é a Virgem, mas Maria Madalena. Talvez não seja coincidência que os Quatro Evangelhos do Novo Testamento efetivamente a marginalizem, enquanto os evangelhos heréticos enfatizem a sua importância. Pode ser que o Novo Testamento seja realmente uma forma de propaganda em beneficio do grupo anti-madalena?  Conquanto estaremos discutindo os Evangelhos Gnósticos em muito maior detalhe  em um capitulo posterior, os seguintes pontos são de imediata importância. A história do Novo Testamento, como temos visto, rancorosamente implica que ela teve um maior papel no movimento de Jesus, mas os Evangelhos Gnósticos proclamam abertamente e confirmam a proeminência dela. Sobretudo, este status superior não está meramente confinado a seu lugar entre as mulheres – ela é literalmente a Apóstola dos Apóstolos  e portanto reconhecida  ser secundária apenas a Jesus, acima de todos ou outros seguidores. Ela parece, foi a única pessoa que era efetivamente a ponte entre entre Jesus e todos seus outros discípulos, e era ela que interpretava as palavras dele em benefício deles. Nestes textos não é Pedro que Jesus escolheu como segundo em comando, mas Maria Madalena. Ela era, segundo o Evangelho Gnóstico de Maria, quem reunia os desanimados discípulos depois da crucificação e colocou alguma espinha dorsal neles quando eles estavam bem preparados para desistirem e voltarem para casa depois da perda de seu carismático líder. Ela contornou todas as dúvidas, não apenas apaixonadamente mas com inteligência, e conseguiu inspira-los a se tornarem verdadeiros e devotados apóstolos. Isto pode não ter sido fácil, porque ela não teve apenas que conter o prevalecente sexismo de seu dia e cultura, mas ela também teve que enfrentar um poderoso antagonista pessoal.  Este era Pedro, o Grande Pescador da história, o mártir e fundador da Igreja Católico Romana. Ele, os Evangelhos Gnósticos repetidamente afirmam, a odiava e a temia, embora enquanto seu Mestre esteve vivo ele só pudesse protestar ineficazmente sob a extensão da influência dela. Varios textos recontam trocas acaloradas entre Pedro e Maria, com o primeiro exigindo saber de Jesus porque ele aparentemente preferia a companhia daquela mulher.

Como diz Maria Madalena em outro Evangelho Gnostico, o Pistis Sophia : ‘Pedro me faz hesitar: tenho medo dele porque ele odeia a raça feminina”. E no Evangelho Gnóstico de Tomás, encontramos Pedro dizendo: ‘Deixe Maria sair de nós, porque as mulheres não são dignas da vida”. Há algo mais sobre as narrativas Gnósticas que as tornam explosivas onde diz rspeito a Igreja. A imagem que eles pintam do relacionamento entre Maria e Jesus não era meramente aquele de professor e aluna, ou até mesmo um guru e seu estudante favorito. Eles são apresentados, frequentemente bem graficamente, como sendo em termos mais íntimos. Tome por exemplo o Evangelho Gnóstico de Felipe:

Mas Cristo a amava mais do que a todos os outros discípulos e costumava beija-la frequentemente na boca. O resto dos discípulos eram ofendidos por isso e expressavam desaprovação. Eles disseram a Ele: ‘Porque você a ama mais do que a todos nós?” O Salvador respondeu e disse a eles: “Porque não amo vocês como eu a amo?’ No mesmo evangelho gnóstico lemos esta frase aparentemente inócua: “Eram três que sempre andavam com o Senhor: Maria sua mãe, sua irmã e Maria Madalena, que é chamada sua companheira.  A irmã dele, sua mãe e sua companheira, todas se chamavam Maria. E a companheira do Senhor é Maria Madalena.’ Conquanto hoje a palavra companheira implique em camaradagem, amiga e colega em um sentido puramente platonico, a palavra grega original realmente significa ‘consorte’ ou parceira sexual. Os os Evangelhos canonicos foram incluidos no Novo Testamento apenas porque eles e somente eles são a verdadeira palavra de Deus e há muitos fundamentalistas para quem isso é assim, ou ou Evangelhos Gnósticos contém ao menos tanta informação válida quando Mateus, Marcos, Lucas e João. O equilíbro da probabilidade repousa a favor dos Evangelhos Gnósticos terem exatamente tanto uma afirmação a nosso respeito quanto aqueles do Novo Testamento. Se Madalena realmente foi a amante ou esposa de Jesus, então sua posição enigmática no Novo Testamento é explicada. Ela parece ser importante, mas a razão para o seu status nunca é esclarecida; talvez os escritores esperassem que sua audiência tivesse conhecimento ulterior de seu relacionamento com Jesus. Afinal, tem sido ressaltado, os rabinos geralmente eram casados como uma matéria de fato; um pregador solteiro teria causado mais comentário e uma declaração a este fato quase certamente teria sido incluida nos Evangelhos. Se Jesus tivesse sido celibatário e sem filhos em uma tal cultura dinástica, não somente isto teria causado uma sensação mas certamente teria formado uma parte muito mais óbvia de seus relatados ensinamentos. De fato, o cellibato era, e é, considerado tão horrível na tradição judaica como ser atualmente considerado pecador. Jesus teria sido notório por pregar o celibato e esta acusação nunca foi levantada contra ele, até mesmo por seus inimigos mais implacáveis.

A vida monástica foi muita mais tarde uma criação da cristandade; até mesmo o aparente misógino Paulo admitiu que “era melhor casar do que queimar”. A própria idéia de Jesus como um ser sexual é tão antipática para os cristãos modernos que, como temos visto, a sequência de fantasia do filme de Martin Scorcese de Jesus e Maria na cama provocou um grito em massa de horror. Os cristão de todas as partes denunciaram isso como sensacionalismo, sacrilégio e blasfemia. Mas a razão real para este ultraje não era menos que o subjacente medo atávico e ódio as mulheres. Tradionalmente eles estão sendo tão basicamente impuros e sua proximidade física como poluidora do corpo, mente e espírito do homem naturalmente puro e bom; certamente o Filho de Deus não pode ter se colocado em tal perigo mortal. O horror sentido pela idéia de Jesus, de todos os homens, sendo parceiro sexual de qualquer mulher, é multiplicado mil vezes quando sua amada é chamada de Maria Madalena, uma conhecida prostituta. Embora discutiremos este assunto completamente mais tarde, é suficiente dizer aqui que a questão dela ser, ou ter sido, uma mulher das ruas deve permanecer em aberto. Há evidência tanto a favor quanto contra sua profissão por um tempo, mas o aspecto mais importante deste assunto é que a Igreja escolheu retrata-la como uma prostituta, embora arrependida. Esta é uma interpretação altamente seletiva do personagem dela, também servindo para reunir duas maiores mensagens: que Madalena em particular e todas as mulheres em geral são impuras e espiritualmente inferiores aos homens e que a redenção é encontrada apenas na Igreja. Se é impensável que Jesus e sua [presumida] ex-prostituta fossem amantes, então para a maioria dos cristãos é igualmente ultrajante sugerir que eles eram marido e mulher. Como temos visto, os autores de ‘The Holy Blood and the Holy Grail’ argumentam que se Madalena fosse a esposa de Jesus então isso explicaria porque ela era tão importante para o Priorado de Sião e sua idéia  de uma linhagem sanguínea sagrada.

Foi em 1931 que D.H. Lawrence publicou sua última novela, O Homem que Morreu, na qual Jesus sobrevive a cruz e acha a verdadeira redenção pelo ato sexual com Maria Madalena, que é claramente identificada como uma sacerdotisa de Isis. Lawrence também associa Jesus ao deus morto e ressucitado Osiris, consorte desta deusa. A história foi originalmente intitulada ‘The Escaped Cock’, e, como escreve Susan Haskins : O galo é associado com a idéia  de um corpo ‘elevado’ [a figura Cristo pungentemente exclama " Eu sou elevado e finalmente obtenho uma ereção] (Parece estranho que tanta atenção tenha sido dada ao livro ‘O Amante de Lady Chatterley’ quando este outro, potencialmente mais controvertido, tem escapado a censura.) Embora seja posssível se fazer um bom caso para Jesus e Maria Madalena serem casados e, por implicação, até mesmo terem filhos, que por si só parece uma razão fraca para o Priorado investir tanta paixão em sua devoção a ela, porque, como vimos no capítulo anterior, há razões maiores para descartar a idéia que a dinastia Merovíngia tenha descendido destes dois. Claramente seu encanto reside em algo mais, algo mais evasivo mas não imposssível de vivenciar. Pistas disto podem ser vistas fugazmente no poder da imagem dela em nossa cultura, mas foi na França que a mulher real foi suposta ter terminado seus dias.

A narrativa mais famosa de Maria Madalena na França é a de Jacobus de Voragine em ‘Golden Legend’ (1250). Nela, de Voragine, o Arcebispo Dominicano de Genova, se refere a ela como Illuminata e Illuminatrix [a iluminada e a iluminadora'], o que é particularmente interessante porque estes são os papeis atribuidos a ela pelos proibidos textos gnósticos. Ela é retratada como sendo iluminada e a concessora da iluminação, a iniciada e a iniciante: não há sugestão de que ela fosse espiritualmente inferior por ser uma mulher, muito ao contrarío. Como é o caso com todas as histórias, há várias variações sobre um tema central, que não obstante permanecem notavelmente constantes. A principal história é a que se segue: pouco depois da Crucificação, Maria Madalena, juntamente com seus irmãos Marta e Lázaro, mais vários outros, [a identidade deles varia dependendo da versão da história] viajaram por mar para a costa do que agora é a Provença. Entre este movível grupo de extras está St Maximin, que é dito ter sido um dos 72 discípulos de Jesus e o legendário primeiro bispo de Provença; Maria Jacobi e Maria Salomé, alegadamente tias de Jesus, uma menina jovem servente negra chamada Sara e José de Arimatéia, um amigo rico de Jesus que é mais frequentemente ligado à história de Glastonbury. O motivo para o que supostamente foi uma fortuita e desconfortavelmente longa viagem também depende de que versão da história você leia. Uma é a de que este grupo havia escapado da perseguição da igreja inicial pelos judeus, e o outro principal motivo dado é que eles tinham deliberadamente sido colocados a deriva por seus inimigos em  um barco sem leme e sem remos. Era, com certeza, um milagre literal que eles alcançassem terra seca.

A imagem pintada nos dias medievais do sul da França dos dias de Madalena era de uma área vasta e remota habitada por pagãos selvagens. De fato, Provença era uma maior parte do Império Romano, uma área altamente civilizada com florescentes comunidades romanas, gregas e até mesmo judaicas. A família de Herodes possuia propriedades no sul da França. E longe desta jornada ser estranhamente longa e fora do mapa, era uma rota normal para os barcos de comércio e não mais difícil, digamos, do que a jornada de Tiro ou Sidom a Roma. Se este grupo em particular tinha vindo a Provença, eles bem pode ter feito isso volluntariamente, sem terem sido forçados a fugirem. As histórias concordam que eles desembarcaram no que é agora a cidade de  Saintes-Maries-de-la-Mer, em Camargue. Uma vez lá, o grupo se partiu e tomou seu vários caminhos para disseminar o Evangelho. A história continua que Madalena pregava pela região, convertendo os bárbaros antes de se tornar uma eremita em uma caverna em Sainte-Baume. Algumas histórias a tem vivendo lá por implausível, mas um período biblicamente honrado, de quarenta anos, passando o que devem terem sido dias muito longos, se arrependendo de seus pecados e meditando sobre Jesus. Para acrescentar um sabor à história, é acreditado que ela tenha passado todo este tempo nua, exceto pelo seu cabelo curiosamente abundante, que a vestia efetivamente de um modo reminescente as peles animais de João Batista. E pelo fim de sua vida, nos é dito, ele foi carregada pelos anjos para St Maximin (por então o primeiro bispo da Provença) que deu a ela os últimos sacramentos antes dela morrer. Seu corpo foi enterrado na cidade que recebeu o nome dele. Uma bela lenda, mas há verdade nisso? De início, é extremamente improvável que Madalena fosse uma eremita, por tanto tempo, em uma caverna em Sainte-Baume. Até mesmo o guardião oficial do templo católico de hoje admite que ela nunca esteve lá. Contudo, o sítio não é sem importância. Em tempos romanos ele estava associado a uma deusa pagá. Muito longe de seu uma lugar para um eremita da lenda, sendo uma área bem populada e a própria caverna era um centro de veneração da deusa Diana Lucifera (a ‘portadora da luz’ ou a ‘iluminante’].

Embora uma Madalena nua mas não tosada certamente tivesse sido o centro de atenção, ela dificilmente estaria só naquele lugar de veneração, porque muitas outras sacerdotisas e veneradores teriam enchido a caverna. Mas conquanto a cristianização dos sítios pagãos, se apenas restropectivamente, seja uma prática histórica bem conhecida, algo mais parece dar pistas aqui. [Interessantemente, Arles - a mais populosa cidade próxima ao lugar onde se acredita que Madalena tenha desembarcado - foi um maior centro do culto de Isis. Esta área inóspita e pantanosa parece ter sido lar de vários grupos veneradores da deusa, e sem dúvida continuou a fornecer um refúgio para membros do culto bem até dentro dos tempos cristãos]. De fato, a metamorfose daquela uma vez esplendidamente voluptuosa Madalena em uma eremita abatida e chorosa foi a deliberada cristianização de uma história muito mais ambivalente: todos os elementos chave foram retirados da história do século V de Santa Maria a Egípcia, que também era uma prostituta que se tornou eremita e cuja penitência na vastidão da Palestina durou 47 anos. [Obviamente, contudo, os velhos hábitos dificilmente morrem, porque ela financiou sua viagem de barco lá ao fornecer seus usuais serviços pessoais a marinheiros - e até mesmo mais notavelmente, ele foi considerada sagrada por fazer assim]. Claramente, e a luz de outra evidência dada mais tarde, a parte ‘penitente’ da história de Madalena é uma invenção deliberada da parte da Igreja medieval para torna-la mais aceitável. Mas descobrir  o que ela não era por si só não esclarece nem sua história e nem sua personalidade. Ainda que de tempos em tempos novamente tenhamos enfrentado esta curiosa atração por esta mulher, que vai além do mero carisma contemporaneo, e cujo apelo não apenas sobreviveu aos séculos mas realmente parece aumentar em nosso tempos.  Há milhares de histórias santas, algumas mais acreditáveis do que outras, mas tristemente, a maioria delas são meras fábulas. Porque o caso de Maria Madalena de qualquer modo deva ser diferente? Porque deva haver qualquer substância nesta história? Muitos comentadores tem afirmado que a história de Madalena na França foi simplesmente uma invenção de sagazes publicadores franceses, ávidos em criarem um espúrio legado bíblico para eles próprios [muito como as história do menino Jesus visitando as terras ocidentais da Inglaterra]. Inegavelmente, muitos dos detalhes da história da Madalea francesa são acréscimos posteriores, mas há razões para suspeitar que o todo seja baseado em fato. Porque embora possa ser ir longe demais declarar que Jesus visitou a parte ocidental da Inglaterra, então uma área muito remota fora do império romano, dificilmente é a mesma coisa sugerir que uma mulher que possuia meios independentes navegasse para uma cultura próspera nas margens do Mediterrâneo romanizado. Mas muito mais notável era a natureza do papel dela nestas histórias: ele é explicitamente apresentada como uma pregadora.  Como temos visto, a própria Igreja inicial se referia a ela como ‘A Apóstola dos Apóstolos’, mas pela Idade Média teria sido impensável atribuir tal papel a uma mulher. Se, como os críticos mantém, a história da Madalena francesa tinha sido inventada pelos monges medievais então eles dificilmente teriam garantido a ela o então enfaticamente masculino papel de apóstolo. Isto sugere que a história foi baseada em uma memória real, contudo embelezada através dos séculos, da própria mulher. E significativamente, os historiadores concordam que a cristandade foi estabelecida na Provença no século I.

Tomando a cidade de Marselha como nossa base, fomos visitar os principais sítios associados com a história de Madalena. A trilha, como a própria história, começa em  Saintes-Maries-de-la-Mer, que fica a umas duas horas de Marselha na direção de Camargue, a área pantanosa pontilhada de lagoas [poças?] onde a boca do Rhône encontra o Mediterrâneo.  Saintes-Maries é apenas uma cidade em um área de outro modo dedicada a criação de cavalos, pelo que Camargue é famosa, e que também fornece um santuário para muitas espécies de aves aquáticas, inclusive bandos de flamingos que visitam esta linha costeira vindo da África. É um lugar selvagem, infestado de nuvens de mosquitos ao entardecer, e depois de um longo caminho através dos pântanos a partir de Arles há algo de um choque quando se chega a Saintes-Maries e se descobre ser este um fervente centro turístico, completo com diversões, bares e e restaurante. Como o resto de Camargue, ela tem um sentido distintamente hispânico, até mesmo pela arena de touros, que, aqui, é ao lado da praia.

A igreja como um galeão de Notre-Dame de la Mer se eleva abruptamente acima das construções baixas da cidade e não é surpresa saber que esta igreja do século XII foi construída completa com fortificações: sendo um remoto centro costeiro, estava sob constante ameaça de piratas e outros inimigos.  Três Marias são veneradas aqui: Maria Madalena, Maria Jacobi e Maria Salomé. A igreja era de particular interesse para Rene D’Anjou (1408-1480), Rei de Nápoles e da Sicília e, segundo o Priorado de Sião, uma vez seu Grão Mestre. o Bom Rei Rene, como ele é conhecido na história, foi um devoto apaixonado de Maria Madalena, e teve permissão concedida pelo Papa para escavar a cripta. Ele encontrou dois esqueletos, que declarou serem de Maria Jacobi e Maria Salomé, mas de Madalena não encontrou sinal. Ns entranhas da igreja há um curioso altar dedicado a Sara a Egípcia, supostamente a servente das Marias. Tradicionamente acreditada ser negra, ela é a santa patrona dos ciganos, que convergem para a cidade aos milhares todos os dias 25 de maio para um festival em sua honra. Eles elegem este ano a Rainha Cigana em frente da estátua de Sara, que então é levada em procisssão e cerimoniosamente molhada no mar. Naturalmente este evento tem se tornado uma maior atração turística da área, e tem atraído nomes famosos durante anos: incluindo Bob Dylan, que foi inspirado a escrever uma música sobre sua visita. Entre outras visitas ilustres está uma comemorada por uma placa na praça fora da Igreja: aquela do Cardeal Angelo Roncalli  (1881-1963), então embaixador do Vaticano para a França e mais tarde Papa João XXIII. Tem sido declarado que ele era um membro do Priorado de Sião, ao tempo em que Jean Cocteau tinha o título de João XXIII como Grão Mestre.

Seguindo o que é afirmado ter sido o itinerário de Madalena, voltamos para o calor e agitação de Marselha onde ela pregou. De duas catedrais, que ficam lado a lado, uma tem meramente 150 anos e ainda está em uso hoje. Embora sua decoração celebre o tema de Madalena, isto presumidamente é o resultado das tradições locais e expectativas. Na construção mais velha, Vieille Major, que muito mais interessante  entre as duas, contém aparentemente apresentações autênticas da vida e do trabalho da santa na área. E exatamente como o domo de  Notre-Dame de France em Londres, o teto tem sido decorado para parecer uma gigantesca teia de aranha. Por agora considerada insegura, contudo, esta catedral não mais está aberta ao público. Construída no século XII em um sítio de um batistério do século V, é aromática do antigo Madalenetismo. Não apenas há uma capela dedicada especificamente a ela, mas também a capela de São Serenus tem uma série de baixo-relevos apresentando cenas da vida dela, que foram comissionadas por Rene D’Anjou. Uma delas especificamente a apresenta pregando, assim reforçando a imagem dos Evangelhos Gnósticos dela como Apóstola. E se ela foi bem sucedida em converter os pagãos, alguém deve ter estado  a mão para batiza-los na fé cristã, mas quem era? Podia possivelmente ser que ela, a Apóstola dos Apóstolos, desempenhasse ela própria este papel? A tradição local a tem pregando nos velhos degraus do templo de Diana. Esta construção de fato não forneceu as atuais fundações para a catedral de Marselha, mas é dito ter se localizado no que é agora a Place de Lenche, em um emaranhado de ruas a 200 metros dali. Nada há lá para comemorar sua declaração de fama histórica, mas há algo de compelente na insistência dos locais que este ponto triangular nada notável é o lugar onde uma vez Madalena pregou. Passando o forte de São João Batista e o pitoresco velho porto de fama mundial, se mal cheiroso, o mercado do peixe, está a Abadia de São Vitor. Este é um outro importante sítio religioso, que tem sido um monastério desde o século V e que, por sua vez, foi construido em um cemitério pagão. A presente construção data do século XIII mas sua cripta é muito mais velha e contém muitos sarcófagos ornados do período romano. A cripta também contém uma capela como caverna dedicada a Madalena. Mas para nós, a caratéristica mais fascinante deste lugar foi uma estátua do século XIII de Notre-Dame de Confession. Tendo uma criança em seus braços, ela é mostrada como negra. Ela é uma das controvertidas Madonas Negras.

A leste Marselha está Sainte-Baume – a grande caverna onde Madalena supostamente terminou seus dias como uma eremita. Uma estrada escarpada e sepenteada sobe agudamente por quase 1.000 metros, antes de se nivelar em um platô e eventualmente conduzir o visitante a um pequeno agrupamento de construções que constituem a vila de  Sainte Baume. De lá é uma longa e quente caminhada entre os bosques até a própria gruta, agora um santuário católico. Contudo não há revelações de ter havido aqui, como que temos visto, o que a Igreja enxertou Sainte-Baume na história de Madalena para torna-la paralela a vida de uma outra prostituta-santa, Maria a Egípcia, e ao tempo de Madalena a gruta era um centro de veneração pagã da deusa. O mito tinha o duplo valor de fazer a dissidente Madalena em alguém mais fácil para a Igreja patronizar, e por sua vez tranformar um lugar pagão em um foco de romarias cristãs. De Saint Baume a estrada continua para o suposto local da morte e enterro de Madalena,  Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, onde o festival anual dela estava em pleno acontecimento. A gloriosa procissão da cabeça de Madalena começa com um serviço na basílica de Sainte-Marie-Madeleine, então as relíquias, que normalmente são trancadas na sacristia, são montadas em liteiras e carregadas em uma rota prescrita pelas ruas sinuosas e estreitas da cidade de  St Maximin. Uma banda de tambores e instrumentos de sopro, vestida no tradicional costume provençal, lidera a parada, conduzindo bispos, sacerdotes, monges dominicanos e os veneradores locais. Como algo de aquecedor talvez, seguem duas liteiras adicionais levando pequenas estátuas de santos menores. Então, depois de uma longa espera, vem a própria cabeça. Adornada com pequenas medalhas de ouro ao redor da borda da canópia, a preciosa relíquia é claramente de enorme importância. Pessoas da cidade sustentam lanças mantendo uma guarda simbólica ao redor dela, e tal é seu poder que localizamos uma jovem mulher que completamente esqueceu todas as idéias de modéstia e se inclina em sua janela para espiar sem uma roupa em cima. [Há aqueles que podem dizer que isto foi apropriado demais no que diga respeito a esta santa em particular]. Em todos os lugares a relíquia é tomada pelo mesma assustadora repetição do clérigo oficiante e da multidão, um hino especial a Maria Madalena, que culmina na ascendente rendição dentro da própria basílica, liderado pelo seu grande órgão de fama mundial.  Mas é toda esta gritaria e cerimonial meramente uma manipulação para dar melhor impressão? Isto nos fala algo afinal sobre a real Maria Madalena, a enigmática mulher do Novo Testamento que pode realmente ter sido esposa de Jesus?

Suas relíquias foram encontradas, assim é dito, enterradas na cripta da Igreja de St Maximin em 9 de dezembro de 1279 por Charles II d’Anjou, Conde de Provença. O que era acreditado ser o esqueleto dela foi descoberto um um custoso sarcófago de alabastro datando do século V. A explicação para este enterro tardio foi encontrada nos documentos dentro dele dizendo que em 710 o corpo de Madalena tinha sido oculto em um outro sarcófago para protege-lo dos invasores Sarracenos e foi apenas na data posterior que o registro foi estabelecido. O esqueleto ainda está em seu caixão de pedra na cripta da basílica, embora o cranio esteja em um relicário ornado de ouro dentro da sacristia. Charles D’Anjou patrocinou a construção da basilica e ele também – com a autorização papal – a colocou sob a proteção da Ordem Dominicana. A construção, iniciada em 1295, foi aparentemente completada 250 anos depois, mas, como é a tendência com catedrais, nunca foi realmente terminada. A intenção original de Charles tinha sido de fazer deste um centro para as romarias a Madalena, embora não fosse para obter a mesma fama, digamos, de São Tiago de Compostela. O comercio de relíquias medievais era, até mesmo naquele tempo, infame entre os educados como sendo um claro exercício de fazer dinheiro ás custas da piedade simples. Milhares de romeiros e crentes pingam dinheiro nos cofres destas autoridades da Igreja que afirmaram serem genuinas as relíquias em seus territórios. De fato de longe o mais lucrativo tipo de relíquia era o real corpo de um santo, ou ao menos parte de um. Seja onde for que você vá na cristandade, está certo encontrar a unha do polegar de uma pessoa sagrada e o lóbulo da orelha de outra. A ironia foi que até mesmo os mais cínicos e ultrajantes dos exibidores acharam dificil convencer as hordas de ávidos romeiros que eles tivessem algo ligado ao próprio Jesus, porque ele não havia ascendido aos céus em seu corpo físico? O mais próximo que eles podiam imaginar eram os espinhos da ‘coroa’ ou os pregos da sagrada cruz, que havia tantos que estimou-se, se reunidos, fariam uma verdadeira floresta. Estes dias muito poucos comentadores, especialmente fora da Igreja Católica, tem qualquer escrúpulo em denunciar quase todas as chamadas relíquias como falsas, até mesmo admitindo que elas sejam fraudes patéticas e que acrescentam insulto à injuria.

Tristemente, ‘os ossos de Maria Madalena’ em  St Maximin são definitivamente falsos, e isso pode ser provado além de qualquer dúvida que os documentos que os autenticaram eram claras falsificações – eles usaram o atual sistema de datação no século XIII, que era difrente daquele do VIII e não havia uma ameaça Sarracena na França no tempo indicado. Há, contudo, elementos nesta história que sugerem algo mais do que simples venalidade estivesse por trás da farsa. É verdade que a posse de relíquias é um negócio lucrativo mas onde diga respeito aos alegados corpos de grandes figuras históricas há sempre um outro motivo envolvido. Por exemplo, os alegados restos do Rei Arthur e de sua Rainha foram encontrados em Glastonbury no século XI. A maioria das pessoas pensa que era meramente o truque do abade para por no mapa a sua abadia, mas há uma outra dimensão nisso. Naquele tempo os ingleses estavam envolvidos na conquista de Gales, e o Rei Gaulês Arthur era um herói legendário, um simbolo do desafio deles, que, foi popularmente acreditado, não havia morrido e em algum ponto no futuro voltaria para estar do lado deles contra seus inimigos. Ao produzir seu cadáver, os ingleses enviavam uma exlosão psicológica aos gauleses. Os ossos de Maria Madalena foram pensados estarem em Vézelay em Burgundy, onde eles teriam sido levados da Provença e foram colocados sob o altar da Abadia de Sainte-Marie-Madeleine e nunca vistos. Então, em 1265, São Luis, um grande colecionador e venerador de relíquias, ordenou que eles fossem exumados e, dois anos depois, que eles fossem exibidos em uma grande cerimônia, a qual ele comparaceu. Infelizmente tudo o que todos os monges de Velezay puderam manipular foram uns poucos ossos em um cofre de metal, não o esqueleto completo que eles supostamente teriam. [esta história é notável pela completa falta de sabedoria mostrada pelos monges nesta situação]. Como sobrinho de Luis, Charles II D’Anjou, então com dezenove anos, teria estado presente a esta cerimonia. Depois deste evento, Charles tornou-se convencido, por razões que permanecem um mistério, que o corpo real de Maria Madalena ainda estava em algum lugar na Provença, e ficou obsecado por encontra-lo. Sua paixão por ela sempre tem intrigado os eruditos e tem feito com que um historiador francês escrevesse: “Gostaria de saber de onde o príncipe retirou esta devoção’. Chales ordenou escavações sob a Igreja de St Maximin, escavando com suas próprias mãos. Embora as relíquias tenham sido desenterradas, e que hoje sejam reverenciadas, são falsas, e das ações de Charles pareceria que se houvesse qualquer engano envolvido, ele não foi realizado por ele. Enquanto isso, Charles e sua família continuariam a buscar secretamente. Quando os ossos foram encontrados, Charles conseguiu que o Papa desse o reconhecimento oficial a estas relíquias ao invés de para aquelas em Velezay, o que ele fez em 1295, e aprovasse a construção da basilica. Contudo, parece que algo mais estava acontecendo, já que Charles é sabido ter feito seus planos em encontros secretos com os arcebispos locais. Ele também foi sagaz em ter a Ordem Dominicana substituindo os Beneditinos que já estavam instalados em St Maximin, até mesmo embora os anteriores fossem relutantes a tomada e eventualmente tiveram que ser ordenados a assim o fazerem pelo próprio Papa. A basílica foi colocada sob direto controle do Papa, não do arcebispo local, mas a mudança de auspícios encontrou tal feroz rsistência local que Charles teve que enviar tropas na ajuda dos novos senhores dominicanos e representantes do Papa e o rei quando oficialmente tomou o cargo. Um resultado curioso disso foi que os Dominicanos adotaram  Madalena como sua santa patrona em 1297, com o epíteto de ‘filha, irmã e mãe’ da ordem. Como temos visto, um descendente posterior de Charles, Rene D’Anjou [um alegado Grão Mestre do Priorado de Sião], tinha Madalena em alta estima. É dito que ele possuia uma taça no estilo do Gral tendo a enigmática inscrição: “Ele que bebe profundamente verá Deus. Ele que bebe nela tudo em um único gole verá Deus e Maria Madalena’. Maria Madalena era claramente de grande e permanente importância para a família D’Anjou; ainda que haja um mistério oculto no fervor deles por ela. O fato que Ren D’Anjou escavou em Saintes-Maries-de-la-Mer, aparentemente em busca dos restos de Madalena, foi particularmente estranho porque 200 anos antes Charles D’Anjou afirmou os haver encontrado em St Maximin. Parece que, a despeito das afirmações rivais de terem os restos dela, ninguém realmente os havia encontrado.

Em Marselha temos encontrado uma das estranhas Madonas Negras que sabemos estarem intimamente conectadas com a tradição de Madalena, embora bem o porque ou como não estejamos certos, Estas estátuas religiosas são precisamente como as usuais apresentações da Madona e a criança, mas por alguma razão a Madona é mostrada tendo a pele escura. Elas não são, deve ser dito, grandemente amadas pela Igreja, que as vê com suspeita, para dizer o mínimo, e há muitas teorias para atribuir a sua negritude. Que possivel conexão elas podem ter com Madalena, ua mulher que é presumida ter sido da raça do Oriente Médio e que geralmente é pensada como sendo sem filhos? Nos aprofundamos posteriormente no culto da Madona Negra na esperança de achar algumas pistas. Conhecidas também como Virgens Negras, cada uma destas estátuas tem se tornado o centro de um culto onde quer que seja que ela é localizada. Embora as Madonas Negras são encontradas em uma ampla área na Europa, incluindo sítios na Polônia e até no Reino Unido, a mais alta proporção delas, por volta de 65% segundo a pesquisa de Ean Begg em 1985 – é encontrada na França, e a maioria está localizada no sul. Embora estas estátuas claramente evoquem enormes sentimentos apaixonados  elas o são em uma escala local e nunca são oficialmente reconhecidas ou apoiadas pela Igreja Católica. Há, como atestamos por nossas próprias experiências,  algo julgado ‘não muito bom’ sobre as Madonas Negras.

Ean Begg, em seu livro  ‘The Cult of the Black Virgin’(1985), escreve: ‘não houve engano ou hostilidade quando, em 28 de dezembro de 1952, quando [os papéis foram apresentados] sobre as Virgens Negras para a Associação Americana Para o Avanço da Ciência, cada sacerdote e freira na audiência saisse.’ Ele continua para mencionar que, fora a ativa hostilidade, a maioria dos modernos sacerdotes professa ou uma falta de interesse ou ignorância sobre o assunto, e não tem qualquer desejo de investiga-lo. Durante a pesquisa para seu livro, Begg frequentemente visitou conhecidos sítios de Madonas Negras apenas para descobrir que o sacerdote local declarou que não tinha conhecimento de tal estátua, ou afirmou que ela havia desaparecido de um modo ou outro. Ainda que sempre que as Madonas Negras tem existido ou continuem a serem encontradas, há uma enorme amor e devoção local demonstrado a elas. Então o que há sobre tais cultos que é tão antipático para o principal catoliscismo? Há muitas teorias levadas adiante para responder por sua negritude, variando do ridículo ao sublime, embora pesadamente se inclinando para o primeiro. Ean Begg cita uma simples troca entre um colega e um sacerdote sobre o assunto: para a pergunta: ‘Padre, porque é negra a Madona?” a resposta do sacerdote foi: ‘Meu filho, ela é negra porque é negra’. Outras explicações incluem a sugestão padronizada que tais estátuas tem apenas se tornado negras com o passar dos séculos porque tem sido submetidas a a atmosferas que são espessas da fumaça de velas. Com certeza o fato de que todas as outras estátuas da mesma idade e no mesmo lugar tenham permanecido ao menos laváveis oferece muito em perguntas óbvias. As pessoas não são tão ingenuas que possam venerar erronamente as Madonas de face escura por séculos com uma tal rara e especial paixão. Além disso, a maioria destas estátuas foram de fato deliberadamente pintadas de negro ou feitas de material negro, como o ébano; portanto, pode-se razoavelmente supor, elas pretendiam serem negras. Talvez mais plausível seja a idéia que estas estátuas são escuras porque eles foram trazidas pelos Cruzados de lugares onde s pessoas eram de pele escura. O fato é, contudo, que a maioria das Virgens Negras foi realmente feita nos lugares onde elas eram para serem veneradas, e que elas não foram copiadas de um projeto trazido de um exótico país estrangeiro pelos Cruzados. Então há ainda uma outra teoria mais persuasiva. As Madonas Negras são quase sempre associadas com muito mais antigos sítios pagãos. E sempre que a cristianização de tais lugares tem sido um fenômeno bastante comum na Europa, a propria negritude destas imagens sugere que elas representem a continuação da veneração da deusa pagã que é revestida pela cristandade.

Isto é o porque presumidamente a Igreja as trata com desdém, embora o fervor dedicado a elas faça de tal adoração algo impossível de se banir. Além disso, para que um tal banimento fizesse efeito, certamente nestes dias, as razões teriam que serem apresentadas, o que chamaria muito mais atenção para o que tem estado acontecendo por quase 2.000 anos. As conexões pagãs por elas próprias, com certeza, não explicam  porque as Madonas são negras – a  despeito dos apologistas cristãos que afirmam que tal ligação deve, ao menos simbolicamente, ser ‘escuro’, Ainda que muitos destes sítios tenham sido associados a deusas pré-cristãs tais como Diana e Cibele, que tem sido apresentadas como negras durante o longo perpiodo em que tem sido veneradas.

Uma outra deusa que as vezes é representada como negra é Isis, cujo culto durou até bem a era cristã no Mediterrâneo. Irmã de Nepythis, ela era uma deidade multifacetada cujos dons especiais incluiam a mágica e a cura, e que estava estreitamente associada ao mar e a lua. O marido dela, Osiris, que era o deus do submundo e da morte, também era representado como negro, e foi completamente traído e morto pelo deus mau Set, mas magicamente restaurado a vida por Isis, para lhe dar o filho Horus. É reconhecido que os cristãos iniciais se apropriaram muito da iconografia de Isis para a Virgem Maria. Por exemplo, ela recebeu vários titulos que eram de Isis, tais como ‘Estrela do Mar’ e ‘Rainha do Céu’. E, tradicionalmente, Isis eram mostrada de pé em uma lua crescente com estrelas em seu cabelo ou ao redor de sua cabeça; assim também o é com a Virgem Maria. Mas a imagem mais surpreendentemente similar é aquela da mãe com a criança. Os cristãos podem acreditar que as estátuas de Maria com o bebê Jesus representem uma iconografia exclusivamente cristã, mas de fato o inteiro conceito da Madona com a criança já estava firmemente presente no culto a Isis. Isis, também, era venerada como uma virgem sagrada.  Mas embora ela também fosse mãe de Horus, isto não apresentava problema para milhares de seus seguidores. Embora os cristãos modernos sejam esperados aceitarem o nascimento virgem como um artigo de fé e um real evento histórico, os seguidores de Isis e outros pagãos não enfrentaram um tal dilema intelectual. Para eles, Zeus, Venus ou Ma’at pode ou não terem andado sobre a terra; o que importa é o que eles incorporavam. Cada um no panteão governava sobre sua própria esfera da vida humana; por exemplo, a deusa egipcia Ma’at lidava com o conceito de justiça no mundo material e quando as almas dos mortos eram pesadas na balança. Os deuses eram compreendidos como arquétipos vivos, não como personagens históricos. Os veneradores de Isis não perdiam  tempo buscando roupas que possam ter vestido o corpo de Osiris, e nem consideravam importante encontrar os pregos da caixa no qual isto foi confinado. Longe de ser uma religião não sofisticada e ignorante, a deles parece ter tido uma profunda compreensão da psique humana. Isis era venerada como Virgem e Mãe, mas não como uma Mãe Virgem. Os veneradores de Isis considerariam a noção do nascimento virgem francamente ridícula; os deuses podem ser capazes de maravilhas mas eles não exigem que seus adoradores suspendam tanto sua descrença. A veneração da maioria das maiores deusas enfatizava sua essencial feminilidade ao dividir isso em três aspectos principais, cada um representando o ciclo de vida das mulheres reais. Primeiro, elas eram Virgens, então Mães e então Idosas; todas as três também estavam ligadas a lua nova, a lua cheia e ao escuro da lua. Cada deusa, incluindo Isis, era entendida passar por toda a experiência feminina, incluindo o amor sexual, e portanto podia ser evocada em ajuda de uma mulher com qualquer tipo de problema – diferente da Virgem Maria cuja própria presumida pureza é uma barreira impenetrável para aqueles que gostariam de partilhar seus problemas sexuais com ela. Isis, uma mulher de sangue completo que representa o completo ciclo de vida feminino, era algumas vezes representada como sendo negra. E o culto dela era muito mais disseminado do que se possa supor. Por exemplo, um  templo dedicado a ela tem sido encontrado tão ao norte quanto Paris, e há evidência que este não foi um estabelecimento isolado. Isis, a bela deusa menina para a qual as mulheres podem orar – com uma clara consciência – sobre absolutamente qualquer coisa, apelava a mulheres de todas as culturas.  Quando a Igreja Patriarcal apareceu, seu primeiro instinto foi erradicar a venração da deusa pagã. Mas o domínio por uma deusa permaneceu firme e oferece uma ameça aos Padres de Igreja. Então foi permitido que existisse a Virgem Maria, como um tipo de versão expurgada de Isis, resolutamente não familiarizada com os imperativos biológicos, emocionais e espirituais das mulheres reais, uma deusa substituta criada pelos misóginos e para misóginos.

Mas era improvável que a asexuada Virgem Maria tivese tomado o lugar de Isis sem algum tipo de retrocesso de seus seguidores. Como poderia a boa, mas essencialmente incolor mãe de Jesus completamente tomar o lugar da completa Isis, não apenas Virgem, Mãe e Idosa mas também a iniciática sexual e controladora dos destinos dos homens? Pode ser que o culto a Maria Madalena, como aquele que da Madona Negra que é desdenhado pela Igreja, realmente oculte uma idéia muito mais antiga e completa da feminilidade? Tem sido bem estabelecido que os sítios das Madonas Negras estão associados a velhos locais pagãos, mas há uma outra ligação que não é tão amplamente conhecida. De tempos em tempos novamente estas estátuas enigmáticas e seus cultos antigos parecem florecer ao longo daquele de Maria Madalena. Por exemplo, a famosa estátua negra de Santa Sara A Egípcia é encontrada em  Saintes-Maries-de-la-Mer – o mesmo lugar onde é dito Madalena ter desembarcado depois de sua viagem da Palestina. E em Marselha não há menos do que três Madonas Negras, uma na cripta da basílica de São Vitor, imediatamente fora da capela subterrãnea que é dedicada a Maria Madalena. A outra está na igreja ‘dela’ em  Aix-en-Provence (perto do lugar onde é acreditado ela ter sido enterrada] e ainda outra nesta principal igreja da cidade, St Saveur. A ligação ente o culto de Maria Madalena e o das Madonas Negras é inegável. Ean Begg nota que não menos de 50 centros desta última também contém a Virgem Negra.

Um estudo do mapa dos sítios das Madonas Negras na França mostra que a maior concentração está na área de Lyons/Vichy/Clermont-Ferrand, centrada em um alcance de montanhas chamado Monts de la Madeleine. Sítios de alta concentração de Madonas Negras também são encontrados na Provença e nos Pirineus orientais, ambas áreas intimamente relacionadas a história de Madalena – então a associação entre os dois cultos é clara, embora a razão para isso não o seja. Aqui novamente encontramos o Priorado de Sião, para – embora isso não seja amplamente sabido – estar particularmente interessado no culto da Madona Negra. (É curioso que isso não seja mencionado em ‘The Holy Blood and the Holy Grail porque dois de seus autores, Michael Baigent e Richard Leigh, escreveram artigos sobre o assunto na publicação semanal ‘The Unexplained’ ao mesmo tempo em que seu livro foi publicado). Vários lugares associados ao Priorado tem suas próprias Madonas Negras, tais como Sion-Vaudémont e o lugar onde seus membros tradicionalmente se encontram para eleger os Grão Mestres, Blois no Vale do Loire. O culto da Madona Negra é central ao Priorado. Seus membros selecionaram um em Goult, perto de Avignon, para veneração especial; ela é mostrada como ‘Notre-Dame de Lumières’ (Nossa Senhora das Luzes). Para eles, ao menos, não há dúvida sobre a importãncia real da Madona Negra.
Pierre Plantard de Saint-Clair escreve explicitamente: “A Virgem Negra é Isis e seu nome é Notre-Dame de Lumière.’

Parece haver uma discrepância aqui, qual o possível link pode existir entre Isis/Madona Negra e a obsessão do Priorado com a linhagem sanguinea Merovingia?  Plantard de Saint-Clair explica a ligação entre o Priorado e as Madonas Negras ao dizer que sua veneração foi promovida pelos Merovíngios. Até mesmo levantando a descrença sobre a realidade desta linhagem sanguínea, isto se encaixa desastradamente com a afirmação de que eles descenderam de judeus da linhagem de David. Begg nota uma outra discrepância: conquanto a moderna veneração de Isis pelo Priorado possa ser uma tentativa de fornecer a ele próprio um pedigree que remonte ao tempos romanos e além, as deidades femininas veneradas no Gaul eram muito grandemente Cibele e Diana, não Isis. Plantard de Saint-Clair insiste que o envolvimento do Priorado é especificamente com Isis, mas porque? Begg sugere que possa ser um modo de apontar para alguma antiga conexão egípcia. Se há uma figura lendária que possa fornecer uma resposta a este enigma, ou que represente uma ponte entre as tradições pagãs e cristãs que se reuniram no culto da Madona Negra, certamente é Maria Madalena. Temos visto o quão importante ela é para o Priorado, que vê Isis nas Madonas Negras. Mas exatamente porque esta famosa penitente cristã deva vir a ser associada a antigos sítios pagãos? Uma pista pode estar em ‘Song of Songs’, a coleção de poesia erótica que está bizarramente incluída no Velho Testamento e que é tradionalmente atribuida ao Rei Salomão, escrevendo para louvar os encantos da Rainha de Sabá. E estranhamente, é uma dessas passagens que é lida nos dias de festa de Maria Madalena ns igrejas católicas.  Leia  (Song of Songs 3:1-4): ‘De noite em minha cama procuro aquele que minha alma ama; procuro-o mas não o encontro. Levantarei agora e irei pela cidade nas ruas e nos amplos caminhos buscarei aquele que minha alma ama. Buscarei por ele e não o encontrarei. Os vigias que vão pela cidade me encontrarão, para eles digo, vocês viram aquele que minha alma ama? Foi apenas um pouco que eu passei pore eles, mas encontrei aquele que minha alma ama; mantenho-o e não o deixo ir até que o tenha levado a casa de minha mãe e na camara dela que me concebeu. ‘

O Song of Songs tem sido associado nos dias iniciais da era cristã a Madalena. Neste caso, talvez haja alguma ligação oculta nos versos, porque eles sempre tem uma mulher apaixonada dizendo ’sou negra mas atraente’, o que ainda seria uma outra ligação ao culto da Madona Negra. E se o Priorado a este ponto é para ser acreditado, estaria associado a deusa egípcia Isis. Isto era desconcertante, porque parece haver uma poucas conexões óbvias entre Madalena e as Madonas Negras, e há também poucas entre a santa e o ‘Song of Songs’.  Embora, como a apaixonada mulher que lamenta nestes versos, Isis vai buscar seu marido Osiris, que possível paralelo há com a história de Maria Madalena? De início não parce haver respostas diretas. Parece que nenhum conjunto de permutações se encaixe em todos os fatos conhecidos.

Há um outro elemento, até mesmo mais confuso, a ser levado em consideração. Provença, o lar do Madalenismo e de várias Madonas Negras, é também impreganado com um forte sentimento de uma outra importante figura do Novo Testamento: João Batista. Ficamos perplexos com o número de igrejas dedicadas a ele, e lugares que recebem seu nome dele, na mesma área. Em Marselha, fora uma igreja dedicada a Batista, há o velho forte dos Cavaleiros Hospitalários de São João, que ainda guarda a entrada da baía. Em  Aix-en-Provence encontramos a grande igreja de São João de Malta; lá há um baixo relevo de São João decapitado na parede de uma casa na rua que leva acima até a igreja. Em todos os lugares de nossa viagem encontramos o mesmo fenômeno inexplicável; a mais alta concentração de sítios de Madalena também contém mais do que um número médio de igrejas dedicadas a João Batista. Talvez esta conexão aparentemente estranha foi o que fez Ean Begg pensar: ‘a história da Virgem Negra também incluir algum segredo herético com o poder de chocar e perplexar  até mesmo as atuais atitudes pós-cristãs, um segredo, sobretudo, envolvendo forças políticas ainda influentes na Europa moderna’. De fato, a prevalência de igrejas dedicadas a João Batista possa ser facilmente explicada pelo fato de que os Cavaleiros Hospitalários de São João [que mais tarde se tornaram conhecidos como Cavaleiros de Malta] sempre particularmente o veneraram e eles tem tido uma forte presença na área. Mas uma outra maior força a ser reconhecida no sul da França que eram os ainda mais famosos Cavaleiros Templários – e eles também prestavam uma especial homenagem a João Batista.

Enquanto estavamos na Provença dificilmente podiamos perder a oportunidade de visitar a área de St-Jean-Cap-Ferrat, onde Jean Cocteau fez seu lar. A viagem de Marselha para Nice pareceu durar para sempre, até mesmo embora fique apenas um pouco posterior a linha costeira na direção da cidade Estado de Monaco.  St-Jean-Cap-Ferrat fica na ponta da península e sua história de fornecer um paraiso para os luminares do cinema tal como David Niven inevitavelmente evoca um conjunto de imagens cinemáticas. Certamente ela contém as mais ricas residências que se possa possivelmente imaginar fora de um filme de James Bond e um certo  Château St Jean que parece quase ameaçador por trás de suas sombras sinistras que é como algo de um filme de Hitchcock. Ainda que neste parque de diversões de ricos e famosos tudo não seja tão materialista quanto possa parecer; a ênfase local em São João não é acidente. A própria vila tem uma igreja dedicada a João Batista, de quem a área recebeu seu nome. Mais uma vez, isso é graças a presença dos Cavaleiros de Malta, cuja capela de St Hospice ainda está no sítio de seu forte original na ponta extrema da península. A Ponta de São João claramente é um excelente local para se manter a observação. As paredes  ‘Place des Chevaliers de Malte’ . Ela é dominada por uma enorme estátua de bronze de uma Madona Com a Criança, que, embora tenha adquirido uma distinta pátina verde azulada, é conhecida localmente como A Virgem Negra. Com mais de cinco metros de altura, ele tem tido uma visão geral do mar por quase um século. Aqui está um estranho fenômeno do relacionamento aparentemente simbiótico dos sítios da Madona Negra e aqueles dedicados a Batista. Está perto da terra principal, contudo, alguém encontra uma inesperada conexão com o Priorado de Sião.

No pequeno centro de  Villefranche-sur-Mer há uma pequenina capela lateral a baía usada pela comunidade pesqueira. Por causa desta associação ela é dedicada a São Pedro. mas para nós o principal interesse reside na identidade do criador desta notável decoração – ela foi projetada e executada por Jean Cocteau, que a completou em 1958, embora este tenha sido o seu sonho por muitos anos. No fim ele foi pessoalmente responsável por cada aspecto da decoração da capela, do engessamento das paredes ao desenho dos candelabros. E o resultado final é, não colocando um ponto muito bom nisso, estranho. Há uma vaga similaridade com a decoração de um templo maçonico, embora o conjunto de imagens seja consideravelmente mais surreal.  Olhos fixos estão pintados em todos os lugares; há uns gigantes de um lado ou outro do altar, mas um monte de menores são liberalmente pontilhados por ela; e figuras peculiares, tais como uma mulher levantando três dedos muito deliberadamente ao observador- enfeitam as paredes. De todos, o mais bizarro conjunto de figuras e símbolos na capela, contudo, um particularmente salta a nós: mostra figuras de ciganos dançando na companhia de uma menina como uma deusa – claramente uma alusão a cerimonia anual em Saintes-Maries-de-la-Mer. Esta é uma estranha referência a ser encontrada na outra ponta da Provença, e em uma capela dedicada a São Pedro, que, segundo os Evangelhos Gnósticos, era um inimigo da amada Maria Madalena do Priorado. Cocteau decorou esta capela imediatamente antes de trabalhar no mural de Londres, e em ambos os casos o visitante tem um sentimento desconfortável como se as mensagens subliminares estivessem comunicando algo a nível subconsciente que é muito diferente da mensagem contida dentro das construções cristãs.

Aproximadamente a uns 30 quilometros ao norte do luxo de Nice, está um agrupamento de vilas que fazem parte do emergente padrão de sítios coexistentes de Maria Madalena e João Batista. Ao longo do Vale do Rio Vésubie corre a uma vez importante rota dos Alpes para a costa, e é perto desta área que encontramos evocativos nomes de lugares com as mesmas associações que encontramos perto de St Jean-Cap-Ferrat.  Por exemplo, a vila de Sainte-Madaleine (sic) é encontrada perto dos lugares de Maria e São João. Mas não é tudo. Na mesma área está a velha cidade Templária de Utelle, cujas casas medievais ainda tem símbolos esótericos dos alquimistas, e mais acima do vale está Roquebillière, um outro assentamento da fraternidade cavaleiresca.  A maior cidade é St-Martin-de-Vésubie, sítio do legendário massacre dos Templários em 1308. Esta é terra natal da famosa Madona Negra : A Madona das Janelas que foi introduzida na área pelos Templários.  Mas a estátua foi, segundo a tradição, trazida para a França por Maria Madalena. E conquanto as lendas necessáriamente não precisem ter base em fatos, é ainda interessante que as pessoas aqui aparentementemente achem natural fazer associação entre a Madalena, o culto da Virgem Negra e os Templários. Exatamente através do vale de St-Martin-de-Vésubie está a vila de Venanson, onde a capela de São Sebastião é cravada na rocha acima alto da única estrada.  Dentro, ela tem uma imagem de St Grat, que uma vez foi o bispo local, segurando a cabeça de João Batista. A uns meros cinco quilometros desta capela há, na vila de  Saint-Dalmas, a igreja Templária de Sainte-Croix, uma das mais antigas construções religiosas da França. Suas paredes apresentam pinturas de Salomé apresentando a cabeça de João Batista a sua mãe Herodia e seu padrastro Herodes.

De fato muitas igrejas, tanto católicas quanto protestantes, tem algum tipo de representação de Batista, ms elas geralmente mostram Batista batizando Jesus. Muito poucas apresentam João sendo decapitado ou sua cabeça cortada, porque apenas nestes lugares onde ele é particularmente venerado uma tal imagem é considerada apropriada. Nesta área da França, contudo, há um número de tais apresentações e isto não pode ser um acidente porque, como temos visto, está é a terra onde uma vez existiu uma grande concentração de Templários e Ordens associadas. João Batista sempre tem sido conhecido ser o santo patrono dos Templários e portanto especialmente reverenciado por eles. Mas exatamente porque João Batista é tão especialmente importante para os Templários e os Cavaleiros de Malta? Esta era uma questão que era para assumir uma importância muito maior em nossa investigação na medida em que a pesquisa continuava. Nossa viagem a Provença tinha revelado que havia algo de substancial por trás das histórias de Madalena na área, mas também permitiu rápidos olhares tantalizantes de algo mais antigo, maior e mais organizado – talvez até mesmo mais escuro. Na medida em que seguiamos as pegadas dela começamos a achar camada após camada de associações esotéricas que frequentemente remontavam a séculos. Onde Madalena estava, geralmente estava a Madona Negra, e onde o culto tinha operado houve uma vez um florescente templo a uma deusa pagã. Os outros fios na meada ligando a este triunvirato feminino ao Priorado de Sião e – inexplicavelmente – com a veneração dos Templários a São João Batista. Nestes estágios iniciais de nossa investigação, fatos aparentemente irreconciliáveis, histórias e personagens começaram a entrar no lugar da figura completa – e esta era uma que o próprio Leonardo pode ter estado orgulhoso. Sem qualquer idéia de o quanto pudessem ser perturbardoras as nossas descobertas, deixamos Provença para trás e nos dirigimos mais profundamente no coração da heresia  européia.

CAPÍTULO IV
O CORAÇÃO DA HERESIA EUROPÉIA

As histórias sobre Maria Madalena se estendem além da Provença, embora os locais associados a vida terrena dela na França sejam encontrados apenas lá. As histórias sobre ela abundam exatamente atravesssando o sul, e estão particularmente concentradas perto dos Pirineus no sudoeste, e em Ariège. E é para estas terras que é dito ela ter levado o Santo Gral. Previsivelmente, elas são também lares para muitas grandes Madonas Negras, particularmente nos Pirineus orientais. Se dirigindo a oeste deixando Marselha para trás de nós. nos aproximamos da região de Languedoc-Roussillon, uma vez a mais rica área da França, e agora está entre suas mais pobres. Nesta área depopulada, a terra parece ecoar os pensamentos de alguém e milha após milha, a despeito do crescente número de turistas que vem absorver sua história empapada de sangue, sem mencionar o vinho local. E conquanto nós, como bons europeus, fizéssemos nossa própria contribuição a economia local, estavamos em primeiro lugar a examinar seu passado. A evidência da turbulenta história da região está em todos os lugares. Castelos arruinados e antigas cidadelas, destruidos por ordem de reis e papas, espalham desordem ao panorama e contam as histórias de brutalidades que ultrapassam até mesmo a usual tendência medieval para dominar pela atrocidade. Porque se algum lugar na Europa pode ser dito ter sido um lar para a heresia, este é Languedoc-Roussillon. E este é o único fato na história que tem sido o responsável pelo empobrecimento da região. Fora de regiões como a Bósnia e a Irlanda do Norte, raramente a religião tem deixado sua marca sobre as fortunas de uma área de um modo tão obvio. Anteriormente apenas o Languedoc – de Langue d’Oc , a linguagem local -, se estendia da área de Provença para a área entre Toulouse e os Pirineus orientais. Até o século XIII isso não era propriamente parte da França, mas governado pelos Condes de Toulouse, que, embora nominalmente devendo fidelidade aos reis da França, eram na prática até mesmo mais ricos e poderosos. Nos séculos XI e XII esta área era a inveja da Europa por sua civilização e cultura. Sua arte, literatura e ciência eram de longe as muito mais avançadas da época, mas no século XIII esta cultura brilhante e luminosa foi rasgada por uma invasão do bárbaro norte, causando um fervente ressentimento que persiste até hoje. Muitos de seus habitantes ainda preferem ver a terra como Ocitânia, seu antigo nome.

É, como estavamos para descobrir, uma região com uma memória particularmente longa. O velho Languedoc tem sempre sido a terra central para as idéias heréticas e não ortodoxas, provavelmente porque uma cultura que encoraje a busca do conhecimento tenda a tolerar o novo pensamento radical. Uma parte central destes arredores eram os trovadores – estes menestréis viajantes cujas músicas de amor eram essencialemente hinos ao Princípio Feminino. Esta inteira tradição de amor nobre centrado em uma feminilidade idealizada, e na mulher ideal, a Deusa. Romanticas como elas devem ter sido, as músicas dos trovadores também reuniam o erotismo real. A influência do movimento, contudo, estendeu-se além do Languedoc e foi particularmente bem sucedido na Alemanha e Países Baixos onde os trovadores eram conhecidos como ‘ asminnesingers’ – literalmente, ‘Cantadores das Mulheres’ -, embora aqui a palpavra transportasse o significado de uma mulher idealizada ou arquetípica. O Languedoc viu o primeiro ato do genocídio europeu, quando mais de 100.000 membros da heresia cátara foram massacrados por ordens do Papa durante a Cruzada Albigense [que recebeu seu nome da cidade de Albi, uma fortaleza cátara]. Foi especificamente para o interrogatório e extermínio dos catáros que a Inquisição foi criada. Talvez isso seja simplesmente porque a Cruzada Albigense aconteceu remontar ao século XIII que seu impacto nunca tenha estado perto daquele dos holocaustos mais modernos. Muitos locais, contudo, ainda ardem com as velhas paixões, e alguns até mesmo sugerem que tem havido um acobertamente oficial através dos séculos, uma conspiração para evitar que a história cátara seja mais amplamente conhecida.

Além dos cátaros, a região era, e sempre tem sido, um centro de alquimia, e várias vilas atestam as preocupações alquímicas dos antigos residentes, notavelmente Alet-les-Bains perto de Limoux, onde as casas ainda são decoradas com simbolismo esotérico. Foi também em Toulouse e Carcassone que as primeiras acusações conhecidas de frequentar os chamados Sabbaths das feiticeiras apareceram, nos anos de 1330 e 1340. Em 1335 63 pessoas foram acusadas de feitiçaria em Toulouse e suas confisssões foram extraídas delas pelos usuais métodos garantidos. A chefe entre elas era uma jovem mulher chamada Anne-Marie de Georgel, que é pensado ter falado pelas outras quando descreveu as crenças delas. Ela disse que elas viam o mundo como um campo de batalha entre dois deuses, o Senhor do Céu e o Senhor deste Mundo. Ela e as outras apoiavam este último porque pensavam que ele venceria. Isto pode ter sido ‘feitiçaria’ para os juízes eclesiásticos, mas era Gnosticismo, puro e simples. Uma outra mulher, similarmente denunciada, testemunhou que ela compareceu ao ‘Sabbath’ para ’servir a Cathari na ceia’. Muitos elementos pagãos sobrevivem nestas regiões mais rurais da Europa – e podem ser vistos nos mais surpreendentes lugares. Porque embora as gravações do ‘Grande Homem’ – o deus da vegetação que tem sido venerado nas regiões mais rurais da Europa -, pode ser visto igualmente em muitas igrejas cristãs, tais como a Catedral Norwich, e ele não é geralmente apresentado como sendo a prole de uma deusa do Velho Testamento. Como escrevem A. T. Mann e Jane Lyle: Na catedral nos Pirineus de St-Bertrand-de-Comminges, Lilith tem encontrado seu caminho em uma igreja: em uma gravação lá apresenta uma mulher alada e com pés de ave dando a luz a uma figura dionísia, um Homem Verde. A mesma pequena cidade afirma ter sido o local da tumba de um personagem que é nada menos do que Herodes Antipas, o governante palestino que mandou executar João Batista.

Ssgundo o cronista judeu do século I, Josephus, o perverso triunvirato de Herodes, sua mulher, a maquinadora Herodia e sua enteada Salomé, ela da chamada ‘Dança dos Sete Véus’, foram todos exilados para a cidade romana de Lugdunum Convenarum no Gaul, que agora é St-Bertrand-de-Comminges. Herodes desaparece sem traços, mas Salomé morreu em um riacho da montanha e Herodias viveu na história local se tornando a líder de um congresso de bruxas de ‘bruxas da noite’.

Uma outra colorida história Languedociana se refere a ‘Rainha do Sul’ (Reine du Midi), um título da condessa de Toulouse. No folclore, a protetora de Toulouse é La Reine Pedauque (a Rainha Pés de Ganso). Isso pode ser uma referência no jogo de trocadilhos, a ‘linguagem esotérica das aves’ do Pays d’Oc, mas pesquisadores franceses tem identificado esta figura com a deusa síria Anath, que por sua vez é estreitamente ligada a Isis.  E há também a óbvia associação com Lilith de pés de aves. Ainda que outro personagem lendário na área seja Meridiana. O nome dela parece liga-la ao meio dia e a ao sul [ambos midi em francês] Seu mais famoso aparecimento aconteceu quando Gerbert d’Aurillac (c.940-1003), que mais tarde se tornou o Papa Silvestre I, viajou para a Espanha para aprender os segredos da alquimia. Silvestre, que possuia uma oracular cabeça falante, recebeu sua sabedoria desta Meridiana, que ofereceu a ele ’seu corpo, riquezas e sabedoria mágica’, claramente alguma forma de conhecimento alquimico e esotérico que foi comunicado pela iniciação sexual. A pesquisadora e escritora americana Barbara G. Walker deriva o nome de Meridiana de Maria-Diana, desta forma ligando esta composta deusa pagã com as histórias de Madalena no sul da França.

Foi também o Languedoc que foi lar de uma muito maior concentração de Cavaleiros Templários na Europa até a supressão deles no início do século XIV, e a área ainda é envolvida com as ruinas de seus castelos e comandarias. Se, como suspeitamos, existiram ramos muito mais heréticos do culto a Madalena do que aqueles que encontramos na Provença, então certamente aqui seria onde os encontrariamos. Certamente um dos maiores centros onde iriamos passar na auto estrada de Marselha tinha visto incríveis paixões arrebatadas ao nome dela – e milhares de pessoas tinham sido horrivelmente condenadas a morte por causa do que ela significava para eles. Béziers hoje fica no departamento de Hérault no Languedoc-Roussillon, um cidade populosa grosseiramente a dez quilometros do Golfo de Lions no Mediterrâneo. Mas em 1209 até o último habitante da cidade foi caçado sem misericórdia e morto pelos Cruzados Albigenses. Até mesmo pelos anais encharcados de sangue – e frequentemente francamente bizarros -, desta longa campanha, esta é uma história particularmente estranha. A lenda foi contada pelos historiadores contemporaneos, mas aqui nos confinaremos ao que Pierre des Vaux-de-Cernat, um monge Cisterciano escreveu em 1237. Ele não esteve pessoalmente presente nos eventos, mas baseou sua narrativa naquela de Cruzados que lá estiveram presentes. Béziers tinha se tornado algo de um centro de heréticos, que foi o porque quando os Cruzados a atacaram havia um enclave de 220 cátaros vivendo lá não molestados pela população em geral. Embora não seja conhecido se o Conde de Béziers era ele próprio um cátaro ou meramente um simpatizante, o que é certo é que ele nada fez para perseguir ou suprimi-los, e isso particularmente enraiveceu os Cruzados. Eles exigiram que as pessoas da cidade – geralmente católicas -. ou entregassem os cátaros ou deixassem a cidade de forma que apenas os cátaros remanescentes pudessem ser facilmente localizados. Embora esta exigência fosse feita sob a ameaça de excomunhão – um assunto que não era ligeiro naqueles dias quando o Inferno era muito uma realidade -, e a opção alternativa parecesse bastante genorosa no que significava que era dado aos católicos a chance de escaparem do vindouro massacre, uma coisa surpreendente aconteceu. O povo da cidade recusou-se a cumprir uma exigência ou outra. Como escreveu des Vaux-de-Cernat, eles ‘peferiram morrer como hereges a viverem como cristãos’. E segundo o relato enviado ao Papa por seus representantes, o povo da cidade fez um juramento de defender os hereges. De acordo com isso, em 1209 os Cruzados marcharam para dentro de Béziers, e sem dificuldade, tomaram a cidade e mataram todo mundo nela – homens, mulheres, crianças e sacerdotes – e o lugar foi posto para queimar. Entre 15.000 e 20.000 pessoas foram massacradas: destas, apenas 220 eram hereges. ‘Nada poderia salva-los, nem cruz, altar ou sacrifício’. Foi aqui que os legados do Papa foram perguntados pelos cruzados como eles saberiam quem era herege entre o restante da população da cidade e receberam a notória resposta: “mate todos eles. Deus reconhecerá os seus’. Conquanto seja fácil de entender que o povo da cidade quisesse defender sua cidade contra as caraterísticas depredações de um exército, deve ser lembrado que eles haviam recebido a oportunidade de sair, e se a segurança de sua propriedade era o principal nas mentes deles eles poderiam simplesmente terem entregue os cátaros e voltarem para suas vidas diárias sem em um olhar para trás. Contudo, eles permaneceram, e efetivamente assinaram sua sentença de morte duas vezes por ativamente fazerem o juramento de defender os cátaros. Exatamente o que estava acontecendo em Béziers?

Primeiro, a data precisa do massacre deve ser levada em consideração. Foi 22 de julho, o dia da festa de Maria Madalena, que era indicada como sendo de singular importância para todos os escritores contemporaneos. E havia sido na Igreja de Maria Madalena em Béziers quarenta anos anteriormente que o senhor local, Raymond Trencavel I, tinha sido assassinado – embora a razão para isto permaneça não esclarecida.  Ainda que em Béziers ao menos, a ligação entre Maria Madalena e ela não fosse acidente, ela fornece o insight para o background da Cruzada Albigense como um todo. Como escreveu Pierre des Vaux-de-Cernat: “Béziers foi tomada no Dia de Santa Maria Madalena. Oh, suprema justiça da Providência!. Os hereges afirmavam que Santa Maria Madalena era a concubina de Jesus Cristo, foi portanto com justa causa que estes desagradáveis cachorros foram tomados e massacrados durante a festa de um daqueles que eles haviam insultado.” Chocante embora esta idéia possa ter sido ao bom monge e aos Cruzados, obviamente não era tal coisa para a vasta maioria do povo da cidade, que tinha efetivamente se colocado ao lado dos hereges até a morte. Claramente esta crença era uma tradição local do poder quase único sobre os corações e mentes das pessoas. Como temos visto, os Evangelhos Gnósticos e outros textos iniciais não tem hesitação em descreverem o relacionamento entre Jesus e Maria Madalena como sendo abertamente sexual. Mas como na terra este povos francês de uma cidade medieval ouviu isso? Os Evangelhos Gnósticos ainda não haviam sido descobertos´[e até mesmo se o tivessem seria improvável que tivessem sido disseminados até eles]. Então de onde veio a tradição? Este episódio agiu como um levantador da cortina para toda a Cruzada Albigense, que era para rasgar o Languedoc por quarenta anos, causando cicatrizes tão profundas na psique coletiva que por nenhum meio é estranho detecta-lo ainda. Então exatamente quem eram estes cátaros – cujas crenças eram para causar que uma inteira cruzada fosse montada contra eles? Quem mantinha tal terror para o estabelecimento que criou especificamente a Inquisição como arma contra eles? Ninguém pode, com qualquer acurácia, localizar a gênese da fé cátara, mas ela rapidamente se tornou um poder a ser reconhecido no Languedoc no século XI.

Para os Languedocianos os cátaros não eram tratados com desdém ou ridículo com o qual a nossa cultura tende a considerar os cultos religiosos minoritários; eles eram a religião dominante da região e tratados com um supremo respeito localmente. Todas as famílias nobres da área ou eram elas próprias conhecidas como cátaras ou simpatizantes dos cátaros que davam a eles um apoio ativo. O Catarismo era virtualmente a religião de Estado do Languedoc. Conhecidos como Les Bonhommes ou ‘Les Bons Chrétiens’ [os bons homens ou bons cristãos] os cátaros pareceriam não ter ofendido a alguém. Os comentadores modernos, especialmente aqueles com uma perspectiva New Age, afirmam que eles representavam um movimento perfeito de retorno aos fundamentos da Cristandade. Embora, como devemos ver, eles absorveram muitas outras idéias e tivesem a sua de certa forma confusa ideologia, é verdade que seu meio de vida era uma tentativa de obedecer aos ensinamentos de Jesus. Eles acusavam a Igreja Católica de ter se afastado muito longe do conceito original do movimento de Jesus. Eles viam como um anátema a riqueza e a pompa da Igreja, que eles viam como sendo o oposto ao que Jesus tinha pretendido para seus seguidores. Superficialmente, então, eles podem parecer terem sido os precursores do movimento protestante, mas a despeito de certas similaridades, este não foi o caso. Os Cátaros levavam vidas muito simples. Eles preferiam se reunir a céu aberto ou em casas comuns muito mais do que em igrejas, e embora eles tivessem uma hierarquia administrativa que incluia bispos, todos os membros batizados eram espiritualmente iguais e vistos como sacerdotes. Talvez o mais surpreendente nestes dias, era a ênfase deles na igualdade dos sexos, embora o culto Languedoc já tivesse uma atitude mais iluminada em relação as mulheres do que o usual. Eles eram vegetarianos e comedores de peixe [por razões ligeiramente mal percebidas, como veremos mais tarde] e pacifistas, e acreditavam em uma forma de reencarnação. Eles também eram pregadores itinerantes, viajando em pares, vivendo na completa pobreza e simplicidade, parando para ajudar e curar fosse onde fosse que eles pudessem. De muitos modos os Bons Homens teriam parecido não oferecer uma ameaça a qualquer pessoa, exceto a Igreja. Esta organização encontrou muitas razões para perseguir os Cátaros. Eles eram vociferantemente antagonistas do símbolo da cruz, vendo nele um lembrete horrível e doentio do instrumento que torturou Jesus até a morte. Eles também odiavam o inteiro culto do morto e da cruz e seu associado comércio de relíquias – um meio maior de encher os cofres de Roma em seus dias. Mas a razão dominante porque os cátaros caíram no desprazer da Igreja era que eles se recusavam a reconhecer a autoridade do Papa.

Pelo século XII vários Concílios da Igreja tinham condenado os Cátaros, mas finalmente em 1179 eles e seus protetores foram pronunciados ‘anátema’. Até este ponto a Igreja havia despachado missionários específicos – os talentosos oradores daquele tempo – para tentar reconqustar o Languedoc para a ‘verdadeira fé’ mas tais missões foram  recebidas com apatia. Até mesmo o Grande São Bernardo de Clairvaux (1090-1153) foi enviado a área para apenas retornar exasperado com sua intransigência. Significativamente, contudo, seu relato ao Papa teve o cuidado de explicar que conquanto os Cátaros estivesse doutrinariamente em erro, se ‘você fosse examinar seu modo de vida, nada encontraria de mais impecável’. Isto era para ser uma caraterística comum da inteira Cruzada que até mesmo os inimigos dos cátaros tivessem que admitir que o modo de vida deles era exemplar. A tática seguinte da Igreja foi tentar jogar os hereges em seu jogo comum de enviar pregadores itinerantes. Entre os primeiros deles, em 1205, estava o famoso Dominic Guzman, um monge espanhol que foi para fundar a Ordem dos Frades Pregadores [que mais tarde se tornou a Ordem Dominicana, cujos membros até mais tarde eram responsáveis pela Santa Inquisição]. Então os dois lados se encontraram em uma série de disputas abertas, um tipo de mortal debate público, que nada resolveu. Finalmente, em 1207, o Papa Inocente III perdeu a paciencia e excomungou o Conde de Toulouse, Raymond VI, por falhar em tomar ação contra os hereges. Este foi obviamente um movimento impopular, porque o legado papal que levou estas novas foi morto por um dos cavaleiros de Raymond. Esta foi a última gota. O Papa  declarou uma cruzada completa contra os Cátaros e aqueles que os apoiavam e simpatizavam com eles. A Cruzada foi convocada em 24 de junho de 1209 – o dia da festa de São João Batista. Até este ponto todas as Cruzadas tinham sido convocadas contra os muçulmanos – contra os estrangeiros selvagens’ que viviam em terras tão distantes como literalmente iimagináveis. Msa esta Cruzada era para ser o combate de Cristãos contra Cristãos, quase na porta do Papa. Havia toda chance que os Cruzados pudessem conhecer pessoalmente os hereges que juravam exterminar. A Cruzada Albigense, que começou em Béziers em 1209, continuou com a suprema brutalidade, na medida em que cidade após cidade caia diante dos soldaos sob o comando de Simon de Montfort. A campanha durou até até 1244, um período não inconsiderável para os Cruzados fazerem o pior. Há lugares no Languedoc, onde, até mesmo hoje, o nome de Simon de Montfort evoca uma resposta misturada de medo e repulsa. Naquele tempo as razões abertamente religiosas para a campanha logo se misturaram aos mais cínicos motivos políticos. A maioria dos Cruzados veio do norte da França e a riqueza e o poder do Languedoc era atraente demais para ser ignorado. No inicío da Cruzada esta área pode ter desfrutado de uma considerável independência; ao fim era definitivamente parte da França. Este episódio na história européia foi, para os padrões de qualquer pessoa, maciçamente importante. Não apenas era o primeiro genocídio europeu, mas era também um movimento crucial para a unificação da França e isso forneceu o ímpeto direto por trás da criação da Inquisição. Mas, em nossa opinião, há muito mais na Cruzada Albigense do que uma campanha curiosamente esquecida de atrocidade. Os Cátaros eram pacifistas, que desprezavam o ’sujo envelope da carne’ que eles estavam ávidos por se livrarem, até mesmo se os meios de o fazer significasse o martírio de serem queimados vivos. Durante a campanha incontáveis milhares de cátaros terminaram seus dias na fogueira e entre eles muitos não manifestaram o menor terror ou medo quando enfrentaram isso.  Alguns aparentemente foram adiante e não demonstraram dor. Isto foi particularmente notável no final do cerco de seu último refúgio, Montsegur.

Uma parada essencial para o turista moderno, Montsegur tem se tornado algo de um lugar mítico, muito similar a Glastonbury Tor. Mas embora aqueles que estejam fora de treinamento possam encontrar este último uma subida rígida, nada é comparado a estrada no topo do ‘castelo’ de Montsegur. Uma cidadela de pedra, é empoleirado quase que impossivelmente nas estonteantes alturas de uma montanha escabrosa, grosseiramente na forma de um velho pão de açúcar, que tem a visão geral da vila e de um vale mais perigoso pelas regulares quedas de rochas dos penhascos. Sinais em várias linguagens advertem contra as rispidas tentativas de subir ao ‘castelo’, por aqueles cuja estamina esteja em qualquer dúvida; até mesmo mochileiros bronzeados acham o lugar muito notável. É dificil imaginar como os cátaros e seus suprimentos chegasem ao topo. Uma vez lá, contudo, é relativamente fácil excluir porque os cruzados, com suas armaduras e cavalos não podiam nem mesmo tentar a subida. Pelos anos iniciais de 1240 quando os cruzados haviam forçado os cátaros remanescentes cada vez mais adiante aos pés dos Pirineus, Montsegur havia se tornado a sede deles. Como um lar para aproximadamente 300 cátaros, mas mais particularmente seus líderes, este era um preço brilhante para os homens do Papa. A Rainha da França, Blanche de Castilha, reforçou a importância de Montsegur quando escreveu sobre sua captura:  ‘devemos cortar a cabeça do dragão’. Durante os dez meses de cerco a Montsegur, aconteceu um curioso fenômeno. Vários soldados que faziam o cerco desertaram para os cátaros, a despeito do conhecimento certo de como isso terminaria para eles. O que possivelmente pode ter causado tal deserção? Alguns tem sugerido que eles ficaram tão impressionados pelo comportamento exemplar dos cátaros que sofreram uma profunda conversão interna.

Como temos visto, os cátaros abordavam sua morte certa por tortura não apenas com estoicismo, mas com uma calma total – até mesmo, é dito, quando as chamas começavam a lamber ao redor deles. Para aqueles que podem lembrar os anos de 1970 isto imediatamente traz à mente a imagem assustadora daquele monge busdista que se imolou em protesto contra a guerra do Vietnã. Ele sentou-se perfeitamente ereto, em um transe nascido de um longo treinamento e disciplina inimaginável, na medida em que o fogo o matava. E os cátaros coscientemente se prepararam para a morte, até mesmo fazendo um juramento que especificamente prometia sua fidelidade a fé diante de todos os tipos de tortura. Eles também praticavam uma similar técnica de transe que os capacitasse superar as mais extremas agonias? Certamente este segredo era algo que os soldados desde tempos imemoriais tem querido saber. Seja o que possa ser, a queda de Montsegur tem criado muito mais mistérios persistentes que tem exercido fascínio sob gerações, inclusive para os caçadores nazistas de tesouros e aqueles que buscam o Santo Gral. O mais persistente mistério de todos diz respeito ao chamado Tesouro dos Cátaros, que quatros deles conseguiram retirar na noite anterior do restante ser massacrado. Este intrépidos hereges de alguma forma conseguiram sair ao serem descidos por cordas sobre o lado particularmente em precipício da montanha no meio da noite. Embora eles tivessem formalmente se rendido em 2 de março de 1244, por razões que tem sido especuladas mas nunca explicadas, eles tiveram permissão para permanecerem na cidadela por mais quinze dias – depois destes tempo seriam queimados. Algumas narrativas vão adiante e os descrevem como realmente tendo corrido pelo lado da montanha e pulado ns fogueiras que os aguardavam abaixo. Tem sido especulado que eles pediram este tempo extra para realizarem algum ritual, mas ninguém nunca saberá a verdade sobre este asssunto. A exata natureza do Tesouro Cátaro é assunto de enérgica especulação. A julgar pela rota perigosa tomada pelos quatro que escaparam, dificilmente pode ter sido sacos de pesadas barras de ouro. Alguns tem especulado que este era o próprio Santo Gral, ou algum outro objeto ritual de grande importância – enquanto outros afirmam que eles tomavam a forma de escritos, ou conhecimento, ou até mesmo que os quatro cátaros eram eles próprios importantes de algum modo. Eles podem ter representado uma linha de autoridade, talvez até mesmo literalmente encorporando a legendária linhagem sanguínea de Jesus. Mas se realmente o tesouro dos cátaros fosse o conhecimento secreto, que forma ele pode ter tomado? No que os cátaros realmente acreditavam? É difícil avaliar as crenças deles com qualquer acurácia, porque eles deixaram poucos registros escritos e muito do que eles eram ditos acreditarem veio dos escritos de seus inimigos – a Inquisição. E como ressaltam sabiamente Walter Birks e R.A. Gilbert em seu ‘The Treasure of Montségur’(1987), ênfase demais tem sido colocada em sua putativa teologia quando em toda probabilidade era o estilo de vida deles que atraia atenção. Ainda que a religião crescesse de uma específica visão de mundo, e suas origens precisas permaneçam debatíveis.

Os cátaros eram uma prole dos Bogomils, um movimento herético que primeiro floresceu nos Balcãs em meados do século X, mas que permaneceu influente na área até depois dos cátaros encontraram seu final. O Bogomilismo se disseminou amplamente – ao menos tão longe quanto em Constantinopla – e foi visto como uma séria ameaça a ortodoxia religiosa. Os Bogomils da Bulgária eram eles próprios herdeiros de uma longa linha de heresia e tinham adquirido uma reputação colorida entre seus oponentes. Por exemplo, nossa palavra  ‘bugger’ [sodomita] é derivda do nome Bulgar, e significa literalmente – todos os hereges são acusados de desvio sexual, seja ou não justificada a acusação – e no sentido geral pejorativo. Os Bogomils e seus derivados tais como os Cátaros eram Dualistas e Gnósticos: para eles, o mundo era inerentemente mal, o espírito sendo aprisionado em um corpo de sujeira, e o único meio de se libertar é através da Gnose – a revelação pessoal que leva a alma à perfeição e a um conhecimento de Deus. Há muitas possíveis raízes do Gnosticismo – a antiga filosofia grega, os cultos de mistério tais como o Dionisianismo, a as religiões dualistas tais como o Zoroastrismo são prováveis cadidatos. [detalhes posteriores podem ser encontrados no estudo magistral de Yuri Stoyanov 'The Hidden Tradition in Europe' (1994).]  Diante do tipo de literatura sobre o assunto do Catarismo que é encontrado em muitas lojas turísticsas no Languedoc, pode-se ser perdoado ao pensar que seja um tipo de religião de olhos úmidos New Age, com uma ideologia simplista. Há literalmente dúzias de livros e panfletos que celebram o humanitarismo e as crenças cátaras em tais princípios ‘modernos’ de reencarnação e vegetarianismo. Mas em grande parte, é puramente falta de lógica sentimental. Os cátaros praticavam o vegetarianismo não por causa de seu amor pelos animais, mas porque eles odiavam a procriação, e apenas comiam peixe pela crença enganosa que os peixes se reproduzissem assexuadamente. Novamente, a idéia da reencarnação era baseada no conceito do ‘bom fim’ [a morte] que geralmente significava ser martirizado pela fé. Se eles encontrassem um tal fim não havia dúvida que eles não reencarnassem novamente neste vale de lágrima; se eles não encontrassem este fim , então eles teriam que voltar até fazerem isso certo.

Alguns tem tentado argumentar que o Catarismo era inteiramente um produto languedociano. Isto é manifestamente não verdadeiro, mas incorporou material local em sua teologia. Significativamente, uma coisa que é única aos Cátaros é a crença que Maria Madalena era esposa de Jesus, ou talvez sua concubina. Isto, contudo, não era considerado conhecimento apropriado para todos os Cátaros, mas era reservado aos Altos Iniciados – o círculo interno – apenas. Os cátaros eram virulentamente contra o sexo e contra o casamento, então era improvável que eles tivesem feito isso acima; talvez eles fossem tão horrorizados por isso que eles reservassem isso para aqueles que já haviam se provado fiéis. Os Cátaros frequentemente se encontravam em uma desconcertante posição teologicamente; por um lado eles ativamente encorajavam seus seguidores a lerem a Bíblia por eles mesmos [em contraste com o catolicismo ortodoxo que fortemente se opunha ao acesso popular às escrituras], mas por outro lado eles tinham que radicalmente reinterpretar os eventos bíblicos para fazer com que eles se encaixassem em suas crenças. O maior exemplo de sua reinvenção do Novo Testamento é a visão deles da Crucificação, na qual eles apresentavam um Jesus puro espírito sendo pregado na cruz. Embora não haja evidência biblica disso seja onde for, eles tinham que inventar este ‘outro’ Jesus por causa de sua repulsa pelo corpo físico – e ter um Jesus corpóreo era para eles inacreditável. Então a idéia deles de Jesus e Maria Madalena serem parceiros sexuais pode dificilmente ter sido o resultado de um desejoso pensamento da parte deles. De fato, eles lutaram com várias justificativas teológicas para explicar o casamento, algo que não teria exercido neles tão grandemente se eles sentissem que podiam descartar a história como completamente falta de senso.  O que isto pareceria apontar é a prevalência da idéia do relacionamento de Jesus e Maria Madalena no Languedoc daquele tempo – e isso não era apenas parte e parcela do que o povo comum acreditava sem questionar, mas também tão central para o inteiro mundo cristão naquele lugar que tinha que ser lidado muito mais do que ignorado.

E como escreve Yuri Stoyanov: O ensinamento de Maria Madalena como esposa ou concubina de Cristo aparece, sobretudo, uma original tradição cátara que não tem qualquer contraparte nas doutrinas Bogomils. Embora Madalena fosse, e ainda é, um santo curiosamente popular na Provença, onde é suposto que ela viveu, é no Languedoc que ela tem se tornado o foco das crenças abertamente e, como descobririamos, é também nesta região que estas crenças tem dado elevação a perplexantes paixões, rumores selvagens, e escuros segredos. Como temos visto, a idéia de Jesus e Maria Madalena serem amantes foi também encontrada nos Evangelhos de Nag Hammadi, que foram escondidos no Egito no século IV. Pode ser que as crenças Languedocianas realmente tenham vindo deles ou de uma fonte comum? Alguns eruditos, notavelmente Marjorie Malvern, tem especulado que o culto a Madalena no Sul da França preservou estas idéias iniciais Gnósticas. Em 1330 um notável tratado chamado Schwester Katrei (Irmã Catherine) foi publicado em Strasbourg, alegadamente escrito por um místico alemão Meister Eckhart – mas eruditos concordam que seu real autor foi uma das suas seguidoras femininas. Ele apresenta uma série de diálogos entre a Irmã Catherine e seu confessor sobre a experiência religiosa de uma mulher, e embora ele incorpore muitas idéias ortodoxas, ele também apresenta muitas que decididamente não o são. Por exemplo, ele realmente faz a declaração: ‘Deus é a Mãe Universal’ e claramente revela uma forte inspiração cátara, além daquela tradição do trovador/menestrel. Este tratado não usual e expressivo liga Madalena a Minne – a dama do amor dos menestreís, mas até mesmo mais excitantemente, tem dado aos eruditos uma pausa para pensar porque ele contém idéias sobre Maria Madalena que apenas são encontradas nos Evangelhos de Nag Hammadi: ela é retratada como sendo superior a Pedro por causa de seu maior entendimento de Jesus, e há a mesma tensão entre ela e Pedro. Sobretudo, reais incidentes que são descritos nos textos do Nag Hammadi são mencionados no tratado da Irmã Catherine. A Professora Barbara Newman da Universidade da Pennsylvania ressalta a perplexida academica nas palavras: ‘O uso da Irmã Catherine destes motivos oferece um problema espinhoso de transmissão histórica e confessa que isso é um real perplexante fenômeno’. ‘Como, na Terra, o autor de Irmã Catherine no século IV obteve os textos que não foram descobertos senão no século XX? Não pode ser coincidência que o tratado mostre a influência dos Cátaros e dos trovadores do Languedoc, e a conclusão óbvia é que embora eles tivessem conhecimento dos Evangehos Gnósticos relacionados a Maria Madalena, que foram transmitidos; seus segredos podem residir não apenas no que conhecemos como textos do Nag Hammadi, mas também em documentos similares de igual valor que ainda não foram descobertos. É interessante que há uma crença duradoura na natureza sexual do relacionamento entre Jesus e Maria Madalena no Sul da França. A pesquisa não publicada de John Saul tem desenterrado muitas referências a uma tal união na literatura do sul da França até o século XVII – especificamente nos trabalhos de homens associados ao Priorado de Sião, tais como Cesar, o filho de  Nostradamus (que foi publicado em Toulouse).

Temos visto na Provença que seja onde for que haja centros de Madalena há geralmente sítios associados a João Batista. Como os cátaros pareciam considera-la altamente, então talvez eles também mostrassem alguma veneração em relação a Batista. Ao contrário, contudo, parece que os cátaros ativamente não gostavam de Batista, ao ponto de descreve-lo como ‘demonio’. Isto vem diretamente dos Bogomils, alguns dos quais se referiam a ele [de certo modo confusamente] como ‘o precursor do Anticristo’. Um dos poucos textos remanescentes dos cátaroa é o Livro de João [também conhecido como Liber Secretum], que é a versão gnóstica do Evangelho de um outro João: muito do qual é exatamente o mesmo do Evangelho canonico mas contém algumas revelações ‘extras’ supostamente dadas particularmente a João O Discípulo Amado.

Estas são idéia gnósticas dualistas que estão de acordo com a teologia geral dos cátaros. Neste livro, Jesus diz a seus discípulos que João Batista era, de fato, um emissário de Satã [o senhor do mundo material], enviado para tentar impedir sua missão de salvação. Este era originalmente um texto Bogomil e não era completamente aceito seja por todos Bogomils, seja por todos os Cátaros. Mutas seitas cátaras mantiveram idéias muito mais ortodoxas sobre João, e há até mesmo sinais que os Bogomils nos Balcãs realizavam ritos em seu dia de festa, 24 de junho. O que é certo é que os Cátaros tinham uma consideração especial pelo Evangelho de João, o que é geralmente aceito pelos eruditos como sendo o Mais Gnóstico do Novo Testamento. Nos círculos ocultos há um rumor que persiste a muito tempo que os cátaros tinham uma outra, agora, perdida, versão do Evangelho de João e muitos ocultistas tem procurado, sem sucesso, na área de Montsegur. Claramente os cátaros tinham idéias não ortodoxas e talvez confusas sobre João Batista. Mas havia afinal algo em seu conceito de um mal João e um bom Jesus? Talvez nem tanto, mas, como vários comentadores modernos tem sugerido – o relacionamento entre os dois homens pode não ter sido tão nítido quanto a maioria dos cristãos são levados a acreditarem. A idéia cátara pode ter representado sua filosofia dualista em sua forma mais simplista: no par um é bom e o outro mau. Mas se assim,  então uma conclusão lógica é que eles os viam como iguais. Isto implica que os cátaros pensavam neles como rivais, o que dificilmente é a visão cristã tradicional – e isso revela que as dúvidas desconcertantes a respeito do suposto apoio de João a missão de Jesus tem sido reconhecidas nesta área a muito tempo atrás. Como o relacionamento de Madalena e Jesus, este de João e Jesus parece ter sido percebido como radicalmente diferente da versão ensinada pela igreja. Superficialmente, é desapontador olhar para os cátaros para a confirmação da importância de João nos movimentos heréticos. Mas há uma organização importantemente histórica que faz mais do que revestir este equilíbrio. É, com certeza, os Cavaleiros Templários, para os quais João Batista tem sempre sido – inexplicavelmente – um objeto de grande devoção. E exatamente como a Cruzada Cátara tem deixado um legado visível de seu trauma no panorama de Languedoc, assim os castelos destes enigmáticos cavaleiros ainda se elevam das névoas nas partes mais remotas deste interior.

Os Templários são agora um tipo de clichê esotérico, como se alguém que está familiriarizado com a ficção de Umberto Eco reconhecerá, e a maioria dos historiadores não sente qualquer remorso em descartar qualquer coisa que afirme retirar de seus ’segredos’ com absoluto desdém. Contudo, qualquer mistério ligado ao Priorado de Sião também envolve os monges guerreiros, e então eles são uma parte intrínseca desta investigação. Um terço de todas as propriedades européias dos Templários uma vez era localizada no Languedoc, e suas ruínas apenas se acrescentam a beleza selvagem da região. Uma das mais pitorescas histórias locais tem que sempre que 13 de outubro cai em uma sexta-feira [o dia e data da súbita supressão da ordem] estranhas luzes aparecem nas ruinas e figuras escuras podem ser vistas se movendo ao redor delas. Infelizmente nas sextas-feiras quando estavamos na área, nada vimos ou ouvimos exceto os alarmantes fungados de javalis; mas a história mostra quanto os Templários tem se tornado parte da história local.  Os Templários tem vivido nas memórias das pessoas locais e estas memórias não são negativas. Até mesmo neste século, a famosa cantora de ópera Emma Calve, que veio de Aveyron no norte do Languedoc, recordou em suas memórias que os locais diriam sobre um garoto especialmente bonito ou inteligente ‘É um verdadeiro filho dos Templários’. Os fatos principais relativos aos Cavaleiros Templários são simples. Oficialmente conhecidos como A Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão, eles foram formados em 1118 pelo nobre francês Hugues de Payens como escolta de cavalaria para os romeiros na Terra Santa. Inicialmente havia apenas noves deles e assim o foi por nove anos, e então a Ordem abriu-se e logo tinha se estabelecido como uma força a ser reconhecida, não apenas no Oriente Médio, mas pela Europa.

Depois do recohecimento da Ordem, o próprio Hugues de Payens realizou uma viagem a Europa, solicitando terra e dinheiro da realeza e nobreza. Ele visitou a Inglaterra em 1129, onde fundou o primeiro sítio templário no país, do lado do que agora é a Estação Subterrânea Holbon em Londres. Como todos os outros monges, os Cavaleiros Templários faziam voto de pobreza, castidade e obediência, mas eles estavam no mundo, eram dele e solicitaram o uso da espada se necessário contra os inimigos de Cristo. A imagem dos Templários se tornou inseparavelmente ligada a de cruzados montados para expulsarem os infiéis de Jerusalém, e manter a cidade cristã. Foi em 1128 que o Concilio de Troyes oficialmente reconheceu os Templários como uma Ordem religiosa e militar. O principal protagonista por trás deste movimento foi Bernard de Clairvaux, o chefe da Ordem Cisterciana, que mais tarde foi canonizado com São Bernardo. Mas como escreve Bamber Gascoigne: Ele era agressivo, era abusivo e era um político perturbador que era tão inescrupuloso nos métodos que ele usava para derrubar seu inimigos. Bernardo realmente escreveu as Regras dos Templários que eram baseadas naquelas dos Cistercianos  e foi um de seus protetores que, como o Papa Inocente II declarou em 1139, os Cavaleiros só responderiam ao Papa dali por diante. Os Templários e os Cistercianos se desenvolveram paralelamente, pode-se discernir uma certa quantidade de deliberada coordenação entre eles. Por exemplo, o senhor de Hugues de Payens, o Conde de Champagne, doou a São Bernardo a terra em Clairvaux na qual ele construiu seu ‘império’ monástico. E significativamente,  André de Montbard, um dos nove cavaleiros fundadores da Ordem dos Templários, era tio de Bernardo. Tem sido sugerido que os Templários e os Cistercianos agiam juntos segundo um plano predeterminado para tomar a Cristandade, mas este esquema nunca teve sucesso.

É difícil exagerar o poder financeiro e o prestígio dos Templários quando eles estavam nas alturas de sua influência na Europa. Dificilmente houve um grande centro de civilização onde eles não tivessem um preceptório como, por exemplo a ampla disseminação de tais nomes de lugares como  Temple Fortune e Temple Bar (Londres) e Temple Meads (Bristol) na Inglaterra ainda aparecem. Mas a medida em que seu império se espalhava, assim crescia a arrogância deles e começou a envenenar as relações deles com os chefes de Estado temporal e secular. A riqueza dos Templários era parcialmente devida a sua regra: todos os novos membros tinham que entregar suas propriedades para a Ordem, e eles também ganharam uma fortuna considerável por meio de maciças doações de terra e de dinheiro de muitos reis e nobres. Seus cofres estavam sempre super cheios, não menos porque eles também reunissem uma impressionante austúcia financeira, que tinha resultado deles se tornarem os primeiros banqueiros internacionais, de quem o julgamento das taxas de crédito de outros dependiam. Era certamente um meio de se estabelecerem como um maior poder. Em um curto espaço de tempo seu título de Pobres Cavaleiros se tornou uma vergonha vazia, até mesmo o escalão e a fila pode muito bem ter continuado sem bens. Além de sua surpreendente riqueza, os Templários eram renomados por seu talento e coragem em batalha – algumas vezes a ponto da imprudência. Eles tinham regras específicas para governar a conduta deles como combatentes; por exemplo, eles eram proibidos de se renderem a menos que seus inimigos os superassem em três a cada um, e até mesmo então tinham de ter a aprovação de seu comandante. Eles eram os Serviços Especiais daqueles dias, uma força de elite com Deus e dinheiro do lado deles. A despeito de seus maiores esforços, a Terra Santa caiu pouco a pouco nas mãos dos Sarracenos até que em 1291 o último território cristão, a cidade de Acre, estivesse ns mãos inimigas. Nada havia para os Templários fazerem senão voltar a Europa e tramar a eventual reconquista, mas infelizmente por então a motivação para uma tal campanha tinha desaparecido entre os vários reis que a haviam financiado. Sua principal razão de existir foi reduzida a nada. Faltando emprego mas ainda ricos e arrogantes, eles estavam amplamente ressentidos porque eles eram isentos de impostos e sua fidelidade era apenas ao Papa e a ninguém mais. Então em 1307 veio a inevitável queda deles da graça. O rei francês supremamente poderoso, Felipe o Belo, começou a orquestrar a queda dos Templários com a conivência do Papa, que de qualquer modo estava no bolso dele. Foram emitidas ordens secretas para os representantes aristocráticos do Rei e os Templários foram cercados na sexta-feira 13 de outubro de 1307, presos, torturados e queimados.

Esta é ao menos a história que é contada nos trabalhos mais padrão sobre o assunto. Pode-se ficar com a idéia que a inteira Ordem encontrou seu fim horrível neste dia a muito tempo atrás, e que os Templarios tenham sido efetivamente varridos da face da terra para sempre. Ainda que isto esteja longe de ser verdade. Para começar, realmente muito poucos Templários foram executados, embora a maioria que fora aprisionada fosse ‘colocada sob interrogatório’ – um eufemismo bem conhecido para o sofrimento de uma excruciante tortura. Relativamente poucos enfrentaram a fogueira, embora notavelmente o Grão Mestre deles Jacques de Molay tenha sido assado em fogo lento até a morte na Ile de la Cité, as sombras da Catedral de Notre-Dame, em Paris. Dos milhares de outros, somente aqueles que se recusaram a confessar ou negaram sua confissão foram mortos. Mas quão válidas eram as cofissões deles extraídas sob excruciantes torturas? As narrativas das confissões dos Templários são coloridas, para dizer o mínimo. Lemos sobre eles terem adorado um gato, participado de orgias homossexuais como parte de seus deveres cavaleirescos, venerarem um demonio conhecido como Baphomet e/ou uma cabeça cortada. Também foi dito que eles pisassem e cuspissem na cruz em um rito iniciático. Tudo isso, com certeza, não faria sentido com a idéia de que eles eram devotados cavaleiros de Cristo e mantenedores de um ideal cristão, e quanto mais eles eram torturados mais esta divergência tornou-se aparente. Isto dificilmente seja surpreendente: não muitas vítimas de tortura conseguem rangir os dentes e se recusarem a concordar com as palavras colocadas em suas bocas por seu torturadores. Mas neste caso há mais nesta história do que o olho vê. Por um lado, tem havido sugestóes que todas as acusações levantadas contra eles foram alardeadas por aqueles invejosos da riqueza deles e exasperados pelo poder deles e que elas forneceram uma boa desculpa para o Rei francês se livrar de sua atual dificuldade economica se apoderando da riqueza deles. Por outro lado, as acusações podem não ter sido estritamente verdadeiras, mas há evidências de que os Templários estavam acima de algo misterioso e talvez ‘escuro’  no sentido oculto.  Com certeza, estas duas alternativas não são mutuamente exclusivas. Muita tinta tem sido gasta no debate sobre as acusações feitas aos Templários, e suas confissões. Teriam eles realmente cometido os atos que confessaram ou os Inquisidores anteriormente inventaram as acusações e simplesmente torturaram os cavaleiros até que eles concordassem com elas? Por exemplo, alguns cavaleiros tinham testemunhado que lhes fora dito que Jesus era ‘um falso profeta’. É impossivel dizer conclusivamente de um modo ou outro. Há, contudo, uma particular confissão que deve dar uma pausa para reflexão. Esta é a de um Fulk de Troyes, que disse ter sido mostrado a ele um crucifixo e dito: ‘Não coloque muita fé nisto porque é novo demais’. Dado o conceito não educado de história naquele tempo, esta declaração enigmática parece uma coisa improvável de um Inquisidor ter criado.

Certamente o Priorado de Sião afirma ter sido o poder por trás da criação dos Cavaleiros Templários: se assim o é, este é um dos segredos mais bem guardado da história. Ainda que seja dito que as duas Ordens eram virtualmente indistinguíveis até um cisma em 1188 a ter as separado.  Se nada mais, parece ter sido um tipo de conspiração sobre a concepção dos Templários. O senso comum sugere que teria sido necessário mais do que apenas os nove cavaleiros originais para proteger e dar refúgio aos romeiros que visitavam a Terra Santa, especialmente durante nove anos; sobetudo, há pouca evidência que eles tenham feito qualquer tentativa séria de assim o fazer. Os Templários logo se viram os queridos mimados da Europa, recebendo privilégios e honras muito desproporcionais a que realmente mereciam. Por exemplo, foi garantido a eles uma ala inteira da palácio real na própria Jerusalém; o lugar que anteriormente era uma mesquita. Esta, por sua vez, erroneamente, é dita ter sido construída sob as fundações do Templo de Salomão, de quem os Templários tomaram seu nome completo. Um outro mistério ligado aos seus centros iniciais é que de fato há evidências que a Ordem realmente existisse antes de 1118, embora porque a data tenha sido falsificada permaneça não esclarecida. Muitos comentadores tem sugerido que a primeira narrativa de sua criação, por William of Tyre e escrita cinquenta anos completos depois do evento – fosse simplesmente uma história cobertura. Embora William fosse profundamente hostil aos Templários, ele estava, presumidamente, recontando a história como a havia entendido. Mais uma vez, exatamente o que isso encobrira é assunto para especulação.

Hugues de Payens e seus nove companheiros todos vieram de Champagne ou do Languedoc, e incluiam o Conde de Provença. É bem aparente que eles foram a Terra Santa com uma missão em mente. Talvez, como tem sido sugerido, eles estivessem procurando a Arca da Aliança ou outro tesouro antigo ou documentos que pudessem levar a eles. Ou algum tipo de conhecimento secreto que daria a eles a maestria das pessoas e sua riqueza. Recentemente, Christopher Knight e Robert Lomas em seu ‘The Hiram Key’ tem argumentado que os Templários procuraram e encontraram um grupo de documentos da mesma fonte dos Pergaminhos do Mar Morto. Contudo, tão intrigante embora quanto possa ser esta sugestão, eles não fornecem qualquer evidência convincente para isso e, como devemos ver, o inteiro assunto da proveniência dos Pergaminhos é repleta de más interpretações e mitos. Mas há  de fato evidências que os Templários procuraram e tenham buscado um novo conhecimento dos árabes e de outros durante suas viagens. Para nós uma das coisas mais fascinantes sobre os Templários foi sua geralmente forte veneração a João Batista, que parece ser consideravelmente mais importante para eles do que o médio santo patrono. O Priorado de Sião, uma vez, é afirmado, inseparável deles, chama seus Grão Mestres de João, talvez fora de reverência a ele. Ainda que seja virtualmente impossível descobrir a razão para a lealdade dos Templários em qualquer das histórias padrão; a explicação usual é que João era especial para eles por ter sido professor de Jesus. Alguns tem sugerido que a cabeça cortada que era venerada por eles fosse a própria cabeça de João, mas a veneração de tal totem implica, em qualquer caso, que os Templários fossem algo mais do que descomplicados cavaleiros cristãos. Até mesmo muito de seu simbolismo aparentemente ortodoxo oculta especificamente alusões a João. Por exemplo, o Cordeiro de Deus, foi uma de suas mais importantes imagens. A maioria das pessoas toma isso como se significasse Jesus, o Batista tendo aparentemente dito “Acautele-se do Cordeiro de Deus”, mas em muitos lugares, tal como no interior oeste da Inglaterra, este símbolo é tomado como se referindo ao próprio João, e os Templários parecem ter dado a ele o mesmo significado. O símbolo do Cordeiro de Deus foi adotado como um dos selos oficiais dos Templários; este selo era específico para Ordem no Sul da França. Uma pista de que a veneração a João Batista não era uma simples matéria de prestar homenagem ao seu escolhido santo patrono, mas ocultasse algo muito mais radical, é encontrada no trabalho de um sacerdote erudito chamado  Lambert de St Omer. Lambert era um associado de um dos nove cavaleiros fundadores originais e o segundo em comando depois de Hugues de Payens, Godefroi de St Omer. Na ‘The Hiram Key’, Christopher Knight e Robert Lomas reproduzem uma ilustração da apresentação de Lambert da ‘Jerusalém Celestial’ e nota que ela: ‘aparentemente mostra o fundador [da Jerusalém Celestial] ser João Batista. Não há menção a Jesus em todo este chamado documento cristão. Como no simbbolismo das pinturas de Leonardo, a implicação é que João é importante por seu próprio direito, e não meramente por seu papel como precursor de Jesus. Dois anos depois das prisões em massa, enquanto os cavaleiros ainda estavam em julgamento, o visionário catalão e ocultista Ramon Lull (1232-c.1316), anteriormente um veemente apoiador da Ordem, escreveu ‘perigos ao barco de São Pedro’ acrescentando que: ‘há por acaso entre os cristãos muitos segredos, dos quais um [em particular] pode causar uma incrível revelação , exatamente como aquela que está emergindo dos Templários – uma tal pública e manifesta infâmia pode por si só colocar em perigo o barco de São Pedro’. Lull parece estar se referindo não apenas aos perigos causados para a Igreja pelas revelações sobre os Templários mas também a outros segredos, de igual magnitude. Ele também parece aceitar as acusações levantadas contra os Templários, embora, naquele estágio, pode ter sido não sábio questiona-los. Pode o Languedoc, uma vez lar da mais alta concentração de Templários na Europa, manter qualquer pista como as verdades sobre a Ordem? Até mesmo no final deste tempo, esta era uma área com memórias muito antigas e um alto desrespeito pela convenção.

Como temos visto, os cátaros e templários floresceram lá ao mesmo tempo, mas, dado o que geralmente é compreendido de seus valores relativos, pareceria que este dois grupos altamente influentes devam estar em lados opostos. De fato, o símbolo Templário da cruz vermelha no fundo branco é frequentemente tomado como aquele de um típico Cruzado. Contudo, existe muitas indicações que os Templários eram, se não ativamente apoiadores, certamente simpáticos aos heréticos ns montanhas – e é indiscutível que os Templários foram evidentes em sua ausência na Cruzada Albigense. Admitidamente, o interesse primário dos cavaleiros naquele tempo reside muito longe da Terra Santa, e muitos deles foram retirados das mesmas famílias dos cátaros, mas talvez nenhuma destas razões explique totalmente sua falta de interesse em perseguir os cátaros. Mas quais eram os reais motivos e interesses dos Templários? Eles eram simplesmente os monges-guerreiros que afirmavam serem ou havia uma dimensão secreta, oculta, nos planos deles?

CAPÍTULO CINCO
OS GUARDIÕES DO GRAL

A linha padrão academica é que as idéias ‘ocultas’ sobre os Templários não façam sentido. A maioria dos historiadores afirma que eles eram os meros monges guerreiros que afirmavam ser, e qualquer sugestão que eles estivessem envolvidos em algo mais remotamente esotérico é o resultado de uma imaginação super-ativa ou pesquisa superficial. Porque este é consenso, os historiadores que tem um interesse neste lado da Ordem não ousam mostrar isto abertamente por medo de perderem sua reputação [e custeio academico]. Então uma tal pesquisa ou é evitada ou, se é feita, nunca é publicada. [Há vários historiadores respeitados que privadamente reconhecem que este lado esotérico dos Templários é importante, mas nunca o dirão publicamente]. Esta atitude tem levado a neglicenciar o estudo de certos importantes sítios templários.  Como encontramos  que uma região que sofreu mais do que a maior parte deste fenômeno, em um grau mistificante -, é a área de nosso particular interesse: o Languedoc-Roussillon. Fora da Terra Santa, esta era a terra natal da Ordem, mais de 30% das fortalezas templárias e comanderias em toda Europa estavam nesta pequena área. Ainda que apenas uma quantidade desprezível de trabalho arqueológico tenha sido realizado lá, e haja alguns sítios chave que nunca tem sido investigados. Felizmente a negligência oficial é equilibrada pelos muitos investigadores particulares com interesse apaixonado nestes misteriosos cavaleiros, e muitos locais vêem isso como dever deles de preservar e proteger os velhos sítios templários. Há tambémm muitas organizações de pesquisa ‘amadoras’ [no sentido de que elas não são subsidiadas, mas de forma alguma a respeito da qualidade de sua erudição] tal como o Centro para Estudos e Pesquisa dos Templários, dirigido por Georges Kiess em Espéraza (Aude), que tem colocado os academicos envergonhados. As descobertas feitas por estes entusiastas de um estudo de ambos os sítios e dos principais documentos templários guardados intocados nos arquivos locais, são impressivos, especialmente dado a falta de custeio e a completa frustração de lidar com arquivistas apáticos e historiadores profissionais. Um tal grupo de pesquisa é Abraxas, dirigido pelo expatriado britanico Nicole Dawe e o texano Charles Bywaters da cidade de veraneio de Rennes-les-Bains, Aude. As pesquisas deles, juntamente com aquelas da rede de grupos similares, tem feito descobertas sólidas e documentadas que literalmente reescrevem o estudo dos tempários. Lutando contra a maré de apatia oficial por um lado, e super entusiasmo de caçadores de tesouros locais, que oferecem uma ameaça muito real ao tecido dos sítios, por outro, Nicole e Charles tem descoberto sítios chave templários que nunca foram ainda tocados pelas pás de arqueologistas. Muito de seu trabalho ainda tem que ser publicado, embora eles planejem a publicação em um futuro próximo. Portanto para descobrir mais sobre os Templários neste coração natal da terra herética de Languedoc-Roussillon, não fomos para a academia, mas sim para Charles  e Nicole. Sentados no apartamento de Charles em Rennes-les-Bains’ na rua principal [e quase a única], começamos por perguntar a ele e Nicole sobre a possível ligação entre eles e os cátaros. Eles responderam que há ligações claras entre os dois grupos que vão bem além de meros laços familiares e que geralmente são menosprezados pelos historiadores; por exemplo, até mesmo no auge da Cruzada Albigense os Templários deram abrigo a fugitivos cátaros e há exemplos documentados destes também dando socorro aos cavaleiros que ativamente lutavam pelos cátaros contra os Cruzados. Como disse Nicole: Você só tem que examinar os nomes de famílias cátaras nos documentos da Inquisição e os nomes dos Templários no mesmo período para descobrir que eles são os mesmos. Mas, mais particularmente, é inegável que certos sítios templários abrigaram, ou deram abrigo, e até mesmo enterraram em solo sagrado, cátaros. Alguns tem sido cínicos e sugerem que isto era porque estas pesssoas, para se tornarem membros leigos do Templo, davam a ele suas posses e bens.

De fato, temos provas de cátaros que foram aos Templários depois de serem completamente desposssuídos, e não apenas recebidos e abrigados, mas morreram e foram enterrados lá. Mais tarde, os templários algumas vezes faziam o que podiam para assegurar que as famílias cátaras, ou seus descendentes, recebessem de volta sua terra. Charles continua: Em uma área em particular os Templários muito claramente permitiram a atividade hostil em seu local. Os cavaleiros cátaros continuaram a tomar parte da luta e então se retiraram de volta as propriedadades dos Templários. Isto é muito facilmente documentado. Isto pareceu enomemente significativo para nós que, dado algumas das acusações levantadas contra os Templários, que eram definitivamente inventadas, a única coisa que não tenha sido usada como evidência contra eles fosse seu estreito relacionamento com tais excomungados como os cátaros. Que a Inquisição estava completamente ciente disso é revelado por eles terem desencavado corpos cátaros enterrados em terras dos Templários para queima-los como dissuassores dos outros que seriam heréticos, até mesmo mais de trinta anos depois do fim da cruzada. [e foi a Inquisição que tinha torturado os Templários e então se havia alguém que sabia da ligação com os cátaros era ela]. Claramente havia algo mais acontecendo, talvez algo conhecido pela coroa francesa, mas que parecia tão perigoso se se tornasse público que nem uma palavra sobre isso transpirou. Em todas as nossas pesquisas sobre os Templários, de fato, tivemos o sentimento desconfortável, embora crescente, que havia um segredo monumental se esgueirando sob a superfície da história oficial. Pode ser que os Templários e os cátaros partilhassem algum segredo explosivo? E pode este segredo ter sido o real motivo para que Felipe O Belo montase uma tal campanha bem planejada contra os Templários? Nem todos os Tempários foram destruidos naquela fatídica sexta-feira de 13 de outubro. Muitos tiveram a permisssão para viver e se reformar sob um diferente nome, e dois países em particular ofereceram abrigos seguros para os cavaleiros fugitivos – Escócia e Portugal. [em Portugal os Templários se tornaram conhecidos como Cavaleiros de Cristo]. A área ao redor do Languedoc, aprendemos com  Charles e Nicole, viu uma curiosa exceção do padrão dominante da perseguição. Roussillon, a leste da área, realmente veio sob os auspícios do reino espanhol de Aragão, embora as partes nortes, que incluiram Carcassonne, fossem parte da França. Os Tempários de Roussillon foram presos e julgados, mas declarados inocentes e quando o Papa oficialmente debandou a ordem, eles se uniram a similares fraternidades ou viveram o resto de suas vidas com uma pensão sobre suas terras. Como vários comentadores tem sugerido, os Templários sobreviveram a tentativa de extermina-los totalmente e continuam a existir até hoje, embora a evidência sugira que eles tenham sofrido muitos cismas e operem como diferentes organizações, todas afirmando serem descendentes diretas da Ordem original. Se os Templários estivessem escondendo algo, que fosse considerado perigoso para o rei francês a ponto dele tomar tal ação drástica contra eles, o que poderia ser? Exatamente quem estava usando quem, o Papa ou Felipe o Belo? Seja qual for o ângulo da história que seja visto, parece haver um crucial elo perdido. Suponha que este elusivo componente diga respeito ao Priorado de Sião.

Como já temos visto, há indicações de uma presença sombria por trás do próprio início dos Templários, e este mesmo grupo-fantoche-mestre [ seja quem for que eles fossem] pareceu dirigir as cenas que se emitiam. Certamente Charles e Nicole não tem dúvida de um ‘círculo interno’ que existia dentro da liderança dos Templários e que realmente antecedeu seu início oficial. Eles vão tão longe para argumentar que o inteiro movimento templário foi criado para dar a este ‘círculo interno’ uma face pública exatamente ao tempo quando a Terra Santa havia sido aberta aos viajantes europeus. Outros pesquisadores tem chegado a mesma conclusão. Como diz o escritor francês Jean Robin (basendo-se nas pesquisas de Georges Cagger): A Ordem do Templo foi de fato constituída por sete ‘círculos exteriores’ dedicados a mistérios menores, e três ‘círculos interiores’ correspondendo a iniciação nos grandes mistérios. E o ‘núcleo’ era composto destes setenta templários interrogados por Clemente V [depois da prisão deles em 1307]. Similarmente, em seu livro ‘The Sign and the Seal’, o autor britânico Graham Hancock escreve: ‘a pesquisa que realizei das crenças e comportamentos deste estranho grupo de monges guerreiros tem me convencido que eles tinham dado com alguma tradição de sabedoria excessivamente antiga. Era possível manter um secreto grupo interno porque os Templários eram essencialmente uma Escola de Mistérios, isto é, eles operavam como uma hierarquia que era baseada na iniciação e segredo. É portanto provável não apenas que um Templário de escalão e posto soubesse consideravelmente menos que seus superiores e que suas crenças reais fossem diferentes. O círculo interno dos Templários parece ter existido para posterior pesquisa ativa de assuntos religiosos e esotéricos. Talvez uma das razões para o segredo deles fosse o fato de que eles lidassem com aspectos arcanos dos mundos judaico e islâmico. Eles buscavam, literalmente, os segredos do universo seja onde for que suspeitasem que eles pudessem ser encontrados e no curso de suas andanças geográficas e intelectuais vieram a tolerar, ou até mesmo abraçar, algumas crenças muito não ortodoxas. Naqueles dias tinha que haver uma força diretora particularmente forte para buscar o conhecimento contra todas as probabilidades, e os Templários não estavam preocupados com o intrincado das pesquisas por seu próprio gosto, eles nada mais eram do que pessoas extremamente práticas. Quando eles buscavam uma linha particular de investigação era por uma razão muito boa, e por causa disso eles deixaram certas pistas do que era particularmente importante para eles. Uma destas pistas reside nas obsesssões de Bernard of Clairvaux, a inicial eminência parda deles. Este monge intelectual mas feroz era aparentemente absolutamente devotado a Virgem Maria, como o demonstra muitos de seus sermões. Contudo, parece que a Virgem não era o verdadeiro objeto do amor espiritual de São Bernardo. Era uma outra Maria, uma cuja real identidade é sugerida pelo fato que ele era particularmente interessado nas Madonas Negras. Ele também era para escrever quase noventa sermões sobre o assuntos dos Song of Songs [Cânticos de Salomão], e pregar mais explicitamente ligando a ‘Noiva’ a Maria de Betania, que nestes dias era inquestionavelmente assumida ser o mesmo que Maria Madalena. ‘Sou negra mas atraente’, diz a apaixonada mulher, uma frase que também liga o ‘Song of Songs’ com o culto da Madona Negra – a que Bernardo [que nasceu em um centro de Madona Negra -  Fontaines, perto de Dijon) era excepcionalmente devotado. Ele afirmou ter recebido sua inspiração quando criança ao ter recebido três gotas do miraculoso leite do seio da Madona Negra de Châtillon. Tem sido especulo que esta era uma referência codificada a sua iniciação no culto dela. E quando Bernardo pregou a Segunda Cruzada ele escolheu assim o fazer do centro de Maria Madalena em Vezelay. É provável, portanto, que a aparente devoção de Bernardo a Virgem fosse simplesmente uma tela de fumaça para sua indubitável paixão por Madalena, embora de fato elas não fossem mutuamente exclusivas. Contudo, ao criar a Regra dos Templários, Bernardo ordenou que os cavaleiros devessem obediência a Betania, o Castelo de Maria e Marta' e ele é conhecido por ter passado esta particular devoção à Ordem.

Até mesmo quando enfrentavam a extinção total, os cavaleiros aprisionados com o Grão Mestre Jacques de Molay nas masmorras da fortaleza de Chinon compuseram uma prece dedicada a ‘Notre Dame’ (Nossa Senhora) na qual eles lembravam São Bernardo como tendo fundado a religião da abençoada Virgem Maria. Mas dado a toda outra evidência, isto bem pode ter sido uma outra referência codificada ao culto de Madalena. É importante que o juramento dos templários fosse feito a 'Deus e Nossa Senhora' ou frequentemente a 'Deus e a Abençoada Maria'. Há uma sugestão que a Nossa Senhora falada no voto não é a Virgem, o que também é reforçado pelas palavras de absolvição templária: 'oro a Deus que ele lhe perdoe seus pecados como ele os perdoou a Santa Maria Madalena e ao ladrão que foi posto na cruz'. No mínimo isso mostra a importância de Maria Madalena para os Templários.  [é digno de nota que neste caso de Roussilon, os templários durante o cativeiro, as condições em que eles se encontravam acorrentados foram especialmente pioradas 'por ordens do Papa' no dia da festa a Maria Madalena. Lembre-se que o massacre em Béziers aconteceu no dia desta festa  para ressaltar a natureza da heresia].  De fato os Templários estavam preocupados com a idéia inteira do Feminino – um conceito que pode parecer seriamente contrastante com sua imagem de guerreiros. Ainda que, como o notam Charles e Nicole, a Ordem do Templo incluisse mulheres. Dentro dos primeiros anos de sua existência muitas mulheres fizeram o juramento da Ordem, embora elas permanecessem membros das pessoas leigas do Templo. Conquanto não haja sugestões de haver um enclave secreto de rainhas guerreiras dentro da Ordem do Templo, como escrevem   Michael Baigent e Richard Leigh em ‘The Temple and the Lodge’ (1989): ‘uma narrativa do século XII na Inglaterra fala de uma mulher sendo recebida no Templo como Irmã, e parece muito claramente implicar algum tipo de ala feminina adjunta a Ordem. Mas nenhuma elaboração ou esclarecimento sobre o assunto tem sido encontrado. Até mesmo tal informação como possa ter sido contida nos registros oficiais da Inquisição há muito desapareceram ou foram suprimidos. Nicole e Charles, de seu estudo estreito de documentos templários, são mais enfáticos: se você voltar a documentos do século XII, há numerosos casos de  mulheres terem se unido a Ordem, certamente em seu primeiro século. Qualquer um  que se unisse tinha que fazer um juramento de ‘dar minha casa, minhas terras, e meu corpo e alma para o Ordem do Templo’. Você tem nomes de mulheres no fim destes documentos bem como de homens, e você frequentemente tem casais se unindo – então as mulheres devem ter feito o juramento também. Estes documentos estão principalmewnte nesta área [o Languedoc] e há bastante casos para mostrar que havia um número bem grande de mulheres envolvidas naquele tempo. Eles também ressaltam que houve uma alteração tardia na Regra, na qual os Templários passaram a ser proibidos de admitirem mulheres – com a implicação que até então eles teriam podido faze-lo. Quando expressamos alguma surpresa que isso não fosse amplamente conhecido, e certamente, fora de algumas pistas vagas, o envolvimento das mulheres  não se apresenta nos trabalhos padrão sobre os Templários, Charles explicou: As vezes parece que grande parte desta informação tenha sido intencionalmente minimalizada. O que você obtém dos livros é um monte de informação retundante, a mesmo coisa repetidamente apresentada. Há duas coisas que isso possa significar: ou estas pessoas são cegas, ou por alguma razão muito específica elas não estão se focalizando na informação. Se você é um pesquisador, que é o que supostamente estas pessoas sejam, isto deve lhe saltar da página. Mas é descartado.

É notável que o cerco de 13 de outubro de 1307 fosse tão sem sangue. Por toda a França, os senescais do Rei abriram suas ordens lacradas, que os determinava a organizarem tropas suficientes para prenderem os mais bem treinados guerreiros da Cristandade, muito mais do que a média estação policial da vizinhança no Reino Unido sendo ordenada a medir forças para prender membros do SAS que estejam estacionados em sua área. E a maioria dos Templários na França parece ter ido como cordeiros para a matança. Significativamente, alguns dos cavaleiros, incluindo o tesoureiro da Ordem, conseguiram escorregar de uma maneira que sugeriu que eles tivessem sido avisados. Além disso, a famosa frota templária, que tinha estado baseada na França, desapareceu desta vez. Em todos os registros das depredações templárias do rei francês não há um único navio listado. Para onde foi a frota? Ela dificilmente desapareceria no ar. O círculo interno dos Templários, contudo, pareceu ir a grandes alturas para preservar seu conhecimento secreto. Como tem demonstrado o respeitado erudito no Novo Testamento Hugh Schonfield, os Templários usavam um código cohecido como Cifra Atbash. Isto é verdadeiramente notável porque ela tem sido usada por alguns autores dos Pergaminhos do Mar Morto  a menos mil anos antes da fundação da Ordem Templária. Seja o que for que isso possa sigificar, isto por si só revela que os Templários eram adeptos de guardar seus segredos dos modos mais engenhosos – e também que o conhecimento deles veio de muito distante e de fontes esotéricas. Schonfield revela que quando o código é aplicado ao nome do ídolo de cabeça cortada alegadamente venerado pelos templários – Baphomet – então se transforma na palavra grega ’sophia’.  Graham Hancock escreve em ‘The Sign and the Seal’ que ’sophia’ ’significa nem mais e nem menos do que sabedoria’, Mas de fato significa mais do que isso, e seu significado completo acrescenta um brilho diferente a inteira razão de ser dos Templários. Simplesmente aludido a uma ’sabedoria’ no hebraico Chokmah – uma figura feminina que aparece no Velho Testamento, especialmente no Livro dos Provérbios, Sophia tem causado muito embaraço entre comentadores judaicos e cristãos porque ela é apresentada como sendo parceira de Deus. Ela é que tem influência sobre ele e lhe dá conselho. Sophia também era central para a cosmologia Gnóstica – de fato, no texto do Nag Hammadi chamado Pistis Sophia ele estava intimamente associada a Maria Madalena. E como Chocknah ela é a chave para o entendimento gnóstico da Cabala [o sistema importante e muito oculto que formou a base da mágica medieval e da Renascença]. Para os Gnósticos ela era a deusa grega Atena e a deusa egipcia Isis. que era algums vezes realmente chamada Sophia. Tomado isoladamente, com certeza, o uso dos Templários da palavra Sophia – como codificado em  ‘Baphomet’ não provaria qualquer veneração especial da parte deles pelo feminino. Eles podem simplesmente ter admirado a busca da sabedoria.  Contudo, há muitas outras indicações que isto era parte de uma profunda obsessão com o princípio feminino, que se estendia bem além da mera semântica – no que diz respeito aos Templários, e de fato a outros grupos esotéricos. Como o pesquisador escocês Niven Sinclair, cujo conhecimento sobre os Templários é particularmente extenso, nos disse: “Os Templários eram fortes crentes no lado feminino’. Para ele, não há dúvida sobre isto, e nada há de estranho nisso. Os Templários rotineiramente fizeram suas igrejas redondas,  porque eles acreditavam ser esta a forma do Templo de Salomão. Por sua vez, isto pode ter simbolizado a idéia de um universo redondo, mas é mais provável que representasse o Feminino. Círculos e círculos sempre tem sido associados com deusas e coisas femininas, tanto esotéricas quanto biológicas. Este é um símbolo arquetípico que reaparece pela civilização: os montes pré históricos de tumbas eram redondos porque eles representavam o útero da terra, que levaria o morto de volta ao seu renascimento como espírito. E todo mundo estava familiarizado com o redondo de uma barrriga grávida, e o símbolo da fase Mãe da deusa, a lua cheia. Seja qual for o preciso significado do redondo para os templários não há dúvida dele até mesmo ser homem. E depois do tempo dos Templários, a construção de igrejas redondas foi considerada herética oficialmente pela Igreja. Contudo, como temos notado, a igreja francesa em Londres é redonda, uma caraterística que é repetida e reforçada por outros motivos fora e em seu interior. Os Templários, parece, tem adquirido conhecimento exótico e herético, mas foi por acidente ou projeto? A evidência aponta para o último. Eles foram buscar certos segredos que, uma vez deles, eles estavam em posição de  doar ou retirar. Conquanto muitos dos segredos permaneçam na guarda deles, eles deixaram pistas de alguns deles na forma de códigos, e até mesmo gravados em pedra.

Os Cavaleiros Templários foram os primeiros movimentadores por trás da construção de grandes catedrais góticas, especialmente aquela de Chartres. Como os desenvolvedores predomiantes, e as vezes únicos, nos grandes centros europeus de cultura, eles estavam por trás da formação de guilda de ‘construtores’, inclusive daquelas de pedreiros, que se tornaram membros leigos da Ordem Templária e que tinham todas as suas vantagens, com a exceção de pagarem impostos. Pela longa história das grandes catedrais o estranho simbolismo de sua decoraçãoa e projeto tem intrigado especialistas de muitas disciplinas. Apenas recentementemente que tem sido visto o que isso indubitavelmente era: a codificação templária do conhecimento esotérico. Graham Hancock, quando discutindo a sagrada arquitetura dos antigos egípcios, nota que ‘ela tem sido igualada na Europa apenas pelas grandes catedrais góticas da Idade Média tal como Chartres e oferece uma pergunta: ‘isso foi por acidente?’ Hancock continua: A muito tenho suspeitado que tem havido de fato uma conexão e que os Cavaleiros Templários, pelas suas descobertas durante as Cruzadas, podem ter formado o elo perdido na cadeia da transmisssão do secreto conhecimento arquitetural. São Bernardo, o patrono dos Templários, tem definido Deus, atonitamente para um cristão, como ‘comprimento, largura, altura e profundidade’. Nem posso esquecer que os Templários tinham sido grandes construtores e grandes arquitetos, ou que a ordem monástica cisterciana a qual tinha pertencido São Bernardo tinha também sido excelente neste campo particular de comportamento humano. O layout das catedrais foi projetado especificamente para levar em conta – para exemplificar – os princípios da geometria sagrada. Esta é a idéia que a proporção geométrica tem nela propria uma ressonancia com a divina harmonia, e que alguma particular proporção é mais divina do que outras. Esta ressaltada declaração brusca Pitogoriana de que ‘o número é tudo’, e reforçada pelo conceito hermético que a matemática é o código através do qual Deus fala ao homem. Adeptos particulares desta arquitetura esotérica eram os artistas da Renascença e os projetistas, para quem ‘A Medida de Ouro’ , a perfeita proporção, era pouco de uma panaceía universal. Contudo, este não era por meio algum a soma total do pensamento deles, e o inteiro conceito da geometria sagrada permeou todas as vidas de seu intelectuais. Os desenhos de Leonardo, sejam eles de homens ou máquinas, o interior de flores ou a forma de uma onda, comunicam a crença do artista que havia desenhos, o Homem Vitruviano, que literalmente incorporam a Medida de Ouro.

O legendário Templo de Salomão era, para os Templários e mais tarde para os Maçons Livres, a mais fina flor e exemplar de toda geometria sagrada. Não era apenas a suprema delícia ao olho de quem o via ou nele venerava, mas estava mais além dos cinco sentidos. Foi considerado ressoar de uma maneira única e transcendental com a própria harmonia celestial do céu; seu comprimento e largura, altura e profundidade sendo absolutamente em manter as proporções mais amadas pelo universo. O Templo de Salomão, se você desejar, era a própria alma de Deus escrita em pedra. Muitos visitantes modernos tem ficado perplexos pelas decorações de pedra das velhas catedrais que são claramente astrológicas em sua natureza. Certamente, pode-se pensar hoje, o inconfundível signo de Áries gravado na porta principal de uma tal venerável construção deve ser uma aberração, uma fraqueza pessoal de um maçom individual? Ainda que de tempos em tempos novamente, em muitas catedrais diferentes, estes sinais aparecem, e eles nunca sejam aleatórios. Todo o arrogante simbolismo que pode ser encontrado em catedrais era entendido pelos iniciados a tempo de refletir um adágio hermético antigo: ‘Acima como é embaixo’. A frase que foi acreditada ter vindo das Tábuas de Esmeralda de Hermes Trismegistus, o legendário mágico egipcio, ou mago, embora as palavras sejam muito mais antigas. Elas significam que tudo na Terra tem uma contraparte no céu e vice-versa, algo que Platão tornou popular com sua noção de ideal, que existia em um tipo de dimensão alternativa cheia de modelos perfeitos. Os mágicos, ou magos, foram mais adiante acreditando que cada pensamento ou ato estava espelhado em um outro plano, e que ambas as dimensões de certa forma afetavam uma a outra irresistivelmente. Há ressonancias deste conceito na moderna idéia científica de universos paralelos. Então a história de deuses antigos, com seus miseráveis ciúmes e frequentemente sórdidas obsessões, eram vistos como sendo representantes arquetípicos da raça humana. Para os antigos, não há discrepância entre se humilhar diante do grande deus do Olimpo Zeus e acreditar que ele ocasionalmente tomasse a forma de um animal para seduzir donzelas terrenas.

Era esperado de um deus que ele se comportasse como um homem – mas o reverso deste conceito era a idéia, herética para os judeus e cristãos, que um homem pudesse se tornar um deus. Nada disso era novidade para os Templários. O projeto das catedrais revela um entendimento dos princípios herméticos da parte dos pedreiros, e os cavaleiros que patrocinavam o trabalho de construção. Eles, de todas as pessoas medievais, especialmente apreciavam a aplicação prática, seja onde fosse possível, de qualquer conhecimento esotérico. Para eles, a codificação de mensagens secretas nas mesmas pedras das catedrais foi além de mera fantasia. Como dizem  Baigent e Leigh em ‘The Temple and the Lodge’ : ‘Deus, tinha realmente ensinado a aplicação prática da sagrada geometria pela arquitetura’. E mais uma vez, nos encontramos apontados na direção do Templo de Salomão. Filho do legendário herói judeu, o Rei David, Salomão construiu o templo de insuperável beleza, usando os materiais melhores e mais caros. Mármore e pedras preciosas, madeiras aromáticas e os mais raros tecidos foram usados para criar um lugar que faria os sentidos dos veneradores nadarem em delícias, mas também para que o próprio Deus se sentisse em casa. Em seu coração estava o Santo dos Santos, onde o alto sacerdote podia realmente receber o Onipotente pelo que era o mais misterioso instrumento, a Arca da Aliança. Este instrumento notoriamente temperemental era conhecido por um lado doar grandes bençãos sobre os ‘justos’, e por outro, destruir os fazedores do mal ou aqueles a quem não era dito como combater os efeitos de sua sinistra presença. Talvez para os Templários isso soasse como a máxima arma, e então eles foram procura-lo, como alguns tem sugerido. Há, talvez, pistas do que os Templários realmente acreditavam ser o significado da Arca na decoração de suas catedrais. Por exemplo, a Catedral de Chartres,  o filho cerebral da eminência parda deles, São Bernardo de Clairvaux, contém uma pedra gravada do que parece ser a Virgem Maria, com o rótulo gravado: ‘arcis foederis’ – a Arca da Aliança. Isto por si só não é muito significativo, porque era um símbolo padrão cristão em tempos medievais. Mas como Chartres era um centro de culto a Madona Negra, é a Arca sendo igualada com aquela outra Maria, a Madalena, ou até mesmo uma deusa pagã muito mais antiga? Talvez seja o próprio Princípio Feminino que está sendo evocado, usando a ‘cobertura’ de um símbolo Mariano. Não pode ser uma referência a própria Virgem, porque os arquitetos da catedral gótica não tinham uma razão especial para evocar o arquétipo da arquetípica mulher assexuadamente ativa. [é também importante que as primeiras apresentações da história da vida de Maria Madalena na França estavam nas janelas em vitrais da Catedral de Chartres]. É de fato, a muito amaldiçoada e mal entendida disciplina da alquimia que esteja por baixo das frequentes aparentemente bizarras decorações de construções góticas [como, de fato, era a alquimia que parecia ser o denominador comum da maioria dos Grão Mestres do Priorado de Sião]. A alquimia é acreditada ter vindo dos antigos egípcios por meio dos árabes [o próprio mundo deriva dos árabes]. Era mais do que uma ciência: a prática abraçou uma fina teia de atividades interligadas e modos de pensamento, da magia a química, da filosofia ao hermeticismo a geometria sagrada e a cosmologia. Isto também dizia respeito ao que o povo hoje chama de engenharia genética e métodos de retardar o envelhecimento, e tentar atingir a imortalidade física. Os alquimistas eram famintos por conhecimento e não tinham tempo para o antagonismo da Igreja em relação a experimentação, então eles foram para o subterrâneo e continuaram suas pesquisas encobertamente. Para o alquimista não existe uma tal coisa como heresia – enquanto para a Igreja não havia tal coisa como um alquimista não herético, e toda a prática se tornou conhecida como ‘arte negra’. Há muitos níveis para a alquimia: o externo ou exotérico, estava preocupado em trabalhar e experimentar com metais, mas havia outros níveis, até mesmo mais secretos que incluiam o alcance do misterioso Grande Trabalho. Isto tem sido entendido ser o momento coroador da vida de um alquimista, quando finalmente torna o metal base em ouro. Contudo, nos círculos esotéricos é também visto como o ponto onde ele se torna espiritualmente iluminado e fisicamente revitalizado – pelo trabalho mágico que evolui ao redor da sexualidade. [Isto será discutido em maior detalhe mais tarde]. Parece que o Grande Trabalho representasse um ato de suprema iniciação. Talvez este rito fosse acreditado conferir longevidade: Nicolas Flamel, alegadamente um Grão Mestre do Priorado de Sião, que alcançou o Grande Trabalho em companhia de sua esposa Perenelle em 17 de janeiro de 1382, foi murmurado ter vivido por um tempo excepcionalmente longo depois.

Na alquimia, o símbolo do perfeito Grande Trabalho é hermafrodite – literalmente o deus Hermes e a deusa Afrodite unidos em uma só pessoa. Leonardo era fascinado com hermafroditas, até indo tão longe quando cobrir folha após folha de sua prancha de desenho com desenhos deles – alguns pornográficos. E o recente trabalho sobre o mais famoso retrato no mundo – a enigmaticamente de sorriso forçado Mona Lisa- tem mostrado persuasivamente que ‘ela’ não era outro que o próprio Leonardo. Os pesquisadores Dr, Digby Quested do Hospital Maudsley em Londres e Lillian Schwartz do Bell Laboratories nos Estados Unidos usaram as mais sofisticadas técnicas de computador, independentemente um do outro, para combinar a face do retrato e a face do artista e o resultado se encaixou perfeitamente. Talvez esta fosse meramente uma de suas piadas excepcionalmente sagazes para a posteridade, mas há também a possibilidade que Leonardo, como um alquimista, estava também encapsulando sua idéia de ter alcançado o Grande Trabalho. Alguns acreditam que isso possa trazer uma tal profunda transformação física que o alquimista bem sucedido possa até mesmo ter mudado de sexo – e talvez este fosse o conceito por trás da Mona Lisa. Mas o símbolo do hermafrodita também representa o momento do orgasmo, quando os participantes masculino e feminino na experiência ritual da sensação de se mesclarem um com a outra e ultrapassaram suas próprias fronteiras na consciência mística deles próprias e do universo.

As catedrais góticas ostentam muitas figuras curiosas, de demonios ao Homem Verde. Mas algumas são passageiramente estranhas: uma gravação no Catedral de Nantes mostra uma mulher olhando por um espelho, embora a parte de trás de sua cabeça, seja de fato a de um homem velho. E em Chartres a chamada ‘Rainha de Sabá’ realmente ostenta uma barba! Os símbolos alquimicos são encontrados em muitas catedrais que são associadas aos Cavaleiros Templários. Estas são ligações implícitas, mas Charles Bywaters e Nicole Dawe tem descoberto sítios templários no Languedoc-Roussilion com explicíto simbolismo alquímico: nossa pesquisa tem mostrado, entre outras coisas, que eles de certa forma eram muito familiarizados com as propriedades do solo. Em uma área em particular eles criaram um hospital para os Templários que voltavam da Terra Santa, porque o solo tinha propriedades curativas. Há sinais alquímicos neste sítio e fica muito claro que eles estavam familiarizados com a alquimia. É importante quando você encontra uma localização que foi especificamente escolhida pela natureza do solo, onde há claramente sinais na estrutura, e onde há ligações aos cátaros e muçulmanos. E está é uma evidência sólida e documentada: é muito fácil de ser comprovada. Durante as nossas viagens na França, repetidamente encontramos os centros que tinham anteriormente sido de propriedade dos Templários – tais como Utelle na Provença e Alet-les-Bains no Languedoc – subsequentemente se tornaram centros de alquimia. É também importante que os alquimistas, como os Templários, tinham uma veneração especial por João Batista. Como temos visto, as grandes catedrais e muitas igrejas famosas foram construídas em sítios   conhecidos terem sido sagrados a antigas deusas. Por exemplo,  NotreDame em Paris se eleva sobre as fundações de um templo de Diana, e São Suspílcio em Paris foi construído sobre as ruínas de um templo de Isis. Isto por si só não é não usual, por toda a Europa as igrejas cristãs foram construidas em velhos sítios pagãos, como um movimento deliberado da parte da Igreja para mostrar que ela havia triunfado sobre o gentio. Mas meramente o que frequentemente aconteceu foi que os locais meramente adaptaram sua forma de paganismo para incluir o cristianismo, e viam o sítio da nova igreja como complementar aquele da velha religião, muito mais do que o oposto.  Contudo, dado a evidência dos interesses mais profundos dos Templários, não pode este ser o caso dsa catedrais que pretendiam continuar a veneração do feminino muito mais do que suprimi-la?  Talvez as catedrais fossem hinos as deusas gravados na pedra,  e  a ‘Notre Dame’ a quem tantas delas tem sido dedicadas fosse realmente ao próprio princípio feminino – Sophia. A maioria das pesoas hoje pensa na arquitetura gótica como sendo mais masculina com suas elevadas espirais e naves em forma de cruz, mas a maior parte da decoração dentro é decididamente feminina, especialmente as esplêndidas janelas em rosa. Barbara G. Walker ressalta a importância de: ‘a rosa, que a antiga Roma sabia ser a flor de Venus, era o símbolo de suas sagradas prostitutas. As coisas faladas ’sob a rosa’ [sub rosa] eram parte dos mistérios sexuais de Venus, que não podem ser revelados a não iniciados. Na grande era da construção das catedrais, quando Maria era venerada como uma Deusa em seus ‘Palácios da Rainha dos Céus’ ou, Notre Dames, ela era frequentemente dirigida como Rosa, Rose-bush, guilanda de rosas, Rosa Mística. Como nos templos pagãos a catedral gótica representava o corpo da Deusa que também era o universo, contendo a essência da divindade masculina dentro dela própria. A rosa, como veremos, era também o símbolo adotado pelos trovadores, aqueles cantores de canções de amor do Sul da França que estão intimamente ligados aos mistérios eróticos. Outros símbolos reunidos em catedrais góticas contêm fortes mensagens subliminares sobre o poder do Feminino. Teias de aranha gravadas – uma imagem repetida na luz do céu em domo da igreja de Notre-Dame de France em Londres, representam Arachne, a deusa aranha que tece o destino dos homens, ou Isis, em seu papel de tecedora do destino. Similarmente o grande labirinto desenhado no chão da Catedral de Chartres se refere aos mistérios femininos pelos quais o iniciado pode encontrar seu caminho somente por seguir o fio que o leva até a deusa. Claramente este lugar não pretendia louvar a Virgem Maria, particularmente porque este também era o lar de uma Madona Negra – Notre Dame de Souterrain (Nossa Senhora do Submundo). Também em Chartres  há uma janela vitral apresentando Maria Madalena chegando a França em um barco, então combinando uma referência a lenda que Isis, de quem era também o meio favorito de transporte. [ talvez o titulo do Grão Mestre do Priorado, Nautonier [timoneiro] se refira a seu assumido papel no Barco de Isis]. Esta janela é a mais velha representação da história de Madalena na França, e, na catedral a tantas milhas da Provença, era claramente considerada ser de grande importância para os arquitetos.

Ao mesmo tempo em que eram construídas as catedrais, a heresia encontrou um outro abrigo, assim assegurando que sua mensagem iria adiante pela história, embora, como a Última Ceia de Leonardo, os códigos pelos quais elas encontraram sua expressão sejam mal compreendidos. Esta outra tradição herética foi aquela das histórias do Santo Gral. Hoje o termo Santo Gral é usado frequentemente para significar uma meta elusiva, o brilhante preço que coroará o trabalho de uma vida inteira. A maioria das pessoas entende que isto se refere a algo mais antigo, e de natureza religiosa, geralmente a taça em Jesus bebeu na última ceia. Uma das histórias é que José de Arimatéia, o rico amigo de Jesus, coletou nela o sangue da Crucificação, o que então foi descoberto conter propriedades curativas. A busca do Santo Gral é compreendida como sendo a busca repleta de perigos físicos e espirituais, na medida em que o buscador combate com todos os tipos de inimigo, inclusive aqueles do reino sobrenatural. Em todas as versões da história a taça é o objeto literal e um símbolo da perfeição. Parece representar algo que pertence a duas dimensões de uma só vez, a real e a mítica, e como tal tem mantido a imaginação que não seja secundária a nada. O Gral pode ser visto como um objeto misterioso, um tesouro real que existe em alguma caverna em algum lugar, mas sempre carrega a idéia implícita que simbolize algo inefável, além do mundo diário. Esta aura de busca espiritual se elevou, não apenas das originais histórias do Gral, mas também da cultura na qual ela uma vez floresceu. De milhões de palavras que tem sido devotadas a este assunto durante o curso dos séculos, em nossa opinião algumas das mais sábias são para serem encontradas em ‘The Holy Grail’ de Malcolm Godwin, publicado em 1994. Este é sumário notável de todas as histórias desparatadas e interpretações, e perceptivamente vê direto através verborragia no coração do assunto.

Fora dos usuais fios cristãos e celticos dos romances do Gral dos séculos XII e XIII, Godwin também identifica um terceiro fio igualmente importante – o alquímico. Ele revela que as versões mais iniciais da história do Gral indubitavelmente sairam de mitos celticos que envolviam as histórias do grande heroi Rei Arthur e sua côrte, e muitos dos elementos destas histórias eram focalizados na noção de veneração céltica à deusa. As histórias do Gral redefiniram as velhas histórias celticas e as estenderam para abarcar as idéias heréticas no século XIII. O primeiro dos romances do Gral foi o inacabado Le Conte del Gral de Chrétien de Troyes (c.1190). é importante que a cidade de Troyes, de quem Chretien tirou seu sobrenome, fosse um centro cabalistico e um sítio de um original preceptório templário e foi onde o Conde de Champagne mantinha sua côrte. [De fato, a maioria dos nove originais Cavaleiros Templários eram vassalos dele]. E a mais famosa igreja em Troyes é dedicada a Maria Madalena. Na versão de Chretien da história não há menção do Gral ser uma taça ou cálice nem há qualquer ligação com a última Ceia ou até mesmo Jesus explicitamente descrita. De fato, não há de todo qualquer conotação religiosa, e tem sido dito que seu ambiente total, se algo, é distintamente pagão. Aqui, contudo, o objeto do Gral era um prato ou placa que, como devemos ver, é altamente importante. De fato, Chretien tinha se dirigido de uma história celtica muito mais antiga que tinha como seu herói Peredur, a busca envolvendo um encontro de uma pavorosa e de certa forma altamente ritualística procissão em um remoto castelo. Carregado nisto estava, entre outras coisas, uma lança que pingava sangue e uma cabeça cortada em um prato. Uma característica comum nas histórias do Gral é o momento crítico onde o herói deixa de fazer uma importante pergunta: e é este pecado de omissão que o leva a um grande perigo. Como diz Malcolm Godwin: ‘Aqui a questão que não é formulada diz respeito a natureza da cabeça. Se Peredur tivesse perguntado de quem era a cabeça, e o quanto isso o preocupava, ele teria sabido como levantar os encantamentos de  Wasteland.’ (A terra tinha sido amaldiçoada e tornada infértil). Até mesmo sem um final, a história de Chretien foi um enorme sucesso e deu nascimento a um número de histórias imitadoras – a maioria das quais era explicitamente cristã. Mas, como diz Malcolm Godwin, falando dos monges que as escreveram: Eles manipularam obscurecer um trabalho da mais profunda heresia no qual o pio mistério que história e autor sobreviveram ao feroz zelo dos Pais da Igreja.  As mentes ortodoxas da Roma Papal, conquanto nunca realmente reconhecessem a existência do Gral, também estavam surpreendentente medrosas de denunciar isso. Até mesmo mais curiosamente a história permaneceu não manchada pela queda dos heréticos cátaros – e até mesmo os Cavaleiros Templários que se caracterizam implicitamente dentro de vários textos. Uma destas versões cristianizadas foi Perlesvaus, que foi, alguns dizem, escrita por um monge na Abadia de Glastonbury em por volta de 1205, enquanto outros acreditam ter sido um trabalho de um Templário anônimo. Esta história é realmente sobre duas buscas interligadas. O Cavaleiro  Gawain busca a espada que decapitou João Batista e que magicamente sangra todo dia ao meio dia. Em um episódio o herói encontra uma carta contendo 150 cabeças cortadas de cavaleios; algumas delas estavam lacradas em ouro, outras em prata e ainda outras em chumbo. Então há uma bizarra donzela que carrega em uma mão a cabeça de um rei, selada em prata, e na outra a de uma rainha, selada em chumbo. Em Perlesvaus a elite de atendentes do Gral usam indumentárias brancas emblazonadas com uma cruz vermelha – exatamente como os Templários. Há também uma cruz vermelha que fica em uma floresta, a qual cai presa de um sacerdote que bate nela em cada parte com um bastão, um episódio que tem uma clara ligação com a acusação que os Templários cuspiam e pisavam na cruz. Mais uma vez, há uma curiosa cena envolvendo cabeças cortadas. Um dos guardiães do Gral diz ao herói, Perceval, ‘Há cabeças lacradas em prata, e cabeças lacradas em chumbo e os corpos a quem estas cabeças pertencem: Digo a você que você deve fazer vir para ali as cabeças do rei e da Rainha’. O simbolismo alquímico é ilimitado; base e metais preciosos, reis e rainhas. Tal conjunto de imagens é também encontrada em abundância em um outro maior retrabalho da história do Gral, como devemos ver. A despeito do desgosto tácito da Igreja pelo Gral, a versão mais cristianizada foi realmente escrita por um grupo de monges cistercianos. Chamada ‘Queste del San Grail’, é mais notável pelo fato que se dirige aos Cânticos de Salomão para seu poderoso simbolismo místico. De todas as histórias do Gral francamente bizarras a mais estraha e mais provocante é a do poeta bavaro Wolfram van Eschenbach – Parzival (c. 1220). Nela o autor afirma que ele está deliberadamente corrigindo a versão de Chretien de Troyes, que não contém toda a informação disponível.

Ele afirma que a dele é a mais acurada porque ele obteve a história de um certoKyot de Provence – que tem sido identificado como Guiot de Provins, um monge que era a um só tempo uma voz para a Ordem Templária e um trovador. Como escreve Wolfram em Parzival: ‘A história autêntica com a conclusão do romance tem sido enviada a terras alemãs de Provença’. Mas o que era esta importante conclusão? Em Parzival o Castelo do Gral é um lugar secreto, guardado pelos Templários que, significativamente, Wolfram chama de ‘homens batizados’ – que são enviados para disseminar sua fé em segredo. O segredo e a aversão da Companhia do Gral de ser questionada são ressaltados. E no fim da história Repanse de Schoye (a mantenedora do Gral) e o meio-irmão de Parzival Fierefiz vão para a Índia e tem um filho chamado chamado João – o famoso  Prester John – que é o primeiro de uma linhagem que sempre recebe o nome de João. Pode isso ser uma referência codificada ao Priorado de Sião, cujos Grão Mestres sempre supostamente tomam este nome? É o conceito da linhagem que é central para as teorias de Baigent, Leigh e Lincoln relativas ao Gral. Como o título do primeiro livro deles deixa claro, para eles o Santo Gral era realmente o Sangue Sagrado. Isto é baseado na idéia que o original francês sangraal, que é geralmente tomado assan graal (Santo Gral) deva propriamente ser o sangue real, que eles assumem significar uma linhagem sanguinea. Baigent, Leigh e Lincoln ligaram a ênfase nas histórias do Gral a linhagem com a qual eles acreditam estar o segredo sobre Jesus e Maria Madalena terem sido marido e mulher, e apresentam sua própria teoria: as histórias do Gral são uma referência simbolica aos descendentes de Jesus e Maria Madalena. Segundo esta teoria, os guardiães do Gral eram aqueles que conheciam o segredo, a linhagem sagrada, tais como os Templários e o Priorado de Sião. Contudo, há um problema com esta idéia: nas histórias do Gral a ênfase está na linhagem dos guardiães do Gral ou encontradores do Gral: o próprio Gral é separado deles. Conquanto pode bem ser que as histórias se refiram ao segredo mantido por certas famílias, e transmitido de geração em geração, parece improvável que eles realmente aludam a uma linhagem sanguínea. Afinal, a idéia vem apenas de manusear uma única palavra francesa [sangraal], e já temos visto as dificuldades que se elevam de qualquer hipótese que repouse sobre a idéia da manutenção de uma ‘pura’ linhagem sanguínea através de eras. O elo entre as histórisa do Gral e o legado dos Templários parece ser bastante real.  Wolfram von Eschenbach é acreditado ter viajado amplamente e não ser estranho aos centros templários no Oriente Médio, e sua história é muito mais explícitamente Templária do que todos os romances do Gral. Como diz  Malcolm Godwin : ‘Através de Parzival Wolfram entremeia a narrativa com alusões a astrologia, alquimia, a Cabala, e as novas idéias espirituais do Oriente. Ele também inclui o simbolismo óbvio retirado diretamente do Tarot. É nesta versão que os Guardiães do Gral no Castelo de Montsalvasch são explicitamente chamados Templários. O castelo original tem sido identificado com Montsegur, a maior fortaleza cátara, e, significativamente, em outros de seus poemas Wolfram chama o Senhor do Castelo do Gral de Perila. O real senhor de Montsegur nos dias do poeta era Ramon de Perella. Mais uma vez novamente encontramos ligados templários e cátaros, cada um com um tesouro mal definido e de alto valor. Não há uma taça dotada de poderes sobrenaturais na versão de Wolfram; aqui o Gral é uma pedra – lapsit exillis – o que possivelmewnte signifique Pedra da Morte, embora isso seja mera especulação. Ninguém sabe realmente. Outras explicações tem sido a pedra como uma jóia que caiu da coroa de Lúcifer quando eles descia a Terra dos céus, e a famosa Pedra Filosofal (lapis elixir) dos alquimistas. No contexto, a última interpretação é a mais provável. O texo como um todo é abundante em simbolos alquimicos. Alguns escritores tem visto o personagem Cundrie, ó mensageiro do Gral’, em Parzival, como representando Maria Madalena. [Certamente Wagner o fez, em sua ópera Parsival [1882], sua Kundry ostenta o frasco de bálsamo e lava os pés do herói que ela então, como Madalena, seca com seu cabelo]. Talvez haja alguma ressonância da taça do Gral no vaso de alabastro que Madalena carrega na tradicional iconografia cristã.

Em todas as histórias, contudo, a busca do Gral é uma alegoria da jornada espiritual do herói em direção – e além – da transformação pessoal. E como temos visto, um dos maiores motivos da alquimia séria tem sido este. Mas foi meramente seu subtexto alquímico que tornou herética as histórias do Gral? A Igreja foi sem dúvida mortalmente ofendida pelo modo no qual as histórias do Gral ignoravam ou abnegavam sua autoridade e aquela de sucessão apostólica. O herói era por ele próprio – embora ocasionalmente com ajudantes -,  a busca da iluminação espiritual e transformação. Então em essência as histórias do Gral são textos Gnósticos, enfatizando a responsabilidade do indivíduo para o estado de sua própria alma. Há, contudo, mais a ofender as sensibilidades da Igreja que está implícito eternamente na história do Gral. Porque a experiência do Gral é apresentada inevitavelmente como sendo reservada apenas para os altos iniciados, o creme da elite, algo que vai muito além até mesmo da transcendência da missa. Sobretudo, em cada história do Gral, o próprio objeto – seja o que for que seja considerado ser – é guardado por uma mulher. Até mesmo na história celtica de Procedure os jovens é que devem ostentar a lança mas é as donzelas que carregam o que é dito ser o protótipo Gral – o prato com a cabeça nele. Mas quem eram as mulheres que tinham tal papel autoritário em algo que era efetivamente uma forma mais alta de missa ? [Lembre-se dos cátaros, cuja cidadela em Montsegur foi quase certamente o original do Castelo do Gral de Wolfram, operava um sistema de igualdade sexual em que ambos - mulheres e homens - podiam ser chamados sacerdotes] . Ainda que esta conexão com os Templários seja a mais penetrante nas histórias do Gral. Como vários comentadores tem ressaltado, a acusação que os Cavaleiros veneraram uma cabeça cortada, que era acreditada ser chamada de Baphomet – tinha ressonâncias com os romances do Gral, nos quais, como temos visto, as cabeças cortadas figuram amplamente. Os Templários foram acuados de atribuirem podere como os do Gral a este Baphomet; ele podia fazer as árvores florescerem e a terra ficar fértil. De fato, os Templários não foram apenas acusados de reverenciarem esta cabeça ídolo, mas também eles possuiam um relicário em prata na forma de um cranio feminino que era rotulado simplesmente como ‘caput’ [cabeça] 5853.  Hugh Schonfield, quando considerando as implicações desta cabeça feminina, juntamente com sua ‘decodificação’ de Baphomet como Sophia, escreve: Parece haver pouca dúvida de que a bela cabeça de mulher dos Templários representasse Sophia em seu aspectos feminino e de Isis, e ela estava ligada a Maria Madalena na interpretação cristã. As relíquias dos Templários eram também reputadas terem incluído o alegado dedo indicador direito de João Batista. Isto pode ser mais importante do que parece. Como vimos no Capítulo Um, Leonardo frequetemente apresentou personagens em cenas religiosas deliberadamente e ritualisticamente apontando para cima com seu indicador direito e este gesto parece estar ligado a João Batista, Por exemplo, vimos como um indivíduo que parecia estar reverenciando a árvore de alfarroba na ‘Adoração dos Magos’ estava fazendo este gesto: tanto a árvore quanto o gesto estão ligados a João. A relíquia que é dita ter sido possúida pelos Templários pode ter sido a razão material para Leonardo  ter esposado esta imagem. (Jacobs de Voragine em seu ‘Golden Legend’ faz a crônica de uma tradição que o dedo de João Batista -  a única parte do cadáver sem cabeça que escapou da destruição do Imperador Juliano – foi trazido para a França por Santa Tecla, então talvez haja razão para acreditar que a relíquia Templária e aquela da história fossem a mesma. E de Voragine também registra a história que fala da cabeça de João Batista sendo enterrada sob o Templo de Herodes em Jerusalém, onde os Templários escavaram]. Os Templários repetidamente são ligados ao Gral. O escritor viajante britânico Nina Epton em seu ‘The Valley of Pyrene’ (1955) descreve como ela subiu para as ruínas do castelo dos Templários de Montéal-de-Sos no Ariége e vê murais que apresentavam uma lança com três gotas de sangue e um cálice – uma imagem claramente tirada diretamente das histórias do Gral. Outro grafite bizarro tem sido encontrado no castelo em Domme onde muitos Templários foram aprisionados. Ean e Deike Begg descrevem uma estranha cena de crucificação na qual José de Arimatéia ´sustentando uma cruz de Lorraine] é mostrado, a direita, pegando gotas do sangue de Jesus. A esquerda está uma mulher nua e grávida tendo um bastão ou varinha mágica.

Há outras ligações mais curiosas. Em  St-Martin-du-Vésubie na Provença, que, como temos visto, é um renomado sítio Templário e da Madona Negra, há uma história que incorpora elementos interessantes das historias do Gral. É dito que os templários foram todos decapitados durante a supressão – algo que, dado a completa falta de verificação oficial, parece altamente improvável, e que eles amaldiçoaram a terra com ressecamento. Os homens se tornaram impotentes ou estéreis e a terra infértil. Seja qual for a verdade sobre este assunto, é um fato histórico que em 1560 o Duque Emmanuel Filibert de Savoy teve a terra exorcizada, porque estava em estado lamentável. De fato, um de seus picos vizinhos ainda é conhecido como Maledia (grosseiramente traduzido como ‘doença). Mas a parte mais importante desta lamentável história é que ela liga os templários sendo decapitados com a maldição sobre a terra, dois maiores elementos no canone do Gral. Para os escritores das histórias do Gral há algo sobre cabeças cortadas, ou talvez uma cabeça cortada, que trouxe destruição a terra, ainda que isso pudesse também fornecer dádivas a quem favorecesse. As diferentes histórias do Gral  e os vários fios dentro delas podem parecer confusos, mas no monumental estudo das histórias do Santo Gral, com astúcia, ele não afirma que esta seja a única possível conexão, porque não há evidência conclusiva para isso, mas ele admite que é a mais plausível.  Contudo, ele está certo que os romances do Gral foram baseados em algum tipo de ‘igreja oculta’ que estava ligada aos Templários. A ênfase de Waite em uma tradição ‘Joanita’ era de certo modo tantalizante – ele não elaborou sobre isso e sua fonte permanece envolta em mistério. Mas claramente pareceu fornecer um ele potencialmente excitante entre as histórias do Gral e São João.- um que, como devemos ver no próximo capitulo, era para fazer sentido de muito da aparente confusão que cerca a matéria. As histórias do Gral ainda que sejam manifestações de idéias subterrãneas que estavam circulando na França medieval sob os auspícios dos Templários, tal como o culto das Madonas Negras. A ligação entre os dois é surpreendente. Ambos são baseados em anteriores temas pagãos. As histórias do Gral nos mitos celticos e o culto das Madonas Negras em templos de deusas pagãs. Ainda que ambos florescessem nos séculos XII e XIII por causa do contacto – via Templários – com a Terra Santa. Os Templários eram um repositório de conhecimento retirado de muitas fontes esotéricas, incluindo aquelas da alquimia e sexualidade sagrada. [a ligação entre as Madonas Negras, Templários e alquimia é assunto de um estudo do historiador francês Jacques Huynen em seu L'énigme des Vierges Noires (O Enigma das Virgens Negras) (1972).) E a ponte entre suas idéias exóticas e esotéricas e o mundo cristão de seus dias era incorporada na imagem de uma mulher: Maria Madalena. Tudo isso aconteceu a muito tempo atrás. Os cátaros a muito tempo se foram, e a Ordem dos Templários se foi logo depois, mas está este conhecimento secreto, esta consciência mística e alquímica do Feminino, também enterrada sob a poeira dos séculos? Talvez não. Talvez isto tenha se tornado o mais excitante segredo e o mais perigoso e bem guardado vivo no subterrâneo da Europa hoje.

CAPÍTULO SEIS
O LEGADO DOS TEMPLÁRIOS

A maioria dos historiadores vê os violentos eventos do início do século XIV como a cortina final para os Templários e portanto eles não procuram quaisquer sinais de sua existência continuada. Mas a tradição oculta sempre tem falado dos descendentes espirituais destas Cavaleiros Templários que continuam a viver hoje em nosso meio, e há sociedades modernas que declaram serem estes descendentes. Sobretudo, uma riqueza de pesquisa recente tem mostrado muito persuasivamente que a Ordem sobreviveu e exerceu uma enorme influência na cultura ocidental. As implicações disso são profundas e de longo alcance. Porque se eles eram, como nós e outros pesquisadores acreditamos, coletores do conhecimento esotérico e alquímico, então qualquer sobrevivência dos Templários aponta para algum tipo de continuidade dos grandes segredos através da tradição oculta que pode ainda existir até hoje. Estes segredos, talvez incluindo conhecimento científico dos velhos alquimistas e práticas mágicas de tradições esotéricas orientais, podem ainda viver, até mesmo em nossa sociedade. Se assim o for, como exemplos primários de um antigo sistema herético de crença e prática, os templários de hoje podem lançar alguma luz em nossa investigação. Mas primeiro temos que nos convencer que, de fato, os Templários não se extinguiram. O senso comum determina que a idéia  de templários altamente organizados apenas se deitarem e se deixarem morrer seja altamente improvável. De início, nem um único cavaleiro na Europa foi simultaneamente cercado naquela fatídica sexta feira 13 de outubro de 1307. Este tipo de cataclisma para a Ordem apenas aconteceu na França, mas até mesmo lá alguns cavaleiros escaparam. Em outros países houve, como foi, uma tabela variável de perseguição e supressão. Na Inglaterra, por exemplo, Eduardo II se recusou a acreditar que os Templários fossem culpados quando foram acusados e até mesmo se engajou em um debate acalorado com o Papa quanto a isso. Ele claramente se recusou a torturar os cavaleiros. Na Alemanha houve uma cena maravilhosamente hilariante. Hugo de Gumbach, Mestre Templário na Alemanha, fez uma entrada dramática no concílio reunido pelo Arcebispo de Metz. Vestido em uma armadura completa e acompanhado de 22 cavaleiros de batalha cuidadosamente escolhidos, ele proclamou que o Papa era mal e devia ser deposto, que a Ordem era inocente e, a propósito, seus homens eram voluntários para irem a julgamento pelo combate contra a companhia reunida. Depois de um silêncio preplexante o inteiro assunto caiu e os cavaleiros viveram para avaliar sua inocencia em outro dia. Em Aragão e Castilha os bispos realizaram julgamentos dos Templários apenas para os declararem inocentes, Contudo, não importa quão leniente ou liberais os juízes desejassem ser em relação aos Templários, nenhum deles podia ignorar a ordem do Papa para dissolver a Ordem em 1312. Mas até mesmo na França apenas relativamente poucos foram executados e muitos foram liberados depois de sua retratação; e em outros países eles simplesmente se reformaram sob um outro nome, ou se juntaram a outras ordens existentes tais como a dos Cavaleiros Teutônicos. Então historicamente há uma escassez de evidência de que os Cavaleiros Templários tenham sido eficazmente mortos. De fato eles teriam ido para o subterrâneo e se reagrupado e reformado. De fato, a maneira de sua dissolução  virtualmente garantiu isso. Lembre-se que escalão e fileira eram muito diferentes do círculo interno, e a elite dos cavaleiros não apenas dirigia a organização mas era também o repositório do conhecimento secreto. É muito provável que os cavaleiros de ambos os níveis fossem e fundassem seus próprios movimentos subterrâneos efetivamente iniciando duas organizações separadas, cada uma afirmando ter o verdadeiro pedigree templário. Depois do desmantelamento dos Templários, a maioria de suas terras foi dada aos seus rivais, os Cavaleiros Hospitalários. Na Escócia e na Inglaterra, contudo, isso não aconteceu, e há evidência que as antigas propriedades templárias em Londres ainda sejam possuídas por famílias descendentes de templários tão tarde quanto 1650. Contudo, não foi a continuidade de propriedade de terras e construções que nos interessasse, mas a perpetuação do conhecimento esotérico dos Templários.

Embora não haja evidência conclusiva de que os Templários fosem as Mentes Mestras por trás da rede subterrânea alquímica, sabemos que o 'círculo interno' estava interessado na alquimia, como Alet-les-Bains das comandarias dos Templários. E, como temos visto, os alquimistas, como os Templários, veneravam João Batista. Recentemente vários comentadores tem apresentado evidência persuasiva que a Maçonaria Livre teve suas origens no Templarismo. Em 'The Temple and the Lodge' de Michael Baigent e Richard Leigh e em 'Born in Blood' do historiador-pesquisador escritor americano John J. Robinson têm chegado a esta conclusão, até mesmo embora a abordagem do assunto seja de pontos de vista completamente diferentes. Os primeiros traçam a continuidade dos Templários pela Escócia, enquanto o último depende mais de remontar o moderno ritual maçonico a suas origens  - e mais uma vez, isto termina nos Templários. Então estes dois maiores livros se complementam, fornecendo uma imagem mais ou menos completa da ligação entre as duas grandes organizações ocultas. O único maior ponto de desacordo entre Baigent/Leigh e Robinson é que os primeiros vêem a Livre Maçonaria como se desenvolvendo dos isolados Templários na Escócia, então indo para a Inglaterra em 1603 com a ascensão do rei escocês James VI ao trono inglês e dando o influxo  da aristocracia escocesa. Robinson, por outro lado, acredita que os Templários se desenvolveram em Maçons Livres na Inglaterra. Ele argumenta persuasivamente que os Templários estavam por trás da revolta dos camponeses de 1381, que especificamente atacou a propriedade da Igreja e dos Cavaleiros Hospitalários - os dois principais inimigos dos Templários - embora fosse a grandes extensões para evitar danificar as antigas construções Templárias. Para muito externos, a Livre Maçonaria é simplesmente um clube de velhos garotos estranhos, uma rede interna que fornece contactos lucrativos de negócios e influência a seus membros. Seu lado ritual é percebido como sendo absurdo, com os irmãos enrolando uma perna da calça e murmurando arcaicos juramentos sem sentido. As coisas podem ter mudado, mas em seus dias iniciais a Maçonaria Livre era uma escola de mistério com iniciações solenes que vinham de ocultas e antigas tradições, e que eram especificamente destinadas a trazer iluminação transcedental, além de ligar o iniciado mais estreitamente a seus irmãos. Originalmente esta era uma organização oculta, explicitamente interessada na transmissão do sagrado conhecimento. Muito do que agora podemos chamar de ciência veio da fraternidade - como se pode ver da formação da Real Sociedade na Inglaterra em 1662, que era e é interessada em reunir e promulgar o conhecimento científico. Foi o estabelecimeto oficial do original 'Colégio Invisível' dos Maçons Livres que tinha sido formado em 1645. [e exatamente como nos dias de Leonardo, o conhecimento oculto e secreto, estava longe de ser anti-ético - era visto como um e o mesmo]. Embora sem dúvida muitos Maçons Livres modernos fazem suas iniciações solenemente e com algum senso de espiritualidade, a imagem completa é uma de uma organização que tem esquecido seu significado original. De fato, a corrente principal da Livre Maçonaria de hoje, é a da Grande Loja, que apenas foi formada recentemente, no dia de São João Batista [24 de junho] em 1717. Antes desse tempo a Livre Maçonaria tem sido uma verdadeira sociedade secreta mas a emergência da Grande Loja marcou uma era quando elajá havia se tornado um glorificado clube de jantar, e que tem sido semi-público porque não mais tem segredos para manter para ela própria. Então exatamente quão velha é a Livre Maçonaria? A mais antiga referência reconhecida está em 1641, mas se há um elo com os Templários ela deve remontar muito anteriormente. John J. Robinson cita evidência de lojas maçonicas existentes em 1380 e um tratado alquimico datando de 1450 explicitamente usa o termo “maçom livre’. Os próprios maçons livres afirmam que eles emergiram das guildas medievais inglesas de pedreiros que haviam desenvolvido gestos secretos e códigos de recohecimento porque possuiam um conhecimento potencialmente perigoso da sagrada geometria. Mas como tem mostrado a pesquisa intensa e meticulosa de John J. Robinson, contra todas as expectativas, estas guildas eram evidentes por sua ausência na medieval Bretanha. Um outro mito livre maçom é a declaração deles que os pedreiros herdaram seu conhecimento secreto dos construtores do fabuloso Templo de Salomão. Se assim o foi, contudo, porque eles ignoraram um outro grupo com ligações mais óbvias com o Templo? Eles parecem estar evitando o elo mais óbvio de todos: o grupo cujo nome era Ordem dos Pobre Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão; em outras palavras, os Templários.

Ainda que antes da formação da Grande Loja, os maçons livres realmente promulgassem o mesmo tipo de informação sobre a geometria sagrada, alquimia e hermeticismo como o fizeram os Templários. Por exemplo, os iniciais maçons livres estavam preocupados com a alquimia: um tratado alquimico de meados de século XV alude aos maçons livres como ‘trabalhadores da alquimia’ e um dos primeiros iniciados maçonicos foi registrado como sendo Elias Ashmole (iniciado em 1646), fundador do Museu Ashmoleano em Oxford, que era um alquimista, hermeticista e rosacruciano. (Ashmole foi também a primeira pessoa a escrever aprovando os Templários desde a supressão deles). Uma jóia na coroa da Livre Maçonaria é a curiosa e compelente construção conhecida como Capela Rosslyn, a umas poucas milhas de Edinburg. Do exterior ela parece tão dilapidada como se estivesse quase em perigo de desmoronar completamente, mas o interior é abertamente robusto – como, de fato, teria que ser, porque a Capela Rosslyn é reconhecida como o foco dos maçons livres de hoje e muitas organizações templárias. Constrúida entre 1450 e 1480 por Sir William St Clair, Lorde de Rosslyn, ela originalmente pretendia ser simplesmente uma capela de damas de uma construção muito maior que era suposta ser baseada no projeto do Templo de Salomão, mas neste caso ela foi deixada só através dos séculos. Os St Clairs (mais tarde seu nome se tornou Sinclair) eram para ser os protetores hereditários da Livre Maçonaria na Escócia a partir do século XV em diante; certamente não é coincidência que antes desse tempo eles servissem na mesma função para os Templários. Desde o seu início a Ordem dos Templários esteve ligada aos Sinclairs e Rosslyn: o Grão Mestre fundador Hugues de Payens era casado com Catherine St Clair. Originalmente de descendência viking, os St Clairs/Sinclairs são uma das mais intrigantes e notáveis famílias na história, e eram proeminentes na Escócia e na França do século XI. (Interessantemente seu nome de família veio do mártir escocês Saint Clair que foi decapitado). Hugues e Catherine visitaram as propriedades de Saint Clair perto de Rosslyn e estabeleceram lá a primeira comanderia templária na Escócia, que se tornou sua sede. [Como temos visto, Pierre Plantard adoptou o nome ‘de St Clair’, portanto deliberadamente se ligando ao ramo francês desta antiga família. Varios comentadores tem imaginado se ele é intitulado para usar esta denominação, porque existe ao menos uma boa razão para que ele assim o faça]. Os cavaleiros certamente fizeram da Escócia um de seus principais paraísos depois de sua supressão, talvez porque era muito a terra de Robert o Bruce, que ele próprio havia sido excomungado, de forma que o Papa naquele momento não tinha infuência na Escócia. E Baigent e Leigh argumentam persuasivamente que a perdida frota templária chegou aos litorais escoceses. Um dos críticos eventos históricos das Ilhas Britânicas foi indubitavelmente a Batalha de Bannockburn, que aconteceu em 24 de junho [a festa de São João Batista]  em 1314 quando as forças de Robert o Bruce decididamente superaram os ingleses. Contudo, a evidência sugere que eles tenham tido uma ajuda formidável na forma de um contingente de cavaleiros templários que salvaram o dia na 11a. hora. Certamente o que é hoje os Cavaleiros Templários Escoceses [que afirmam descenderem dos fugitivos cavaleiros] acredita-se, na medida em que eles comemoram a Batalha de Bannockburn na Capela Rosslyn em seu aniversário como sendo a ocasião quando ‘o Véu foi levantado dos Cavaleiros Templários’. Um dos cavaleiros que combateram ao lado de Robert o Bruce foi um outro Sir William St Clair, que morreu em 1330 e foi enterrado em uma característica tumba templária na Capela Rosslyn. A própria Capela Rosslyn contém algumas aparentes anomalias em sua decoração. Cada polegada quadrada do interior da capela é coberta por símbolos gravados e a construção como um todo é projetada de acordo com os altos ideais da sagrada geometria. Muito dela é inegavelmente maçonico. Ela ostenta o ‘Pilar do Aprendiz’, um paralelo explícito ao mito maçonico de Hiram Abiff, e o aprendiz apresentado nele é conhecido como ‘o filho da viúva’, um termo de alto significado maçonico [que também é importante em nossa investigação]. A verga de porta perto deste pilar tem a incrição: “o vinho é forte; o rei é mais forte; as mulheres são ainda mais fortes mas a Verdade conquista todos’.

Mas conquanto muito do simbolismo de Rosslyn seja claramente maçonico, ao menos muito é definitivamente Templário: o plano do chão da capela é baseado em uma cruz, e há gravações que incluem a famosa imagem de dois homens em um só cavalo do selo deles. E um antigo bosque vizinho foi plantado na forma da cruz templária.  Tudo isso é mais curioso, por que segundo os textos históricos padrão, a Livre Maçonaria data de não antes dos anos de 1500 e os Templários não eram mais uma força a ser reconhecida depois de 1312. Então o conjunto de imagens da capela, que data de por volta de 1460, deve ser tarde demais para os Templários e cedo demais para os Maçons Livres. Há, contudo, uma grande dose de simbolismo encontrado na Capela Rosslyn que não é classicamente Templário ou Maçonico. Há uma plétora de conjuntos de imagens pagãs e até mesmo islâmicas. E do lado de fora da capela está gravado uma representação de Hermes – uma clara alusão ao hermeticismo -, conquanto o interior seja adornado com mais de uma centena de apresentações do Homem Verde, a deidade céltica pagã do deus da vegetação. Tim Wallace-Murphy, em sua história oficial da Capela Rosslyn, associa o Homem Verde com o deus babilonio que morre e e se eleva Tammuz. Todos tais deuses tem atributos similares e são frequentemente apresentados como tendo as faces verdes – embora o deus que mais frequentemente seja representado desta forma seja Osiris, consorte de Isis. Quando visitamos Niven Sinclair, um membro desta ilustre família, nos encontramos virtualmente bombardeados com a evidência de que os Sinclairs não tem sido apenas Templários, mas também pagãos. Niven, que é um apaixonado pesquisador da história de Rosslyn e dos Sinclairs, ofereceu alguns insights muito reveladores do que tinha acontecido ao perdido conhecimento Templário. Ele disse que ele foi codificado no tecido da Capela Rossslyn para ser trasmitido a futuras gerações. Como ele disse, ‘O Conde  William St Clair construiu a capela a um tempo quando os livros podiam ser queimados ou banidos. Ele queria deixar uma mensagem para a posteridade’. Na medida em que Niven aqueceu este tema ele nos impressionou pela absoluta ingenuidade de seu ancestral Sir William em criar este livro de pedra. Como ele disse, ’se você vai a catedral de São Paulo você pode admira-la em  uma única visita. Mas se vai a Capela Rosslyn não pode. Deve contar o número de vezes que tenho estado lá em centenas de vezes, e a cada tempo encontro algo novo. Esta é a beleza do lugar’. Rosslyn está longe de ser uma típica capela cristã. De fato, Niven foi tão longe para dizer: ‘Foi dito que o Conde William construiu a Capela Rosslyn para maior glória de Deus. Se assim o é, é muito notável quão poucos símbolos cristãos existam dentro dela’. Na Idade Média os Sinclairs ativamente promoveram as celebrações pagãs e forneceram um paraíso para os ciganos [de quem tem sido dito estarem ente os mais ativos preservadores da veneração da deusa na Europa]. E, de forma impressionante, muitas autoridades acreditam que lá foi usado para ter uma Madona Negra na cripta da Capela Rosslyn. Tivemos que vir a entender, com algo de um choque, que os Templários não eram por meio algum os devotados cavaleiros cristãos da imaginação popular. A imagem que eles tinham criado para eles próprios como uma cobertura tinha sido extremamente bem sucedida, mas eles tinham obviamente pretendido deixar pistas de suas reais preocupações ‘para aqueles que tem olhos para ver’. A decoração da Capela Rosslyn é apenas um exemplo desta mensagem críptica mas reveladora. O amor e preservação dos templários pelo conhecimento significava que na capela Rosslyn também encontrássemos o ‘Rosslyn-Hay Manuscript’, que é o mais inicial trabalho conhecido em prosa escocesa. É uma tradução dos escritos de René d’ Anjou sobre cavalaria e governo, e em sua capa são encontradas as palavras inscritas: ‘JHESUS [sic]—MARIA—JOHANNES’ (Jesus, Maria, João). Como diz Andrew Sinclair em seu ‘The Sword and the Grail’ (1992): A adição do nome de João aos de Jesus e Maria é não usual, mas ele foi venerado pelos gnósticos e os templários. Uma outra notável característica da capa é o Agnus Dei, o Cordeiro de Deus. Na Capela Rosslyn o selo templário do Cordeiro de Deus também está gravado. O Conde William e René d’Anjou eram próximos, ambos sendo membros da Ordem da Flecha Dourada, um grupo cujo intento jurado era restaurar os velhos ideais templários de cavalaria e fraternidade. É claro que os Templários sobreviveram na Escócia e continuaram a operar abertamente, não apenas em Rosslyn mas em outros vários locais. Contudo, em 1329 sua vida encantada outra vez esteve sob ameaça quando a excomunhão de Robert o Bruce foi retirada e a sombra da autoridade do Papa voltou a assombra-los. Em um ponto houve a distinta possibilidade que uma cruzada seria lançada contra a Escócia e embora isso não tenha se materializado, os Templários escoceses pensaram ser prudente irem para o subterrâneo como muitos outros irmãos europeus; e foi isto, é afirmado, que deu nascimento ao início da Livre Maçonaria.

Significativamente, certos ramos da Livre Maçonaria tem sempre afirmado serem descendentes dos Templários e terem suas origens na Escócia, mas poucos historiadores – até mesmo dentro da própria Livre Maçonaria -, os tem considerado seriamente. Estes Maçons Temparistas podem ter herdado os genuinos segredos templários, ao menos em parte. O conhecimento deles, que incluia a sabedoria hermética e alquimica, além daquele da geometria sagrada, ainda é considerado valioso, talvez mais porque isso se dirija a assuntos muitos diferentes daqueles do mundo moderno ao todo. Foi um escocês, Andrew Michael Ramsay, que enviou o que veio a ser conhecido como Oração de Ramsay em 1737 aos Maçons Livres em Paris. Um Cavaleiro da Ordem de São Lázaro e tutor de Bonnie Prince Charlie – O ‘Cavaleiro’ Ramsay estabeleceu um ponto ao ressaltar a fraternidade que eles eram descendentes dos Cavaleiros Cruzados, o que era uma referência pequeninamente velada aos Templários. Foi de interesse dele usar esta terminologia oblíqua porque os Templários ainda eram um anátema na sociedade francesa. A Oração também declarou, controvertidamente, que os Maçons se originaram de escolas de mistério das deusas Diana, Minerva e Isis. A oração tem atraído grande escárnio com o passar dos anos, não apenas pela sua última declaração sobre as origens na veneração da deusa, mas porque o Cavaleiro Ramsay afirmou que a Ordem não era descendente dos pedreiros medievais. As autoridades sobre o assunto tomaram esta declaração, dizendo que, como isto era obviamente uma inverdade, isto levava todo o asunto da Oração a questionamento. Mas, como temos visto, a pesquisa recente tem mostrado que não há guildas de pedreiros medievais’ na Bretanha, então talvez deva ser dado ao bom cavaleiro ao menos o benefício da dúvida sobre isso, e a suas outras declarações. A Oração de 1737 foi a primeira pista pública que a Livre Maçonaria era descendente dos Templários – pode haver alguma ligação com o fato que exatamente um ano depois o Papa deunciou a inteira irmandade dos Maçons Livres? Surpreendentemente, até mesmo nesta última data, a Inquisição prendeu e torturou Maçons Livres como resultado direto desta bula papal. Depois das pesadas pistas de Ramsay sobre a ligação templária, veio uma declaração mais explícita e autoritária. Em um dos episódios mais controvertidos da história da Maçonaria Livre, Karl Gotthelf, o Barão von Hund und AltenGrotkau, afirmou que tinha sido iniciado em uma Ordem Maçonica do Templo em Paris em 1743, e que foi dada a ele a ‘verdadeira’ história da Maçonaria Livre e ele foi autorizado a estabelecer lojas baseado nesta linha de autoridade, que ele chamou de ‘Estrita Observância’ – embora, significativamente, esta era conhecida na Alemanha como Fraternidade de João Batista. A verdadeira história que ele tinha sido dado incluir a informação que quando os Templários foram suprimidos alguns dos cavaleiros haviam fugido para a Escócia e lá se estabeleceram. O Barão von Hund possuia uma lista do que ele afirmava serem os nomes dos Grão Mestres que sucederam a Jacques de Molay no movimento subterrâneo templário depois da supresssão. As lojas de von Hund foram surpreendentemente bem sucedidas quase que imediatamente, mas infelizmente ele não fez amigos entre os historiadores, que o tem denunciado como um nítido charlatão e descartado a versão dele  da ‘verdadeira história’ como uma completa falta de lógica. Eles são igualmente desdenhosos de sua lista de nomes dos alegados Grão Mestres.

A razão principal para este flagrante descarte foi que as declarações dele eram baseadas nas palavras de contactos anônimos – que ele chamava de ‘Superiores Desconhecidos’  e portanto parecia que ele apenas tivesse criado isso. De fato, dicas anônimas são ocorrências frequentes dentro de grupos ocultos, como podemos pessoalmente testemunhar, e recentemente alguns nomes muito críveis tem sido atribuidos aos Superiores Desconhecidos e assim parece como se ele pudesse ter dito a verdade sobre seus contactos afinal. Significativamente, os historiadores nunca tem sido capazes de produzirem uma lista defintiva dos Grão Mestres dos Templários históricos – devido a natureza incompleta dos arquivos disponíveis. Contudo, a lista de von Hund é identica a uma que aparece nos Dossiês Secretos do Priorado de Sião. A pesquisa de Baigent, Leigh e Lincoln os convenceu que a lista do Priorado é a mais acurada disponível; embora, devido a pobreza dos registros, nunca possamos estar certos, e certamente permaneça  para o exame academico e pode muito bem estar correta. Mas conquanto a lista do Priorado possa – para ser cínico -, ter sido fabricada nos anos de 1950, é improvável que von Hund pudesse similarmente a ter inventado em 1750, quando não haviam registros disponíveis e nenhuma pesquisa histórica dos Templários. Ao menos, a ligação revela uma tradição conjunta entre a Estrita Observância Templária e o Priorado. Conquanto muitas palavras tenham sido escritas sobre as afirmações e organizações de von Hund, há uma curiosa falta de especulação sobre qual possa ter sido sua motivação subjacente. De fato, sua Estrita Observância era basicamente uma rede alquímica e ele próprio foi primeiramente e sobretudo um alquimista.  Estava von Hund transportando a tradição templária? Seja qual for a verdade por trás da preocupação e organização de von Hund, a Livre Maçonaria Templarista foi logo bem estabelecida e era para se tornar uma maior forma de Livre Maçonaria de ambos os lados do Atlântico [a idéia tinha sido proposta que os Templários efetivamente se ocultavam dentro dos altos graus da Maçonaria Livre]. A Livre Maçonaria Templarista também influenciou um outro desenvolvimento que era para se tornar importante em nossa própria linha de pesquisa – a Livre Maçonaria de Rito Escocês, especialmente a forma conhecida como Rito Escocês Retificado, que é particularmente forte na França. Os Maçons Livres franceses tem uma história curiosa sobre ‘Maître Jacques’, uma figura mítica que era o patrono  das guildas medievais de pedreiros. Ele era, segundo a história, um dos mestres pedreiros que trabalhou no Templo de Salomão. Depois da morte de Hiram Abiff ele deixou a Palestina e, juntamente com 13 viajantes, viajou para Marselha. Os seguidores de seu grande inimigo, o mestre pedreiro Padre Soubise, determinaram mata-lo, então ele se escondeu em uma caverna em Sainte-Baume – a mesma que mais tarde foi ocupada por Maria Madalena. Tudo em vão: ele foi traído e morto. Os maçons ainda observam uma romaria ao sítio a cada 22 de julho.

Um outro forte candidadto ao papel de herdeiro do cohecimento esotérico dos Templários é o movimento conhecido como Rosacrucianismo. Uma vez ridicularizado pelos historiadores como uma invenção do início do século XVII, o reconhecimento está ganhando terreno que tenha raízes reais nas tradições da Renscença. O Rosacrucianismo como um ideal, ou atitude, se não em nome, é reconhecido como uma força motora por trás da Renascença, um ideal tipificado por Leonardo. Como escreveu Dame Frances Yates: Pode isto não ter estado dentro da visão geral de um mago que uma personalidade como Leonardo fosse capaz de coordenar seus estudos mecânicos e matemáticos com seu trabalho como artista? Certamente Leonardo viveu em um tempo quando grandes movimentos intelectuais e místicos agiam como um imã para aqueles famintos de conhecimento e poder. Por causa da hostilidade da Igreja, estes movimentos tinham que permanecerem subterrâneos, mas três ramos principais floresceram em segredo e eram alquimia, hermeticismo e gnosticismo. O hermeticismo tinha fornecido um tal ímpeto importante pala a iluminação da Renascença/Rosacrucianismo e o Gnosticismo deu aumento aos Cátaros, são dois desenvolvimentos das mesmas idéias cosmológicas. O mundo da matéria é o mais baixo na hierarquia dos ‘mundos’ em seus termos de ‘esferas’, na terminologia de hoje ‘planos’, ou ‘dimensões’ – o mais alto do qual é Deus. O homem é uma vez um ser divino que tem se tornado ‘aprisionado’ em seu corpo material, mas ainda retém uma centelha divina. [uma linha hermética muito citada era 'Você sabe que somos deuses?']. É possível, de fato, que seja ‘dever do homem’ tentar reunir-se com o Divino. Os Gnósticos expressavam isso em termos religiosos [vendo a reunião com o divino como salvação] enquanto os hermeticistas pensavam nisso em termos mágicos, mas a idéia básica é a mesma.

É impossível desenhar uma linha definida entre o Gnosticismo e o Hermeticismo, exatamente como é impossível desenhar uma linha entre a religião e o mágico. Sobretudo, o Gnosticismo e o Hermeticismo podem ser remontados ao mesmo tempo e lugar – o fermento de idéias que aconteceu no Egito, mais especialmente em Alexandria, nos séculos I  e II. Este enorme pote de fusão de idéias religiosas e filosóficas saiu das crenças de muitas culturas – grega, persa, judaica, antigo egipcio, até mesmo de religiões do Oriente para criar idéias que servem de base para nossa cultura inteira. [o estreito relacionamento entre o Gnosticismo e o Hermeticismo é ilustrado pelo fato de que os 'Evangelhos Gnósticos' encontrados em Nag Hammadi incluam tratados contendo diálogos de Hermes Trimegistus]. A cosmologia de Pisthis Sophia – o Evangelho Gnóstico no qual Maria Madalena tem um papel chave – não difere em qualquer essencial daquele dos magos da Renascença tais como Marsilio Ficino, Cornelius Agrippa ou Robert Fludd. As mesmas idéias, a mesma cultura, tempo e lugar dão elevação a alquimia. Embora isso também saisse de conceitos muito anteriores, a alquimia era, no sentido em que hoje é entendida, um produto do Egito nos séculos inicais da era Cristã. As raízes da alquimia, e seus paralelos com o Hermeticismo e o Gnosticismo são explorados no livro de  Jack Lindsay ‘The Origins of Alchemy in Graeco-Roman Egypt’ (1970). Não é difícil entender o apelo do Gnosticismo, embora esta não fosse uma opção fácil, a ênfase sendo na responsabilidade pessoal das próprias ações;  mas, ao mesmo tempo, a ameaça à Igreja de Roma é obvia. Como supostamente escreveu Hermes Trismegistus: ‘Oh! Que milagre é o Homem’ uma exclamação que encapsula a idéia que a humanidade contenhna a centelha divina. Nem gnósticos e nem hermeticistas se humilhavam diante de seu Deus. Diferentemente dos católicos, eles não pensam neles próprios como criaturas inferiores e más destinadas ao purgatório, se não ao próprio inferno. Ao reconhecer a centelha divina deles, isto automaticamente os dotava do que hoje chamamos de ‘auto-estima’ e ‘auto-confiança’. O ingrediente mágico no processo de cumprir o próprio potencial. Esta era a chave para a Renascença como um todo,  e o destemor que isso induzia pode ser visto na súbita abertura de mundo por meio da circumnavegação e exploração. Pior ainda, no que diga respeito a Igreja, esta noção de potencial individual para a divindade implicava que as mulheres eram tão boas quanto os homens, ao menos espiritualmente. As mulheres gnósticas sempre tinham tido uma voz, e até mesmo oficiavam em cerimonias religiosas; esta era uma as maiores ameaças que o Gnosticismo oferecia à Igreja Católica. Sobretudo, a idéia do status essencialmente divino da humanidade não estava de acordo com a idéia cristã do ‘pecado original’ – a idéia de que homens e mulheres nascem pecadores por causa da Queda de Adão e Eva [especialmente esta última]. Porque todos os filhos são o resultado do ‘vergonhoso’ ato sexual, a idéia inextrincavelmente ligada a mulheres e crianças  em um tipo de conspiração eterna contra o homem puro e um Deus vingativo. Gnósticos e hermeticistas, como um todo, não tinham algo como ‘pecado original’. Cada indivíduo era encorajado a explorar os mundos interno e externo por ele próprio, experienciando a gnose, o conhecimento do Divino. Esta ênfase na salvação pessoal era totalmente anti-ética para a insistência da Igreja de que apenas sacerdotes eram os condutos pelos quais Deus podia se comunicar com a humanidade. A idéia gnóstica de uma linha direta direta com Deus, como esta era, ameaçava a própria existência da Igreja. Sem sacerdotalmente conduzir eu rebanho, que chance teria a Igreja de manter o controle? Como com a alquimia, era prudente manter o gnosticismo e o hermeticismo oculto aos olhos da Igreja. A combinação da ciência proibida e a filosofia anatematizada significava que os praticantes destas crenças estavam além de pálidos, e abate-los como uma rede subterrânea era inevitável. Muitas de tais pessoas [e os alquimistas da Renscença incluiam mulheres] tinham mantido crenças não usuais sobre tais assuntos como arquitetura e matemática, além de manterem idéias teológicas excepcionalmente não ortodoxas. Estas pessoas eram perigosas, e indubitavelmente tal era o poder do secreto que tem o hábito de concentrar a heterodoxia. Uma maior manifestação desta heresia foi o movimento rosacruciano. O termo rosacrucianismo data apenas do início do século XVII, mas certamente ele foi gravado para descrever um movimento que então já estava bem estabelecido.

Seu primeiro maior florescimento, como aqueles tantos outros movimentos importantes, foi durante a Renascença – um fato que dificilmente seja um exagero dizer que o Rosacrucianismo era a Renascença. A segunda metade do século XV viu uma explosão de interesse no hermeticismo e nas ciências ocultas. Muito pouco da atual informação envolvida era nova, embora com certeza havia muitas influência contemporanea e personalidades, e esta era viu uma imprecedente fome de explorar as implicações mais amplas  do hermeticismo. Isso foi subitamente visto como algo para debate intelectual além dos enclaves secretos que tinham, até então, sido seus guardiões. Se tivesse sido deixado aos seus entusiastas da Renascença, o hermeticismo não mais estaria oculto. Este resurgimento do fascínio com todas as coisas herméticas neste tempo era centrado na côrte de Medici em Florença [onde era uma potente influência sobre Leonardo da Vinci entre muitos outros grandes pensadores]. Sob o patrocínio dos Medicis, notavelmente Cosimo o Velho (1389-1464) e seu neto Lorenzo o Magnífico (1449-1492) – a primeira grande síntese de muitas idéias ocultas separadas foi tomada. Não apenas Cosimo enviou emissários para procurarem legendários tomos tais como Corpus Hermeticum , alegadamente escrito pelo próprio Hermes Trismegistus, mas ele também patrocinou a sua tradução. A côrte de Medici era o salão para famosos – e talvez notórios – pensadores ocultos tais como Marsilio Ficino (1433-1499), tradutor do Corpus Hermeticum , e Pico della Mirandola (1463-1494). A maior contribuição desse último foi introduzir a teoria cabalistica e a prática neste pote de fusão de idéias ousadas. Mirandola, talvez dado um sentido de certa forma falso de segurança por seu patrono aristocrático, foi falante demais sobre suas idéias ocultas e logo encontrou seus livros colocados no Index Papal, enquanto ele próprio estava sob ameaça do Papa Inocente III. Por um tempo pareceu que Mirandola iria todo o caminho para se opor ao Vaticano, mas algo estranho aconteceu. O novo Papa, Alexandre VI, um membro da família Borgia, misteriosamente retirou todas as acusações contra ele, realmente escrevendo a ele uma carta pessoal de apoio. Mas porque? Talvez uma pista resida no fato de que este Papa decorou seu apartamento particular no Vaticano com murais apresentando antigos temas egípcios, incluindo a deusa Isis. Os historiadores modernos tendem a descartar o poder e a influência do oculto. Se eles o discutem é para ressaltar, por comparação, o triunfo da Idade da Iluminação quando tal ‘falta de lógica supersticiosa’ foi rejeitada por qualquer um com um senso de razão. Mas o ocultismo viveu, e de fato tornou-se a maior influência da Renascença.  Um fascínio com o oculto não era meramente um sintoma de nova abertura a idéias, era realmente a causa.  Dame Frances Yates representou por um gráfico a história do verdadeiro papel do oculto na elevação do Renascimento em uma série de livros. Como ela ressalta, a nova filosofia oculta se espalhou da Itália para Europa, culminando na campanha européia do grande pregador hermético, Giordano Bruno (1548-1600).

Em países como a Inglaterra e a Alemanha, ele pregou uma volta ao que essencialmente era a antiga religião egípcia, e foi carateristicamente expressivo sobre o que ele via como o mal da principal Cristandade. O Hermeticismo, como temos visto, era acreditado ter sido fundado pelo Próprio grande Hermes via o fragmento da Tábua de Esmeraldas na qual estavam escritos muitos segredos profundos. Embora poucos hermeticistas realmente acreditassem  neste mito, eles acreditavam na importãncia continuada do panteão egípcio. Mas conquanto a maioria dos hermeticistas da Renascença acreditasse que seus segredos tenham vindo do Egito Faraonico do tempo de Moisés, eles vieram de um tempo muito mais perto da era de Jesus. As raízes de suas idéias podem ser traçadas dos primeiros três séculos: além do que temos que reconhecer a influência de muitas culturas. Contudo, a erudição recente tem reconhecido que, embora as gerações anteriores tendam a ressaltar a influência da filosofia grega, as idéias ultimamente remontando a religião dos antigos egípcios tem mais influência no desenvolvimento das idéias herméticas do que previamente se pensava. Os Hermeticistas reconheceram que, embora a antiga Grécia tivesse muito a oferecer ao homem pensador, foi o Egito, acima de tudo, que tinha as chaves do conhecimento que eles buscavam. Eles também entenderam que este conhecimento não estava simplesmente lá para ser tomado: o sistema egípcio tinha sido codificado em uma escola de mistério, e os segredos necessários a serem conquistados pelos estudantes dedicados por meio de árduos estágios de progressivas iniciações.

Giordano Bruno chegou na Inglaterra em 1583 e rapidamente fez conhecimento com tais luminares como Sir Philip Sydney, autor de – entre outros trabalhos -, Arcadia. Sydney, que era um estudante do grande ocultista britânico Dr John Dee (1527-1606), foi claramente uma maior figura neste mundo sombrio porque Giordano Bruno dedicou a ele dois trabalhos enquanto esteve na Inglaterra. É também possível que uma outra figura dos círculos entrelaçados da sociedade Elizabetana estivesse presente quando Bruno e Sidney se encontraram – um William Shakespeare. (É importante que o original Globe Theatre de Londres fosse construído sob os princípios herméticos da geometria sagrada, e talvez também a última peça de Shakespeare, The Tempest, é dita ter sido sobre o Dr Dee, e incorporar muitos conceitos rosacrucianos]. Em Bruno temos uma figura de similar estatura a de Lutero ou Calvino, mas seu nome raramente é mencionado na história que é ensinada nas escolas. Como eles, e de fato como muitos nomes da Contra Reforma, ele foi inconpreendido e não perdoado do modo do tempo. Mas diferente deles, Bruno não estava pregando qualquer versão da aceita cristandade, e por esta razão apenas seus dias foram contados. Acrescente a isto sua própria natureza bombástica e é muito fácil prever seu destino. Bruno foi queimado na fogueira em 1600 em Roma, depois de ser traído e denunciado à Inquisição por um seguidor desencantado. Bruno estabeleceu sua própria sociedade secreta, a  Giordanisti, na Alemanha. Pouco é conhecido sobre isto mas ela se tornou uma as maiores influências do Rosacrucianismo na Europa. Mas crédito igual deve ser dado ao supramencionado Dr John Dee, um verdadeiro mago gaulês. Um homem de muitas partes, não apenas era o astrólogo e conselheiro de Elizabeth I, mas era também um mestre espião e um alquimista e um feiticeiro. [e algo que geralmente não é sabido é que o apelido de Dee como espião era 007]. Destas raízes cresceu o Rosacrucianismo, um dos movimentos mais misteriosos na história. Sua existência primeiro veio a ser conhecida quando dois tratados anônimos, Fama Fraternitatis , ou Uma Descoberta da Fraternidade da Mais Nobre Ordem da Rosacruz  e o Confessio Fraternitatis , ou  a Confissão da Louvável Fraternidade da Mais Honorável Ordem da Rusacruz circularam pela Alemanha em 1614 e 1615. Estas publicações anunciaram a existência de uma fraternidade secreta de adeptos mágicos – os Rosacrucianos, que retiram seu nome de seu mítico fundador, Cristão Rosacruz. Este herói supostamente viajou pelo Egito e Terra Santa coletando conhecimento secreto ou oculto que ele transmitiu a uma geração de adeptos. Mas se sua vida foi não usual, sua morte e enterro foram até mesmo mais bizarros. É dito que Rosacruz teria 106 anos quando morreu em 1484, e foi enterrado em um local secreto que era mantido aceso por um ’sol interno’. Também foi dito que seu corpo era incorruptível e não se decompôs [um fenômeno que parece atender ao estado post-mortem de um número surpreendente de pessoas, mas principalmente santos católicos].  Estes Manifestos Rosacrucianos, como logo as publicações se tornaram conhecidas, eles próprios não transmitem os segredos, mas ao anunciar a existência da fraternidade eles também sugerem que alguém que deseje saber mais entrasse em contacto com eles. Presumidamente esta era o tipo de iniciativa de teste porque nenhum endereço para correspondência foi dado. Esta abordagem foi o suficiente para dar aos Manifestos o desdém de todos os principais historiadores, que os descartaram como um tipo de estranha farsa. Mas como Frances Yates tem mostrado, os escritores dos Manifestos revelaram um conhecimento profundo e genuino da sabedoria hermética e de alquimia. Significativamente, eles viam a alquimia como disciplina espiritual e não de todo dizendo respeito a criação de ouro, que eles denominavam ‘não divino e amaldiçoado’.  Seja qual for a verdade sobre as origens dos Rosacrucianos, eles influenciaram muitos dos grandes e renomados pensadores mundiais, tais como Robert Fludd (1574-1637) e Sir Isaac Newton. Até mesmo, inesperadamente, o famoso racionalista Francis Bacon foi essencialmente um rosacruciano. Ainda que isto faça sentido, porque o movimento rosacruciano era a síntese de todos os conceitos herméticos e ocultos: a única coisa verdadeiramente nova era que isso agora tinha um nome. E  Frances Yates não teve qualquer remorso em descrever Leonardo – entre tantas pessoas – como um rosacruciano inicial. Como temos visto, o nome de Leonardo aparece na lista dos Grão Mestres do Priorado de Sião, mas ele não teria se chamado um rosacruciano porque o termo ainda não havia sido criado em seus dias.

Contudo, outros naquela lista não tiveram tal problema – tal como Johann Valentin Andraea (1586-1654), o teatrólogo alemão e poeta que havia sido um pastor luterano. Os Dossiês Secretos afirmam que ele foi o elmo do Priorado de 1637 a 1654, mas é mais amplamente aceito que ele próprio tenha escrito os Manifestos Rosacruzes ou ao menos que estivesse por trás deles. Adrea definitivamente escreveu o que foi essencialmente o Terceiro Manifesto, o Casamento Quimico do Cristão Rosacruz, em 1616, muitos anos antes dele ser dito ter se tornado o chefe do Priorado. Talvez fosse o seu papel como principal rosacruciano que lhe tenha assegurado o posto. Certamente parece que o tema do rosacrucianismo foi o fio comum que ligou todos os alegados quatro Grão Mestres cujo período de ofício se estendeu ao século XVII. Em um sentido, portanto, isto acrescenta credibilidade a lista, porque não foi senão na década de 1970 que Frances Yates tinha estabelecido a existência e a influência do legado rosacruciano. A sucessão rosacruciana entre os Grão Mestres do Priorado começou, ao menos, com Robert Fludd, o alquimista inglês cujo periodo de ofício foi 1595-1637. Fludd declarou que tentou achar os rosacrucianos depois de ler os manifestos deles mas fracassou.  Não obstante ele escreveu extensamente sobre o assunto e incorporou idéias dos Manifestos em seus próprios trabalhos extremanente influentes tais como Utriusque cosmihistoria (História de Dois Mundos) (1617). (Interessantemente o comentador oculto Lewis Spence notou que  Robert Fludd, escrevendo nos anos de 1630, usa ‘linguagem que ‘cheira’ fortemente a Livre Maçonaria’ e que ele organizou ’sua sociedade’ em graus).  Depois de Fludd veio o próprio Andrea, que foi Grão Mestre até sua morte em 1654, e ele por sua vez foi sucedido por Robert Boyle, o químico de Oxford. Até onde pode ser avaliado, Boyle nunca mencionou a palavra ‘rosacricuciano’ em seus escritos, mas eles mostram mais do que uma superficial familiaridade com os conteúdos do Manifesto. E quando ele fundou o que veio a ser a Real Sociedade sob o nome de Colégio Invisível, isto foi por si só uma ironica referência a descrição comum rosacruciana deles próprios como uma sociedade ‘invisível’. Então veio Isaac Newton, dito ter sido Grão Mestre do Priorado de 1691 a 1727. A muito conhecido ter praticado a alquimia, ele também possuia uma cópia da tradução inglesa dos Manifestos, embora haja evidência que ele reconheceu a história Rosacruz como o mito que era para ser. [Os comentadores esotéricos, ao menos, tem sempre entendido que isso nunca pretendeu ser tomado como verdade litaral]. É apenas recentemente que a completa extensão do envolvimento de Newton com o oculto foi reconhecida; mais de 10% de seus livros eram tratados alquímicos. Mais sigificativo talvez, ele também desenhou uma planta reconstituída do Templo de Salomão.

O rosacrucianismo também tinha uma forte ligação com o florescimento da Livre Maçonaria. Os dos mais iniciais conhecidos maçons livres – Elias Ashmole e o alquimista Sir Robert Moray – eram ligados ao movimento rosacruciano. Ashmole em particular era um conhecido rosacruciano, enquanto Moray, segundo Frances Yates, ‘provavelmente tenha feito mais do que qualquer outro indivíduo para encorajar a fundação da Real Sociedade. Há também várias referências na inicial literatura maçonica que explicitamente ligaram ‘os irmãos da Rosacruz’ com os Maços Livres, embora eles parecessem indicar que elas permanecessem sociedades relacionadas, mas distintas. A interligação entre o rosacrucianismo, a livre maçonaria, o hermeticismo e a alquimia – previamente dolorosamente reunidos por historiadores tais como Frances Yates, tem sido dramaticamente confirmada em anos recentes pela descoberta de uma coleção de documentos que ilustram a extensão em que tais movimentos e assuntos estavam integrados. Em 1984 Joy Hancox, um professor de música de Manchester, como um resultado de pesquisa da história da casa onde viveu, encontrou uma coleção de papéis, principalmente diagramas e projetos geométricos que haviam sido reunidos por John Byrom (1691-1763) e tinham sido guardados por seus descendentes, que não estavam cientes de sua importância. Estes papéis, dos quais há mais de 500, estão principalmente preocupados com a geometria sagrada e a arquitetura, e os símbolos herméticos, alquimicos, cabalisticos e maçonicos.

A importãncia da ‘Coleção Byrom’ é a luz que ela lança sobre o relacionamento entre estes assuntos, e sobre os indivíduos, o creme do estabelecimento intelectual e científico do dia – que estavam preocupados com eles. Byrom, uma figura principal no movimento Jacobita que se destinava a restaurar os Stuarts no trono inglês, era membro da Real Sociedade e um maçom livre. Ele fazia parte do ‘Cabala Club’, também conhecido como Sun Club, que se reunia em uma construção no pátio da Igreja de São Paulo que também foi o lar de uma das quatro lojas fundadoras da Grande Loja da Livre Maçonaria Inglesa. Sua revista revela que ele esteve em contacto com os principais intelectuais de seu tempo. O trabalho incorporado nesta coleção é desenhado de todas as sociedades e indivíduos que temos discutido acima, inclusive os rosacrucianos,  John Dee [com quem Byrom se relacionava pelo casamento], Robert Fludd, Robert Boyle e até mesmo Cavaleiros Templários. Isto inclui diagramas detalhando a sagrada geometria em numerosas construções de muitos períodos, e portanto mostrando a continuidade do conhecimento dos principios subjacentes a estas construções. Por exemplo, um diagrama mostra que o projeto da capela do Kings College de meados de século XV em Cambridge – uma das maiores estruturas góticas católicas construída neste país, era baseada na cabalística Árvore da Vida [uma conclusão que já havia sido alcançada por Nigel Pennick, uma autoridde em simbolismo esotérico]. O projeto da capela foi aparentemente derivado da catedral do século XIV em Albi, no Languedoc, previamente um dos centros cátaros. A coleção também inclui um diagrama da Temple Church em Londres, bem como outras construções templárias, novamente demonstrando que todas estas construções eram parte de uma continua tradição e que os membros das fraternidades rosacrucianas/maçonicas do século XVIII estavam cientes disso. A coleção Byrom também contém material referente ao Templo de Salomão e a Arca da Aliança. Se, como parece ser o caso, os maçons eram descendentes dos Templários, pode ser que os rosacrucianos também fossem da mesma linhagem? O próprio nome ‘rosacruz’ carrega uma potente sugestão destes cavaleiros com seu emblema de uma cruz com uma rosa. No Casamento Químico de Cristão Rosacruz a cruz vermelha no fundo branco é um tema recorrente, e seu trabalho em geral carrega fortes conotações com as histórias do Gral – e portanto os Templários. E a presença de material templário nos papéis predominantemente rosacrucianos de Byrom sugere que esta fraternidade e os maçons partilhem de uma origem comum. Contudo, conquanto os maçons fossem, e ainda são, uma organização definida com membros conhecidos e lugares onde se encontram, os rosacrucianos tem sido vistos como consideravelmente mais elusivos, ao ponto onde a palavra ‘rosacruciano’ é tomada para se referir a um ideal muito mais do que a uma descrição de afiliação – de fato, os próprios Manifestos se referem aos rosacrucianos como uma ’sociedade invisível’. Mas a primeira sociedade rosacruciana ‘concreta e visível’ foi a Ordem da Dourada e Rosea Cruz, fundada na Alemanha em 1710 por Sigmund Richter, cujo propósito primário era a pesquisa alquimica. Contudo, sessenta anos depois esta sociedade foi transformada em uma Loja Maçonica Templária de Estrita Observância, embora ainda mantivesse sua natureza alquímica. Nesta forma ela tem tido muitos membros influentes, incluindo Franz Anton Mesmer (1734-1815), o descobridor do ‘magnetismo animal’ [embora não, como é frequentemente afirmado, o pioneiro do hipnotismo]. O próprio fato de que uma sociedade rosacruciana possa se tornar tão rapidamente uma Loja Templária da Estrita Observância revela sua herança comum.

Depois de 1750 a história se torna desesperadamente enlameada. Onde uma vez há claras distinções ente maçons, rosacrucianos e organizações que afirmavam origens templárias, repentinamente todos estes grupos se tornam intimamente interligados para virtualmente parecerem o mesmo. Por exemplo, em algums formas de Livre Maçonaria, os iniciados tomam títulos tais como ‘Cavaleiro Templário’ e ‘Rosacruz’, e é impossível determinar se isso é assim por causa de haver uma genuina linha de descendência ou simplesmente porque os titulos tem um grandioso anel neles. Tem sido estimado que mais de 800 graus e rituais foram acrescentados a Livre Maçonaria entre 1700 e 1800. Tentativas de traçar uma linha direta de sucessão templária na Lvre Maçonaria e no Rosacrucianismo logo chegam a lástima por causa da enorme proliferação  de ritos e sistemas maçonicos. Isto é particularmente confuso porque em muitos casos é impossível estabelecer que sistems foram inovações do século XVIII e quais eram genuinamente mais antigos. Contudo, é possível encontrar um fio comum ente certos sistemas maçonicos que tem sido desautorizados ou rejeitados pela principal livre maçonaria. Há variações de livre maçonaria oculta que podem ser rastreadas a Estrita Observância do Barão von Hund e cujo desenvovimento ocorreu principalmente na França. A chave para isso é um sistema maçonico conhecido como Rito Escocês Retificado, que é especificamente dedicado aos estudos ocultos e coloca mais ressalte em suas origens Templárias. é também esta forma de Livre Maçonaria que tem elos mais estreitos com as sociedades rosacrucianas. O uso da palavra ‘templário’ tinha se tornado um problema para esta escola e maçonaria. Há um atrito entre seus membros e a corrente principal de maçons que oficialmente rejeita a sugestão de origens templárias – sendo especialmente irritada pela declaração de Hund de que ‘cada maçom é um templário’. Mais aborrecedor era a suspeita que eles atraiam das autoridades já que havia inúmeros rumores que os templários teinham um plano secreto de se vingar da monarquia francesa e do papado pela supressão de sua Ordem e a execução de Jacques de Molay. Por causa disso, uma convenção de Templaristas  Maçons foi realizada em Lyons ewm 1778, na qual o Rito Escocês Retificado foi criado,  com uma Ordem interior chamada Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa. Isto era, contudo, simplesmente um outro nome para Templário.

Uma influência importante da convenção de Lyons e subsequente esoterismo francês, foi o filósofo oculto  Louis Claude de Saint-Martin (1743-1804). Embora ele pareça ter se dedicado ao celibato, seus centros de filosofia  sobre uma veneração do Feminino  na forma de Sophia, que ele via como ‘a forma feminina do Grande Arquiteto’. O Martinismo foi a mais influente filosofia oculta não somente sobre estas formas de maçonaria oculta mas também nas sociedades roscrucianas da França do século XIX, que discutiremos completamente no próximo capítulo. Uns poucos anos depois da reunião em Lyons, em 1782, uma outra grande conferência maçonica, desta vez com representantes de todos os grupos maçonicos pela Europa, foi realizada em  Wilhelmsbad em Hessen sob a presidência do Duque de Brunswick. Seu próposito era curar as profundas divisões dentro da maçonaria ao estabelecer de uma vez por todas a questão do relacionamento entre a maçonaria livre e os cavaleiros templários. A consequência foi uma humilhação para o Barão von Hund que veio para defender o caso dos templários, e foi efetivamente o fim da Estrita Observância Templária. Contudo, os Templaristas venceram uma Batalha: a convenção concordou em aceitar o Rito Escocês Retificado, que era exatamente a Estrita Observância sob um outro nome.  Também importante na Livre Maçonaria Oculta são os sistemas conhecidos como ‘Ritos Egípcios’, que eram para assumir importância em nossa investigação mais tarde. Contudo, todos eles derivavam da amada Estrita Observância de von Hund  e estão para sempre ligados estreitamente ao Rito Escocês Retificado. Contrário a imagem usual da Livre Maçonaria, eles colocam uma ênfase especial no Feminino [ algumas formas incluem lojas ativamente femininas] Todos os maçons reverenciam  o misterioso ‘filho da viúva’. Nos Ritos Egípcios, a viúva é Isis. O Priorado de Sião com sua própria ênfase reconhecida em Isis, afima que isso começou no círculo interno da Ordem Templária, e naturalmente se desenvolveu com o passar dos anos e adquiriu outras associações esotéricas, algumas das quais são elas próprias significativas. Uma maior influência parece ter sido Jacques-Étienne Marconis de Nègre (1795-1865), que fundou um dos Ritos Egípcios da oculta maçonaria livre em 1838, conhecido como Rito de Memphis. Este também, é afirmado descender da tradição templarista de von Hund. Marconis de Négre sublinhou um elaborado ‘mito de fundação’ para sua organização, fazendo a usual grandiosa afirmação que o rito remonta a antiguidade, a um grupo chamado A Sociedade dos Irmãos Rosacrucianos do Oriente. Este por sua vez havia sido fundado por um sacerdote de uma antiga religião egípcia chamada Ormus, que foi convertida ao cristianismo por São Marcos, e cujos discípulos incluiam membros dos Essênios. O mito de Ormus sugere quatro influências: rosacruciana, egípcia, esoterismo judaico tal como a cabala [os essênios eram acreditado, certa ou erroneamente, terem sido cabalistas] e cristão, talvez de um tipo herético. O que realmente nos interessou sobre este mito foi que, como o saberão os leitores de ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, o Priorado de Sião tomou o nome de Ormus como seu sub-título. E iriamos mais tarde aprender que a história de Ormus primeiramente apareceu em conexão com a Ordem da Dourada e Rosea Cruz quando ela se tornou uma Loja Templária da Estrita Observância em 1770. Mas, como devemos ver, a história por trás disso tem implicações de muito maior alcance no que diga respeito a esta investigação.

Não surpreendentemente, talvez, há sociedades que afirmam serem os oficiais sucessores dos Templários. A maioria delas podem ser facilmente descartada, embora a Antiga e Militar Ordem do Templo de Jerusalém faz um caso persuasivo a ser seriamente considerado. Hoje ela é baseada em Portugal, onde afirma se concentrar em trabalho caritativo e pesquisa histórica,  embora haja um grupo dissidente que opera sob o nome evocativo de Sião na Suíça. Mas suas origens, em sua forma ressurrecta, foram na França. Ela foi fundada em 1804 por um doutor com o sonoro nome de Bernard Raymond Fareé-Palaprat, que ele recebeu sua autoridade da Carta de Direitos de Transmissão de Larmenius, geralmente conhecida como Carta de Larmenius. Se verdadeiro, isto iria um logo caminho na direção de estabelecer que Fabré-Palaprat fosse de fato da verdadeira linha templária, porque esta carta afirmava ter sido escrita em 1324 por Johannes Marcus Larmenius, que tinha sido indicado como Grão Mestre pelo próprio Jacques de Molay. O pergaminho alegadamente tem as assinaturas de todos subsequentes Grão Mestres da Ordem, o que é importante porque, depois da execução de Jacques de Molay,  supostamente não deveria existir algum. Previsivelmente, os historiadores tem descartado a Carta como uma falsificação. Até mesmo os escitores mais de mente aberta como Baigent e Leigh concordam que isso fosse uma farsa. Mas geralmente os críticos realmente não a viram, basendo suas conjecturas em uma tradução do século XIX do original em Latim. [o documento foi escrito em Latim que tem sido traduzido em um código baseado na geometria da cruz templária]. Uma das razões para que o documento seja descartado como fraude é que o latim seja bom demais para aquele tempo – o latim medieval sendo notoriamente casual – mas de fato o tradutor tinha corrigido a gramática. Os críticos também descartaram a lista de declarações dos Grão Mestres por causa da forma das palavras de cada um é exatamente a mesma, algo que seria altamente improvável durante o périodo compreendido entre 1324-1804. Mas novamente isto é simplesmente porque o tradutor os padronizou: ‘no original eles são todos diferentes’. Então as duas principais razões para rejeitar a Carta de Larmenius de fato, não se sustentam. Uma outra razão pela qual a Carta tem sido criticada é que ela contém uma fulminação contra os ‘desertores templários escoceses’ que avalia Larmenius, devem ser ‘amaldoçoados por um anátema’ [juntamente com os Cavaleiros Hospitalários]. Assumindo que estes cismáticos eram os maçons da Estrita Obervância do Barão von Hund, os historiadores tomam isso como sendo prova que a Carta era uma fraude – porque eles acreditavam que o Barão inventou a ‘transmissão escocesa’ por volta de 1750. Mas se ele estava dizendo a verdade sobre as origens reais dos maçons livres, emerge uma imagem completamente diferente. De fato a Antiga e Militar Ordem do Templo afirma que a carta tinha estado em existência ao menos cem anos antes de Fabré-Palaprat a tornar pública, quando Philippe, Duque de Orléans – mais tarde o regente da França-, a usou como sua autoridade para reunir um assembléia em Versailles de membros do Templo. Se isto é verdade, então este evento foi ele próprio evidência de um continuada presença templária na Europa. [Foi este mesmo Duque de Orleans que iniciou o Cavaleiro Ramsay na Ordem de São Lázaro]. Além da Carta de Larmenius, Fabré-Palaprat possuia um outro documento importante – que também sido descartado de antemão pela maioria dos comentadores. Este era o Levitikon – uma versão do Evangelho de João com claras implicações Gnósticas – que ele afirmava haver encontrado em uma livraria de livros usados. Mais uma vez, isso parece natural demais, mas se o documento é autêntico, ele lança alguma luz sobre as razões reais de guardar grande parte do conhecimento secreto. Porque o Levitikon, uma versão do Evangelho de São João que alguns datam tão longe quanto do século XI, conta uma história muito diferente daquela encontrada no livro do Novo Testamento de mesmo nome e mais familiar.

Fabré-Palaprat usou o Levitikon como base para a fundação de sua Igreja Joanita Neo-Templária em Paris em 1828, na qual seus seguidores eram iniciados no curso devido, e depois de sua morte dez anos mais tarde, Sir William Sydney Smith, o herói das guerras Napoleonicas e maçom livre de alto escalão, o tomou dele. O Levitikon, que tinha sido traduzido do latim para o grego, e consiste em duas partes. A primeira contém as doutrinas religiosas que são para serem dadas ao iniciado, inclusive rituais concernentes aos nove graus da Ordem Templária. Ele descreve a ‘Igreja de João Templária’ e explica o fato deles próprios se chamarem Joanitas ou ‘cristãos originais’. A segunda parte é como o Evangelho de João padrão, exceto por algumas importantes omissões. Estão faltando os capítulos 20 e 21, os últimos dois do Evangelho. E também elimina todas as pistas do miraculoso das histórias de transformar a água em vinho, os pães e os peixes, e a ressurreição de Lázaro. E certas referências a São Pedro são excluídas, incluindo a história de Jesus ter dito “Sobre esta rocha construirei minha igreja”. Mas se isto é mais intrigante, o Levitikon também contém material surpreendente, até mesmo chocante: Jesus é apresentado como tendo sido um iniciado nos mistérios de Osiris, o maior deus egípcio de seus dias.

Osiris era o consorte de sua irmã, a bela deusa Isis que governava o amor, a cura e a magia – entre muitos outros atributos. [Embora desgostoso por um tal relacionamento incestuoso no que nos possa significar em nossos dias, isto era parte da tradição faraonica e pareceria perfeitamente normal para qualquer venerador no antigo Egito]. O irmão deles Set queria Isis para ele próprio, e tramou matar Osiris. Este último foi surpreendido pelos partidários de Set que desmembraram seu corpo e espalharam seus restos. Lamentando horrivelmente, Isis vagou pelo mundo procurando por eles, sendo auxiliada em sua busca pela deusa Nepthys, esposa de Set, que desaprovava o crime dele. As duas deusas encontraram todas as partes do copo de Osis exceto seu falo [pênis]. Reunindo-as Isis usou um falo artificial com o qual ela magicamente concebeu Horus, seu filho. Em algumas versões da história ela então teve um caso com Set, embora os motivos dela não pareçam claros, parece haver um elemento de vingança envolvido neste relacionamento. Horus, agora um jovem homem, ficou furioso por esta união, que ele percebia como traindo a memória de seu pai Osiris, e então ele teve um duelo com Set que resultou na morte deste último e o deixou apenas com um olho. Ele foi curado e o Olho de Horus passou a ser o favorito talismã mágico do Egito.

O Levitikon, além de fazer a declaração extraordinária que Jesus era um iniciado de Osiris, também afirmou que ele transmitiu o conhecimento esoterico a seu discípulo, João o Amado. Ele também afirma que Paulo e os outros apóstolos podem ter fundado a Igreja Cristã, mas eles assim o fizeram sem qualquer conhecimento do verdadeiro ensinamento de Jesus. Ele não faziam parte de seu círculo interno. Segundo Fabré-Palaprat, foram os ensinamentos secretos, como dados a João O Amado, que tinham sido preservados e eventualmente influenciado os Cavaleiros Templários. O Levitikon registra uma tradição que alegadamente tem passado por gerações e uma seita, ou igreja, de cristãos Joanitas no Oriente Médio. Eles afirmam terem sido os herdeiros do conhecimento secreto e da verdadeira história de Jesus, a quem eles se referem como  ‘Yeshu o Ungido’. De fato, se tal seita existia, a versão dela da história de Jesus é tão não ortodoxa que pode-se imaginar porque eles se chamaram de cristãos afinal. Para eles, Jesus não apenas era um iniciado de Osiris, mas era meramente um homem, não o Filho de Deus. Sobretudo, ele era o filho ilegítimo de Maria, e não há a questão do nascimento virgem. Eles atribuiram todas tais afirmações a uma engenhosa e ultrajante história cobertura que os escritores dos Evangelhos haviam inventado para obscurecer a ilegitimidade de Jesus, e que de fato sua mãe não tinha idéia da identidade de seu pai! A seita Joanita reconheceu que o título “Cristo’ não era único de Jesus; o original grego Christos significa meramente ‘ungido’, um termo que pode ter sido aplicado a muitos, inclusive a reis e oficiais romanos. Consequentemente, os líderes Joanitas eles próprios sempre tomam o título de Cristo [Significativamente, o Evangelho de Felipe do Nag Hammadi aplica o termo 'cristo' a todos os iniciados gnósticos]. O grupo foi dito ser uma seita gnóstica que preservou vários conhecimentos esotéricos, inclusive aqueles da Cabala. E eles também conceberam um plano para se tornarem uma organização secreta que [nas palavras do escritor do século XIX  Éliphas Lévi] ‘teria o propósito de ser o único repositório dos grandes segredos religiosos e sociais, que devem fazer Reis e Pontífices, sem expor isto a corrupção do poder; isto é, uma organização de mistério que não estaria sujeita aos caprichos e incertezas das mudanças políticas e sociais com o passar dos anos. O instrumento deles era para serem os Templários  e  Hugues de Payens e os outros cavaleiros fundadores eram, de fato, iniciados Joanitas. Contudo, os próprios templários se tornaram corruptos por seu amor a riqueza e ao poder, e foram eventualmente suprimidos. O rei francês e o Papa não podiam deixar que a real natureza da ameaça dos templários se tornasse conhecida, então eles criaram as acusações de idolatria, heresia e imoralidade. Mas antes de sua execução, Jacques de Molay, novamente nas palavras de Levi, ‘organizou e instituiu a Maçonaria Oculta’. Se verdadeira, esta avaliação por sí só altera significativamente a versão aceita da história. Ela fornece a ligação direta e autoritária entre um tipo de Livre Maçonaria e os velhos Templários – e portanto pode muito bem se seguir que estes maçons em particular tenham algo a nos ensinar sobre o conhecimento templário.

Como temos visto, Éliphas Lévi devota uma seção de sua ‘History of Magic’ a tradição Joanita como descrita no Levitikon. Primeiro lemos isto na tradução inglesa de  A.E. Waite, mas então encontramos uma outra tradução desta seção em particular em um trabalho de Albert Pike, o erudito sábio maçonico e Grão Mestre do Antigo Rito Escocês na América, Moral e Dogma do Antigo Rito Escocês da Livre Maçonaria  (1871). Esta versão tem várias diferenças – mas qual delas era autentica? Examinamos com o original francês do trabalho de Levi e descobrimos que Pike tinha feito certas adições ou correções suas próprias, presumidamente baseado em seu próprio entendimento desta tradição. Por exemplo, ele considera a última parte daquela sentença histórica citada acima como ‘Oculta, Hermética ou Maçonica Escocesa’. Ele também corrige as palavras de Levi a respeito de uma ligação entre os Templários Joanitas e os Rosacrucianos. Levi escreve [na fiel tradução de  A.E. Waite]: ‘Os sucessores dos velhos Rosacrucianos, modificando pouco a pouco os métodos austeros e hierárquicos de seus precursores na iniciação, tinham se tornado uma seita mística e tinham abraçado zelosamente as doutrinas mágicas templárias, como um resultado do que eles se viam como os únicos depositários [sic] dos segredos intimados pelo Evangelho segundo São João.’ Pike, de forma impressionante, emenda a parte vitalizada disto para se ler: ‘e tinha se unido com muitos dos templários, o dogma dos dois se intermesclaram’. As mudanças de Pike são importantes porque, apesar de que Levi fosse um observador e comentador do mundo oculto e maçonico, e em alguma extensão um externo, Pike era muito mais um interno. Ele viu apropriado corrigir a versão de Levi, de forma que ao invés de falar dos rosacrucianos adotarem as ‘doutrinas templárias’ Pike tinha realmente as unido com os sobreviventes grupos templários. Mas a emenda mais importante de Pike é algo inteiramente novo. Depois da sentença sobre a instigação de Jacques de Molay para o ‘Oculto, Hermético ou  Maçonico Escocês’ Pike acrescenta que esta ordem: adotou São João Evangelista como um de seus patronos, associado-se a ele, para não levantar suspeitas de Roma. São João Batista. Isto é curioso, para dizer o mínimo. Vendo ambos João Evangelista e João Batista serem reconhecidos como santos católicos, porque deve a veneração de um  ser necessária para a cobertura da reverência dedicada ao outro? Ainda que Pike, o mais erudito dos sábios maçonicos, não seja provável ter inserido a informação sem qualquer boa razão na reprodução das passagens do livro de uma outra pessoa. Claramente, precisamos nos aprofundar posteriormente neste tema Joanita dentro da tradição maçonica. Como temos visto no último capítulo, A.E. Waite tinha se referido a tradição Joanita que tinha influenciado as histórias do Gral, o que de inicio pareceu completamente mistificante. Agora, contudo, isto estava começando a fazer sentido: claramente a ‘tradição Joanita’ está de algum modo ligada ou com João Evangelista ou com João Batista. Este fio subjacente, de fato, não é novo nesta investigação.

A ‘tradição Joanita’ com seu claro link com um São João é também central ao Priorado de Sião – e para eles, como temos discernido, é João Batista que é proeminente. Como vimos no capítulo Dois, o Priorado declara que Godfroi de Bouillon se encontrou com representantes de uma misteriosa ‘Igreja de João’ – em outras palavras, os Irmãos de Ormus – e como um resultado desse encontro decidiram formar um ‘governo secreto’. Os Cavaleiros Templários e o Priorado de Sião foram devidamente criados como parte deste plano mestre. Não pode ser super enfatizado que, ao menos segundo esta história, tanto o Priorado quanto os Templários foram criados para se conformarem aos ideais desta misteriosa Igreja de João. Fora alguns detalhes menores, esta história é idêntica aquela no Levitikon, e se nada mais, isto ao menos estabelece que o moderno Priorado e os Templários eram parte da mesma tradição. O conceito dos Templários como uma organização secreta com a autoridade de fazer e de depor reis paraleliza aquela dos Cavaleiros Templários do Gral de Wolfram von Eschenbach em Parzival – certamente há evidência que os Templários reclamaram este direito. O problema é que a maioria destas afirmações exóticas por um longo pedigreee histórico apenas remontam a organizações neo-templárias do século XIX. Mas elas podem sustentar água se elas possam ser corroboradas por evidência independente ligando os movimentos deles com organizações que existiam definitivamente séculos antes, tal como a ligação maçonica-rosacruciana. Uma outra dificuldade é que duas afirmações diferentes estão sendo feitas: uma é a de que certas formas de Livre Maçonaria são diretamente descendentes dos Templários. A outra é que os próprios Templários eram uma continuação de uma tradição mais antiga e herética que remonta ao tempo de Jesus. Infelizmente, testar a primeira não significa automaticamente que a segunda seja verdadeira.

Mas a ênfase na versão idiossincrásica do Evangelho de João é provocante, embora pareça haver alguma confusão entre João Evangelista e João Batista.  A declaração de Albert Pike que os maçons adotaram Batista como uma cobertura para sua veneração secreta de João Evangelista é, como temos visto, sem sentido. Porque eles deveriam querer ocultar sua veneração por um santo quando ambos eram perfeitamente aceitáveis para a Igreja? Tudo que Pike tem alcançado ao fazer isso é chamar atenção para os dois santos João e envolve-los em uma aura de mistério e intriga. Talvez fosse esta a intenção dele. Em outros lugares A.E. Waite cita escritos maçonicos sobre a Maçonaria Joanita que afirma ter uma ligação com a cristandade Joanita centrada em Batista e que o vê como ‘o único profeta’. Como temos visto, João Batista foi o santo patrono de ambos: templários e maçons. De fato, a Grande Loja da Inglaterra foi fundada em 24 de junho, dia de São João Batista. E o chão de todos os templos maçonicos tem duas linhas paralelas: uma representa o bastão de São João Evangelista [ João, o Discípulo Amado] enquanto que a outra linha representa o bastão de Batista. Claramente ambos são de especial importãncia para a fraternidade, embora seja o mais velho que tome a precedência. Sobretudo o juramento maçonico é aos ’sagrados santos João’. Mas os maçons hoje, em sua admissão não tem idéia de porque os dois João são tão venerados. Pode ser que ambos carateres bíblicos tenham se tornado confusos com o passar dos anos, e que o termo Joanita, quanto tomado para significar os seguidores do amado, possa realmente se referir a aqueles de Batista. Mas seja o João mais velho ou o mais novo, ou ambos, que seja reverenciado pelos maçons, há um nome que é evidente por sua virtual ausência nas lojas: Jesus, ele próprio, não figura grandemente. Alegadamente isto seja porque os maçons não sejam uma organização primariamente cristã; é suficiente ser um ateu para se unir a suas fileiras. Mas porque neste caso eles devam tanta fidelidade aos santos João? A idéia de que o Evangelho de João esconda segredos arcanos, ou que haja uma outra versão dele, recorre em toda esta investigação. Os cátaros são ditos terem tido uma alternativa herética, e Sir Isaac Newton era obcecado por isso. [Como escreve Graham Hancock: ‘a despeito de suas convições religiosas devotamente mantidas, ele parecia as vezes ter visto Cristo como um homem especialmente dotado - muito mais do que o Filho de Deus']. Então os Maçons do Rito Escocês e os Templários da Transmissão de Larmenius podem bem terem preservado os originais segredos templários, e ambos remontarem os Templários à seita Joanita.

Embora não haja nada abertamente Joanita nos Ritos Egípcios da Livre Maçonaria, estes sistemas todos derivam da Estrita Obsrevância Templária do Barão de von Hund. E o Priorado de Sião se liga com todos os três destes sistemas. Como temos visto, Pierre Plantard de Saint-Clair tem descrito o propósito da Ordem do Templo como sendo ‘ os sustentadores da espada da Igreja de João e os sustentadores do estandarte da primeira dinastia, os braços e armas que obedeciam ao espírito de Sião’. A  consequência deste grande plano era para ser o ‘renascimento espiritual’ que ‘viraria a cristandade de cabeça para baixo’. Claramente, isso não aconteceu, ainda que, embora nossas investigações mostrem que a revelação possa levar a uma tal revolução que já está esperando nas asas para fazer um aparecimento dramático em um estágio mundial, talvez na forma do Priorado ou de uma aliada escola de mistério tal como os Joanitas. Mas em qualquer caso, temos chegado a coisa mais notável: tinhamos começado com a aparente obsessão de Leonardo por São João Batista e então seguimos a ligeira pista que o Priorado de Sião estava de alguma forma igualmente envolvido com este santo. Neste estágio, isso não somava muita coisa, mas na medida em que seguiamos as pistas dos Templários aos Maçons e então a grupos ocultos, uma ligação muito mais persuasiva tomou forma diante de nossos olhos. A heresia Joanita está lá sob as várias armadilhas do subterrâneo oculto – e é a esta tradição que o Priorado, por sua própria admissão, pertence. Embora muitas perguntas maiores ainda permaneçam a serem respondidas, uma imagem coerente estava começando a emergir, uma que de algum modo ligava João Batista com uma intrincada tradição oculta. Ainda que isso fosse apenas parte do que estava emergindo como uma heresia de duas pontas, a outra sendo a secreta veneração a deusa, o princípio Feminino. De fato a última meada é difícil de reconciliar com as formas externas de organizações tais como a dos Maçons, que parecem ser excepcionalmente masculino orientadas. Mas claramente os segredos por trás destes dois fios – o feminino e os temas Joanitas – são dignos de terem, porque eles tem sido defendidos, guardados e protegidos contra todas as probabilidades, e parecem ter provocado uma particular hostilidade da Igreja de Roma. Não é surpreendente, para o segundo fio dos antigos segredos esotéricos – a veneração do princípio feminino, ter tomado a forma de transcedental magia sexual, com todas as suas implicações de inerente poder da femea.

CAPÍTULO SETE
O SEXO: O ÚLTIMO SACRAMENTO

Os velhos textos alquímicos estão cheios de confuso e elaborado conjunto de imagens – assim deliberadamente, porque eles pretendiam desencorajar os não iniciados de descobrirem seus segredos. Como temos visto, contudo, a alquimia estava preocupada em seu mais profundo nível com a transformação pessoal, espiritual e sexual e seus segredos relativos a técnicas para alcançar este ‘Grande Trabalho’. De fato, ao reconhecer as profundas preocupações não materiais e sexuais da alquimia, o psicólogo C.G. Jung viu isto como o precursor da psicanálise, Como temos visto, o ‘Grande Trabalho’ era uma rara experiência transformadora da vida e ninguém sabe com certeza exatamente qual a forma que isto tomava. Contudo, Nicholas Flamel (alegado Grão Mestre do Priorado de Sião), que alcançou este premio brilhante em 17 de janeiro de 1382 em Paris, ressaltou que ele assim o fez em companhia de sua esposa, Perenelle. Parece que eles eram um casal especialmente devotado: ela parece ter sido uma alquimista como tantas mulheres eram, em segredo. Mas Flamel enfatizou a presença dela naquele dia fatídico como uma pista sobre a verdadeira natureza do Grande Trabalho? Há uma sugestão de que isto tenha tomado a forma de algum rito sexual de algum tipo? Não há dúvida da existência de ao menos um componente sexual na prática da alquimia, como revela o clássico texto alquímico ‘The Crowne of Nature’, citado na Alquimia de Johannes Fabricius: ‘Oh dama de pele branca, amantemente unida ao seu marido ruborizado em sua extremidades, envolvidos um nos braços do outro na benção da união conjugal. Una e dissolva na medida em que eles venham a meta da perfeição: Eles são dois feito um, como se fossem um só corpo.’ Significativamente, há duas disciplinas orientais que enfatizam a transcendência religiosa e espiritual da sexualidade: o Tanta hindu e o Taoismo chinês. Ambos são antigos e grandemente respeitados em suas culturas; ressaltam o potencial de certas práticas sexuais para alcançar a consciência mística, a regeneração física e a longevidade, e a unidade com Deus. Muito disso é amplamente conhecido hoje, mas o que não é reconhecido além dos grupos de iniciados é que há, surpreendentemente, um ramo alquímico do Tantra e do Taoismo. Como devemos ver, isto se encaixa com a verdadeira natureza d alquimia ocidental. Por exemplo, no Tantrismo, a terminologia ‘química’ é compreendida representar práticas sexuais. Como diz o escritor oculto Benjamin Walker em ‘Man, Myth & Magic’ : Embora ostensivamente preocupada com a transformação de metais base em ouro, e com os vasos, implementos e aparatos de comércio e movimentos rituais do alquimista em sua sala de trabalho, esta alquimia realmente tomar lugar dentro do próprio corpo.’ A ironia é que os elementos sexuais da alquimia ocidental tem sido geralmente tomados como uma metáfora para processos químicos! Como observa  Brian Innes em seu artigo ‘The Unexplained on the Tantric and Taoist sexual alchemy’: A estreita similaridade do conjunto de imagens – e as substâncias usadas – na alquimia em todas estas culturas é surpreendente. Uma maior diferença é igualmente surpreendente: a alquimica européia medieval não parece ter tido qualquer base explícita sexual. Houve, contudo, uma vasta diferença entre as imagens públicas e níveis de aceitabilidade entre o Oriente e o Ocidente. Na China e na Índia ela não é uma ciência proibida, e as atitudes quanto ao sexo não são tão neuróticas e reprimidas quanto elas foram na Europa; portanto ela pode ser mais aberta e honesta sobre seu trabalho.

Recentemente ‘a sexualidade sagrada’ tem sido ‘descoberta’ pelo Ocidente. Esta é essencialmente a idéia de que a sexualidade é o mais alto sacramento, conferindo não apenas felicidade mas também a unidade com o Divino e o Universo. O sexo é como uma ponte entre o céu e a terra, trazendo a libertação de uma enorme energia criativa, além de revitalizar os amantes de um modo único – até mesmo abaixo de seu nível celular. Conhecer a sexualidade sagrada significa que os velhos textos alquímicos podem, no mínimo, serem completamente compreendidos no Ocidente, embora [como usual] sejam os pesquisadores franceses os mais voluntários em explorar este aspecto deles. Dos poucos escritores anglo-saxões que não tem se afastado tímidos do assunto, A. T. Mann e Jane Lyle dizem em seu livro de 1995 ‘Sacred Sexuality’ : ‘É difícil duvidar que os ensinamentos alquímicos escondessem segredos mágicos sexuais que estavam estreitamente aliados ao conhecimento tantrico. Por causa de sua complexidade e diversidade, a alquimia certamente ocultou outros mistérios em alegoria poética que somente a mente do iniciado seria capaz de penetrar.’ Um dos muitos escritores franceses sobre o assunto, André Nataf, diz: ‘o segredo que a maioria dos alquimistas buscava era um erótico – a alquimia era simplesmente a conquista de amor, uma liga do erótico e espiritual.’ O Tantrismo e o Taoismo tem, com certeza, a muito sido reconhecidos como condutos da tradição oriental da sexualidade sagrada, mas não tem havido uma tradição tão nítida e facilmente traçavel no Ocidente – a menos que ela fosse simplesmente conhecida como alquimia. O conjunto de imagens sexuais dos textos alquimicos  aparecem claramente demais para esta idade pós-freudiana:  a Lua diz a seu esposo, o Sol: “Oh Sol nada fazes sozinho se não estou presente com a minha força, como um galo é impotente sem uma galinha’. Os experimentos químicos tomam a forma de ‘casamentos’ ou ‘copulações’, exatamente como o tratado de Johann Valentin Andraea foi chamado O Casamento Quimico. De fato, isso pode simplesmente ser que tal conjunto de imagens seja o que disse ser: uma ‘copulação’ sendo exatamente isso, e não há segredo oculto no simbolismo alquímico. Contudo, as palavras foram cuidadosamente escolhidas para reunir um significado tanto sexual quanto químico.

Essencialmente os textos alquímicos contêm lições de magia sexual e química ao mesmo tempo. Talvez curiosamente, dado o óbvio tom sexual de grande parte do trabalho, a idéia histórica padrão da alquimia era a de que ela fosse meramente química, e que todo o simbolismo fosse meramente fantasioso. A razão para isto foi que até que os mistérios orientais fossem mais amplamente conhecidos, não havia uma estrutura na qual estabelecer a inteira idéia da alquimia sexual. Agora, contudo, não temos tal problema, e este conceito rapidamente está ganhando reconhecimento. Barbara G. Walker toma o significado subjacente da alquimia: Algum deste segredo é distribuido pela preponderância do simbolismo sexual na literatura alquímica. ‘A copulação de Atena e Hermes’ pode significar misturar enxofre e mercúrio em um destilador; ou pode ser o o trabalho ’sexual’ do alquimista e sua amada-amante. As ilutrações nos livros alquímicos sugeriram o misticismo sexual mais frequentemento do que não. Mercúrio ou Hermes era o herói alquímico que fertilizava o Vaso Sagrado, uma esfera como um útero ou ovo, do quem era para nascer o filius philosophorum. Este vaso pode ter sido real, um frasco de laboratório ou destilador, mais frequentemente pareceu ser um símbolo místico. O Diadema Real de sua prole é dito aparecer em  menstro meretricis , ‘no sangue menstrual de uma prostituta’ que pode ter sido a Grande Prostituta, um epíteto antigo da Deusa. (Walker, contudo, perde o ponto, quando ela vai a sugerir que na busca do vas hermeticum – o Vaso de Hermes – eles o identificaram com o vas spirituale , o vaso espiritual ou útero, da Virgem Maria. Porque outra Maria é apresentada rotineiramente como carregando um vaso ou jarra? Mais uma vez encontramos a Virgem Maria como uma cobertura para o culto secreto de Madalena).

Hoje frequentemente falamos de ‘química sexual’ mas para o alquimista isto tinha um significado mais profundo do que a idéia da atração imediata. Na revista francesa esotérica L’Originel, Denis Labouré, a autoridade oculta, discute a noção de alquimia interna como oposta a metálica e é paralela ao Tantrismo, mas insiste que isto é parte de uma ‘tradicional hrança ocidental’. Ele diz; Se a alquima interna é bem conhecida no Taoismo e no Tantrismo, os contrangimentos históricos [isto é, a Igreja] tem obrigado os autores ocidentais  a fazer uso da maior prudência. Não obstante, certos textos fazem clara alusão a esta alquimia. Ele então continua para citar um tratado de Cesare della Riviera, datado de 1605, e acrescenta: Na Europa, os traços destes antigos rituais [sexuais] passam pelas escolas Gnósticas, as correntes alquímicas e cabalisticas da Idade Média e da Renascença, onde numerosos textos alquímicos podem ser lidos em dois níveis – até que os encontramos novamente nas organizações ocultas formadas e organizadas, principalmente na Alemanha, no século XVII. De fato, o uso de simbolismo metalúrgico remonta a própria iniciação da alquimia nos primeiros três séculos de Alexandria. As metáforas metalúrgicas para o sexo são encontradas nos encantamentos mágicos egípcios: os alquimistas simplesmente adotaram o conjunto de imagens. Este é o mesmo exemplo  de um encantamento egípcio de amor atribuido a Hermes Trismegistus, datando de ao menos o século I, que se centra na forja simbólica da espada: ‘Traga isto [a espada] para mim, temperada com o sangue de Osiris, e a coloque na mão de Isis – tudo que forja neste fogão de fogo – respire isso também ao coração e ao fígado, nos lombos e barriga de [nome de mulher]. Leve-a a casa de [nome de homem] e deixe que ela dê a mão dele o que está na mão dela, para a boca dele o que esta em sua boca, e ao bastão dele o que está em seu útero.’ A alquimia como praticada pela rede subterrânea medieval originalmente tomou forma no Egito nos séculos iniciais da era cristã.

Isis desempenhva um importante papel na alquimia daquele tempo. Em um tratado, intitulado ‘Isis the Prophetess to her son Horus’, Isis conta como ela obteve os segredos da alquimia de um ‘anjo e profeta’ por meio de suas manobras femininas. Ela o encorajou a construir sua luxúria por ela até que ele não mais pudesse se conter, mas recusou-se a se entregar a ele até que ele lhe desse seus segredos – uma clara referência a natureza sexual da iniciação alquímica. [Isto recorda a história do Papa Silvestre II e Meridiana discutida no Capítulo Quatro, onde ele recebeu seu conhecimento alquímico através de fazer sexo com esta arquetípica figura feminina]. Um outro tratado inicial, atribuido a uma mulher alquimista chamada Cleopatra, uma iniciada da escola fundada pela legendária Maria A Judia, contém conjuntos de imagens explicitas sexuais: “Veja a realização da arte ao se reunirem a noiva e o noivo e neles se tornarem um’. Isto é surpreendemente similar a um contemporaneo texto gnóstico onde se lê: “Quando o homem atinge o supremo momento e a semente é lançada, naquele momento a mulher recebe a força do homem e o homem recebe a força da mulher.’ É por causa disso que o mistério da união corporal é praticado em segredo de forma que a conjunção da natureza não deva ser degradada ao ser vista por uma multitude que desprezaria o trabalho. Os textos alquímicos iniciais são saturados de simbolismo que aponta para técnicas secretas de sexualidade sagrada que eram provavelmente derivadas de um equivalente egípcio do Tentrismo e do Taoismo. A existência de uma tal tradição é revelada no conhecido como “Papiro Erótico de Turim’ [onde agora está guardado] que a muito tem sido visto como pornografia egípcia. Contudo, mais uma vez novamente esta reação é um exemplo primário do mal entendimento academico ocidental: o que é considerado pornográfico era de fato um ritual religioso. Alguns dos mais antigos ritos sagrados egípcios eram sexuais. Por exemplo, uma observância diária religiosa da parte do faraó e de sua consorte que provavelmente o envolveu sendo masturbado por ela. Esta era a reencenação simbólica da criação do deus Ptah do universo, que ele realizou por meios similares. O conjunto de imagens religiosas noa palácios e templos inequivocamente representavam este ato, ainda que ele seja considerado tão ultrajante pelos arqueologistas e historiadores que só recentemente sua importãncia tem sido reconhecida – e até mesmo assim, o assunto é ainda discutido em tons hesitantes e apologéticos. Claramente o ocidente tem um longo caminho a percorrer antes que pegue a total aceitação dos egípcios quanto ao sexo como um sacramento.  Esta relutancia em aceitar a importância do sexo para os antigos não é um fenomeno. Para os eruditos dos séculos I e II o assunto não era um problema, mas como nota Jack Lindsay, pelo século VII, o simbolismo sexual nos trabalhos alquímicos esta sendo tratado de ‘um modo oculto elusivo’. Então desde mesmo os seus inícios, a alquimia ocidental tinha uma forte lado sexual. Como realmente acreditaremos que pela Idade Média esta tradição profunda e influente tenha totalmente morrido?

Algumas das seitas iniciais gnósticas – como a dos Carpocratianos de Alexandria – praticavam ritos sexuais. Não surpreendentemente eles foram condenados como humilhados e desprezíveis pelos Pais da Igreja, e na ausencia de registros menos hostis não temos meio de saber exatamente que forma eles tomavam. Por toda história da Cristandade, seitas ‘heréticas’ encorporando uma atitude mais libertária ao sexo se dissiminaram, mas invariavelmente foram condenadas e suprimidas. Por exemplo, os Irmão e Irmã do Espírito Livre, também conhecidos como Adamitas, eram ditos praticarem um ’segredo sexual’ já nos séculos XIII e XIV. A filosofia dos Adamitas foi uma marcante influencia no tratado Schwester Katrei – que, como temos visto, inclui evidência de familiaridade com a apresentação de Maria Madalena nos Evangelhos Gnósticos – e a autora parece ter sido membro desta seita. Um outro grupo envolvido com o misticismo erótico – embora não conhecido como uma seita religiosa – eram os trovadores, estes famosos cantores do culto do amor no sudoeste da França, cujos equivalentes alemães eram os menestréis [minnesingers] – Minne sendo uma mulher idealizada ou deusa. O amor do cavaleiro por sua dama reflete uma devoção ao, e reverência por, o Principio Feminino. E o conteúdo dos poemas – uma mistura de ‘espiritualidade e carnalidade’ pode ser vista em uma série de pequeninas alusões veladas a sexualidade sagrada.

Até mesmo a academica Barbara Newman, ao resumir esta tradição, não pode escapar de usar uma linguagem aromática da sexualidade sagrada quando ela a descreve como: ‘um jogo erótico com uma surpreendente variedade de movimentos: pode-se ser a noiva de um deus ou o amante de uma deusa, ou se unir supremamente com o amado e se tornar um só divino.’ Muito da tradição do amor fidalgo envolve o entendimento de técnicas específicas, por exemplo, aquela de maithuna, a subtração deliberada do orgasmo para induzir sensações de benção e consciência mística. Como o poeta e autor britânico Peter Redgrove diz: É possivel traçar a inteira tradição do maithuna [a sexualidade visionária tântrica] na literatura do Romance. Os trovadores tomaram a rosa como seu símbolo, talvez porque seu nome [em francês como em inglês] seja um anagrama de Eros, o deus do amor erótico. Há também uma possibilidade que sua omnipresente ‘lady’ [dama] – ela que deve ser obedecida, se apenas de uma casta distância, era para significar um entendimento a nível esoterico como algo mais, como o nome alemão de minnesinger sugere. Esta dama arquetípica não pode ter sido a Virgem Maria, porque embora a rosa fosse amplamente pensada como símbolo dela na Idade Média, o culto dela não precisava se ocultar em códigos. Além disso, a flor mais descritiva das qualidades dela não é uma rosa erótica, mas o mais evocativo Lírio da Páscoa: belo mas austero, sem pistas de carnalidade.

Então quem mais podiam as músicas dos trovadores celebrar? Quem mais era uma deusa muito amada dos grupos heréticos daquele tempo? Quem mais senão Maria Madalena? As grandes janelas em rosas das catedrais góticas sempre se viram para o oeste – tradicionalmente a direção sagrada das deidades femininas e nunca estão longe de um templo de Madona Negra [Minha Senhora]. E, como temos visto, estas estátuas enigmáticas eram deusas pagãs com outras vestes, uma incorporação da velha celebração da sexualidade feminina. Fora a rosa sagrada, as catedrais goticas também continham outro conjunto de imagens pagãs – por exemplo, o simbolismo da teia de aranha/labirinto de Chartres e de outras catedrais é uma referência direta a Grande Deusa em sua manifestação como tecelã e senhora do destino do homem, mas muitas outra igrejas também contém uma hoste de imagens femininas. Algumas delas são tão gráficas que, uma vez elas sejam entendidas, os cristãos não podem se sentir os mesmos sobre suas igrejas novamente. Por exemplo, os grandes portais góticos, pelos quais gerações de cristãos tem passado tão inocentemente, são realmente representações da parte mais íntima da deusa. Dirigindo o venerador no interior escuro e como um útero da Mãe Igreja, eles eram entalhados com sulcos centralizados e mais do que frequentemente do que sempre carregam um tipo de botão como um clitoris no topo do arco. Uma vez lá dentro, aquele que vai a igreja [o frequentador] para na Pia da água benta, que frequentemente é representada como uma grande concha, simbólo da natividade da deusa, como Boticelli, alegado Grão Mestre do Priorado de Sião depois de Leonardo da Vinci, tão surpreentemente apressentou isso em seu ‘Nascimento de Venus’. [e a concha do cauri [um tipo de molusco] uma vez emblema  dos romeiros cristãos, é  reconhecida como sendo um símbolo clássico para a vulva].

Todos estes símbolos eram empregados deliberadamente pelos aderentes do Princípio Feminino e até mesmo embora eles se comuniquem em um nível subliminar, eles ainda tem um efeito desestabilizador no subconsciente. Reunidos à música ascendente, a luz de velas e a essencia de incenso, ninguém imagina o frequentador da igreja seja uma vez inspirado em tal fervor! Para os iniciados em mistérios, o Feminino era um conceito que era carnal, místico e religioso ao mesmo tempo. Sua energia e poder vinham de sua sexualidade e sua sabedoria – algumas vezes conhecida como a ’sabedoria da prostituta’, que veio do conhecimento da rosa, Eros. Como se dissesse ‘conhecimento é poder’, e os segredos desta natureza conferisseem um poder como nenhum outro, então eles ofereciam uma ameaça única à Igreja de Roma, e de fato a todos os matizes de opinião cristã. O sexo era, e em muitos casos ainda é, considerado apenas aceitável entre aqueles cujas uniões eram provavelmente resultar em procriação. Por esta razão, não há um conceito cristão de sexo por alegria apenas, sem falar da idéia, no Tantrismo ou na alquimia, que possa trazer iluminação espiritual. [e conquanto a Igreja católica notoriamente proiba a contracepção, outros grupos cristãos vão ainda mais longe: por exemplo, os Mormons proibem o sexo depois da menopausa]. O que todas estas regras inibitórias realmente se referem, contudo, é o controle sobre a mulher. Elas devem aprender a ver o sexo com apreensão, seja por causa disso ser sem alegria, dever marital e nada mais, ou porque isto leve inevitavelmente a dor do parto. Isto era central para o modo no qual as mulheres eram vistas pela Igreja e pelos homens em geral através dos séculos; se as mulheres tivesem que ter o medo do nascimento da criança removido delas, o caos indubitavelmente viria.

Um dos maiores motivos por trás das atrocidades da caça as bruxas era o ódio e o medo das parteiras, cujo conhecimento em aliviar a dor do nascimento era considerado uma ameaça a civilização decente: Kramer and Sprenger, autores do infame Malleus Maleficarum  – o livro de mão dos caçadores de feiticeiras europeus – particularmente escolheram as parteiras como merecedoras do pior tratamento possível disponível. O terror da sexualidade da mulher terminou com centenas de milhares de mortos, a maioria deles mulheres, durante o curso de três séculos dos julgamentos das feiticeiras.  Desde os dias misóginos dos Pais iniciais da Igreja, quando era até mesmo duvidado que as mulheres tivessem almas, tudo foi feito para faze-las sentirem-se profundamente inferiores em todos os níveis. Não apenas lhes era dito que elas eram naturalmente pecadoras, mas que elas também eram as maiores – e algumas vezes únicas – causa dos pecados do homem também. Ao sentir a luxúria de honesta a boa, os homens eram ensinados que eles estavam apenas reagindo aos truques diabólicos da mulher, que os enfeitiçava com atos que de outro modo eles não teriam considerado. Uma expressão extrema desta atitude pode ser encontrada na idéia medieval da Igreja que a mulher que era estuprada era responsável não apenas por provocar os atos contra ela, mas também  pela perda da alma do estuprador, pelo que ele teria que fazer reparação no Dia do Julgamento. Como escreve  R.E.L. Masters: Quase a inteira culpa para o hediondo pesadelo que foi a mania de feitiçaria e a maior parte da culpa de envenenar a vida sexual do ocidente, repousa certamente na Igreja Católico Romana. A Inquisição, que havia sido criada especialmente para lidar com os cátaros, assumiu facilmente seu novo papel como caçadora de bruxas, torturadora e assassina, embora também os protestantes fossem se unir a isso com gosto. Significativamente, o primeiro destes julgamentos aconteceu em Toulouse, a sede da Inquisição anti-cátara. Foi isto meramente a respeito de algum tipo de catarismo residual que levvou a este julgamento crucial ou foi um sintoma do medo que as mulheres languedocianas inspiravam nos Inquisidores obcecados por sexo? Subjacente ao ódio e medo das mulheres estava o conhecimento que elas tenham uma capacidade única de apreciar o sexo.

Os homens medievais podem não ter tido o benefício da educação anatomica de hoje, mas a investigação pessoal não pode ter falhado em revelar a existência daquele curioso órgão ameaçador, o clitoris. Aquela pequenina protuberância, tão sabiamente – se subliminarmente – celebrada como um botão de rosa no topo do arco gótico, é o único órgão humano cuja função única é a de dar prazer. As implicações disso são, e sempre tem sido, enormes, e estão no coração de toda supressão patriarcal por um lado, e todos os ritos sexuais tantricos e místicos pelo outro. O clitoris, que até mesmo agora dificilmente é considerado um assunto apropriado para discussão, revela o que a mulher era para singnificar ser sexualmente extasiada, talvez diferente do homem, cujo próprio equipamento sexual se duplica no propósito urinário e de procriação. Ainda que a tradição misógina do patriarcado judaico-cristão tenha sido tão bem sucedida que não foi senão no século XX que a noção da mulher desfrutar da própria sexualidade tenha se tornado aceitável no ocidente, e até mesmo agora este não é o caso no que diga respeito a Igreja. Conquanto seja verdade que a desigualdade sexual e o pudor não sejam o desenvolvimento exclusivo das três grandes religiões patriarcais [cristianismo, judaismo e islamismo], tem-se apenas que olhar os costumes de queima das esposas da Índia, não obstante a idéia de sexo seja inerentemente suja e vergonhosa na tradição ocidental. E seja onde for que esta atitude prevaleça sempre haverá um tipo de desejo reprimido e culpa que inevitavelmente dará aumento aos crimes contra a mulher, talvez até mesmo manias de bruxas. O background puritano do ocidente e seu ódio e medo do sexo tem trazido um terrível legado ao fim do milênio sob a forma do espancamento de esposas, pedofilia e estupro. Para sempre o sexo não merece confiança, o dar a luz e os filhos também são vistos como intrinsecamente sujos, e os mais jovens cairão presa da violência exatamente como as mães deles.

O Yahweh de certo modo contraditório e irascível do Velho Testamento criou Eva – e claramente viveu a lamentar isso. Quase tão logo ela ‘nasceu’ ela revelou a capacidade de pensar por ela própria que estava bem além daquela de Adão. Eva e a ’serpente’ fizeram uma equipe poderosa: isto dificilmente seja surpreendente porque serpentes eram antigos símbolos de Sophia, representando a sabedoria, não a perversidade. Mas Deus estava agradado que a mulher que ele criou mostrasse iniciativa e autonomia ao comer da árvore do Conhecimento, querendo aprender? Depois de revelar uma curiosa falta de previsão sobre as capacidades de Eva, especialmente para um onipotente e onisciente criador de universos, Deus a condena a uma vida de sofrimento, iniciando-se, deve-se notar, com a maldição de costurar [ porque ela e o indefeso Adão tiveram que fazer roupas de folhas de figueira para cobrir sua nudez]. Adão e Eva foram então apresentados a idéia da vergoha de seus corpos, e com certeza de sua sexualidade. Bizarramente, é dado a alguém entender que foi o próprio Deus que ficou horrorizado com a visão da carne nua que ele próprio criou. Este mito da mente simples tem fornecido uma retrospectiva em justificação para a degradação das mulheres, e desencorajou o alívio das agonias ginecologicas e do parto. Foi negado a mulher a voz por milhares de anos  e tem sido menosprezado, degradado e até mesmo demonizado o ato sexual, que deve ser alegre e mágico. Ele ter substituido por vergonha e culpa ao amor e ao extase, e tem inculcado um medo neurótico de um deus masculino que era aparentemente tão cheio de auto-ódio que ele desprezava até mesmo sua melhor criação – a humanidade. Porqe esta história venenosa tem se tornado o conceito do pecado original, que condena até mesmo recém nascidos inocentes ao purgatório; e tem, até recentemente, envolvido o assombroso milagre do nascimento em um pálio de embaraço e superstição, e tem removido o poder único da femea – que é, com certeza, o porque ele foi criado em primeiro lugar.

Embora ainda haja uma quantidade surpreendente de medo e de ignorância sobre o sexo em nossa cultura, os assuntos estão muito melhores agora do que estavam até mesmo a dez anos atrás. Vários maiores livros tem quebrado o novo solo – ou também o velho solo renovado. Entre eles estão ‘The Art of Sexual Ecstasy’ de Margo Anand (1990) e ‘Sacred Sexuality’ de A.T. Mann e Jane Lyle (1995), ambos os quais celebram o sexo como um meio de iluminação espiritual e transformação. Como temos visto, outras culturas não sofrem do mesmo problema [a menos que contaminadas pelo pensamento ocidental]. E em certas culturas o sexo era elevado até mesmo além de uma arte; era considerado ser um sacramento – algo que capacita os participantes de se tornarem um com o Divino. Esta é a razão de ser do Tantrismo, o sistema místico da união ccom os deuses por meio de técnicas sexuais tais como askarezza ou obter a benção sem orgasmo. O Tantrismo é a ‘arte marcial’ da prática sexual, envolvendo um longo treinamento atonitamente disciplinado de homens e mulheres, que são considerados iguais. A arte do Tantrismo, contudo, não é exclusiva do exotico mundo do Oriente. Hoje pode-se encontrar escolas de Tantra se espalhando em Londres, Paris e New York, embora o extremo rigor da arte esteja fora de alcance de muitos; pode, por exemplo, levar meses apenas para aprender  a respirar da maneira certa. Ainda que o uso do sexo como um sacramento não seja novo para o Ocidente. Temos visto como eram sexuais as raízes da alquimia, e como o culto dos trovadores à rosa pode ser entendido como uma veneração de Eros. Temos notado como os construtores de grandes catedrais, tais como Chartres, investiram tão pesadamente no simbolo da rosa vermelha, e criaram templos para a Madona Negra com suas potentes associações pagãs. Também podemos ver o Gral como uma taça sendo um símbolo feminino, e – em um movimento excepcionalmente claro – na história de Tristão e Isolda, o grande heroi do Gral, Tristão, muda seu nome para Tantris. De fato, o novelista Lindsay Clarke descreve a poesia de amor dos trovadores como ‘escritos tantricos do ocidente’. Nas história do Gral a deterioração da terra é devida a perda da potência sexual do rei, frequentemente simbolizada por ele ’sendo ferido na coxa’. No Parzival de Wolfram isto é mais explícito: a ferida é nos genitais. Isto tem sido tomado como uma resposta a repressão da Igreja da sexualidade natural. A resultante estagnação espiritual pode apenas ser levantada pela busca do Gral, que, como temos visto, é sempre especificamente ligado as mulheres.

Em uma pintura italiana do século XV dos cavaleiros do Gral adorando Venus não há espaço para a dúvida quanto a natureza da busca. O que é ressaltado nas histórias do Gral e na tradição do amor fidalgo dos trovadores é a elevação espiritual de, e respeito pelas, mulheres. É, sugerimos, significativo que ambos os fios desta tradição tenham ao menos uma de suas raízes no sudoeste da França. A maioria dos pesquisadores moderno acredita que o Tantrismo veio para a Europa por meio dos contactos com a seita mística islâmica dos Sufis, que incorporou idéias da sagrada sexualidade em suas crenças e práticas. É, de fato, inegavel que há estreitos paralelos entre as formas de linguagem usadas para expressar estas idéias entre os trovadores e os Sufis. Mas o Sufismo Tantrico se enraizou na Provença e no Languedoc porque já havia uma tradição similar nesta área? Nós já temos visto como o Languedoc tinha uma tradição de manter a igualdade das mulheres. E quando a mania da feitiçaria primeiramente lançou sua sombra negra em Toulouse, o que ela realmente esperava erradicar?

Mais uma vez nos encontramos diante da incorporação daquele culto de amor – Maria Madalena. Uma outra mulher que teve em apreciação do potencial místico do sexo era a até recentemente pouco conhecida St Hildegard de Bingen (1098-1179). Como escrevem Mann e Lyle : Uma grande visionária, Hilfegard escreveu sobre a figura feminina, uma inconfundível figura da deusa, que veio a ela durante uma profunda contemplação: “Então e pareceu ver uma menina de ultrapassante beleza radiante, com tal brilho ofuscante se irradiando de sua face que eu não a pude ver completamente. Ela usava uma veste mais branca do que a neve, mais brilhante do que as estrelas, os sapatos dela eram de ouro puro. Em sua mão direita ela levava o sol e a lua, e os acariciava amorosamente. Em seu seio ela tinha uma tablete de mármore no que apareciam nas sombras da safira a imagem de um homem.  E toda criação chamava a esta menina de senhora soberana. A menina começou a falar à imagem em seu seio: “Eu estava com você no início, no amanhecer de tudo que é santo, eu o mantive no útero antes do início do dia. E ouvi uma voz dizendo a mim – “A menina que você contempla é amor, ela tem sua morada na eternidade’.

Hildegard, como todos os amantes fidalgos medievais, acreditava que o homem e a mulher pudessem alcançar a divindade pelo amor um do outro tanto que “a inteira terra deve como um único jardim de amor”. E este amor era para ser inteiro, uma completa expressão de união envolvendo o corpo e a alma, porque, como ela escreveu: é o próprio poder da eternidade que tem criado a união física e decretado que dois seres humanos devam se tornar fisicamente um’.  Hildegard era uma mulher notável: imensamente culta, especialmente em assuntos médicos. Seu grau de educação não pode ser explicado – ela própria o atribuiu a suas visões. Talvez este fosse uma referência velada a alguma escola de mistério ou similar repositório de conhecimento. Significativamente, muitos de seus escritos mostram familiaridade com a filosofia hermética. Esta aclamada abadessa também escreveu descrições detalhadas e acuradas do orgasmo feminino, das contrações uterinas e tudo. Parece que o conhecimento dela era mais do que teórico, o que é, como afirmado, não usual para uma santa. Sejam quais forem os segredos da informação interna dela, ela foi uma grande influência sobre São Bernardo de Clairvaux, patrono  e inspiração dos Templários. Estes monges guerreiros podem parecer ser uma maior objeção a idéia da continuada tradição subterrânea de um herético culto de amor. Ostensivamente celibatário [embora haja rumores persistentes de homossexualidade disseminada entre os templários] não parece improvável que eles fossem, ao menos, práticos expoentes de uma filosofia que celebrava a sexualidade feminina. Mas há claras pistas de um tal link nos trabalhos de um de seus mais devotados apoiadores – o grande poeta florentino,  Dante Alighieri (1265-1321). Seus escritos a muito tem sido reconhecidos como contendo temas herméticos e gnósticos – por exemplo, um século atrás Éliphas Lévi descreveu o Inferno de Dante como sendo Joanita e gnóstico.

O poeta foi diretamente inspirado pelos trovadores do Sul da França e era membro de uma sociedade de poetas que se chamava ‘fidele d’amore’ – os fiéis seguidores do amor – Alto visto como um círculo estético, recentes eruditos tem começado a descobrir motivações mais secretas e esotéricas atrás deles. O respeitado academico William Anderson, em seu estudo ‘Dante the Maker’ , decreve os ‘fidele d’amore’ como uma ‘estrita fraternidade devotada a alcançar a harmonia entre o lado sexual e emocional de sua natureza e suas aspirações místics e intelectuais’. Ele se baseia nas pesquisa de eruditos franceses e italianos que tem concluido que ‘as damas que todos estes poetas veneravam não eram mulheres de carne e osso mas, ao invés, eram todas máscaras de um ideal feminino, Sapiência ou Sabedoria Sagrada’ e  que as damas de todos estes poetas era uma alegoria da Divina Sabedoria que eles também buscavam’. Anderson – juntamente com seu companheiro erudito Henry Corbin – vê o caminho espiritual de Dante como buscando iluminação por meio do misticismo sexual, como o fizeram os trovadores. Henry Corbin diz: Os fidele d’amore , companheiros de Dante, professam uma religião secreta – a união que reune o possível intelecto de uma alma humana com a Inteligência Ativa -  o Anjo do Conhecimento, ou Sabedoria-Sophia; é visualizado e vivenciado como uma união de amor. Mais notável, contudo é a ligação que Dante e seus companheiros fornecem com os Cavaleiros Templários. Ele foi um dos mais entusiastas apoiadores deles, até mesmo depois de sua supressão, quando era inadmissível ser ligado a eles. Em sua Divina Comédia ele chama Felipe o Belo de ‘o novo Pilatos’ por suas ações contra os cavaleiros. O próprio Dante é pensado ter sido um membro de uma terciária Ordem Templária chamada La Fede Santa. As ligações são sugestivas demais para serem descartadas – talvez Dante não fosse a exceção, mas a regra, dos templários que estavam envolvidos em um culto de amor.

Anderson diz: Diante disso, os Templários, como uma ordem celibatária  militar – pareceriam o canal mais improvável para temas devotados a louvas as belas senhoras. Por outro lado, os Templários eram empapados da cultura do Oriente e alguns podem muito bem terem entrado em contato com as escolas Sufis. Ele continua para resumir as conclusões de Henry Corbin: A ligação entre a Sapientia [Sabedoria] e o conjunto de imagens do Templo de Salomão reunidos com suas associações com o Grande Círculo de Romaria leva a suposição de uma ligação entre os fidele d’amore e os Cavaleiros Templários, até mesmo na extensão de ve-los como uma fraternidade leiga da ordem. Junto com a revolucionária evidência que tem sido descoberta por pesquisadores tais como Niven Sinclair, Charles Bywaters e Nicole Dawe, isto sugere fortemente que ao menos a ordem interna dos cavaleiros fosse de fato parte de uma secreta tradição que venerava o Princípio Feminino. Similarmente, este disputado ramo dos Templários – o Priorado de Sião – tem sempre tido membros mulheres, e a lista de seus Grão Mestres inclui quatro mulheres, o que é particularmente estranho por causa que seus nomes aparecem no período medieval, quando alguém teria esperado que o sexismo fosse o mais prevalente. Como Grão Mestres estas mulheres teriam mantido um real poder – e sem papel sem dúvida exigia padrões particularmente altos de integridade e habilidade de lidar com muitos níveis de interesses conflitantes e egos. Conquanto pareça estranho que as mulheres teham sido capazes de manter o elmo de uma tal alegadamente poderosa organização a um um tempo quando a alfabetização feminina não era comum, parece menos peculiar no contexto de uma tradição secreta de veneradores da deusa.

Servindo de base a muitas das mais recentes escolas de mistério estavam os rosacrucianos, cujo interesse no misticismo sexual está presente em seu próprio nome: a cruz fálica unida a feminina rosa. Este símbolo de união sexual é reminiscente da antiga cruz em volta do Egito [ÁNKH]_ a parte ereta sendo o falo e a volta arredondada sendo a vulva. Os Rosacrucianos com sua mistura de sabedoria alquímica e gnóstica, completamente entendiam os principios subjacentes, como explicou o alquimista rosacruciano do século XVII Thomas Vaughan: ‘a própria vida nada é do que a união de princípios masculinos e femininos, e aquele que conhece perfeitamente este segredo sabe como deve fazer uso de uma esposa’. [Lembre-se da enorme rosa aos pés da cruz no mural de Cocteau em Londres - claramente isto é uma alusão rosacruciana. E significativamente, a imagem da rosa-cruz é encontrada na tumba templária de Sir William St Clair]. Até mesmo se há, como temos visto, evidência para os templários, os alquimistas e o Priorado serem devotos de um culto de amor, parece haver pouca possibilidade que a resolutamente linhagem masculina de filósofos herméticos tenham qualquer ligação com uma organização feminina ou talvez feminista. Ainda aqui também sua imagem superficial é enganadora. O próprio Leonardo é amplamente considerado ter sido um  misógino homossexual, e é verdade que ele evidenciou pouco amor em relação as mulheres, até onde sabemos. A mãe dele, a misteriosa Catarina, parece te-lo abandonado ao seu destino ainda na infância, embora ela possa ter ido viver seus dias com ele muitos anos depois – certamente Leonardo tinha uma governanta a quem se referia ironicamente como ‘la Caterina’, e cujo funeral foi pago por ele. Ele pode ter sido um homossexual, mas isto nunca tem ficado no caminho da adoração dos homens ao Princípio Feminino.- frequentemente é bem o inverso.  Os ícones gays são claramente mulheres fortes e coloridas que tem tido vidas traumáticas – exatamente como Maria Madalena e a própria Isis. Além disso, Leonardo é conhecido ter sido muito íntimo de Isabella d’Este, uma mulher educada e inteligente. Embora fosse levar a especulação longe demais sugerir que ela fosse um membro do Priorado ou de alguma outra escola subterrânea feminista, isto pode implicar ao menos que Leonardo aprovava a cultura feminina.

O hermeticista florentino Pico della Mirandola devotou muitas palavras ao tema do poder feminino.  Seu livro La Strega (A Bruxa) relata a história de um culto italiano baseado em orgias sexuais e presidido por uma deusa. Mais notavelmente, ele igualou esta deusa a ‘Mãe de Deus’. Até mesmo o notavelmente msculino Giordano Bruno esteve pesadamente envolvido com o feminino. Durante sua estada na Inglaterra em 1583-85 ele publicou vários maiores trabalhos que ressaltavam a filosofia hermética que pode ser encontrada em qualquer livro didático de história. Contudo, o que é rotineiramente ignorado é o fato de que ele também tinha publicado um volume de poesia apaixonada chamada ‘De gli eroici furori’ (Sobre o Frenesi Heróico) que era dedicado a seu amigo e patrono Sir Philip Sydney. Este não era um hino a uma passageira paixão cega, ou até mesmo uma mera olhada na até aqui desconhecida vida secreta de um galanteador. Embora seja reconhecido que houvesse um nível mais profundo em sua poesia, a maioria das autoridades acredita que isto seja meramente a expressão alegórica da experiência hermética. De fato, o amor expressado nestes trabalhos não era alegórico, mas literal. O furor do título é, para citar Frances Yates: ‘Uma experiência que faz a alma – divina e heróica – e pode ser similar ao transe do furor do amor apaixonado’. Em outras palavras, o que estamos olhando mais uma vez novamente é um conhecimwnto dos poderes transmutacionais do sexo. Nestes poemas Bruno estava se referindo a um estado alterado de consciência no qual o hermeticista entende sua divindade potencial. Isto é expressado como o êxtase da união completa com sua outra metade. Como diz Dame Frances: ‘Penso que o que a experiência religiosa do ‘Eroici furori’ realmente visa é a gnose hermética; esta é a mística poesia de amor de um homem Mago, que foi criado divino, com poderes divinos, e está em processo de novamente se tornar divino, com poderes divinos’. Ainda que se olhando a tradição que Bruno estava seguindo, é claro que tais sentimentos não eram meramente metafóricos.  Esta ênfase na iluminação através do sexo era parte e parcela da filosofia e prática herméticas. O conceito da sexualidade sagrada concorda totalmente com as palavras de  Hermes Trismegistus em ‘Corpus Hermeticum’ : ‘Se você odeia seu corpo, meu filho, você não pode se amar’. Hermeticistas tais como Marsilio Ficino identificaram quatro tipos de estados alterados nos quais a alma se torna reunida ao Divino, cada um dos quais era associado a uma figura mitológica: a inspiração poética sob as Musas, o entusiasmo religioso sob Dionisio, o transe profético sob Apolo e todas as formas de intenso amor sob Venus. Esta última é o climax de todos os sentidos porque isto é quando a alma realmente alcança a reunião com o divino.

Significamente os historiadores sempre tem tomado os três primeiros destes estados alterado literalmente, mas tem escolhido ler o último, o rito de Venus, como uma mera alegoria ou algum tipo de amor impessoal ou espiritual.  Mas se este fosse o caso os hermeticistas dificilmente o teriam categorizado sob Venus! O aparente pudor dos historiadores sobre este ponto é devido a ignorância disseminada da tradição subterrânea. Isto é ainda um outro exemplo de conceitos que uma vez foram pensados serem obscuros e se tornaram claros como o cristal uma vez a idéia da sexualidade sagrada seja levada em consideração. O grande mago hermético Henry Cornelius Agrippa (1486-1535), faz o assunto bem explícito. Ele escreveu em seu clássico trabalho ‘De occulta philosophia’ : ‘Quanto ao quarto furor, vindo de Venus, ele volta e transmuta o espírito do homem em um deus pelo ardor do amor, e o torna inteiramente como Deus, como a verdadeira imagem de Deus’. Note o uso do termo alquímico ‘transmutar’ que gralmente é tomado se referir a preocupação futil e tola em tentar transformar o chumbo em ouro. Aqui, contudo, é bem um outro tipo de bem precioso que é buscado. Agrippa tamvém ressaltou que a união sexual é ‘cheia de doação mágica’. O lugar de Agrippa nesta tradição herética não deve ser subestimado. Seu tratado ‘De nobilitate et praecellentia foeminei sexus’ (Sobre a Nobreza e Superioridade do Sexo Feminino) que foi publicado em 1529 mas baseado em sua dissertação de vinte anos antes, é muito mais do que até mesmo um apelo notavelmente moderno aos direitos das mulheres. Este trabalho surpreendente de Agrippa tem sido grandemente negligenciado até muito recentemente, por uma razão tristemente previsível. Porque ele advogava a igualdade sexual – até o mesmo argumento quanto a ordenação de mulheres – tem sido tomado como uma sátira! É um amargo reflexo de nossa cultura que um tal trabalho apaixonado a favor das mulheres pudesse ser descartado como uma piada. Mas parece claro que Agrippa não estava brincando. Ele não estava meramente argumentando o caso para o que chamariamos de direitos da mulher – para o status político da mulher ser redefinido – mas ele estava tentando reunir o princípio por trás de uma tal campanha. Como a Professora Barbara Newman da Universidade Northwest, Pennsylvania, diz em seu estudo deste tratado: ‘até mesmo um leitor simpático pode estar incerto se Agrippa estava pedindo por uma oportunidade igual cega ao sexo na Igreja ou uma forma de veneração da mulher.’ Newman e outros eruditos tem traçado a inspiração de Agrippa a várias raízes, incluindo a cabala, alquimia, hermeticismo, neo-platonismo e a radição dos trovadores.

E mais uma vez, a busca por Sophia é citada como sendo a maior influência. Seria um engano pensar que Agrippa estivesse mreamente argumentando pelo respeito e igualdade das mulheres. Ele foi muito mais longe. Seu ponto era que as mulheres devessem ser literalmente veneradas: Ninguém que não seja completamente cego pode deixar de ver  que Deus reuniu toda beleza de que o mundo inteiro é capaz em uma mulher, de forma que toda criação pode ser ofuscada por ela, e ama-la e venera-la sob vários nomes. [e é importante que Agrippa, como os alquimistas, acreditasse que o sangue menstrual tivesse uma aplicação particularmente prática e mística. Eles acreditavam que ele contivesse o elixir único ou quimico e que ao ingeri-lo de uma certa maneira, usando técnicas antigas, ele garantiria o rejuvenecimento físico e a sabedoria. De fato, nada pode estar mais longe da atitude da Igreja]. Agrippa não era meramente um teórico, e também não era covarde. Não apenas ele se casou três vezes, mas ele também teve sucesso em fazer o impossível: ele defendeu uma mulher acusada de feitiçaria e venceu. De fato Vaughan, Bruno e Agrippa eram todos homens, e é tentador suspeitar que eles desfrutassem desta benção sexual simplesmente em próprio benefício deles, até mesmo se fosse profundamente espiritual. Contudo, conquanto seja verdade dizer que qualquer mulher que ousassse escrever sobre tais assuntos teria sido presa por feitiçaria, é também o caso que o rito e Venus foi apenas considerado ter ‘funcionado’ se ambos parceiros atingissem as mesmas metas.

A idéia era uma de opostos e iguais trabalhando na direção da mesma meta e recebendo a mesma iluminação como parceiros, exatamente como na idéia chinesa do todo sendo composto de Yin e Yang. Giordano Bruno não foi o único a manter suas crenças para ele mesmo. Em seus últimos trabalhos publicados ele empregou um conjunto de imagens ainda mais sexual, mas até mesmo assim menosprezado pelos historiadores. Se isto é mencionado nos trabalhos padrão é explicado como sendo alegórico. Não somente isso, mas até mesmo outras referências explícitas e associadas em seu trabalho são também rotineiramente mal compreendidas. Quando Bruno escreveu sobre uma ‘deusa’ como uma dama anônima para quem foi escrita sua poesia de amor, isto tem sido compreendido como sendo um epíteto apaixonado. E mais tarde, quando ele deu sua fala de despedida a Alemanha, ele disse claramente que a deusa Minerva era Sophia [Sabedoria] e isto também foi tomado como outra alegoria. Mas suas palavras reais era inconfundíveis de um venerador da deusa:  ‘Ela que tenho amado e buscado em minha juventude, e desejado para minha esposa e ter se tornado um amante de sua forma e outra que ele possa ser enviada para habitar comigo e trabalhar comigo que eu possa saber no que faltei.’

Mais compelente, contudo, é o fato que em sua dedicação do Eroici furori ele especificamente liga isso aos Canticos de Salomão. Mais uma vez, nos encontramos diante do culto da Madona Negra, e por associação, aquele de Maria Madalena. [Com certeza, que outros grandes escritores herméticos/rosacrucianos da época, como o que era conhecido de  William Shakespeare, dedicou seus sonetos a misteriosa Dama Escura, a identidade da qual tem fornecido a gerações de críticos um infindável combustivel para o debate. Conquanto bem possa ter sido o caso de tratar-se de uma mulher real, ou até mesmo um homem - é também provável que ele represente uma Madona Negra, a deusa escura. De fato, os herméticos simbolizavam um particular estado alterado - um tipo de transe especializado - como uma dama de escura compleixão. Os robustos ataques de Bruno às crenças e preconceitos cristãos o levaram a uma morte terrível, e agiram como um aviso para outras almas que pudessem ser bravas. O holocausto atroz dos julgamentos das bruxas, como temos visto, também reforçaram a necessidade de circunspecção entre os 'heréticos' [e deve ser lembrado que embora as fogueiras a muito tivessem acabado, a última acusação e julgamento de uma mulher sob o Ato de Bruxaria no Reino Unido aconteceu em 1944]. Mas o fazer amor transcedental, como um segredo específico do subterrâneo oculto, não era confinado a indivíduos e nem morreu com eles. Há alguma dificuldade em traçar uma tradição direta da sexualidade sagrada na Europa por causa do antagonismo da Igreja  a ele e a consequente necessidade de segredo entre os guardiões deste conhecimento. Contudo, nos séculos XVII e XVIII, a Alemanha parece ter se tornado o lar destas tradições embora pouca pesquisa tenha sido feita sobre isso até recentemente. Segundo modernos pesquisadores franceses, tais como Denis Labouré, a prática da ‘alquimia interna’ se tornou concentrada na Alemanha em várias sociedades ocultas. Outra pesquisa recente, incluindo a do Dr Stephen E. Flowers, tem confirmado que o ocultismo alemão deste período era essencialmente sexual em sua natureza.

Um problema para os investigadores desta área é que a evidência para os cultos de sexo tende a vir da Igreja, ou ao menos daqueles que viam o Satanismo em tudo que se ligava ao sexo. Quando tais movimentos se encontram perseguidos, seus registros são então destruídos ou censurados e tudo que é deixado é uma versão de eventos como contados por seus inimigos. Isto aconteceu aos cátaros e aos templários, e de fato alcançou seu zênite aterrorizante nos julgamentos das bruxas. Vemos este processo em vigor onde quer que seja que as idéias sobre a sexualidade sagrada sejam expressadas, como aconteceu novamente na França no século XIX. Desta vez, vários movimentos interligados emergiram, embora eles florescessem dentro da Igreja Católica e se centrassem em pessoas que se consideravam bons católicos, incluiram conceitos da sexualidade sagrada e da elevação do Feminino [geralmente na forma externa da Virgem Maria] e eram associados a uma sombria sociedade ‘Joanita’ desta vez especificamente relacionada a São João Batista. Este é uma série enormemente complexa de eventos para desenrolar, grandemente por causa, fora as idéias religiosas não ortodoxas e conceitos de sexualidade que levaram o movimento a ser rotulado de imoral, eles também eram ligados a causas políticas que atraiam a hostilidade das autoridades. Portanto quase todas as narrativas que temos deles vem de seus inimigos. Os motivos políticos dests grupos estão fora do escopo da atual investigação, embora fossem muito importantes para as pessoas envolvidas naquele tempo.

É suficiente dizer que eles sustentavam as afirmações de um Charles Guillaume Naündorff (1785-1845), que se gabava de ser Luis XVII [que era pensado ter sido morto na infância com seu pai, Luis XVI, durante a Revolução Francesa]. Um desses grupos era a Igreja de Carmelo, também conhecida como Obra da Misericórdia [ Oeuvre de la Misericorde], que foi criada no início dos anos de 1840 por um Eugène Vintras (1807-1875). Um pregador carismático e compelente, Vintras atraiu a nata da alta sociedade para seu movimento, que não obstante logo se tornou o foco da acusação de diabolismo. Certamente seus rituais tinham algo de conteúdo  sexual nos quais, [nas palavras de Ean Begg] ‘o maior sacramento era o ato sexual’. Para tornar as coisas piores no que digam respeito às autoridades, Vintras e Naündroff endossavam um ao outro. Então, inevitavelmente Vintras se encontrou no que era claramente um julgamento de exibição. Acusado de fraude, embora até mesmo as alegadas vítimas negassem que qualquer crime tenha acontecido, ele foi condenado a cinco anos de prisão em 1842. Em sua libertação ele foi para Londres e foi desta vez que um dos membros anteriores de sua Igreja, um sacerdote chamado Gozzoli, escreveu um panfleto acusando-o de orgias sexuais de todos os tipos. Conquanto isto pareça ter sido um produto de uma imaginação super acalorada, parte disso foi baseada em fato. Então em 1848 a seita foi declarada herética pelo Papa e todos os seus membros foram excomungados. Como resultado ela se tornou independente e proclamou que sacerdotes tanto machos quanto femeas – como os cátaros, embora  se o culto de Vintras seguia os altos princípios deles não esteja claro. Por trás de Vintras e Naündorff estava uma sombria seita chamada ‘Os Salvadores de Luis XVII’ ou Joanitas. Este grupo pode ser rastreado aos anos de 1770,  e parece ter tido alguma parte na rebelião civil que precedeu a Revolução. Diferente dos Joanitas Maçonicos discutidos anteriormente, não tinha dúvida que o São João que era venerado, era o Batista. Depois da Revolução os Joanitas se tornaram preocupados com a restauração da monarquia. Eles foram grandemente responsáveis pela promoção de Naündroff como pretendente ao trono, e também por trás de movimentos proféticos tais como aquele de Vintras.

Um outro guru de estilo próprio daquela época foi Thomas Martin, que tinha subido meteoricamente de camponês a conselheiro do rei, foi apoiado pelos Joanitas, e eles parecem sobretudo ter de algum modo ‘programado’ certas visões da Virgem, como a de La Salette aos pés da montanha dos Alpes ocidentais em 1846. Exatamente o que estava acontecendo é difícil de dizer precisamente, mas é possível identificar os principais fios correndo por certos aparentes eventos associados. Primeiro, houve uma tentativa de regenerar o Catolicismo de dentro. Isto envolveu substituir o principal dogma, baseado na autoridade de Pedro, por um cristianismo místico e esotérico  na crença de que uma era estava nascendo na qual o Espírito Santo estaria em ascendência. Uma caraterística disso era a elevação do Feminino, na forma externa da Virgem Maria, mas isto logo tomou um caráter mais abertamente sexual e começou a parecer ativamente hostil a Igreja. A visão de  La Salette – que foi condenada pela Igreja, era central a este plano. E de algum modo o papel de João Batista nestes desenvolvimentos era crucial. O movimento estava também aliado a uma tentativa de ter Naündorff reconhecido como legítimo rei da França, provavelmente porque, se isso acontecesse, ele teria sido favorável qa esta nova forma de religião [já tendo endossado Vintras]. Significativamente Melanie Calvet, a menina que teve a visão em La Salette, ela própria havia recebido o favor de Naündorff. E é interessante que a Igreja reagisse embarcando-a para um convento em Darlington, no nordeste da Inglaterra, onde ela não mais pudesse causar dano. As forças combinadas da Igreja e do Estado evitaram que o grande plano do movimento fosse realizado, e seja o que for o que realmente aconteceu, agora está enterrado sob uma avalanche de escândalo e intriga. Mas sem dúvida é importante que a reação da Igreja a esta ameaça fosse fazer da Imaculada Conceição de Maria um artigo de fé em 1854. [esta doutrina era para ser convenientemente endossada pela própria Virgem, quando ela apareceu a menina camponesa Bernadette Soubirous em Lourdes alguns quatro anos depois, embora a última de início simplesmente descreveu sua 'visão' como 'aquela coisa'].

Profetas tais como Martin e Vintras parecem ter sido manipulados pelos Joanitas, muito mais do que realmente serem eles próprios parte da seita. A ligação de Vintras com eles era o seu mentor, uma certa Madame Bouche, que vivia na Praça de São Suspílcio em Paris, e usava o nome esplendidamente evocativo de Irmã Salomé [a Igreja do Carmelo de Vintras ainda estava operando em Paris nos anos de 1940, e foi murmurado haver um grupo em Londres nos anos de 1960]. Um outro movimento uniu-se a Igreja de Carmelo mas realmente havia sido fundado anteriormente, em 1838. Eles eram os Irmãos da Doutrina Cristã que tinham sido criados pelos três irmãos Baillard, todos sacerdotes. Eles criaram duas casas religiosas – novamente se vendo como católicos – nas montanhas:  St Odile na Alsácia e Sion-Vaudémont em Lorraine. Ambos eram sítios importantes em suas regiões, e é um mistério como os irmãos Baillard conseguiram adquiri-los. Sion-Vaudémont era um importante sítio pagão na antiguidade, consagrado a deusa Rosamerta, e, como pode ser imaginado por seu nome, tinha uma longa associação ao Priorado de Sião. De fato, uma historicamente reconhecida Ordem de Notre Dame de Sião foi estabelecida lá no século XIV por Ferri de Vaudémont, cuja carta de direitos a ligava a abadia de Monte Sião em Jerusalém, de quem o Priorado afirma originalmente ter tomado seu nome. O filho de Ferri casou-se com Iolande de Bar, a Grã Mestra do Priorado entre 1480 e 1483, que também era filha de René d’ Anjou, o Grão Mestre anterior.  Iolande promoveu  Sion-Vaudémont como um importante centro de romaria, se focalizando em sua Madona Negra. A própria estátua foi destruída durante a Revolução, e substituida por umaq Virgem medieval não negra, tirada da Igreja de Vaudémont, que é dedicada a João Batista. Então parece ser importante que uma das novas igrejas dos irmãos Baillard se localizasse lá. Eles tinham idéias similares aquelas de Vintras, incluindo a ênfase na era vindoura do Espírito Santo e na sexualidade sagrada, de forma que não é surpreendente que elas tenham vindo da mesma fonte. O movimento deles atraiu um grande apoio inclusive da Casa de Hapsburg. Mas ele também foi suprimido em 1852.

Depois da morte de Vintras em 1875 o movimento foi tomado pelo abade Joseph Boullan (1824-1893)- uma figura até mesmo mais controvertida. Previamente ele havia seduzido uma jovem freira no Convento em La Salette, Adèle Chevalier, e os dois criaram a Sociedade para Reparação das Almas em 1859. Esta era definitivamente baseada em ritos sexuais  e sua filosofia completa  era que a humanidade encontraria a redenção através do sexo se ele fosse usado como um sacramento. Conquanto isso possa ser puro e alquímico em natureza, infelizmente Boullan estendeu os benefícios deste rito ao reino animal. Boullan e Adèle Chevalier são relatados terem sacrificado suas crianças durante uma Missa Negra em 1860. Conquanto embora isso seja apresentado como fato na literatura moderna, é impossível rastrea-lo a uma fonte confiável. Se Bouillan fosse sabido haver cometido um tal crime ele parece ter escapado a condenação. É verdade que ele foi suspenso de seu ofício como sacerdote naquele ano mas ele retornou depois de uns poucos meses. Em 1861 ele e Adele foram presos por fraude [talvez o meio usual das autoridades lidarem com aqueles que elas não gostassem mas não pudessem pegar de outro modo]. Em sua condenação Boullan foi novamente suspenso de seus deveres sacerdotais mas mais uma vez a decisão foi revertida. Depois de sua libertação da Prisão ele voluntariamente apresentou-se em Roma ao Santo Ofício [então o nome oficial da Inquisição] e não foi considerado culpado, voltando a Paris. Enquanto em Roma Boullan escreveu suas doutrinas em uma caderno de notas [conhecido como 'the cahier rose' , abertamente por causa da cor de sua capa], que foi encontrado pelo escritor J.K. Huysmans entre seus papéis depois de sua morte em 1893. Os detalhes precisos do conteúdo são desconhecidos – pensa-se que fosse um ‘documento chocante’ e agora está trancado na Biblioteca do Vaticano. Todos os pedidos para verem este caderno tem sido recusados. Claramente há mais na história de Boullan do que o olho vê. Superficialmente esta parece ser uma outra história de um clube de pervertidos. Contudo parece que em alguma extensão a Igreja protegeu Boullan. Por exemplo, ela emitiu uma instrução que ele não devia ser perseguido e há pistas que ele possuia algum tipo de segredo que o protegia. A história de Boullan se encaixa no padrão clássico de agente provocador, que infiltra uma organização com a meta deliberada- em benefício de um grupo diferente – de desacredita-la.

Isto explicaria as claras discrepâncias em sua vida e as atitudes oficiais em relação a ele. Depois de sua volta de Roma, Boullan se uniu a Igreja do Carmelo de Vintras e se tornou seu líder. Isto causou um cisma: aqueles membos do culto que o aceitaram o acompanharam a Lyons onde ele estabeleceu sua sede. Cenas selvagens de licenciosidade sexual se seguiram – que, mais uma vez, podem parecer notavelmente em contraste com a declaração de Boullan que ele era a reeencarnação de João Batista. Esta idéia pode er sido a inspiração por trás do nome escolhido por J.K. Huysmans (um devoto do culto da Madona Negra] que usou Boullan como modelo para o ‘Dr Johannès’ (um dos pseudônimos de Boullan) em sua novela sobre o Satanismo em Paris, Là-Bas (Lá Embaixo) (1891). Contudo pode ser um engano pular para a conclusão óbvia – Dr Johannès foi retratado como um sacerdote que praticava a mágica para conter o Satanismo e que foi mal compreendido pela Igreja, que, com certeza, denunciou todo o mágico como Mal.  Huysmans  tornou-se amigo de Boullan e ficou com ele em Lyons enquanto pesquisava sua novela, mas embora ele não fosse muito versado sobre mágica, ao menos teoricamente, ele sempre permaneceu um verdadeiro filho da Igreja. Là-Bas é lembrada nestes dias principalmente por sua lúrida descrição de uma Missa Negra, que parece ser a narrativa de uma testemunha ocular. Contudo, os reais vilões da peça são os rosacrucianos por causa da notória batalha mágica entre Boullan e os membros de certas ordens rosacrucianas que floresciam na França naqueles dias. Pode ser incongruente que os rosacrucianos, entre tantas pessoas que eram tão opostas a Boullan e tudo que ele parecia representar. De fato o conflito pode ter sido meramente um daqueles de embate de personalidades que caracteristicamente afligem tais movimentos – mas talvez certos rosacrucianos estivessem alarmados pela abertura de Boullan quanto aos seus segredos. A França havia se tornado o lar de um número de lojas ocultas. Várias Ordens Rosacrucianas representavam um desenvolvimento da mistura de movimentos templaristas-maçonicos-rosacrucianos encontrados no sudoeste da França. Embora estas não fosem estritamente ordens maçonicas, eles eram certamente aliadas aos ocultos sistemas maçonicos tal como o Rito Escocês Retificado e os Ritos Egípcios. Os grupos maçonicos e rosacrucianos abraçavam a filosofia Martinista – os ensinamentos ocultos de Louis Claude de Saint-Martin. De fato, a importãncia do Martinismo não deve ser subestimada. O rito Escocês Retificado de hoje recruta exclusivamente entre os Martinistas.

A primeira destas organizações rosacrucianas parece ter sido um ramo de uma loja maçonica de certa forma irregular conhecida como La Sagesse (Sabedoria ou Sophia ) em Toulouse. Por volta de 1850 um de seus membros, o Visconde de Lapasse (1792-1867), um doutor muito respeitado e alquimista, fundou a Ordem da RosaCruz do Templo e do Gral. Um chefe subsequente desta ordem foi Joséphin Péladan (1859-1918), que era também de Toulouse e se tornou o que foi apelidado padrinho das sociedades francesas rosacrucianas daquele tempo. Péladan era um grande especialista, tendo sido inspirdo pelo escritor francês Éliphas Lévi (nome real Alphonse Louis Constant, 1810-75). Péladan desenvolveu um sistema mágico que tem sido descrito como ‘erotic Catholicism-cum-magic’ e organizou o popular Salão da Rosacruz. (Interesantemente, foi em um cartaz de anúncio de um destes encontros que Dante é retratado como Hugues de Payens, o primeiro grão mestre dos templários, e Leonardo é apresentado como o guardião do Gral. Ele acreditava que a Igreja Católica fosse um repositório de conhecimento que havia sido esquecido e ele estava particularmente interessado no Evangelho de João. Ele também estavas a frente da erudição moderna no que ele percebia os ‘fidele d’amore’ como uma sociedade esotérica,  que ele pessoalmente ligava aos rosacrucianos do século XVII.  Péladan encontrou um outro ocultista, Stanislas de Guaïta (1861-1898), e em 1888 os dois formaram a Ordem Cabalística da Rosacruz. Foi Guaita que infiltrou a Igreja de Carmelo de Boullan e juntamente com Oswald Wirth, um membro desencantado daquele culto, escreveu o Livro do Templo de Satã, que expôs o movimento como sendo diabólico. Isto levou a uma batalha mágica na qual Guaita e Boullan acusavam um ao outro de usar meios mágicos para matar um ao outro. Desapontadoramente, Boullan parece ter morrido de causas naturais , mas igualmente inevitável a rixa levou a dois duelos verdadeiros, um entre Guaita e um dos discípulos de Boullan, Jules Bois, e o outro entre este último e um rosacruciano,  Gérard Encausse (melhor conhecido como Papus). Ambos eventos terminaram em empates. Este episódio é um favorito dos escritores do oculto, ms nunca é satisfatoriamente explicado. Porque deveriam Guaita e os rosacrucianos parisieneses realizarem uma vingança contra Boullan? [lembre-se: neste contexto apenas temos a palavra de Guaita e de Wirth sobre a devassidão alegadamente cometida por Boullan e seus seguidores). Diante disso, não há uma ligação real, ou base para disputa, entre as lojas ocultas e ordem de Boullan que era essencialmente religiosa. Contudo, se aprofundarmo-nos um pouco mais revela-se a razão: de Guaita e um tribunal de rosacrucianos tinham inicialmente condenado Boullan por 'profanar' e revelar segredos cabalísticos , isto é, revelar segredos considerados serem província dos rosacrucianos. [e a condenação deles foi em 23 de maio de 1887, antes que Guaita infiltrase o grupo de Boullan]. Esta foi a razão real porque eles sentiram que Boullan tinha que ser detido. Outros comentadores parecem não haver percebido as implicações disto: se os ritos de Boulan fossem considerados serem algo que pertencia aos rosacrucianos, eles, também, devem ter praticado ritos sexuais. O erro de Boulan, aos olhos deles, residia em torna-los públicos.

A Paris do século XIX  era lar de muito ocultismo e filosofia culta, refletindo, talvez, a busca de fim de século por um significado mais profundo para a vida. Isto atraiu todos os tipos de pensadores e artistas, tais como Oscar Wilde, Debussy e W.B. Yeats. (Como sempre, a verdadeira União Européia estava em uma fraternidade oculta). Os salões estavam cheios de faces que estavam ávidas de captar fórmulas mágicas tanto quanto estavam ávidas de fofocas, entre elas Marcel Proust, Maurice Maeterlinck e a cantora de ópera Emma Calvé (1858-1942). Uma famosa beleza, ela eventualmente realizou suas próprias ’soirées’. para todo mundo que tivesse algo interessante a partilhar – preferivelmente algum grande segredo oculto. Estes círculos também incluiam semelhantes a Joséphin Péladan, Papus e Jules Bois (que foi um dos muitos amantes de Emma Calvé). Muitos dos primeiros movimentadores deste círculo eram de Languedoc, inclusive a própria Emma Calvé. [ela não era estranha ao misticismo: foi um parente dela,  Melanie Calvet, que tinha tido a famosa visão em La Salette. E interessantemente,  Adèle Chevalier, a freira que havia sido seduzida por Boullan e se tornou sua parceira, era uma das amigas de Melanie.) Foi Emma Calvé que era para desempenhar um importante papel na história emaranhada do Abade Sauniere, sacerdote paroquial da vila de  Rennes-le-Château, que discutiremos mais tarde. Sugestivamente, em 1894 ela comprou o castelo de Cabrières (Aveyron), perto de seu local de nascimento,  Millau, que era dito no século XVII ter sido o lugar de esconderijo do muito procurado Livro de Abraão o Judeu, que tinha sido usado por Flamel para alcançar o Grande Trabalho. Em sua autrobiografia Calve registra que o castelo 'foi o refúgio de um certo grupo de cavaleiros templários', mas tantalizantemente, nada mais elabora.  Certos outros importantes grupos ocultos tinham começado no Languedoc e se tornaram ligados a sociedades rosacrucianas. Estas eram influenciadas pela Livre Maçonaria da Estrita Observância do Barão von Hund, embora a principal influência veio por meio de uma figura muito mais malignizada, o Conde Cagliostro (1743-1795)73. Amplamente denunciado como um charlatão, este natural homem de exibição era um buscador genuino do conhecimento oculto. Nascido Giuseppe Balsamo, ele tomou o título de Conde Alessandro Cagliostro de sua madrinha. Ele foi aprsentado ao oculto quando tinha 23 anos durante uma visita a Malta, onde ele se encontrou com o Grão Mestre dos Cavaleiros de Malta - um alquimista e rosacruciano. O próprio Cagliostro captou o oculto e se tornou um alquimista e Maçom Livre e foi pesadamente influenciado pela Estrita Observância Templária de von Hund. Sua apresentação a Livre Maçonaria veio em Gerrard Street no Soho londrino, onde ele foi iniciado em uma loja da Estrita Observãncia Templária em abril de 1777. Ele viajou amplamente pela Europa,  mas passou a maior parte de seu tempo na Alemanha, especificamente buscando o conhecimento perdido dos Templários. Ee também ganhou uma fama de curador.  Depois de receber a permissão do Papa para visitar Roma, em 1789, em sua chegada ele foi prontamente encaminhado para a Inquisição  sob a acusação de heresia  e conspiração política - sob as ordens do Papa, e condenado a prisão perpetua. Ele morreu nas masmorras  da fortaleza de São Leo em 1795.

Cagliostro tinha estabelecido o sistema de Livre Maçonaria Egípcia [a loja mãe foi criada em Lyons em 1782] que consistia em lojas femininas e mssculinas, as femininas sendo chefiadas por sua esposa Serafina. Levi descreveu isso como uma tentativa para ‘ressucitar a misteriosa veneração de Isis’. Os frutos das pesquisas de Cagliostro  das sociedades ocultas da Europa eram um corpo de conhecimento conhecido como Arcana Arcanorum (Secredo dos Segredos), ou A. A. Ele tomou este termo do rosacrucianismo original do século XVII as seu corpo consistiu de discrições de práticas mágicas que ressaltava especialmente a ‘alquimia interna’, parente do Tantrismo, ainda que Cagliiostro tivesse as aprendido na Alemanha entre os grupos rosacrucianos. Foi sob a autoridade de Cagliostro  que o Rito de  Misraïm (Hebreu para ‘egípcios] foi criado em Veneza em 1788. Por volta de 1810 os três irmãos Bédarride touxeram o sistema para a França, onde ele foi incorporado no Rito Escocês Retificado da Livre Maçonaria. O Rito de Misraim foi o descendente direto do Rito de Memphis, que tinha, como já vimos, sido fundado por Jacques-E´tienne Marconis de Nègre e com o qual o Priorado de Sião tem se associado. [Os dois sistemas unificados como Rito de Misraim-Memphis em 1899 sob o Grão Mestrado de Papus, que permaneceu no comando até sua morte em 1918). O Rito de Memphis foi também estreitamente associado a uma sociedade secreta chamada os Filadelfos que havia sido fundada pelo Marquês  de Chefdebien em 1780 - um outro ramo da Estrita Observância Temmplária de von Hund, embora ela fosse especificamente criada para adquirir conhecimento oculto.  Marconis de Nègre ressaltou os laços estreitos com os Filadelfos e nomeou um grau e seu movimento de Os Filadelfos. O rito, nem de Memphis e nem de Misraim, era por si só particularmente influente. Mas reunidos, Misraim-Memphis, eles eram um poder a ser reconhecido, e sua influência espalhou-se como uma onda pelos subterrrâneos ocultos da Europa. Entre seus membros estavam estrelas escuras como o ocultista britânico Aleister Crowley e luminares místicos como Rudolf Steiner. E havia também Karl Kellner, que era eventualmente, com Theodore Reuss, para fundar a Ordem dos Templários do Oriente, melhor conhecida simplesmente como OTO. Esta organização era - e é -, explicitamente sobre magia do sexo. E embora ela seja amplamente pensada  representar a ocidentalização do Tantrismo, ela era também muito mais o desenvolvimento de segredos ensinados nos próprios Misraim-Memphis que derivaram do conhecimento adquirido por Cagliostro de grupos alquímicos rosacruzes da Alemanha e das lojas da Estrita Observância Templária. Crowley deixou Memphis-Misraïm para se unir a OTO e se tornou seu Grão Mestre, e uma outra figura influente que atravessou o antigo na OTO foi  Rudolf Steiner. Ele é mais famoso por seu ramo puro de misticismo - Antroposofia - e deliberadamente inferiorizou sua associação com a OTO com tanto sucesso que muitos de seus mais ardentes seguidores modernos não sabem disso. Quando ele morreu, contudo, foi enterrado com a regalia OTO. Significativamente, Theodore Reuss escreveu que a magia sexual de OTO era 'a chave que abre todos os segredos maçonicos e herméticos'. Ele também disse claramente que a magia sexual era o segredo dos Cavaleiros Templários. Um outro 'broto' do movimento Memphis-Misraim  tomou forma na Inglaterra no final do século XIX. Esta era a hermética Ordem do Amanhecer Dourado, cujos membros incluiam Bram Stoker o grente de teatro mais famoso por ser o autor de Dracula; Aleister Crowley o poeta irlandês, patriota e místico;   W. B. Yeats, e a sociável Constance Wilde, esposa do condenado Osca. Fundada em 1888 por Macgregor Mathers e W. Wynn Westcott, sua linha direta de descendência remonta a Dourada e Rosea Cruz, a ordem de estrita observância templária da Alemanha discutida no último capítulo, como muitos de seus atuais nomews de graus e de rituais. O Amanhecer Dourado também usa os Ritos retirados de  Memphis/Misraïm. No fim, contudo, a ordem teve ser direito de nascimento do Barão vomn Hund, e influências francesas e alemãs que vieram dele e seus ritos templaristas.

O Amanhecer Dourado é a mais conhecida no mundo de lingua inglesa e entre os outros grupos europeus mais exóticos. Tem uma reputação de grande integridade e parece a primeira vista ser uma sociedade de esotéricos que gostam de se vestir ritualmente e murmurar encantamentos, mas que são basicamente mais do que ocultistas de depois do jantar com altos ideais.  Contudo, entre os eruditos ocultos franceses a Amanhecer Dourado tem uma reputação muito mais sinistra; quando elça abriu seu ramo em Paris em 1891 ela aceitou muitos dos personagens duvidosos discutidos acima, incluindo o aparentemente onipresente Jules Bois. De fato, até mesmo a Amanhecer Dourado inglesa tinha um aspecto mais profundo e menos conhecido. Ela efetivamente era duas ordens separadas; por um lado, ela tinhsa uma face pública conhecida e respeitável e por outro havia uma ordem interna chamada Ordem do Rubi e Cruz de Ouro, no qual a iniciação apenas se dava por meio de convite. A ordem externa parece ter agido como uma base de recrutamento para o círculo interno e secreto cujas práticas incluiam ritos sexuais. Certamente a Amanhecer Dourado guardava bem os seus segredos internos. Por anos até mesmo estes escritores, como Katan Shu'a, que eles próprios eram parte do mundo oculto, podiam apenas especular  sobre os ritos sexuais da ordem. Contudo, parece que eles existiasm, embora a evidência seja fragmentada. De fato, parece que os elementos sexuais estavam presentes desde a própria fundação da Ordem. A Amanhecer Dourado  cresceu de uma outra sociedade, a Societas Rosicruciana em Anglia, que tinha entre seus fundadores um Hargrave Jennings (1817-1890), cujos escritos eram tão explícitos quanto o podia ser aqueles de um cavalheiro vitoriano sobre o assunto da magia sexual. Em sseu trabalho maciço 'The Rosicrucians: Their Rites and Mysteries' (1870), Jennings, nas palavras do autor Peter Tompkins, ‘apontou tão fortemente quanto pode que estes ritos e mistérios eram de uma natureza fundamentalmente sexual'. Por exemplo, ao discutir o simbolismo sexual dos triângulos interligados que compõem o Selo de Salomão [ou Estrela de David],  Jennings aacrescenta explicitamente: ‘a pirâmide indicando o feminino corresponde ao poder tumefante ou elevador, não submisso, mas responsivamente sugestivo, sincronizado no clitores anatômico – o excentrico objeto diminuto, significiicando tudo na anatomia rosacruciana. Em 18 de julho de 1921 Moina Mathers – uma das fundadoras da Amanhcer Dourado – e irmã do filósofo Henri Bergson, escreveu a Paul Foster Case, que era tutor do novo ramo da Ordem em New Tork, ao ouvir que ele estava ensinando rituais sexuais: lamento que algo sobre a questão sexual deva ter entrado no Templo neste estágio, porque apenas começamos a tocar diretamente em assuntos sexuais em rituais muito altos. Então quando a escritora oculto e membro da Amanhecer Dourado Dion Fortune (nome real Violet Firth) escreveu artigos sobre sexo, Moina queria expulsa-la por trair os segredos da Ordem. Mas eventualmente ele não tinha conhecimento que Dion Fortune não podia te-los conhecido porque ela ainda não havia alcançado os graus necessários. Comentadores tais como Mary K. Greer agora aceitam que há evidência que apoia a idéia que a Amanhecer Dourado de fato praticava a magia sexual, que era claramente considerada ser potente e preciosa demais para ser disseminada entre os novos recrutas e graus mais baixos. Postas sobre os segredos internos da Amanhecer Dourado também eram para serem encontrados nas palavras descrevendo uma visão conjunta que Florence Farr e Elaine Simpson, duas adeptas desse sistema, tiveram na década de 1890. A anterior, uma famosa atriz de Londres, era também renomada por seus casos com um número de homens, inclusive George Bernard Shaw e o irmão ocultista W.B. Yeats. Florence ae sua colega de magia Elaine reallizaram juntas uma viagem astral, um tipo de aventura gêmea nos Planos Internos ou uma alucinação partilhada. Este fenômeno é uma parte bastante comumdo treinamento mágico, e é geralmente parte do trabalho cabalístico, um tipo de projeção mental ou associação de imagens que é criada na clássica estrutura da Árvore da Vida. Florence e Elaine estabeleceram visitar a ‘esfera de Venus’ em seus olhos mentais conjuntos. A culminação da viagem astral delas tomou a forma de um encontro comum arquétipo surpreendentemente feminino, que disse sorrindo: “Sou a poderosa nãe Isis; a mais poderosa de todo mundo, que não luta mas sempre é vitoriosa. Sou a Bela Adormecida que os homens tem buscado por todo tempo. Os caminhos que levam ao meu castelo são cercados de perigo e ilusão. Tais como falham em me encontrar, dormem; ou podem se apressar atrás da Fada Morgana que afasta da influência ilusória.  Sou elevada para o alto e levo os homens comigo. Sou o desejo do mundo, mas poucos são os que me encontram. Quando o meu segredo é dito, é o segredo do Santo Gral – Tenho dado meu coração ao mundo, o que é minha força.  O amor é a mão do Homem-Deus, dando a quintessência da vida dela para salvar a humanidade da destruição, e mostrar adiante o caminho da vida eterna. O Amor é a mãe do Cristo-Espírito e este Cristo é o mais alto amor. Cristo é o coração do Amor, o coração da Grande Deusa Mãe Isis, a Isis da Natureza. Ele é a expressão do poder dela. Ela é o Santo Gral. E ele é o sangue da vida do Espírito, que é encontrado na taça.

Acompanhando estas palavras estavam vívidas imagens de uma taça contendo um fluido colorido como rubi e uma cruz com três barras. A primeira vista isto pode parecer muito mais um tipo de confusão New Age, com Jesus e a deusa egípcia Isis sendo misturados com a noção do Santo Gral simplesmente porque isto soa arcano e místico. Mas o falecido especialista oculto Francis X. King escreveu, há dois pontos importantes nisso: ‘O primeiro é a identificação da Abençoada Virgem, Mãe de Deus-Homem, com Venus, deusa do Amor, isto é, do amor sexual, Eros. O segundo é a identificação do Gral com Venus, o arquétipo do órgão feminino da geração. Os leitores modernos podem cinicamente interpretar esta visão destas damas como um tipo de cumprimento de desejo, uma fantasia sexual conjunta, especialmente quando se considera a reputação colorida de Florence Farr que é a contraparte britânica de Emma Calvé. Ainda que a visão foi suposta ter revelado um segredo que é mantido com a filosofia mágica da Amanhecer Dourado, e certamente Francis X. King expressou confusão quanto de onde as mulhers poderiam ter retirado a imagem, considerando que a sociedade, supostamente, não era ligada a qualquer tipo de rito sexual. Esta visão, contudo, indica que era, embora, novamente, os ritos relativos pareciam ser apenas  para iniciados dos mais altos graus, o círculo interno. É importante que a visão ligue Isis com o Gral e com o sexo, o que não teria sido estranho aos alquimistas, gnósticos ou trovadores. O Gral – visto aqui comoa tradicional taça -, é um símbolo feminino que é facilmente compreendido pelo nosso mundo pós freudiano, mas aindqa é revelador para aqueles que vieram antes. Mas aqui o fluido vermelho, o sangue que ele contém, é carregado por Isis. Interessantemente, o tema da Bela Adormecida, que é mencionado na visão das mulheres, também figura grandemente na Serpente Vermelha, o tecto chave do Priorado de Sião. A busca pela Bela Adormecida é um motivo repetido e está interligado com aquela busca da rainha de um reino perdido. Como temos visto, esta documento também revela uma preocupação com Maria Madalena e Isis, carateristicamente combinando-as na mesma figura. A busca por uma rainha é uma imagem alquímica, então não devemos ficar surpresos em enconrtar estas incorporações da sexualidade – a Madalena e Isis – como seu objeto. Curiosamente, até mesmo hoje, o papel da sexualidade nos movimentos ocultos e heréticos mal é reconhecido ou conhecido, sua importancia dificilmente pode ser subestimada. O sesxo nunca tem sido um assunto colateral ou meramente um assunto de fraqueza pessoal, mas tem estdo no coração das mais poderosas organizações subterrâneas. A tradição que mais nos interessa e que reside subjacente a investigação é realmente dependente da noção da sexualidade sagrada. Como temos cisto, esta tradição parece ser composta de dois fios principais – aquele de reverência a Maria Madalena e aquele de reverência a João Batista. Neste estágo de nossa pesquisa enfrentamos a possibilidade que a Madalena fosse simplesmente uma figura simbólica que represent4e a idéia do sexo sagrado, e que a imagem dela não se relacionou a qualquer presonagem histórico. Em qualquer caso, a ligação entre Maria Madalena e o sexo não é difícil de entender e parece perfeitamente natural.

Isto não é assim, com certeza, quando se considera o fio de João Batista e a idéia da sexualidade sagrada. A narrativa bíblica, e a tradição cristã, tem criado uma imagem compelente e duradoura de um homem que era ascético ao extremo – um tipo de figura de John Knox – de moral inatacada e celibato incontestável. Como na terra ele poderia, entre todas as pessoas, ter sido importante para qualquerculto bseado em prátics sexuais? Superficialmente pareceria como se não houvesse, e nunca pudesse haver, qualquer ligação – e ainda que de tempos em tempos novamente nossa investigação revelasse que gerações de ocultistas ao menos acreditasem que isso existia. E como tem
os visto o caso da Amanhecer Dourado, as primeiras impressões dos sempre ocultos grupos podem ser muito enganadoras. A verdadeira razão de ser deles pode ter implicações surpreendentes.  Florence Farr e os colegas dela da Amanhecer Dourado pertenciam a um amplo círculo  de ocultistas internacionais, que incluiam Péladan e Emma Calvé. As sociedades com as quais eles estavam associados eram extremamente influentes, e era esta rede de sociedades que fornecia a estrutura para um dos mais famosos mistérios da França; um que intimamente se relaciona ao Priorado de Sião. O foco de todos os Dossiês Secretos e material aliado se emanando dos documentos do Priorado é inequivocamente o mistério de Rennes-le-Chateau. Por exemplo, A Serpente Vermelha repetidamente alude a lugares em e ao redor da vila. Dificilmente poderiamos evitar em voltar nossa atenção a  Rennes-le-Château, e mais uma vez nos encontramos no Languedoc, o coração da heresia.

CAPÍTULO OITO
‘ESTE É UM LUGAR TERRÍVEL’

Rennes-le-Château é um clichê oculto, quase, por agora, do mesmo tipo do próprio Gral, e exatamente tão evasivo. Ainda que este seja um local real, e é aqui que estamos, e também nos encontramos na medida em que se desdobra a nossa própria busca. Este lugar pode ser comparado a Glastonbury na Bretanha, porque ambos lugares parecem manter fechados em seus corações mistérios profundos, enquanto ambos tem adquirido os mais ridículos mitos e suposições. Rennes-le-Château fica no departamento do Languedoc conhnecido como Aude, perto do centro de Limoux, que dá seu nome ao famoso ‘blanquette’, ou vinho espumante à área conhecida ns séculos VIII e IX como Razes. Do pequeno centro de Couiza, grandes avisos apontam para uma estrada menor, anunciando o ‘domínio do Abade Sauniere’. Seguindo estes sinais os motoristas se acham em um curioso zig-zag estrada acima para a vila no topo da montanha de Rennes-le-Château. Para nós, bem como para muitos atualmente, é uma viagem excitante. Graças principalmente ao livro ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, mas também a história transmitida boca a boca, este simples dirigir para cima de uma montanha francesa assume ele próprio um sentimento de iniciação. Ainda que o lugar onde geralmente os visitantes parem seja muito prosaico. A estrada leva inevitavelmente a um solitário estacionamento, através de uma grande e estreita ‘rua’ que não tem um correio ou até mesmo uma loja geral – mas que ostenta uma livraria esotérica, um bar/restaurante, o arruinado castelo que dá seu nome à vila, e aléias levando a notória pequena igreja e ao presbitério. Este local tem uma história sinistra e uma reputação ainda mais turva, embora de certo modo vaga. Em resumo, a história é que François Bérenger Saunière (1852-1917), um sacerdote comum, nascido e criado na vila de Montazels, a apenas três quilometros de Rennes-le-Château, fez uma descoberta de algum tipo durante obras de reforma de sua dilapidadaigreja do século X, exatamente a cem anos atrás. Como resultado desta descoberta, ou por causa de seu valor intrínsico, ou porque isso o tenha levado a algo que podia ser transformado em vantagem financeira, ele se tornou imensamente rico. A especulação tem variado com o passar dos anos sobre a verdadeira natureza da descoberta de Sauniere: mais prosaicamente tem sido sugerido que ele encontrou um monte de tesouro, enquanto outros acreditam que isso fosse algo consideravalmente mais estupendo, tal como a Arca da Aliança, o Tesouro do Templo de Jerusalém, o Santo Gral ou até mesmo a tumba de Cristo, uma idéia que recentemente tem encontrado maior expressão em ‘The Tomb of God’ de Richard Andrews e Paul Schellenberger (1996). (para nossa discussão sobre a teoria deles veja apendice II).

Tivemos que ir a Rennes-le-Château porque, segundo os Dossiês Secretos e ‘The Holy Blood and the Holy Grail’, isto era de importância particular para o Priorado de Sião, embora as precisas razões para isto permaneçam obscuras. O Priorado afirma que o que Sauniere descobriu foram pergaminhos contendo informação genealógica que prova a sobrevivência da dinastia Merovingia, e estabelece que certos indivíduos tem o direito de reclamar o trono da França, tais como Pierre Plantard de Saint-Clair. Contudo, ninguém fora do Priorado tem realmente posto o olho nestes pergaminhos, e a inteira idéia da linhagem Merovíngia é duvidosa, para dizer o mínimo, e há pouca razão para dar muito crença a esta afirmação. Há ainda um outro maior furo, uma clara inconsistência, na história do Priorado. Se eles realmente tivessem existido por muitos séculos apenas para protegerem a linhagem Merovíngia, é curioso que eles dessem boas vindas a informação contando quem eram estes descendentes. Certamente eles sabiam quem eram aqueles que eles juravam defender, caso contrário eles dificilmente teriam tido este tipo de zelo fanático que com o passar dos séculos eles tem mantido em sua própria organização por tanto tempo! Confiar – aparentemente – no que é essencialmente uma retrospectiva razão de ser é suspeito, para dizer o mínimo. Não obstante estavamos intrigados pela importância investida na vila pelo Priorado. Há duas possíveis razões para isso: uma é que de fato a vila seja importante, mas não pelas razões declaradas nos Dossiês – enquanto que a outra é que a história de Sauniere não tenha qualquer ligação real com o Priorado e que este sequestrou o mistério para seus próprios fins. Tinhamos que descobrir qual destas alternativas era a mais próxima da verdade.

Chegando ao estacionamento da vila, temos uma vista fantástica do Vale Aude até os picos cobertos de neve dos Pirineus. É fácil ver o porque, no passado, este abrigo aparentemente inconsequente fosse considerado de tal importância estratégica, porque certamente a visão de qualquer inimigo que se aproximasse seria muito dificil de ser igualada. Isto foi o porque Rennes-le-Château foi uma vez uma maior fortaleza visigoda; alguns vão tão longe a identifica-la como a cidade perdida de Redhae, que era igual a Carcassonne e Narbonne – embora seja difícil ver uma tal metrópole agitada neste agrupamento de casas peculiarmente deserto de hoje. Ainda que o lugar exerça uma influência magnética: embora realmente apenas menos de cem pessoas vivam hoje em Rennes-le-Château, ela tem mais de 25.000 visitantes por ano. A torre de água, que se eleva fora do próprio estacionamento, ostenta os signos do zodíaco – um motivo que é repetido também acima das portas de algumas das pequenas casas, mas, desapontadoramente, isto se mostra ser um costume comum na área. Mas todos os olhos são atraídos para a construção muito esquisita que parece brotar da própria borda do penhasco da vila, pendurando-se sobre a suprema queda. Esta era a biblioteca particular e estudo de Sauniere, conhecida como Tour Magdala (Torre Magdala). Ela é parte do domínio dele, recentemente aberta ao público. Como uma pequenina torra medieval, a torre de um lado dá para a longa proteção, levando agora para uma dilapidada casa de vidro. Nas salas sob a proteção há agora um museu, que é dedicado a vida de Sauniere e ao mistério que o cerca. Um jardim separa a torre de uma casa muito maior que ele tinha construído com sua riqueza inexplicável, a Vila Bethania, algumas salas da qual estão abertas ao público. Exatamente do outro lado, roda um caminho de pedras, fica uma pequena gruta feita pelo próprio sacerdote de pedras carregadas especialmente, e presumidamente com grande esforço, de um vale vizinho. Então chegamos a igreja e ao cemitério da vila.

A igreja é dedicada a Santa Maria Madalena. Dado a fama da igreja, é surpreendente descobrir ser ela tão pequena, mas qualquer desapontamento é mais do que superado pelo famoso caráter bizarro das decorações feitas pelo Abade Sauniere. Isto, no mínimo, o Abade queria surpreender. Acima do pórtico, com seus quase comicos pássaros de gesso branco de segundo nível e quadrados ladrilhos amarelos, estão gravadas as palavras: Terribilis est locus iste (‘Este é um terrível lugar’),  uma citação do Livro do Geneses (28:17) que é completada, em Latim, no arco do pórtico: “Esta é a casa de Deus e o Portão do Paraíso”. Uma estátua de Maria Madalena preside acima da porta, enquanto o tímbale é decorado com um triângulo equilátero, e rosas gravadas com uma cruz. Mas muito mais surpreendente é a visão de um demonio de gesso, odiosamente contorcido, aparentemente guardando a entrada imediatamente dentro do pórtico. Chifrudo e com as feições distorcidas, ele se curva de um modo claramente significativo, enquanto sustenta a pia da água benta em seus ombros. Isto é superado por quatro anjos, cada um fazendo um dos gestos envolvendo o sinal da cruz, enquanto as palavras ‘Par ce signe tu le vaincras’ (‘Por este sinal você deve conquista-lo) estão inscritas sob eles. Contra a parede distante está um quadro mostrando o batismo de Jesus, que é apresentado em uma posição que é exatamente a imagem em espelho do demonio. Jesus e o demonio estão fitando uma parte específica do chão que é posto como um tabuleiro de xadrez. No quadro, João Batista se inclina sobre Jesus, pingando água sobre ele com uma concha, assim repetindo o motivo da pia de água em forma de concha que também é sustentada sobre o demonio. Claramente algum paralelo está sendo traçado entre os dois conjuntos de imagens, entre o demonio e o batismo de Jesus. (Em abril de 1996, em um dos muitos atos de vandalismo ao qual a igreja é inclinada, o demonio teve sua cabeça arrancada, e roubada, por um atacante desonhecido). Ficando de pé no chão em preto e branco e olhando ao redor desta pequenina igreja paroquial de Santa Maria Madalena, parece ser uma típica igreja católica a primeira vista e lugar. Super decorada com chamativos santos de gesso – tal como Santo Antonio o Eremita e São Roque, ela contém a cota usual de mobilia de igreja. Ainda que elas mereçam um exame mais cuidadoso, porque a maioria delas ostenta ao menos um toque idiossincrásico. Por exemplo, as Estações da Cruz, que geralmente são percorridas em um sentido anti-horário, aqui incluem um menino em uma roupa de xadrez escoces e uma pequena criança negra. E a cobertura sobre o púlpito toma a forma do Templo de Salomão. O baixo relevo na frente do altar era, por assim dizer, o orgulho e alegria de Sauniere: ele próprio colocou toques de acabamento a isso. Isto mostra uma Madalena vestida em ouro ajoelhada em prece, um livro aberto diante dela e um cranio em seus joelhos. Seus dedos estão curiosamente entrecruzados da maneira geralmente descrita como ‘latté’. Um cruz aparentemente composta de uma ávore viva, fina, comprida e estreita, com uma folha meio para cima, se eleva em frente a ela, e do outro lado da gruta rochosa onde ela se ajoelha pode-se se ver a forma distinta de construções silhuetadas contra o horizonte. Curiosamente, embora o cranio e o livro aberto sejam ambos aceitos como parte da iconografia de Madalena, o usual jarro de óleo de nardo está faltando aqui. Ela também aparece na janela vitral acima do altar, onde aparentemente ela está emergindo de sob a mesa para ungir os pés de Jesus com sua preciosa unção. Ao todo há quatro imagens de Madalena na igreja, que, até mesmo dado o seu status de santa patrona, pode parecer excessivo para uma construção tão pequena. A devoção de Sauniere a ela é reforçada por denominar sua biblioteca como Torre Magdala e sua casa como Vila Bethania. Bethania é o lar bíblico da família que incluia Lázaro, Marta e Maria.

Há uma sala secreta oculta por trás de um armário na sacristia, mas até mesmo o último raramente é visto pelo público. Sua única janela, que não pode ser vista claramente de fora, parece apresentar em um vitral a usual cena da Crucificação. Mas, como tudo mais neste ‘terrível lugar’, não é bem o que parece. O olho é atraído para um distante panorama, que pode ser visto sob os braços do homem na cruz: claramente o real foco da pintura. Lá, mais uma vez e novamente está o Templo de Salomão. Até mesmo a entrada do cemitério não é usual: o arco é decorado com um cranio de metal e ossos cruzados, um emblema dos Cavaleiros Templários, embora um toque não usual seja o riso forçado que mostra vinte e dois dentes. As tumbas, floridamente cobertas com elaborados tributos florais e fotografias daqueles que partiram como em tanto outros cemitérios franceses, inclusive estes das famílias dos Bonhommes. Em qualquer outro lugar mais, isto dificilmente causasse comentário, mas aqui está um lembrete linguístico dos cátaros – os  Bonhommes – que parece significativamente pungente. A tumba de Sauniere, com o baixo relevo de seu perfil, ligeiramente danificada pelo vandalismo em tempos recentes – fica contra uma parede separando o cemitério de seu antigo domínio. Marie Dénarnaud, sua fiel governanta [se não consideravelmente mais] está enterrada ao seu lado. Não é nosso propósito entrar em detalhes do que é por agora uma história perfeitamente banal. Mas ao suspeitar que o mistério de Rennes-le-Chateau mantenha algumas pistas da tradição subterrânea não estavamos nem enganados e nem desapontados. Como temos visto, temos encontrado evidência de uma complexa série de conexões que remontam a tradição gnóstica  na área, um lugar que sempre tem sido notório por seus hereges, sejam eles cátaros, Templários ou as chamadas ‘bruxas’. Desde o trauma da Cruzada Albigense o povo local  nunca tem confiado totalmente no Vaticano, e assim tem fornecido lar perfeito para idéias não ortodoxas além daquelas dos interesses de minorias políticas.  No Languedoc, com suas longas e amargas memórias, a heresia e a política tem sempre ido lado a lado como talvez elas ainda o façam.

Em Saunière encontramos um sacerdote extrovertido e rebelde. Ele dificilmente foi um típico clérigo de vila, sendo familiarizado com o Grego bem como com o Latim e um regular assinante de um jornal contemporaneo alemão. Se ele descobrobriu ou ão algum tesouro ou segredo, é improvável que o inteiro ‘negócio de Rennes-le-Chasteau’ seja uma completa fabricação. Há, contudo, várias razões para pensar que a história como geralmente écontada seja grandemente mal compreendida. É notoriamente difícil reconstruir a exata sequência de eventos, na medida em que isso grandemente repousa em memórias dos vilarinhos muito mais do que em evidência documental. Sauiere asumiu seu lugar como pároco da vila em junho de 1885. Dentro de poucos meses ele estava com problemas por pregar um sermão ferozmente anti-republicano de seu púlpito [durante as eleições daquele ano] e foi temporariamente privado de sua posição. Reassumindo no verão de 1886, ele recebeu uma doação de 300 francos  da Condessa de Chambord, viúva de um pretendente ao trono francês, Henri de Bourbon, que declarava o título de Henrique V em reconhecimento por seus serviços a causa monarquista. Aparentemente ele usou o dinheiro para renovar a antiga igreja, e na maioria das narrativas foi quando foi removido o pilada visigodo que sustentava o altar que ele encontrou os falados pergaminhos codificados. Mas isso parece improvável porque seu comportamento excentrico e projetos ambiciosos não começaram até 1891. Foi por volta daquele tempo que o sineiro, Antoine Captier, encontrou algo de importância. Alguns dizem que era um cilindro de madeira, enquanto outros dizem que era um frasco de vidro: seja o que fosse, é acreditado conter pergaminhos ou documento enrolados que ele entregou a Sauniere. E esta parece ser a descoberta que desencadeou as ações peculiares do sacerdote. A versão usual é que Sauniere apresentou os pergaminhos ao Bispo de Carcassone, Feélix-Arsène Billard, e que isto precipitou uma viagem a Paris. É geralmente dito que Sauniere foi aconselhado a levar os pergaminhos para seerm decodificados por um especialista, um Émile Hoffet, que então era um jovem estudando para o sacerdócio mas que já tinha um profundo conhecimento de ocultismo e do mundo das sociedades secretas. [Ele mais tarde ensinou na Igreja de Notre-Dame de Lumières em Goult, um local da Madona Negra qu4e é especialente importante para o Priorado de Sião]. O tio de Hoffet era o diretor do seminário de São Suspílcio em Paris. A igreja de São Suspílcio é distinguida pelo fato de que o meridiano de Paris, que passa perto de  Rennes-le-Château, é marcado por uma linha de cobre através do chão dela. Construída sobre as fundações de um templo dedicado a Isis em 1645, ela foi fundada por Jean-Jacques Olier, que a tinha projetado segundo o Significado Dourado da geometria sagrada. Ele recebeu seu nome de um bispo de Bourges ao tempo de um rei Merovíngio, Dagoberto II e seu dia de festa é 17 de janeiro – uma data que se repete nos mistérios de Rennes-le-Chateau e do Priorado. A maior parte da novela satanica de J. K. Huysmans ‘Là Bas’ é passada em São Suspílcio, e o seminário anexo a ela era notório pela não ortodoxia [para dizer o mínimo] no final do século XIX. Ela também serviu como sede para a misteriosa sociedade secreta do século XVI, a Companhia do Santo Sacramento, que, tem sido proposto, era uma fachada do Priorado de Sião. Durante a estada de Sauniere em Paris – que foi ou no verão de 1891 ou primavera de 1892 – Hoffet o apresentou a florescente sociedade oculta que esta centrada em Emma Calvé, e que incluiam persoinagens tais como Joséphin Péladan, Stanislas de Guaïta, Jules Bois e Papus (Gérard Encausse). Há um persistente rumor que Sauniere e Emma tornaram-se amantes. É dito que Sauniere visitou a Igreja de São Suspílcio e estudou certas pinturas lá, e, segundo a história usual, comprou reproduções de específicas pinturas no Louvre [o que será discutido mais tarde]. Em sua volta a Rennes-le-Château, ele começou a decoração de sua igreja e a construção de seu domínio. A visita a Paris é uma parte crucial do mistério de Sauniere, e tem sido assunto de intenso exame por pesquisadores desde então. Não há evidência direta do que realmente aconteceu. Uma fotografia de Sauniere que tem o nome de um estúfdio de Paris, a muito tomada como prova desta viagem, foi recentemente demonstrado ser de seu irmão mais novo Alfred [também um sacerdote]. Tem sido afirmado que Sauniere aparece no livro de Missas em São Suspílcio, mas isso nunca tem sido confirmado. O escritor Gérard de Sède, que possui alguns dos papéis de Hoffet, afirma que eles contêm uma nota de um encontro com Sauniere em Paris [não datada, infelizmente] mas até onde sabemos não há corroboração independente disso. Como muito desta históia, ela repousa nas memórias e testemunho dos vilarinhos e outros.

Por exemplo, Claire Captier, nascida Corbu, a filha do homem que comprou o domínio de Sauniere de Marie Dénarnaud em 1946 – a última viveu com Corbu até sua morte em 1953 – é enfática em afirmar que a vigem qa Paris aconteceu. Seja o que for que Sauniere tenha encontrado, parece te-lo feito extremamente rico e muito rapidamente. Quando ele inicialmente assumiu seu posto ele tinha um estipêndio mensal de 75 francos. Ainda que entre 1896 e sua morte em 1917 ele gastasse uma vasta soma – talvez não os 23 milhões de francos que alguns dizem – mas certamente tanto quanto 160.000 francos por mês. Ele tinha contas bancárias em Paris, Perpignan, Toulouse e Budapest e investia pesadamente em ações e cotas e fianças – não o padrão costumeiro para um sacerdote. Tem sido dito que ele teria feito seu dinheiro vendendo missas [acusado de dizer missas que ram acreditadas deixarem os pagadores livres de um número de anos no purgatório] mas embora ele certamente o fizesse, como geralmente visto pelo historiador francês  René Descadeillas – o principal negador do caso de Sauniere -, isto não teria produzido somas suficientes que o habilitassem para eregir tais construções e ao mesmo tempo viver tão grandiosamente. Portanto havia algo mais. De qualquer modo, pode-se perguntar porque tantas pessoas haveriam de querer as misas celebradas por Sauniere – um insignificante pároco rural de uma remota paróquia. Ele e Marie atraiam a crítica peloi seu estilo de vida gastador; ele sempre estava vestida na última moda de Paris [ é dito que esta era a razão real para seu apelido de  ‘la Madonne’, a Madonna] e eles recebiam em uma escala completamente desproporcional a sua suposta renda ou status social.  Sobretudo era extremamwnte difícil para os ricos e famosos fazerem a viagem para Rennes-le-Château para estar com eles. [Por alguma estranha razão, contudo, Sauniere apenas recebia na Vila Bethania, preferindo viver no prebistério anexo a igreja]. Seus visitantes incluiam um príncipe Hapsburg, que tinha o evocativo nome de Johann Salvator von Habsburg, um ministro do governo e Emma Calvé. Mas não foi apenas a escala gastadora da hospitalidade deles que convidava a hostilidade: Sauniere e Marie começaram a escavar a noite no cemitério. Embora por completo o que eles descobriram seja um assunto para especulação, é certo que eles apagaram as inscrições  da pedra tumular e da placa que cobriam a tumba de um nome evocativo: Marie de Nègre d’ Ables, uma nobre mulher da área que morreu em 17 de janeiro de 1781, presumidamente para ocultar a informação que ela continha. Pouco eles entenderam que seu esforço era em vão: uma cópia da inscrição já existia graças aos membros visitante de uma sociedade de antiquários locais. Como veremos, contudo, a avidez de Sauniere para destruir  a inscrição é de grande importância para nossa investigação. Por volta do tempo da alegada viagem a Paris, Sauniere também encontrou a Pedra do Cavaleiro de face para baixo perto do altar, uma placa gravada datando dos tempos visigodos, que apresenta um caalaeiro em um cavalo com uma criança. Ele parece ter rncontrado algo de grande importâncis sob esta pedra- talvez um outro grupo de documentos ou artefatos, ou a entrada de uma cripta. Ninguém sabe com certeza como Sauniere teve o chão substituido, mas seu diário registra a enigmatíca entrada de 21 de setembro de 1891: “Carta de Granès. Descoberta de uma tumba. Chovia”. As escavações noturnas de Sauniere causaram um escândalo local ma foi sua venda de missas que eventualmente provocou a ira das autoridades da Igreja  na extensão em que ele foi destituído de seu ofício de sacerdote. Ele foi até mesmo designado para uma outra paróquia, mas firmemente se recusou a obedecer, e claramente viveu em Rennes-le-Château com Marie. Quando a Igreja enviou um outro sacerdote a vila, Sauniere celebrou a misssa em Vila Bethania não oficialmente para os vilarinhos que permaecerem leais a ele. De todos os mistérios que cercam Sauniere talvez o mais persistente seja o que se seguiu a sua morte. Ele ficou doente em 17 de janeiro de 1917; viveu mais cinco dias e seu corpo foi sentado ereto em uma cadeira ao ar aberto, nas defesas do terraço de seu domínio, enquanto os vilarinhos – e outros que ja haviam feito uma viagemmuito mais longa -  passavam por ele, tocando os pompons vermelhos de sua batina. Sua última confissão foi ouvida por um sacerdote da vizinha   Espéraza, e seja o que foi que tenha sido dito teve um tal efeito profundo sobre ele, como diz René Descadeillas: ‘que daquele dia em diante o velho sacerdote nunca mais foi o mesmo homem; ele claramente recebeu um choque”. Depois de sua morte, a fiel  Marie Dénarnaud viveu em Villa Bethania. Saunière que, como um sacerdote, nada podia possuir, tinha comprado toda terra no nome dela. Ela se tornou crescentemente reclusa e ganhou uma reputação de irascibilidade, ersistindo a muitas tentativas de comprar os domínios crescentemente dilapidados dela. Mas finalmente, em 1946, no dia da festa de Maria Madalena, ele o vendeu a Noë Corbu, um homem de negócios, sob o entendimento que ele podia viver o resto de sua vida lá.

A filha de Corbu, Claire Captier se recorda de viver lá enquanto criança. Segundo ela, Marie visitava o túmulo de Sauniere todos os dias, e no meio de toda noite. Marie disse a jovem Claire sobre algum fenômeno extraordinário que aparecia em algumas destas visitas. Ela diria: ‘Esta noite eu fui seguida por ‘will-o’-the-wisps’ do cemitério. Perguntada se ela tinha ficado com medo, ela respondia: “Estou acostumada com isso. Ando vagarosamente e eles me seguem ; quando eu paro, eles também param, e quando fecho a porta do cemitério eles desaparecem”. Claire Captier também se recorda que Marie disse: ‘Com o que o Senhor Cura tem deixado, pode-se alimentar toda Rennes por cem anos e ainda sobrará”. E quando perguntada porque, se tanto dinheiro foi deixado para ela, ela ainda vivesse pobre, ela respondeu:’ Não posso tocar nisso”. E em 1949, quando ela sabia que o negociante Corbu estava em dificuldades, ela disse: “Não se preocupe muito, meu bom Noe, um dia eu lhe contarei um  segredo que fará de você um homem muito, muito rico”. Infelizmente, nos meses que levaram a sua morte por um derrame em janeiro de 1953, ela se tornou senil, e o segredo morreu com ela. Sobre o que era a história de Sauniere? Certamente parece que ele estava sendo pago por algum agência externa para permanecer na vila [até mesmo quando rico o sacerdote escolheu permanecer], embora os pagamentos tenham sido erráticos. Sua riqueza não consistia de uma grande soma de dinheiro, como alguns tem sugerido, porque seu fluxo de caixa era variável. Ele frequentemente recorreu a empréstimos não apenas para recuperar seu estilo de vida gastador mais uma vez em questão de meses. Ao tempo de sua morte ele estava empenhado em ambiciosos projetos novos que teriam custado ao menos oito milhões de francos – para construir uma estrada decente até a vila para o carro a motor que pretendia comprar, levar água a todas as casas e criar uma piscina externa batismal, erigir uma torre de setenta metros doa qual ele planejava chamar seus paroquianos para rezar. Fortes candidatos ao papel de pagadores são os monarquistas, em tal caso há um diferente mistério. Que possível serviço Sauniere poderia ter fornecido a eles que justificasse tais pagamentos em tão grande escala? Pode sua obsessão por Maria Madalena de algum modo sugerir uma razão subjacente para suas enormes recompensas? Certamente havia mais nesta riqueza do que um complô político. E suas poucas memórias sobreviventes, nas palavras de Gérard de Sède, revelam: umacuriosa devoção a Bona Dea,  o eterno princípio feninin, o qual, na boca de Bérenger [Saunière], parece transcender as crenças e fés. Mais uma vez encontramos segredos rodeando o Princípio Feminino como incorporado em Maria Madalena – e uma distinta conexão com o Priorado de Sião, que afirma venerar Madonas Negras e Isis. E, como devemos ver, a área ao redor de Rennes-le-Château contém muito mais pistas para a continuação desta forma de veneração a deusa.

E quanto aos famosos pergaminhos alegadamente encontrados por Sauniere [segundo fontes do Priorado de Sião]? Eles são ditos consistirem em duas genealogias relativas a sobrevivência da dinastia Merovingia e dois consistentes em extratos dos Evangelhos nos quais certas letras, que são marcadas, mantém mensagens codificadas. Os próprios pergaminhos nunca tem sido vistos a luz do dia, mas alegadas cópias dos textos codificados tem sido amplamente publicadas, seu primeiro aparecimento sendo em 1967 em ‘L’Or de Rennes’ de Gérard de Sède e sua esposa Sophie. (De fato, ele não seja tanto creditado, Pierre Plantard de SaintClair tem afirmado que ele foi o co-autor deste livro] Estes textos tem sido assunto de milhares de palavras e muita especulação em andamento. Do Novo Testamento a narrativa de Jesus e seus discípulos em um capo de milho no Sabbah, as letras marcadas, quando simplesmente as lemos ordenadamente, diz: PARA DAGOBERTO II REI E PARA SIÃO É ESTE TESOURO E É SUA MORTE/ELE ESTÁ MORTO. O outro texto descreve abertamente a unção de Jesus por Maria de Bethania e a versão decodificada é: OS PASTORES SEM TENTAÇÃO QUE POUSSIN E TENIERS [pintores] MANTÉM A CHAVE DA PAZ 681 PELA CRUZ E ESTE CAVALO DE DEUS COMPLETO [OU MATO] ESTE DEMONIO GUARDIÃO AO MEIO DIA [OU AO SUL] MAÇÃS AZUIS. A decifração deste código é muito mais complexa do que a do primeiro texto. Ao ler as letras marcadas neste texto lemos ‘REX MUNDI’ [Latim para 'Rei do Mundo' um termo gnóstico para o deus desta terra, que era usado pelos cátaros], mas 140 letras estranhas tem sido acrescentadas também, tornando a decodificação um processo imensamente tortuoso para obter a mensagem da Tentação dos pastores. [interessantemente, o sistema usado tinha sido divisado pelo alquimista francês Blaise de Vignère, que era secretário de Lorenzo de Medici.) A mensagem final é um anagrama perfeito da inscrição da pedra tumular de Marie de Nègre (que é discutida no capítulo seguinte). Embora haja pouca dúvida que a mensagem decodificada seja acurada, tem havido muitas tentativas engenhosas e frequentemente altamente imaginativas para tentar explicar ou fazer sentido disso. [a mais recente, de Andrews e Schellenberger, é discutida no Apendice II). O problema com estes pergaminhos é que Philippe de Chérisey, um associado de Pierre Plantard de Saint-Clair (e provavelmente seu sucessor como Grão Mestre do Priorado de Sião em 1984), mais tarde admitiu que os fabricou em 1956. [quando confrontado pelo autores de 'The Holy Blood and the Holy Grail' em 1979, Plantard de Saint-Clair afirmou que Chérisey simplesmente os havia copiado, mas isto não é inteiramente convincente).

Seja como forque se veja os pergaminhos, tem que ser admitido que eles foram enormemente bem sucedidos como instrumentos de clássica perda de tempo, e são de longe não confiáveis demais para fonecer orientações gerais para uma investigação da história de Sauniere. Mas se Sauniere não encontrou os pergaminhos, ele encontrou um tesouro de algum tipo, como firmemente o acreditam muitas pessoas. Certamente ele encontrou um pequeno grupo de velhas moedas e jóias em sua igreja, mas como a área como um todo é rica em achados arqueológicos, tal descoberta dificilmente teria excitado o interesse que tem cercado a história de Sauniere. Muitas pessoas acreditam que ele tenha encontrado uma real caverna de Aladim cheia de suntuosos tesouros, tanto que ele e seus amigos não conseguiram esgota-los, e que algo dele ainda esteja lá para um buscador empreendedor encontrar. Tão romantica quanto possa ser esta noção, ela não faz sentido. Primeiramente, este cenário é improvável de explicar seus recorrentes problemas de fluxo de dinheiro; secundariamente, ele criou os chamados mapas de tesouro - o simbolismo da igreja - o que não é uma coisa muito inteligente a se fazer se se pretende manter o dinheiro para si. Por último, se a igreja é essencialmente um grande mapa do tesouro então o simbolismo usado é  bizarro e esotérico ao extremo. Se ele quisesse manter o dinheiro para ele próprio ele dificilmente teria projetado um mapa do tesouro para consumo público [não importa quão arcano] e se ele quisese que apenas detas pessoas o encontrassem  então porque não simplesmente dizer a elas? E sua descoberta do tesouro dificilmente explicaria porque pessoas ricas e influentes quisessem visita-lo  em sua remota paróquia no topo da montanha. Dado toda a evidência, parece que Saunire estava sendo pago por alguém para alguma coisa – algum serviço qu4e envolvia permanecer em  Rennes-le-Château, onde ele insistiu de viver até mesmo quando ordenado a se mudar. Suas atividades revelam que ele efinitavamente estava procurando algo: suas escavações noturnas no pátio da igreja. seus longos tours na vizinhança imdiata e até mesmo as viagens mais longas a lugares mais distantes que duravam vários dias a cada vez.

Mas era tão importante que ele fosse pensado estar ainda em Rennes-le-Château que durante suas ausências Marie Dénarnaud regularmente enviasse cartas preparadas em resposta a correspondência recebida, implicando em que ele estava simplesmente ocupado demais para responder pessoalmente daquela vez. [algumas destas respostas armazenadas foram encontradas em seu papéis depois de sua morte]. Uma nova adição à história de Saunire emergiu em 1995, quando o esoterista André Douzet produziu uma maquete, ou modelo em gesso, representando o panorama em relevo que Sauniere alegadamente havia encomendado exatamente antes de sua morte. Ela mostra montanhas e vales e o que parecerem ser estradas ou rios correndo por elas. Há uma única construção quadrada em um dos lados da montanha. Ostensivalemente, ele apresenta a área ao redor de Jerusalém, como sítios bíblicos tais como o Jardim de Getsemani e o Golgota são indicados. Contudo, o panorama da maquete de modo algum combina com aquele de Jerusalém: talvez ele realmente mostre a área ao redor de Rennes-le-Château. Será que Sauniere teria divisado tornar sua terra natal em uma nova Jerusalém?

É possível passar uma vida inteira estudando as possibilidades do mistério de Rennes-le-Château: de fato, talvez esta seja sua verdadeira função – ser glorificada falsamente. Por enquanto ela é indubitavelmente importante, desviando a atenção do envolvimento igualmente sugestivo de outros na área adjacente. Outros párocos nas paróquias vizinhas estavam implicados no caso, inclusive o superior de Sauniere, Félix-Arsène Billard, Bispo de Carcassone. Ele alegadamente enviou Sauniere a Paris e ignorou seu aparente comportamento excentrico e ecandaloso. [foi depois da morte de Billlard em 1902 e a indicação de seu sucessor que Sauniere foi acusado]. E o próprio Billard estava envolvido em duvidosos negócios financeiros. O mais conhecido entre estre grupo de sacerdotes ao redor de Sauniere  o Abade Henri Boudet (1837-1915), que tinha sido sacerdote em Rennes-les-Bains desde 1872. Um homem erudito, sábio, reservado, temperamentalmente o oposto de Sauniere, ele também estava engajado em estranhas atividades. Em 1886 ele publicou um livro bizarro, ‘Le vraie langue celtique et le cromleck de Rennes-les-Bains’ (A Verdadeira Linguagem Cética e Cromlech de Rennes-les-Bains ), que desde então tem deixado perplexos os pesquisadores. Ostensivamente o livro lida com dois assuntos: uma perversa teoria que muitas linguas antigas – Celtica, hebraica e asim por diante – eram derivadas do anglo-saxão, incluindo exemplos frequentemente hilários de como nomes de lugares nas vizinhanças de Rennes-les-Bains vieram de raízes inglesas; e uma descrição dos vários monumentos megalíticos na área.  Boudet era um respeitado historiador e antiquário lcal, e as teorias que ele propunha eram tão improváveis que muitos devem ter concluido que elas escondessem um segredo mais profundo, mensagens secretas – uma contraparte literária da decoração da igreja de Sauniere. Alguns tem até mesmo sugerido que ambos se complementem e quando reunidos eles codifiquem as direções para o ‘tesouro’. Se assim, ninguém tem chegado a uma decifração satisfatória, e o livro de Boudet é tão intrigante hoje quando ele foi quando publicado pela primeira vez. Suas outras atividades, contudo, correm paralelas aquelas de Sauniere, na medida em que é sabido ter ele alterado as inscrições em pedras de túmulos  em seu cenitério de igreja e movido marcadores de terra na área.  Alguns tem visto Boudet como a mente mestra real por trás do trabalho de construção de Sauniere, e temos visto sugestões, tais como a de Pierre Plantard de Saint-Clair – embora longe de serem substanciadas, que Boudet fosse o ‘mestre pagador’ de Sauniere. Mas Boudet também é importante para um outro maior participante neste complexo mistério: o próprio Plantard de Saint-Clair escreveu o prefácio de uma edição de 1978 do livro de Boudet e ele possuia terras perto de Rennes-les-Bains. Pode-se tamém ver no cemiterio da velha igreja de Boudet um marcador indicando a trama que Plantard de Saint-Clair tem reservado para ele próprio. Um outro clérigo contemporaneo de Sauniere era o Abade  Antoine Gélis, que era o sacerdote paroquial da vila de Coustassa, que jaz através do vale do Rio Sals a partir de Rennes-le-Château. Em 1o. de novembro de 1897 o ancião abade foi encontrado selvagemente assassinado, tendo morrido de repetidos golpes na cabeça, aparentemente causados por um assaltante que ele havia deixado entrar no presbitério e com quem ele estava conversando. Gelis era amigo de Sauniere e este último registra um encontro com ele e vários outros em seu diáro de 29 de setembro de 1891, estatamente ioto dias depois da ent