A Descoberta de Gizé

A Descoberta de Gizé

Peter Goodgame

Parte I

A Busca pela Tumba Escondida
de Peter Goodgame

“Pessoalmente acredito que a camara secreta de Khufu está escondida dentro da pirâmide’ -  Zahi Hawass, de uma palestra na Filadélfia no início de julho de 2005

Em outubro de 2005 o mundo testemunhará um outro sério esforço para descobrir alguns dos mistérios que estão enterrados sob a rocha e areia em Gizé. Há uma possibilidade muito boa que este esforço não será em vão, e que resultará na maior descoberta arqueológica até hoje feita na história da humanidade. Esta série de artigos explicará o que possa ser esta descoberta e, mais importantemente, o que a descoberta pode significar para o mundo não apenas arqueológica e historicamente, mas espiritualmente também. Os maiores componentes do complexo de Gizé incluem as três maiores pirâmides e também a enigmática estátua de pedra maciçaconhecida ucomo a Esfinge. A Grande Pirâmide, a maior das três pirâmides principais, foi a primeira construida e também a última remanescente das Seta Maravilhas do Mundo Antigo. É um fato bem estabelecido que a Grande Pirâmide foi construída pelo Rei Khufu, da Quarta Dinastia egípcia, cujo reinado começou por volta de 2500 AC. O que não é um fato estabelecido, embora seja uma explicação comum, é que Khufu construiu a Grande Pirâmide para ser sua própria e pessoal câmara funerária. Este não era o propósito da Grande Pirâmide – a verdade é mais interessante. O próprio  Zahi Hawass explica que o Platô de Gizé era conhecido pelos egípcios como a ‘Casa de Osiris, Senhor dos Túneis Subterrâneos’. Então, se quisermos entender Gizé e a Grande Pirâmide devemos entender o antigo deus egípcio Osiris, muito mais do que focar em Khufu, o rei que meramente teve a tarefa de iniciar a construção deste monumento duradouro. Para começar estar história devemos voltar a 1998, quando o Dr. Hawass tinha acabado de fazer o que ele chamou de sua maior descoberta, uma descoberta que definitivamente diz respeito ao deus egípcio Osiris. Você deve estar perguntando? “Quem é o Dr. Zahi Hawass?’ Bem, seus títulos oficiais são Secretário Geral do Supremo Conselho das Antiguidades do Egito e Diretor da Escavação das Pirâmides de Gizé. E outras palavras, o Dr. Zahi Hawass é o homem principal no comando das antiguidades egípcias. Nada acontece arqueologicamente no Egito sem a aprovação dele e sua assinatura, e nada acontece em Gizé sem geralmente ele estar fisicamente presente, ou pessoalmente dirigindo a pesquisa ou escavação ou observando com um olho amigável e crítico.

O Corredor de Osiris

De volta a novembro de 1998 Hawass fez uma descoberta que ele relata em suas próprias palavras, como tomadas de uma divulgação a imprensa naquele tempo: ‘Tenho encontrado um poço, indo 29 metros verticamente para baixo para o solo, exatamente a meio caminho entre a Pirâmide de Kefren [a pirâmide média] e a Esfinge. No fundo, que estava cheio de água, temos encontrado uma câmara funerária com quatro pilares. No meio está um grande sarcófago de granito que espero ser a tumba de Osiris, o deus… Tenho estado escavando nas areias do Egito por mais de trinta anos e até hoje esta é a descoberta mais excitante que tenho feito… Encontramos o poço em novembro e começamos a bombear a água recentemente. Assim vários anos se passarão antes que tenhamos terminado de investigar a descoberta.’  Zahi Hawass acreditava naquele tempo que ele tinha encontratado o local funerário de Osiris, o deus, e ele se referiu a isto como a maior descoberta de sua inteira carreira. Esta descoberta eventualmente veio a ser conhecida mundialmente e a rede de televisão FOX transmitiu um programa especial em 2 de março de 1999 intitulado ‘A Abertura das Tumbas Perdidas: Ao Vivo do Egito’. O especial foi uma enorme sucesso para a FOX no que diga respeito aos niveis de audiência, mas no que diga respeito ao mundo academico isto foi uma dissimulação e um embaraço para a a arqueologia e a egiptologia, a despeito do que pareciam ser boas intenções de Zahi Hawass. A chamada tumba e o sarcófago de Osiris foi eventualmente explicado por Hawass como sendo ’simbólicos’, provavelmente tendo sido usados para propósitos iniciáticos e/ou rituais como parte da religião egipcia, e datando de 2.000 anos depois da construção das pirâmides [665-525 AC]. De qualquer modo, o poço no qual ele foi localizado abria para túneis previamente não explorados mas o mundo ainda está esperando que Hawass faça uma apresentação pública documentando de onde vem estes túneis, quão extensos eles são, e para onde eles levam. Esta história não está morta, mas agora tem estado quieta por um tempo. Pra examinar isto posteriormente os leitores podem ler uma excelente série de artigos escritos por Nigel Skinner-Thompson chamada “The Shaft, The Subway & The Causeway,” ou eles podem ler um artigo intitulado “Ananda in the Hallway of Osiris” que contém uma narrativa em primeira pessoa do que contém os túneis e camaras e um número de fotografias coloridas. Desta aventura podemos deduzir que Zahi Hawass mantém uma crença que Osiris foi de fato uma figura histórica e que sua tumba, e possivelmente seu corpo mumificado, devem ainda existir em algum lugar dentro do complexo de Gizé. O que também está claro é que, por alguma razão  desconhecida, Hawass quer ter certeza que quando esta tumba seja encontrada o mundo inteiro seja capaz de observar quando seus conteúdos forem revelados.

A Iniciativa Francesa

Da passada excitação a respeito da possível descoberta da tumba de Osiris agora dirigimos a nossa atenção a atual excitação a respeito da ‘tumba de Khufu’. De 6 a 12 de setembro de 2004 o 9o. Congresso Internacional de Egiptologistas se reuniu em Grenoble, França. Esta conferência incluiu uma apresentação dada por dois pesquisadores franceses que publicaram sua teoria [e livro] que as anomalias estruturais sugeriam a existência de uma câmara oculta dentro da própria Grande Pirâmide. Gilles Dormion e Jean-Yves Verd’hurt admitem serem amadores em áreas tais como história, cultura e religião egípcias, mas a especialidade deles é no campo da arquitetura e o método deles tem alcançado sucesso no passado quando eles foram capazes de localizar duas câmaras então previamente desconhecidas na Pirâmide Meidum ao sul de Gizé. A teoria de Dormion e Verd’hurt é que a câmara escondida existe sob a Camara da Rainha em uma localização simbólica no próprio coração da Grande Pirâmide. Como evidência para isto eles argumentam o buraco no chão do nicho na parede leste da Camara da Rainha que foi usado para passar cordas através e instalar o que são chamados de “portcullis blocks” que são usados primariamente para bloquear as entradas e saídas das câmaras ou passagens. A teoria deles pareceu ter sido confirmada em setembro de 2000 quando o radar de sondagem de solo foi usado no chão da Câmara da Rainha revelando uma passagem ou vazio 3.5 metros abaixo. Dormion e Verd’hurt também forneceram evidência que as pedras de pavimentação da Câmara da Rainha tinham uma vez sido removidas para ganhar acesso a esta alegada passagem, o que é ilustrado em um artigo aqui localizado. Dormion e Verd’hurt parecem ter ganho o apoio de muito do estabelecimento Egiptológico Francês, incluindo Jean-Pierre Corteggiani do Instituto Francês de Arqueologia Oriental no Cairo e Nicolas Grimal o chefe de Egiptologia do Collège de France. Grimal até mesmo escreveu o prefácio do livro deles ‘A Câmara de Queóps’, escrevendo que as idéias deles, ‘podem levar, sem dúvida, a uma das maiores descobertas na Egiptologia’. Conquanto esta iniciativa francesa pareça ter evidência sólida e sustentação de alto nível de seu lado, ela inevitavelmente não irá a qualquer lugar sem o apoio do Dr. Zahi Hawass. Para testar a teoria deles a equipe francesa tem feito lobbby por uma permissão para perfurar o chão da Câmara da Rainha e Zahi Hawass, que esteve presente na conferência de Grenoble e ouviu a apresentação, se recusa a conceder. Há um par de razões pelas quais Hawass se opõe á iniciatica francesa. Em primeiro lugar, a teoria de Dormion é baseada na idéia de que os construtores egípcios da Grande Pirâmide eram incompetentes e que a localização da tumba de Khufu teve que ser mudada de sob a Câmara do Rei para sob a Câmara da Rainha porque a pirâmide exibia sinais de falha estrutural quando estava sendo construída. Esta possibilidade não é atraente para Hawass, ele próprio um egípcio, e nem é atraente a outros indivíduos consultados por Hawass, Mark Lehner dos EUA e Rainer Stadelmann da Alemanha, que Hawass considera os maiores especialistas na Grande Pirâmide. A outra razão porque Hawass se recusa a permitir a iniciativa francesa vai mais adiante, e é porque ele quer se concentrar em sua própria teoria de onde esta tumba escondida de Khufu possa ser encontrada, e buscando dentro da Grande Pirâmide.

A Iniciativa de Hawass

A atual teoria que Hawass mantém a respeito da localização da ‘Câmara Escondida de Khufu’ remonta ao UPUAUT Projeto de 1992-93 liderado por Rudolf Gantenbrink. Este foi o projeto no qual um robô foi enviado acima de dois poços anômalos que se projetam para cima e para fora, ao norte e ao sul, da Câmara da Rainha. Em 22 de março de 1993 este robô fez seu caminho ao fim do poço sul, 210 pés acima e a 54 pés da superfície da pirâmide, onde ele encontrou o que pareceu uma porta de pedra com cabos manuais. A subsequente testagem mostrou que esta ‘porta’ tinha apenas três polegadas de espessura. A descoberta de uma ‘porta’ no fim do ‘poço-estrela’ ao sul criou uma tempestade de atenção e debate na media, mas nada foi feito até 2002. Foi então qunado uma outra equipe especial de TV foi estabelecida, custeada pela  National Geographic Society e transmitida ao vivo, como antes, pela rede de TV FOX, em 16 de setembro de 2002. O mundo observou um robô subir o poço e perfurar um pequenino buraco pela “Porta de Gantenbrink” depois do que foi inserida uma câmera oferecendo imagens do outro lado. O que se mostrou foi simplesmente o fim de um poço na forma de um grosseiro bloco lavrado, desta vez sem cabos de metal. O robô também foi capaz de ascender com sucesso o poço norte e encontrou uma outra ‘porta’ lisa de pedra com cabos de metal. Contudo, neste caso, foi tomada a decisão de não perfurar a porta. Para trazer esta história atualizada devemos ir ao Museus de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia onde Zahi Hawass deu uma palestra em julho de 2005. Segundo um relato apresentado no ‘ The Daily Star’, foi então que Zahi Hawass expressou sua confiança que a ‘a câmara secreta de Khufu está dentro da pirâmide’. Hawass explicou que suas esperanças residem além do ‘fim’ do poço sul da Câmara da Rainha e o que está além da ‘porta’ no poço norte. Segundo Hawass, em outubro de 2005 um robô construido pela Universidade de Cingapura seria enviado pelos poços para escavar ambos os blocos. Desta vez, para evitar qualquer maior desapontamento como antes, Hawass diz que a perfuração não será transmitida ao vivo, mas os resultados serão anunciados em uma divulgação de imprensa. Contudo Hawass explicou que ’se algo interessante for descoberto, iremos mostra-lo às pessoas de todo mundo’. Ao mesmo tempo que a perfuração estará ocorrendo na Grande Pirâmide haverá também uma equipe de Birmingham, Inglaterra, realizando mapeamento por radar em localizações selecionadas no platô de Gizé. Talvez isto tenha a ver com novos túneis que foram abertos com a descoberta da chamada ‘Tumba de Osiris?’

A Parede de Gizé

Seja o que for que possa estar guardado para Gizé este outubro, parece que Zahi Hawass e as autoridades egípcias tem estado se preparando para algo grande. Em 2002 a construção começou de uma maciça parede de segurança de concreto que cerca o platô de Gizé, que, por razões desconhecidas, também se estende ao deserto vazio para abranger toda a área de aproximadamente oito quilometros quadrados. O egiptologista e místico J.J. Hurtak comenta sobre esta parede dizendo que uma tal muralha nunca teria sido necessária para os turistas, mas somente para a preparação de uma maior descoberta: “A realidade psicológica dos guardas estacionados como sentinelas em intervalos ao longo da inteira muralha leva a intriga de uma maior feição de equipe cinematográfica, destinada a poucos especialistas que estão para encontrar uma esfinge subterrânea ou obelisco, ou uma conexão entre Osiris e a constelação de Orion, muito mais do que uma característica de porta aberta para milhares de estudantes internacionacionais bem comportados de história e de arqueologia que nunca tiveram a necessidade de serem extensamente controlados”. É agora em 2005 e esta parede deve agora estar quase que certamente completa. Que tipo de evento pode possivelmente ser programado para exigir um tal alto nível de segurança? Que tipo de descoberta possivelmente pode ser esperado? É interessante que Hurtak se referiu a possibilidade de encontrar evidência ligando Osiris a Orion. Esta conexão é algo bem conhecido por muitos pesquisadores da religião e da história do Egito antigo, mas ainda não é aceita pela principal comunidade academica de Egiptologia. No artigo seguinte examinaremos porque esta conexão é importante e argumentaremos que a Grande Pirâmide do Egito, se ela de fato foi construida como uma tumba, é mais provável de conter a múmia de Osiris, muito mais do que a de Khufu, o construtor da pirâmide.

Parte II

O Mito e a Religião de Osiris, o Deus

“Glória a ti, Osiris Un-nefer, o grande deus que habita dentro de Abtu (Abydos), tu, o rei da eternidade, tu, o senhor da eternidade, que passou por milhões de anos no curso de sua existência. Tu, o filho mais velho do útero de Nut, e que foi engendrando por Seb, o Ancestral… Deixa teu coração, oh Osiris, que está na Montanha de Amentet, estar contente, porque seu filho Horus está estabelecido no trono… Ele lidera em seu barco o que é e o que ainda não é… ele é excessivamente poderoso e o mais terrível em seu nome Osiris; ele durará para sempre e para sempre seu nome será ‘Un-nefer.’ Homenagem a vós, Oh Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Governante dos Príncipes, que do útero de Nut vieste para governar o Mundo e o Submundo. Louvações devem ser dadas a ti, Osiris, Senhor da Eternidade, Un-nefer-Heru-Khuti, cujas formas são muitas, e cujos atributos são majestosos… tu que guias o Submundo, a quem os deuses glorificam quando tu te pões na noite do céu de Nut… Aqueles que se tem deitado [isto é, os mortos] se levantam para te olhar, eles respiram o ar e olham tua face quando o disco se eleva no horizonte; seus corações estão em paz contanto que eles te observem. Oh tu que é a eternidade e a Eternidade’. – Hino a Osiris  do Livro Egípcio dos Mortos [1400 AC]

Quando as pirâmides de Gizé foram construidas pelos faraós da Quarta Dinastia (circa 2600-2500 AC) o centro da religião egípcia era localizado na cidade egípcia de Anu ou Innu, mais tarde conhecida pelos gregos como Heliópolis, a ‘Cidade do Sol’. Esta capital religiosa era localizada no lado oposto do Nilo do platô de Gizé a aproximadamente doze milhas a nordeste. As pirâmides foram construídas como um monumento religioso e se fomos completamente entende-las, devemos primeiro ter um entendimento básico das crenças religiosas egípcias daquele tempo.

A Religião Egípcia

Segundo o que é chamado Sistema Eneade de criação, que foi desenvolvido e promovido de Heliópolis, havia nove maiores deuses na chefia do panteão egípcio. O deus principal era Atum, também conhecido como Ra ou Re. Foi ele que emergiu sozinho do nada primordial e ele foi representado e venerado como o Sol. O estágio seguinte da criação de Atum foram os elementos ‘ar’ e ‘água’, deificados como o deus Shu e a deusa Tefnut. Desta união veio a geração seguinte das divindades egípcias que eram o deus Geb [também conhecido como Keb ou Seb] que representava a Terra e a deusa Nut ou Nuit, que era uma deificação do céu e paraíso. Este par, o céu e a terra, foram eventualmente separados, com a canópia do céu se arqueando sobre e cobrindo a terra prostrada. Foi da união de Geb e Nut que a história egípcia começou, porque antes de sua separação Nut ficou grávida e deu nascimento a quatro filhos: os irmãos Osiris e Set e as irmãs Isis e Neftis. Segundo antigas narrativas egípcias de cada era Osiris foi o próprio primeiro rei do Egito que governou sabiamente e compassivamente em uma primordial Idade Dourada referida como  Zep Tepi – “A Primeira Vez”

O Mito de Osiris

A história da vida e morte de Osiris é relatada no mito chamado “A História de Osiris e Isis”. Este mito é recontado em partes e pedaços pelo Egito em inscrições hieróglifas, em textos funerários em papiros, e em pinturas e esculturas, mas não é estabelecido em uma completa forma literária até o escritor grego Plutarco o resumir no primeiro século de nossa era. Brevemente, segundo esta versão do mito, quando Osiris apareceu na terra do Egito esta estava em um caos e as pessoas viviam como bárbaros ignorantes. Osiris civilizou os egípcios e trouxe ordem para a terra ao ensina-los a agricultura e a escrita, ao dar a eles um código de leis, e ao instrui-los na veneração apropriada dos deuses. Depois de seu grande sucesso na terra do Egito Osiris foi em uma jornada para civilizar e trazer ordem à inteira terra. Enquanto ele estava fora sua irmã/esposa Isis governou em seu lugar, enquanto seu ciumento irmão Set conspirava para se ver livre dele e tomar seu trono. Durante uma visita de retorno ao Egito Set realizou um banquete em honra de Osiris. Ele tinha secretamente medido o corpo de Osiris e tinha fabricado um maravilhoso baú para as exatas especificações dele. Durante a festa este baú foi trazido e admirado por todos. Como se de brincadeira Set ressaltou que ele daria este maravilhoso objeto seja quem for que coubesse perfeitamente dentro dele. Todo mundo na festa o tentou, mas somente Osiris se encaixou perfeitamente e então quando ele estava lá dentro Set, juntamente com 72 companheiros conspiradores, fechou a porta do bau e cerrou-o com pregos e chumbo derretido. Eles então carregaram o baú e o atiraram o rio, onde Osiris afundou e o baú foi carregado para o mar. Eventualmente este bau foi dar no litoral de Biblos, onde a vegetação litoranea o cercou e encobriu. Esta vegetação cresceu mais espessa até parecer um tronco de uma árvore, depois do que ela foi cortada com o bau escondido dentro, e instalada como um pilar na côrte de um rei local. Depois de uma série de eventos miraculosos eventualmente Isis encontrou o bau, recuperou o corpo de Osiris e o trouxe de volta ao Egito onde ela o escondeu. Infelizmente, enquanto caçava em uma noite o maligno Set encontrou o bau, descobriu o corpo de Osiris, o cortou em quatorze pedaços e os espalhou pela terra. Então Isis foi pela terra para recuperar os pedaços do corpo de seu marido/irmão e ergueu um templo ou tumba para Osiris em cada lugar que encontrou um pedaço. Ela encontrou cada pedaço do corpo de Osiris exceto o falo e magicamente os reuniu novamente. No lugar do falo ela criou um artificial e o consagrou aos deuses, depois do que ela copulou com Osiris e ficou grávida. O corpo de Osiris foi então mumificado e enterrado em um local não revelado, o que é a primeira referência histórica ou mitológica à prática da mumificação. Osiris foi então a primeira múmia do mundo, o que é um fato importante a lembrar. O filho que nasceu de Isis foi chamado Horus e ele foi criado em segredo até a idade adulta. O espírito de Osiris frequentemente visitaria seu filho, o instruindo em assuntos de guerra e no meio apropriado de governar como um rei. Horus gradualmwente tornou-se talentosa e reconhecidamente suficiente para desafiar seu tio Set, e expulsa-lo em um número de batalhas épicas. Horus eventualmente superou Set militarmente e então também legalmente, quando o Conselho dos Deuses deu a Horus a autoridade para governar a inteira terra do Egito. Osiris também foi recompensado pela virtude que ele apresentou em sua vida ao ser transformado em um deus e recebeu a autoridade para julgar os mortos e governar o Submundo. Desde então cada rei do Egito foi conhecido como um descendente de Horus e de Osiris.

Os Símbolos de Osiris

Na arte egípcia Osiris quase sempre é representado como uma figura que está mumificada em linho branco do seu pescoço para baixo, com apenas seus braços ou mãos desatados. Ele geralmente é mostrado usando uma coroa branca, o ‘hedjet’, que é a coroa que sempre se refere ao Egito Superior [sul do Egito]. Há também uma coroa vermelha, a ‘desret’, que é geralmente reservada para o Egito Inferior, e havia também uma coroa dupla, ‘a pschent’, que simbolizava a autoridade de quem a usava sobre ambos, o Egito Superior e o Inferior. Osiris quase sempre usa a coroa branca, e raramente a coroa vermelha, mas Horus é frequentemente apresentado usando a coroa dupla. Osiris também é representado com uma pele verde, que os egiptologistas explicam com o fato dele estar morto, ou uma alusão a seu papel como um deus agrícola. Osiris é frequentemente representado segurando um objeto curvo, ou bastão curvado, e um mangual. O objeto curvo era um instrumento de pastor, enquanto que o mangual era usado como um instrumento de trilhagem na agricultura. Estes se tornaram símbolos da realeza e foram adotados pelos faraós através das idades, inclusive por Tutankamon. As imagens de Osiris são frequentemente acompanhadas pelo símbolo hieroglífico conhecido como ‘ankh’, que parece uma cruz com uma volta no topo. Este símbolo hieroglífico é o antigo símbolo egípcio que significa ‘vida’ e era usado no caso de Osiris, como o é a cruz no cristianismo, para se referir a vida depois da morte e a vida eterna. Um outro símbolo usado em conexão com Osiris que tinha as mesmas conotações era a ave Bennu, ou fênix, o passaro legendário de presa que morre uma morte em chamas e sempre renasce das cinzas. Algumas narrativas afirmam que este pássaro primeiro emergiu do coração de Osiris, enquanto outras igualam o pássaro Bennu a alma de Ra-Atum. Como continuaremos a mostrar, o tema da ‘ressurreição’ é uma companhia constante da figura de Osiris. Um outro importnte símbolo para Osiris é a constelação de Orion. Como explicado na Parte I, esta é uma conexão ainda debatida dentro do campo da Egiptologia, ainda que a evidência pareça ser clara. Abaixo estão várias traduções de várias inscrições que datam aproximadamente de 2175-2350 AC. Eles são as mais iniciais referências a Osiris em existência e elas claramente conectam o deus com a constelação de Orion:  Expressão 219: “Em seu nome de habitante de Orion, com uma estação no céu e uma estação na terra. Oh Osiris, volte sua face e olhe este Rei, porque sua semente que saiu de você é eficaz”. Expressão 442: “Este Grande tem caído sobre seu lado, ele que está em Nedit é caido. Sua mão é tomada por Ra, sua cabeça é levantada por duas Eneades. Observe que ele vem como Orion, observe, Osiris tem vindo como Orion… Oh Rei, o céu lhe concebe com Orion, a luz do amanhecer o sustenta com Orion. Ele que vive, vive pelo comando dos deuses, e você vive. Você regularmente ascenderá com Orion da região leste do céu, você regularmente descenderá com Orion na região oeste do céu…’ Expressão 466: “Oh Rei, você é esta grande estrela, o companheiro de Orion, que atravessa o céu com Orion, que navega o Mundo dos Mortos com Osiris, você ascende a leste do céu, sendo renovado em sua devida estação e rejuvenecido em seu devido tempo. O céu tem lhe nascido com Orion, o ano tem posto um friso em você com Osiris, as mãos tem sido dadas a você, a dança tem ido a você, uma oferenda de comida é dada a você, o Grande Ancoradouro grita para você como Osiris em seu sofrimento’. Estas inscrições são parte de Textos da Pirâmide que são uma chave importante para revelar os mistérios da religião egípcia, a origem do Egito Dinástico, e a identidade histórica de Osiris, o homem que se tornou um deus.

Os Textos da Pirâmide

As três principais pirâmides de Gizé foram construídas durante a Quarta Dinastia do Egito (c.2600-2500 AC) e elas são curiosamente vazias de qualquer tipo de inscrições hieroglíficas ritualísticas. Menos de duzentos anos mais tarde um outro maior complexo de pirâmides começou a ser construido em Saqqara, aproximadamente a dez milhas a sudeste de Gizé. Ao todo cinco reis da Quinta e Sexta Dinastias eregiram cinco pirâmides principais neste novo local de culto. Estas pirâmides eram muito menores do que aquelas de Gizé e elas eram também diferentes pelo fato que as paredes e câmaras dentro destas piramides eram completamente cobertas com as inscrições que hoje cohecemos como textos das pirâmides. Havia mais de setecentos grupos de inscrições, conhecidas como ‘Expressões’, gravadas nestas cinco pirâmides e a maioria delas são encantamentos ou versos ritualísticos cujo propósito é assegurar o bem estar do rei morto no pós vida. Estranhamente, as próprias primeiras destas ‘expressões’ parecem ter muito em comum com as páginas iniciais do Novo Testamento: Expressão 1: ‘o Rei é o meu filho mais velho… ele é o meu amado, com quem eu estou muito agradado’. Expressão 2: “Recitação por Geb: O Rei é meu filho corporeo…’ Expressão 3: “… o Rei é o meu filho amado, meu primogenito sobre o trono de Geb, com quem eu estou agradado e a ele tem sido dada sua herança na presença da Grande Eneade. Todos os deuses estão em alegria e eles dizem: “Quão bom é o Rei! Seu pai Geb está agradado por ele’. Por todo o texto das pirâmides o Rei é o foco e seu relacionamento com os deuses é explicado. Ele é referido frequentemente como Osiris e Horus, e ele é referido repetidamente como o filho de Ra, o deus principal da Eneade, ou como filho de Geb, o deus da Terra da Eneade. Durante sua vida o Rei era visto como um tipo de Osiris/Horus vivo/reencarnado e então em sua morte ele tomava o lugar na Terra dos Mortos entre os deuses e estrelas depois de passar por um julgamento presidido por Osiris. Uma das mais importantes doutrinas da religião egípcia é assim desenvolvida, como explica o egiptologista francês Ledrain, “Osiris era o deus cujos sofrimentos e morte os egípcios esperavam que seu corpo pudesse se levantar novamente em alguma forma glorificada e transformada, e para ele que tinha conquistado a morte e tinha se tornado rei do outro mundo os egípcios apelavam em preces pela vida eterna por meio de sua vitória e poder. Em toda inscrição funerária que conhecemos, dos textos das pirâmides as preces grosseiramente escritas sobre os caixões do período romano, o que é feito para Osiris é também feito para o morto, o estado e condição de Osiris e o estado e condição do morto; em uma palavra o morto é identificado com Osiris. Se Osiris vive para sempre, o morto viverá para sempre; se Osiris morre, então o morto perecerá.

Gizé e o Culto de Osiris

A evidência que Gizé foi construída como um magnífico memorial a Osiris pode ser encontrada pela história egípcia. Em seu livro ‘ Secret Chamber’(1999), o autor e pesquisador Robert Bauval reune muito desta evidência e a organiza em um argumento formidável. Por exemplo, no ‘Livro dos Dois Caminhos’ que data de 2000 AC Bauval cita uma referência a “a Área Montanhosa de Aker, que é o lugar de habitação de Osiris” e um outro afirma ‘Osiris que está na área Montanhosa de Aker”. Bauval então se refere ao egiptologista Selim Hassam cuja pesquisa tem concluido que Aker, uma deidade em figura de leão apresentada frequentemente em conexão com Osiris e o Mundo dos Mortos, é mais provavelmente simbolizada pela Grande Esfinge, e que ‘a Área Montanhosa de Aker’ deve então se referir ao elevado platô de Gizé onde foram construidas a Esfinge e as pirâmides. Em outras palavras, Gizé é o lugar de habitação de Osiris. Uma outra referência vem da inscrição na Pedra Shabaka que data de 700 AC. Contudo, o escriba que gravou om texto afirma que a inscrição é uma cópia de um original anterior, um que os eruditos acreditam datar da idade das pirâmides: Esta é a terra ////// o funeral de Osiris na casa de Sokar. ////// Isis e Neftis sem demora, porque Osiris foi afogado em sua água. Isis e Neftis olham [o observam e o atendem] Horus fala para Isis e Neftis: “Apresse, agarre-o ////” Isis e Neftis falam a Osiris: “Viemos e o tomaremos /////”´ [Elas prestam atenção em tempo] e o trazem para [terra. Ele entrou nos portais ocultos na glória dos senhores da eternidade]. ///// [então Osiris veio a terra na fortaleza real ao norte de [da terra de onde ele veio]. Segundo este texto Osiris foi enterrado na “Casa de Sokar” depois que seu corpo tinha sido tomado por Isis e Neftis  e trazido a terra, onde ele entrou pelos portais ocultos e “veio a terra na fortaleza real”, que está ao norte da terra do Egito.

Os textos da pirâmide explicam que Sokar é meramente um outro nome para Osiris. Alguns pesquisadores atuais acreditam que Sokar era uma deidade antiga mas sua evidência é pequenina e baseada primariamente em conjecturas e suposições. Sokar pode ter sido o nome pelo qual os egipcios originalmente conheciam Osiris, e um de seus muitos aspectos, mas Sokar nunca foi completamente distinto de Osiris. Na Expressão 300 dos Textos da Pirâmide o rei, que é frequentemente identificado como Osiris, afirma: “… Sou Sokar de Rostau, estou ligado ao lugar que habita Sokar.” Na Expressão 532 a conexão é estabelecida ainda mais explícita: “… eles tem encontrado Osiris, seu irmão Seth tendo colocado-o baixo em Nedit; quando Osiris disse: “Afaste-se de mim” quando seu nome se tornou Sokar”. A “Casa de Sokar” portanto é a mesma “Casa de Osiris”. A questão seguinte é, o que é e onde é Rostau? Lembre-se que na Parte I Zahi Hawass foi citado como se referindo a Osiris como “Senhor dos Túneis Subterrâneos”? Bem, a palavra Rostau sinifica túneis subterrâneos, e o “Senhor de Rostau” é um dos muitos títulos mantidos por Osiris. “Rostau” era simplesmente um outro nome para o platô de Gizé e os muitos túneis sob ele. Este entendimento é esclarecido por uma estela que uma vez ficava entre as patas da Esfinge que é atribuiada a Tutmés IV (c.1400 AC). A linha sete desta estela afirma que a Esfinge jaz ‘ao lado da casa de Sokar… em Rostau”. Bauval acha prova posterior que Rostau se refere a Gizé nos chamados Textos do Caixão que foram inscritos nas camaras funerárias perdo do fim do Velho Reino (c.1800-2000 AC): “Eu sou Osiris, venho a Rostau para conhecer o segredo do Duat… Tenho vindo equipado com mágica, tenho saciado minha sede com ela, vivo no carvão branco, enchendo o Caminho de água Espiralado…”. “… no dia da ocultação dos mistérios do profundo lugar em Rostau… Sou ele [Osiris] que vê as coisas secretas em Rostau… E você que abre os caminhos e as trilhas para as almas perfeitas na Casa de Osiris”.  “… Sokar… está feliz e contente quando ele vê que esta mansão minha é fundada entre as águas… enquanto Sokar pertence a Rostau”.  “Tenho viajado pelas estradas de Rostau sobre a água e sobre a terra… estas são as estradas de Osiris e elas estão no céu…” “Tenho passado pelos caminhos de Rostau, seja sobre a água ou sobre a terra, e estes são os caminhos de Osiris, eles estão no limite do céu…” ” Não devo retornar aos portões do Duat. Ascendo aos céus com Orion… Sou um que cometa para si seu efluxo na frente de Rostau…”

Robert Bauval primeiro fez sua marca internacionalmente com o livro ‘O Mistério de Orion’, co-escrito com Adrian Gilbert em 1995. Este volume levou adiante a hipótese, que tem incessantemente conquistado apoio popular, que as três pirâmides de Gizé foram localizadas e construídas como uma representação deliberada dos três cinturões de estrelas de Orion na terra. Rostau, Gizé, a “área Montanhosa de Aker’, ‘A Casa de Sokar’ ou a “Casa de Osiris’, seja pelo nome que for que isso seja conhecido, foi construído para representar o céu sobre a terra. Bauval explica, “Gizé, a Rostau terrena, é localizada na margem leste do Rio Nilo. Então, por transposição, podemos deduzir que a celestial Rostau é uma região do céu estrelado na ‘margem’ oeste da Via Láctea. Sobretudo Gizé… é uma contraparte de uma porção do céu perto da Via Láctea que contém Orion, Sirius e a constelação de Taurus e Leo. Tudo então fortemente aponta para a idéia que somos convidados a considerar  esta região celestial como um tipo de ‘mapa de orientação’, um que talvez, possa nos levar a tumba ou lugar funerário de Osiris.

Muitos pesquisadores acreditam que a Tumba de Osiris, bem como seus restos corporais ou ‘efluxo’ serão encontrados e publicados em um futuro muito próximo. Contudo, há outras referências entre os Textos do Caixão que parecem afirmar que os restos de Osiris podem de fato ser sobrenaturalmente protegidos: “Isto é a coisa lacrada que está na escuridão, com fogo sobre ela, que contém o efluxo de Osiris, e foi colocada em Rostau. Ele tem estado oculta lá desde que caiu dele, e é dele que veio na areia do deserto; isto significa que pertence a ele [seu corpo] e foi colocad em Rostau…” E o Ecanto do Texto do Caixão 1080 “Esta é a palavra que está na escuridão. Já que qualquer espírito que a conheça; ele viverá entre os vivos. O fogo está sobre isso, que contém o efluxo de Osiris. Como para qualquer homem que deva saber disso, ele nunca perecerá lá, já que ele sabe o que deve estar em Rostau. Rostau está oculto desde que ele caiu lá… Ristau é um outro nome para Osiris…” Encanto dos Textos do Caixão 1087: Talvez não caiba a nós encontrar isso, mas a algo ou alguém mais permitir que isso seja encontrado, quando for o tempo certo”.

Os Mistérios de Osiris

Aqui está o que o celebrado Egiptologista E. A. Wallis Budge tinha a dizer sobre Osiris: “A única mais importante deidade do Egito” no ínício de seu livro “Osiris e a Ressurreição Egípcia”, pela primeira vez publicado em 1911 [e dedicado a Lionel Walter Rothschild]: “A literatura religiosa de todos os grandes períodos da história egípcia é cheia de alusões a incidentes ligados com a vida, morte e ressurreição de Osiris, o deus e juiz do morto egípcio; e do primeiro ao último os autores dos textos religiosos tomavam por garantido que seus leitores eram bem familiarizados com tais incidentes em todos os seus detalhes. Em nenhum texto encontramos qualquer história ligada ao deus e em nenhum lugar é afirmado em detalhe as razões porque ele assumiu sua posição exaltada como juiz de almas, ou porque, por quase quatro mil anos, ele permaneceu o grande tipo e símbolo da ressurreição. Não existe qualquer inscrição funerária, contudo anterior, na qual a evidência não possa ser encontrada provando que o falecido tinha colocado sua esperança de imortalidade em Osiris, e em nenhum tempo da longa história do Egito encontramos que a posição de Osiris foi usurpada por qualquer outro deus. Ao contrário, é Osiris que é feito usurpar os atributos e poderes dos outros deuses e ao traçar a sua história… devemos encontrar que a importância do culto deste deus cresceu em proporção ao crescimento do poder e riqueza do Egito, e que finalmente sua influência encheu a vida privada e nacional de seus habitantes, do Mar Mediterrâneo até a Sexta Catarata de Shablûkah. A fama de Osiris se estendeu as nações ao redor, e é nas mãos dos estrangeiros que estamos em débito de conectar, em resumo, narrativas de sua história”. Osiris tornou-se um dos deuses mais reverenciados do Egito e até mesmo pelo mundo civilizado no milênio anterior ao aparecimento do cristianismo, mas suas origens ainda permanecem obscuras. Era ele uma figura histórica, ou era ele um produto da imaginação do homem? Os antigos egípcios enfaticamente argumentariam que uma vez foi um homem de carne e osso e que morreu e tornou-se um deus. Robert Bauval concorda com este entendimento antigo sobre Osiris. Ele acredita que uma vez Osiris andou sobre a terra, mas como Budge ele está mistificado por muitos desconhecidos que cercam esta figura. Bauval escreve, “Há um grande paradoxo na Egiptologia que há muito não tem sido devidamente explicado. Embora a mais inicial referência a Osiris seja encontrada nos Textos da Pirâmide que datam de por volta 2300 AC, um estudo precipitado revela que a mitologia, doutrina, liturgia e rituais que eles contém não podem possivelmente terem se desenvolvido do dia para a noite, mas teriam requerido um longo processo de evolução intelectual e religiosa muita antes desta data. Embora todos Egiptologistas pareçam concordar com isso, nenhum pode concordar, contudo, a quanto tempo antes desta data este processo teria começado. Uma data temporária de por volta de 6.000 AC foi sugerida por Jane B. Sellers com base astronômica, mas uma data até mesmo mais anterior de 10.500 AC também baseada em considerações astronômicas é, na minha opinião, mais provável. Sobretudo, os Egiptologistas também estão faltando explicar porque em grandes quantidades de inscrições que são anteriores aos Textos das Pirâmides, nem uma única menção de Osiris tem sido encontrada. É como se o culto de Osiris, e seus rituais, doutrinas, liturgia e mitologia repentinamente se materializassem de nenhum lugar e, quase do dia para a noite, fossem prontamente adotados como a principal religião do Estado faraônico”. Na citação de Budge acima ele teorizou que as origens do culto de Osiris remontem a por volta de 4.000 AC. A citação de Bauval se refere a Sellers que acredita que o culto remonte de 6.000 AC enquanto que Bauval pessoalmente acredita que o culto de Osiris seja até mesmo tão anterior quanto 10.500 AC. Estas todas são conjecturas interessante, ainda que permaneça o fato como concede Bauval, que antes de 2300 AC entre as grandes quantidades de inscrições que tem sido encontradas, absolutamente nenhuma delas menciona ou se refere a Osiris ou ao seu alter ego Sokar. Com este fato em mente é muito mais provável então que a figura histórica de Osiris seja encontrada a apenas umas poucas centenas de anos, muito mais do que milenios, antes de seu aparecimento, completamente evoluído e completamente funcional, no coração da religião egípcia. A busca pelo Osiris histórico continuará no próximo seguimento.

Parte III

Os Salvadores do Mundo Antigo

“A figura central da antiga religião egípcia era Osiris, e os principais fundamentos de seu culto eram a crença em sua divindade, morte, ressurreição e absoluto controle dos destinos dos corpos e almas dos homens. O ponto central de cada religião Osiriana era sua esperança de ressurreição em um corpo transformado e de imortalidade, que apenas podia ser realizado por ele por meio da morte e ressurreição de Osiris”. – E. A. Wallace Budge, Osiris & the Egyptian Resurrection, 1973 (1911), Prefácio “Os filósofos do mundo antigo eram os mestres espirituais dos mistérios internos… No coração dos mistérios estavam os mitos relativos a um homem-deus que morre e ressuscita que era conhecido por diferentes nomes. No Egito ele era Osiris, na Grécia Dionísio, na Ásia Menor era Attis, na Síria era Adonis, na Itália Baco e na Pérsia Mitras. Fundamentalmente, todos estes homens-deuses são o mesmo ser mítico” – Timothy Freke and Peter Gandy, ‘ Jesus Mysteries – Was the Original Jesus a Pagan God?’, 1999, p.4

Antes do nascimento do cristianismo o mundo antigo estava cheio de mitologia, rituais, cerimônias e crenças religiosas que se conformavam em muitos níveis com o que mais tarde se tornaram as doutrinas fundamentais do cristianismo. Este fato pode ser desconhecido da maioria dos cristãos praticantes de hoje, ou ao menos ignorados, mas este tem sido um entendimento comum no mundo secular intelectual desde ao menos 1890. Este foi o ano em que o livro de Sir James G. Frazer ‘The Golden Bough’ foi pela primeira vez publicado. Neste volume, agora universalmente reconhecido como um clássico, Frazer se torna o primeiro erudito da corrente principal a ressaltar os temas comuns encontrados pelos mitos e histórias de muitas diferentes culturas, temas que antecedem o cristianismo mas que ainda assim são muito similares – o mais importante deles sendo a história de um deus que morre e ressuscita. As implicações da análise de Frazer foram rapidamente agarradas pelos seus contemporâneos que já estavam no processo de desmantelar a visão mundial judaico-cristã, auxiliados e abrigados pelas preconcepções materialistas de Darwin, Freud, Marx e Nietzsche. O papel de Frazer é provavelmente sub-apreciado mas sua influência contribuiu grandemente para a emergência da visão geral moderna secular filosófica de hoje, especialmente como ela existe dentro da academia. Desde a publicação do livro ‘ The Golden Bough’ muitos eruditos tem tomado a tese de Frazer, construido sobre ela, e proclamado muito mais nítidas e mais explícitas conclusões a respeito da ligação que certamente deve existir entre Jesus de Nazaré e o ‘Deus que Morre’ do paganismo. Abaixo está uma amostra de alguns dos livros que tem sido publicados durante anos que tem oferecido respostas a esta curiosa questão:
‘The Historical Jesus and the Mythical Christ’, Gerald Massey, 1900
‘Christianity Before Christ’, John G. Jackson, 1985
‘The Book Your Church Doesn’t Want You To Read’, editado por Tim C. Leedom, 1993
‘The Christ Conspiracy – The Greatest Story Ever Sold’, Acharya S, 1999
‘The Jesus Mysteries’, Timothy Freke and Peter Gandy, 1999
‘The Jesus Puzzle’, Earl Doherty, 1999
‘That Old-Time Religion’, Jordan Maxwell, 2000
‘The Truth Behind the Christ Myth’, Mark Amaru Pinkham, 2002
‘The Pagan Christ – Recovering the Lost Light’, Tom Harpur, 2005
‘The Messiah Myth’, Thomas L. Thompson, 2005
Os livros listados acima representam o trabalho de uma minoria de eruditos que são motivados frequentemente por suas próprias crenças religiosas e com um eixo a girar contra o cristianismo. Seus livros são destinados a uma audiência geral e eles não hesitam em promover teorias sensacionais ou controvertidas que frequentemente não resistem a um rigoroso exame crítico. Contudo, a lista acima representa apenas um lado, o lado radical, do debate academico que eventualmente se disseminou depois da publicação de Frazer de ‘The Golden Bough’.

O Real Debate

A mais recente análise erudita em escala completa do antigo fenômeno mitológico/religioso dos deuses que morrem e ressuscitam é um manuscrito academico de Tryggve N. D. Mettinger, Professor da Bíblia Hebraica da Universidade de Lund, Suécia, intitulado ‘The Riddle of Resurrection’ – “Dying and Rising Gods” in the Ancient Near East, publicado em 2001. Segundo Mettinger, a tese de Frazer, que deuses que morrem e ressuscitam eram uma maior elemento da religião pagã do Oriente Médio, permaneceu relativamente não desafiada por um número de anos até que ela sofreu um ’severo ataque’ de um erudito francês chamado R. de Vaux em 1933. Então a partir daquele ponto isto levou ‘uma vida de certa modo precária’ até que isso aparentemente ‘morresse uma morte de mil ferimentos’ por meio de uma listagem na Enciclopédia de Religião Eliade (1987). Esta listagem, sob o título de ‘deuses que morrem e ressuscitam’ escrita pelo erudito Jonathan Z. Smith, afirmou resumir o atual consenso academico sobre a matéria, e o que isto tinha a dizer estava longe de ser favorável à tese de Frazer. Segundo J.Z. Smith, a inteira categoria de ‘deuses que morrem e ressuscitam’ era uma fabricação, e todas as deidades colocadas nesta categoria, depois de um exame estreito, provaram ser deuses que desapareceram e depois retornaram, mas não morreram, ou deidades que morreram e nunca ressuscitaram. Para Smith isto era um ou outro, mas nunca ambos, como Frazer havia afirmado, para uma multitude de deidades pagãs e o que aconteceu no caso de Jesus Cristo. Smith até mesmo afirmou que em alguns casos pareceu que Frazer estivesse ‘fortemente influenciado pelo desejo de demonstrar que o cristianismo não era uma inovação, mas que todas suas características essenciais eram para serem encontradas nas religiões anteriores’.  Se o artigo de J. Z. Smith de 1987 fosse a morte da tese de Frazer, então o trabalho subsequente de Mark S. Smith intitulado “The Death of ‘Dying and Rising Gods’ in the Biblical World,” publicado em 1998, era uma tentativa de enterrar isso de uma vez por todas. Neste trabalho M.S. Smith focalizou-se em todos as alegadas deidades que morrem e ressuscitam e foi capaz de alegar que morreram realmente, ou eles não ressuscitaram depois da morte. O século XX terminou com a tese de Frazer em uma condição muito maltratada. Mas que tal se a reação contra Frazer tenha ido longe demais na direção oposta? Isto é o que conclui Tryggve Mettinger no fim de sua análise sobre o atual status da erudição sobre os ‘deuses que morrem e ressuscitam’, que é um estado de coisas que o fez escrever seus livro ‘ The Riddle of Resurrection’ em primeiro lugar. Em seu livro Mettinger faz um exame meticuloso dos deuses do Oriente Médio que tem sido colocados de uma vez ou outra sob o título dos ‘deuses que morrem e ressuscitam’. Estes incluem o Baal Ugaritico,  Melqart-Heracles, Adonis, Eshmun-Asclepius, Dumuzi-Tammuz, e Osiris. Para Mettinger a questão é simples: há qualquer evidência, literaria ou inscricional, ritual ou mitológica que qualquer um destes deuses foi até mesmo entendido pelas pessoas que os veneravam como tendo realmente morrido e então retornado a vida novamente? Esta é uma pergunta simples, mas Mettinger não acredita que os eruditos que se colocaram reagindo contra a tese de Frazer tenham sido completamente honestos. Em seu livro Mettinger estabelece o registro direto e dá sua própria interpretação da evidência. Nós agora iremos adiante e examinaremos cada uma destas deidades e nos dirigiremos a alguns assuntos que influenciam se elas devem ou não serem vistas como ‘deuses que morrem e ressuscitam’. Nós também veremos como elas são estreitamente inter-relacionadas, a despeito de que uma delas seja Canaanita [Baal], três delas sejam fenícias (Melqart, Adonis e Eshmun), uma seja Suméria-Assíria (Dumuzi), e uma seja Egípcia (Osiris). Este é de fato o caso, como alega Tim Freke dentro da citação no título deste estudo que ‘Fundamentalmente todos estes homens-deuses são o mesmo ser mítico”?

Baal Ugaritico

Em aproximadamente 1.200 AC o complexo do Templo de Ras Shamra, no antigo porto sírio norte de Ugarit, foi catastroficamente destruído e enterrado. Quando este sítio foi finalmente escavado pelos arqueologistas em 1929 um tesouro floresceu de textos antigos que foram desenterrados e se tornaram a fonte primária para os historiadores estudarem a religião dos antigos Canaanitas e Fenícios. O que eles tem descoberto é que a cultura canaanita tinha uma visão altamente estruturada do universo, dos deuses, e do relacionamento da humanidade com ambos. O panteão canaanita era uma estrutura hierárquica de quatro níveis. No topo estava o grande antigo deus El, com sua consorte a deusa mãe Asherah. El era descrito como o pai dos deuses, ainda que ele não tivesse um papel muito ativo nos assuntos do mundo e os eruditos o tenham rotulado como uma deidade ’supérflua’. Ele era uma figura principal apenas e permanecia longe removido e inativo. O segundo nível era composto pelos setenta filhos de El e Asherah. Estes eram os grandes deuses que tinham um papel ativo nos assuntos humanos. Cada um deles tinha alocadas áreas de atividade e eles constantemente lutavam uns com os outros direta bem como indiretamente por meio da manipulação dos seres humanos. O terceiro nível consistia de deidades menores, os anjos, que agiam como serventes, mensageiros e soldados a pé dos deuses, e cada deus tinha um grupo enorme deles. O quarto nível era o nível no qual os seres humanos existiam. Eramos escravos e propriedades dos deuses. A sociedade humana também estava organizada em uma estrutura hierárquica, com um sacerdócio ditando a vontade dos deuses, uma monarquia que assegurava que esta fosse obedecida, e uma complicada rede de serviço civil de oficiais e escribas assegurando a organização, a eficiência e a piedade. Na religião canaanita El era honrado e venerado mas não era reconhecido como a principal figura divina que governava diretamente sobre os deuses e a humanidade. Esta principal figura divina era o deus Baal, e este é o mito conhecido como o Ciclo de Baal que explica como Baal se elevou para se tornar universalmente conhecido “Rei dos Deuses’. É também deste mito que existe a evidência de colocar Baal dentro da categoria dos ‘deuses que morrem e ressuscitam’. O Ciclo de Baal começa com o mundo em um período de transição. El está olhando carinhosamente na direção de uma ‘aposentadoria’ e então ele indica o deus Yam, seu filho, como seu sucessor para agir como Rei dos Deuses. Yam assume a cabeça do panteão mas governa o mundo como um tirano. Asherah, a rainha mãe, tenta apasiguar Yam, seu filho, ao se oferecer como um sacrifício mas ela é evitada por Baal, que então confronta Yam e o derrota em uma batalha depois de uma complicada série de eventos. Baal assume como Rei dos Deuses mas então ele é confrontado pelo novo favorito de El que é Mot, o deus do Submundo. O que acontece a seguir é discutido pelos eruditos. Os textos antigos são claros que Mot é vitorioso e que Baal desaparece por um período de tempo, mas se Baal realmente foi morto e seu período de desaparecimento foi passado no Submundo?  O que acontece a seguir é discutido pelos eruditos. Depois de considerar a evidência de muitas fontes diferentes, Mettinger faz um argumento muito convincente que Baal de fato foi morto e que ele existiu no Submundo antes de ser ressuscitado. Para Mettinger, o Baal Ugaritico é de fato ‘um deus morto e ressurecto’.

Uma outra maior questão que os eruditos discutem é a fonte e evolução do mito de Baal. Como esta veneração de Baal evoluiu e porque os canaanitas criaram uma história de um deus usurpador que se elevou em oposição como Rei dos Deuses? Os eruditos modernos tem concluido que Baal tem muito em comum com o deus babilonio Marduk cuja ascendência a releza divina é relatada no épico da criação babilônica Enuma Elish, que é anterior ao Ciclo de Baal de Ugarit. No Enuma Elish Marduk é o filho de Ea/Enki que é um dos primários deuses sumérios, que examinaremos em um artigo futuro. Historiadores antigos tais como Philo de Biblos, Plutarco de Delfo e Berissus da Babilonia todos concordam que Baal e Marduk eram de fato o mesmo deus.

Melqart de Tiro

Os Canaanitas eram habitantes do Levante ao tempo do êxodus hebreu do Egito e seus assentamentos se estendiam do que agora é o sul de Israel todo caminho até o norte da Síria. Há muitos paralelos entre os fenícios e os canaanitas e frequentemente eles parecem ser da mesma cultura. Contudo a seguinte distinção pode ser feita: os canaanitas eram primariamente habitantes de terra a dentro que eram mais influenciados pelos babilonios e os assírios enquanto que os fenícios eram habitantes costeiros das cidades portuárias de Tiro, Sidon, Biblos e Aradus, conhecidos por seus talentos como navegadores e por suas atividades como colonizadores da inteira bacia mediterrânea. Portanto os fenícios eram mais influenciados pelos egípcios, como opostos a Babilonia e a Assíria, e eles por sua vez tiveram uma grande influência sobre os gregos. Os Fenícios parecem terem reconhecido Baal como a deidade principal de seu panteão, ainda que cada cidade fenícia também venerasse um único deus da cidade que eles reverenciavam especialmente. Em Tiro o nome deste deus era Melqart. Os gregos o conheciam como Heracles [o Hercules romano] e de seus contactos fenícios eles absorveram Heracles em seu próprio panteão cedo e criaram uma identidade separada para ele durante séculos. Os historiadores antigos eram portanto sempre cuidadosos em fazer distinção entre o Grego Heracles e o Melqart de Tiro. A história de Melqart é muito mais misteriosa do que aquela de Baal, Markuk ou Osiris, porque elas não são narrativas mitológicas em completa extensão de sua carreira e tudo o que temos são pedaços e partes. Em sua análise Mettinger se refere a Philo de Biblos que escreveu que, “Demarous tinha um filho Melkarthos, que é também conhecido como Heracles.” No Ugarit Baal é referido como Dmrn, que significa “O Guerreiro” e disto Mettinger conclui que podemos ter uma tradição aqui que Melqart era uma vez conhecido como filho de Baal. O que é importante para este estudo, contudo, é se Melqart era ou não visto como um deus ‘morto e ressuscitado’. Mettinger se refere a duas tradições diferentes que descrevem a ‘morte’ de Melqart. Ele primeiro oferece a seguinte citação de Edoxus de Cnidus de uma inscrição datando de de por volta 200 AC,  “… os Fenícios sacrificam codornas a Heracles, porque Heracles, o filho de Asteria e Zeus, foi a Líbia e foi morto por Typhon, mas Iolaus trouxe uma codorna para ele, e a tendo colocado perto dele, ele sentiu o cheiro dela e voltou novamente a vida”.

A referência é aos fenícios, e isto, mais a evidência de outras fontes antigas, torna claro que esta tradição se refere ao Heracles de Tiro que é Melqart. Sua morte é dada como tendo sido inflingida por Typhon que paraleliza as tradições de Osiris sendo morto por Set e Baal sendo morto por Mot. Typhon era um deus grego que era visto pelos mesmo antigos historiadores como o mesmo deus egípcio Set, enquanto há paralelos entre Typhon e Mot também. A segunda tradição a respeito da morte de Melqart parece ter se desenvolvido da prática fenícia de cremação e Mettinger dá um número de fontes que descrevem a morte pelo fogo como o fim final de Melqart. Em resumo, é muito bem atestado que Melqart era entendido ao menos como um ‘deus que morre’. A evidência que Melqart também era entendido como um ‘deus que ressuscita’ é muito interessante mas de certo modo controvertida, embora não para Mettinger. Isto tem a ver com a tradição ritual conhecida pelos fenícios como ‘O Despertar de Heracles”. Esta tradição é relatada pelo historiador judeu Josephus e é uma das diferentes traduções de uma passagem de seu livro ‘Antiguidades dos Judeus”. Ele se refere ao tempo do Rei Salomão e as atividades do Rei Hiram de Tiro, “Ele [Hiram] construiu o templo de Hercules e aquele de Astarte, e ele foi o primeiro a celebrar o Despertar de Heracles no mês de Peritius”. Em apoio a esta tradução Mettinger também se refere a outras várias inscrições que aludem ao culto de Heracles e mencionam uma pessoa específica conhecida como “Despertador” ou “Ressuscitador” de Heracles. Mettinger resume isto deste modo, “Nossa conlusão é que haja certas razões para acreditar que havia, na principal terra fenícia e na Palestina, nos tempos helenisticos, uma celebração cultica referente ao despertar de um deus, uma celebração na qual algum agente era referido como o ‘despertador’, ‘o ressuscitador’ de Heracles. O Velho Testamento também oferece evidência que os fenícios veneravam um deus que era sabido estar adormecido e precisava ser despertado. Em Reis 18:19-46 o profeta Elias enfrentou o Rei Ahab, que era casado com Jesebel, uma princesa de Tiro. Ahab e Jesebel tinham levado Israel a idolatria pela veneração de Baal e Elias foi chamado para demonstrar que o Senhor Deus de Israel era de fato o verdadeiro deus de Israel. Elias foi capaz de convencer Ahab em concordar com uma divina revelação dos fatos no topo do Monte Carmelo perto do mar ao sul de Tiro. Dois altares foram preparados, um para Baal e o outro para o deus de Israel, e Elias desafiou os 450 profetas de Baal a chamarem o fogo do céu em nome de Baal e queimar seus sacrifícios. Depois que os profetas de Baal tinham rezado e saltado ao redor por toda manhã, sem sucesso apelando a Baal pelo milagre do fogo, Elias começou a zombar deles dizendo: “Chamem com uma voz alta, porque ele é um deus; ou ele está ocupado ou foi a outro lugar, ou ele está em uma viagem ou talvez esteja adormecido e precise ser acordado.”

O lembrete final de Elias foi um insulto dirigido especificamente para a veneração de Tiro de Melqart/Heracles, que era conhecido estar ‘adormecido’ e que era ritualmente ‘despertado’ durante a anual cerimonia cultica da cidade de Tiro.  Neste evento particular no topo do Monte Carmelo nem Melqart e e nem Baal [talvez Melqart fosse o Baal de Tiro] respondeu aos esforços de seus sacerdotes, mas o fogo desceu do céu depois que Elias ofereceu uma rápida palavra de prece, que queimou os sacrifícios, as pedras do altar, e as cercanias da trincheira cheia de água.

Adonis de Biblos

Adonis é o segundo deus fenício de uma cidade que examinaremos. Seu centro original de culto era Biblos, localizado aproximadamente a 20 milhas ao norte da moderna cidade de Beirute, no Líbano. Mettinger explica que há duas versões diferentes do mito de Adonis que explicam sua relação com o Submundo e a categoria dos ‘deuses mortos e resurrectos”. Um versão simplesmente afirma que Adonis era um jovem caçador que foi morto por um porco do mato e esta versão do mito é depois elaborada pelo trabalho do segundo século de Lucian, ‘De Dea Syria’, “Vi… em Biblos um grande santuário… no qual eles realizam os ritos de Adonis… Eles dizem… que o que porco do mato fez a Adonis ocorreu no território deles. Como um memorial de seu sofrimento, a cada ano eles batem em seus peitos, lamentam e celebram os ritos… eles primeiro sacrificam a Adonis como se fosse uma pessoa morta, mas então, no dia seguinte, eles proclamam que ele vive e o enviam ao ar… Há também uma outra maravilha na terra de Biblos. Um rio do Monte Líbano se esvazia no mar. Adonis é o nome dado ao rio. A cada ano o rio se torna vermelho sangue e, tendo mudado sua cor, flui para dentro do mar e avermelha grande parte dele, dando um sinal para as lamentações dos habitantes de Biblos. Eles contam a história que neste dias Adonis está sendo ferido lá no Monte Líbano…”.  A outra versão é muito mais antiga e um sumário dela vem do autor do quinto século AC Panyassis: Algum dia quando Adonis ainda era uma criança Afrodite, pelo amor de sua beleza, o escondeu em um baú desconhecido pelos deuses e o confiou a Perséfone. Mas quando Perséfone o observou, ela não o devolveu. O caso então foi levado diante de Zeus, e o ano foi divido em três partes, de forma que Adonis pudesse estar por ele próprio uma parte do ano, com Perséfone uma outra parte e com Afrodite na parte remanescente. Contudo Adonis deu a sua própria parte em adição a de Afrodite. Por esta razão Adonis pode ser contado entre aqueles que estavam no Submundo e voltam para estar entre os vivos. Perséfone era a esposa de Hades, o deus grego do Submundo, que é o porque é dito que Adonis passa um terço do ano lá. Mettinger cita do escritor cristão Cirilo de Alexandria que se referir a um festival pagão alexandrino que foi baseado neste mito. Ele começava com o choro e o lamento em benefício de Afrodite pela perda de seu filho e então terminava com ela se regozijando depois de ter voltado do Submundo o tendo encontrado. Origenes e Jeronimo são dois outros escritores cristãos iniciais que perceberam o mito de Adonis e o ritual de ambos, em seus comentários sobre Ezequiel 8:14, igualaram Adonis com o deus sumério Tammuz. Eles também claramente identificaram Adonis/Tammuz como uma deidade ‘que morre e ressuscita’ no culto de Adonis. Isto desperta o seguinte comentário: “Devemos entender que os cultos de Adonis foram expostos a forte competição da Igreja Cristã. Poderia a noção da ressurreição de Adonis talvez ser uma caratéristica ‘confiscada’ do cristianismo? Para responder esta pergunta temos que perguntar se temos ou não razão para pensar que Adonis era um deus morto e ressurrecto já em tempos pré-cristãos. Ao fim de sua análise Mettinger conclui que simplesmente não existem dados suficientes sobre o culto inicial de Adonis para dar uma resposta conclusiva a esta última pergunta.

Eshmun de Sidon

Eshmun é o terceiro deus de cidade fenícia que examinaremos que é alegado por muitos eruditos pertencer a categoria dos ‘deuses mortos e ressurrectos’. Sua sede primária de culto é a cidade fenícia de Sidon, mas ele era reverenciado por todo Oriente Medio. Ele era conhecido pelos gregos como o deus Asclepius, um deus notado pelos seus poderes de cura. Uma narrativa curta e útil de sua vida vem de Damascius, um filosofo neo-platônico do quinto século da nossa era, “Asclepius de Berytus, ele diz, nem era grego e nem egípcio, mas um nativo fenício. Porque os filhos de Sadykos eram nascidos, que eram explicados como Dioscouri e Kabeiri. Então como o oitavo filho, Esmounos nasceu [dele]; e Esmounos é interpretado como Asclepius. Ele era de muito boa aparência, um jovem homem de feições admiráveis, e portanto se tornou, segundo o mito, o querido de Astronoe, a deusa fenícia, a mãe dos deuses. Ele costumava ir caçar nestes vales. Então uma vez aconteceu que ele descobriu a deusa o buscando. Ele fugiu, mas quando ele viu que ela continuava a caça-lo e estava a ponto de pega-lo, ele cortou seus próprios genitais com um machado. Grandemente aborrecida pelo que tinha acontecido, ela chamou Paian e recompôs a vida do jovem homem por meio do calor que traz a vida e fez dele um deus. Os fenícios o chamam de Esmounos por causa do calor da vida. Outros, novamente, interpretam Esmounos como ‘o oitavo’ explicando que ele era o oitavo filho de Sadykos.

Mettinger é cauteloso em aceitar demais a narrativa de Damascius como face de valor. Talvez o devolver a vida de Asclepius fosse apenas a cura de seus ferimentos. Outras fontes devem ser apresentadas se vamos concluir que Eshmun é de fato um ‘deus morto e ressurecto’, o que Mettinger imediatamente fornece. A primeira referência é simplesmente aquela de um nome de lugar libanês que deve certamente datar de tempos antigos, conhecido como Qabr Smun, localizado a quinze quilometros a sudeste de Beirute. O nome é traduzido como ‘A Tumba de Esmun”. Se Eshmun uma vez teve uma tumba, então ele uma vez deve ter morrido. Mettinger encontra uma segunda referência nos escritos de um erudito islâmico medieval que cita de um trabalho do segundo século de Galeno. Estas curtas linhas atestam a ressurreição de Eshmun, “É geralmente conhecido que Asclepius foi elevado pelos anjos em uma coluna de fogo, de modo similar ao relatado sobre Dionísio, Heracles e outros…” Metinger concede que a informação sobre Eshmun é muito limitada e que provavelmente não seja suficiente para oferecer firmes conclusões. Contudo, o nosso entendimento de Eshmun pode ser suplementado se aceitamos que Eshmun fosse provavelmente muito estreitamente relacionado a Baal e também a Melqart. Então, em dois tratados entre a Assíria… e cidades a oeste encontramos Meqart e Eshmun juntos. O que é provavelmente uma relação de genes, é encontrada em Cypros [Kition] durante o quarto século AC. Este nome duplo pode ser entendido de modos diferentes. Em qualquer caso, ele parece testificar uma proximidade cultica ou até mesmo uma fusão dos deuses Eshmun e Melqart. Esta proximidade cultica pode indicar que os dois deuses eram amplamente do mesmo tipo. O fato de que ambos tenham Ashtart como esposa apoia esta assunção. O que sabemos de Melqart como um deidade que morre e ressuscita pode então lançar luz sobre Eshmun. Mas admitidamente, esta última possibilidade é altamente hipotética.

Dumuzi da Sumeria

Agora nos voltamos a um dos muito mais antigos deuses ‘que morrem e ressuscitam’ do antigo Oriente Médio – Dumuzi da Suméria. O texto mais inicial que relata a história de Dumuzzi e suas ligações como Submundo vem de um poema sumério chamado a Descida de Inanna [ou a Herança de Inanna] que tem sido datado do século XXI AC. Esta história envolve as figuras sumérias que se tornarão muito mais familiares em artigos futuros, mas por agora aqui está a história básica: Inanna, a deusa e rainha da Suméria um dia determinou se apoderar do Submundo. Ele reuniu tudo que precisava e abandonou suas responsabilidades na terra e no céu e ele passou pelos setes portões. A cada portão era exigido que ela deixasse algo para trás e quando ela finalmente ficou diante de sua irmã gemea Ereshkigal, a Rainha do Submundo, ela estava completamente nua. Inanna forçou sua irmã para fora de seu trono no Submundo e tomou o lugar dela. Então sete juízes Annunakis apareceram e tomaram uma dura decisão contra Inanna, acusando-a de abuso de poder. Eles deram a ela a aparência da morte e penduraram seu cadáver em um gancho, devolvendo o trono a Ereshkigal. Depois de saber que Inanna estava sendo mantida sem vida no Submundo o ministro dela Nincubura se aproximou dos deuses sumérios Enlil e Nana por ajuda, mas eles se recusaram. Somente depois de se aproximar de Enki em sua cidade sagrada de Eridu, Nincubura encontrou esperança. Depois de ouvir Nincubura, Enki criou dois resgatantes da terra sob as pontas de seus dedos, dando a um deles a água da vida e ao outro o alimento da vida. Eles então foram enviados e com sucesso entraram no submundo encontrando Inanna e dando a ela a água e o alimento da vida depois do que ela foi trazida de novo à superfície. Depois de escapar do Submundo Inanna descobriu que ela estava sendo caçada por demonios que exigiam leva-la de novo para o Submundo. Inanna barganhou com eles e descobriu que eles voluntariamente aceitariam um substituto, mas ela hesitou ao pensar que os demonios levassem alguém que ela amava. Contudo, ela finalmente concordou que eles levassem o marido dela, Dumuzzi, o rei humano da Suméria, em seu lugar. Logo depois de ter entregue Dumuzzi, Inanna sentiu-se culpada e lamentou a perda de seu marido; então ela decretou que a irmã de seu marido Geshtinanna devia ser uma segunda substituta e eles deviam cada um servir metade de cada ano no Submundo. Na ‘Descida de Inanna’ Dumuzzi aparece apenas como uma figura secundária, mas a coisa importante é o resultado final e como isto foi refletido na religião suméria e nas religiões assiria e babilonia que a seguiram. Está claro de textos posteriores, bem como do Velho Testamento, que Damuzzi, mais tarde conhecido como Tammuz, era lamentado a cado ano pelo aniversário de sua entrada no Submundo [sua morte] e então celebrado a cada ano no seu reaparecimento do Submundo [sua ressurreição]. Isto é o bastante para muitos eruditos classifica-lo como um ‘deus morto e ressurrecto’.  Mettinger é mais cuidadoso em chegar a uma conclusão e ele primeiro considera a questão se Dumuzzi era ou não um verdadeiro deus. Os textos são claros que Dumuzzi, embora um rei mítico, ainda era um ser humano. Seu nome até mesmo aparece na lista dos Reis Sumérios como o governante inicial depois do Dilúvio que imediatamente precedeu o herói Gilgamesh:  1) Meskiagkasher, filho de Utu, se tornou alto sacerdote e rei e reinou 324 anos … 2) Enmerkar, filho de Meskiagkasher, rei de Uruk, aquele que construiu Uruk – reinou 420 anos 3) Lugalbanda, um pastor – reinou 1200 anos  4) Dumuzzi, o [...], sua cidade era Kua[ra] – reinou  100 anos 5) Gilgamesh, seu pai era um ‘lillu-demon’, um alto sacerdote de Kullab – reinou 126 anos

Até mesmo embora Dumuzzi fosse claramente um ser humano Metinger argumenta que ele ainda era reconhecido como um deus pels sumérios e grupos posteriores. A distinção suméria entre humanos e divinos nem sempre era clara, mais ainda temos o caso de Gilgamesh que nasceu parcialmente divino mas ainda era completamente venerado como um deus. Mettinger conclui que o culto de Dumuzzi tinha dado a ele o reconhecimento de um deus. Dumuzzi/Tammuz também possuia um número de caraterísticas que paralelizam com outros ‘deuses mortos e ressurrectos’ que temos analisado. Por exemplo, Dumuzzi e Adonis eram ditos viverem uma parte de suas vidas no Submundo. Com Dumuzzi isto era metade do ano e com Adonis era um terço. Também, o ritual de lamentação de Tammuz era realizado no verão, que era o mesmo tempo em que a celebração anual de lamentação de Adonis acontecia, enquanto que a ressurreição de Tammuz deve ter acontecido no inverno, perto do mês de Peritius [fevereiro-março] quando a celebração do ‘Despertar de Heracles” acontecia, Recorde também que Origines e Jeronimo [veja acima Adonis] claramente acreditavam que Adonis e Tammmuz eram a mesma figura.

Osiris do Egito

Osiris é claramete o mais velho [de antes de 2500 AC] e provavelmente o mais entendido de todos dos alegados ‘deuses mortos e ressurrectos’ do antigo Oriente Médio. Seu mito foi relacionado na Parte II, então não temos necessidade de cobrir isto novamente aqui. Porque Osiris era o mais velho desta classe de deuses então podemos esperar que seu culto fosse também o mais infuente, que é o que encontramos quando comparamos Osiris com membros do resto do grupo. A respeito de Adonis de Biblos descobrimos que há conexões entre Biblos e o Egito que alcançam profundamente de volta a antiguidade. Mettinger escreve que ‘devemos calcular com a possível presença de um culto a Osiris em Biblos da antiga Idade de Bronze em diante, talvez até mesmo mais cedo”. Mettinger também se refere novamente ao trabalho de Damascius, ‘De Dea Syria’, no qual foi escrito que “há alguns habitantes de Biblos que dizem que o Osiris egípcio está enterrado entre eles e que todos os lamentos e ritos eram realizados não para Adonis mas para Osiris”. Damascius também escreve que os veneradores de Adonis raspavam suas próprias cabeças para a cerimonia anual da mesma maneira que eles o faziam no Egito.  Há várias conexões entre os mitos de Osiris e Adonis que existem. Em primeiro lugar, segundo a versão de Plutarco, o caixão fúnebre de Osiris depois de deixar o Egito foi banhado em Biblos, e foi lá que Isis recuperou o corpo de Osiris. Também, o próprio nome Biblos significa papiro em grego, e a cidade provavelmente recebeu este nome por causa que em tempos antigos ela era o principal distribuidor dos papiros egípcios na região. Há também evidência que Biblos foi uma vez talvez uma colônia ou até mesmo uma propriedade do Egito. Mettinger explica que em Biblos ‘o governante local usa a linguagem egípcia e a escrita, reconhece o faraó como seu senhor por direito, e carrega o título de um oficial egípcio… Nas cartas de Amarna, o governante de Biblos diz que Biblos é como Menfis para o rei [faraó]“. Dizer então que Osiris e Adonis são figuras que se desenvolveram separadamente, mas da mesma fonte antiga, é certamente uma conclusão razoável.

A cidade fenícia de Biblos era localizada ao norte de suas cidades irmãs Sidon e Tiro, e todos os três destes deuses primários das cidades: Adonis, Eshmun e Melqart eram estreitamente relacionados, se não originalmente o mesmo. Sobretudo, todos eles parecem estar ligados a Osiris. A conexão entre Osiris e Eshmun existe no nível mítico e é talvez a menos óbvia das três. Depois que o corpo de Osiris foi trazido de volta de Biblos para o Egito, ele foi descoberto por Set que o cortou em quatorze pedaços  que então foram espalhados pela terra. Todos estes pedaços foram então encontrados por Isis exceto o falo. No mito de Eshmun também encontramos uma ênfase no falo, quando Eshmun corta seus próprios genitais após estar prestes a ser capturado por sua perseguidora, a deusa Astrone, que é Asthart, que então se torna esposa de Eshmun, que é simplesmente a versão fenícia de Isis, a esposa de Osiris. No mito grego Eshmun é conhecido como Asclepius e, como exploraremos mais tarde, uma estranha conexão entre Asclepius e Gizé é dada nos escritos herméticos que datam dos séculos segundo e terceiro de nossa era. Quando isto vem a Melqart/Heracles há também uma extensiva evidência que o liga a Osiris. Nós já temos visto que há um alto funcionário do culto em Tiro que era conhecido como ‘O Despertador’ ou ‘Ressuscitador’ de Melqart. Mettinger ressalta que no quarto século AC inscrições de Tiro no qual o líder do culto se refere especificamente ao deus Osiris como ‘meu senhor Osiris’. Mettinger também considera se haveria uma conexão entre os rituais de Tiro do ‘despertar de Melqart/Heracles’  e numerosas litanias de ‘levante-se’ encontradas no culto de Osiris, especialmente dentro dos Textos da Pirâmide. Abaixo estão apenas uns poucos exemplos: Expressão 498: “Desperta Osiris! Desperta oh rei! Fique  de pé e se sente, atire fora da terra o que está com você! Venho e lhe dou [o olho de] Horus… Vá, tome este pão seu de mim”. Expressão 532: “Levante-se, oh Osiris, o filho primogenito de Geb, para quem as Duas Eneades tremem… Seus mão é tomada pelas almas de On, sua mão é agarrada por Ra, sua cabeça é levantada pelas duas eneades e eles tem estabelecido você, Oh Osiris, na cabeça do Conclave das Almas de On. Viva, viva e levante-se!” Expressão 603: “Levante-se, Oh meu pai o Rei, costure sua cabeça, reuna seus membros, eleve-se sobre seus pés, que você pode lhe guiar…” Expressão 628: “Eleve-se Oh Rei! Vire-se Oh Rei! Eu sou Neftis, e tenho vindo que posso sustentar você e lhe dar seu coração e seu corpo”.

Um dos maiores centros do culto de Melqart/Heracles era localizado em Gades na Espanha, perto da antiga localização do monumento dos Pilares de Hercules. O escritor do segundo século de nossa era Filostratus, em sua ‘Vida de Apolonio’ comenta neste lugar e dá apoio para a noção que Melqart era simplesmente a versão de Osiris em Tiro. Mettinger explica, a descrição de Filostratus do culto de Melqart/Heracles em Gades contém uma caraterística que pode talvez ser vista a luz de uma conexão entre Melqart e Osiris. Apolonio fala de um culto dual em Gades de ‘ambos de um e outro Hercules” e continua para distinguir entre o “Hercules egípcio” e o ‘o Tebano”. O último é o Heracles grego. ‘De Dea Syria’ fala do santuário de Heracles em Tiro, que não é “o Heracles que os gregos celebravam”. O Hercules egípcio é então, presumivelmente, o Melqart de Tiro. Se assim, deve haver alguma razão para descrever o Melqart de Tiro como o Hercules egípcio. Se ele tivesse se tornado associado com Osiris, entenderiamos este modo de se referir a ele. A associação se torna até mesmo mais sólida se recordamos novamente que o mito de Melqart/Heracles diz que ele foi morto pelo deus Tyfon, que é o equivalente grego do deus egípcio Set, o assassino de Osiris. Sobretudo, o assassinato de Heracles aconteceu na Líbia, e em um futuro artigo explicaremos como isto possivelmente possa ser uma referência ao antigo Egito e não a Líbia dos dias modernos. A conexão que existe entre Osiris e ou outros deuses antigos ‘que morrem e ressuscitam’ do Oriente Médio parece ser real e parece ser sólida. O caso seria fechado se não fosse por um problema maior. É o fato de que todos estes deuses é Osiris que realmente é o menos adequado a ser um membro desta categoria. Isto tem a ver com o aspecto da ‘resurreição’ de Osiris e é algo que um estudante amador de Egiptologia pode facilmente ressaltar. Mettinger olha o egiptologista Henri Frankfort para trazer isto a nossa atenção: “Osiris, de fato, era pertencente ao mundo dos mortos; era de lá que ele dotava suas bençãos sobre o Egito. Ele nunca retornou entre os vivos; ele não foi libertado do mundo dos mortos… Ao contrário, Osiris pertencia ao mundo dos mortos;  era de lá que ele doava suas bençãos ao Egito. Ele sempre era apresentado como uma múmia, um rei morto…”. Falando claramente, Osiris não era um deus ‘morto e ressurecto’ mas um deus que ‘morreu e se foi’! A chamada ressurreição de Osiris não era deste mundo, mas do seguinte, que é o porque ele era conhecido como Senhor do Submundo, e porque também os gregos o igualavam ao seu deus Hades. Se Osiris foi o criador inicial da categoria dos ‘mortos e renascidos” de quem todos os outros se originaram, então o que pode explicar esta flagrante discrepância?

A Agenda de Osiris

Em meados de outubro de 2005 a mais recente análise erudita de Osiris e de seu culto deve ser divulgada. O livro é escrito pelo altamente credenciado e muito respeitado egiptologista Bojana Mojsov e o título é ‘Osiris: Death and Afterlife of a God’. Pode ser uma coincidência, mas deve ser notado que a divulgação deste volume ocorrerá quase ao mesmo tempo em que novas investigações ocorrerão sob Zahi Hawass, como notado na Parte I. Se uma coisa é encontrada relativa a Osiris então o livro de Mojsov provavelmente receberá atenção internacional e aclamação. Estranhamente, um dos principais impulsos do livro de Mojsov parece não ser cultural ou arqueologico, mas muito mais espiritual. Aqui está a descrição do livro como ela é dada por Amazon.com: “Osiris, governante do Submundo, desempenhou um papel central na vida religiosa dos antigos egípcios, e seu culto cresceu em popularidade através de eras, ressoando em todas as culturas do antigo Mediterraneo. Este é o primeiro livro a contar a história do culto de Osiris do princípio ao fim. Retirando de vários registros sobre Osiris do terceiro milenio AC a conquista romana do Egito, Bojana Mojsov esquematiza o desenvolvimento do culto por 3.000 anos de história egípcia. O autor prova que o culto de Osiris era o mais popular e duradouro na antiga religião. Ela mostra como ele forneceu antecedentes diretos para muitas idéias, traços e costumes no cristianismo, incluindo a ressurreição depois de três dias, o conceito de deus como uma trindade, o batismo em um rio sagrado, e o sacramento da eucaristia. Ela também revela a influência do culto sobre outras tradições e grupos místicos ocidentais, tais como os alquimistas, rosacruzes e maçons livres.” Novamente, temos uma ênfase no relacionamento entre Osiris e seu culto e Jesus e as doutrinas do cristianismo. Temos visto neste artigo, bem como na Parte II, que esta estranha conexão é real e que não é algo artificialmente criado meramente para desacreditar o cristianismo. O fenômeno existe. Devemos lidar com ele. Ignora-lo ou explica-lo afastando-o como tantos cristãos o fazem seria covarde ou desonesto. Perto do fim de seu livro Mettinger concede que uma estranha conexão de fato existe entre o cristianismo e o paganismo dos ‘deuses mortos e ressurrectos’. Contudo, ele não acredita que a existência deste fenômeno pré-cristão deve necessariamente significar a não existência de Jesus Cristo e do Novo Testamento do cristianismo. Aqui está o que ele escreve: “Há, até onde estou ciente, nenhuma evidência prima facie que a morte e a ressurreição de Jesus seja uma construção mitológica, retirada de mitos e ritos dos deuses mortos e ressurrectos do mundo adjacente. Conquanto estudada com lucro contra a base da crença da ressurreição judaica, a fé na morte e ressurreição de Jesus retém seu caráter único na história das religiões. O enigma permanece.”. A Parte IV continuará com uma investigação da origem da civilização egípcia e de Osiris, seu deus mais importante. Uma resposta ao enigma existe, mas estará o mundo voluntário para aceitar isso?

Parte IV

As Origens Esquecidas do Egito

“As origens da civilização faraônica sempre tem sido envolvidas em mistério. O que fez com que a cultura dinástica irrompesse no Vale do Nilo dentro de um período de tempo relativamente curto? … Há pouca evidência da realeza e de seus rituais muito antes do início da Primeira Dinastia; nenhum sinal de desenvolvimento gradual de trabalho em metal, arte, arquitetura monumental e escrita – o critério definidor da civilização inicial. Muito do que sabemos sobre os faraós e sua cultura complexa parece vir a existência em um flash de inspiração.” -  David Rohl, Legend – the Genesis of Civilisation, 1998, p.265

Uma das questões mais controvertidas no inteiro campo da Egiptologia é também a mais básica; De onde veio a avançada civilização faraônica? No próprio início das primeiras dinastias o Estado egípcio parecia estar completamente desenvolvido, intrinsecamente estruturado, tecnologicamente avançado e economicamente vibrante. Como pode algo tão completo aparecer tão repentinamente e aparentemente de nenhum lugar? Hoje a resposta que você mais frequentemente ouve  é ‘que isso apenas aconteceu deste modo’, que o Egito foi construído pelos africanos egípcios, que eles próprios fizeram isto por sua própria conta usando seu próprio conhecimento e recursos, e argumentar uma outra resposta é um insulto aos egípcios e africanos seja onde for! Este tom ‘politicamente correto’ que é tão penetrante dentro da academia principal hoje era, contudo, nem sempre tão influente no passado. Quando o estudo do Egito antigo estava se tornando uma ciência perto do fim do século XIX os eruditos envolvidos no campo tinham muito mais liberdade para advogar suas próprias idéias únicas, não importa quão controversas ou ridículas eles pudessem parecer. Foi neste mercado aberto de idéias que alguns dos fatos mais importantes sobre o Egito antigo foram descobertos e quando alguns dos métodos mais importantes para estudo e escavação do Egito antigo foram desenvolvidos.

Flinders Petrie

Ninguém pode começar a descrever a origem e evolução da ciência da Egiptologia sem se referir a William Matthew Flinders Petrie. Outro que Jean Francois Champollion, que primeiro decifrou a Pedra da Roseta e os hieróglifos egípcios, a influência de Petrie sobre o campo é muito inigualável. Petrie começou suas escavações no Egito em 1884, como um diretor do Fundo de Exploração Britânico baseado no Egito e suas experiências o levaram a ser muito crítico dos métodos destes escavadores que o precederam, que estavam mais preocupados em descobrir e pilhar tesouros sensacionais do que em aprender a história real do Egito. Ele escreveu: ‘Nada parece ser feito com qualquer plano uniforme e regular, o trabalho começou e foi deixado inacabado; nenhum respeito é prestado às futuras exigências de exploração e nenhum aparelho civilizado ou de trabalho poupador são usados. É doentio ver o nível no qual tudo está sendo destruído e o pouco respeito prestado a preservação.” Os métodos de Petrie foram inteiramente contra aqueles de seus contemporâneos. Eles eram completados cientificamente, muito meticulosos, e no fim muito frutíferos, e hoje ele é visto como o Pai da Egiptologia bem como talvez o Pai da Arqueologia. Segundo o autor James Baikie que escreveu ‘A Century of Excavation in the Land of the Pharaohs’, “se o nome de qualquer homem deve ser associado à moderna escavação como o principal doador de seus princípios e métodos, este deve ser o nome do Professor Sir W.M. Flinders Petrie.” Flinders Petrie era um gênio inspirado e suas opiniões sobre a origem do Egito dinástico não devem ser rejeitadas ligeiramente, até mesmo embora, como seus detratores aleguem, elas possam ter sido subconscientemente apoiadas ou desenvolvidas em uma linha de suas próprias tendências.

A Raça Dinástica

Petrie veio a se dirigir ao problema da origem do Egito dinástico como um resultado de sua escavação do maciço sítio antigo funerário perto da vila de Nakada aproximadamente a vinte milhas ao norte de Luxor no Alto Egito. No inverno de 1894-95 a equipe de Petrie metodicamente escavou e registou os conteúdos de mais de 200 tumbas, que mostraram datar de um período na história do Egito exatamente anterior à emergência da Primeira Dinastia. Dos dados reunidos da escavação Petrie entendeu que o sitios das tumbas de Nakada continham os funerais de dois grupos inteiramente diferentes de pessoas. Um grupo era caraterizado pelos corpos colocados em simples buracos, postos em posição fetal e cobertos com folhas de palmeira. Este grupo, designado Nakada I, era enterrado com simples objetos da vida diária incluindo a básica cerâmica egipcia que era encontrada em numerosas outras escavações que datavam deste período de tempo. O outro grupo, Nakada II, era marcantemente diferente.  Os corpos eram enterrados em buracos que era cobertos de tijolos, que então eram cobertos por troncos de palmeira. Este buracos continham objetos valiosos tais como joalheria em lapis lázuli, e também cerâmica de novos tipos e funções. Os corpos não eram enterrados intactos, mas somente depois de serem desmembrados, com o cranio enterrado separado do torso e dos membros. Havia também sinais de canibalismo ritual tendo ocorrido dentro do grupo de Nakada II e que estava completamente ausente em Nakada I.

A escavação de Nakada forneceu muito a evidência que levou Flinders Petrie a levar adiante sua teoria da origem de uma civilização magnificente e muito antiga do Egito. Ela tornou-se conhecida como a “Teoria da Raça Dinástica” e ela alega que na era pré dinastica o Egito foi invadido por um grupo tecnologicamente superior de estrangeiros de elite [Nakada II] que vieram oriinalmente da Mesopotamia. Esta Raça Dinástica invadiu e conquistou o Egito Superior e se estabeleceu na cidade deles de Nekhen, também conhecida coo Hierakonpolis, próximo de onde importantes centros de culto de Abidos, Tebas, Luxor e Edfu mais tarde emergiriam. Petrie se referiu a esta força invasora como ‘A Tribo do Falcão” e o nome de sua cidade capital de Nekhen significa cidade do Falcão. Seus descendentes tornaram os Reis Horus do Egito com a Primeira Dinastia sendo estabelecida sob um Rei chamado Horus-Aha, ou “Horus o Combatente”, depois do que sua tribo finalmente subjugou e unificou a inteira terra do Egito.

A Elevação a Queda e a Ressurreição de uma Teoria

A idéia de que o esplendor do antigo Egito veio de uma cultura que era originalmente estrangeira ao Egito não foi de início apenas impalatável demais para o mundo academico aceitar. De fato, por muitas décadas esta foi vista como a mais provável solução para o problema. Egiptologistas bem respeitados e altamente credenciados adotaram a teoria e continuaram a reunir evidência adicional para sustenta-la. Até aproximadamente a Segunda Guerra Mundial este era o ponto de vista dominante no mundo academico. E então Hitler entrou em cena e depois de seu desastroso legado qualquer conversa sobre uma ‘raça mestre’ começou a ser vista sob uma luz negativa. O fim da Segunda Guerra Mundial também assinalou o fim do colonialismo europeu e com isto veio o nacionalismo do Terceiro Mundo quando os países recentemente independentes começaram a enfatizar e celebrar suas identidades culturais. Repentinamente os campos da arqueologia e da história antiga se tornaram muito influenciados pela política, especialmente no Egito que era liderado por Nasser, que com suceso lutou contra os britânicos e os franceses na Guerra de Suez de 1956. No início dos anos de 1960 um último maior empurrão academico am apoio da “Teoria da Raça Dinástica” foi feito por Bryan Emery o Professor de Egiptologia do University College de Londres. Infelizmente sua escolha de termos foram até mesmo mais politicamente incorretas do que aquelas de Petrie – Emery se referiu aos invasores do Egito como uma ’super raça’. A reação contra Emery era previsível e devastadora, e eruditos ambiciosos foram espertos o suficiente para entenderem que o estabelecimento academico não mais consideraria seriamente qualquer conversa sobre uma ‘Raça Dinástica” ter construído a civilização egípcia. Esta situação permaneceu a mesma por aproximadamente trinta anos, durante tal tempo muitos eruditos eram muito recompensados por suas tentativas de mostrar como a civilização egípcia se espalhou completamente por si só tão de repente, apenas por meio de renovações internas. A questão da origem dos fundadores dinásticos do Egito teria permanecido ignorada até o século XXI se não fosse pelo trabalho notável de David Rohl. Em 1998 ele publicou seu segundo maior estudo sobre história antiga intitulado ‘ Legend – the Genesis of Civilisation’. Com este volume campeão de vendas a validade da “Teoria da Raça Dinástica” foi extensivamente documentada e apresentada ao público, muito para consternação do mundo academico.

David Rohl é um Egiptologista profissional formado pela University College de Londres (UCF), a mesma universidade afiliada a Flinders Petrie e Bryan Emery. O principal foco da carreira de Rohl tem sido o retrabalho da cronologia geralmente aceita que artificialmente estende os dados da antiga história remontando a uns extra trezentos anos aproximadamente. Por causa desta cronologia falha, a maioria dos academicos se sentem seguros em dizer que a história do Velho Testamento é um mito e que eventos tais como o Exodus, a conquista israelita de Canaã, e as Monarquias Unidas de David e Salomão, nunca aconteceram realmente. Em seu primeiro livro ‘A Test of Time: The Bible – From Myth to History’, publicado em 1995, David Rohl mostrou que os arqueologistas tem estado procurando no lugar certo pela evidência dos eventos bíblicos, mas eles não tem olhado o tempo certo. David Rohl oferece um número de explicações possíveis pelas quais o porque da cronologia geralmente aceita da história antiga é falha, e então ele mostra como a história bíblica vem viva e como todas as peças se encaixam no quebra-cabeças se vistas de uma perspectiva de sua proposta Nova Cronologia (NC). É desnecessário dizer, seu trabalho tem sido grandemente apreciado por grande parte do público geral, mas redondamente criticado pelo mundo academico que não está ávido de aceitar o fato que tudo de seus livros didáticos sobre história antiga precisam ser retomados e reeescritos. Em seu primeiro livro David Rohl se concentrou na história dos israelitas e como os eventos do Velho Testamento se encaixam nos registros da história antiga, enquanto em seu segundo livro, ‘Legend – the Genesis of Civilisation’, ele voltou ao Egito antigo e mostrou como sua história estava intimamente ligada com muitos dos eventos descritos no Livro do Geneses. O que se segue é uma curta lista e explicação de alguns dos dados que apoiam a teoria que invasores da Mesopotamia foram os responsáveis pela criação das glórias do Egito Dinástico.

Dados: Os Artefatos de Nakada

A descoberta do sítio maciço funerário em Nakada por Flinders Petrie foi brevemente mencionado acima, ainda que mais seja necessário ser dito. O que Petrie encontrou foi a evidência conclusiva de um grupo de invasores que eram associados a artefatos cujas origens eram claramente rastreaveis de volta a Mesopotamia. Entre estes artefatos estava a cerâmica feita em estilos similares aquela dos Sumérios. Rohl se refere ao aparecimento de cerâmica exatamente de tipo Mesopotamico entre os funerais de Nakada II e ele cita da respeitada erudita Helene Kantor, “Entre as formas dos potes decorados estão jarros relativamente grandes com três ou quatro ‘alças’ triangulares para os ombros. Estas ‘alças’ são reminiscentes daquelas que já estavam em uso na cerâmica mesopotamia no período Ubaide e que se tornaram particularmente típicas e frequentes da ceramica pré- alfabetização”. “Mais convincente são os vasos de manchas redondas… Embora eles sejam feitos de velha cerâmica indígena vermelha, as bolas são completamente não egípcias; como um todo estes jarros se assemelham a aqueles mesopotamios da parte inicial do périodo pré alfabetização”. Incluidos entre os muitos artefatos unicamente associados com os funerais de Nakada II estão joalheria e ornamentos feitos da preciosa pedra azul lápis lázuli. Rohl explica como os modernos eruditos se dirigem a este fato importante: “Tão surpreendente quanto possa parecer, esta pedra é presumida pelos eruditos ter vindo apenas de uma fonte de localização conhecida na região – as montanhas de Badakshan no Afeganistão, a mais de 3.700 quilometros do Egito… o lápiz lázuli era altamente valorizado pelos sumérios [Mesopotamia] e era importado todo o caminho de Meluhha [no Vale Indus] via Dilmun [Bahrein]… o padrão de distribuição é o mesmo: um produto ou material primeiro aparece na Suméria e Suziana antes que ele chegue ao Egito”. Um outro importante item presente nos funerais de Nakada II era uma maça em forma de pera. Os apoiadores da Teoria da Raça Dinástica argumentam que a introdução desta arma [da Mesopotamia] dava uma margem tecnológica aos invasores de Nakada II, que o utilizavam efetivamente para dominar os egípcios indigenas que estavam armados com armamento mais frágil e menos eficaz. A maça em forma de pera então se torna uma parte importante do legendário simbolismo  e imagens associadas aos invasores. O artefato final único que discutiremos dos sítios funerais de Nakada II é o selo de cilindro. Este instrumento cerimonial foi usado para deixar um padrão quando rolado sobre a argila úmida e sua origem é mais do que certamente Mesopotomia. Rohl fornece a conclusão óbvia: ” Não é coincidência que o selo de cilindro primeiramente apareceu no Egito ao mesmo tempo da maça em forma de pera e o lápiz lázuli. O selo de cilindro não era uma invenção do povo do Vale do Nilo porque, como temos visto, estes notáveis pequenos objetos já estavam sendo usados para o mesmo propósito na cidade de Uruk durante o últmo período Ubaide. O selo de cilindro é portanto uma invenção suméria”. Uma análise dos artefatos associados aos alegados ‘Invasores Dinásticos’ pode parecer ser conclusiva por si só, ainda que a evidência para os sítios funerários de Nakada II vá muito mais profundo do que isto. Como podemos provar conclusivamente que estas eram pessoas que vieram de fora do Egito? Podemos olhar as próprias pessoas. Rohl cita do antropologista Douglas Derry que estudou os restos físicos dos corpos enterrados em Nakada e encontrou diferenças óbvias entre os gupos de Nakada I e Nakada II. ‘As pessoas pre-dinásticas são vistas terem cranios estreitos com uma medida de altura excendendo a de largura, uma condição comum nos negros. O inverso é o caso da Raça Dinástica, que não apenas tinha cranios mais largos mas a altura destes cranios, conquanto excedendo aquela na raça pré-dinástica, era ainda menor que a largura”. ‘Isto também é sugestivo da presença de uma raça dominante, talvez relativamente poucos em números, mas grandemente excedendo os habitantes originais em inteligência; uma raça que trouxe ao Egito o conhecimento da construção em pedra, da escultura, da pintura, relevos, e acima de tudo a escrita; portanto um salto enorme do egípcio primitivo pré-dinástico para a civilização avançada do Velho Império”. Já que no tempo de Derrel a prática de usar mensurações do cranio para determinar o nível de ‘inteligência’ tem sido desmentido, contudo os dados que provam as diferenças físicas entre os dois grupos ainda permanecem. É claro que os invasores do Egito eram de origem Asiática e eles estavam ao menos muito melhor motivados e organizados do que os habitantes indígenas africanos. O resultado final é que este grupo eventualmente conquistou o Egito e emergiu como a classe social dominante que produziu os Reis Horus e a aristocracia Iru-Pat do Velho Reino.

Dados: A Escrita

Uma das mais misteriosas obtenções da civilização egípcia inicial é seu máximo desenvolvimento instantaneo e perfeição em um sistema complexo de escrita. Foi a escrita egípcia desenvolvida completamente independente da influência externa e da ingenuidade dos próprios indigenas egípcios, ou ela veio de uma influência externa que pavimentou o caminho? Rohl cita do Egipologista da UCL Henri Frankfort que deu a seguinte explicação em seu livro ‘The Birth of Civilisation in the Near East’, “Tem sido costumeiro postular os antecedentes pré-históricos para a escrita egípcia, mas esta hipótese nada tem a seu favor… a escrita que primeiro apareceu sem antecedentes no início da Primeira Dinastia não era de forma alguma primitiva. Ela tinha, de fato, uma estrutura complexa.  Ela inclui três diferentes classes de sinais: ideogramas, sinais fonéticos, e determinantes. Este é precisamente o mesmo estado de complexidade que já havia sido alcançado na Mesopotamia em um estágio avançado de período proto-alfabetização. Há, contudo, um estágio mais primitivo que é conhecido nos tabletes iniciais, que usavam apenas ideogramas. Negar, portanto, que os sistemas egípcio e mesopotamio de escrita estão relacionados significa manter que o Egito inventou independentemente um sistema complexo e não muito consistente no mesmo momento de ser influenciado em sua arte e arquitetura pela Mesopotamia onde um sistema precisamente similar tinha exatamente sido desenvolvido de um estágio mais primitivo”. Para Frankfort a resposta era óbvia. Os hieróglifos egípcios apareceram pela primeira vez com o mesmo nível de sofisticação que aquele encontrado na Suméria por causa que a idéia por trás da arte foi trazida ao Egito da Suméria. Contudo, como o ressalta Rohl, depois de seu aparecimento inicial a escrita egípcia tomou um caminho diferente de desenvolvimento por causa dos materias de escrita que eram disponíveis. O Egito possuia o papiro e tinta, enquanto os sumérios apenas tinham argila e junco. O Egito portanto desenvolveu um estilo muito mais impressivo pictoricamente e florescente enquanto a Suméria continuou a desenvolver a escrita conhecida como cuneiforme que usava uma ponta cortada de um junco para gravar impressões na lama úmida, que então era cozida e preservada como tabletes de tijolos e selos de cilindro.

Para muitos egiptologistas, a despeito de como eles interpretam os dados, uma das áreas mais óbvias da influência mesopotomia no antigo Egito veio no campo da arquitetura. Nós já tinhamos visto como os poços funerais de Nakada II eram alinhados com tijolos de lama, e pouco depois do uso inicial da inovação mesopotamia [porque  a Suméria não tinha pedra prontamente disponível], lá apareceu a primeira arquitetura monumental no Egito, também feita no estilo sumério de tijolos de lama. Estas construções iniciais eram tumbas maciças construídas para os mais importantes líderes dos invasores. Elas apareceram perto da cidade de Tjenu (Gr. Thinis) perto do sítio de culto de Abidos, onde originalmente foi pensado estar enterrado o corpo de Osiris. O historiador egípcio Manetho escreve que Tjenu era a capital da Primeira Dinastia começada por Menes – que era provavelmente Horus-Aha. [Pelo tempo da Primeira Dinastia a capital tinha sido movida Nilo abaixo a um numero de milhas da original capital de Nekhen]. Juntamente com estas grandes tumbas construídas para os primeiros líderes da Tribo do Falcão  havia também sítios de tumbas subsidiárias de montes de indivíduos que foram provavelmente ritualmente sacrificados ao mesmo tempo em que o indivíduo primário era enterrado. O sacrifício humano bem como o canibalismo parecem ser aspectos importantes da religião da Tribo do Falcão e do sistema ritual, embora estes elementos sejam decididamente minimalizados por alguns dos eruditos modernos. Uma posterior inovação arquitetural que tem óbvios paralelos com a Mesopotamia veio com a utilização egípcia das ‘fachadas em nicho’ o que simplesmente significa o uso de projeção alternada e paredes recuadas ao redor do perímetro de uma construção. A este ponto Rohl é capaz de citar um número de eruditos que concordam que isto seja uma das coisas mais importantes a fornecer uma ligação entre a Raça Dinástica e sua origem na Suméria. As fachadas em nicho eram usadas pela Mesopotamia e elas eram um metodo arquitetural que antecedeu o aparecimento dos grandes zigurats com degraus que se espalharam pelas cidades Estado na medida em que a cultura Suméria alcançava seu zênite. No Egito, mais uma vez, este parelo mesopotamio aparece repentinamente e completamente desenvolvido. Este método é usado no Egito Superior para as tumbas localizadas em Abidos e em Nakada, e então ele aparece novamente mais tarde para a construção feita em Saqqara no Egito Inferior e nas Primeira e Segunda Dinastias depois que o Egito foi unificado sob os Reis Horus. A influência Mesopotamia é novamente vista na Terceira Dinastia com o criação da grande pirâmide em degrau de Djoser em Saqqara que é reconhecida como a primeira pirâmide egípcia e obvimante modelada segundo o sigurat sumério. Este monumento é também um dos primeiros casos onde os construtores começaram a utilizar a pedra que estava prontamente disponível, muito mais do que usar os tijolos de lama que estavam acostumados a usar. As obtenções e inovações em Saqqara então pavimentaram o caminho para as pirâmides e templos eregidos durante a Quarta Dinastia, tipificados pelo complexo de Gizé.

A Invasão do Barco Quadrado

Se aceitarmos a  premissa que um grupo altamente cheio de recursos e tecnologicamente avançado invadiu e subjugou o Egito antes das primeiras dinastias não temos que procurar muito longe pela evidência de como e onde eles o fizeram. Por muitos anos esta evidência tem existido ainda que não seja muito bem explicada pelos principais eruditos, que negam que uma tal invasão até mesmo tenha acontecido. A invasão veio ao Vale do Nilo do Mar Vermelho através dos vales do deserto oriental. Este vales eram conhecidos como ‘wadis’ e há três wadis (Hammamat, Abad e Barramiya), oposto aos acampamentos de Nakada e Nekhen, onde a evidência desta invasão foi deixada na forma do grafite primitivo. As imagens mais comuns gravadas nas pareces de rocha dos vales são imagens de grandes barcos quadrados no estilo mesopotamio com proas altas e remos que são inclinados para trás, que frequentemente apresentam chifres, antenas ou bandeiras. Estes barcos são frequentemente cheios de pessoas, algumas vezes com uma figura principal carregando uma maça em forma de pera que fica alto no centro. Os wadis correm de leste a oeste e as proas dos barcos fdicam de frente para oeste na direção do Nilo. Muitas das apresentações mostram os barcos sendo puxados por cordas por membros da tripulação. O que aconteceu quando este grupo de invasores finalmente alcançou o próprio Nilo depois de arrastar seus barcos pelo deserto a partir do Mar Vermelho? David Rohl se refere a vários dos mais importantes artefatos antigos egípcios para uma resposta, incuindo os dois seguintes. O primeiro é conhecido como a faca Gebel el-Arak. Este artefato de marfim foi encontrado perto da margem leste do Wadi Hammamat e é importante para as imagens encontradas em seu intricado cabo gravado que os especialistas concluem dar a ele uma firme datação pré-dinástica. Por um lado as imagens gravadas apontam inconfundivelmente para uma fonte suméria, da cena do ‘Mestre dos Animais” usando um estilo de cabelo sumério e um casaco longo não egípcio, os dois cães troncudos, musculosos de focinho curto mesopotamios apresentados embaixo. Por outro lado encontramos o resultado final do aparecimento dos invasores sobre o Nilo. David Rhol chama a isto “A Primeira Batalha da História”. Há duas cenas de batalha, uma batalha por terra no topo e uma batalha naval na parte inferior. Na batalha de terra encontramos um grupo de cabelos curtos carregando maças em forma de pera e porretes que está derrotando um grupo de cabelos longos que combate, mas parece desarmado. Na batalha naval o mesmo tipo de barcos quadrados são apresentados nas paredes das rochas dos wadis orientais e são mostrados derrotando uma fila de barcos em forma de crescente que são típicos do Nilo.

Um outro maior artefato pré-dinástico que explica o resultado da invasão dos barcos quadrados é conhecido como Narmer Palette, encontrado em Nekhen em 1897 e agora guardado no Museu do Cairo. Narmer era um rei do Egito Superior que imediatamente precedeu Horus-Aha, o conquistador do Egito. Um lado desta palheta mostra uma grande imagem de um rei segurando uma maça em forma de pera em uma pose de golpe, enquanto na outra mão tem o cabelo de uma vítima que se contrai. Sob seus pés dois outros inimigos fogem em terror. Do outro lado a maior apresentação é esta de duas bestas como dinossauros com as cabeças interligadas do típico modo sumério, controladas com cordas mantidas por dois homens barbados. Abaixo disto o rei é apresentado como um touro esmagando um inimigo e invadindo uma cidade, enquanto ali encima há o que parece ser uma procissão de vitória. Narmes é a principal figura e ele novamente sustenta sua maça. Ele é auxiliado por um servente, sua rainha, e quatro figuras carregando estandartes. Contra esta procissão há figuras de dez corpos decapitados, sobre o que é retratado o mesmo barco quadrado de proa alta como encontrado no punho da faca de Gebel el-Arak e no grafite do deserto oriental. Desde os mais iniciais começos da cultura egípcia tem sido mantido que o barco seja sagrado, como evidenciado pelos enormes chamados ‘barcos solares’ que foram desenterrados perto da face sul da Grande Pirâmide em 1954. Este barcos foram enterrados quando a pirâmide foi construida e os eruditos acreditam que eles eram apresentações cerimoniais do barco mitológico que transportava Ra através do céu a cada dia. Contudo os barcos não eram reverenciados meramente por sua utilidade no Nilo, ou por suas tradições mitológicas, mas também porque os conquistadores do Egito vieram ao Egito através do mar por barco. De fato, os barcos desenterrados na Grande Pirâmide, com suas altas proas, fundo chato, e cabines centrais pareciam mais como os barcos que foram puxados através do deserto para o Nilo do que com os barcos tradicionalmente usados no Nilo. Talvez os barcos enterrados em Gizé não fossem afinal ‘cerimoniais’.

A Grande Migração

No capítulo 10 do Geneses há uma longa lista de muitas tribos diferentes da terra que existiam depois que a humanidade emergiu do Dilúvio de Noé. Esta passagem é conhecida como a Tabela das Nações e a lista é organizada sob os três filhos de Noé:  Shem, Ham e Japheth. É a esta lista que David Rohl se dirige depois que ele traz seus leitores a aceitarem a inevitavel conclusão que o Egito dinástico foi fundado por invasores vindos da Mesopotamia. Segundo a narrativa da Tabela das Nações havia quatros filhos de Ham, e três deles se estabelecram a África, especificamente Cush, Mizraim e Put. A terra de Cush é conhecida pelo Velho Testamento como a região atual do Sudão/Etiópia ao sul do Egito; a própria terra do Egito é chamada pelo Velho Testamento como Mizraim. Josephus o historiador judeu apoia e elabora sobre a narrativa do Geneses: “… o tempo não tinha de todo ferido e o nome de Cush; para os etíopes sobre os quais ele reinou, eles são até mesmo hoje em dia, por eles próprios e por todos os homens na Ásia, chamados Cushitas. A memória também dos Mesraitas é preservada por seu nome; para todos nós que habitamos este país da Judeía chamamos o Egito Meste e aos egípcios Mestreanos. Put também foi o fundador da Líbia, e chamou os habitantes de Putitas, por causa dele mesmo; há também um rio no país dos Mouros que em este nome… mas o nome agora tem sido trocado por causa dos filhos de Mizraim, que eram chamados de Libios”. David Rohl acredita que Cush, o filho mais velho de Ham, aparece dentro da lista dos Reis Sumérios como o primeiro regente da dinastia de Uruk pós Dilúvio, onde sua partida da Suméria e jornada para a África é notada,  “Meskiagkashar, filho de Utu, se tornou alto sacerdote e rei e reinou 324 anos. Meskiagkashar desceu pelo mar e subiu as montanhas”.(SKL coluna iii, linhas 4-6) Se este rei antigo e seus irmãos viajaram para fora da antiga Suméria por mar, então a rota deles teria que ter sido através do Golfo Pérsico e ao redor da Península Árabe, navegando os barcos quadrados de junco revestidos de betume que eram típicos do Golfo Pérsico nesta antiga data.

Isto nos leva direto ao quarto filho de Ham, que era Canaã. Segundo o Geneses 10:19, os canaanitas se estabeleceram nas terras na margem leste do Mediterrâneo. Eles também eram conhecidos como fenícios. Como eles chegaram lá foi notado pelo historiador grego do século V Heródoto, e também Estrabo, o geógrafo grego do século I, Herodoto: “Os homensa sábios da Pérsia  dizem que os fenícios foram a causa da rixa [entre os gregos e os persas]. Estes [eles dizem] vieram aos nossos mares [isto é, ao Mediterrâneo oriental] do Mar da Eritréia, e tendo se estabelecido no país que ainda ocupam [isto é, Fenica/Líbano] e uma vez começaram a fazer longas viagens”.  Strabo: “Ao navegar mais distante [descendo o Mar da Eritréia] se vem a outras ilhas. Quero dizer Tiro e Aradus, que tem templos como aqueles dos fenícios. É avaliado, ao menos pelos habitantes das outras ilhas, que as ilhas e cidades dos fenícios que tem o mesmo nome sejam colônias deles”.  David Rohl explica onde estava o Mar da Eritréia e também como este entendimento da origem dos antigos fenícios tem sido passado aos dias modernos através dos séculos, “Vá visitar uma escola libanesa e sente-se em uma aula de história. Lá você ouvirá o profesor explicar às crianças que os modernos libaneses são descendentes dos antigos fenícios que, por sua vez, se originaram das ilhas do Golfo Pérsico. As origens legendárias dos fenícios não são uma invenção da comunidade cristã libanesa puramente para fornecer uma separada tradição étnica de seus vizinhos muçulmanos. A idéia de que os ancestrais dos fenicios vieram de muito além de Bahrein para encontrar novas cidades de Canaã na costa leste do Mediterrâneo era bem conhecida pelos escritores clássicos. Justin, Plinio, Ptolomeu e Strabo todos tinham a original terra natal dos fenícios no Golfo como um fato histórico… Os Tirianos [ da cidade de Tiro] proclamavam sua terra natal como a ilha de Tilos no Mar da Eritréia. Agora o Mar da Eritréia ou Vermelho não era nos tempos antigos o que hoje conhecemos como Mar Vermelho… O original Mar Vermelho era o que hoje chamamos de Golfo Pérsico ou árabe e o Oceano Índico além. Ele assim era chamado por causa de Eriteas, que, segundo a lenda, “foi enterrado detro de um grande monte na ilha de Tilos”. Rohl continua para explicar que o nome Tilos é uma forma grega da palavra arcadiana Tilmun, e a legendária ilha paraíso de Dilmun, bem conhecida no mito sumério, é de fato a ilha de Bahrein. Isto foi provado em 1970 pela erudição de Geoffrey Bibby em seu livro clássico, ‘Looking For Dilmun’, uma narrativa de sua escavação de doze anos de Bahrein e sua pesquisa de suas origens. Bahrein foi a verdadeira pedra em degrau para a antiga Mesopotamia quando os filhos de Ham foram dispersados depois do Dilúvio. Um dos mais impressivos símbolos naturais desta região é o falcão, a ave de presa rápida e nobre que hoje é valorizada pelos sheiques do Golfo Árabe. Talvez isto explique o símbolo tribal que foi adotado pelos invasores do Egito. Rohl cita de Flinders Petrie para resumir as explorações deste poderoso grupo guerreiro, ‘Esta Tribo Falcão tinha certamente se originado de Elam [Susiana], como indicado pelo herói e leões no cabo da faca de Ara. Eles desceram o Golfo Pérsico e se estabeleceram no ‘chifre da África’. Lá eles nomearam a Terra de Punt, sagrada para os egípcios posteriores, como fonte da raça. O povo de Pun fundou a fortaleza da ilha de  Ha-fun que comanda a inteira costa, e dai veio o povo púnico ou fenicio da antiguidade clássica…  Aqueles que subiram o Mar Vermelho formaram os invasores dinásticos do Egito entrando pela estrada de Kuseir-Koptos. Outros foram para a Síria e fundaram Tiro, Sidon e Aradus, assim chamadas por sua terra natal as ilhas do Golfo Pérsico’.

Se os egípcios e os fenicios partilharam ancestrais comuns e um comum caminho de migração de origem no mar para fora da Mesopotamia, então estes fatos vão um longo caminho na direção de explicar suas similares crenças religiosas evoluindo ao redor da veneração de um primordial deus morto. Estamos a um passo mais perto de identificar este deus morto como uma figura histórica.

Parte V

O Mundo do Espírito e a Civilização

“Era uma vez um tempo… que não havia medo, nem terror. O homem não tinha qualquer rival… o inteiro universo, as pessoas em uníssono… para Enlil em uma lingua dar louvor” – “Enmerkar e o Senhor de Aratta”, épico sumério, c.2000 AC

Seres humanos são únicos entre todas as criaturas vivas pelo fato que temos uma capacidade e uma necessidade de expressão religiosa. Este elemento da atividade humana tem sido entendido como racional, necessário e básico deste o nosso mais inicial começo até aproximadamente meados do século XIX. Foi a este ponto, guiado por uma filosofia de base materialista, que a religião começou a ser vista como irracional e ‘não científica’. Gradualmente o materialismo secular infiltrou o mundo academico e eventualmente substituiu a ética judaico-cristã como o ponto de vista dominante. Foi desta nova perspectiva que James G. Frazer desenvolveu suas teorias sobre como a religião pode ter evoluido em uma tal parte essencial da vida humana. O que era a religião e de onde ela veio? Como Sigmund Freud, Frazer acreditava que a resposta não poderia ser encontrada no mundo do espírito, mas muito mais no mundo da matéria – em termos que podem ser percebidos pelos cinco sentidos. Desta perspectiva Frazer concluiu que as mais iniciais crenças religiosas da humanidade eram meramente tentativas de entender e trazer ordem ao mundo físico da natureza. Esta nova hipótese se encaixa bem com as atuais tendências filosóficas e rapidamente se tornou o concenso academico aceito. Era a idéia de que a religião, até mesmo embora ela tenha evoluido em diferentes formas complicadas em muitas culturas diferentes, isto era simplesmente a raiz da “Veneração da Natureza”. Na medida em que o século XX progredia esta teoria crescia mais forte e foi adotada e promovida em uma escala em massa por especialistas influentes como Joseph Campbell e Bill Moyers, entre outros. Ao longo do componente da “Veneração da Natureza” da religião inicial isto também era entendido que na medida em que o homem primitivo avançava, uma tendência se elevou para deificar alguns dos mais influentes ancestrais humanos que tinham deixado para trás significantes ou significativos legados. Esta prática de “Veneração da Natureza” era reconhecida pelas próprias culturas antigas e amplamente escritas sobre ela pelos gregos. Por exemplo, no “Euthydemus” de Platão, Socrates se refere aos deuses antigos como seus ’senhores e ancestrais’, enquanto Euphemerus [300 AC] foi um outro filósofo grego que argumentou que a ‘Veneração Ancestral’ foi a fonte primária da religião. Hoje os eruditos modernos reconhecem este elemento como desempenhando um maior papel na religião pagã e em seu componente primário de abordagem histórica usado por eruditos tais como David Rohl. Além destes maiores componentes havia uma parte das iniciais crenças humanas lá um outro componente. Ele era chamado pelos próprios antigos como a base original de suas crenças, ainda que isto seja geralmente minimalizado ou ignorado dentro da academia principal. Hoje isto é prontamente reconhecido no Oriente, nos círculos alternativos ou New Age. Mas isto também é algo que tem sido compreendido dentro da tradição judaico-cristã desde o início. Este componente mais importante e mais fundacional da religião é a “Veneração do Espírito”. Para entender como a humanidade tem sido influenciada e dirigida desde o início por entidades espirituais de outras dimensões voltaremos no tempo tão longe quanto possamos. Iremos a onde este estudo nos tem levado por todo o tempo – aos registros dos antigos sumérios da Mesopotamia. Esta antiga civilização foi realmente a primeira a inventar a arte da escrita, e o que eles tinham a dizer inicialmente sobre sua própria história e crenças ajudará a fornecer as respostas que buscamos.

A Perspectiva Suméria

Antes que investiguemos o sistema de crença encontrado na religião suméria devemos primeiro dar uma visão geral da história suméria. Os eruditos modernos datam a origem desta civilização por volta de 4500 AC, e seu desaparecimento por volta de 1750 AC, quando ela finalmente foi extinta e absorvida pelas conquistas de Hammurabi. Além de inventarem a escrita os sumérios também são creditados com um número de ‘primeiros’ históricos incluindo a roda, trabalho em metal, cerâmica, e fabricação de cerveja. Esta última invenção talvez tenha permitido que a primeira monarquia mundial tomasse o poder, o que prontamente estabeleceu o primeiro sistema conhecido de impostos. A mais inicial história suméria é relatada na Lista dos Reis Sumérios, cópias da qual tem sido encontradas em vários tabletes cuneiformes ou blocos datando de diferentes períodos. Ela começa como isto: Depois que a realeza desceu do céu, a realeza estava em Eridug. Em Eridug, Alulim tornou-se rei; ele governou por 28.800 anos. Alaljar governou por 36.000 anos. 2 reis. eles governaram por 64.800 anos. Então Eridug caiu e a realeza foi tomada para Bad-tibira. Em Bad-tibira, En-men-lu-ana governou por 43.200 anos. En-men-gal-ana governou por 28.800 anos. Dumuzid, o pastor, governou por 36.000 anos. 3 reis; eles governaram por 108.000 anos. Então Bad-tibira caiu (?) e a realeza foi tomada para Larag.

Em Larag, En-sipad-zid-ana governou por 28.800 anos. 1 rei; ele governou por 28.800 anos. Então Larag caiu (?) e a realeza foi tomada para Zimbir. Em Zimbir, En-men-dur-ana tornou-se rei; ele governou por 21.000 anos. 1 rei; ele governou por 21.000 anos. Então Zimbir caiu (?) e a realeza foi tomada para Curuppag. Em Curuppag, Ubara- Tutu tornou-se rei; ele governou por 18.600 anos. 1 rei; ele governou por 18.600 anos. Nas cinco cidades 8 reis; eles governaram por 241.200 anos. Então veio o Dilúvio. A própria primeira linha da Lista dos Reis da Suméria implica em algo de uma natureza espiritual ou religiosa, o que nos traz de volta ao assunto da religião suméria. Os Sumérios veneravam um enorme panteão de deuses maiores e menores, mas os deuses primários que governavam do topo da hierarquia eram Anu, Enlil e Enki. Deste três foi Enki que era entendido como o fundador da civilização, e era ele que era associado com a cidade de Eridu, onde ‘a realeza desceu do céu”. Aqui estão as descrições destes deuses como dadas no importante obra ‘Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia’, An é a palavra suméria para ‘céu’ e é o nome do deus céu que é também o primeiro movimentador da criação, e o distante supremo líder dos deuses… Ele é o pai de todos os deuses… é An que, na tradição suméria, se apoderou do céu quando ele é separado da terra [ki], criando o universo como o conhecemos… Embora em quase todos os períodos uma das mais importantes deidades da Mesopotamia, a natureza de An foi mal definida e ele é raramente [senão sempre] representado na arte, sua específica iconografia e atributos são obscuros. Enlil é um dos mais importantes deuses no panteão mesopotamio. Segundo um poema sumério, os outros deuses não podem até mesmo olhar para o seu resplendor. Algumas vezes ele é dito ser da prole de An… O grande centro de culto a Enlil era o tenplo de E-kur (a ‘Casa da Montanha’) em Nippur, na margem norte da Suméria, e Enlil é frequenemente chamado ‘A Grande Montanha” e “Rei das Terras Estrangeiras, o que pode sugerir uma conexão com as Montanhas Zagros. Outras imagens usadas para descrever sua personalidade são rei, supremo senhor, pai e criador; ‘tempestade raivosa’ e ‘touro selvagem’. Enki [o Acadiano EA] era o deus da água potável subterrânea do oceano [abzu] e era especificamente associado à sabedoria, mágica e encantamentos, e com as artes e artesanatos da criação… Enki/EA era filho de An/Anu… O mais importante centro de culto de Enki era o E-abzu (‘A Casa de Abzu’) em Eridu. Como o fornecedor da água potável e um deus criador e determinador de destinos, Enki sempre foi visto como favorável a humanidade… No poema sumério ‘Inanna e Enki’ ele controla tudo relativo a cada aspecto da vida humana, e em ‘Enki e a Ordem Mundial’ ele tem o papel de organizar em detalhe cada característica do mundo civilizado.

Na mitologia suméria Anu é retratado [como o deus canaanita El da Parte III] como a principal figura ou deidade ’supérflua’ que tem pouco interesse nos eventos terrenos e pode melhor ser descrito como ‘aposentado’. A real ação acontece entre Enlil e Enki, os dois filhos primários de Anu, que gerenciam e organizam a civilização humana e são frequentemente retratados como amargos rivais. Na linguagem suméria a palavra ‘en’ significa ’senhor’ e a palavra ‘lil’ se refer ao céu, vento, ou atmosfera inferior, e a palavra ‘ki’ significa terra. Portanto En-lil, que aparece no mito sumério como o primário tomador de decisões entre os deuses, possui um nome que o torna um ‘deus céu’ similar a Anu e de certo modo similar ao deus grego Zeus. En-ki, por outro lado, até mesmo embora seus desejos sejam frequentemente frustrados por En-lil , é conhecido como ’senhor da terra’. O relacionamente combativo deles é retratado pelo mito sumério e nos mitos acadianos e babilonio que foram escritos mais tarde.

A Criação do Homem

Nos mitos sumérios da criação Enki permanece a figura central. No mito conhecido como ‘Enki e Ninmah’, Enki é encarregado de aliviar os deuses do trabalho duro que eles faziam por todo dia. Nammum, a deusa mãe que tinha dado nascimento a todos os deuses, tem misericórdia da súplica dos deuses e diz a Enki, “Levante-se, meu filho, de sua cama, pratique seu talento percetivelmente. Crie serventes para os deuses. Deixe que ele atirem longe seus cestos’. Enki faz exatamente isto, depois do que Enki coloca de pé as novas criaturas e olha para elas com atenção. O texto então diz, ‘Depois Enki, o moldador da forma, tinha, por ele próprio, colocado sentido na cabeça deles, ele diz a sua mãe Nammu, ‘Minha mãe, a criatura cujo nome você determinou, existe. O labor/trabalho dos deuses tem sido atribuido a ela” No mito sumério o Gado e o Grão a criação do homem é novamente citada, mas apenas como uma aparente nota lateral, implicando novamente que o homem havia sido criado para servir e agradar aos deuses. Uma narrativa mais detalhada da criação do homem é dada no início do Épico Acadiano Atrahasis, que dada de por volta 1700 AC. Nesta narrativa similar os deuses menores que tinham estado sobrecarregados pelo trabalho se revoltaram contra os deuses superiores e confrontaram o próprio Enlil. Enlil convoca o Conselho dos deuses em uma tentativa de resolver a situação. Enki sugere que um dos deuses menores seja sacrificado para criar uma criatura que ’sustentará o fardo dos deuses’. A carne e o sangue deste vítima é misturado com argila, que Enki então tece e sobre o qual uma deusa recita encantamentos. Desta massa de argila quatorze pedaços são retirado e eles são inseridos nos úteros das ‘deusas do nascimento’. Dez meses depois nascia a humanidade, com sete machos e sete femeas, que foram então forçados a assumirem o trabalho dos deuses menores, escavando canais, crescendo comida e atendendo às necessidades diárias dos deuses.

O Grande Dilúvio

Atrahasis é o nome acadiano para uma figura similar a Noé que é conhecida nas narrativas sumérias como Ziusudra [ O Eridu Geneses] ou Utnapishtim (O Épico de Gilgamesh). Segundo todas estas narrativas a criação da humanidade eventualmente tornou-se lamentada pelo deus principal Enlil. O Épico Atrahasis diz, ‘E o país estava barulhento como um touro falando alto. O deus cresceu em desassossego em sua algazarra; Enlil tinha que ouvir o barulho deles. Ele se dirigiu aos grandes deuses, ‘O barulho da humanidade tem vindo até mim demais, estou perdendo o sono com a algazarra dela’. Para lidar com o problema da super-população humana Enlil causa primeiro uma praga, e então uma fome, para atacar a terra. Em cada caso Atrahasis chama Enki para ajudar a humanidade e oferecer uma solução para a calamidade. Enki responde dando conselho a Atrahasis mas sua interferência em benefício da humanidade faz com que Enlil se torne muito zangado. A solução final, que é concordada pelos deuses, a despeito do argumento apaixonado de Enki, é que um dilúvio será causado para dizimar completamente a humanidade. Esta decisão é mantida secreta mas Enki é forçado a fazer um juramento que ele não falará sobre isto com qualquer ser humano. A despeito de seu juramento Enki sagazmente concebe um plano para salvar Atrahasis e ainda permanecer sem trair sua palavra. Ele contacta  Atrahasis por trás de uma parede de junco, e então dá instruções como se estivesse falando com a parede de junco. Deste modo Atrahasis é informado do que está vindo e ensinando como ele pode se preparar para a calamidade. É dito a ele para construir um barco tão longo e tão largo e construir um teto sólido no topo. O épico de Gilgamesh inclui as instruções de “Carregar a semente de cada coisa viva no barco’. Depois que o dilúio passa Enlil se torna enraivecido ao descobrir que a humanidade sobreviveu por meio de Atrathasis e sua família. Contudo os outros deuses se regozijam e louvam a sabedoria e compaixão de Enki. A raiva de Enlil eventualmente é passada depois que Atrathasis reverentemente constrói um altar e oferece sacrifícios a ele. No fim Enlil se reconcilia com Enki, abençoa Atrathasis e dá a Atrhatasis o dom da imortalidade.

A Transferência da Autoridade Divina

Um dos mais importantes conceitos sumérios associados aos deuses e a civilização humana, na medida em que eles são relacionados ao mundo tanto antes quanto depois do Dilúvio, era aquele do ‘me’: A definição aqui é de ‘Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia’: me: O termo sumerio ‘me’ [pronunciado mei] é um plural, um nome inanimado, e expressa um conceito muito básico na religião suméria. Então ‘me’ são as propriedades e poderes dos deuses que capacitam um grupo inteiro de atividades centrais à vida humana civilizada, especialmente a religião, para acontecer. Um termo relacionado, gis-hur [o plano, o projeto] denota como estas atividades podem, idealmente, serem; o ‘me’ são os poderes que tornam possíveis a implementação do gis-hur e que asseguram a continuação da vida civilizada. Eles são antigos, duradouros, sagrados, valiosos. A maioria deles é mantida por An ou Enlil, mas eles podem ser destinados ou dados a outros deuses de, por implicação, menor escalão. Como esta definição explica, originalmente o ‘me’ era mantido por An e/ou Enlil. Os sumérios reconhecem Enlil como um deus supremo ativo, mas os mitos deixam claro que o ‘Pai Enki’, o deus que ajudou a criar a humanidade em primeiro lugar, era muito mais amado e reverenciado. Eventualmente o laço estreito de Enki com a humanidade se tornou reconhecido por Enlil, o que trouxe uma mudança importante no modo que a humanidade deveria ser governada. Foi decidido que o ‘me’, previamente mantido por Enlil em seu grande templo em Nippur, seria tranferido ao templo em Eridu e entregue nas mãos de Enki. Este evento momentoso na história e na religião suméria é descrito em um mito bem preservado de 467 linhas chamado ‘Enki e a Ordem do Mundo’. Este mito é relatado no livro de Samuel Noah Kramer, ‘Myths of Enki, the Crafty God’ (1989). Ele começa com as palavras abaixo, com o poeta louvando Enki em termos reverentes, O Senhor que anda nobremente no céu e na terra, auto-confiante, Pai Enki, engendrado por um touro, produzido por um touro selvagem, valorizado por Enlil, o Grande Kur, amado pelo sagrado An, o rei que voltou ao mes-tree em Abzu, elevou isto acima de todas as terras, grande usumgal [dragão] que plantou em Eridu – sua sombra se espalhando sobre o céu e a terra… Enki, senhor da hegal [abundância] que os deuses Anunna possuem, Nudimmud (um outro nome para Enki), o poderoso de Ekur, o forte de An e Uras. Nudimmud, o poderoso de Ekur, o forte de Anunna, cuja casa nobre se estabeleceu em Abzu é a pessoa de plantão no céu e na terra. ‘ Depois de 59 linhas de prece, louvação e exultação similares o poeta então permite a Enki uma chance de se auto louvar. Dentro destas linhas encontramos que Enlil, o irmão de Enki, entregou a Enki o ‘me’ que são tão essenciais para governar sobre os assuntos da humanidade. Enki, rei de Abzu, celebra sua própria magnificência – como está correto: “Meu pai, governante acima e abaixo, faça com que minhas feições ardam acima e abaixo. Meu grande irmão, governante de todas as terras, reuna para todo ‘me’, coloque o ‘me’ em minhas mãos. De Ekur, casa de Enlil, passei minhas artes e artesanato para meu Abzu, Eridu… Sou o primeiro entre os governantes. Sou o pai de todas as terras. Sou o grande irmão dos deuses, o hegal é aperfeiçoado em ‘me’. Sou o guardião do selo acima e abaixo. Sou esperto e sábio nas terras. Sou aquele que dirige a justiça ao lado de An, o rei, sobre o ‘dais’ de An. Sou aquele que tendo vindo kur, decreta os destinos ao lado de Enlil: ele tem colocado em minha mão o decretar dos destinos no lugar onde o sol se eleva…’ Depois de sua primeira fala em auto-louvor Enki para por um momento, permitindo que os deuses reunidos ofereçam sua veneração e louvor, e então Enki continua com mais pronunciamentos auto-laudatórios que tomam aproximadamente outras cinquenta linhas:

Depois que o senhor havia proclamado sua altura, depois que o grande príncipe havia pronunciado seu próprio louvor, os deuses Anunna ficaram em prece e súplica: “Senhor, que observa as artes e artesanatos, especialista em decisões, o adorado – Oh Enki, louve” Uma segunda vez, pelo prazer que isto deu a ele, Enki, rei de Abzu, celebra sua própria magnificência – como está correto: “Sou o senhor. Sou aquele que permanece. Sou eterno…” (etc., etc., etc.). Depois desta fala os deuses respondem, comentando mais uma vez o fato de que Enki é o possuidor ‘do grande nobre e puro me’ – solidificando o lugar de Enki como o mais importante deus da humanidade e confirmando sua dignidade de ser reconhecido como “O Senhor da Terra”: Para o grande príncipe que tinha retirado perto de sua terra, os deuses Anunna falam com afeição: Senhor que corre o grande ‘me’, o puro ‘me’, que fica de pé e observa o grande ‘me’, o miríade ‘me’, que é o mais importante em todos os lugares acima e abaixo, Em Eridu, o lugar puro, o mais precioso lugar, onde o nobre ‘me’ foi colocado. Oh Enki, senhor acima e abaixo, louve!” Embora o próprio nome de En-ki signifique a associação do deus com a terra, realmente não há indicação dentro dos mitos sumérios que a veneração de Enki evoluiu de uma forma primitiva de veneração à terra. Também não há indicação que os mitos, como com muitas outras deidades, que Enki uma vez foi um ser humano. Não, Enki não evoluiu da veneração da natureza, ou da veneração de ancestral. Enki era um espírito e ele era venerado como espírito. Um de seus aspectos mais importantes portanto tinha a ver com seu relacionamento com o mundo espiritual. Kramer explica, ‘O trabalho manual de Enki está em todos os lugares melhor representado do que na mágica. Aquele que conhece os segredos dos deuses e os caminhos do outro mundo é, não surpreendentemente, o deus que conhece as palavras e rituais que contratam os espíritos. Um grande número de textos preservados na ‘corrente da tradição’ são textos de encantamento, e Enki é proeminente na tradição”. “Enki é o senhor da profundeza aquosa, ‘, o ’senhor do conhecimento oculto e impenetrável’ na profundidade de sua ‘casa de sabedoria’. Ele sempre era o mágico principal dos deuses, o grande exorcista. Sua água purificadora era usada nos encantamentos e ritos mágicos. Governante das águas do Submundo, senhor dos regatos e riachos, das colheitas abundantes, Enki era também o deus associado aos outros bens da terra, metais e pedras preciosas. Ele era o patrono dos trabalhos em metal e dos trabalhos manuais em geral. O patrono das fundações, ele deu as instruções de construir coisas… A bacia da água sagrada, uma imagem de Abzu, era colocada nos templos em honra a Enki. E a árvore sagrada cresceu em sua cidade culto de Eridu”. Talvez o leitor se recordará que há uma outra antiga tradição religiosa que tem suas raizes como elas eram, na memória de uma árvore antiga.

Esta tradição contém muitos temas similares a estes dos sumérios, mas estas similaridades apenas ajudam a ressaltar as muitas diferenças que claramente as separam.

A Perspectiva Hebraica

Segundo a tradição os primeiros cinco livros do Velho Testamento foram escritos por Moisés, que os recebeu diretamente da mente de deus. As primeiras palavras estabelecidas eram radicalmente arrogantes e completamente revolucionárias, se comparadas com as tradições da criação das culturas adjacentes que existiam naquele tempo, ao redor de meado do segundo milênio AC. Naquele tempo na Mesopotamia a cultura suméria a muito tinha acabado e a linguagem suméria não mais era falada ou escrita. A linguagem da terra era Acadiana e a Babilonia era a cidade de poder. A religião era ditada pelo Estado e a narrativa aceita da criação – a própria base da sociedade babilonia – era um texto conhecido como Enuma Elish. Segundo esta narrativa o grande deus Anu não mais era visto como o deus primordial e ancestral de todos os deuses. Ao invés, ele tinha se tornado um ser criado, que havia nascido de uma união entre um deus que era meramente a deificação do céu [Asthar] e uma deusa que era uma deificação da terra [Kishar]. No Egito a tradição Heliopolitana da Grande Eneade tinha sido aceita por centenas de anos. O ‘início’ era concebido como ‘Nun’, que era uma deificação das águas primordiais ou primevas. Nun nem até mesmo era um deus porque ele não tinha culto, templos, poucas representações e não era venerado. De Nun veio Atum , mais tarde conhecido como Ra.  Atum então masturbou-se para criar o par Shu e Tefnut, que então produziu o deus Geb [também conhecido como Seb ou Keb] e sua irmã e deusa Nut. Geb representava a terra e Nut representava o céu. Deste par veio os quatro irmãos, entre os quais o mais importante era Osiris. Não há existentes mitos de criação canaanitas,  mas temos os mitos gregos da criação, que foram desenvolvidos de uma síntese das fontes do Oriente Médio. Com os gregos o padrão é basicamente o mesmo. O ‘começo’ é grandemente não definido [Caos] ainda que fora do Caos a deusa terra Gaia seja capaz de emergir. Ela então dá nascimento a um número de deidades que representam as diferentes facetas da realidade, incluindo o ‘céu’ que é um deus chamado Urano. Finalmente é das relações dela com seu filho Urano que vieram os deuses iniciais, que incluem Cronos, que mais tarde tornou-se Zeus. Com este padrão universalmente aceito em mente, de céu e terra de certo modo dando nascimento aos deuses, o próprio começo do Geneses 1:1 é revelado como uma declaração revolucionária: “No início deus criou o céu e a terra’. Moisés foi levado a acreditar que o deus que ele servia não era um ser criado, meramente um entre iguais, não um deus que poderia morrer um dia, mas que seu deus era de fato o criador do inteiro universo, Aquele que existia antes que o mundo existisse e que existirá quando este mundo acabar.

A Criação do Homem

Moisés aprendeu que seu deus foi o responsável pela criação da humanidade em primeiro lugar. A humanidade foi criada na imagem de Deus e dado uma importante responsabilidade de governar e cuidar da terra. Contudo, devido a decepção vinda de um ser-espírito que trabalhava contra deus, da tentação que veio de uma árvore proibida, e da desobediência voluntária nascida do orgulho egoista, a humanidade caiu de sua posição de autoridade sobre a terra e pureza diante de deus.

O Crime e o Banimento de Caim

Depois da ‘queda’, como foi chamada, Deus continuou a instruir e cuidar da humanidade, ainda que ele esperasse em troca reverência e veneração. O primeiro pecado registrado depois da ‘queda’ foi cometido pelo ciúme e envolvia a exigência de Deus que ele fosse venerado em seus próprios termos, muito mais do que nos termos dos homens. No livro do Geneses esta história é aquela do assassinato de Abel por Caim. A mesma história básica é encontrada, com uma poucas mudanças sutis, na mitologia suméria. No mito de Emesh e Enten – dois deuses menores – um fazendeiro e o outro pastor, entram em uma briga. Eles finalmente apresentam o caso a Nippur para ser julgado por Enlil que, em uma decisão que contradiz aquela dada pelo Deus do Geneses, escolhe o fazendeiro ao invés do pastor. No mito do Gado e do Grão os irmãos Lahar, um deus do gado, e Ashnan, um deus do grão, entram em uma briga sobre quem merece mais reconhecimento, mas infelizmente o fim do mito não tem sobrevivido. O mito de “Inanna Prefere o Fazendeiro” é uma outra variação do tema de Caim e Abel. Nesta história Inanna rejeita os avanços do pastor que então se torna beligerante em relação ao favorito de Inanna, o fazendeiro. Soment depois que o fazendeiro oferece palavras suaves de apaziguamento e um número de presentes como consolação, incluindo aquele da própria Inanna, a raiva do pastor cede. Na narrativa do Geneses é o fazendeiro, Caim, que mata Abel, o pastor, em uma raiva ciumenta. Depois da rejeição do sacrifício de Caim e o assassinato de Abel o livro do Geneses dá uma narrativa detalhada do que aconteceu a Caim e seus descendentes. Esta história ajuda a esclarecer alguns dos mistério que cercam as similaridades e contradições dentro das tradições hebraicas e sumérias. ‘E Caim falou com Abel seu irmão, e isto se passou quando eles estavam no campo, que Caim se elevou contra Abel seu irmão e o matou. E o Senhor disse a Caim, Onde está Abel, seu irmão? E ele disse, não sei. Sou eu o guardião de meu irmão? E ele disse O que você fez? A voz do sangue do seu irmão gritou a mim do solo. E agora você é amaldiçoado sobre a terra, que abriu sua boca e recebeu o sangue de seu irmão de sua mão; Quando você marcou o solo, o sangue do seu irmão em sua mão, e portanto não deve ser mantido a você sua força, um fugitivo e vagabundo deva você ser sobre a terra. Minha punição é maior do que eu posso suportar. Preste atenção, você expulsou-me neste dia da face da terra; e de sua face eu devo estar oculto; E o Senhor disse a ele, seja quem for que mate Caim, a vingança será tomada sete vezes. E o Senhor colocou uma marca em Caim para que quem o encontrase não o matasse. E Caim saiu da presença do Senhor e habitou na terra de Nod, a leste do éden. E Caim conheceu sua esposa e ela concebeu e ele construiu uma cidade, com o nome de seu filho Enoque”.  (Genesis 4:8-17, KJV)

Eridu: o Lugar da Descida

Segundo a Bíblia a primeira cidade foi construída por Caim e chamada como seu filho Enoque. Segundo a história suméria a primeira cidade que foi construida foi estabelecida por seres humanos sob os cuidados do deus Enki; e chamada Eridu. Conquanto a narrativa do Geneses possa de fato estar correta há uma grande dose de evidência que a primeira cidade eventualmente tornou-se conhecida pelo nome do filho de Enoque, que era Irad. Em outras palavras, o nome ‘Eridu’ vem do nome Irad. De fato, baseado nesta análise, David Rohl acredita que o texto do Geneses 4:17 tem sido cuidado. Ele acredita que o sujeito da segunda sentença, segundo as regras usuais de gramática,  deve ser entendido como se referindo a Enoque. Rohl também acredita que a última palavra do Geneses 4:17 aparece fora de ligar e deve certamente ser uma inserção do escriba. Se você ler as referidas correções de Rohl o verso então deverá ser lido: “E Caim conheceu sua esposa, e ela concebeu, e nasceu Enoque; e ele [Enoque] construiu uma cidade e deu a cidade o nome de seu filho Irad. ” Rohl ressalta que o nome Irad mais provavelmente derive da palavra hebraica ‘yarad’, que significa ‘descer’. (Irad em hebraico é soletrado ayin-yod-resh-dalet, e yarad é soletrado yod-resh-dalet). Recorde-se novamente das primeira palavras da Lista dos Reis Sumérios: “Depois que a realeza desceu do céu, a realeza estava em Eridu”. Seja qual for o caso, se há erros dos escribas no texto Masorético do Geneses ou não, há uma clara conexão entre os descendentes de Caim, as primeiras cidades dos Sumérios, e o grande deus sumério Enki. Segundo o livro do Geneses Lamech foi um descendente de Caim através de Irad, e Lamech teve duas esposas. Uma esposa era chamada Zillah e ela deu a luz a Tubal-Caim que se tornou ‘o forjador de todos implementos de bronze e ferro”. Novamente David Rohl liga esta informação do Geneses com as narrativas sumérias, especificamente com a segunda cidade da Lista dos Reis Sumérios,  Bad-tibira: “Badtibira significa ‘Assentamento do Trabalhador em Metal’. Se tomamos as consoantes hebraicas que compõem o nome Tubai obtemos T-B-L. Sabemos que a consoante ‘l’ é frequentemente representativa de ‘r’. Então podemos obter um original T-b-r que pode, por sua vez, responder pela antiga Tibira. Muito interessantemente, o epítiteto semítico ‘Caim’ Em Tubal-Caim também significa ‘forjador de metais’  o que sugere que este epíteto tinha sido acrescentado como um esclarecimento da pouco conhecida palavra suméria pelo autor hebraico do Geneses. Etão estas são pistas que sugerem que Tubal-Caim e Badtibira estão ligados de algum modo”. Segundo a narrativa do Geneses, o meio irmão de Tubal-Caim era Jubal, que era ‘o pai de todos aqueles que tocam a lira e a flauta’. Estas duas artes da civilização, a músia e o trabalho em metais, estão sempre estreitamente associados a Enki, e elas são especificamente mencionadas no mito de Inanna e Enki como uma parte do ‘me’ que se tornou controlado por Enki. No livro apócrifo de Enoque, que contém uma outra antiga narrativa da ‘descida do céu’, a humanidade foi ensinada a arte de fazer armas [bem como feitiçaria, mágica, cosméticos, astronomia, astrologia, adivinhação e outras de tais 'artes'] pelos anjos caídos que desceram do céu e tomaram as mulheres humanas para esposas, como escrito no Geneses 6. Se esta última possibilidade é considerada então Enki começa a ser visto sob uma luz diferente. No mito sumério Enki constrói o E-Engurra, a história é contada de como Enki construiu seu templo em Eridu e das bençãos e louvores que ele recebeu dos outros deuses depois que ele o havia completado: “Depois que a água da criação tinha sido decretada, Depois que o nome hegal [abundância] nasceu o céu, como plantas e ervas vestiram a terra, o Senhor do Abismo, o Rei Enki, Enki o Senhor que decreta os destinos, Construiu sua casa de prata e lápis-lázuli, como uma luz faiscante. O pai se adaptou adequadamente no abismo. As criaturas de semblantes brilhante e sábias, vieram do abismo, ficaram todas de pé ao redor do Senhor Nudimmud (Enki); A pura casa que ele construiu Ele ornamentou grandemente com ouro, Em Eridu ele construiu a casa do banco de água, Seu trabalho de tijolos, murmurio da palavra, doação de conselhos etc… como um touro rugindo, A Casa de Enki, os oráculos murmurando”

O Grande Dilúvio

No livro do Geneses o Grande Dilúvio é causado por um Deus não porque a humanidade fosse barulhenta demais, como o afirma o épico de Atrahasis; mas porque a humanidade tinha se tornado corrompida por suas interações sexuais, espirituais e tecnológicas – com os anjos caídos: “O Senhor viu quão grande havia se tornado a perversidade do homem sobre a terra, e que cada inclinação dos pensamentos de seu coração era apenas má o tempo todo. O Senhor lamentou ter criado o homem sobre o terra, e seu coração se encheu de dor. Então o Senhor disse: “Dizimarei a humanidade, que criei, da face da terra – homens e animais e as criaturas que se movem ao longo do solo, e os pássaros no ar – poque lamento te-los criado”. Agora a terea está corrupta aos olhos de deus e cheia de violência. Deus viu o quanto corrupta a terra tinha se tornado porque todas as pessoas sobre a terra tinham corrompido seus caminhos. Então deus disse a Noé, “Irei colocar um fim em todas as pessoas, porque a terra está cheia de violência por causa delas. Certamente irei destruir a ambos e a terra” (Genesis 6:5-7, 11-13) Noé foi escolhido para ser poupado porque apenas ele e sua família tinham resistido às influências negativas do mundo do espírito, e permaneceram verdadeiros ao Criador. Noé era ‘um homem justo, sem culpa em seu tempo” e como Enoque ele ‘andava com Deus’. Depois do dilúvio Noé venerou Deus e recebeu uma benção em troca. Contudo não demorou muito para que a humanidade fosse novamente seduzida pelos espíritos.

A Torre de Babel

A genealogia da família humana é dada em uma lista conhecida como Tabela das Nações no Geneses 10. Nesta lista há exatamente setenta nomes dados aos descendentes dos três filhos de Noé, Shem, Ham e Jafé. Foi através destas tribos que a terra foi novamente repovoada e reassentada depois do Grande Dilúvio. Contudo, o livro do Geneses também dá uma estranha narrativa que descreve como a intervenção de Deus era necessária para fazer o processo continuar: “Agora o mundo todo tinha uma linguagem em comum. Na medida em que os homens se moviam para leste, eles encontraram uma planície em Shinar e se assentaram lá. Eles disseram um ao outro, ‘Venha, vamos fazer tijolos e cozinha-los cuidadosamente’. Eles usaram o tijolo ao invés da pedra, e piche como cimento. Então eles disseram, “Vamos nós mesmos construir uma cidade, com uma torre que alcance o céu de forma que façamos um nome para nós próprios e não sejamos espalhados pela terra inteira”. Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. O Senhor disse, “Se eles como pesoas falando a mesma lingua tem começado a fazer isto, então nada que eles planejem fazer será impossível para eles. Vamos, vamos descer e confundir a linguagem deles de forma que não entendam um ao outro”.

Então o senhor os espalhou de lá por toda a terra, e eles pararam de construir a cidade. Isto é porque esta foi chamada de Babel – porque lá o Senhor confundiu a linguagem do mundo inteiro. De lá o Senhor os espalhou sobre a face da inteira terra. (Genesis 11:1-9, NIV) Segundo a narrativa do Geneses Deus sobrenaturalmente “confundiu a linguagem do mundo inteiro”. Isto tornou impossível que a Torre de Babel fosse completada e também tornou necessário que as tribos diferentes, todas falando linguagens diferentes, se ramificassem e declarassem seus próprios territórios para habitação. A narrativa suméria deste evento pode ser escolhida pelas pistas encontradas dentro de uma grande narrativa épica de 636 linhas sobre Nudimmud e nas” linhas 136-155 ela fala sobre uma idade há muito tempo atrás quando as pessoas viviam sem medo, quando a humanidade estava unida em uma veneração monoteista, e quando a fala humana tinha uma linguagem unificada. Este texto é importante porque ele aponta claramete para Enki  (Nudimmud) como a força por trás das cenas que ajudou a trazer a confusão de linhas: “Era uma vez, então, quanto não existia serpente, não havia escorpião, não havia hienas, não havia cães selvagens, nem lobos, nem terror; os humanos não tinham rivais. Uma vez, então, as terras de Shubur-Hamazi, a poliglota Suméria, que a grande terra que tinha o ‘me’ por soberania, Uri, a terra com tudo exatamente assim, a terra Martu, repousando seguramente, o mundo inteiro – as pessoas eram um – para Enlil em uma lingua dava voz. Então o fez o competidor – o en [senhor], o competidor, o mestre, o competidor; o rei, o competidor; o rei Enki, en de hegal, o um com palavras incessantes, en de esperteza, aquele perspicaz da terra, o sábio dos deuses, dotado de pensamento, o en de Eridu, a mudança das falas de suas bocas, ele não tendo criado a rivalidade nisto, na fala humana que havia sido uma só.”

O historiador do século I Josephus em sua obra, Antiguidade dos Judeus, explica que a construção da Torre de Babel foi um ato de desobediência em relação a Deus e aqueles que trabalhavam nisto estavam motivados por seus próprios desejos egoístas e orgulho. Ele também explica que seu principal proponente era um rei chamado Nimrod, o filho de Cush, e neto de Ham. Nimrod aparece dentro da Tabela das Nações como o verdadeiro primeiro potentado bíblico: “Cush era o pai de Nimrod, que cresceu para ser um poderoso guerreiro sobre a terra. Ele era um poderoso caçador diante do Senhor; isto é o porque é dito: “Como Nimrod, um poderoso caçador diante do Senhor’. Os primeiros centros de seu reino eram a Babilonia, Erech, Akkad e Calneh, em Shinar. Desta terra ele foi para a Assíria onde ele construiu Nínive, Rehoboth Ir, Calah e Resen, qie está entre Nínive e Calah; que é a grande cidade.” (Genesis 10:8-12, NIV) A figura conhecida na bília como Nimrod, que se opôs ao deus do Velho Testamento, era conhecida pelos sumérios por Enmerkar. Ele é o herói do épico ‘Enmerkar e o Senhor de Aratta’. Em hebraico as quatro letras que compõem o nome Nimrod grosseiramente se traduzem em n-m-r-d Em sumério o nome Enmer se traduz para n-m-r enquanto o sufixo -kar simplesmente significa ‘caçador’. Na bíblia é Nimrod O Caçador e no mito sumério ele é ‘Enmer o Caçador’. Depois do Grande Dilúvio a Lista dos Reis Sumérios dá os reis que governaram a primeira dinastia de Uruk. O primeiro na lista é o rei Meskiagkasher que, como explicamos na Parte IV, era de fato o Cush bíblico. O segundo nos dado é o de Enmerkar]: “Enmerkar, filho de Meskiagkasher, rei de Uruk, aquele que construiu Uruk – reinou 420 anos…” A Lista dos Reis Sumérios registra que Enmerkar construiu Uruk, e segundo o Geneses o centro do reino de Nimrod era a Babilonia [Babel] e Erech, que é Uruk (nos dias modernos “Iraque”).

Enmerkar e o Templo de Abzu

O pema épico ‘Enmerkar e o Senhor de Aratta’ conta a história do plano de Enmerkar de construir um templo para a deusa Inanna em Uruk, e suas tentativas de forçar seus vizinhos no reino montanhoso de Aratta a fornecer todo o material necessário para a construção. Além deste projeto, Enmerkar estava altamente engajado em renovar e grandemente expandir o templo de Enki que era localizado em Eridu. é este projeto que David Rohl acredita foi registrado no Geneses como uma tentativa de construir a Torre de Babel. Segundo David Rohl, as referências em Geneses 10 e 11 à cidade de Babel [Babilonia] devem ser compreendidas como referências a Eridu. O nome sumério original para a sede de culto a Enki era Nun.ki, que significa ‘lugar poderoso’. Quando o sagrado precinto da Babilonia foi construido para Marduk mil anos mais tarde ele também foi conhecido como Nun.ki mas era conhecido primariamente pelo seu nome acadiano de Bab-ilu. Em outras palavras, Bab-ilu se iguala a Nun.ki e o Nun.ki original estava localizado não na Babilonia, mas em Eridu. Aqui ésta como Rohl explica isto,

“(Nun.ki) é conhecido como Eridu – a primeira capital real na Suméria e a residência do deus do abismo, Enki. De fato, isto parece o precinto sagrado na Babilnia que era chamado como o original Nun.ki, até mesmo indo tão longe para chamar o templo dedicado a Marduk, E-sagila ou a ‘casa elevada’ e também conhecido como o ‘porto ancoradouro do céu e terra’, como o templo da torre original em Eridu. Então a bíblica Torre de Babel/Nun.ki não foi o velho zigurat do segundo milenio do Velho Testamento, mas muito mais o protótipo do terceiro milenio do zigurat construído em Eridu/Nun.ki no final do período Uruk. A história épica suméria, Enmerkar e o Senhor de Aratta, começa com Enmerkar de Uruk chamado a deusa Inanna e pedindo a ajuda dela para que ele criasse um templo para ela que fosse digno de sua grandeza. Até este tempo Inanna era associada ao reino de Aratta das Montanhas Zagros ao norte da Suméria, mas no poema Enmerkar alega que estas pessoas não veneram e a honram como ela merece. Enmerkar se refere a Inanna como ‘minha irmã, deixe que Aratta molde talentosamente o ouro e a prata em meu benefício para Unug [Uruk]. Deixe que eles cortem o frágil lápiz lázuli dos blocos, deixe com eles a translucêencia do lapis lázuli. .. construam uma montanha sagrada em Unug. Deixe que Aratta construa um templo que desça dos céus – seu lugar de adoração, o Templo E-ana; deixe Aratta talentosamente moldar o interior do sagrado gipar, sua morada; e possa eu, a juventude radiante, possa eu ser abraçado lá por você. Deixa que Aratta se submeta sob o domínio de Unug em meu benefício.” Além deste templo para Inanna, o E-ana, a ser construido em Uruk, Enmerkar também pede materiais para um outro projeto, a que ele se refer como o ‘grande templo’, ‘a grande morada dos deuses’, que seria uma renovação de Abzu, o centro de culto a Enki em Eridu: “Deixe que as pessoas de Aratta desçam das montanhas as pedras de sua montanha, contruam o grande templo para o ‘me’, erijam o grande abrigo para o ‘me’, façam a grande morada, a morada dos deuses, famosa para o ‘me’, faça-me próspero  em Kulaba (Uruk), faça abzu crescer para mim como uma montanha sagrada, faça Eridug brilhar para mim como o alcance da montanha, faça o templo de abzu brilhar para mim como a prata no lodo”. Inanna responde a súplica de Enmerkar, e ela dá a ele instruções a respeito de como lidar  com o reino de Aratta. Ele diz a ele paras escolher um mensageiro forte e eloquente e envia-lo as montanhas para falar  com o povo de Aratta e repetir as demandas de Enmerkar. Ela prevê que o povo de Aratta ’saudará humildemente Inanna como um pequenino camundongo’ e que ‘Aratta deve se submeter sob o domínio de Unug (Uruk)”; eles fornecerão os materiais para os projetos de Enmerkar que permitirá que o abzu de Eridu “cresça para você como uma montanha’. Enmerkar segue o conselho de Inanna e o resto do épico consiste de uma série de trocas diplomáticas entre Enmerkar e o rei de Aratta. Enmerkar se refere a ele próprio como ‘o senhor que Nudimmud tem escolhido em seu sagrado coração’ e ele exige que Aratta se submeta a ele ‘como um assentamento amaldiçoado por Enki e completamente destruido, eu também destruirei completamente Aratta!” Na troca final Enmerkar dá ao seu mensageiro uma longa lista de exigências para fazer de Aratta, terminando coma exigência que Aratta ‘tome as pedras da montanha, e reconstrua para mim o grande templo de Eridu, o abzu, o E-nun; deixe que eles adornem sua arquitrava para mim… deixe que eles façam sua proteção se espalhar sobre a terra para mim.”  No fim, o rei de Aratta se recusa a se submeter a Enmerkar  mas sabemos quwe eventualmente Enmerkar invadiu e subjugou Aratta por outros poemas épicos, tais como Lugulbanda e a Caverna da Montanha. A carreira de Enmerkar é resumida por David Rohl: “A conquista da Aratta rica em recursos foi a culminação da política expansionista de Enmerkar. Pelo fim de seu longo reinado o rei de Uruk controlava grande parte da Mesopotamia e tinha grandemente enriquecido os centros de culto da Suméria. Ele também controlava as rotas de comércio de mulas pelas Montanhas Zabros e o comércio marítimo via Golfo Pérsico. Ao norte, as colônias grandemente fortificadas foram estabelecidas perto dos principais caminhos por água e portanto ligavam o coração do império por meio de barcos de movimentos rápidos. Bens exóticos e metais estavam chegando a cidade capital de Uruk e, com certeza, aos cofres do palácio de Enmerkar. Isto realmente faz dele o primeiro potentado da terra, exatamente como a tradição do Geneses afirma. Em seu disfarce de guerreiro-herói Enmer/Nimrod é lembrado como o fundador das mais poderosas cidades na Assíria e na Babilonia, bem como um grande construtor nos velhos centros religiosos da Suméria”.

A Evidência para a Torre de Eridu

A história da Torre de Babel é descartada pelos historiadorese modernos como ficção porque não há evidência histórica que a Babilomia existisse como uma cidade nesta data inicial, por volta de 2800-3000 AC, e porque não há evidência arqueológica para a própria Torre, que deve ter sido uma das mais importantes maravilhas do mundo, até mesmo se ela nunca fosse absolutamente completada. O fato é que a cidade da Babilonia não se torna importante até antes da elevação e Hammurabi por volta de 1800-2000 AC, e a Babilonia não possuia um maior zigurat até que um fosse construido por Hammurabi em honra do novo deus Marduk. Contudo, este problema desaparece, uma vez se torne claro que a Torre de Babel era realmente a Torre de Eridu. Mais uma vez, David Rohl vem com a evidência que muitos historiadores localizaram mal ou ignoraram. No final dos anos de 1940 o antigo sítio de Eridu – o moderno Tell Abu Shahrain – foi escavado por uma equipe conjunta iraquiana e britânica liderada por Fuad Safar. O que Safar descobriu foi a evidência de um centro de culto continuamente mantido ao deus Enki. O próprio primeiro templo era um simples caso provavelmente feito de juncos, mas uma estrutura quadrada de tijolos foi logo construida e depois disso os habitantes fizeram contínuas renovações e expansões. A escavação revelou dezessete níveis diferentes de construção deste templo, o abzu de Enki, que durante o período Uruk se tornou o lugar mais sagrado em toda a Mesopotamia. A mais impresiva descoberta foi conhecida como Templo I, uma estrutura maciça com um enorme templo construido sobre uma plataforma maciça, com a evidência de uma até mesmo maior fundação por baixo dele que teria sido elevada quase na altura do próprio templo. David Rohl acredita que seja o que for que foi construido no topo desta fundação maciça, era provavelmente a estrutura que é descrita no Geneses como a Torre de Babel. O que é até mesmo mais intrigante para os escavadores foi sua descoberta que precisamente no ponto mais alto desta obtenção arquitetonica, o asentamento de Eridu foi abandonado. Rohl escreve que ‘muito subitamente, a ilha de Eridu sofreu de algum destino cataclismico’ A análise academica de Fuad Safar do sítio afirma, “… o período Uruk… parece ter sido trazido a uma conclusão por não menos um evento do que o total abandono do sítio… Foi o que parece ter sido um tempo incrivelmente curto, retirando a areia que tinha enchido as construções desertas do complexo do templo e obliterou todos os traços de uma pequena comunidade uma vez própspera… A este ponto, há um considerável hiato na história do sitio, como ele é conhecido por nós dos resultados de nossas escavações… a época Jemdet Nasr … não é representada em Eridu. Durante o período Inicial Dinástico também, não há razão para supor que as fortunas do templo de Enki em Eridu tenham alcançado um declínio extremamente baixo. De fato, apenas restos medíocres deste período, foram indicações sobre os aclives do monte que agora representavam as ruinas do templo pré-histórico, que algum tipo de santuário empobrecido ainda sobreviveu em seu pico”. Então o que aconteceu a Eridu? Mais importantemente, o que aconteceu a Enki? O que pode ter causado o abandono e a desolação do primário sítio sagrado do mais influente e reverenciado deus da Mesopotamia? Se a narrativa do Geneses está correta e Nimrod de algum modo esteve envolvido, então o que aconteceu a Enmerkar? Estranhamente, os mitos e histórias sumérias não oferecem respostas diretas ou satisfatórias para qualquer uma destas perguntas. O mito sumerio pode não oferecer boas respostas, mas o livro do Geneses o faz. Eles nos conta uma tentativa de construir a Torre de Babel que fez com que deus intervisse e confundisse a linguagem ds construtores, depois do que as diferentes tribos e grupos saissem da Mesopotamia para reclamar e habitar terras suas próprias. A Parte IV se concentra nos filhos de Ham e explicou como eles viajaram de barco, primeiro para Bahrein e depois para a África, Egito e Mediterrâneo. Há evidência que este grupo – a Tribo Falcão -, mantinha uma lembrança de seu lar original em Eridu e, mais importantemente, de seu líder Enmerkar e de seu deus Enki, depois que eles foram conquistar e habitar novas terras.

A Conexão Egípcia

Os mitos egípcios da criação representam um maior desafio para os eruditos que os tentam interpretar. Na Parte II resumimos brevemente o mito da criação da Eneade de Heliopolis, que promove o deus Atum como o criador do mundo, mas parece que cada maior centro religioso no Egito achou necessário desenvolver sua própria versão da história da criação. Então, por exemplo, em Menfis o criador era Ptah; em Hermopolis a criação veio conjuntamente pelos deuses enigmáticos Ogdoad; e em Sails no Egito Inferior era a deusa Nit, ou Neith, que ‘fez com tudo viesse a ser’. Superando todos estes estava a narrativa dada pelos sacerdotes de Tebas cujo criador era um deus de cabeça de carneiro chamado Amun, que tinha se tornado associado a Zeus pelo tempo em que Alexandre o Grande anexou o Egito. A despeito das diferenças nas narrativas da criação parece que todos eles tem coisas em comum. Em primeiro lugar, todos eles parecem ter ao menos alguns elementos de sua teologia baseados nos iniciais Textos da Pirâmide, e secundariamente eles geralmente descrevem o universo antes da criação como aquoso, um vazio sem forma e caótico, personificado pelo deus Nun. E de Nun que se eleva o monte primevo, da qual vem o criador que traz o resto dos deuses e a humanidade. Em Helioipolis este criador era Atum, cuja associação com a Monte Primevo é representada por Benben, uma pedra de forma piramidal. Atum era personificado como a ave Benu, a auto-criadora fênix que logo era colocada no topo da pedra piramidal e Atum também era associado a Ra e visto como um deus sol. A cidade de Menfis era pensada ter sido fundada por Menes em tempos pré-dinásticos e era um importante centro administrativo durante o Velho Reino. Os sacerdotes desta cidade acreditavam que Ptah fosse realmente o criador de Atum, e eventualmente Ptah foi absorvido na concepção egípcia de Nun. Ao examinar Ptah David Rohl se refere a um texto menfita onde se lê: “Ptah que está sobre o Grande Trono; Ptah-Nun, o pai que gerou Atum; Ptah-Nunet, a mão que deu a luz à Atum; Ptah o Grande que é, o coração e a lingua da Eneade; Ptah que deu nascimento aos deuses…” Em Hermopolis o próprio início era personificado como quatro pares de relacionais casais primordiais. Estes eram Nun e Nunet, que persionificavam as águas primevas; Heh e Haunet que representavam o infinito; Kek e Kauket, que personificavam a escuridão; e Amun e Amaunet, que representavam o ar. Os sacerdotes de Hermopolis desenvolveram a idéia que em algum ponto inicial estes pares interagiam e lançavam uma grande explosão, da qual veio a existencia o Monte Primevo. Este monte era conhecido como ‘Ilha da Chama” porque era onde o deus sol Atum/Ra nasceu e onde ele primeiro irradiou. Em Tebas os sacerdotes escolheram se concentrar no deus Amun. Ele era o ‘deus oculto’ e seus sacerdotes foram a grandes distância para faze-lo parecer  tão misterioso e poderoso quanto eles podiam. O sacerdócio tebano reconheceu Amun como um membro do grupo Ogdoad, ainda que eles acreditassem  que Amun também precedeu isto e fosse de fato seu criador. Ele transcendeu a criação e precedeu as águas primordiais de Nun, criando todos os deuses e a própria matéria. Amun cresceu em poder na Décima Primeira Dinastia quando ele foi unido a Ra o deus sol e se tornou conhecido como Amun-Ra. Fora do estranho culto de vida curta instalado por Aknaton, a veneração de Amun era o mais perto que os egípcios vieram a abraçar algo vagamente similar ao monoteismo.

A ascendência de Amun como um deus primário egípcio pode de algum modo se relacionar ao período do cativeiro israelita no Egito depois da morte de José, quando a monarquia egípcia começou a ver os israelitas como inimigos internos que precisavam ser destruidos e escravizados. Para David Rohl, cuja tarefa em seu livro ‘História’ é mostrar  que os governantes dos Dinastias Egípcias vieram da Mesopotamis, a coisa comum que é importante em todas as narrativas da criação é o Monte Primevo que era o lar original dos deuses. Durante o período do governo Ptolomeico no Egito houve uma maior renovação e expansão do templo de Horus em Edfu. Gravado ns paredes deste templo há importantes referências a este Monte Primordial e a era a muito acabada dos deuses conhecidos como Zep-Tepi, ou ‘A Primeira Vez’. David Rohl se refere a estas gravações e encontra evidência que os egípcios possuiam sólidas memórias de sua jornada, primeiro de Eridu para Bahrein e então de Baherein para o Egito. A fundação do primeiro templo mítico sobre o Monte Primordial é mostrada em uma inscrição na parede em Edfu que é chamada de “Toth e os Sete Sábios”. Este templo primordial é simplesmente chamado de “o Grande Trono” e Toth e os sete sábios são atendidos por dois deuses enigmáticos conhecidos como Wa e Aa. Rohl ressalta que um grupo de ’sete sábios’ também são personagens  proeminentes  no mito sumério. Eles são honrados como os pais da civilização suméria e no épico de Gilgamesh a cidade de Uruk é referida com as seguintes palavras, ‘Não foram os prórios sete sábios que estabeleceram seus planos?’ Em uma outra cena de Edfu há uma apresentação central de um Falcão sentado sobre um galho cerimonial conhecido como Djeba. Em frente dele está de pé um rei em uma atitude de adoração e por trás dele seis deuses diferentes sentam-se ao longo de Wa e Aa. Estes deuses são referidos como ‘Os Seniores’, ‘A Prole do Criador’, ‘Os Gloriosos Espíritos da Inicial Idade Primeva’, “a Irmandade dos Sábios’, ‘Os Deuses Contrutores’, ‘O Glorioso Shebtiu, e também como “Os Filhos do Elevado’. Nesta cena Wa e Aa são referidos como ‘Os Senhores da Ilha de Agressão’ que ‘fundaram este lugar  e que foram os primeiros a existir na companhia de Re’. Este grupo, o Shebtiu, é interpretado por Rohl serem os descendentes dos originais ‘Ancestrais’ que viveram durante a era Zep-Tepi. Seu lar original era o ‘Ilha da Agressão’ ou ‘Ilha da Chama’ onde Ra foi dito ter primeiro brilhado – o original Monte Primordial. Contudo, por razões não claramente explicadas, o Shebtiu se relocalizou e fundou um novo lugar conhecido como ‘Ilha Abençoada’ que era a localização do Djeba do Falcão. Esta ‘Ilha Abençoada’ era Bahrein e as inscrições de Edfu também se referem a ela como a ‘Ilha de Re’, ‘    O Exaltado Trono de Horus’, ‘O Solo de Fundação do Governante da Asa’ bem como ‘O Lugar de União da Companhia’. Rohl comenta que este último título sugere ‘uma reunião de forças ou aliança de algum tipo. é como se embora a ilha se torne um posto intermediário para algo muito maior. Esta possibilidade é reforçada por alguns dos outros nomes que são dados ao original Shebtiu dentro dos textos de Edfu. Seus nomes são ‘o Distante’, ‘O Grande’, ‘O Marinheiro’ ,  ‘A Cabeça Sagrada’, ‘O Criador-serpente da Terra’, ‘O Senhor dos Corações Gemeos’, ‘O Senhor da Vida e Poder Divino’ e também o feroz ‘O Senhor do Peito Poderoso que fez a matança; o Espírito que vive no sangue’.

A localização do próprio Monte Primordial, que segundo os mitos egípcios da criação se elevou da águas caóticas de Nun, é esclarecido por alguns dos mais comuns mitos de criação babilonios e sumérios, dos quais e segue um exemplo: ‘um junco não tinha brotado, uma árvore não tinha sido criada, uma casa não tinha sido feita, a cidade não tinha sido construida. Todas as terras eram mar. Então Eridu foi feito’. A conexão entre a cidade suméria de Eridu e o Monte Primodial do Egito é tornada clara por alguns nomes que são associados a ambos. Por exemplo, as águas primordiais eram conhecidas como Nun pelos egípcios, enquanto o nome para o templo de Eki em Eridu era, como o leitor pode se recordar, ‘Nun.ki’ e também ‘E-nun’. Uma outra conexão existe com as muitas referências a Eridu como o ‘Abzu’ de Enki. Esta é raiz que conhecemos hoje para a palavra ‘abismo’ e Enki era o Senhor do Abismo. Um dos primeiros importantes centros de culto para os invasores do Egito era um lugar que veio a ser conhecido pelos gregos como Abidos. Contudo, o nome egípcio é melhor representado como ‘Abedjou’. O som ‘dj’ é frequentemente dado como ‘z’ tal como na apresentação comum da Pirâmide em degrau de Djoser ou Zoser. Com isto em mente achamos que Abidos=Abdju=Abzu, que diretamente se iguala ao centro de culto a Enki conhecido como o Abizu em Eridu. O deus da Tribo Falcão, a tribo que invadiu e conquistou o Egito, era claramente Enki. Há uma bem conhecida inscrição pictográfica suméria de Enki que o apresenta sustentando um falcão em uma das mãos, com as águas frescas que ‘dão a vida’ do abismo fluindo de seus ombros.

Enki sempre era associado com as correntes de água doce, que eram consideradas portais para a terra dos mortos subterrânea. Em Eridu seu templo foi construido sobre um riacho, e em Bahrein há numerosas correntes de água doce que borbulham na ilha e para o oceano perto do litoral. As localizações escolhidas para os sítios de culto no Egito na vizinhança de Abidos provavelmente foram escohidas porque lá havia muitas de tais corentes de água. [Em uma nota lateral, esta conexão entre as águas subterrâneas e o mundo dos mortos foi também claramente compreeendida pelos antigos maias e era essencial ao seu elaborado rito de sacrifício humano, como examinado recentemente em investigações do National Geographic.) No mito sumério Enki era conhecido como 'O Senhor da Terra' e ele desempenha um papel maior nos mitos que explicam o aparecimento do deus sol Utu e da grande deusa Inanna que foi trazida das montanhas e recebeu um papel central. No caso de Utu descobrimos que Meskiagkasher (Cush) e Enmerkar (Nimrod) são referidos como 'filhos de Utu'. O que parece ter acontecido é que depois que o centro deculto a Enki em Eridu foi abandonado ele se reinventou dentro da Tribo Falcão. Eles eram seus mais devotos veneradores e através deles ele foi capaz de criar para si próprio um novo sistema religioso bem como uma nova civilização. David Rohl encontra muitas conexões entre o Enki sumério e os deuses egípcios Ra, Atumn e Ptah. Enki foi capaz de se apropriar do papel de criador primário através de Atun, enquanto ao mesmo tenpo utilizando o simbolo do sol, Ra, que tinha sido dado a Utu nos mitos sumérios. Isto explica porque o Monte Primordial era conhecido como a 'Ilha da Chama', o lugar de onde primeiro Ra se irradiou e do qual Atum se criou, e também explica porque Bahrein, a Ilha Abençoada, era também conhecida como a Ilha de Ra. Nas escavações feitas em Bahrein a evidência é completa que em seus dias mais iniciais ela era um paraíso do culto para os veneradores de Enki. No épico "Enki e a Ordem Mundial" foi Enki que estabeleceu Bahrein, ou Dilmun, como uma civilização, e é Enki que era conhecido como O Senhor de Dilmun. Na narrativa de sua escavação de Bahrein o arqueólogo Geoffrey Bibby comenta sobre a descoberta de um riacho especial e piscina em um templo antigo dedicado a Enki: 'Uma tal piscina de ablução era uma caraterística muito não suméria em um templo que de outro modo não era Mesopotamio em carater. E pensamos do Grande Banho na cidadela de Mohenjo-Daro, e os lugares de lavagem que são uma caraterística indispensável de todas as mesquitas hoje. Mas talvez houvesse mais do que isto. Para os sumérios, e provavelmente até mesmo mais para o povo de Dilmun, um tal riacho não era um fenômeno natural. Aqui estavam as águas do Abismo, aqui as águas doces de mar-sob-o-mundo se quebraram através da superfície. Este pode ser o mesmo riacho que Enki, o Senhor do Abismo, fez fluir em Dilmun, em benefício da deusa Ninhursag."  Enki o Senhor do Abismo era conhecido pelos egipcios como Atun do Monte Primordial bem como Ra da Ilha Abençoada de Bahrein. Como Enki que ajudou a moldar a humanidade da argila, Atun era conhecido pelos egípcios como 'o Primeiro Primevo' que 'moldou a terra de sua roda de cerâmica', que criou os homens e deu nascimento aos deuses. Através de seu controle sobre a Tribo Falcão a terra do Egito se tornou o feudo pessoal de Enki e Enki se tornou a força primária espiritual que dirigiu seus três mil anos de história.

O Osiris Histórico

A Idade Dourada dos deuses, a era conhecida como Zep-Tepi, foi para os egípcios a era do reino de Osiris. Se o original 'Monte Primordial' era localizado em Eridu, e não em uma ilha do Rio Nilo no Egito, então a identidade histórica de Osiris é revelada. Ele não é nenhum outro que Enmerkar, também conhecido como Nimrod no livro do Geneses, que governou sobre o primeiro super reino da história com uma base política em Uruk e uma base espiritual em Eridu. Quando o reinado de Enmer/Osiris chegou ao fim, e quando o grande rei morreu, seu círculo interno foi obrigado inteiramente a fugir da Mesopotamia. Eridu foi abandonada, juntamente com sua Torre inacabada. depois do que deve ter havido um conflito maior porque as inscrições de Edfu se referem a casa original dos deuses como 'A Ilha da Agressão' e Ilha do Combate. Depois de reagrupar e cosolidar suas forças na Ilha Abençoada de Bahrein uma facção importante desta Tribo Falcão então invadiu o Alto Egito. Ele levaram com eles o corpo cuidadosamente preservado de seu rei morto e navagaram por volta da Península Arábica, acima do Mar Vermelho, e então reembarcaram no Rio Nilo depois de arrastar seus barcos pelos wadis do deserto oriental do Egito. Um dos primeiros centros de culto deste grupo invasor foi localizado em Abidos, e foi aqui que o corpo de Enmer/Osiris foi temporariamente colocado para repousar: "Abidos, ou Abdju, fica no oitavo 'distrito' do Alto Egito, aproximadamente a 300 milhas ao sul do Cairo, na margem oeste do Nilo e a aproximadamente 9.5 milhas do rio. Ela abrange mais de cinco milhas quadradas e contém restos arqueológicos de todos os períodos da história do Egito antigo. Ela foi mais importante nos tempos históricos como o principal centro de culto a Osiris, o Senhor do Submundo. Na boca do canion en Abidos, que os egípcios acreditavam ser a entrada para o submundo, uma das tumbas dos reis da primeira dinastia foi confundida como a tumba de Osiris. Mil anos mais tarde, e romeiros deixariam oferendas ao deus por mais mil anos. A área é então agora conhecida como  Umm el Qa’ab, 'A Mãe dos Potes.'" Talvez esta tumba fosse de fato a tumba original de Osiris e os antigos egípcios não estivessem enganados. Se ela era ou não, podemos estar certos que o local conhecido como Umm el Ga'ab era um sítio importante para a invasora Tribo Falcão desde o início. Neste local arqueologistas tem determinado um total de dez àreas delimitadas de tumbas reais pré-dinasticas e dinásticas iniciais que lá foram construídas, das quais oito tem sido encontradas e escavadas. Muitas destas áreas delimitadas funerais também incluem sepulturas subsidiárias para os auxiliares que eram oferecidos como sacrifícios humanos ao tempo do funeral real. Os Egiptologistas acreditam que as áreas delimitadas de Umm el Ga'ab estão relacionadas as inscrições iniciais que mencionam a 'fortaleza dos deuses', como explica o egiptologista Richard H. Wilkinson, "(As áreas delimitadas) parecem ter sido locais de reunião cerimonial para os deuses conhecidos como shemsu-her, o 'séquito de Horus,' que estava associado ao rei como a manifestação do deus falcão Horus - provavelmente visto como a mesma deidade venerada em Hierakonpolis (Nekhen - Cidade do Falcão). ... Os pátios abertos destas áreas delimitadas podem ter contido um monte sagrado similar aquele encontrado no templo de Hierakonpolis bem como em outro templos posteriores. O Monte é de particular importância já que ele pode ser visto como símbolo do original monte da criação na mitologia egípcia, da qual o deus falcão primordial foi dito ter observado o mundo de seu galho ou estandarte". Os 'montes sagrados' destes iniciais sítios sagrados se relacionam diretamente  de volta a Eridu na Mesopotomia. A prova posterior da origem da Tribo Falcão vem de outros artefatos enterrados nas vizinhanças que os principais egiptologistas tem um tempo difícil de entender: "Perto do templo de Khentyamentiu, uma milha ao norte do cemitério de Umm el Ga’ab (Qa'ab) e aninhado entre as áreas delimitadas estavam quatorze [encontrado até a data] grandes tumbas de barcos. Os restos dos barcos antigos, datando da primeira dinastia, foram descobertos no deserto. Cada um tem em média 75 pés de comprimento e todos tem sido revestidos em uma estrutura da espessura de dois pés com paredes de tijolos de lama pintados de branco. Se eles eram para representar barcos solares, antecipando o barco construído por Khufu e encontrado dentro da Pirâmide de Gizé, ainda não é conhecido”. Estes barcos eram vistos como sagrados pela Tribo Falcão porque eles eram os meios pelos quais os invasores Shemsu-Hor chegaram ao Egito em primeiro lugar. Seu uso original era funcional e apenas mais tarde eles passaram a ser vistos como culticos ‘barcos solares’ e se tornaram assimilados dentro da religião egípcia. No século XIII AC o rei egício Seti I, o pai do grande Ramsés II, construiu um dos mais impressivos e notáveis templos do Egito. Este templo, o Templo de Seti I em Abidos, tem sete santuários, dedicados a ele próprio, Path, Re-Harakhte, Amun-Re, Osiris, Isis e Horus. Ele é construido em um curioso padrão de L, com a costa final da qual uma outra notável estrutura monolítica é conhecida como Osireion.

O Osireion foi construído como uma outra ‘Tumba de Osiris’ e quando ele foi completado ele apresentava inúmeras pinturas elaboradas e inscrições em suas paredes detalhando muitos aspectos de Osiris e seu papel na religião egípcia. No centro da construção foi levantada uma ilha retangular, com receptáculos cortados no chão para manter um sarcófago e baus canópicos. Cercando a ilha estava um canal de água cortado no chão, nos quais degraus da ilha desciam. Wilkinson explica um fator provável que ditou esta localização do templo, “A localização do Osireion no templo de Sethos I em Abidos… é devido a proximidade de um riacho natural. Isto parece ter sido usado para servir uma piscina de água ao ao redor da ‘tumba’ subterranea para fazer disso um modelo do mítico monte da criação que os egípcios acreditavam se elevar das águas primevas”. Novamente, esta descrição do riacho de água doce integrado dentro do plano de um templo de Osiris em Abdju é muito similar as descrições dadas nos textos sumérios da água doce fluindo do Abzu de Enki na sagrada ilha da cidade de Eridu, a capital-culto governada por Enmer antes de seu abandono. A respeito da datação da construção do Osireion a maioria dos eruditos acredita que ele foi começado por Seti I e completado por seu neto. Contudo, o egiptologista místico John Anthony West discorda. Em sua série de DVD ‘O Egito Mágico’ West oferece vários fatores que apointam para uma data anterior para a construção do Osireion. Primeiro que tudo, há o fato curioso que a elevação do Osireion é quase 50 pés mais baixa do que o templo de Seti I. Segundo, há o estranho padrão em L para o layout do templo de Seti, e terceiro, há o fato estranho que há uma camara dedicada a Osiris dentro do templo de Seti. Porque dedicar uma camara dentro do templo se uma outra construção inteira foi planejada em honra da mesma deidade desde o início? West acredita que o plano original do templo de Seti pedia que ele fosse construido em angulo reto e que isto foi mudado apenas depois que os trabalhadores descobriram o Osireion enquanto escavavam para fazer a fundação do templo de Seti. A descoberta do Osireion forçou os arquitetos a mudarem a ‘ala direita’ para o lado, o que criou o padrão em L. A descoberta do Osireion teria sido tomada como um sinal divino e a antiga construção teria sido remobiliada, renovada e redecorada e incorporada no plano so sítio completo. Com certeza a teoria de West pode estar errada e Osireion pode de fato datar do século XIII AC. Não obstante, existe a intrigante possibilidade que ele pode ter sido realmente servido como um temporário lugar de descanso para o corpo de Osiris mais de 1500 anos antes. Não podemos saber com certeza onde repousou o corpo de Osiris enquanto esteve em Abidos, mas podemos estar razoavelmente certos que ele repousou lá. Contudo, uma vez a maciça necrópole de Gizé foi completada durante a Quarta Dinastia o corpo foi trazido ao norte e colocado em sua atual localização não descoberta, talvez em uma câmara oculta no próprio coração da Grande Pirâmide [Parte II] Gizé se tornou o maior monumento a Osiris que foi construído, mas Abidos ainda continuou como uma localização primária para o culto de Osiris e seus relacionados rituais e festivais. Talvez o mais importante destes festivais fosse o festival de Khoiak, realizado no quarto mês da estação de Akhet (Inundação). O alto ponto do ritual era a encenação de três dias do mito de Isis e Osiris, e a morte de Osiris nas mãos de Set. Isto incluia uma procissão com uma efígie do morto Osiris carregada em uma barca cerimonial de seu templo para o deserto e então para seu local funerário no cemitério de Umm el-Ga’ab ou mais tarde no próprio Osireion.

Muito do que sabemos desta inicial ‘Peça da Paixão’ vem da “Stela de Ikhernofret” que data do Reino Médio, a qual aqui é resumida: “O primeiro dia – a procissão de Wepwawet: Wepwawet abre o caminho da procissão. Os inimigos de  Wesir (Osiris) estão golpeados em uma batalha falsa. Parece um assalto que foi programado pelos ’seguidores de Set’, este que era para ser golpeado, ou os sacerdotes ou pelos romeiros atuando como ‘os seguidores de  Wesir,’ ou talvez ambos. O deus chacal Wepwawet que está andando principal em todas as procissões reais e conquistas, recebe o nome de ‘Abridor dos Caminhos’ . Neste contexto ele abre o caminho para Wesir ganhar acesso a tumba. O Segundo Dia – A Grande Procissão de Wesir: O falecido Wesir, carregado em uma barca chamada ‘Neshmet’ (a barca da noite na qual Re corre toda a noite) é levada de seu templo a sua tumba. A procissão se move pelo cemitério adjacente nos solos da tumba [parece que eles fazem um tour no deserto antes de terminar no Osireion]. As Lamentações de Aset (Isis) e Nebt-Het são realizadas or mulheres personificando a deusa, por todos estes três dias. A Noite da Vigília: Durante esta encenação noturna, os inimigos de Wesir são mortos nos ‘bancos de Nedyet’ [a tumba] e a noite termina com o julgamento de Set diante do Tribunal Divino. O Terceiro Dia – Wesir é Renascido: O deus foi renascido no amanhecer e coroado com a coroa de Ma’at. A estátua de Wesir sobre a barca Neshmet é trazida de volta em triunfo a seu templo, seguida pelas massas jubilantes. A purificação e a instalação do deus em sua Casa a seguir e antes dos ritos serem concluidos, a ‘elevação do pilar Djed’ acontece. Esta última parte não era aberta ao público. A notável caraterística desta encenação [fora a familiar ressurreição no terceiro dia] é o fato de que Osiris é apresentado como sendo retirado de seu templo depois que ele já está morto, e sendo transportado por barco ao seu lugar funerário. Isto faz sentido se o templo original de Osiris fosse realmente em Eridu, e a jornada de seu barco de morte signifique a remoção e transporte de seu corpo de Eridu ao seu último destino no Egito. Evidência adicional encontrada dentro dos mitos de Osiris também parecem liga-lo a Mesopotamia, ao deus Enki, e com Enmer o grande rei que governou exatamente antes do abandono de Eridu. Segundo as narrativas de Plutarco Osiris foi o grande rei que trouxe a civilização ao Egito e ao mundo, Osiris foi o inventor da agricultura e ele presidiu a invenção da escrita, que é atribuida a seu grande deus Thoth.

Osiris foi também aquele que organizou a sociedade com base em leis uniformes, e também ensinou a humanidade o caminho apropriado de veneração e honra aos deuses. No mito sumério é Enki que recebe o crédito como grande civilizador da humanidade. Foi ele que inventou a agricultura, e ele que deu leis a humanidade bem como estabeleceu a tradição da realeza hereditária, que foi primeiro adotada em Eridu. Segundo o épico “Enmerkar e O Senhor de Aratta” foi Enmer que buscou renovar e expandir o templo em Eridu como ‘a grande morada dos deuses’. Além deste projeto Enmer também introduziu a veneração da deusa na terra, especificamente a veneração de Inanna, que era chamada irmã de Enmer, exatamente como Isis é irmã de Osiris.  David Rohl comenta o fato de que o símbolo de Inanna na Suméria era uma estrela de seis pontas, e este é o mesmo símbolo usado repetidamente nas referências iniciais egípcias a Isis, que era também a esposa e a resgatante do falecido Osiris. Em uma outra provocante similaridade, segundo o épico do Senhor de Aratta (linhas 500-514), foi Enmer que primeiro transformou as palavras faladas em escrita: “Anteriormente, o escrito de mensagens na argila não era estabelecido. Agora, sob o sol e neste dia, isto de fato foi assim”. A evidência ligando Enmer a Osiris é também aparente no próprio nome de Osiris como ele é reproduzido nos mais iniciais hieróglifos. Aqui está ‘O Que os Deuses Antigos Falam -   Um Guia para a Religião Egípcia’ tem a dizer sobre este importante assunto: “O nome do deus Wsir (em copta, Oycipe ou Oycipi) foi escrito de início com o sinal para um trono, seguido pelo sinal de um olho; mais tarde a ordem foi invertida. Entre os muitos significados sugeridos está um cognato com Ashur, implicando uma origem síria: mas também, “ele que toma seu assento ou trono’, ‘ela ou aquela que tem o soberano poder e é criativa’, ‘o lugar da criação’, ‘o assento do olho’, com o olho explicado como o sol; ‘o asento que cria’ e o ‘Poderoso’ que deriva de wsr [poderoso]. Se o significado original do nome de Osiris era ‘O Poderoso’ e se ele de alguma forma está associado ao deus assírio Ashur, então ambos os itens apontam na direção de Nimrod no Livro do Geneses que se tornou ‘o poderoso sobre a terra’ e ‘o poderoso caçador diante do Senhor’ que fundou a cidade de Nínive que se tornou a capital da Assíria. David Rohl explica como tudo isto se liga: “Este Ashur ‘viveu na cidade de Niníve’ e era o epônimo fundador da nação assíria, enquanto Ninus fundou Nínive, como o fez Nimrod. Parece que estamos lidando aqui com um único personagem histórico que estabeleceu o primeiro império sobre a Terra e que foi deificado por muitas nações sobre quatro principais agrupamentos de nome:  (1) O inicial sumério Enmer, mais tarde o mesopotamio  Ninurta (originalmente Nimurda), o bíblico Nimrod, o grego Ninus; (2) O velho babilonio  Marduk, o bíblico Merodach, mais tarde simplesmente conhecido como Bel ou Baal (‘Senhor’); (3) O mais tarde sumério Asar-luhi (um principal epíteto de Marduk), o assírio  Ashur, o egípcio Asar (Osiris); (4) o sumério Dumuzi, o bíblico Tammuz, o fenício Adonis, o grego Dioniso, o romano Baco…

Ambos Marduk e Ashur tiveram sua origem na deidade suméria Asar (ou Asar-luhi) ‘filho de Enki e Damkina’ se originando de Eridu. Damkina (a suméria Damgalnuna) parece ter sido um outro nome para Inanna. Depois que Eya [Enki] tinha derrotado e pisado seus inimigos, tinha assegurado seu triunfo sobre seus inimigos, e tinha descansado em profunda paz dentro de sua câmara sagrada que ele chamou de ‘abzu’ … no mesmo lugar ele fundou seu templo cultico. Eya e Damkina, sua esposa, moraram lá em esplendor. Há uma câmara de destinos, a morada dos destinos, um deus nasceu, o mais capaz e sábio dos deuses. No coração de abzu, Marduk foi criado. Quem o gerou foi Eya, seu pai. Quem deu luz a ele foi sua mãe Damkina. [o épico babilonio da criação] Por seus nomes os deuses tremem e abalam em suas moradas. Asar-luhi é seu nome principal que seu pai Anu deu a ele… Asar, o doador da terra cultivada, que estabelece suas fronteiras, o criador do grão e das ervas que fazem com que a vegetação floresça. [épico babilonio da criação] O novo nome do deus sumério – Asar – era escrito com o sinal para o trono que era também um dos hieróglifos usados para escrever o nome de Osiris. Com certeza, Osiris é a vocalização grega para o egípcio deus do milho dos mortos. As pessoas do vale do Nilo simplesmente o conheciam por Asar. O épico sumério ‘Dummuzi e Inanna’ nos conta que a deusa da fertilidade Inanna ’se casou’ com o Rei Dumuzzi [Asar] de Uruk exatamente como a egípcia Isis, deusa da fertilidade, era esposa e rainha do Rei Osiris. Com a morte de  Enmer/Osiris, e o desmoronamento do império mesopotamio, uma nova forma de veneração religiosa veio a dominar o mundo. Segundo o mito, antes que Enki se estabelecesse para criar a rivalidade na terra, ‘o povo em uníssono … em uma só lingua dava louvor a Enki’. Depois que a situação era muito diferente e muito caótica, e o monoteismo foi substituido pelo politeismo. Junto com esta nova estrutura politeista pagã o mundo parecia reconhecer a ascendência de um novo deus como chefe do panteão, e este deus tinha um filho que era conhecido por muitos nomes diferentes, que era universalmente entendido ter morrido e renascido novamente, neste mundo ou o próximo.  O próximo capítulo desta série focalizará o lado espiritual oculto do que parece ser um conflito épico entre duas forças opostas. Estas forças utilizam temas espirituais que parcem ter muitos paralelos e similaridades ainda que também hajam importantes distinções que claramente as separam ao longo das velhas linhas do Bem e do Mal. Estas linhas tem sido propositalmente esmaecidas através dos séculos, mas pelo fim destas séries elas serão reunidas em um foco muito mais agudo.

Parte VI

Dominação por Engano

“Os Espíritos narram coisas inteiramente falsas, e mentem. Quando os espíritos começam a falar ao homem, cuidado deve ser tomado para não acreditar neles, porque a maior parte do que eles dizem é composta por eles, e eles mentem; então se é permitido a eles relatar o que é o céu, e como as coisas são no céu, eles diriam tantas falsidades, e com tal forte avaliação que o homem ficaria atonito; por conseguinte não me foi permitido quando os espíritos estavam falando ter qualquer crença no que eles declararam. Eles amam fingir. Seja qual for o tópico que possa ser falado, eles pensam que eles o conhecem e se o homem ouve e acredita, eles insistem, e em vários modos enganam e seduzem”.  – Emanuel Swedenborg (1688-1772), Miscellaneous Works

Em virtualmente todas as mitologias do mundo há o tema de um antigo conflito entre os deuses. No mito egípcio este é o conflito de Osiris e Horus contra Set; no mito babilonio este é a batalha de Marduk contra a deusa primeva Tiamut; nos mitos canaanitas de Ugarit é Baal contra Yam e Mot; e no mito grego é Zeus contra os Titãs. Todos estes conflitos se relacionam de um modo ou outro ao conflito original, ao primeiro conflito divino até mesmo estabelecido na escrita, que era um conflito em andamento entre Enlil e Enki como é contado pelos antigos sumérios. Este conflito nunca envolveu violência física mas não obstante era muito amargo. Os sumerios não registraram sua resolução mas os mitos deles mostram que eles claramente favoreceram Enki e as narrativas posteriores dos babilonios retratam Enki como o eventual vitorioso. Muito da mitologia pagã e da religião, em suas muitas formas diferentes e expressões culturais, podem ser rastreadas de volta a este conflito original, mas é interessante que as narrativas que mostram os mais estreitos paralelos com as narrativas sumérias da criação, dos deuses, e da civilização humana e religião,  não são para serem encontradas nas tradições pagãs posteriores mas ao invés sejam encontradas nas narrativas hebraicas, especificamente no Livro do Geneses. Os sumérios e os hebreus contam uma história da humanidade sendo criada da terra ou da argila pela assistência divina; ambas fontes se referem a uma antiga disputa entre um fazendeiro e um pastor; ambos dão uma narrativa de deuses ou anjos descendo dos céus e influenciando a civilização humana; ambos mencionam a criação da primeira cidade; ambos testificam uma grande inundação que cobriu a terra e que dizimou a civilização e quase toda humanidade; e ambas as fontes falam de conquistas de um grande rei que estava envolvido de algum modo com um grande templo ou torre e com a criação das muitas linguas que dividiram as nações.

Quando os tabletes cuneiformes foram descobertos em meados dos anos de 1800 de escavações arqueológicas em Nínive, Nippur, Babilonia e outros lugares, as descobertas enviaram ondas de choque ao redor do mundo. Muitos eruditos bíblicos foram grandemente encorajados e acreditaram que as narrativas do Geneses finalmente estavam justificadas. Para eles, era óbvio que os sumérios tinham manuseado, com umas poucas distorções, as memórias dos mesmos eventos históricos que Deus tinha inspirado Moisés a registrar no Geneses. Para outros especialistas bíblicos, contudo, os recentemente descobertos textos sumérios foram interpretados de modo diferente. Os críticos céticos bíblicos tomaram a opinião que porque os textos sumérios eram anteriores ao livro do Geneses em 500 a 1000 anos, então era óbvio que os textos sumérios devam ser as narrativas autênticas. Ambas as narrativas foram vistas pelos críticos como meramente mitos, e certamente não baseados em eventos históricos, mas porque os textos sumérios eram muito mais velhos foi assumido que ‘a antiguidade se iguala a autenticidade’ e então eles tinham que ser os verdadeiros mitos. O livro do Geneses foi então visto como meramente uma compilação distorcida ou lembrança dos originais mesopotamios. Esta interpretação do relacionamento entre o ‘mito’ sumério e o livro do Geneses permanece a opinião dominante no mundo academico de hoje. Há muitos paralelos entre o mito sumério e o livro do Geneses, ainda que também hajam importantes distinções que, se examinadas, trazem um número de perguntas importantes. Talvez a mais importante destas perguntas tenha ainda que ser respondida pela comunidade academica, e ele é: Como pode uma forma estrita de monoteismo hebraico ter ‘evoluido’ da religião politeista liberal e diversa dos sumérios? Um outro modo e formular esta pergunta é: Onde está o deus de Israel a ser encontrado dentro do panteão sumério? Este é uma boa pergunta a se fazer porque Abraão, o fundador da nação de Israel, foi supostamente chamado por Deus da cidade de Ur, que era localizada no coração da terra dos sumérios.

O Deus de Israel e os Deuses da Suméria

O Deus de Israel era certamente único quando comparado com os deuses regentes dos panteões venerados pelas nações que cercavam Israel. Para os hebreus a identidade do deus de Israel pode ser entendida em dois níveis relacionados. O primeiro nível era a identidade do deus como ele se relaciona ao próprio Israel, e a segunda era a identidade do deus como ele se relaciona com toda a realidade. Até onde diga respeito o primeiro nível, Deus se revelou a Israel e deu seu nome como YHWH (Yahweh ou Jehovah), que geralmente é traduzido como algo como ‘aquele que é’ ou ‘eu sou quem eu sou’. YHWH  era o deus pessoal de Israel e o relacionamento de Israel com YHWH era baseado em sucessivas alianças ou acordos entre as duas partes. Este tipo de relacionamento raramente era encontrado dentro das nações pagãs. O segundo nível pelo qual os hebreus entendiam a identidade do deus deles era o nível no qual ele se relaciona com toda a realidade. Quando Moisés elaborou sobre a identidade do Deus de Israel como o Criador do inteiro universo e como o máximo governante e poder soberano sobre o universo, estas declarações devem ter sido vistas como completamente ultrajantes e presunçosas pelos contemporaneos pagãos de Moisés. Os pagãos tinham suas tradições sobre a criação [Parte V] e eles tinham suas tradições de como o deus dominante adquiria supremacia sobre a criação, mas eles não uniam o Criador e o Regente em uma só figura e veneravam apenas esta figura com a exclusão de todos os outros deuses. A despeito destas maiores distinções entre o Deus de Israel e os deuses das nações vizinhas, há poucos eruditos que tem tentado identificar o Deus de Israel como uma figura que, é acreditado, tinha que ter ‘evoluido’ de tradição suméria anterior e muito similar. Estas tentativas grealmente se concentram nas similaridades entre YHWH e três maiores deus sumérios: Anu, Enlil e Enki. YHWH é similar ao enigmático deus Anu porque ambos são vistos como deidades ‘pai’. Anu era compreeendido como o pai da primeira geração de deuses incluindo os dois irmãos Enlil e Enki, enquanto  YHWH foi o ‘pai’ da hoste angélica que são referidos no Velho Testamento como B’nai Ha Elohim, ou “Filhos de Deus”. Anun pode também ter sido visto pelos sumérios como o criador original do universo, mas gradualmente se tornou visto como um processo ‘natural’ envolvendo forças primordiais. Para os sumérios Anu realmente não era importante e ele existia como uma deidade “otiose” muito longe no céu, que era também o lugar de onde YHWH governava segundo os hebreus.

O aparente relacionamento entre YHWH e Enlil é muito mais substancial. Enlil não era visto pelos sumérios como o original criador do universo mas ele era visto como o máximo governante dos deuses e da humanidade. Os mitos sumérios também descrevem Enlil como o pai de uma geração de deuses e vários mitos se referem a Enlil [em oposição a Enki] como o criador e pai da humanidade. O centro de culto a Enlil era na cidade sagrada de Nippur, que nunca foi uma capital política e não aparece como cidade capital na lista dos reis sumérios. Nippur era ao invés um tipo de capital religiosa onde os reis da Suméria iam receber a aprovação de Enlil e honrar o mais poderoso e temido dos deuses sumérios. Segundo o épico de “Enmerkar e o Senhor de Aratta”, antes do reinado de Enmerkar os sumérios apenas veneravam a Enlil, o que implica em algo similar a veneração monoteístca hebraica de YHWH. Os sumérios também viam Enlil como o supremo tomador de decisões dentro do conselho dos deuses e, como YHWH no livro do Genesis, era Enlil que decidiu enviar o Grande Dilúvio para dizimar a humanidade. O relacionamento entre YHWH e Enki apresenta muito mais um desafio para os eruditos dos textos antigos e permanece uma questão altamente debatida. Se algum deus pode ser dito ser o deus ‘pessoal’ dos sumérios este teria sido Enki. Como o relacionaento de YHWH com os hebreus, Enki era visto pelos sumérios como poderoso, rei e sábio em seus esquemas para proteger os sumérios da animosidade dos outros deuses [especialmente Enlil] e das tribos vizinhas inimigas. Exatamente como YHWH cuidava de seu povo, os hebreus, assim Enki era retratado como cuidando dos sumérios. Como mencionado na Parte V, o aparente amor de Enki pela humanidade pode ser rastreado de volta a tradições sumérias que Enki, exatamente como YHWH no Geneses, esteve pessoalmente envolvido com a criação da humanidade retirando-a da argila. Enki também desempenhou um papel similar a YHWH quando, através de suas ações, uma família em particular foi escolhida, avisada e poupada do Grande Dilúvio ao receber instruções para construir uma arca. Para David Rohl, YHWH tem mais em comum com Enki do que com Anu ou Enlil, e as similaridades entre YHWH e Enki superam as diferenças. Em seus livros ‘Legend’ e ‘The Lost Testament’, que tem sido citados tão frequentemente por este estudo, Rohl conclui que o deus que foi revelado a Moisés não era outro que Enki, que era conhecido na linguagem acadiana como Ea. YHWH é retratado como um deus positivo e cuidadoso na bíblica hebraica, e Enki/Ea é retratado como igualmente benevolente nos mitos sumérios, então para David Rohl isto é onde existe a conexão entre os sumérios e os hebreus. Rohl até mesmo acredita que YHWH realmente declarou sua identidade como Enki/Ea a Moisés de um modo direto no episódio da sarça ardente: ” Moisés então disse a Deus, ‘Olhe, se eu for aos israelitas e disser a eles, ‘o deus de seus ancestrais tem me enviado a vocês” e eles dizem para mim, “Qual é o meu nome?” o que vou dizer a eles?”. Deus diz a Moisés “Eu sou quem Eu sou” [Exodus 3:13-14]. Aqui está como David Rohl explica este curioso diálogo entre Moisés e a Voz da sarça ardente: “Como temos aprendido, Enki, ‘O Senhor da Terra’ foi chamado de Ea em acadiano [semítico oriental] – que é dizer na tradição babilonica. Os eruditos tem determinado que Ea era vocalizado como Eya. Então, Moisés ficou diante da sarça ardente e perguntou o nome do deus da montanha, a que ele respondeu ’sou quem eu sou’ [ em hebraico Eyah asher eyah]?. Esta frase intrigante a muito tem deixado perplexos os teólogos mas agora há uma explicação simples. A voz de deus simplesmente respondeu  ‘Eyah asher Eyah’ – ‘Eu sou aquele que é chamado Eyah’ – o nome de Ea em sua forma semítica ocidental [isto é, hebraica]. Os eruditos tem simplesmene falhado em reconhecer que esta é uma outra característico trocadilho que abundam no Velho Testamento. Eu sou (Eyah) aquele que é chamado (asher) Ea (Eyah)’ é um clássico jogo de palavras biblico. Isto também explica a instrução aparentemente se sentido de Deus: “Isto é o que você vai dizer aos israelitas, “Eu sou tem me enviado a vocês”. As palavras de Deus devem realmente ser traduzidas como ‘Eya tem me enviado a vocês”. Eya ou simplesmente Ya é uma forma hipocoristica do nome YAHWEH encontrado como um elemento de tantos nomes do Velho Testamento. Então Enki/Ea o deus que criou o Homem e então mais tarde avisou  Ziusudra/Utnapishtim da iminente destruição da humanidade é um e o mesmo deus de Moisés.

David Rohl stá correto para a vocalização da frase hebraica “EU SOU” que soou muito similar, se não o mesmo que, a vocalização semítica oriental para o nome de Ea, que é de fato o nome acadiaco do deus sumério Enki. Contudo, se YHWH tivesse realmente significado o próprio nome como “EU SOU”, o que tem sido o entendimento ortodoxo no judaismo desde seu início, isto não é inicialmente tão perplexante e intrigante quanto Rohl tenta retratar isto. “EU SOU” é realmente um nome muito apropriado para o Deus que declara ser o único eternamente existente, que se refere a ele próprio em Revelação 1:8 como Aquele “que é e que foi e que está por vir, O Poderoso”. O argumento etmológico de Rohl para igualar YHWH e Enki pode parecer bom, mas está longe de ser conclusivo. Ao igualar YHWH com Enki David Rohl se focaliza quase completamente nas percebidas similaridades e ele minimiza ou ignora as muitas profundas diferenças que existem entre os dois. Estas diferenças, se cuidadosamente examinadas, torna altamente improvável que YHWH e Enki sejam a mesma entidade. Em primeiro lugar, devemos retornar novamente a concepção hebraica única da identidade de YHWH. Esta concepção era baseada no duplo papel de YHWH como criador e regente do universo. Em muitos mitos sumérios que louvam e glorificam Enki não existe qualquer um onde Enki seja dito ser o criador original da realidade material, uma declaração feita por YHWH nopróprio início do Geneses 1:1. A respeito do aspecto de governo de YHWH, dentro do mito sumério este aspecto é melhor representado por Enlil. É verdade que em algum ponto Enki ganha posse do ‘me’ no mito de “Enki e A Ordem Mundial”, como explicado na Parte V, mas esta autoridade é dada a Enki apenas sob permissão de Enlil, que retém o máximo poder como o primário tomador de decisão dentro do conselho dos deuses. A linha inferior é que para os sumérios Enki nem era o criador e nem o supremo governante, enquanto para os hebreus YHWH era ambos. Há muitos mais aspectos de Enki que contradizem diretamente o entendimento hebraico da identidade de YHWH. Segundo os textos sumérios a prática de uma realeza hereditária foi pela primeira vez estabelecida em Eridu, que era o centro de culto a Enki onde os descendentes do bíblico Caim se estabeleceram. Por outro lado, dentro da nação israelita o costume de uma realeza hereditária não existiu de seu início com Abraão, por todo cativeiro egípcio até o Exodus, pelos séculos dos Juízes a todo caminho até o tempo do profeta Samuel. Este foi o ponto no qual os israelitas exigiram que YHWH desse a eles um rei, que primeiro YHWH recusou antes de rancorosamente permitir a instituição da monarquia (Samuel 8:7-22). A este respeito YHWH e Enki são novamente provados diferentes. Para Enki uma monarquia era essencial e necessária para manter seu poder e influência, mas para YHWH uma monarquia era vista como indesejável e desnecessáriamente opressiva para seu povo. Uma outra maior diferença entre YHWH e Enki vem de examinar algumas das práticas religiosas associadas aos dois deuses. Quando examinamos a concepção suméria de Enki encontramos que uma de suas características primárias era sua associação com a mágica e a feitiçaria, com rituais permitindo contacto com o mundo do espírito, e com a advinhação do futuro. Quando examinamos YHWH e seu relacionamento com Israel, e especialmente a Lei da Torah que ele deu a Israel descobrimos que estas práticas ocultas eram completamente proibidas: “Não deve ser encontrado entre vocês alguém que faça seu filho ou sua filha passar pelo fogo, alguém que use a adivinhação, alguém que pratique a feitiçaria, ou alguém que interprete presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que lance um encanto , ou um médium, ou um espiritista, ou um que chame os mortos. Porque seja quem for que faça estas coisas é detestável ao senhor seu Deus que o retitará de vocês ” (Deuteronomio 18:10-12)

Estas práticas ocultas eram a fundação da religião suméria e elas evoluiram para se tornar a base dos ritos iniciáticos e sacerdócios hierárquicos ao redor do mundo, do Egito a Índia, e dos gregos ao romanos, dos maias aos astecas do Novo Mundo. Estes sistemas religiosos e práticas ocultas eram todas similares, então alguém tem a imaginar porque o deus venerado pelos israelitas exigisse uma tal separação estrita de seu povo do resto do mundo? Estava YHWH os guardando de práticas espirituais que eram necessárias para seu próprio avanço espiritual, ou Ele os estava simplesmente protegendo de um mundo do espírito que enganava todo mundo mais com fugazes experiências metafisicas e falsas promessas e espectativas? Se estamos corretos em concluir que YHWH e Enki são realmente duas entidades separadas, então se torna mais plausível igualar YHWH ao sumério Enlil que por muito tempo tinha sido um adversário de Enki nas narrativas sumérias. Isto nos traz um conjunto de problemas inteiramente novo, contudo, por causa da retratação negativa e depreciativa de Enlil pelo mito sumério. Enlil é retratado como vingativo, zangado, abusivo e cruel, e ele comete crimes incluindo adulterio, estupro e genocídio. YHWH as vezes é retratado como zangado e violento no Velho Testamento hebraico, mas as ações de YHWH para os hebreus sempre são justificadas, não importa quão cruéis elas pareçam ser. Para os sumérios raramente há justificativa para os duros abusos de poder que caracterizam o governo de Enlil. Ao examinar YHWH e Enki e suas respectivas tradições devemos também nos dirigir ao fato que eles fazem declarações conflitantes. No livro do Geneses YHWH é creditado com a criação da humanidade, enquanto na maioria dos textos sumérios Enki é retratado como o criador do homem. Um outro caso é a tradição similar do Grande Dilúvio. O livro do Geneses explica que YHWH trouxe o dilúvio como um julgamento sobre a sociedade humana que tinha se tornado perversa por meio das influências negativas dos ‘anjos caídos’. Nas narrativas sumérias é Enlil que traz a inundação para exterminar a população humana que tinha se tornado ‘barulhenta demais’. Contudo, o livro do Geneses conta que YHWH misericordiosamente salvou Noé e a última família justa da terra da destruição iminente. Contrastando com esta narrativa, no mito sumério é Enki que salva Atrahasis e a família dele da inundação contra a vontade de Enlil. Estes declarações conflitantes e narrativas não podem ambas serem verdadeiras se Enki e YHWH fossem de fato entidades separadas. Se YHWH é a fonte espiritual da tradição hebraica, e se Enki é a fonte espiritual da tradição suméria, então devemos enfrentar a realidade que um deles está mentindo. Se YHWH na tradição suméria é representado como Enlil, o adversário de Enki, então onde podemos esperar encontrar Enki dentro da tradição hebraica? Talvez precisemos examinar o adversário bíblico de YHWH para encontrar a resposta. Enquanto Rohl iguala YHWH a Enki, ele não obstante fornece a seguinte descrição de Enki que se asemelha a este adversário bíblico muito mais estreitamente do que se assemelha ao próprio YHWH: “Está claro pelos numerosos incidentes nos mitos associados a Enki que ele é uma deidade sagaz, até mesmo perspicaz. Ele é travesso e não conformista; em seu aspecto de criador da humanidade ele é um deus da fertilidade. Ele se liga aos humanos ao murmurar pelas paredes de junco de forma a contornar uma proibição, coloca sobre eles pelas deidades colegas, que evita a comunicação direta com os humanos. Pode-se olhar para ele com um pouco de um travesso malicioso. Ele algumas vezes é mostrado com pernas de um bode completo com patas com cascos rachados, enquanto seu corpo superior é vestido de escamas de um peixe. Enki é também, como temos visto, muito mais protetor de sua criação – a humanidade – e o provedor da vida sustentada pela água doce”.

Enki Desmascarado

Por mais de cento e inquenta anos aproximadamente, desde a descoberta e a tradução dos antigos textos sumérios, os eruditos modernos tem sido dirigidos a Enki como o mais interessante e enimgmático de todos os deuses sumérios. Perto do fim de sua carreira, Samuel Noah Kramer, talvez o mais respeitado sumeriologista do século XX, escolheu se concentrar em Enki em um livro que ele publicou em 1989 intitulado ‘Os Mitos de Enki, o Deus dos Trabalhos Manuais”. Com este livro o falecido Dr. Kramer examinou os muitos diferentes mitos e tradições de Enki, em textos sumérios e acadianos e ele fez um número de observações cruciais a respeito do papel de Enki na evolução do paganismo depois da queda da civilização suméria. Kramer é lembrado dentro do mundo academico como um gigante em seu campo, mas dentro do mundo da cultura popular, um mundo influenciado por shows no rádio e o mercado das brochuras em massa, ele permanece relativamente desconhecido. Zecharia Sitchin é um autor/erudito que é exatamente o oposto de Kramer. Sitchen não pode declarar quaisquer obtenções academicas dentro do campo dos estudos sumérios, ainda que ele tenha alcançado uma popularidade internacional e aclamado como um reputado especialista nos textos sumérios desde o aparecimento de seu livro “o 12o Planeta” em 1976. A teoria básica por trás do livro de Sitchin, que desde então tem se expandido em uma serie de seis volumes chamada “Cronicas da Terra” é que os deuses do panteão sumério eram realmente visitantes extraterrestres de um alegado planeta ‘Nibiru”, que chegaram a Terra a 450.000 anos atrás em busca de ouro. As raizes judaicas de Sitchin se tornam aparentes com a publicação de ‘Encontros Divinos’ em 1995, no qual ele argumentou que YHWH da tradição hebraica é o criador do universo que também criou o panteão sumério dos deuses extraterrestres, incluindo Anu, Enlil e Enki. As primárias afeições de Sitchin, contudo, são reservadas para o deus Enki. Exatamente como David Rohl e Samuel Noah Kramer, Sitchin é tomado pelas caracterizações positivas de Enki que são encontradas pelos textos sumérios. O último trabalho de Sitchin – ‘O Livro Perdido de Enki’ – se concentra em Enki e afirma ser ‘as memórias autobiográficas e profecias cheias de insight de um deus extraterrestre’. Conquanto Sitchin argumente em ‘Divinos Encontros’ que YHWH é realmente o criador dos ‘visitantes extraterrestres’ Anu, Enlil e Enki ele concede que há muitas similaridades entre YHWH e Enlil, muito mais do que aquelas existentes entre YHWH e Enki. A respeito do relacionamento YHWH/Enki Sitch apresenta a segunte hipótese temporária no livro ‘12o Planeta’ [1976]: “A possibilidade que os antagonistas bíblicos – a deidade e a Serpente – representem Enlil e Enki nos parece inteiramente plausível”. Sitchin elabora esta teoria em seu livro posterior ‘Geneses Revisitada’ [1990]: “Na história bíblica de Adão e Eva no Jardim do Eden, o antagonista do Senhor Deus que fez com que eles adquirissem o ‘conhecimento’ [a habilidade de procriar] era a Serpente, Nahash em hebraico… na original versão suméria a ’serpente’ era Enki. Seu emblema era duas serpentes enroladas; este era o sínbolo de seu centro de culto Eridu, de seus domínios africanos em geral, e das pirâmides em particular. E isto aparecia nas ilustrações dos selos de cilindro sumérios dos eventos descritos na bíblia”. A idéia da Serpente no Jardim do Eden, identificada como Satã na tradição judaico-cristã, é de fato uma representação do deus sumério Enki, o que parece ser indicado pelo próprio Professor Kramer pelo próprio título de seu livro “Mitos de Enki, o Deus das Artes Manuais” que é uma caraterização encontrada em Genesis 3:1, “Agora a serpente era mais austuta do que qualquer besta no campo que o Senhor Deus havia feito…” Desde os anos iniciais de 1980 as teorias radicais de Sitchin dos deuses extraterrestres [baseados na aceitação como face de valor do mito sumério como história legítima e frequentemente utilizando a erudição conservadora de Kramer], tem aberto um genero inteiramente novo de pesquisa alternativa envolvendo a interferência extraterrestre, a conspiração política e a espiritualidade New Age. Este novo gênero é predominantemente cético de, e antogonista em relação a, tradição judaico-cristã e geralmente promove a ’sabedoria’ esquecida do paganismo e dos Antigos Misterios como chave para o avanço espiritual da humanidade. Desta perspectiva a Serpente no Jardim do Eden é vista como um Iluminador e Libertador da humanidade e Lucifer/Satã se torna uma figura positiva repetidamente identificada como o deus sumério Enki.

Laurence Gardner é um membro bem conhecido desta escola de pesquisa alternativa, e ele combina muitas das teorias de Sitchin com algumas das idéias conspiratórias anti-cristãs encontradas no livro best seller ‘Holy Blood, Holy Grail’ [veja a tradução completa neste blog  http://conspireassim.wordpress.com/2009/05/21/sangue-sagrado-santo-gral/] (1983). Suas credenciais são impressivas: Laurence Gardner é Membro da Sociedade de Antiquários, e um Membro Profissional do Instituto de Nanotecnologia. Distinguido como Cavalheiro de Saint Germain, ele é um historiador constitucional, um Cavaleiro Templário de Santo Antonio, e é o Adido Prsidente do Conselho Europeu de Príncipes. Baseado na Inglaterra, ele é autor do best seller do  The Times e Sunday Times, ‘Bloodline of the Holy Grail’. Isto foi serializado nacionalmente no Daily Mail e deu a Lawrence o premio de Autor do Ano da Inglaterra em 1997. Gardner aborda o assunto de Enlil e Enki em seu livro de seguimento “Genese dos Cavaleiros do Gral’ [1999] e para ele a identidade de  YHWH/Jehovah é muito óbvia: “O Jehovah dos judeus (El Elyon dos canaanitas) foi, portanto, sinônimo com Enlil do Anunaki, filho do grande Anu”. Gardner então continua para identificar Enki: “A serpente que conversou longamente com Eva claramente não era uma criatura burra e inferior, mas um guardião do conhecimento sagrado…” é posteriormente evidente da ilustração mesopotamia da serpente que ela tem uma direta associação com Enki, já que Enki [Ea] era tradicionalmente apresentado como o Senhor Serpente do Eufrates. Exatamente como a serpente é o doador da sabedoria, assim Enki é constantemente referido como Enki o Sábio… Para Gardner os ‘Cavaleiros do Gral’ são os verdadeiros reis que tem o direito divino de governar a humanidade. Ele traça a genealogia desta iluminada elite de volta a Caim, o primogenito de Eva, e Gardner ressuscita a antiga história Talmudica que o verdadeiro pai de Caim era Samael a serpente, identificada por Gardner como Enki. Ele escreve: “em termos de genealogia soberana, a linhagem de Ham e Nimrod [na descendência de Caim, Lamech e Tubal-cain] manteve a verdadeira herança da realeza do Gral, enquanto a linhagem Setiana através de Noé e Shem era de menor importância…” Segundo Gardner, Ham era de fato o primogenito de Tubal-Cain e não o filho de Noé como afirmado no Geneses. Com este passo Gardner é capaz de assegurar uma linhagem de descendência humana diretamente do próprio Enki, até mesmo embora a catástofe do Grande Dilúvio. Ao comentar o conceito judaico-cristão de Satã/ Lúcifer como o Grande Adversário de Deus e do homem, Gardner afirma que isto é uma espíria invenção teológica criada para ajudar a intimidar e subjugar os cristãs iniciais sob o domínio da Igreja Romana.  Para Grdner, o deus-serpente Enki  era o criador original da humanidade , nosso mais importante professor , nosso protetor contra a animosidade de Enlil/YHWH e esencialmente o verdadeiro campeão da humanidade.

Mark Amaru Pinkham é um bem sucedido autor que também alega que o verdadeiro criador da humanidade é Luficer, um nome que ele diz ser sinônimo de Enki dos sumérios. As idéias de Pinkham são explicadas em seu livro ‘O Retorna das Serpentes da Sabedoria’ [1997] enquanto em um outro livro, ‘A Verdade Por Trás do Mito de Cristo’ [2002] ele explica que Jesu Cristo foi simplesmente um de uma série de manifestações desta figura divina. Pinkham também tem escrito sobre a conexão entre o verdadeiro ‘cristo’ e os medievais Cavaleiros Templários, e ele é o fundador de uma organização chamada A Ordem Internacional dos Templários Gnósticos.

William Henry é um outro nome associado a teoria das origens extraterrestres de Sitchin. Henry se refer a si próprio como um ‘mitologista investigativo’ e ele tem publicado aproximadmente doze livros e pode ser ouvido frequentemente nos shows de rádio tarde da noite tal como Coast-to-Coast AM que discutem assuntos alternativos e esotéricos. Em um de seus artigos online Henry explica como o conflito entre Enki/Ea e Enlil continua no presente dia: “Ea e seus sacerdotes, buscam elevar a humanidade ao nível dos deuses pr meio da educação global e revelação de todos os segredos sagrados. Os sacerdotes de Enlil buscam manter a humanidade no nível de escravos e objetos sexuais, a propriedade de um estado de polícia criptocrática”.

Philip Gardiner e Gary Osborn são dois escritores britânicos que, juntos e separadamente, tem escrito um número de livros cobrindo os mesmos temas. O titulo da mais recente colaboração deles é suficiente para explicar a perspectiva deles: “O Gral da Serpente: A Verdade por trás do Santo Gral, a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida” [2005].  Alan Alford é um outro escritor britânico que toma os mitos sumérios como face de valor. Ele publicou ‘Deuses do Novo Milênio’ em 1997, e seguiu este livro com vários outros, recentemente passando a focalizar o Egito. Em um artigo que apareceu na revista New Dawn Alford se refere a Enki como ‘o deus Serpente do Jardim do Eden”.  Alford admira grandemente Enki, cujo centro de culto mesopotamico era Eridu, que é refletido no endereço do website de Alford  www.eridu.co.uk], e no nome de sua casa publicadora:  Eridu Books. Dagobert’s Revenge é uma revista que foi iniciada em 1996 pelo editor e publicador Tracy Twyman. Originalmente concentrada em temas como o Santo Gral, a Dinastia Merovíngia e os Cavaleiros Templários, mas ela rapidamente se ampliou para incluir muitos mais assuntos alternativos e esotéricos. Em 2004 Twyman publicou o livro dela “Os Mitos Merovíngios e o Mistério de Rennes-le-Chateau’. Twyman se antém com a tendência creditando a Enki ser o criador estraterrestre da humanidade e a escrita dela é mais nítida na medida em que ela sem vergonha se refere a Enki como Satã no livro dela, com Jeovah/YHWH assumindo o papel familar do ‘abominável’ Enlil. Desde 1994 a revista  Atlantis Rising tem sido um outro repositorio para erudição e pesquisa lidando com as origens extraterrrestres da humanidade e outros assuntos relacionados. Na primavera de 2005 o editor J. Douglas Kenyon publicou “A História Proibida: Tecnologias Pré-históricas, Intervenção Exterrestre e as Origens Suprimidas da Civilização”. O livro é uma coleção de 42 artigos que tem aparecido na Atlantis Rising durante anos, escritos por dezessete autores diferentes. Como uma coleção ele representa o consenso New Age que o aparecimento do moderno homo sapiens sapiens é o resultado da intervenção extraterrestre. Este entendimento inclui a noção que os antigos textos sumérios são as narrativas mais literais e mais confiáveis das origens humanas, e que o personagem primário neste episódio foi Enki, conhecido no livro do Geneses como a Serpente do Jardim do Eden, cujo caráter benevolente tem desde então sido caluniado pelo estabelecimento judaico-cristão.

A glorificação de Enki às custas do Criador judaico-cristão também tem sido abraçado por aqueles que se consideram parte do sistema de crença que se chama ‘Satanismo’. O website  www.exposingchristianity.com é editado e promovido Satanistas e ele inclui a seguinte citação: “o cristianismo é baseado em material roubado que tem sido distorcido, dobrado, manipulado para confundir e incitar o medo na humanidade. CONTROLE. Isto tem tomado o Deus original e criador da humanidade, EA/Enki em Satã/Lucifer e feito com que ele seja assumido como um inimigo da humanidade. Isto tem sido usado para blasfemar, ridicularizar e malignizar os Velhos Deuses, criar estranheza e inimizade de deuses legítimos os quais são substituidos pelo falso deus “Yaweh/Jehova.” Um website satanista chamado “Joy of Satan” também iguala Enki a Satã o que prece ser uma tendência dentro do satanismo que está incessantemente ganhando terreno: “As Igrejas Cristãs tem ordenado a populaça que se desligue de todo antigo conhecimento e dos deuses originais, indicadamente osso deus criador Ea, também conhecido como Enki, ‘Senhor da Terra’ e Satã, sobre o que supostamente dee se referir o satanismo”. Um dos livros mais interessantes e compelentes escritos sobre o assunto do alegado controle extraterrestre e manipulação da humanidade é ‘Os Deuses do Eden’ (1989) de William Bramley. A maioria dos pesquisadores neste campo iram os deuses antigos como cuidadores beneficentes da humanidade, mas Bramley é um que argumenta contra este consenso. A capa de trás de seu licro explica a perspectiva única de Bramley: “Eles vieram a terra milhões de anos atrás para disseminar o veneno do ódio, guerra e catástrofe… Eles ainda estão conosco… A histíra humana é aparentemente uma sucessão de conflitos sangrentos e turbilhão devastador. Ainda que, inexplicavelmente, a luz do perplexante avanço intelectual e tecnológico, o progresso do Homem tenha sido parado em uma área crucial: ele ainda indulge a besta primitiva interna e faz guerra a seus vizinhos.” Como um resultado de sete anos de intensa pesquisa, William Bramley tem descoberto o sinistro fio que liga os mais negros eventos dad humanidade – das guerras dos antigos faraós ao assassinato do Presidente Kennedy [JFK]. Neste traballho notável, chocante e absolutamente compelente, Bramley apresenta a evidência perturbadora de uma presença alienígena na Terra – visitantes extraterrestres que tem conspirado para dominar a humanidade através da violência e do caos desde o incio dos tempos… uma conspiração que continua até mesmo nos dias presentes. Bramley ressalta os textos sumérios para explicar que os humanos foram criados por estes ‘deuses’ para serem escravos dos ‘deuses’. Aqui está sua tese básica: Os seres humanos parecem ser uma raça escrava enlanguecendoi em um planeta isolado em uma pequena galáxia. Como tal, a raça humana foi uma vez a fonte de trabalho para uma civilização extraterrestre e ainda permanece uma posse hoje. Para manter o controle sobre sua posse e manter a Terra como algo similar a uma prisão, esta outra civilização tem engendrado o conflito sem fim entre os sers humanos, tem promovido a deterioração espiritual e tem regido na Terra condições de permanentes dificuldades físicas. Esta situação tem existido por milhares de anos e continua até hoje. Bramley se refere a estes alegados controladores extraterrestres como os ‘tutores’, e ele os vê como a suprema fonte dos males mais profundamente enraizados e perplexantes que afetam a humanidade. Contudo, como todo o resto, Bramley identifica Enki como a única figura positiva e como um ‘tutor’ renegado que sempre tentou ajudar a humanidade. Isto, a despeito do fato de que os registros sumérios afirmem que Eki é o deus que criou a humanidade para servir como escravos em primeiro lugar. De fato, na linguagem suméria a palavra ‘veneração’ é a mesma palavra usada para ‘trabalho’, avod.Sitchin e seus seguidores imediatos todos vêem os deuses antigos, bem como o fenômeno moderno da visitação UFO, como visitações de entidades físicas cuja origem é de outros planetas ou galáxias. O Dr. Jacques Vallee é um cientista francês que tem estudado os UFOs por toda sua vida e é um dos membros mais altamente respeitados da comunidade ufológica. Valllee entende a premissa extretarrestre que subjaz tanto da pesquisa UFO, mas ele discorda com isto completamente. Para Vallee as entidades que tantos pesquisadores se referem como sendo extraterrestres são mais apropriadamente descritas como ‘extra-dimensionais’. Em outras palavras, elas não são puramente seres físicos, mas são melhor compreendidas como sendo primariamente espirituais. Em seu livro ‘Menasgeiros da Mentira’ [1979] Valee escreveu que ‘o que nós vemos de fato aqui não é uma invasão alienígena. É um sistema de controle que atua sobre humanos e usa humanos.” Em seu livro ‘Dimensões’ [1989] Valee elabora sobre esta hipotese; Proponho que haja um sistema de controle espiritual para a consciência humana e que fenômenos paranormais como os UFOs sejam uma de suas manifestações. Não posso dizer se este controle é natural e espontaneo; se ele é explicável em termos de genética, de psicologia social, ou de fenômenos comuns – ou se isto é de natureza artificial sob o poder de alguma vontade sobre-humana. Osto pode ser inteiramente determinado por leis que nós ainda não descobrimos.” Se, de fato, os ‘deuses’ antigos estão manipulando e controlando a consciência humana de outras dimensões então podemos esperar que Enki esteja desempenhando um maior papel neste programa em andamento. Mas é este papel positivo, como os sumérios e os modernos autores New Age nos asseguram, ou ele é o Grande Enganador e o maior inimigo de ambos – de Deus e do Homem – como as tradições judaico cristãs tem avisado desde o início?

A História é escrita pelo Vitorioso

A batalha entre Enki e Enlil unca é completamente resolvida dentro do próprio mito sumério, mas textos como Enki e a Ordem Mundial e Inanna e Enki dão a impressão que Enki teve a mão superior, ao menos no que diga respeito a autoridade sobre a humanidade. Depois de tudo isto foi em Eridu, a sede de culto a Enki, onde o ofício da realeza hereditária foi estabelecido, e foi Enki que eventualmente ganhou posse do ‘me’ [veja Parte V] que era associado com a organização da sociedade humana. Os pesquisadores modernos que olam nos textos sumérios como narrativas imparciais e autênticas da origem da humanidade precisam reavaliar suas posições e levar em consideração este desenvolvimento. O velho adágio “a história é escrita pelos vitoriosos” tem sodo provada verdadeira no tempo novamente, e se Enki foi de fato o vitorioso em seu embate com Enlil, então talvez isto explique porque ele é retratado emtais termos positivos pelas sociedades que ele verdadeiramente veio a dominar. Pelo mesmo princípio isto também explica porque Enlil é retratado em tais termois negativos. Isto nos traz ao desenvolvimento da própria arte da escrita. Segundo o mito sumério Enmerkar e o Senhor de Aratta a primeira pessoa a originar ‘a escrita de mensagens sobre a argila’ não ourto que o próprio Enmerkar, que temos identificado como Osiris e Nimrod. Enmerkar era um devotado servente de Enki e ele também esteve envolvido na renovação do grande templo de Enki em Eridu. David Rohl coloca o fim do reinado de Enmerkar por volta de 2.850 AC. Os eruditos modernos mascam o Péríodo Proto-alfabetizado, quando a primitiva escrita pivtográfica emergiu e evoluiu, em aproximadamente 3500-2800 AC. Perto do fim dete período o sistema pictográfico foi substituído por um sistema silábico e milhares de sinais no vocabulário sumério foram reduzidos a umas poucas centenas, o que tornou a escrita muito mais práyica e funcional.

Sob o sistema silábico a arte da escrita, que anteriormente tinha sido útil apenas para propósitos financeiros e burocráticos, repentinamente produziu a literatura, e este nova invenção rapidamente se tornou um instrumento importante para propósitos de propaganda.  Samuel Noah Kramer explica como Enki era visto pelos sumérios como o protetor desta importante inovação: “Enki é, em adição a ser o senhor da mágica e o grande resolvedor de problemas dos deuses, o deus das artes manuais, incluindo o que agora podemos chamar de artistas e de escritores… Enki era, talvez do que qualquer outra deidade antiga, essencialmente identificado com a palavra falada e escrita”. O eminente assiriologista Georges Roux também resalta a conexão histórica entre Enki e a arte da escrita: “Enki-Ea, o deus tutelar de Eridu, estava acima de todos os outros deuses da inteligência e da sabedoria, ‘aquele de amplas orelhas que sabe tudo que tem um nome’. Ele permaneceu como o iniciador e protetor das aretes e trabalhos manuais, da ciência e da literatura, o patrono dos mágicos, o Grande Mestre e o Grande Superintendente que, tendo organizado o mundo criado por Enlil, assegurou seu funcionamento apropriado”. O recentemente puyblicado Atlas  Histórico da Antiga Mesopotomia nota as associações de Enki com a escrita também: “Segundo o poema épico sumério de Inanna e Enki, o ‘ umum cento de elementos básicos da civilização’ foram transeferidos de Eridu, a Cidade dos Primeiros Reis, para Uruk. Entre estes elementos básicos estava a escrita, considerada ser divina pelo decreto ds deidades e sob o patrocínio de Enki, o Deus da Sabedoria. Desde seu início, a escrita eras portanto considerada ser uma dádiva dos deuses e carregava com ela tanto poder quanto conhecimento”.  É certamente verdade que o controle sobre a arte da escrita significava poder e conhecimento. Deste o próprio início, quando os reinos individuais pela primeira vez apareceram, a política e a religião eram estreitamente ligadas  e não havia a seperação da Igreja e do Estado. O sacerdócio servia ao Estado, e o Estado era obrigado a seguir os decretos do sacerdócio, que eram entendidos virem diretamente do mundo do espírito dos deuses. Os poucos escolhidos aprendiam os talentos da escrita e da leitura e eram membros privilegiados da clase dos escribas que por si só era parte do sacerdócio oficial. Considere as seguintes poucas breves biografias dos historiadores do mundo antigo, como prova da conexão entre o que vemos como ‘história’  e o sistema pagão de veneração eregido para a humanidade pelos ‘deuses’. Berossus da Babilonia era um homem altamente educado que viveu em aproximadamente 340-260 AC. Ele testemunhou pessoalmente Alexandre O Grande conquistar a Pérsia e grande parte da Ásia, e depois os gregos tomaram a Babilonia. Berossus rapidamente foi assimilado pelo novo regime. Berossus é conhecido por nós por seu ‘Babyloniaca’, ou História da Babilonia, que era um estudo em três volumes escrito em grego que usava os textos antigos tais como o Enuma Elish e Atrahasis para dar a perspectiva babilonica sobre a história do mundo. Segundo os eruditos este trabalho  ou foi comissionado pelo Rei Seleucida Antiochius I, ou pelo alto sacerdote de Marduk pela Babilonia sob os gregos Seleucidas. Segundo Berossus, Marduk era o mesmo deus que o grego Zeus e o egípcio Ammon. Berossus era ele próprio um sacerdote de Marduk e seu ome acadiano mais provavelmente  seria  Bel-re-ushu, que significa “Bel é meu pastor”, com Bel simplesmente sendo um outro nome para Marduk.

Manetho de Heliopolis foi um historiador que viveu aproximadamente em 300-220 AC. Como Berossus, Manetho viveu no périodo a seguir das conquistas de Alexandre. O maior trabalho de Manetho foi seu livro em três volumes Aegyptiaca, ou História do Egito, também escrito em grego. Os eruditos acreditam que o trabalho de Manetho foi inspirado nas Histórias de Heródoto, e era destinado a corrigir muitos erros cometodos por Herodoto e dar uma perspectiva egípcia sobre a história mudial. Durante seus dias, a maior contribuição de Manetho era trazer a unidade aos povos grego e egípcio por meio da criação do novo culto de Serapis. Segundo Plutarco, este projeto foi iniciado por um sonho recebido por Ptolomeu I, depois do que Manetho o Sacerdote Chefe de Ra em Heliopolis foi apresentado a Timóteo o Eumolpide, o Alto Sacerdote grego dos Mistérios Eleusianos, para trabalharem as doutrinas e rituais do novo culto. A maioria dos eruditos vê Serapis como uma combinação do deus grego Zeus e do deus egípcio Osiris, que também era venerado como Apis, o touro do Nilo. Então, Osir-Apis, ou Sarapis. Por outro lado, Samuel Noah Kramer está inclinado a ver o culto de Serapis como um retorno a veneração direta de Enki: “Em sua observação dos eítetos acadianos dos deuses, Knut Tallqvist dá muitas citações para o título de sar apsi, Rei de Abzu [Apsu]. Somente um deus é chamado de sar apsi, Ea.  E. Douglas van Buren estava intrigado pela possibilidade de que o epíteto de Ea desse elevação ao popular deus helenista Sarapis. A história da invenção ou descoberta de Sarapis é razoavelmente bem atestada na antiguidade, mas as origens do deus permanecem obscuras. Foi dito a Tacito pelos sacerdotes egípcios que Ptolomeu I teve um sonho de um ‘jovem homem do céu’ que disse a Ptolomeu para enviar uma estátua para Serapis. Em Sinope a estátua foi encontrada, venerada como Jupiter Dis ao longo com Proserpina. Os sacerdotes de Apolo em Delfi avisaram os egípcios para pegarem a estátua de Serapis e a enviarem para Alexandria, mas para deixar sua consorte para trás. A estátua chegou em Alexandria e um templo fdoi erigido para ela, onde os egípcios assimilares Serapis a Osiris. O deus causou um bom bocado de especulação etmológica e histórica no mundo antigo, mas as explicações de Serapis não são muito convincentes. A sugestão de Van Buren que Serapis é Ea  é baseada no conhecimento que Sinope tinha sido uma colpnia litoranea assíria… Serapis era grandemente popular como um dos deuses salvadores, um fazedor de milagres e curador. Zeus Serapis era um benfeitor da humanidade, especialmente aqueles como os marinheiros que faziam seu caminho pela água.” Se a história do soho e Ptolomeu I é verdadeira, e uma estátua conhecida como representar Serapis foi encontrada em Sinope em Pontus na costa do Mar Negro, uma colonia com conexões acadianas, então isto é virtualmente uma conclusão precedente que a estátua fosse de fato uma estátua de Ea/Enki, o único deus acadiano que foi conhecido como Sar Apsi., o Senhor do Abismo. Sustentando esta conclusão está o fato de que Serapis favoreceu especialmente Alexandre O Grande, de seus diários reais  (Arrian, Anabasis, VII. 26). Aqui Sarapis tem um templo na Babilonia e de tal importância que apenas ele é indicado como sendo consultado em benefício do rei morto”. O Serapis honrado por Alexandre é com certeza o Sar Apsi conhecido como Ea/Enki, um ponto que todos os eruditos concordam. Então deve ser óbvio que o culto de Serapis criado por um dos maiores generais de Alexandre era um culto ao deus do mesmo nome. O que pode ter acontecido  é que depois que Serapis foi instalado na Alexandria talvez a identificação do deus com Osiris/Apis fosse algo que os líderes do culto permitam para assegurar sua popularidade dentro do Egito, enquanto sua verdadeira identidade permanecia conhecida pelo círculo interno dos iniciados. Durante os períodos helenista e romano a Alexandria era entendida ser a capital do mundo. Era a cidade mais populosa do mundo e o centro do ensino e da religião. Muitos deuses eram venerados em Alexandria e Serapis estava acima de todos os demais.

Segundo Franz Cumont, por volta de 30 AC havia 42 Serapeums, ou Templos de Serapis, apenas no Egito. Hvia também uma maior Serapeum na cidade de Pergámo [na antia Turquia, uma cidade também conhecida por seu centro de cura dedicado ao deus Asclépio, e por seu maciço altar a Zeus, que foi levado para Berlim exatamente antes da subida de Hitler. Em Revelação 2:13 Jesus Cristo declara que o 'Trono de Satã" está localizado em Pérgamo, 'onde mora Satã'. Plutarco de Delfo foi um outro alto iniciado nos Mistérios pagãos que deixou um legado como historiador. Ele viveu de 46 -127 de nossa era e foi um Alto Sacerdote de Apolo baseado no famoso oráculo de Delfo . O mais famoso trabalho de Plutarco é 'Vidas Paralelas', uma série de biografias apresentando pares de famosos gregos e romanos. Durante sua vida Plutarco era um homem muito rico e muito influente e também bem sucedido como político. Seu prestíhgio permitiu que ele viajasse ao Egito onde ele foi iniciado em muitos dos Mistérios Egípcios, depois do que ele escreveu até mesmo a narrativa em prosa do mito de Osisis em 'Isis e Osiris'. Por seus muitos escritos sobre assuntos espirituais Plutarco frequentemente se refere aos 'segredos' que ele não tem permissão para revelar na narrativa de seus votos de iniciação.

Philo de Biblos viveu de 64-141 de nossa era e foi um importante escritor que fez pelos fenícios o que Berossus e Manetho fizeram para os Babilonios e egípcios. Seu trabalho primário é a História Fenícia e o que sabemos deste texto grego vem primariamenet de citações  encontradas nos escritos de Eusebius e Porfirius. Segundo Philo, as  bases da história eram os textos fenícios atribuídos a um sacerdote de Baal chamado Sanchuniathon, que viveu antes ad Guerra de Tróia, provavelmente dentro século XIII AC. Philo escreve que  Sanchuniathon começou sua busca pelo conhecimento por meio de sua devoção ao deus Tauthus, que "era o primeiro a ensinar da invenção das letras, e começou a escrita dos registros" . Philo explica que Tauthos é conhecido como Thoth pelos egípcios e Hermes Trimegistus pelos gregos. Segundo sua História, o universo foi criado por meio de uma sequência de eventos que são notavelmente similares a teoria moderna da evolução. Fora do caos, água, vento e lama eventualmente desenvolveu-se o homem inicial, e depois de várias gerações os mais iniciais deuses nasceram. O primeiro conflito divino foi entre Urano e seu filho Cronos, e depois que Cronos foi vitorioso, com a ajuda crucial de seu secretário Tauthos, ele fundou a primeira cidade que era, como devia ser esperado de um escriba fenício, a cidade fenícia e Biblos. Depois da morte eventual de Urano nas mãos de Cronos [no 32o ano do reinado de Cronos], o texto registra: ‘Esta, então, é a história de Cronos, e tais são as glórias do modo de vida, tão exaltadas entre os gregos, dos homens dos dias de Cronos, que eles também afirmam terem sido a primeira e a raça dourada  de homens que falam articuladamente., que felicidade abençoada do velho tempo!” O costume pagão do sacrifício humano, uma ocorrência comum durane a ‘felicidade abençoada’ da ‘Idade Dourada’ é também reastreado de volta a Cronos: “Era costume dos antigos em grandes crises de perigo para os governantes de uma cidade ou nação, em ordem de evitar a ruína comum, dar as mais amadas de suas crianças para sacrifício como um resgate dos demônios vingadores; e aqueles que ram assim dados eram sacrificados com ritos místicos. Cronos então, que os fenícios chamam de Elus, que era rei do país e subsequentemente, depois de sua morte, foi deificado como a estrela Saturno, teve com uma ninfa do campo chamada Anobret um único filho gerado, que eles em sua narrativa chamam de Lelud, o único gerado sendo ainda assim chamado entre os fenícios; e quando grandes perigos de guerra tinham crcado o país, eles aparelharam seu filho de modo real, prepararam um altar e o sacrificaram”.

A identidade de Cronos é revelada pelo trabalho de Berossus, que estava intimamente familiarizado  com os mitos e histórias sumérias e acadianas. Em sua interpretação grega de várias partes do Enuma Elish, “Enki’ é simplesmente traduzido por Berossus como Cronos, aparentemente sem qualquer necessidade de explicação.  Philo conclui que esta deidade agora está morta, mas infelizmente para nós os fatos mostram que estes rumores são grandemente exagerados. Em tempos antigos a escrita era um talento muito exclusivo, valioso e altamente protegido. Do temo de sua invenção ela existiu por centenas de anos como propriedade do Sacerdócio e do Estado, que eram eles próprios virtualmente inseparáveis. Como temos visto, a religião no mundo antes do aparecimento do cristianismo era similar em virtualmente cada aspecto chave de cultura a cultura. Cada uma era governada por uma monarquia hereditária e liderada por uma hierarquia de sacerdotes iniciados que se comunicavam com os deuses de modos muito similares ao shamanismo praticado dentro das religiões orientais e das culturas indígenas de hoje. Cada uma destas antigas culturas via os deuses em uma estrutura panteística, com o próprio panteão sendo liderado por um alto deus que exercia autoridade sobre o céu e a terra. Na antiguidade inicial este deus era conhecido como Cronos ou Enki, e seu nome era Marduk, Baal, ou Zeus, que eram deuses que todos representavam o planeta Júpiter. Até onde diga respewito ao mundo pagão havia apenas uma história a ser contada, até mesmo embora cada cultura a contasse de um modo único com nomes diferentes com seus próprios detalhes culturalmente relevantes. Na análise final esta história é a história de Enki, e o grande rival de Enki é Enlil, entendido por tantos sendo o deus de Israel YHWH, que teve que esperar 1.500 anos antes de poder contar o seu lado da história. Esta foi a aproximada extensão de tempo da invenção da escrita até o momento quando Moisés se encontrou com Deus no topo do Monte Sinai. Será interessante sabermos o que Ele tem a dizer.

A Resposta Bíblica

Os capítulos iniciais do livro do Geneses são escritos de acordo o seguinte desenho: Genesis 1: Criação do céu e da terra e todas as coisas vivas em seis dias.  Genesis 2: Criação de Adão e Eva. Genesis 3: O Jardim do Eden, a Serpente e a Queda do Homem. Genesis 4: A história de Caim e Abel, e a primeira cidade construída para os descendentes de Caim. Genesis 5: Os descendentes de Adão de Seth a Noé. Genesis 6: “Os Filhos de Deus” descem a terra, produzem os Nefilim por relações com as mulheres humanas. Genesis 7-8: A história do Dilúvio. Genesis 9: A Aliança Noaquita, a indiscrição de Ham e a praga de Canaã.  Genesis 10: Os setenta descendentes dos filhos de Noé e a separação das nações. Genesis 11: A Torre de Babel, a diversidade das línguas, a e dispersão das nações. Genesis 12: A chamada de Abraão para criar a própria nação do Senhor. Os eruditos modernos acham muitas similaridades quando eles comparam o Geneses com as narrativas de criação dos sumérios e dos babilonios. Por exemplo, segundo o Geneses, a criação aconteceu em sete dias, literal ou não, enquanto que a criação no Enuma Elish na narrativa babilonica foi escrita em uma divisão de sete tabletes. Outras similaridades existem que foram cobertas na Parte V, mas estas muitas similaridades apenas servem para ressaltar as poucas diferenças importantes que de fato existem. Estas diferenças são o suficiente para provar que os hebreus tinham um entendimento da criação e das história inicial em comum com as histórias pagãs, mas eles viam estes eventos de uma perspectiva completamente difererente e  em muitos casos oposta. A respeito da Queda do Homem este é um evento no Geneses que estabelece um estágio para todos os futuros relacionamentos humano-divinos, seja ele o relacionamento da humanidade com Deus ou o relacionamento da humanidade com os Filhos de Deus, também conhecidos como anjos caídos, que manipulavam os assuntos humanos  do mundo do espírito. Este evento também apresenta o primário adversário de Deus e do Homem, que é referido em hebreu como  nachash do Jardim do Eden. O erudito em  linguagem semítica Dr. Michael S. Heiser acredita que esta palavra, que gralmente é traduzida como ’serpente’ pode também ser traduzida como ‘o brilhante’. Isto significa que esta criatura não era uma mera serpente, mas ser um ser divino capaz de usar a fala para bajular e enganar. Heiser associa este nachash com as descrições de Satã  em Isaias 14 e em Ezequiel 28. Em Isaias  seu nome é dado como  Helel ben Shakar, que significa “o brilhante, filho do amanhecer’ traduzido em algumas bíblias como Lúcifer, filho da manhã enquanto que Ezequiel ajuda a explicar as origens de seu orgulho exagerado: “Você tinha o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em beleza. Você estava no Eden, o jardim de Deus…” Conquanto o tentador de Eva pode não ter sido uma real serpente, ele tem sempre sido associado com a serpente de um odo ou outro. O livro da Revelação (12:9) o descreve como um dragão vermelho, e se refere a ele como ‘A serpente da antiguidade que é chamada de diabo ou Satã, que engana o mundo todo”. No livro do Geneses sua punição por enganar Eva também parece estar relacionada ao seu aspecto ’serpentino’: “Porque você tem feito isto, amaldiçoado será sobre todo reebanho e animais selvagens! Você se arrastará sobre sua barriga e você comerá poeira todos os dias de sua vida. E colcarei a inimizade entre você e a mulher, e entre sua prole e a dela; ele esmaga sua cabeça e você morderá seu calcanhar”. (Genesis 3:14-15) Destro desta maldição a serpente  também está uma previsão da condenação da serpente, que viria de um homem descendente da própria Eva. Os hebreus entendiam esta promessa como o Proto Evangelho, ou a primeira profecia, da vinda do Messias do mundo que forneceria o remédio e reverteria os efeitos da Queda. Para os hebreus “Satã a Serpente” era conhecido desde o início como um perspicaz enganador que foi amaldiçoado por Deus e um dia seria destruído pelo Messias. Compare isto com a visão pagã da ’serpente brilhante’ como dada por Philo de Biblos, traduzida de até mesmo anteriores textos fenícios: “A natureza então do próprio dragão e das serpentes Tauthos [ o egípcio Thoth, o grego Hermes]  vista como divina, e então novamente depois ele fez os fenícios e egipcios: pporque este animal foi declarado por ele ser de todos os répteis o mais cheio de respiração e feroz. Em consequência do que ele também exerce uma insuperável rapidez por meios de sua respiração, sem pés e sem mãos ou qualquer outro membro externo pelos quais os outros animais fazem seus movimentos. Ele também exibe formas de vários formatos, e em seu progresso faz saltos em espiral tão rápido quanto escolher. Ele também é o de mais longa vida, e sua natureza é se desfazer da velha pele e assim não apenas crescer jovem novamente, mas também assumir um maior crescimento; e depois que isto foi cumprido sua indicada medida de idade, é auto-consumida como do modo que o próprio Tauthos tem estabelecido nos livros sagrados; por esta razão este animal tem sido adotado nos templos e nos ritos místicos… Os fenícios o chamam de “Bom Demônio” da maneira que os egípcios também o nomeiam Cneph; e eles acrescentam a ele a cabeça de um falcão por causa da atividade do falcão. Epeis também [que é chamado entre eles um principal hierofante e escriba sagrado, e cujo trabalho foi traduzido por Areius de Heracleopolis] fala em uma palavra alegórica verbatim como se segue:  ‘O primeiro e mais divino ser é uma serpente com a forma de um falcão, extremamente gracioso, que seja onde for que ele abra os olhos coberto de toda luz de seu lugar natal original, mas se ele fecha os olhosa, vem a escuridão”. Epeis aqui intima que ele é também de um substância fogosa, ao dizer que ‘ele brilhou através’, porque brilhar através é uma característica da luz.”  A pergunta que exige ser feita é esta: “O que pode explicar estas perspectivas radicalmente diferentes sobre a natureza da serpente? Para os hebreus, ela era amaldiçoada por Deus a um nível mais baixo do que o dos animais e forçada a comer poeira, enquanto que para os pagãos ele era o ‘Bom Demonio’ e ‘o primeiro entre os seres divinos’.

Depois da maldição de Deus da serpente, a próxima maldição cai sobre Caim por matar seu irmão Abel. Na Parte V vimos como a disputa entre o pastor e o fazendeiro é resolvida diferentemente nos textos sumérios do livro do Geneses, com o fazendeiro recebendo o favor divino sobre o pastor, e o pastor se tornando beligrante em relação ao fazendeiro. Há também uma ênfase diferente sobre as linhagens da descendência. O Geneses dá os descendentes de Caim e relatada a fundação por eles da primeira cidade , mas a linhagem de Seth é muito mais importante porque leva a Noé. Por ouro lado, os sumérios parecem se concentrar sobre a linhagem de Caim, com a instituição da monarquia hereditária ‘descendo do céu’ para a cidade de Enki, a cidade de Eridu, que recebeu seu nome por causa de Irad, o neto de Caim. Em contraste, tanto quanto diga respeito a YHWH a instituição de uma monarquia era desnecessária e foi vista como inevitavelmente levando a opressão. ( Samuel 8:10-22). A outra narrativa da ‘descida do céu’ é a dos proprios anjos caídos. Isto é retratado no Geneses 6 e envolve relações não sagradas  entre alguns ‘Filhos de Deus’ e as mulheres humanas, um relacionamento que gerou os Nefilim. Desta inteeração humano-angélica o mundo se tornou corrupto as vistas de Deus e cheio de violência, o que se tornou a justificativa para enviar o Grande Dilúvio. Segundo as mitologias pagãs esta foi a Idade Dourada de Cronos quando os deuses viveram com os homens durante a era do reino de Atlantis. Contudo, até mesmo embora esto foi visto como um tempo idealista quando a ‘verdadeira religião’ governou, escritores gregos tais como Platão explicam que a Atlantida se tornou corrupta em seus ensinamentos espirituais  e usou seu grande poder para dominar e abusar do mundo inteiro. O livro não canonico de Enoque explica como os anjos caídos ensinaram a humanidade astrologia e astronomia, encantos e encantamentos, e a propriedade das plantas e das ervas. Um anjo em particular chamado Azazel ‘ensinou os homens a fazerem espadas, e facas, e escudos, e armaduras de peito e ensinou aos homens sobre os metais da terra e a arte de trabalha-los”. [Enoque 8:1]. No Geneses a arte de trabalhar metais  é atribuida a Tubal-cain, um descendente de Caim. David Rohl associa este nome a Bad-tibira, que é a segunda cidade na Lista dos Reis Sumérios, seguindo Eridu onde ‘a realeza desceu do céu’. Segundo sa narrativas sumérias  o grande ‘civilizador’ da humanidade era o grande deus Enki, o Senhor de Abzu em Eridu, que rea retratado como um firme amigo e campeão da humanidade. Por outro lado, o livro de Enoque explica que as inovações dadas a humanidade foram usadas para propósitos perversos. Os Nefilim governaram com uá mão de ferro, ‘e quando os homens não podiam mais sustenta-los, os gigantes se viraram contra eles e devoraram a humanidade [Enoque 7:4]. A respeito do próprio Azazel lemos em Enoque 10:8: “A inteira terra tinha sido corrompida pelos trabalhos que foram ensinados por Azazel e é atribuido a ele todo o pecado”.

Depois do Grande Dilúvio chegamos ao curioso incidente no qual Ham, um dos três filhos de Noé, desonra seu pai. Isto traz uma outra maldição, que é a maldição de Noé, dada por causa da indiscrição de Ham a ser aplicada ao filho de Ham, Canaã. Na lista dos reis sumérios e no mito de Enmerkar e o Senhor de Aratta tanto  Meskiagkasher (Cush) andquanto Enmerkar (Nimrod) são ditos serem descendentes de Utu. Se Utu é para ser encontrado dentro do livro do Geneses então Utu só pode ser Ham, o terceiro filho de Noé que é descrito negativamente no Geneses. Por outro lado, dentro da mitologia suméria, especificamente no mito Enki e a Ordem Mundial descobrimos que Utu/Ham é glorificado:”Enki colocou a cargo do inteiro céu e a terra o herói, o touro que vem da floresta de a-ur falando alto truculentamente, o jovem Utu., o touro que fica de pé triunfantemente, audaciosamente, majestosamente, o pai da grande cidade, o grande arauto  no este da sagrada An, o juiz que busca os verecitos para os deuses, com uma barba de lápis lázuli, se elevando no horizonte para dentro do céu sagrado”. Utu se tornou conhecido como deus sol na mitologia suméria e o deus da Verdade e da Justiça. Na linguagem acadiana Utu era conhecido como Shamash. Foi o neto de Ham, Nimrod, que foi o responsável pela Torre de Babel e já temos mostrado como isto é retratado no mito sumério como a tentativa de Enmerkar de renovar o sagrado abzu de Eridu em honra de Enki. Nas descrições do papel dado a Utu por Enki, podemos talvez ler como o jovem Ham [o jovem Utu] deixou a casa de seu pai Noé [que era a montanhosa terra das florestas], em uma fúria de indignação ´falando alto truculentamente] pelo que ele havia percebido como um veredito injusto contra ele próprio, seu filho. Então Enki aparece, oferecendo palavras lisongeiras e promessas enganosas, depois do que descobrimos que Ham se torna deificado por Enki como o Deus dqa Verdade e da Justiça!

No mito egípcio descobrimos que Ham é mais provavelmente representado como o deus Horus. Esto pode soar confuso superficialmente, porque Horus é geralmente visto como o filho de Osiris, que tem sido mostrado ser Nimrod, o neto de Ham. O problema é resolvido uma vez entendamos que os mais iniciais mitos egípcios descrevem Horus ou como irmão ou tio de Osiris. Evewntualmente apareceram duas identidades separadas de Horus a que Pluytarco se refer como Horus o Velho e Horus o Jovem, este sendo o bem conhecido filho de Osiris e o grande unificador do Egito. Esta imterpretação faz sentido porque os fatos motram que o culto de Horus era bem conhecido algum tempo antes  que o culto a Osiris fose estabelecido. A veneração a Horus remonta aos tempos pré-dinásticos da Cidade do Falcão de Nekhen, enquanto a evidência concreta para a veneração de Osiris aparece pela primeira vez apenas na Quarta Dinastia. Horus era o deus da Tribo Falcão, que eram os invasores dinásticos do Vale do Nilo que vieram da Mesopotamia no seguimento imediato da queda de Eridu. Como veneradores de Enki eles identificaram acima  todos com Ham seu mais importante ancestral pós dilúvio que era, como temos mostrado, honrado por Enki como o deus sol. No Egito também descobrimos que Horis era estreitamente identificado com o sol; Como  Horakhty (Harakhty), ou “Horus dos dois horizontes”, Horus era o deus do nascer e por do sol, mas mais particularmente o deus do oriente e nascer do sol. Nos Textos da Pirâmide, o rei falecido é dito ser renascido no céu oriental como Horakhty. Eventually, Horakhty se tornou uma parte deo culto ao sol de Heliopolis e foi fundido com seu deus solar como Re-Horakhty. Como  Behdety, ou “ele de behdet”, Horus era o sol com asas de falcão que parece incorporar a idéia da passagem do sol pelo céu. Como  Hor-em-akhet (Harmachis) ou “Horus no horizonte”, Horus era visualizado co o um deus sol na forma do falcão ou leonina. Evidência posterior que Horus pode ser identificado como o bíblico Ham vem do fato que pelos textos egípcios há repetidas referências aos deificados Quatro Filhos de Horus, que é documentado no livro ‘The Ancient Gods Speak – A Guide to Egyptian Religion’. Este quatro filhos são mencionados quatorze vezes nos Textos da Pirãmide, por muitos textos de caixão do Reino Médio, pelo Livro dos Mortos e o Livro dos Portões e eles até mesmo aparecem como representações em recipientes canópicos contendo órgãos do falecido em tumbas reais. Se Horus é de fato uma deificação de Ham, então os nomes bíblicos destes quatro filhos seriam Cush, Mizraim, Put e Canaaan. Os descendentes e Ham eram da Tribo Falcão de  Flinders Petrie conhecidos pelos egípcios como Shemsu Hor, ou “Seguidores de Horus”, que migraram da Mesopotamia e se estabeleceram no nordeste da África e ao redor da bacia Mediterrânea. Eles todos veneravam as várias formas do deus Enki como deus primário deles, que podem ser rastreadas de volta a sedução espiritual e Ham por Enki depois do desafortunado episódio na casa de Noé.  Parece que em cada importante estágio do livro do Geneses encontramos uma descrição sw eventos muito similar as narrativas pagãs, mas a interpretação dos eventos  é dada de forma completamente oposta. O que pode responder pelo fato de que os hebreus, uma tribo aparentemente insignificante de refugiados fugindo do Egito, buscariam criar uma história da criação e civilização que repetidamente contradiz o modo pelo qual as nações vizinhas viam a mesma história? A próxima seção ajudará a responder esta pergunta.

Deus Contra os Deuses

Depois da narrativa da indiscrição de Ham o livro do Geneses continua no capítulo 10 com uma listagem de setenta dos descendentes de Shem, Ham e afé, os três filhos de Noé. No fim desta listagem está uma explicação: ‘e destes as nações foram separadas sobre a terra depois do dilúvio”. O capítuo 11 então continua com a história que ajuda a explicarf exatamente como estas nações foram separadas, o que é a história da Torre de Babel. A tradição hebraica, bem como Josephus, mantém que este episódio foi dirigido por Nimrod, cujo império incluia virtualmente o inteiro mundo civilizado.  r   9 d the account of the indiscretion of Ham the book of Genesis continues in chapter ten with a listing of seventy of the descendents of Shem, Ham, and Japheth, the three sons of Noah. At the end of this listing is an explanation: “and out of these the nations were separated on the earth after the flood.” Chapter eleven then continues with the story that helps to explain exactly how these nations were separated, which is the story of the Tower of Babel. Hebrew tradition, as well as Josephus, maintains that this episode was directed by Nimrod, whose empire included virtually the entire civilized world. Ao espetar seu povo da terra disse: “Vamoos, deixe-nos construir para nós mesmos uma cidade, e uma torre cujo topo alcaçará o céu, e vamos fazer para nós mesmos um nome, porque caso contrároi seremos espalhados pela face da terra”. Segundo o Geneses, a construção da cidade e da torre foi começada por duas razões: [1]- para fazer para nós próprios um nome e [2] – para estabelecer uma base da qual resistir ao divino comando dado no Geneses 9 como parte da Aliança Noaquita de ‘multiplicar e encher a terra’. Como resultado desta desobediência Geneses 11:5 explica que o Senhor ‘desceu para ver a cidade e a torre que os filhosdos homens tinham construído”. A resposta de Deus a esta situação é explicada em Geneses 11:6-7, o que incluiu um apelo do Senhor a sua hoste celestial: “O Senhor disse, ‘Preste atenção, eles são um povo e todos eles tem a mesma linguagem. E isto é o que eles começaram a fazer, e agora nada que eles se proponham fazer será impossível para eles. Vamos, vamos descer e lá confundir a linguagem deles de tixepr  b  .crescer eAavomo [o t his prodding the people of the earth said "Come, let us build for ourselves a city, and a tower whose top will reach into heaven, and let us make for ourselves a name, otherwise we will be scattered abroad over the face of the earth." According to Genesis the buildingforma que eles não entendam a fala um do outro". O Livro de Jasher é um livro não canonico que é mencionado em Josué 10:3 e em Samuel 1:18 e ele explica a identidade do 'nós' a que Deus se refere em Geneses 11, "E eles construiram a torre e a cidade, e eles fizeram esta coisa diariamente até muitos dias e anos se passarem. E deus disse aos setenta anjos que eram mais próximos dele, para aqueles que permaneciam mais próximos dele, dizendo, "Vamos, deixe-nos descer e confundir as linguas deles, que um não possa entender a linguagem do seu vizinho' e assim eles o fizeram a eles". (Jasher 9:31)

Este estranho episódio doi concluído depois que estes 'anjos' aceitaram o convite de Deus para fazer uma 'descida' do céu a terra. O resultado final é dado em Geneses 11:8-9, que explica como as pessoas da terra que resistiram a serem espalhadas foram forçadas a chegarem ao termos da Aliança Noaquita de Geneses 9: "Então o Senhor os espalhou sobre a face da terra; e eles pararam de construir a cidade. Portanto o nome dela é chamado Babel, porque lá o Senor confundiu a linguagem da terra inteira, e de lá o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra".  Na Parte V foi explicado como o nome desta cidade, dado no Geneses como Babel, era conhecido como "Nun.ki" em acadiano, que era o nome da original cidade de Eridu que foi abandonada no fim da carreira do rei sumério Enmerkar, que foi o bíblico Nimrod. No mito sumério Eridu e Enmerkar ambos estão intimamente associados com o deus sumério Enki. Com o apoio de Enki Enmerkar foi capaz de conquistar o mundo civilizado, rehabitar e reconstruir a capoital Eridu de Enki pré dilúvio, e começar a construir o Grande Templo ou Torre em honra de Enki, enquanto ao mesmo tempo resistindo ao divino comando de se espalhar e povoar a inteira terra. Sob a autoridade de Enmerkar o mndo foi esencialmente revertido de volta a sua condição pré dilúvio. Através de Enmerkar Enki tinha tido sucesso em estabelecer a opressiva 'realeza', e por seus projetos de construção a humanidade tinha sido afastada da veneração de Deus  e na direção do não sagrado adversário de Deus. Com o sinal do arco-iris Deus tinha prometido nunca destruir a humanidade novamente, então um outro remédio para a situação tinha que ser encontrado. Este é o contexto doi qual interpretar a resposta de Deus à situação, que incluiu um apelo aos setenta 'anjos' que permaneciam diante dele, e em um acordo que permitia a eles 'descerem' a terramais uma vez novamente. Foi esta 'descida dos anjos' bem como a criação das diversas linguagens que serviram para separar e dividir a humanidade daquele ponto em diante, com a 'descida' se provando ser o mais espiritualmente importante. O livro do Geneses não elabora sobre como  estes anjos descidos afetaram a humanidade naquele tempo da divisão das nações. De fato, as explicações deste evento não aparecem até o livro do Deuteronomio onde ela pode ser encontrada dentro da fala final que Moisés dá ao povo de Israel exatamente antes de sua morte: "Quando o Mais Alto deu às nações sua herança, quando Ele separou os Filhos do homem, ele estabeleceu as fronteiras dos povos segundo o número dos Filhos de Deus"  [Deuteronomio 32:8].  Estes “filhos de deus” eram membros da hoste celestial de seres angélicos que Deus originalmente criou para ajudar a gerenciar a terra e toda criação. Este explicação para estes estes ‘filhos de deus’ é esclarecida por um velho Targum judaico sobre este texto encontrado em um manuscrito conhecido como Pseudo-Jonatas. “Quando o Mais Alto fez o loteamento do mundo em nações que procederam dos filhos de Noé, na separação das linguagens e das escritas dos filhos dos homens ao tempo da divisão, Ele lança o lote entre os setenta anjos, os príncipes das nações”. A decisão de dividir as nações do mundo aconteceu em uma reuniãoi do Conselho Divino, com Deus consultando com um conselho de setenta ‘filhos de Deus’ antes de chegar a uma decisão. Os ‘filhos de Deus’ eram seres avançados, tamém conhecidos como ‘anjos’, e porque eles foram criados com o Livre Arbítrio nem todos eles sempre tinham agido em obediência a Deus e ao seu divino plano. Os setenta filhos de Deus que apareceram diante de Deus neste particular Conselho Divino chegaram a um acordo com Deus a respeito do problema da Torre de Babel eram os anjos rebeldes cuja interação com a humanidade antecede em muito o Dilúvio. Em outras palavras, eles eram uma facção dissidente de anjos que pensava que podiam gerenciar a gumanidade muito melhor do que Deus podia.

Para lidar com o poblema da dominação de Enki do mundo por meio de Nimrod e seu império, Deus decidiu permitir a estes anjos uma chance de provar o argumento deles. O resltado final foi queo mundo foi divido segundo o ‘número dos filhos de Deus’. ‘Setenta” era o número completo de membros detro desta particular facção angélica, que é o porque a Tabela das Nações do Geneses 10 lista exatamente setenta descendentes de Shem, Ham e Jafé, que compuseram as nações que ‘foram separadas sobre a terra depois do dilúvio’. Da perspectiva de Deus uma situação na qual a humanidade estava unida contra Deus    sob o controle dos setenta prícipes angélicos. Da perspectiva destes setenta príncipes angélicos caídos eles voluntariamente concordaram em desmembrar o império e Nimrod porque isto permitia a eles tomar o controle de sua própria nação individual e provar seu talento como gerentes humanos. Agora como eles podiam tentar a mão de ‘brincar de deus’ sem a interferêcia de YHWH. Da perspectiva de Satã/Enki, o rompimento do império de Nimrod e a queda e o abandono de Eridu foi certamente um efeito negativo. Contudo, como o mais poderoso membro deste grupo de anjos dissidentes Satã estava confiante que ele rapidamente conquistaria a dominância.  A vida de Nimrod foi um sacrifício que Satã estava voluntário em oferecer porque isto removia Deus da imagem e isto permitiu a Satã e aos anjos caídos a liberdade de governar sobre a humanidade. Nimrod se tornou a base histórica para todos os diferentes deuses ‘que morrem e ressuscitam’ encontrados na antiga mitologia e ele pode sre visto como um sacrifício humano oferecido em ‘benefício’ dos deuses, porque sem a morte de Nimrod eles não teriam a chance de governar como ‘deuses’. A antiga mitologia reflete a transição espiritual  que ocorreu na Torre de Babel. Segundo o mito sumério Enmerkar e o Senhor de Aratta, uma vez “o povo em uníssono… para Enlil em uma lingua dava louvor”. Depois a autoridade de Enlil foi diminuida e foi Enki que cresceu em proeminência , o que é celebrado no mito Enki e a Ordem Mundial, que inclui uma narrativa de Enki ganhando o controle sobre o enigmático ‘me’ , os sagrados e valiosos ‘poderes’ associados a autoridade divina e o gerenciamento da civilização humana. O desparecimento de YHWH dos assuntos humanos pela tranferência da autoridade direta sobre a humanidade aos ‘anjos caídos’ pode ser deduzido pela existência das chamadas deidades ‘otiose’ na cabeça dos panteões do mundo pagão. Por exemplo, a maioria dos eruditos se refere ao deus sumério Anu como uma deidde ‘otiose’. Ele era o cabeça do panteão sumério, mas ele realmente nada fazia, e os sumérios tinham poucas, se alguma, representação dele, a despeito do fato de que os templos eram construidos em sua honra, tal como um escavado por Sir Leonard Wooley em Ur. Na mitologia canaanita, que é conhecida por nós pelos textos Ugariticos de Ras Shamra, a ‘deidade otiose’ é o grande deus El. O primário mito canaanita conhecido como o Ciclo de Baal caracteriza El como uma deidade a muto afastada dos negócios humanos, que entra em uma disputa com sua esposa quando ele é enfrentado pela promoção de um de seus filhos à posição de líder ativo do panteão. Segundo as narrativas Ugariticas e este é um ponto muito importante, o número de filhos de El era exatamente setenta. [ veja Contra os Poders Mundiais IV]. Na mitologia grega o deus céu era conhecido como Urano, e ele era reputado ter como esposa Gaia [a Terra] e ser pai de Cronos. Diferente dos sumérios e dos canaanitas, Uranos não era escrito na história grega como uma deidade ‘otiose’, ao invés, ele simplesmente foi morto por seu filho Cronos, que por sua vez foi morto por seu filho Zeus.

O breve desaparecimento de YHWH de um papel ativo nos assuntos humanos pareceu ao mundopagão como uma evidência da vitória de Enki sobre Enlil. Isto explica como o caráter de YHWH pode ser terrivelmente difamado pelos sacerdotes pagãos e escribas dos quais obtemos a nossa descrição de YHWH em sua várias formas degeneradas. No mito sumério isto parece que a identidade de YHWH foi dividida em dois aspectos. Um aspecto foi chamado Anu, que se tornou completamente inativo e colocado acima nas alturs irreconecíveis e inalcansáveis do céu, enquanto o outro aspecto era retratado como Enlil, que era o ativo oponente de Enki, e o alegado inimigo da humanidade, que jurou exterminar a humanidade porque ela havia se tornado ‘barulhenta’ demais. Na mitologia Ugaritica El é similarmente difamado e maltratado e é caracterizado como covarde, despeitado, e  conivente, a despeito do fato que ele é visto como basicamente sem poder. Não obstante a conexão de El com YHWH/El dos hebreus é muito clara. Lowell K. Handy, em seu livro ‘Among the Host of Heaven’,  mostra que os canaanitas preservavam uma memória da divisão da terra similar ao entendimento hebreu, e esta divisão foi determinada pela autoridade de El Ele escreve, “A divisão do mundo em regiões de autoridade é atribuida a El nas narrativas relatadas por Philo de Biblos. Estas regiões foram distribuidas a várias deidades para governarem sob o cuidado e consentimento de El. Tanto as regiões materiais quanto as imateriais foram alocadas por El. Até mesmo o reino dos mortos foi destinado a Mot por El”. Em conclusão, o evento da Torre de Babel, mais do que simplesmente ser uma história fascinante de como asdiferntes linguagens vieram a existir, é de fato o lugar e tempo onde o paganismo veio a existir como religião e como um sistema de controle espiritual sobre, e a escravização de, das mentes e almas da humanidade. Neste sentido,  William Bramley estava absolutamente correto em sua caraterização da opressão da humanidade nas mãos dos ‘tutores’ quando ele escreveu, ‘para manter o controle sobre sua posse e manter a Terra como algo de uma prisão, que outra civilização [os anjos caídos, os tutores] tinham enbendrado o conflito sem fim entre os seres humanos, tinham promovido a deterioração espiritual dos humanos, e tinam erigido a Terra as condições de incessante dificuldde física. Esta situação tem existido por milhares de anos e continua a existir até hoje”. Deus permitiu que os anjos caidos alcançassem uma posição de autoridade sobre a humanidade que os levou a serem venerados como ‘deuses’. Como o mais forte e inteligente destes deuses era Lucifer que emergiu como o líder do grupo, e dos sumérios ao Novo Testamento encontramos que ele é referido como “Senhor da Terra”. Ainda que Deus tivese um plano para redimir o mundo destes falsos deuses que seria trabalhado por meio de sua própria nação, que começou por escolher Abraão como descrito no Geneses 12.

A Nação de Deus

A divisão das nações do mundo nas mãos dos ‘deuses’ aconteceu por volta de 3.000 AC, dado ou tomado 100-200 anos. Por quase mil anos estes seres avançados usaram seu poder e autoridade para dominar, enganar e maniular a humanidde sem qualquer interferência aberta de YHWH, que permaneceu pela maior parte do tempo como um observador. Finalmente por volta de 2000 AC Deus chegou a uma influente família suméria da cidade de Ur, que era descendente direta de Noé através da linhagem de Shem. Esta familia havia se assentado em Haren no norte da Síria, e foi lá que Deus deu a Abraão, o patriarca da família, instruções para mudar sua família para a terra de Canaã: “Deixe seu campo, seu povo e a cas de seu pai e vá para a terra que el lhe mostrarei. Farei de você uma grande nação e o abençoarei. Farei seu nome grande e você será uma benção.  Abençoarei aqueles que lhe abençoarem e seja quem for que lhe amaldiçoe eu amaldiçoarei; e todas os povos da terra serão abençoados através de você”. (Genesis 12:1-3)  A chamada de Abraão com o proósito de criar uma grande nação para o Senhor precisa ser entendida em reação aos eventos descritos no Geneses 11 quando os ‘filhos de Deus’  dsesceram a terra para tomar posse das nações da terra. De fato, a criação da Nação de Israel foi uma resposta retardada a criação das setenta nações que eram governadas pelos ‘deuses’. Estes ‘deuses’ possuiam setenta nações enquanto o próprio Deus tomou apenas uma, mas era através desta uma que os povos da Terra foram prometidos serem ‘abençoados’. Há muitas referências pelo Velho Testamento  aos ‘deuses’ das nações pagãs, e o fato de que eles existiam nunca foi negado.  Contudo, o Deus de Israel se mostra único ao declarar ser o criador de todos os outros deuses, o criador do céu e da terra, e o verdadeiro e único regente de tudo que ele criou (Nehemiah 9:6, Isaiah 40). O status de Israel como a única possessão de Deus é explicado no Deuteronomio 32:9, “Quando o Mais Alto deu as nações sua herança, quando ele separou os filhos do homem, eleriou as fronteiras de povos segundo o número dos filhos de Deus. Porque a porção do Senhor é seu povo, Jacó é sua herança alocada”. Em Levítico 20:23-26, antes da entrada de Israel na Terra Prometida de Canaã, Deus explicou Sua atitude em relação as nações governadas pelos deuses, bem como o status especial de Israel como a única nação do Senhor. “Você não deve viver segundo os costumes das nações que irei expusar de diante de você. Porque eles fazem todas estas coisas, que me aborrecem deles. Mas eu disse a você, ‘ você possuirá a terra deles, eu as darei a você como herança, uma terra onde flui o leite e o mel”. Eu sou o Senhor seu Deus, que o tem separado das nações… Você será sagrado para mim porque Eu, o Senhor, Eu o sagrado, E eu o tenho separado das outras nações para ser meu próprio”. Comandos e caraterizações similares são dados novamente no Deuteronomio 18:9-14, “Quando você entrar na terra que o Senhor seu Deus está lhe dando, não aprenda a imitar os modos detestáveis das nações lá. Não deixe que seja encontrado entre você alguém que sacrifique seu filho ou filha no fogo, que pratique a adivinhação ou a feitiçaria, interprete presságios, se engage em feitiçaria, ou lance encantamentos, ou que seja um médium ou espiritista ou que consulte os mortos.  Qualquer um que faça estas coisas é detestável ao Senhor e por causa destas praticas detestáveis o Senhor seu Deus expulsará estas nações diante de você. Você deve estar sem culpa diante do Senhor seu Deus. As nações que você despossuirá ouvem aqueles que praticam a feitiçaria ou a adivinhação. Mas quanto a você o Senhor seu Deus não permite que faça assim.” Estas práticas detestáveis eram a própria base do sistema religioso pagão de ritual e veneração e os meios pelos quais os sacerdotes pagãos contactavam o mundo do espírito e recebiam instruções. Hoje estas práticas são conhecidas coletivamente como shamanismo, que é fazer uma ressurgência através do Movimento New Age no mundo hoje. O moderno consenso New Age é que ‘os espíritos são nossos amigos’ mas os hebreus foram avisados bem do oposto. Desde o início, os angélicos ‘filhos de Deus’ , tanto os sagrados quanto os não sagrados, eram semmpre associados com o céu e igualados com as estrelas (Job 38:4).

Dentro do paganismo muitas deidades se tornaram representadas pelo sol, lua e planetas também. Isto explica as muitas passagens do Velho Testamento nas quais os anjos são referidos coletovamente como ‘a hoste do céu’. Eles são frequentemente apresentados como os acompahantes subservientes de Deus no céu (Job 1:6), ficando do lado Dele ( Cronicas 18:18-21), e eles são frequentemente mencionados no contexto de aviso, lembrando a Israel para não venera-los como o fazem os gentios. O texto seguinte dá evidência posterior que certos membros da ‘hoste do céu’ tem sido alocados aos povos da terra: ‘E tenha cuidado de não levantar seus olhos ao céu e ver o sol e a lua e as estrelas, toda a hoste do céu, e ser afastado e venrea-los e servir a eles, aqueles que o Senhor seu Deus tem alocado todos os povos sob o inteiro céu”. (Deuteronomio 4:19) Se ele são referidos como ‘anjos’, ‘deuses’, ‘filhos de deus’, ‘hoste celestial’ ou ‘príncipes’ das várias nações  (Daniel 10:12-21), as instruções de Deus a Israel deixam claro que estes seres , embora em posição de autoridade, tem abusado de seu poder e vontade e um dia serão enfrentados com seu próprio fim. O julgamento destes angélicos poders caidos e a previsão de um fim da autoridade deles sobre as nações é dado em Salmos 82: “Deus tem tomado o seu lugar no divino conselho; no meio dos deuses ele mantém o julgamento: “Por quanto tempo você julgará injustamente e mostrará parcialmente o perverso? Dá justiça ao fraco e ao órfão; mantém o direito do aflito e do destituido. Resgate o fraco e o necessitado; livra-os as mãos do perverso’. Eles nem tem conhecimento ou entendimento, eles andam na escuridão, todas as fundações da terra estão abaladas. Eu digo, ‘vocês são deuses, filhos do Mais Alto, todosw vocês; não obstante, vocês devem morrer como homens e cair como qualquer príncipe”. Levante-se, Oh Deusm, julgue a terra porque a ti pertencem todas as nações!”.

Os Kosmokratores e o Oculto

No Novo Testamento o apóstolo Paulo deixa claro que o mundo é controlado por forçasangélicas caídas sob a autoridade de Satã, a quem ele se refere como ‘o deus deste mundo’ ( Corintios 4:4). Em sua Epístola aos Efesianos Paulo conclui sua mensagem de encorajamento com as seguintes palavras: “Finalmente seja forte no Saenhor e em seu poderoso poder. Colo1que a completa armadura de Deus de forma que você possa tomar sua posição contra os esquemas do diabo. Porque a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os governantes, contra as autoridades, contra os poders deste mundo escuro e contra s forças espirituais do mal nos reinos celestiais”  (Efesos 6:10-12). Porque os cristãos iniciais se baseavam nas tradições e perspectivas dos hebreus, foi entendido desde o início que o mundo era governado por autoridades más, poderes, e forças espirituais que se tinham rebelado contra Deus e serviam a Satã, o diabo. Paulo simplesmente explicou aos Efesianos que o esforço diário para manter e proclamar a fé estes ‘poderes”, ou  Kosmokrators (poderes mundiais) em grego, que governavam sobre a escuridão deste ‘mundo’ [ aion ou Idade] eram seus máximos inimigos. O nascimento do cristianismo trouxe a queda do paganismo como um sistema aberto de controle político e religioso sobre a humanidade. As nações se afastaram de tomar o conselho e o direcionamento dos Altos Sacerdotes  que permaneciam no pináculo das Religiões de Mitério lideradas pelo espírito e ao invés abraçaram  os Bispos e Papas da Igreja como líderes espirituais. Eventualmente as instituições, rituais, práticas e praticantes do paganismo foram forçados a irem entender para sobreviver, e eles tomaram com eles sua veneração dos  Kosmokrators bem como a fé enraizada que um dia os deuses e os espíritos que eles serviam mais uma vez tomariam seu lugar ‘por direito’ como os honrados e aceitos governantes da humanidade. Para os hebreus e para o mundo pagão o número de Kosmokrators no nível mais alto foi originalmente compreendido como setenta. Encontramos isto nas tradições hebraicas das setenta nações e setenta linguagens no mundo, e encontramos isto na tradião pagã através dos textos canaanitas de Ugarit que apresentam a divisão dos diferentes aspectos do grande deus El  do gerenciamento global por seus setenta filhos, antes que seu poder fosse usurpado por Baal. Setenta era o número original dos Kosmokrators mas com a elevação nas ciências tais como a geometria,matemática e astronomia na antiguidade helenista o número preferido dos Kosmokrators veio a ser visto como setenta e dois. Encontramos este fato evidente em dois dos mais importantes movimentos espirituais que emergiram da Alexandria, Egito ao redor do mesmo tempo que o cristianismo estava se tornando popular. Este movimentos eram o Hermeticismo, que era essencialmente uma fusão da espiritualidade pagã, a filosofia grega e a antiga tradição egípcia e o Gnosticismo, que era similar mas acrescentava aspectos distorcidos da tradição hebraica e partes e pedaços do cristianismo.

Hermeticismo

O Hermeticismo recebe seu nome de Hermes Trismegistus, uma figura legendária associada ao deus grego Hermes [simbolizado pelo planeta Mercúrio]; com o canaanita deus Tauthos, o secretário de Cronos [veja acima]; com o deus babilonio Nabu [também identificado com Mercúrio] que era filho e escriba de Marduk [Júpiter] e especialmente com o deus egípcio Thoth, o escriba de Osiris e deus do aprendizado dos egípcios. A fundação textual do Hermeticismo é uma coleção de diálogos envolvendo Hermes e seus discípulos nos quais as maiores questões metafísicas da vida são abordadas. Estes textos datam do segundo e terceiro séculos de nossa era mas ao tempo da Renascença, quando eles se tornaram famosos, eles eram acreditados datarem de muito anteriormente. As coleções modernas do Corpus Hermeticum incluem 18 textos gregos e um texto em latim conhecido como o Asclepius. E é neste Asclepius que o papel do Egito como casa primária dos deuses é ressaltado, e dentro desta descrição também aparece uma profecia do declínio do Egito e o desaparecimento dos deuses, deixando o Egito destituído e abandonado: “Você não sabe, Asclepius, que o Egito é uma imagem do céu, ou, para ser mais preciso, que tudo governado e movido no céu desce ao Egito e foi transferido lá? Se a verdade fosse dita, a nossa terra é o templo da inteira terra. E ainda que, desde que isto beneficie os sabíos de saberem todas as coisas antecipadamente, disto você não deve permanecer ignorante: um tempo virá quando parecerá que os egípcios prestam respeito a divindade com a mente fiel e dolorosa reverência – para nenhum propósito. Toda sua sagrada veneração será desapontada e perecerá sem efeito, porque a divindade retornará da terra para o céu, e o Egito será abandonado. A terra que era o assento de reverência será enviuvada pelos poderes e deixada destituída da presença deles… Então esta mais sagrada terra, assento de templos, será cheia completamente com tumbas e cadáveres. Oh Egito, Egito, de vossos deveres reverentes apenas as histórias sobreviverão, e eles serão incriveis para seus filhos”… Porque a divindade voltará para o céu e todas as pessoas morrerão, desertadas, como o Egito será enviuvado e desertados por deus e humano”.

O panteão hermático é descrito no Asclepius como sendo liderado por um grupo de cinco maiores deuses que são “hiper cósmicos” e “compreensíveis” e cada um governa sobre aspectos divinos do universo que são “cósmicos’ e “sensíveis’. Júpiter é a deidade primária correspondente a Zeus, e ele é descrito como o deus do céu, ´porque Júpiter fornece a vida pelo céu a todas as coisas”. A Luz é o segundo, que governa sobre seu aspecto divino ’sensível’, o Sol. O terceiro lá é uma deidade chamada Pantomorfos de Omniforma que governa sobre os ‘horóscopos” ou ‘trinta e seis’. Há trinta e seis deuses, também conhecidos como Decanos, assim chamados porque cada um tem autoridade sobre dez graus do círculo zodíaco.  o Quarto é a deidade Heimarmene que governa sobre os sete planetas e o quinto é o aspecto secundário de Júpiter que governa sobre o Ar, algumas vezes conhecido como Zeus Neatos.

Os doze maiores signos do zodíaco cada um inclui três dos trinta e seis Decanos Herméticos, conhecidos como “Horóscopos” e referidos como ‘estrelas’ no texto. Esta divisão do zodíaco em trinta e seis Decanos foi também dobrada para setenta e dois DuoDecanos, uma divisão que deu a cada um dos doze signos do zodíaco seis estrelas, fazendo cada uma destas estrelas Duodecanas, também conhecidas como Quinancias, o governante de cinco graus do círculo zodíacal. Disto vem uma das explicações da importância oculta do pentagrama que é uma estrela de cinco pontas. Cada uma das cinco pontas representa uma das cinco deidades ‘hiper cósmicas’, ou cinco graus do zodíaco, e cada ponta é criada por um ângulo de 72 graus, com o produto dos cinco 72 sendo 360, que completa o círculo do zodíaco.

No Egito antigo os sacrerdotes do ritos sagrados eram conhecidos como horoskopoi, e a ênfase hermética no relacionamento astrológico entre a humanidade e as estrelas que representavam os deuses Kosmocratores é explicada por Frances Yates no livro dela ‘Giordano Bruno and the Hermetic Tradition’: “Este povo estranho, os egípcios, tinham o tempo divinizado, não meramente em um sentido abstrato mas em um sentido concreto que cada momento do dia e da noite tinha seu deus que devia ser apaziguado na medida em que os momentos passavam… Eles tinham definida importância astrológica, com os Horoscopos presidindo sobre as formas de vida nascidas dentro de períodos de tempos sobre os quais eles presidiam,  e eles eram assimilados aos planetas domiciliados em seu domínio… Mas eles também eram deuses, e poderosos deuses egípcios, e este lado deles nunca foi esquecido, dando a eles uma misteriosa importância”.

O retorno destes deuses a uma posição ativa e exterior como governantes da humanidade é previsto no Asclepius, que é previsto vir depois de um longo período de declínio espiritual no Egito: “Estes deuses que governam a terra serão restaurados, e eles serão instalados em uma cidade no limiar mais distante do Egito, que será fundado na direção do sol poente e que toda espécie humana se apressará por terra e por mar”. Este texto e a localização física desta cidade divina é explicado por Garth Fowden em seu livro ‘The Egyptian Hermes’: “…  em resposta à pergunta de Asclepius sobre onde estão estes deuses no momento, Trimegistos responde ‘Em uma grande cidade, na montanhas da Líbia [no monte Libico] pelo que ele queria dizer a margem do platô deserto a oeste do Vale do Nilo. Uma referência subsequente (Ascl. 37) ao templo e a tumba de Asclepius (Imhotep) no monte Libyae estabelece que a alusão em Ascl. 27 é a antiga e sagrada necrópole de Menfis, que fica no monte deserto a oeste da própria Menfis. “As montanhas da Líbia [que também foram o lugar onde Hércules foi morto por Tifon segundo o mito grego - veja parte Tres] é simplesmente uma referência ao platô que se eleva acima do deserto na margem oeste do Nilo, a oeste da antiga cidade de Menfis. Em outras palavras, segunda a previsão hermética, quando os Kosmocratores são ‘restaurados’ eles serão ‘instalados em uma cidade’ em ou perto do platô de Gizé.

Gnosticismo

Isto nos traz agora a esta estranha seita conhecida pelos Gnósticos que, como os Herméticos, teve seu início em Alexandria, Egito. Desde o iníco deve ser declarado que os Gnósticos eram puramente pagãos e eles aceitavam as mais fundamentais doutrinas pagãs, tal como o entendimento da imortalidade adquirida através do conhecimento oculto [gnose], reencarnação, e a crença na divindade do homem. Além destas doutrinas claramente pagãs, os gnósticos tinham um entendimento muito claro das escrituras hebraicas mas a interpretação deles destas escrituras era completamente anti-semita. A base anti-semita do Gnosticismo é bastante para os mais sérios eruditos, exceto talvez para Elaine Pagels, para concluir que o Gnosticismo era ‘cristão’ apenas no nome e possivielmente nãp pode ter algo com os ensinamentos originais de Jesus de Nazaré, que permaneceu um pio observante do Torah, um judeu ortodoxo por toda sua vida. O Gnosticismo é cristão apenas no sentido que tentou utilizar a história de Jesus e a incorporar em um sistama pagão de gnose e iluminação. Em outras palavras, o Gnosticismo foi simplesmente uma tentativa de neutralizar a força completa da mensagem revolucionária de Jesus de forma que o sistema pagão pudesse sobreviver como uma força política no mundo. Esta tentativa falhou em sua maior parte mas os ensinamentos e crenças do Gnosticismo tem sobrevivido e estão fazendo um maior ressurgimento na cultuta popular hoje. O ensinamento básico do Gnosticismo é que toda a matéria é inereantemente má, o que é simbolizado pela ESCURIDÃO. O propósito da vida é portanto transcender esta escuridão ao alcançar a Luz, que pode ser obtida através do conhecimento, ou gnose, da verdadeira situação aflitiva do Homem. Os Gnósticos acreditavam que o verdadeiro e máximo Deus é o Deus da Luz, que é puramente espiritual, e não tem relacionamento com o criador de, ou tenham governado sobre, a realidade material. Para os Gnósticos o Deus da Realidade Material era o Deus de Israel. Ele era aceito como o criador e governante do universo material, mas ele era denegrido como inferior ao Deus da Luz e visto como a suprema personificação do Mal. O grande esquema da cosmologia gnóstica é explicado por  Hans Jonas em seu confiável estudo ‘The Gnostic Religion’: “O universo, o domínio de ARCHONS, é como uma vasta prisão cuja prisão mais secreta é a Terra, a cena da vida humana. Ao redor e acima dela as esferas cósmicas são arranjadas como conchas envolventes concentricas. Mais frequentemente há sete esferas de planetas cercadas por uma oitava, aquela das estrelas fixas. Havia, contudo, uma tendência de multiplicar as estruturas e fazer o esquema mais e mais extenso; Basilides contou não menos do que 365 ‘céus’. A importância religiosa desta arquitetura cósmica reside na idéia que tudo que interfere entre aqui e ali serve para separar o homem de Deus, não meramente em uma distância espacial mas através de uma força demoníaca. Assim a vastidão e a multiplicidade do sistema cósmico expressa o grau no qual o homem está separado de Deus. As esferas são os assentos dos Archons, especialmente dos ‘Sete’, isto é, os deuses planetários tomados emprestados do panteão babilonio. É importante que eles sejam agora chamados pelo nomes do Velho Testamento para Deus (Iao, Sabaoth, Adonai, Elohim, El Shaddai), que sendo sinônimos de um e supremo Deus são por transposição tornados nomes próprios de seres demoníacos inferiores – um exemplo da reavaliação pejorativa a que o Gnosticismo submeteu as antigas tradições em geral e a tradição judaica em particular.

Os Archons coletivamente governam o mundo, e cada um individualmente em sua esfera é um guardião da prisão cósnica. O governo do mundo tiranico deles é chamado HEIMARMENE, o Destino Universal, um conceito tomado da astrologia mas agora tingido com o espírito gnóstico anti-cósmico. Em seu aspecto físico este governo é a lei da natureza; em seu aspecto psíquico, que inclui por exemplo a instutuição e vigoração da Lei Mosaica, ele pretende a escravização do homem. Como guardião de sua esfera, cada Archon barra a passagem das almas que buscam ascender depois da morte, para evitar que elas escapem do mundo e retornem a Deus. Os Archons também são os criadores do mundo, exceto onde este papel é reservado ao líder deles, que então tem o nome de Demiurgo [o artífice do mundo no Timaus de Platão] e é frequentemente pintado com as feições distorcida do Deus do Velho Testamento. Os Gnósticos odiavam o Deus de Israel desde o início do livro do Geneses. Os textos gnósticos explicam que Ialdabaoth e os Archons criaram Adão e o colocaram no Jardim do Eden com o intento de engana-lo. Depois de saber desta situação o aspecto feminino do Deus da Luz, conhecido como Sophia-Prunikos, agiu para interromper os esquemas do Demiurgo ao enviar um emissário de Luz para trazer o conhecimento a Adão, permitindo que ele ficasse livre de suas amarras. Este divino emissário, segundo os Gnósticos, não era outro que a Serpente do Jardim do Eden, e subsequentes seitas gnósticas refletiram esta veneração da serpente ao se referirem a elas próprias como Ofitas [da palavra grega para serpente, Ophis] e como Naassenes (da palavra hebraica para serpente, nachash). Jonas explica que o pecado de Adão e Eva realmente significou para os Gnósticos, “é o primeiro sucesso do princípio transcendente contra o princípio do mundo, que é vitalmente interessado em evitar o conhecimento no homem como o ferém mundial interno da Luz; a ação da serpente marca o início de toda gnose sobre a Terra que assim por sua própria origem é estampada como opsta ao mundo e seu Deus, e de fato uma forma de rebelião”. Os Gnósticos tomaram a idéia de que a serpente era o verdadeiro salvador da humanidade diretamete acima da vida de Jesus de Nazaré, como o mostra o seguinte texto: “Este serpente geral é também o Verbo sábio de Eva. Este é o mistério do Eden: este é o rio que flui fo Eden. É também a marca que foi posta em Caim, cujo sacrifício o deus deste mundo não aceitou apesar de que ele aceitou o sacrifício sangrento de Abel: porque o senhor deste mundo se delicia em sangue. Esta Serpente é ele que apareceu nos ultimos dias em forma humana ao tempo de Herodes…”. Segundo o Novo Testamento, o sacrifífio de Jesus representou o triunfo do reino de Deus sobre o ’senhor deste mundo’ mas este senhor é claramente identificado como Satã em várias pasagens  (Mateus 4:8-10, Lucas 4:6-13, João 12:31, João 14:30, 2 Corintios 4:4, etc). Os Gnósticos viraram esta crença e argumentarem que “o senhor deste mundo” era realmente o deus-criador de Israel e que a vida e ensinamentos de Jesus representavam uma manifestação da Serpente contra este ‘Deus da Escuridão’. Marcion, um gnóstico altamente influente do século II baseado em Roma, também articulou um forte ódio ao Velho Testamento e aos Judeus. Jonas escreve que Marcion ensinou que por sua morte ‘Cristo desceu ao Inferno apenas para redimir Caim e Korah, Dathan e Abiram, Esau, e todas as nações que não reconhecem o Deus dos Judeus , enquanto Abel, Enoque, Noé, Abaão e asim por diante porque eles serviram ao criador e suas leis e ignoraram o verdadeiro deus, foram deixados lá embaixo”. Este glorifica~çao dos inimigos do Deus do Velho Testamento como heróis do Deus da Luz também incluiu Nimrod e a caracterização positiva de Nimrod se tornou parte da mitologia fundadora dos Maçons Livres, que examinaremos mais tarde.

É dentro do Gnosticismo que encontramos a transição do número de Kosmocratores de 72 ocorrer, trazendo tradições mais antigas em linha com os projetos Pitagoreanos e Herméticos. As seguintes seleções são retiradas dos pergaminhos de Nagg Hammadi, editados por James M. Robinson, 1990: “Então os doze poderes, que temos apenas discutido, consentiram um com o outro. Seis masculinos e seis femininos foram revelados de forma a exitir 72 poderes. Cada um deste 72 revelou cinco poderes espirituais , que juntos são 360 poderes. A união deles todos é a votade… E quando aqueles que tenho discutido apareceram, todos gerados, o pai deles, muito cedo criou 12 Aeons para acompanhantes dos Sete Anjos. E em cada Aeon havia seis céus de forma que são 72 ceus dos 72 poders que aparecem dele. E em cada céu há cinco firmamentos de forma que reunidos há 360 firmamentos dos 360 poderes que aparecem para eles”.  (Do texto Eugnostos o Abençoado) E diante de sua mansão ele criou um trono, que era enorme e estava em cima de uma carruagem de quatro faces chamada Querubim. Agora o Querubim tem oito formas para cada um de seus quatro cantos, formas de leão e formas de bezerro e formas humanas e forma de águia, de modo que todas as formas somem 64 formas – e sete arcanjos que ficam de pé diante dele; ele é o oitavo, a autoridade. Todas as formas somam 72. Sobretudo, deste carruagem 72 deuses tomam forma; eles tomam forma de forma que possam governar sobre as 72 linguagens dos povos”. [ Da Origem do Mundo]. “Tiago disse, Rabbi, há então 12 hebdomades e não sete como há nas escituras?’ E o Senhor disse, ” Tiago, ele que falou a respeito desta escritura tem um entendimento limitado. Eu, contudo, devo revelar, a você que tem vondo a ele que não há um número” Devo dar um sinal a respeito do número deles. Porque o que vem dele não tem medida, devo dar um sinal a respeito da medida deles”. Tiago disse, Rabbi, preste atenção então, tenho recebido o número deles. Há 72 medidas!” O Senhor disse,  “Há 72 ceus, que são subordinados deles. Há poderes de todo poder deles; e eles foram estabelecidos por eles; e estes são os que eles distribuem a todos os lugares, existindo sob a autoridade dos 12 Archeons” (Do  Apocalipse de Tiago)

A Cabala [Kabbalah]

Além do Gnosticismo e do Hermeticismo um outro maior componente do Oculto é a tradição mística judaica conhecida como Cabala. As origens e ensinamentos desta tradição são cobertas em profundidade na obra de Red Moon Rising “The Divine Council and the Kabbalah,” então por agora apenas examinaremos como a Cabala viu os 70 anjos Kosmocratores e como ela seguiu a tendência oculta de também numera-los como 72. Um dos mais iniciais textos cabalisticos é um documento conhecido como Bahir, que significa ‘brilhante’, que se originou no sul da França no século XII. O Bahir popularizou o conceito que o Deus de Israel possuia 72 nomes sagrados, o que é uma idéia baseada em uma passagem bíblica na qual o anjo do Senhor protege Israel em Exodus 14:19-21. Esta passagem contém três versos e cada verso é composto de exatamente 72 letras hebraicas. Os iniciais místicos judeus ficaram encantados com esta anomalia e assim vieram com a idéia que a inteira passagem é composta exatamente pelos 72 nomes de Deus, cada um exatamente com três letras. Este conceito místico tornou-se conhecido pela Idade Média como Shem ha Mephoresh, que significa basicamente “O Nome de Extensão”. O que se tornou um poderoso instrumento para os ocultistas evocarem espíritos-seres que eram assumidos serem Santos Anjos.

O Bahir também elabora sobre o conceito cabalístico do universo como ‘a árvore da vida’, conhecida como Zeir Anpin, que é composta de 10 Sephirot reunidas de um modo geométrico. O Bahir explica que as doze diagonais da árvore significam os 12 ‘Funcionários’ ou ‘Diretores’ que também estão associados com as dozes pedras eregidas por Israel em Josué 4:9. Então, por que o Exodus 28:10 menciona a gravação de seis nomes em uma pedra, os cabalistas assumiram que cada uma das dozes pedras de Josué também tinham seis nomes, daí um total de 72 nomes. O Bahir explica que “Isto nos ensina que Deus tem 12 Diretores. Cada um deles tem seis poderes. O que são eles? Eles são as 72 linguagens”.

Estes poderes são também referidos como Formas Sagradas, e uma outra porção do texto explica que ‘todas as formas supervisionam todas as nações. Mas Israel é santa, tomada da própria árvore, e seu coração. A crença cabalista que os Kosmocratores angélicos caídos eram Sagrados e existiam em harmonia com o Deus de Israel levou a algumas repercussões espirituais sérias que ainda estão sendo sentidas hoje. Alguns anos depois da publicação do Bahir apareceu uma nova e muito mais longa compilação da filosofia cabalista e teologia. Ela foi conhecida como Sefer Ha-Zohar, significando “Livro do Esplendor” e ela primeiro apareceu na Espanha perto do fim do século XIII. O Zohar, como é chamado, também contém frequentes referências aos 70 Kosmocratores ‘poderes mundiais” que são conhecidos governarem sobre as nações do mundo:  Volume 5 Vayishlach, Seção 24, verso 236: “…Venha e preste atenção, quando o Sagrado, abençoado ser Ele, criou o mundo, Ele dividiu a terra em sete regiões que correspondem aos 70 ministros indicados sobre as nações. Há o secreto do exterior – Chesed, Gvurah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod, e Malchut – cada um consistindo em de e portanto totalizando setenta. O Sagrado, abençoado seja Ele, indicou os setenta ministros sobre as setenta nações, cada uma segundo seu valor, como é escrito: “Quando o Altíssimo dividiu as nações sua herança, quando ele separou os filhos de Adão, ele estabeleceu os laços das pessoas segundo o número de filhos de Israel” (Devarim 32:8).” Volume 9 Beshalach, Seção 24, verses 315-316: “Rabbi Shimon disse: Há uma árvore grande e forte, alta e eterna, que é Zeir Anpin. Aqueles acima e aqueles abaixo são sustentados através dela… E setenta ramos, que são os setenta príncipes que são indicados sobre as nações do mundo, se elevam nela e são nutridos por ela. Do centro de suas raízes eles nutrem ao redor. E eles são os ramos que são encontrados na árvore. Quando o tempo do domínio chega para cada ramo, eles todos querem completamente destruir o tronco da árvore, que é o principal esteio dos ramos, que governa sobre Israel que são unidos por ele. E quando o domínio do tronco da árvore os alcança, que é a porção de Israel, ele quer guarda-los, e arranjar a paz entre todos eles. Para este propósito, setenta bois são oferecidos durante Sukkot para trazer a paz entre os setenta ramos da árvore, que são os setenta anjos patronos das nações do mundo”.

A importância oculta da Cabala que todos os iniciados eventualmente aprendem é que ela age como uma ponte ligando o iniciado com o mundo dos espíritos, especificamente com os anjos Kosmocratores que os textos cabalísticos blasfemamente conectam com seu duvidoso nome de Deus. Esta conexão é feita pelo Zohar incluindo a seguinte passagem: Volume 3 Vaera, Seção 20, versos 274-279: “Dez nomes são gravados pela autoridade de Deus. Os dez nomes se referem as dez Sefiroth; há dez Sefiroth… não obstante eles também acrescentam um grande número, que é uma referência aos 72 nomes. Isto pode ser explicado depois. Estas setenta cores que brilham em todas as direções derivam destes Nomes, isto ém dos 72 Nomes. E estas setenta cores foram gravadas e formadas no segredo dos 70 nomes dos Anjos, que são o segredo dos céus… Quando eles todos estão reunidos em um, em um segredo, pelo poder do Poderoso, chamado Zeir Anpin, então ele é chamado Vav-Yud-Hei-Vav-Hei, o que signiifica que todos eles estão unidos em um. E isto se refere ao Zeir Anpin e o Nukva juntos como os setenta anjos abaixo dela. A frase “de Hashem fora do céu” se refere ao Santo Nome que está gravado com os outros setenta nomes do segredo dos céus – que alude o Zeir-Anpin, que é o nome dos 72 que estão no  Mochin de Zeir-Anpin, enquanto emessência ele inclui setenta… os mais inferiores, que são os setenta julgamentos, são dependentes dos superiores, que são os setenta nomes do Zeir Anpin. Eles estão todos conectados e todos eles brilham simultaneamente. E então o Sagrado, abençoado seja Ele, aparece em sua glória… os céus tem um valor numérico de 70 e o segredo de Yud-Hei-Vav-Hei… é o segredo dos 72 nomes derivados dos três versos (Exodus 14:19-21).” As práticas da Cabala são expressamente proibidas pela Torah, como representantes do judaismo tradicional tem mantido até mesmo desde que elas vieram a luz da dia. Um dos componentes iniciais da Cabala foi o famoso judeu Hassidico do século XIII chamado Jehudah the Hasid. Em seu Livro do Devoto Jehudah deu o seguinte aviso: “Se você vir alguém fazendo profecias sobre um Messias, você deve saber que ele lida com feitiçaria e tem intercurso com demônios; ou ele é um daqueles que buscam conjurar os nomes de Deus. Agora, desde que eles conjuram os anjos e os espíritos, estes dizem a ele sobre o Messias, para tenta-lo a revelar suas especulações. E no fim ele é envergonhado porque ele evocou anjos e demônios, e ao invés o infortúnio ocorreu. Os demônios vieram e ensinaram a ele os cálculos deles  e os segredos apocalípticos para envergonha-lo e aqueles que acreditavam nele, porque ninguém sabe algo sobre a vinda do Messias. “

A história da Cabala é essencialmente uma longa cronologia do aparecimento de um falso Messias após outro. Akiba ben Joseph é visto como um dos mais importantes dos cabalistas iniciais, e os anjos que o contactaram disseram a ele o nome de Simeon bar Kochba como o Messias. A revolta de Bar Kochba de 132-135 foi um fracasso desastroso e os judeus sofreram imensamente por causa dela. Séculos mais tarde um cabalista chamado Abraham Abulafia tornou-se convencido que ele era o Messias, e ele apelou ao Papa em 1280 antes de desaparecer sem deixar um traço. Em seus próprios escritos Abulafia explicou que sua busca espiritual foi grandemente impedida por Satã e os demonios, como explica o renomado erudito Gershom Scholem, “Ao se emergir na técnica mística de seu mestre, Abulafia encontrou seu próprio caminho. Foi aos 31 anos, em Barcelona, que ele foi dominado por um espírito profético. Ele obteve o conhecimento do verdadeiro nome de Deus, e tinha visões que ele próprio, contudo, diz, em 1285, que elas eram parcialmente enviadas por demonios para confundi-lo, de forma que ele tateou como um homem cego ao meio dia por quinze anos com Satã a sua direita”. Ainda que por outro lado ele estivesse completamente convencido da verdade de seu conhecimento profético”.

Um outro maior fracasso messiânico foi a carrreira de Sabatai Levi. Exatamente antes do anos de 1666 um jovem místico cabalista beseado na Palestina chamado Nathan de Gaza se tornou convencido que ele esteva em contacto com  os ’santos’ anjos, e eles lhe disseram o nome de Sabatai Levi como o previsto Messias, o que marcou o início do movimento Sabateano que afetou mundialmente o judaismo. O papel de Nathan era o de simplesmente agir como ‘a voz’ para os anjos que falavam através dele, e Sabatai Levi foi dirigido até mesmo o ponto onde ele abjurou do judaismo como um prisioneiro na Turquia e se converteu ao Islã. A Chave de Salomão (Clavicula Salomonis)  e a Chave Menor de Salomão (Lemegeton Clavicula Salomonis) eram produtos das práticas naturais de evocação dos anjos promovidas pela Cabala. Ambos destes legendários grimórios apareceram como manuscritos completos no século XVII, mas ambos foram compostos pelos escritos anteriores que remontam a Idade Média. Um dos co-fundadores da sociedade oculta conhecida como Amanhecer Dourado [Golden Dawn] era uma Maçom Livre Rosacruciano chamado S. L. MacGregor Mathers, que foi o primeiro a imprimir e a publicar a Chave de Salomão [em 1889] tornando-a prontamente disponível ao público. Mathers a descreve como o primário texto oculto: “A pedra fonte e o armazém da Mágica Cabalista, e a origem de muito da Mágica Cerimonial nos tempos medievais, a ‘Chave” sempre tem sido valorizada pelos escritores ocultos como um trabalho da mais alta autoridade.” Dos 519 títulos esotéricos incluídos no catálogo da biblioteca do Golden Dawn, a Chave era listada comoo o número um. Até onde diga respeito aos conteúdos, a Chave incluia instruções sobre como se preparar para evocar os espíritos, incluindo os seres humanos partidos [necromancia], anjos e até mesmo demônios. O sacrifício animal e a consciência astrológica ambos são descritos como aspectos críticos desta preparação. Um dos mais bem conhecidos membros da Golden Dawn foi o mágico Aleister Crowley. Em 1904 Crowley publicou a primeira parte da obra em cinco partes das Chaves Menores de Salomão intitulada  Ars Goetia, que em latim quer dizer ‘as arte da feitiçaria”. O Goethia é o grimório para evocar setenta e dois diferentes demônios que foram alegadamente evocados, contidos e postos a trabalhar pelo Rei Salomão durante a construção do Templo de YHWH. Os demônios nomeados no texto incluem figuras tais como Baal, Astaroth, Asmodeus e Belial. Os ocultistas sempre tem imaginado o relacionamento entre os setenta e dois demônios Goethicos e os setenta e dois ‘anjos’ do Shem ha Mephoresh, e a explicação usual é que eles são ‘opostos polares’. Contudo, esta explicação apenas se sustenta para aqueles que vêem os anjos Kosmocratores da Cabala como ‘bons’ e “santos’ anjos, o que eles definitivamente não são.

Por toda sua vida Aleister Crowley foi um feiticeiro muito ambicioso e ousado e suas exlorações em lidar com o mundo do espírito tem vindo a ser legendária. Sua mais duradoura contribuição ao ocultismo moderno é conhecido como LIBER AL vel LEGIS, ou Livro da Lei. Ele era uma mensagem canalizada por meio de Crowley por uma entidade-espírito conhecida como Aiwass, um espírito que afirmava ser um memsageiro das forças ‘que governam a terra no presente’, que não são outras que os Kosmocratores anjos caídos que temos estado estudando. A própria mensagem foi verbalizada por Crowley em três dias de abril [8, 9 e 10] no Cairo, Egito, no mesmo ano da publicação de Crowley de Ars Goetia em 1904. A figura demoníaca das “forças que governam esta Terra” se tornam prontamente aparentes dentro do texto do infame livro. Contra a regra de ouro do cristianismo de ‘não faça ao próximo o que não quer que façam a você mesmo” (Lucas 6:31), o espírito egípcio de Aiwass proclamou a mensagem “Faça o que deverá ser a inteira lei”. Para isto foi acrescentado, “amoe é a lei, amor sob a vontade”, que Crowley mais tarde explicaria ao mostrar o valor numérico da palavra grega thelema, que significa ‘vontade’, é o mesmo daquele de agape, uma palavra grega para ‘amor’. Com esta lógica Crowley ensinou que a mais verdadeira expressão do amor era viver puramente segundo a própria vontade de alguém, o que é essencialmente o oposto dos ensinamentos de Jesus. O ódio demoníaco a Jesus é expressado no capítulo final do Livro da Lei no verso onde se lê,  “Com minha cabeça de falcão bico os olhos de Jesus enquanto ele está pendurado na cruz”.

Os anjos Kormocratores também são representados no sistema oculto de adivinhação conhecido como Tarot, que a eudita em Tarot Christine Payne-Towler se refere como as “cartas flash dos Mistérios”. Em um artigo localizado em  www.tarot.com ela dá uma breve história da criação do tarot, suas profundas raízes no Hermeticismo e na Cabala, e como ele emergiu durante o auge mágico da Renascença: “Na sequência da Renascença a magica de Ficino a Kircher … vemos a força que dirige o Tarot para expressão. Os antigos mistérios já estão no lugar, embora episodicamente esquecidos e relembrados comos ciclos da história. A redescoberta da estrutura óssea dos Mistérios na cúspide da revolução publicadora fez a criação das Evocações Silenciosas em cartas a forma possível para as massas”. As ‘evocações silenciosas’ do Tarot não são mais do que apelos aos espíritos que alegadamente governam todos os aspectos da vida que, como temos mostrado, estão associados ao Shem ha Mephoresh e o Zodíaco. Os mais modernos baralhos de Tarot são compostos de 78 cartas onde os anjos do Shem ha Mephoresh são ligados 2-1 com os trinta e seis arcanos menores [cartas 2-10 de cada um dos quatro naipes]. Contudo há também baralhos de Tarot de 72 cartas, como aqueles favorecidos por Eliphas Levi e o hermeticista Franz Bardon, onde cada carta é ligada a seu próprio anjo. O Tarot também é intimamente associado a curiosa cultura conhecida como Ciganos que é um nome derivado da crença medieval que os Ciganos fossem os descendentes diretos dos egípcios e herdeiros e protetores da antiga ’sabedoria’ egípcia. Franz Bardon é visto por muitos como “o maior adepto hermeticista do século XX”. Ele nasceu na Checoslováquia em 1909 e foi alegadamente possuído por um espírito de um ‘alto adepto hermético’ quando estava com 14 anos. Durante sua vida ele foi capturado e torturado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e mais tarde foi preso pelos Soviéticos até sua morte em 1958. Seus ensinamentos ocultos vivem em quatro livros que ele foi capaz de publicar durante seu período de vida. Um é uma novela baseada em suas experiências de vida e os outros três volumes compôem uma trilogia conhecida coletivamente como “Mistérios Sagrados”. O Volume I é intitulado Iniciação aos Herméticos e é basicamente uma introdução ao oculto que inclui explicações do Tarot. O Volume II é A Prática da Evocação Mágica e fornece instruções passo a passo para se comunicar como mundo do espírito. O terceiro volume de Bardon é intitulado “A Chave para a Verdadeira Cabala” e dá uma explicação detalhada do Shem ha Mephoresh, com Bardon se referindo aos seus associados anjos como ‘os setenta e dois genios de Mercúrio’. Uma introdução do Volume II explica o proposto relacionamento entre a humanidade e os anjos; Bardon fornece centenas de selos de seres espirituais positivos, anjos espíritos, inteligências, genios, principais e espíritos seres dos elementos. Estes seres tem sido os professores da humanidade desde tempos imemorais. Eles ensinam aos maduros sujeitos mágicos assuntos de A a Z , isto é,  aritmética, alquimia, astrofísica, astronomia, artes, biologia, zoologia e assim por diante. Em outras palavras, cada assunto das ciências terrenas e da leis universais. Eles também ajudam a todas profissões e todos os comércios, sejam os não eles mágicos. Desde que a Mágica e a Cabala são as mais altas ciências no universo, exigem do leitor a apropriada educação teórica e treinamento prático antes que ele possa contactar estes seres espirituais.

A caraterização dos espíritos como “professores da humanidade” remonta diretamente às crenças sumérias que viam a descida dos ‘deuses’ à Terra e suas dádivas de tecnologia e religião que se tornaram a base da civilização pagã. Os pagãos viam os ‘deuses’ como grandes e benevolentes benfeitores mas, não nos esqueçamos, os hebreus os viam como anjos caídos dos céus, que tinham descido para governar o mundo habitado por uma família humana que estava similarmente caída e necessitada de redenção. Lon Milo Duquette é um dos mais conhecidos e respeitados magos herméticos vivos hoje. Um autor prolífico e professor dos antigos mistérios, DuQuette é apresentado através da série de vídeo ‘O Egito Mágico’ produzida pelo egiptologista e místico John Anthony West. No episódio Seis DuQuette ressalta a influência egípcia sobre a Golden Dawn, o que incluia um ritual que dramatizava a ressurreição de Osiris da tumba. Duquette explica que a influência egípcia foi intensificada até mesmo muito mais através de  Aleister Crowley que “se tornou um Egiptólogo apaixonado!” A respeito do sistema mágico de Crowley, DuQuette o descreve ao dizer “era exatamente tão por atacado como tudo mais. É assustador, mas é por atacado”. DuQuette é o autor de ‘Angels, Demons, and Gods of the New Millenium’, e uma revisão do livro na revista Gnose explica como os ajos Kormocratores do Shem ha Mephoresh são a pedra fundamental do sistema de feitiçaria de Duquette: “Uma excelente apresentação de seu talento é a apresentação dele do Shem ha-Mephorash, o Nome de Deus dividido em 72 do quais uma serie de nomes de espíritos são gerados. DuQuette ferve a abundância da escrita túrgida sobre este assunto em uma poucas páginas acompanhadas por uma mapa…  Isto, combinado com a metodologia apresentada no último capítulo “Demons Are Our Friends,” fornece uma base suficiente, embora esparsa, para a feitiçaria, a prática da conjuração dos espíritos’.

Os Kosmokratores, o Egito e a Livre Maçonaria

O texto hermético conhecido como Asclepius prevê que ‘Estes deuses que governam a Terra serão restaurados e eles serão instalados em uma cidade na ponta mais extrema do Egito”. Este entendimento do papel do Egito como a terra dos deuses e a assento primário dos Antigos Mistérios permeia as sociedades secretas e ocultas tais como a Golden Dawn e a OTO de Crowley, como temos mostrado, e pode ser encontrada bem dentro das mais principais organizações esotéricas tais como os Rosacrucianos e os Maçons Livres. Como uma independente sociedade secreta os rosacrucianos remotam a publicação de três famosos manuscritos do início do século XVII na Alemanha. Desde aquele tempo lá parece ter aparecido um número de grupos que tem se referido a eles próprios como ‘rosacruzes’, todos com alegadas conexões com o grupo original. Nos Estados Unidos a ordem primária rosacruciana é a AMORC  (Ancient and Mystical Order Rosae Crucis), que foi criada em 1915 e é baseada na Califórnia. Uma de suas primárias obtenções foi o estabelecimento do “Mseu Oriental Egípcio Rosacruz” em San José em 1928. Em seu website a pergunta é feita: “O que a Ordem Rosacruz, AMORC, tem a ver com o Egito?” Segue-se a resposta: mE,ud wuwhich was created in 1915 and is based in California. Segue-se a resposta: “A mais velha conexão com o Egito é de uma natureza tradicional. Todos os Rosacrucianos a partir do século XVII entediam que a sabedoria que eles recebiam tinha que ser transmitida através dos muitos caminhos dos tempos mais iniciais da civilização humana e eram consistentes com ows ensinamentos das antogas Escolas de Mistério. A primeira menção de uma organização de tais Escolas é associado por místicos  com o reinado de Tutmosis III durante o século 15 AC. Alem disso, no século 14 AC o rei Aknaton ensinou o ideal que havia uma força divina por trás de todas as coisas, até mesmo os muitos deuses do Egito.” Assim os Rosacrucianos traçam sua tradicional conexão  com o antigo Egito porque a sabedoria e os métodos que que eles seguem são consistentes e contínuos com aqueles das Escolas de Mistério do Egito através dos Manifestos Rosacrucianos do século XVII até a moderna ordem rosacruz AMORC”.

Publicado em: on Maio 22, 2009 at 3:25 pm Comentários (1)
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Sangue Sagrado, Santo Gral

Sangue Sagrado, Santo Gral

de Michael Baigent, Richard Leigh and Henry Lincoln

- Introdução

Em 1969, em rota para um feriado de verão em Cevenes, fiz a compra casual de uma brochura. “O Tesouro Maldito” de Gerard de Sede era uma história de mistério leve, uma mistura entretetenedora de um fato histórico, mistério genuíno e conjecturas. Ele poderia ter permanecido consignado ao esquecimento pós feriado de tudo de tal leitura se eu não tivesse tropeçado em uma curiosa e evidente omissão em suas páginas. O “tesouro maldito’ do título tinha aparentemente sido encontrado na década de 1890 por um sacerdote de vila pela decifração de certos documentos crípticos desenterrados em sua igreja. Embora os propostos textos de dois desses documentos fossem reproduzidos, as “mensagens secretas’ ditas estarem codificadas dentro dele não estavam lá. A implicação era que as mensagens decifradas novamente haviam sido perdidas. E ainda que, como descobri, uma história cursória dos documentos reproduzidos no livro revele ao menos uma mensagem escondida. Certamente o autor a havia encontrado. Ao trabalhar em seu livro ele deve ter dado aos documentos muito mais que uma atenção superficial. Ele estava ligado portanto a ter encontrado o que eu havia encontrado. Sobretudo, a mensagem era exatamente o tipo de fragmento titilante de prova que ajuda a vender uma brochura popular. Porque Sede não havia publicado isso? Durante os meses seguintes a estranheza da história e a possibilidade de descobertas posteriores me dirigiu de volta a isso de tempos em tempos. O apelo era aquele de muito mais do que um enigma de palavras cruzadas geralmente intrigante que acrescentou curiosidade ao silêncio de Sede. Como eu me peguei tantalizando novas olhadas das camadas de significado enterrado dentro do texto dos documentos, comecei a desejar que eu pudesse devotar mais ao mistério de Rennes-Le-Chateaux do que meros momentos roubados de minha vida de trabalho como escritor para televisão. E então, no outono de 1970, eu apresentei a história como um possível assunto para documentário ao falecido Paul Johnstone, produtor executivo da série arqueológica e histórica da BBC chamada ‘Chronicle’.

Paul viu as possiblidade e eu fui despachado para França para falar com Sede e explorar as perspectivas de um filme curto. Durante a semana de natal de 1970 encontrei-me com Sede em Paris. Naquele primeiro encontro, fiz a pergunta que havia me intrigado por mais de um ano: “Porque você não publicou a mensagem oculta nos pergaminhos?’ Sua resposta me deixou perplexo: “Que Mensagem?”

Me pareceu inconcebível que ele estivesse inconsciente desta mensagem elementar. Porque ele estava se evadindo de mim? Repentinamente me descobri relutante em revelar exatamente o que eu havia encontrado. Continuamos em um elíptico esgrima verbal por uns poucos minutos. Então tornou-se aparente que ambos estávamos cientes da mensagem. Repeti minha pergunta: “Porque você não publicou isso?” Desta vez a resposta de Sede foi calculada. ‘Porque pensamos ser de interesse que alguém como você o descobrisse por si só”. Esta resposta, tão críptica quanto os misteriosos documentos do sacerdote, foi a primeira pista clara que o mistério de Rennes-Le-Chateaux viria a se provar muito mais do que uma simples história de um tesouro perdido. Com meu diretor, Andrew Maxwell-Hyslop, comecei a preparar o filme de Chronicle na primavera de 1971. Ele foi planejado como um simples item de vinte minutos para um programa de revista. Mas na medida em que trabalhávamos, de Sede começou a nos alimentar com posteriores fragmentos de informação. Primeiro veio o texto completo de uma maior mensagem codificada, que falava dos Pintores Poussin e Teniers. Isto era fascinante. A cifra era inacreditavelmente complexa. Nos foi dito que ela havia sido quebrada por especialistas do Departamento de Códigos do Exército Francês, usando computadores. Como eu estudei as convoluções do código, eu me tornei convencido que esta explicação era, para dizer o mínimo, suspeita. Conferi com especialistas em códigos da Inteligência Britânica. Eles concordaram comigo. A cifra não apresenta um problema válido para o computador. O código era inquebrável. Alguém, em algum lugar, deve ter a chave. E então de Sede deixou cair sua segunda bomba. Uma tumba se assemelhando aquela da famosa pintura de Poussin, ‘Os Pastores da Arcadia”,  tinha sido encontrada. Ele enviaria detalhes tão logo ele os tivesse. Alguns dias depois as fotografias chegaram, e estava claro que o nosso filme curto sobre um pequeno mistério local tinha começado a assumir inesperadas dimensões. Paul decidiu abandonar isso e nos envolveu em um filme completo e longo para Chronicle.

Agora haveria mais tempo para explorar a história. E a transmissão foi adiada para a primavera do ano seguinte. “o Tesouro Perdido de Jerusalém?” foi ao ar em fevereiro de 1972 e provocou uma reação muito forte. Eu sabia que havia encontrado um assunto de grande interesse não meramente para mim, mas para um grande público espectador. A pesquisa posterior não seria para auto-indulgência. Por abril de 1974 eu tinha uma massa de novo material e Paul designou Roy Davies para produzir meu segundo filme para Chronicle, ‘O Sacerdote, o Pintor e o Diabo”.  Novamente a reação do público provou o quanto a história tinha tomado a imaginação pública. Mas por agora ela havia crescido tão complexa, tão longe alcançando suas ramificações, havia caminhos demais diferentes a seguir em suas ramificações, que eu sabia que a pesquisa detalhada estava rapidamente excedendo as capacidadades de uma só pessoa. Quanto mais eu seguia uma linha de investigação, mas eu me tornava consciente da massa de material que estava sendo negligenciada. Esta era uma conjuntura amedrontadora que o acaso, que primeiramente havia lançado a história tão casualmente em meu colo, agora fazia certo que o trabalho não se tornaria atrasado.

Em 1975, em uma escola de verão onde ambos palestrávamos sobre aspectos da literatura, eu tive a boa sorte de me encontrar com Richard Leigh. Richard é um novelista e escritor de histórias curtas graduado e com pós graduação em Literatura Comparativa e um profundo conhecimento de história, filosofia, psicologia e esotérico. Ele tinha estado trabalhando por alguns anos como palestrante na universidade nos Estados Unidos, Canadá e Bretanha.  Entre nossas conversas na escola de verão passamos muitas horas discutindo assuntos de interesse mútuo. Mencionei os Cavaleiros Templários, que assumiram um importante papel no fundo do mistério de Rennes-Le-Chateau. Para minha delícia, descobri que esta Ordem sombria de monges medievais guerreiros já havia despertado o profundo interesse de Richard e ele havia feito uma pesquisa considerável da história deles. Em uma tacada, meses de trabalho que eu tinha visto estendendo-se adiante de mim se tornaram desnecessários. Richard podia responder a maioria das minhas questões, e estava tão intrigado quanto eu por algumas anomalias aparentes que eu havia desenterrado. Mais importantemente, ele também sentiu a importância do inteiro projeto de pesquisa no qual eu havia embarcado. Ele se ofereceu para me ajudar com o aspecto envolvendo os Templários. E ele trouxe Michael Baigent, um graduado em psicologia que recentemente havia abandonado uma carreira bem sucedida em foto-jornalismo para devotar seu tempo a pesquisar os Templários para um projeto de filme que ele tinha em mente. Tivesse eu buscado por eles, não poderia ter encontrado dois parceiros mais qualificados e mais análogos com os quais formar uma equipe. Depois de anos de trabalho solitário, o impeto trazido ao projeto por dois cérebros frescos era revigorante. O primeiro resultado tangível de nossa colaboração foi o terceiro filme de Chronicle sobre Rennes-Le-Chateau, ‘A Sombra dos Templários” que foi produzido por Roy Davies em 1979. O trabalho que fizemos sobre aquele filme por último nos deixou face a face  com as fundações subjacentes sob as quais o inteiro mistério de Rennes-Le-Chateau tinha sido construido. Mas o filme podia apenas dar pistas para o que estávamos começando a discernir. Sob a superfície estava algo mais surpreendente, mais importante e mais imediatamente relevante do que nós podiamos acreditar possível quando começamos nosso trabalho sobre o ‘intrigante pequeno mistério” de o que um sacerdote francês pode ter encontrado em uma vila da montanha. Em 1972 eu encerrei meu primeiro filme com as palavras “Algo extraordinário está esperando para ser encontrado… e em um futuro não distante demais, ele será”. Este livro explica o que este algo é e o quão extraordinária a descoberta tem sido.

Um o Mistério – A Vila de Mistério

No início de nossa pesquisa não sabiamos precisamente o que estávamos procurando ou, por esta matéria, para o que estávamos olhando. Não tinhamos teorias e nem hipóteses e não haviamos estabelecido provar nada. Ao contrário, estavamos simplesmente tentando encontrar uma explicação para um curioso enigma do século XIX. As conclusões a que eventualmente chegamos não foram postuladas previamente. Fomos levados a elas, passo a passo, como se a evidência que nós acumulávamos tivesse uma mente própria, e estivesse nos dirigindo por seu próprio acordo. Acreditávamos no início de nossa pesquisa que estávamos lidando com um mistério estritamente local, um intrigante mistério certamente, mas um mistério essencialmente de menor importância, confinado a uma vila no sul da França. Acreditávamos de início que o mistério, embora ele envolvesse muitas trilhas históricas fascinantes, era primariamente de interesse academico. Acreditávamos que a nossa investigação pudesse ajudar a iluminar certos aspectos da história ocidental, mas nunca sonhamos que isso pudesse deixar como herança reescreve-la. Ainda menos sonhamos que seja o que for que descobríssemos pudesse ser de real importância contemporânea em si. Nossa busca começou  – porque ela foi de fato uma busca, com uma história mais ou menos direta. Ao primeiro olhar esta história não era marcantemente diferente de inúmeras outras “histórias de tesouro” ou “mistérios não resolvidos” que abundam na história e no folclore de quase toda região rural. Uma versão disso havia sido publicada na França, onde ela atraiu considerável interesse mas não foi ao nosso conhecimento naquele tempo concordado qualquer consequência exagerada. Como aprendemos subsequentemente, havia um número de erros nesta versão. Pelo momento, contudo, devemos recontar a história como ela foi publicada durante a década de 1960, e como primeiramente viemos a conhece-la.

Rennes-le-Chateau e Berenger Sauniere

Em 1o. de julho de 1885 a pequenina vila francesa de Rennes-le-Chateau recebeu um novo sacerdote paroquial. O nome do cura era Berenger Sauniere. Ele era um homem robusto, de feições agradáveis, enérgico e, como pareceria, altamente inteligente de 33 anos. Em uma escola de seminário não muito antes ele parecia destinado a uma promissora carreira clerical. Certamente ele parecia destinado a algo mais importante do que uma vila remota na região montanhosa oriental dos Pirineus. Ainda que em algum ponto ele pareça haver incorrido no desprazer de seus superiores. O que precisamente ele fez, se algo, permanece não esclarecido, mas logo isto reduziu todas as perspectivas de avanço. E era talvez para se livrarem dele que os seus superiores o enviaram a paróquia de Rennes-le-Chateau. Naquele tempo Rennes-le-Chateau abrigava apenas duzentas pessoas. Era um pequenino vilarejo encrustado em um escarpado topo de montanha, aproximadamente a 25 milhas de Carcassonne. Para um outro homem, o lugar poderia ter constituido um exílio e uma sentença perpétua em um remoto local atrasado provinciano, muito longe das amenidades civilizadas da idade, longe de qualquer estímulo para uma mente ávida e inquisitiva. Sem dúvida esta foi a explosão da ambição de Sauniere. Não obstante, havia certas compensações. Sauniere era um nativo da região, tendo nascido e crescido a apenas umas poucas milhas de distância, na vila de  Montazels. Fossem quais fossem suas deficiências, portanto, Rennes-le-Chateau pode ter sido muito como um lar, com todos os confortos da familiriadade da infância. Entre 1885 e 1891 a renda média de Saunier, em francos, era o equivalente a seis libras esterlinas por ano – dificilmente seria a opulência, mas muito mais do que seria de se esperar de um cura rural na França do século XIX. Junto com as gratuidades fornecidas pelos seus paroquianos, isto parece ter sido suficiente para sobrevivência, se não para qualquer extravagância. Durante estes seis anos Sauniere parecia ter levado uma vida bastante agradável e plácida. Ele caçava e pescava nas montanhas e riachos de sua infância. Ele lia vorazmente, aperfeiçoou seu latim, aprendeu grego, embarcou no estudo do hebraico. Ele empregou uma governanta e servente, uma camponesa de 18 anos chamada Marie Denarnaud, que foi sua companheira e confidente por toda vida.

Ele fazia visitas frequentes a seu amigo, o Abade Henri Boudet, o cura da vila vizinha de Rennes-le-Bains. E sob a tutela de Boudet ele imergiu na turbulenta história da região, uma história cujos residuos estavam constantemente ao redor dele. A umas poucas milhas a sudeste de Rennes-le-Chateau, por exemplo, corre um outro pico, chamado Bezu, coberto pelas ruínas de um forte medieval, que uma vez foi o preceptório dos Cavaleiros Templários. Em um terceiro pico, a aproximadamente uma milha a leste de Rennes-le-Chateau, ficam as ruínas do castelo de Blanchefort, casa ancestral de Bertrand de  Blanchefort, quarto grão mestre dos Cavaleiros Templários, que presidiu sobre a famosa ordem em meados do século XII. Rennes-le-Chateau e seus ambientes tem estado na antiga rota de romaria, que corria do Norte da Europa para Santiago de Compostela na Espanha. E a inteira região era impregnada de histórias evocativas, em eco de um passado rico, dramático e banhado em sangue. Por algum tempo Sauniere havia querido restaurar a igreja da vila de Rennes-le-Chateau. Consagrada a Madalena em 1059, este edifício dilapidado permanecia em pé sobre as fundações de uma imóvel estrutura visigoda mais antiga datando do século VI. Mas pelo final do século XIX, ela estava, não surpreendentemente, em um estado quase que de desespero absoluto. Em 1891, encorajado por seu amigo Boudet, Sauniere embarcou em uma modesta restauração, tomando emprestado uma pequena soma dos fundos da vila. No curso de suas atitudes ele removeu a pedra do altar, que repousava sobre duas arcaicas colunas visigodas. Uma destas colunas provou-se ser oca. Dentro dela, o cura encontrou quatro pergaminhos preservados em lacrados tubos de madeira. Dois destes pergaminhos são ditos terem compreendido genealogias, um datando de 1244 e o outro de 1644. Os dois documentos remasnescentes tinham aparentemente sido compostos nos anos de 1780 por um dos predecessores de Sauniere como cura de Rennes-le-Chateau, o Abade Antoine Bigou. Bigou tabém havia sido o capelão da nobre família Blanchefort que, na véspera da Revolução Francesa, ainda estava entre os proeminentes proprietários locais de terra. Os dois pergaminhos do tempo de Bigou pareceriam ser pios textos em latim, trechos do Novo Testamento. Ao menos ostensivamente. Mas em um dos pergaminhos as palavras correm incorretamente juntas, sem espaço entre elas, e um numero de letras completamente supérfluas tem sido inseridas. E no segundo pergaminho as linhas são indiscriminadamente truncadas de forma irregular, algumas vezes no meio de uma palavra enquanto certas letras estão conspicuamente elevadas acima de outras. Na realidade estes pergaminhos compreendem uma sequencia engenhosa de cifras ou códigos. Algumas delas são fantasticamente complexas e imprevisiveis, desafiando até mesmo o computador, e insolúveis sem a chave necessária.

A seguinte decifração tem aparecido nos trabalhos franceses devotados a Rennes-le-Chateau e em dois de nossos filmes sobre o assunto feitos pela BBC.

BERG ERE PAS DE TENTATION QUE POUSSIN TENIERS GAR DENT LA CLEF PAX DCLXXXI PAR LA CROIX ET CE CHEVAL DE DIEU J’ACHEVE CE DAEMON DE GARDIEN A MIDI POM MES BLEUES

(Pastores, sem tentação, que Poussin e Teniers tem a chave; paz 681. Pela cruz e este cavalo de Deus, completo ou destruo este demônio do guardião ao meio dia. Maçãs azuis)

Mas se algumas das cifras são amedrontadoras em sua complexidade, outras são patentemente, até mesmo flagrantemente, óbvias. No segundo pergaminho, por exemplo, as letras elevadas, tomadas em sequência, soletram uma mensagem coerente.

A DAGO BERT II ROI ET A SION EST CE TRES OR ET IL EST LA MORT.

(A Dagoberto II rei e ao Sião pertencem este tesouro e ele está lá morto)

Embora esta mensagem em particular deva ter sido discernível a Sauniere, é duvidoso que ele possa ter decifrado os códigos mais intrincados. Não obstante, ele entendeu que ele tinha tropeçado em algo de consequência e, com o consentimento do prefeito da vila, levou sua descoberta ao seu superior, o Bispo de Carcassone. Quanto o Bispo entendeu não está claro, mas Sauniere foi imediatamente despachado para Paris às expensas do bispo com instruções para se apresentar e aos pergaminhos a certas autoridades eclesiásticas importantes. Principal entre elas estava o Abade Biel, Diretor Geral do Seminário de São Suspílcio, e ao sobrinho de Biel, Emile Hoffet. Naquele tempo Hoffet estava em treinamento para o sacerdócio. Embora ainda no início dos vinte e poucos anos ela já havia estabelecido uma importante reputação pela erudição, especialmente em linguística, criptografia e paleografia. A despeito de sua vocação pastoral, ele era conhecido por estar imerso no pensamento esotérico, e mantinha relações cordiais com vários grupos de orientação oculta, seitas e sociedades secretas que abundavam na capital francesa. Isto o havia posto em contacto com um ilustre círculo cultural, que incluia tais figuras literárias como Stephane Mallarme e Maurice Maeterlinck, bem como o compositor Claude Debussy. Ele também conhecia Emma Calve, que, ao tempo do aparecimento de Sauniere, tinha acabado de voltar de suas performances triunfais em Londres e Windsor. Como uma diva, Emma Calve era a Maria Callas do tempo dela. Ao mesmo tempo, ela era uma alta sacerdotisa da sub-cultura esotérica parisiense e mantinha inúmeras relações amorosas com um número de ocultistas influentes.

Tendo se apresentado a Biel e Hoffet, Sauniere passou três semanas em Paris. O que transpirou durante seus encontros com os eclesiásticos é desconhecido. O que é sabido é que o sacerdote provinciano do interior foi prontamente e calorosamente benvindo no círculo distinto de Hoffet. Tem sido até mesmo avaliado que ele tenha se tornado amante de Emma Calve. Fofocas contemporaneas falam de um caso entre eles, e um conhecido da cantora a descreveu como estando obsecada pelo cura. Em qualquer caso não há dúvida de que eles desfrutaram de uma íntima amizade duradoura. Nos anos que se seguiram ela o visitou frequentemente nas vizinhanças de Rennes-le-Chateau, onde, até recentemente, pode-se ainda encontrar corações românticos gravados nas rochas de dentro da montanha, tendo as iniciais deles. Durante sua estada em Paris, Sauniere também passou algum tempo no Louvre. Isto bem pode estar ligado ao fato de que, antes de sua partida, ele comprou reproduções de três pinturas. Uma parece ter sido um retrato, de um artista não identificado, do Papa Celestino V, que reinou brevemente no fim do século XIII. Uma era um trabalho de David Teniers, embora não esteja claro se do pai ou do filho. O terceiro foi talvez a mais famosa pintura de Nicolas Poussin, “Les Bergers d’Arcadie’ – “Os Pastores da Arcadia”. Em sua volta a Rennes-le-Chateuax, Sauniere reassumiu a restauração da igreja da vila. No processo ele exumou um curioso ladrilho encravado, datando do século VII ou VIII, que pode ter tido uma cripta sob ele, uma câmara funerária na qual esqueletos são ditos terem sido encontrados. Sauniere também embarcou em projetos de uma natureza muito mais singular. No pátio da igreja, por exemplo, ficava a sepultura de Marie, Marquesa de d’Hautpoul de Blanchefort. A pedra capital e a placa marcando a tumba dela havia sido desenhada e instalada pelo Abade Antoine Bigou – o predecessor de Sauniere cem anos antes, que aparentemente compôs os dois pergamihos misteriosos. E a inscrição da pedra capital que incluiu um número deliberado de erros no espaçamento e na soletração era um anagrama perfeito para a mensagem oculta nos pergaminhos que se referiam a Poussin e Teniers.

Se alguém rearranja as letras, elas formarão a declaração críptica citada acima aludindo a Poussin e a Sião e os erros parecem ter sido destinados precisamente a fazer isso. Sem saber que as inscrições da tumba da marquesa já haviam sido copiadas, Sauniere as obliterou. Nem foi esta profanação o único comportamento curioso que ele exibiu. Acompanhado por sua fiel governanta, ele começou a fazer longas jornadas a pé no interior, coletando rochas de nenhum valor ou interesse aparente. Ele também embarcou em uma volumosa troca de cartas com correspondentes desconhecidos pela França, bem como na Alemanha, Suíça, Itália, Áustria e Espanha. Ele passou a colecionar montes de selos postais absolutamente inúteis. E ele abriu certas transações sombrias com vários bancos. Um deles até mesmo dispachou um representante de Paris, que viajou todo caminho até Rennes-Le-Chateau com um único propósito de administrar o negócio de Sauniere. Apenas em postagem Sauniere já estava gastando uma soma substancial; mais do que sua renda anual anterior poderia manter. Então, em 1896 ele passou a gastar a vontade, em uma escala surpreendente e sem precedentes. Pelo fim de sua vida em 1917 seu gasto somaria o equivalente a vários milhões de libras ao menos. Alguma desta riqueza inexplicável era devotada a louváveis trabalhos públicos e uma estrada moderna foi construida levando a vila, por exemplo, e instalações para água corrente foram fornecidas. Outros gastos foram mais quixotescos. Uma torre foi construida, a Tour Magdala, tendo a vista panorâmica da chamada Villa Bethania, que o próprio Sauniere nunca ocupou.

E a Igreja não foi apenas redecorada, mas redecorada de um modo mais bizarro. Uma inscrição em latim foi gravada no portal acima da entrada: TERRIBILIS EST LOCUS ISTE (Este lugar é terrível). Imediatamente dentro da entrada uma abominável estátua foi erigida, uma representação inquietante do demônio Asmodeus -  guarda de segredos, guardião dos tesouros ocultos e, segundo a antiga história judaica, construtor do Templo de Salomão. Nas paredes da igreja, placas pintadas lúridas e gritantes foram instaladas apresentando as Estações da Cruz e cada uma foi caracterizada por alguma estranha inconsistência, algum detalhe acrescentado inexplicável, algum desvio flagrante e sutil da aceita narrativa escritural. Na Estação VIII, por exemplo, há uma criança envolvida em xadrez escocês. Na Estação XIV, que apresenta o corpo de Jesus sendo carregado para dentro da tumba, há um fundo de um escuro céu noturno dominado por uma lua cheia. É quase como se Sauniere estivesse tentando revelar algo.  Mas o que? O enterro de Jesus ocorreu depois do cair da noite, várias horas mais tarde do que a Bíblia nos conta? Ou que o corpo estava sendo carregado para fora da tumba, não para dentro dela? Enquanto engajado neste curioso adorno, Sauniere continuou a gastar extravagantemente. Ele colecionou porcelana rara, tecidos preciosos, mármores antigos. Ele criou um laranjal e um jardim zoológico. Ele reuniu uma magnífica biblioteca. Pouco antes de sua morte, ele estava planejando construir uma estrutura maciça como Torre de Babel alinhada com livros, da qual ele pretendia pregar. Nem foram seus paroquianos negligenciados. Sauniere os regalou com suntuosos banquetes e outras formas de fartura, mantendo um estilo de vida de um potentado medieval presidindo sobre um inexpugnável domínio na montanha. Neste retiro remoto e bem inacessível ele recebeu um número de hóspedes notáveis. Um, com certeza, foi Emma Calve. Outro foi o Secretário de Estado francês para a Cultura. Mas talvez o mais augusto e importante visitante deste sacerdote paroquial desconhecido tenha sido o Arquiduque Johann von Habsburg, um primo de Franz-Josef, Imperador da Áustria. Declarações bancárias subsequentemente revelaram que Sauniere e o arquiduque tinham aberto contas consecutivas no mesmo dia e mais tarde o arquiduque fez um depósito substancial para o primeiro.

As autoridades eclesiásticas de inicio fizeram vista grossa. Quanto o antigo superior de Sauniere em Carcassone morreu, contudo, o novo bispo tentou chamar o sacerdote a prestar contas. Sauniere respondeu com um desafio surpreendente e acalorado. Ele se recusou a explicar sua riqueza. Ele se recusou a aceitar a transferência que o bispo ordenou. Faltando uma acusação mais substancial, o bispo o acusou de simonia [venda ilegal de missas] e um tribunal local o suspendeu. Sauniere apelou ao Vaticano que o reinstalou. Em 17 de janeiro de 1917, Sauniere, então com 65 anos, sofreu um súbito ataque cardíaco. A data de 17 de janeiro talvez seja suspeita. A mesma data aparece na tumba da Marquesa de d’Hautpoul de Blanchefort – a pedra tumular que Sauniere havia erradicado. E 17 de janeiro também é a festa de São Suspilcio, quem, como fomos descobrir, figurou em nossa história. Foi no Seminário de São Suspílcio que ele confiou seus pergaminhos ao Abade Biel e a Emile Hoffet. Mas o que torna o ataque cardíaco de Sauniere mais suspeito em 17 de janeiro é o fato de que cinco dias antes, em 12 de janeiro, seus paroquianos declararam que ele parecia estar em um saúde invejável para um homem de sua idade. Ainda que em 12 de janeiro, segundo um recibo em nossa posse, Marie Denarnaud tivesse encomendado um caixão para seu senhor. Com Sauniere deitado em seu leito de morte, um sacerdote foi chamado da paróquia vizinha para ouvir sua confissão final e administrar os últimos sacramentos. O sacerdote devidadmente chegou e se retirou para o quarto do doente. Segundo o testemunho de testemunha ocular, ele saiu logo depois visivelmente abalado. Nas palavras da narrativa de uma pessoa, ‘ele nunca sorriu novamente”. Nas palavras de outra pessoa, ele entrou em uma profunda depressão aguda que durou por vários meses. Se estas narrativs são ou não exageradas, o sacerdote, presumidamente com base na confissão de Sauniere, se recusou a dar a extrema unção. Em 22 de janeiro Sauniere morreu. Na manhã seguinte seu corpo foi sentado ereto em uma poltrona no terraço da Tour Magdala vestido um robe ornado adornado com franjas escarlate. Um a um, certos lamentadores não identificados passaram, muitos deles tocando as franjas da vestimenta do homem morto. Nunca houve uma explicação para esta cerimonia. Os residentes atuais de Rennes-le-Chateaux estão surpresos como todo mundo mais.

A leitura do testamento de Sauniere foi aguardada com grande expectativa. Para surpresa e desgosto de todo mundo, contudo, ele foi declarado sem um só tostão. Em algum ponto antes de sua morte ele tinha aparentemente transferido toda sua riqueza a Marie Denarnaud, que partilhou de sua vida e segredos por 32 anos. Depois da morte dele, Marie continuou a viver uma vida confortável em Villa Bethania até 1946. Depois da segunda guerra mundial, contudo, o novo governo francês instalado emitiu uma nova moeda. Como meio de apreender os evasores de impostos e os lucradores colaboradores do tempo de guerra, os cidadãos franceses quando trocavam os velhos francos por novos, eram obrigados a responder por seus rendimentos.

Confrontada pela perspectiva de uma explicação, Marie escolheu a pobreza. Ela foi vista no jardim da Villa, enterrando grandes maços  de velhas notas de francos. Por sete anos Marie viveu austeramente, se sustentando do dinheiro obtido da venda de Villa Bethania. Ela prometeu ao comprador, Monsieur Noel Corbu, que ela confiaria a ele, antes da morte dela, um segredo que o faria não apenas rico mas também poderoso. Em 29 de janeiro de 1953, contudo, Marie, como seu senhor antes dela, sofreu um súbito e inesperado derrame que a deixou prostrada em seu leito de morte, incapaz de falar. Para intensa frustração de Corbu, ela morreu pouco depois, levando com ela o segredo. ‘Os possíveis Segredos disso” , em suas linhas gerais, foi a história publicada na França nos anos de 1960. Esta foi a forma na qual nós a primeiro a conhecemos. E foram as perguntas levantadas pela história nesta forma que nós, como outros pesquisadores do assunto, nos dirigimos.

A primeira pergunta é muito óbvia. Qual foi a fonte do dinheiro de Sauniere? De onde veio sua fabulosa riqueza? A explicação podia ser banal? Ou havia algo muito mais excitante envolvido? A última possibilidade partilhou de uma quantidade tantalizante de mistério, e não pudemos resistir ao impulso de participarmos como detetives. Começamos a considerar as explicações fornecidas por outros pesquisadores. Segundo muitos deles, Sauniere de fato havia encontrado um tesouro de algum tipo. Esta era uma assunção bastante plausível, porque a história da vila e de suas cercanias inclue muitas possíveis fontes de ouro ou jóias ocultas. Em tempos pré-históricos, por exemplo, a área ao redor de Rennes-le-Chateau foi vista como um sitio sagrado para as tribos celtas que viveram lá; e a própria vila, uma vez chamada Rhedae, derivou seu nome de uma dessas tribos. Em tempos romanos, a área foi uma grande e florescente comunidade, importante por suas minas e águas quentes terapêuticas. E também para os romanos o sítio era visto como sagrado. Mais tarde pesquisadores tem encontrado traços de vários templos pagãos. Durante o século VI, a pequena vila no topo da montanha era supostamente um centro com 30.000 habitantes. A um ponto, parece ter sido a capital do norte do império governado pelos Visigodos, o povo teutônico que varreu a oeste da Europa Central, saqueou Roma, derrubou o Império Romano e estabeleceu seu próprio domínio espalhando-se nos Pirineus. Por outros quinhentos anos a cidade permaneceu o assento de um importante condado, para o Conde de Razes. Então, no início do século XIII, um exército de cavaleiros nortistas desceu sobre Languedoc para expulsar a heresia Cátara ou Albigense e reclamar os ricos espólios da região para eles próprios. Durante as atrocidades da chamada Cruzada Albigense, Rennes-le-Chateau foi capturada e transferida de mão em mão como um feudo. 125 anos depois, nos anos de 1360, a população local foi dizimada pela praga, e pouco depois Rennes-le-Chateau foi destruída por bandidos catalãos. Histórias de um tesouro fantástico estão interligadas com muitas destas vicissitudes históricas.

Os hereges Cátaros, por exemplo, eram reputados possuirem algo de valor fabuloso e até mesmo sagrado que, segundo um número de histórias, era o Santo Gral. Estas histórias relatadamente impulsionaram Richard Wagner a fazer uma romaria a Rennes-le-Chateau antes de compor sua última ópera, Parsifal; e durante a ocupação de 1940-45 pelas tropas alemãs, a seguir o despertar de Wagner, elas são ditas terem realizado um número de escavações infrutiferas nas vizinhanças. Havia também o tesouro desaparecido dos Cavaleiros Templários, cujo Grão Mestre, Bertrand de Blanchefort, comissionou certas escavações misteriosas nas vizinhanças. Segundo todas estas narrativas, estas escavações eram marcantemente de natureza clandestina, realizadas principalmente por um contingente especialmente importado de mineiros. Se algum tesouro dos Cavaleiros Templários esteve de fato oculto ao redor de Rennes-le-Chateau, isto pode explicar a referência a Sião nos pergaminhos descobertos por Sauniere. Havia também outros possíveis tesouros. Entre a quinta e sexta dinastia, que incluiu o Rei Dagoberto II, Rennes-le-Chateau, nos tempos de Dagoberto, era um bastião Visigodo e o próprio Dagoberto era casado com uma princesa Visigoda. O centro pode ter constituído um tipo de tesouro real; e há documentos que falam da grande riqueza reunida por Dagoberto por conquistas militares e escondida nas vizinhanças de Rennes-le-Chateau. Se Sauniere descobriu algum destes depósitos, isto explicaria a referência nos códigos a Dagoberto. Os Cátaros. Os Templários. Dagoberto II. E ainda que haja um outro possível tesouro do vasto botim acumulado pelos Visigodos durante seu avanço tempestuoso pela Europa. Isto pode ter incluido mais do que um botim tradicional, possivelmente itens de imensa relevancia tanto simbólica quanto literal para a tradição religiosa ocidental. Ele pode, em resumo, ter incluido o legendário tesouro do Templo de Jerusalém, que, até mesmo mais do que os Cavaleiros Templários, garantiria a referência ao Sião.

Em 66 a Palestina elevou-se em revolta contra o domínio romano. Quatro anos depois, em 70, Jerusalém foi arrasada por legiões do imperador, sob o comando se seu filho, Tito. O próprio templo foi saqueado e seus conteúdos do Santo dos Santos levados para Roma. Como eles são apresentados no arco triunfal de Tito, eles incluem o imenso candelabro de ouro de sete braços tão sagrado para o Judaismo, e possivelmente até mesmo a Arca da Aliança. 350 anos depois, em 410, Roma por sua vez foi saqueada pelos Visigodos invasores, sob Alarico o Grande, que pilhou virtualmente a inteira riqueza da Cidade Eterna. Como nos conta o historiador Procópio, Alarico tomou os tesouros de Salomão, o Rei dos Judeus, uma coisa digna de ser vista, a qual eles adornaram em sua maior parte com esmeraldas e que nos velhos tempos haviam sido tomados de Jerusalém pelos Romanos.

O tesouro, então, bem pode ter sido a fonte da riqueza não explicada de Sauniere. O sacerdote pode ter descoberto vários tesouros, ou ele pode haver decoberto um único tesouro que repetidamente mudou de mãos através dos séculos e que talvez tenha passado do Templo de Jerusalém aos Romanos, aos Visigodos, eventualmente aos Cátaros e/ou Cavaleiros Templários. Se assim o foi, isto explicaria a questão do tesouro, pertencendo tanto a Dagoberto II quanto ao Sião. Então muito longe nossa história de assemelha a uma história de tesouro. E a história do tesouro até mesmo envolvendo o tesouro do Templo de Jerusalém é totalmente de relevância e importância limitada. As pessoas estão constantemente descobrindo tesouros de um tipo ou outro. Tais descobertas são frequentemente excitantes, dramáticas e misteriosas, e muitas delas lançam uma importante iluminação sobre o passado. Poucas delas, contudo, exercem qualquer influência direta, política ou outra, ou apresentam a menos, de fato, o tesouro em questão incluir um segredo de algum tipo, e possivelmente se trate de um segredo explosivo.  Não descartamos o argumento que Sauniere descobriu um tesouro. Ao mesmo tempo nos parece claro que, seja o que for que ele tenha descoberto, ele também descobriu um segredo secreto e histórico de enorme importância para seu próprio tempo e talvez de nosso próprio também. Mero dinheiro, ouro ou jóias não explicariam, eles mesmos, um número de facetas na história dele. Eles não responderiam por sua apresentação no círculo de Hoffet, por exemplo, ou sua associação com Debussy e sua ligação com Emma Calve. Eles não explicariam o intenso interesse da Igreja no assunto, a impunidade com a qual Sauniere desafiou seu bispo ou sua subsequente recuperação pelo Vaticano, que pareceu ter apresentado uma urgente preocupação toda sua. Eles não explicariam a recusa do sacerdote em administrar os últimos sacramentos ao homem moribundo, ou a visita do arquiduque de Hapsburg a uma vila remota nos Pirineus.

O arquiduque Habsburg em questão tem desde então sido revelado como Johann Salvator von Habsburg, conhecido pelo pseudônimo de Jean Orth. Ele renunciou a todos os seus direitos e títulos em 1889 e dentro de dois meses havia sido banido de todos os territórios do Império. Foi pouco depois que ele primeiramente apareceu em  Rennes le Chateau. Dito oficialmente ter morrido em 1890, mas de fato morreu na Argentina em 1910 ou 1911. Veja Les Maisons Souveraines de L’Autriche do Dr. Dugast ROulIIe, Paris, 1967, pagina 191. Nem dinheiro, ouro, jóias explicariam a poderosa aura de mistificação que cerca o caso inteiro, desde as elaboradas cifras até Marie Denarnaud enterrando sua herança em notas de dinheiro. E a própria Marie havia prometido divulgar o segredo que conferia não meramente a riqueza, mas o poder também. Nestas bases, ficamos crescentemente convencidos que a história de Sauniere envolvia mais do riquezas, e que ela envolvia um segredo de algum tipo, um que quase certamente era controvertido. Em outras palavras, nos pareceu que o mistério não estava confinado a remota vila de interior e ao sacerdote do século XIX. Seja o que for que isso fosse, parecia se irradiar de Rennes-le-Chateau e produzir ondas talvez até mesmo uma potencial onda de maré no mundo além. Poderia a riqueza de Sauniere ter vindo não de algo de valor financeiro intrínseco, mas do conhecimento de algum tipo? Se assim foi, poderia este conhecimento ter se transformado em uma conta fiscal? Poderia, por exemplo, ter sido usado para chantagear alguém? Seria a riqueza de Sauniere seu pagamento pelo silêncio? Sabemos que ele recebeu dinheiro de Johann von Habsburg. E ao mesmo tempo, contudo, seja qual for o segredo do sacerdote, parecia ser de natureza mais religiosa do que política. Sobretudo, suas relações com o arquiduque austríaco, segundo todas as narrativas, eram notavelmente cordiais. Mais tarde em sua carreira, parece ter estado distintamente com medo dele, e o ter tratado com as luvas de seda do Vaticano. Poderia Sauniere ter chantageado o Vaticano? Garantidamente uma tal chantagem seria uma tarefa presunçosa e perigosa para um homem, contudo exaustivo em suas precauções. Mas que tal se ele fosse ajudado e apoiado em seu empreendimento por outros, cuja eminência garantia que eles fossem invioláveis para a Igreja, como o Secretário de Estado para a Cultura francês, ou os Hapsburgs? Que tal se o arquiduque Johan fosse apenas o intermediário, e o dinheiro que ele doou a Sauniere realmente tivesse saído dos cofres de Roma?

A Intriga em fevereiro de 1972, “O Tesouro Perdido de Jerusalém?”, o primeiro de nossos três filmes sobre Sauniere e o mistério de Rennes-le-Chateau, foi mostrado. O filme não fez avaliações controvertidas, ele simplesmente contou a história básica como ela tem sido recontada nas páginas precendentes, nem houve qualquer especulação sobre um ’segredo explosivo’ ou uma chantagem de alto nível. Também não é digno de mencionar que o filme não cita Emile Hoffet , o jovem clérigo erudito em Paris, a quem Sauniere confiou seus pergaminhos por seu nome. Talvez não surprendente, recebemos um verdadeiro dilúvio de correspondência. Alguma delas ofereciam intrigantes especulações sugestivas. Algumas eram complementares. Algumas eram fracas. De todas estas cartas, uma, que o escritor não quis que publicássemos, parecia merecer uma atenção especial. Ela veio de um sacerdote anglicano aposentado e parecia um non sequitur curioso e provocante. Nosso correspondente escreveu com certeza categória e autoridade. Ele fez suas avaliações clara e definitivamente, sem elaboração, e com aparente indiferença a se acreditavamos nele ou não. O “tesouro”, ele declarou claramente, não envolve ouro ou pedras preciosas. Ao contrário, ele consistia em uma ‘prova incontroversa” de que a Crucificação foi uma fraude e que Jesus estava vivo até 45. Esta afirmação soou flagrantemente absurda. O que, até mesmo para um ateu, pode possivelmente compreender uma “prova incontroversa” que Jesus sobreviveu a Crucificação? Eramos incapazes de imaginar algo que não pudesse ser desacreditado ou repudiado como prova, mas a prova que era verdadeiramente não controvertida. Ao mesmo tempo, a clara extravagância da avaliação exigia esclarecimento e elaboração. O escritor da carta havia fornecido um endereço de remetente. Na primeira oportunidade dirigimos para ve-lo e tentar entrevista-lo. Em pessoa ele era muito mais reticente do que tinha sido na carta, e parecia lamentar ter escrito para nós. Ele se recusou a expandir sobre a ‘prova incontroversa” e voluntariou apenas um fragmento adicional de informação. Esta “prova’, ele disse, ou sua existência a qualquer nível, tem sido divulgada a ele por um outro clérigo anglicano, Canon Alfred Leslie Liney.

Liney, que morreu em 1940, tinha publicado amplamente e não era desconhecido. Durante grande parte de sua vida ele tinha mantido contacto com o Movimento Católico Modernista, baseado principalmente em São Suspílcio em Paris. Em sua juventude Liney tinha trabalhado em Paris, e tinha sido conhecido de Emile Hoffet. A trilha havia percorrido um círculo completo. Dada uma ligação entre Liney e Hoffet, e as afirmações do sacerdote, contudo absurdas, não podem ser sumariamente descartada.

Uma evidência similar de um segredo monumental estava se apresentando quando começamos a pesquisar a vida de Nicolas Poussin, o grande pintor do século XVII cujo nome correu pela história de Sauniere. Em 1656, Poussin, que estava vivendo em Roma naquele tempo, tinha recebido uma visita do Abade Louis Fouquet, irmão de Nicolas Fouquet, Superintendente de Finanças de Luis XIV da França. De Roma, o Abade enviou uma carta ao seu irmão, descrevendo este encontro com Poussin. Parte desta carta é digna de ser citada. “Ele e eu discutimos certas coisas, que devo dizer com facilidade serem capazes de explicar a você em detalhe o que ninguém mais descobrirá nos séculos a seguir. E o que é mais, há coisas tão difíceis de descobrir que nada agora na Terra pode provar uma melhor fortuna nem ser seu igual?”  Nem historiadores e nem biógrafos de Poussin ou Fouquet tem sido capazes de satisfatoriamente explicar esta carta, que alude claramente a ‘alguma matéria misteriosa de imensa importância”. Não muito depois de receber a carta, Nicolas Fouquet foi preso e aprisionado por toda sua vida. Segundo certas narrativas, ele foi mantido estritamente incomunicável e alguns historiadores o vêem como um provável candidato para o Homem Na Máscara de Ferro. Enquanto isso, toda a sua correspondência foi confiscada por Luis XIV, que a inspecionou pessoalmente. Nos anos segintes, o rei foi determinadamente em seu caminho para obter a pintura original de Poussin, “Os Pastores da Arcadia”. Quando finalmente ele teve sucesso, a pintura foi sequestrada em seus apartamentos particulares em Versalhes. Seja qual for sua grandeza artística, a pintura pareceria ser suficientemente inocente. No fundo três pastores e uma pastora estão reunidos perto de uma grande e antiga tumba, contemplando a inscrição na pedra: “ET IN ARCADIA EGO’.

No fundo aparece um panorama rugoso e montanhoso do tipo geralmente associado a Poussin. Segundo Anthony Blunt, bem como outros especialistas em Poussin, este panorama era completamente mítico, um produto da imaginação do pintor. Na década de 1970, contudo, uma tumba real foi localizada, idêntica aquela na pintura em localização, dimensões, proporções, forma, vegetação adjacente e até mesmo o afloramento circular de rocha na qual um dos pastores de Poussin repousa seu pé. Esta tumba real permanece nos arredores de uma vila chamada Arques – aproximadamente a seis milhas de Rennes-le-Chateau, e a três milhas do castelo de Blanchefort. Se alguém fica de pé diante do sepulcro a vista é virtualmente indistinguivel daquela da pintura. E então se torna aparente que um dos picos no fundo da pintura é Rennes-le-Chateau. Não há indicação da idade da tumba. Pode, de fato, ter sido eregida muito recentemente, mas como fizeram seus construtores até mesmo para localizar um lugar que combine tão precisamente com aquele da pintura? De fato ela parece ter sido erigida nos tempos de Poussin, e “Os Pastores da Arcadia” pareceria ser uma fiel reprodução do sítio atual. Segundo os camponeses na vizinhança, a tumba tem estado lá por tanto tempo quanto eles, seus pais e seus avós podem lembrar. E lá  é dito haver uma menção específica disto em uma memória datando de 1709.

Segundo os registros na vila de Arques, a terra onde a tumba está começa a pertencer, até sua morte em 1950, a um americano, um Louis Lawrence de Boston, Massachusetts. Em 1920 Lawrence abriu o sepulcro e o encontrou vazio. Sua esposa e sogra foram mais tarde enterradas lá. Quando preparávamos o nosso primeiro filme para a BBC sobre Rennes-le-Chateau, passamos uma manhã fazendo uma filmagem da tumba. Paramos para o almoço e voltamos três horas depois. Durante a nossa ausência, uma tentativa violenta e crua foi feita para esmagar o sepulcro. Se houvesse uma inscrição na tumba atual, ela a muito tempo foi apagada. Quanto a inscrição na pintura de Poussin, pareceria ser convencionalmente triste com a Morte anunciando sua sombria presença até mesmo na Arcadia, o idílico paraiso pastoral do mito clássico. Ainda que a inscrição seja curiosa porque falta nela um verbo. Traduzida literalmente: “Na Arcadia Eu…” Porque estaria faltando o verbo? Talvez por uma razão filosófica para evitar toda tensão, toda indicação do passado, presente ou futuro e portanto implicar em algo eterno? Ou talvez por uma razão de natureza mais prática. Os códigos nos pergaminhos  encontrados por Sauniere tem repousado pesadamente em anagramas, sobre a transposição e o rearranjo das letras. Pode ser talvez “ET IN ARCADIA EGO’ um anagrama?  Pode o verbo ter sido omitido de forma que a inscrição consista apenas em certas letras precisas? Um de nossos espectadores da televisão, ao escrever para nós, sugere que isto pode ser de fato  assim e então rearranjou as letras em uma coerente declaração em latim. O resultado foi : I FEGO ARCANA DEI (Afaste-se! Eu oculto os segredos de deus!). Ficamos agradecidos e intrigados por este engenhoso exercício. Não entendemos naquele tempo como era extraordinariamente apropriado o resultante aviso.

Os Cátaros e a Grande Heresia

Começamos a nossa investigação em um ponto com o qual nós já tinhamos uma certa familiaridade: a heresia Catára ou Albigense e a Cruzada que ela provocou no século XIII. Nós já estávamos cientes que os Cátaros entenderam de alguma forma o mistério que cercou Sauniere e Rennes-le-Chateau. Em primeiro lugar os hereges medievais tinham sido numerosos na vila e suas cercanias, que sofreram brutalmente durante o curso da Cruzada Albigense. De fato, a inteira região está empapada no sangue Cátaro, e os residuos deste sangue, juntamente com sua amargura, persistem até hoje. Muitos camponeses na área agora, sem nenhum inquisidor para cair sobre eles, abertamente proclamam simpatias cátaras. Lá há até mesmo uma Igreja Cátara e um chamado Papa Cátaro que, até sua morte em 1978, viveu na vila de Arques. Sabemos que Sauniere tinha mergulhado na história e no folclore de seu solo natal, assim ele possivelmente não tenha evitado o contacto com o pensamento e tradições Cátaras. Ele pode não ter estado inconsciente que Rennes-le-Chateau foi um centro importante nos séculos XII e XIII, e algo de um bastião cátaro. Sauniere pode ter estado familiarizado com as numerosas histórias relacionadas aos cátaros. Ele deve ter sabido dos rumores que os ligam com aquele fabuloso objeto, o Santo Gral. E se Richard Wagner, na busca de algo pertinente ao Santo Gral, de fato visitou  Rennes-le-Chateau, Sauniere tabém não pode ter sido ignorante desse fato. Em 1890, sobretudo, um homem chamado Jules Doinel se tornou o bibliotecário em Carcassone e estabeleceu uma igreja neo-cátara. O própio Doinel escreveu prolificamente sobre o pensamento cátaro, e por 1896 tinha se tornado um membro proeminente de uma organização cultural local, a Sociedade de Arte e Ciências de Carcassonne.

Em 1898 ele foi eleito seu secretário. Esta sociedade incluia um número de associados de Sauniere, entre eles seu melhor amigo, o Abade Henri Boudet. E     o próprio círculo pessoal de Doinel incluia Emma Calve. É portanto provável que Doinel e Sauniere fossem conhecidos. Há uma razão posterior e mais provocante para ligar os cátaros com o mistério de  Rennes-le-Chateau. Em um dos pergaminhos encontrados por Sauniere, o texto é espalhado com um punhado de letras menores; oito, para ser preciso, que são deliberadamente muito diferentes de todas as outras. Três das letras estão na direção do topo da página, cinco em direção na parte inferior. Estas oito letras tem apenas que serem lidas em sequência para soletrar duas palavras ‘REX MUNDI’. Este é inconfundivelmente um termo cátaro, que é imediatamente reconhecível para alguém familiarizado com o pensamento cátaro. Dado estes fatores, parece bastante razoável começar nossa investigação com os cátaros. Portanto começamos a pesquisar sobre eles, suas crenças e tradições, sua história e redondezas em detalhe. Nosso inquérito abriu novas dimensões do mistério, e portanto começamos a pesquisar sobre eles, e isso gerou um número de perguntas tantalizantes.

A Cruzada Albigense

Em 1209 um exército de aproximadamente 30.000 cavaleiros e soldados a pé da Europa da Norte desceu como um rodamoinho sobre Languedoc, a escarpada montanha no nordeste dos Pirineus no que é agora o sul da França. Desde o início da guerra o inteiro território foi devastado, as plantações foram destruídas, cidades e centros foram arrasados, uma população inteira foi passada pela espada. Este extermínio ocorreu em uma escala tão vasta e terrível que bem pode constituir o primeiro caso de genocídio na moderna história européia. Apenas no centro de Beziers, por exemplo, ao menos 15.000 homens, mulheres e crianças foram massacrados por atacado, muitos deles no santuário da própria igreja. Quando um oficial inquiriu do representante do Papa como ele podia distingur os hereges dos verdadeiros crentes, ele respondeu: “Mate todo estes. Deus reconhecerá os seus”. Esta citação, embora amplamente citada, pode ser apócrifa. Não obstante, isto tipifica o zelo fanático e a sede de sangue com os quais estas atrocidades foram perpetradas.

O mesmo representante papal, escrevendo a Inocente III em Roma, anunciou orgulhosamente que “nem idade, nem sexo e nem status foram poupados”. Depois de Beziers, o exército invasor varreu todo Languedoc. Perpignan caiu, Narbonne caiu, Carcassone caiu, Toulouse caiu. E, seja por onde for que os vitoriosos passavam, eles deixavam uma trilha de sangue, morte e carnificina em seu rastro; a guerra, que durou quase quarenta anos, é agora conhecida como Cruzada Albigense. Foi uma cruzada no verdadeiro sentido da palavra. Ela tinha sido convocada pelo próprio Papa. Seus participantes usavam uma cruz em suas túnicas, como os cruzados na Palestina. E as recompensas eram as mesmas que eram as dos cruzados da Terra Santa: a remissão de todos os pecados, uma expiação de penitências, um lugar assegurado no Céu e todo o botim que pudessem pilhar. Nesta cruzada, sobretudo, ninguém teve que atravessar o mar. E de acordo com a lei feudal, ninguém estava obrigado a combater por mais de quarenta dias assumindo, com certeza, que ninguém tivesse interesse em saquear.

Ao tempo em que a Cruzada acabou, o Languedoc tinha sido completamente transformado, retornado a barbárie que caracterizava o resto da Europa. Porque? Porque toda aquela destruição, brutalidade e desvastação ocorreu? No início do século XIII a área agora conhecida como Languedoc não era oficialmente uma parte da França. Era uma principalidade independente, cuja linguagem, cultura e instituições políticas tinham menos em comum com o norte do que tinham com a Espanha com os reinos de Leão, Aragão e Castela. A principalidade era governada por um punhado de famílias nobres, cujos chefes eram os Condes de Toulouse e a poderosa casa de Trencavel. E dentro dos confins desta principalidade floresceu uma cultura que, naquele tempo, era a mais avançada e sofisticada na cristandade, com a possível exceção de Bizancio. O Languedoc tinha muito em comum com Bizancio. O aprendizado, por exemplo, era altamente estimado, como ele não o era no Norte da Europa. A filosofia e outras atividades intelectuais floresceram; a poesia e o amor enobreceram exaltados; Grego, Árabe e Hebraico eram entusiásticamente estudados; e em Lunel e Narbonne, escolas devotadas a Cabala, a antiga tradição do Judaísmo, estavam florescendo. Até mesmo a nobreza era letrada e literária, em um tempo quando a maioria dos nobres do Norte não podia nem mesmo assinar seus nomes. Como Bizancio, também, o Languedoc praticava uma tolerância religiosa civilizada em contraste com o zelo fanático que caracterizava outras partes da Europa. Meadas de pensamento islâmico ou judaico, por exemplo, eram importados pelos centros marítimos comerciais como Marselha, ou feito seu caminho através dos Pirineus vindo da Espanha. Ao mesmo tempo, a Igreja Romana não desfrutava de uma estima muito alta; os clérigos romanos em Languedoc, em virtude de sua notória corrupção, tinham sucesso primariamente em alienar a populaça. Havia igrejas, por exemplo, em que nenhuma missa tinha sido realizada por mais de trinta anos. Muitos sacerdotes ignoravam seus paroquianos e dirigiam negócios ou grandes propriedades. Um arcebispo em Narbonne nem até mesmo visitou sua diocese. Seja qual for a corrupção da igreja, o Languedoc tinha alcançado um ápice de cultura que não seria visto novamente na Europa até a Renascença.

Mas, como em Bizancio, havia elementos de complacência, decadência e trágica fraqueza que tornaram a região despreparada para a matança que subsequentemente se desencadeou sobre ela. Pelo mesmo tempo a nobreza do norte europeu e a Igreja Romana tinham estado cientes de sua vulnerabilidade e estavam ávidos em explora-la. A nobreza do norte por muitos anos tinha ambicionado a riqueza e o luxo de Languedoc. E a Igreja estava interessada em suas próprias razões. Em primeiro lugar, sua autoridade sobre a região estava faltando. E enquanto a cultura florescia em Languedoc, algo mais florescia também como a maior heresia da cristandade medieval. Nas palavras das autoridades da Igreja, o Languedoc estava ‘infectado’ pela heresia Albigense, a ‘nojenta lepra do Sul’. E embora os aderentes desta heresia fossem essencialmente não violentos, eles constituiam uma severa ameaça à autoridade Romana, de fato, a mais severa ameaça que Roma vivenciaria até três séculos mais tarde quando os ensinamentos de Martinho Lutero começaram a Reforma. Por 1200 havia uma real prespectiva dessa heresia deslocar o catolicismo romano como a forma dominante da cristandade em Languedoc. E o que era mais ominoso até os olhos da Igreja, ele já estava se irradiando a outras partes da Europa, especialmente a centros urbanos na Alemanha, Flandres e Champagne. Os hereges eram conhecidos por uma variedade de nomes. Em 1165 eles tinham sido condenados por um concílio eclesiástico na cidade em Languedoc de Albi. Por esta razão, ou talvez porque Albi continuasse a ser um dos centros deles, eles eram frequentemente chamados Albigenses. Em outras ocasiões eles foram chamados Cátaros. Na Itália eles eram chamados Patarinos. Não infrequentemente eles também eram apelidados ou estigmatizados com nomes de heresias muito anteriores – Ariano, Marcionita e Maniqueano. “Albigense e Cátaro eram essencialmente nomes genéricos. Em outras palavras, eles não se referiam a uma única igreja coerente, como aquela de Roma, com um corpo de doutrina e teologia fixo, codificado e definitivo. Os hereges em questão compreendiam uma multitude de seitas diversas, muitas sob a direção de um líder independente, cujos seguidores assumiriam seu nome. E conquanto estas seitas possam ter mantido certos princípios em comum, elas divergiam radicalmente uma da outra em detalhe. Sobretudo, a maior parte da informação sobre os hereges deriva de fontes eclesiásticas como a Inquisição.

Formar uma imagem deles de tais fontes é com tentar formar uma imagem, vamos dizer, da Resistência Francesa, dos relatos das SS e Gestapo. Portanto é virtualmente impossível apresentar um sumário coerente e definivo do que realmente constituia o ‘pensamento cátaro’. Em geral os cátaros aceitavam a doutrina da reencarnação e um reconhecimento de um princípio feminino na religião. De fato, os pregadores e professores das congregações cátaras, conhecidos como “Os Perfeitos” eram de ambos os sexos. Ao mesmo tempo, os cátaros rejeitavam a igreja católica ortodoxa e negavam a validade do todas as hierearquias clericais, ou intercessores oficiais e ordenados entre o homem e Deus. No núcleo desta posição jaz um importante mandamento cátaro que é o repudio da fé, ao menos como a Igreja insiste sobre isso. Em lugar da fé aceita em segunda mão, os cátaros insistiam no conhecimento direto e pessoal, uma experiência religiosa ou mística aprendida em primeira mão. Esta experiência havia sido chamada ‘gnose’, da palavra grega para ‘conhecimento’, e para os cátaros isto tomava precedência sobre todos os credos e dogma. Dando uma tal ênfase ao contacto pessoal direto com Deus, sacerdotes, bispos, e outras autoridades clericais se tornavam supérfluas. Os cátaros também eram dualistas. Todo pensamento cristão, de fato, pode completamente ser visto como dualista, insistindo em um conflito entre dois princípios opostos  – o bem e o mal -, – o espírito e a carne -, o alto e o baixo. Mas os cátaros levavam esta dicotomia até mesmo mais longe do que o catolicismo ortodoxo estava preparado para fazer. Para os cátaros, os homens eram as espadas com as quais os espíritos combatiam, e ninguém via as mãos. Para eles, uma guerra perpétua estava sendo movida por toda a criação entre dois princípios irreconciliáveis – a luz e as trevas, o espírito e a matéria, o bem e o mal. O catolicismo propõem um Deus Supremo, cujo adversário, o Diabo, é totalmente inferior a ele. Os cátaros, contudo, proclamavam a existência não de um deus, mas de dois, com um status mais ou menos comparável. Um desses deuses, o Bem era inteiramente desencarnado, um ser ou princípio de puro espírito, completamente livre da mancha da matéria. Ele era um deus de amor. Mas o amor era considerado completamente incompatível com o poder e a manifestação material era uma manifestação de poder. Portanto , para os cátaros, a criação material do próprio mundo é intrinsecamente má. O universo, em resumo, era o trabalho manual de um ‘deus usurpador’, o deus do mal, ou, como os cátaros o chamavam, “Rex Mundi”, o rei do mundo.

O catolicismo repousa no que pode ser chamado dualismo ético. O Mal, embora emitindo-se totalmente talvez do Diabo, se manifesta primariamente através do homem e suas ações. Em contraste, os cátaros mantiveram uma forma de ‘dualismo cosmológico’, um dualismo que invadiu o todo da realidade. Para os cátaros, esta era uma premissa básica, mas a resposta deles a isso variava de seita a seita. Segundo alguns cátaros, o propósito da vida humana na Terra era transcender a matéria, renunciar perpétuamente a qualquer coisa ligada a este princípio de poder e portanto alcançar a união com o princípio de amor. Segundo outros cátaros, o propósito da vida do homem era reclamar e redimir a matéria, espiritualiza-la e transforma-la. É importante notar a ausência de qualquer dogma fixado, doutrina ou teologia. Como na maioria dos desvios da ortodoxia estabelecida há apenas certas atitudes frouxamente definidas e as obrigações morais referentes a estas atitudes que eram objeto de interpretação individual. Aos olhos da Igreja Romana os Cátaros estavam cometendo sérias heresias a respeito da criação material, em benefício das quais supostamente Jesus morreu, como intrinsicamente más e implicando que Deus, cuja ‘palavra’ havia criado o mundo, no início, era um usurpador. A heresia mais séria deles, contudo, era a atitude deles em relação ao próprio Jesus. Já que a matéria era intrinsecamente má, os cátaros negavam que Jesus partilhasse da matéria, tenha encarnado na carne e até fosse o Filho de Deus. Para alguns cátaros ele era completamente incorpóreo, um ‘fantasma’, uma entidade de puro espírito, que, com certeza, não podia ser crucificado. A maioria dos cátaros parece te-lo visto como um profeta não diferente de qualquer outro ser mortal que, em benefício do princípio do amor, morreu na cruz. Havia, em resumo, nada místico, nada sobrenatural, nada divino sobre a crucificação se, de fato, ela fosse afinal relevante, o que muitos cátaros parecem ter duvidado.

Em qualquer caso, todos os cátaros veementemente repudiavam a importância da crucificação e da cruz – talvez porque eles sentissem que estas doutrinas fossem irrelevantes, ou talvez porque Roma as repetisse tão ferventemente, ou por causa das circunstâcias brutais da morte de um profeta que não parecem dignas de veneração. E a cruz ao menos em associação ao Calvário e a Crucificação foi vista como um emblema do ‘Rex Mundi”, senhor do mundo material, a própria antítese do verdadeiro princípio redentor. Jesus, se de todo mortal, tinha sido um profeta do princípio do amor. E AMOR, quando invertido ou pervertido ou destorcido em poder, se torna ROMA, cuja Igreja opulenta e luxuosa parecia aos cátaros uma incorporação palpável e a manifestação na terra da soberania do Rex Mundi.

Em consequência os cátaros não apenas se recusavam a venerar a cruz, eles também negavam tais sacramentos como batismo e comunhão. A despeito deste pensamento sutil, complexo, abstrato e talvez irrelevantes posições teólogicas, a maioria dos cátaros não era indevidamente fanática sobre o credo deles. Isto está intelectualmente em moda hoje em dia a respeito dos Cátaros como uma congregação de sábios, místicos iluminados ou iniciados na sabedoria arcana, todos os quais partilhavam do grande segredo cósmico. Em fato real, contudo, a maioria dos Cátaros eram mais ou menos homens e mulheres comuns, que encontraram em seu credo um refúgio da restrição do catolicismo ortodoxo a despeito dos infindáveis dízimos, penitências, obséquios, restrições e outras imposições da Igreja Romana. Conquanto a teologia deles fosse de difícil compreensão, os cátaros eram pessoas eminentemente realistas na prática. Eles condenavam a procriação, por exemplo, já que a propagação da carne estava a serviço não do princípio do amor, mas do Rex Mundi; mas eles não eram tão ingênuos para advogar a abolição da sexualidade. Verdadeiro, havia um específico sacramento cátaro, ou equivalente, chamado Consolamentum, que compelia alguém a castidade. Exceto para os Perfeitos, contudo, que eram ex homens e mulheres de família, o Consolamentum não era administrado até que alguém estivesse em seu leito de morte; não é extraordinariamente difícil ser casto para alguém que está morrendo. Tanto quanto diga respeito a congregação como um todo, a sexualidade era tolerada, se não explicitamente sancionada. Como alguém condena a procriação enquanto admite a sexualidade? Há evidência que sugere que os cátaros praticavam controle da natalidade e aborto. Quando Roma subssequentemente acusou os hereges de ‘práticas sexuais não naturais’ isso foi levado como se referindo a sodomia. Contudo, os cátaros, até onde sobrevivem registros, eram extremamente estritos em sua proibição de homossexualidade. Estas “práticas não naturais sexuais” podem bem ter se referido aos vários métodos de controle de nascimento e aborto. Conhecemos a posição de Roma hoje sobre estes assuntos. Não é difícil imaginar a energia e zelo vingativo com o qual esta posição teria sido posta em vigor na Idade Média.

Geralmente os cátaros parecem ter aderido a uma vida de extrema devoção e simplicidade. Deplorando as igrejas, eles geralmente realizavam os rituais deles e serviços ao ar livre ou em um edifício prontamente disponível como um celeiro, uma casa, uma prefeitura. Eles também praticavam o que hoje chamamos de meditação. Eles eram estritamente vegetarianos, embora comer peixe fosse permitido. E quando viajavam pelo interior, os Perfeitos sempre o faziam em pares, assim dando credencial aos rumores de sodomia patrocinados por seus inimigos. O Cerco de Montsegur, então foi o credo que varreu o Languedoc e províncias adjacentes em uma escala que ameaçou o próprio catoliscismo. Por um número de razões compreensíveis, muitos nobres achavam o credo atraente. Alguns aquiesceram sua tolerância geral. Alguns eram de qualquer modo anti-clericais. Alguns estavam desiludidos com a corrupção da Igreja. Alguns tinham perdido a paciência com o sistema de dizimos, pelo qual a renda de suas propriedades desaparecia para os cofres distantes de Roma. Então muitos nobres, em sua velhice, se tornaram Perfeitos. De fato, é estimado de 30% de todos os Perfeitos foram saidos da nobreza de Languedoc.

Em 1145, meio século antes da cruzada Albigense, o próprio São Bernardo tinha viajado a Laguedoc, pretendendo pregar para os hereges. Quando ele chegou, eles ficou menos surpreso com os hereges do que com a corrupção de sua própria Igreja. No que diz respeito aos hereges, São Bernardo foi claramente impressionado por eles. “Nenhum sermão é mais cristão do que o deles”, ele declarou, ‘e sua moral é pura”. Por 1200, é desnecesário dizer, Roma tinha ficado crescentemente alarmada com a situação, Nem ela estava inconsciente da inveja com a qual os barões do norte da Europa viam as ricas terras e as cidades do Sul. Esta inveja podia ser prontamente explorada e os senhores nortistas constituiriam as tropas invasoras da Igreja. Tudo que era necessário era alguma provocação, alguma desculpa para acender a opinião popular. Uma tal desculpa logo viria.

Em 14 de janeiro de 1208, um dos Legados Papais para Languedoc, Pierre de Castelnau, foi morto. O crime parece ter sido cometido por rebeldes anti-clericais sem qualquer afiliação cátara. Possuindo a desculpa que ela precisava, contudo, Roma não hesitou em culpar os cátaros. E de uma vez o Papa Inocente III ordenou uma Cruzada. Embora tivesse havido uma perseguição intermitente dos hereges por todo século anterior, a Igreja agora mobilizava forças a vontade. A heresia era para ser extirpada de uma vez por todas. Um exército maciço foi colocado sob o comando do Abade de Citeaux. As operações militares foram confiadas grandemente a Simon de Montfort, pai do homem que subsequentemente era para desempenhar um papel crucial na história inglesa. E sob a liderança de Simon os cruzados do Papa estabeleceram reduzir a mais alta cultura européia da Idade Média pela destruição e ruína. Neste sagrado empreendimento eles foram ajudados por um novo e útil aliado: um fanático espanhol chamado Dominic Guzman. Motivado por um ódio raivoso pela heresia, Guzman, em 1216, criou a ordem monástica subsequentemente chamada como ele, os Dominicanos. E em 1233 os Dominicanos lançaram a mais infame instituição da Santa Inquisição. Os cátaros não eram as únicas vítimas. Antes da Cruzada Albigense, muitos nobres de Languedoc especialmente das casas influentes de Trencavel e Toulouse tinham sido extremamente amigáveis com a grande população judia da região. Nem toda esta proteção e apoio foi retirado pela ordem. Em 1218  Simon de Montfort foi morto cercando Toulouse. Não obstante, a depredação do Languedoc continuou, com apenas breves pausas, por outros 25 anos. Por 1243, contudo, toda resistência organizada lá nunca tinha efetivamente cessado.

Por 1243 todos os maiores centros e bastiões cátaros tinham caído diante dos invasores do norte, exceto por um punhado de pontos fortes remotos e isolados. Principal entre eles estava a majestosa montanha cidadela de Montsegur, colocada como uma arca celestial acima dos vales subjacentes. Por dez meses Montsegur foi cercada pelos invasores, suportando assaltos repetidos e mantendo uma resistência tenaz. Ao longo, em março de 1244, o forte capitulou, e o Catarismo, ao menos ostensivamente, cessou de existir no sul da França. Em seu livro best-seller, Montaillou, por exemplo, Emmanuel Le Roy Ladurie, escrevendo extensamente sobre documentos do período, faz a crônica das atividades dos cátaros sobreviventes quase que meio século depois da queda de Montsegur. Pequenos enclaves de hereges continuaram a sobreviver nas montanhas, vivendo em cavernas, aderindo ao credo deles e movendo uma amarga guerrilha contra seus perseguidores. Em muitas áreas do Languedoc incluindo as cercanias de Rennes-le-Chateau a fé cátara é geralmente reconhecida ter persistido. E muitos escritores tem traçado subsequentes heresias européias a ramos do pensamento cátaro; os Waldesianos, por exemplo; os Hussitas, os Adamitas ou a Irmandade do Espírito Livre. Os Anabatistas e os estranhos Camisardos, números dos quais encontraram refúgio em Londres durante o início do século XVIII.

O Tesouro Cátaro

Durante a Cruzada Albigense e depois, uma mística que cresceu dos cátaros que ainda persiste hoje. Em parte isto pode ser derrubado pelo elemento do romance que rodeia qualquer causa trágica e perdida que de Bonnie Príncipe Charlie, por exemplo com um ilustre mágico, com uma amedrontadora nostalgia, com a “matéria da história’. Mas ao mesmo tempo, descobrimos, houve alguns mistérios reais associados aos cátaros. Conquanto as histórias possam ser exaltadas e romantizadas, um número de enigmas permaneceu. Um deles diz respeito a origem dos cátaros; e embora isto pareça ser um ponto acadêmico para nós, ele subsequentemente se provou de considerável importância.

Alguns historiadores recentes tem argumentado que os cátaros derivaram de Bogomils, uma seita ativa na Bulgária durante os séculos X e XI, cujos missionários migraram para o ocidente. Não há questão que os hereges de Languedoc incluiam um número de Bogomils. De fato um conhecido pregador Bogomil foi proeminente nos assuntos religiosos e políticos daquele tempo. E ainda que nossa pesquisa revelasse substancial evidência de que os cátaros não derivam dos Bogomils. Ao contrário, eles parecem representar o florescimento de algo já enraizado na França por séculos. Eles parecem ter se derivado, quase diretamente, de heresias estabelecidas e enraizadas na França desde o próprio advento da era cristã. Há outros mistérios, consideravelmente mais intrigantes, associados aos Cátaros.

Jean de Joinville, por exemplo, um velho homem escrevendo sobre seu conhecimento com Luis IX durante o século XIII escreve: “o Rei Luis IX uma vez me disse como vários homens dos Albigenses tinham ido ao Conde de Montfort… e pediram a ele para vir e olhar o corpo de Nosso Senhor, que tinha se tornado carne e sangue nas mãos de seu sacerdote”. Montfort, segundo a história, declarou que seu séquito podia ir se desejasse, mas ele continuaria a acreditar de acordo com os mandamentos da Santa Igreja. Não há elaboração ou explicação posterior deste incidente. O próprio Joinville meramente reconta a passagem. Mas o que vamos fazer deste enigmático convite? O que os Cátaros estavam fazendo? Que tipo de ritual estava envolvido? Deixando de lado a missa, que de qualquer modo os cátaros repudiavam, o que podia possivelmente fazer ‘o corpo de Nosso Senhor tornar-se carne e sangue…?’ Seja o que for que possa ter sido isso, há certamente algo perturbadoramente literal nesta declaração. Um outro mistério cerca o lendário ‘tesouro’ cátaro. É sabido que os Cátaros eram extremamente ricos. Tecnicamente, o credo deles os proibia de portar armas e embora muitos ignorassem esta proibição, permanece o fato de que grandes números de mercenários eram empregados com uma despesa considerável. Ao mesmo tempo, as fontes da riqueza Cátara, a aliança que eles tinham de poderosos proprietários de terras, por exemplo, eram óbvias e inexplicáveis.

Ainda que os rumores se elevassem, até mesmo durante o curso da Cruzada Albigense, de um fantástico tesouro místico cátaro, muito além da riqueza material. Seja o que for que fosse isso, este tesouro reputadamente foi mantido em Montsegur. Quando Montsegur caiu, contudo, nada de importância foi encontrado. Ainda que haja certos incidentes singulares ligados ao cerco e a capitulação da fortaleza. Durante o cerco, os atacantes superavam em número 10.000. Com esta vasta força de cercantes tentando rodear a inteira montanha, fechando todas as entradas e saídas e esperando matar de fome os defensores. A despeito de sua força numérica, contudo, eles não tinham suficiente poder humano para tornar seu cerco completamente seguro. Muitas tropas eram locais, sobretudo, e simpáticas aos cátaros. E muitas tropas simplesmente não eram confiáveis. Em consequência não era difícil passar indetectável pelas linhas dos atacantes. Havia muitas brechas entre os homens que entravam e saiam, e suprimentos encontravam seu caminho para a fortaleza. Os cátaros tomaram vantagem destas brechas. Em janeiro, quase três meses antes da queda da fortaleza, dois Perfeitos escaparam. Segundo narrativas confiáveis, eles levaram com eles o grosso da riqueza material dos Cátaros, uma carga de ouro, prata e moedas que eles levaram primeiro a uma caverna fortificada nas montanhas e de lá para um fortaleza em um castelo. Depois o tesouro desapareceu e nunca foi ouvido falar nele novamente. Em 1o. de março Montsegur finalmente capitulou. Mas então seus defensores eram menos de 400 entre os quais uns 150 ou 180 eram Perfeitos, o resto sendo cavaleiros, escudeiros, armadores e suas famílias. Foi garantido a eles termos surpreendentemente lenientes. Os homens combatentes eram para receber pleno perdão pelos seus crimes anteriores. Eles teriam permissão para partir com suas armas, bagagem e qualquer bem, inclusive dinheiro, que eles pudessem receber de seus empregadores. Os Perfeitos também receberam uma inesperada generosidade. Garantindo que eles abjurassem suas crenças heréticas e confessassem seus ‘pecados’ à Inquisição, eles seriam libertados e submetidos apenas a penitências leves.

Os defensores solicitaram uma trégua de duas semanas, com uma completa suspensão das hostilidades, para considerar os termos. Em uma apresentação posterior de generosidade não característica, os atacantes concordaram. Em troca os defensores voluntariamente ofereceram reféns. Foi combinado que se alguém tentasse escapar da fortaleza os reféns seriam executados. Estavam os Perfeitos tão comprometidos com sua crença que eles voluntariamente escolheram o martírio ao invés da conversão? Ou havia algo que eles não podiam ou ousavam – confessar a Inquisição? Seja qual for a resposta, nenhum dos Perfeitos, até onde é conhecido, aceitou os termos dos cercadores. Ao contrário, todos eles escolheram o martírio. Sobretudo, ao menos 20 dos outros ocupantes da fortaleza, seis mulheres e 15 homens combatentes, voluntariamente receberam o Consolamentum e se tornaram Perfeitos também, assim se condenando a morte certa. Em 15 de maio a trégua expirou. No amanhecer do dia seguinte, mais de 200 Perfeitos foram arrastados rispidamente montanha abaixo. Nenhum deles reconsiderou. Não havia tempo para levantar fogueiras individuais e assim eles foram trancados em uma grande pilha de madeiras no pé da montanha e queimados em massa. Confinada ao castelo, o restante da guarnição foi compelida a assistir. Eles foram avisados que se alguém tentasse escapar isso significaria a morte para todos eles, bem como para os reféns. A despeito dos riscos, contudo, a guarnição tinha combinado esconder os Perfeitos entre eles. E na noite de 16 de março estes quatro homens, acompanhados por um guia, fizeram uma escapada ousada novamente com o conhecimento e conluio da guarnição. Eles desceram a face ocidental da montanha, suspensos por cordas e deixando eles próprios cairem de mais de cem metros de uma vez. O que estavam estes homens fazendo? Qual era o propósito de sua escapada arriscada que afigurava tal risco para a guarnição e os reféns? No dia seguinte eles poderiam andar livremente fora da fortaleza, em liberdade para reassumir a vida deles. Ainda que por alguma razão desconhecida, eles embarcassem em uma perigosa escapada noturna que podia facilmente ter resultado na morte para eles próprios e seus colegas. Segundo a tradição, estes quatro homens levaram o legendário tesouro Cátaro.

Mas o tesouro cátaro havia sido retirado de Montsegur três meses antes. E quanto ‘tesouro’, em qualquer caso, quanto ouro, prata e moedas poderiam três ou quatro homens carregarem em suas costas, pendurados em cordas em um agudo lado montanhoso? Se os quatro fugitivos estavam de fato levando algo, pareceria claro que eles estavam levando algo mais do que riqueza material. O que poderia eles estarem carregando? Acessórios da fé cátara, talvez livros, manuscritos, ensinamentos secretos, relíquias, objetos religiosos de algum tipo; talvez algo que, por uma razão ou outra, não poderia cair em mãos hostis. Isto pode explicar porque a fuga foi realizada; uma fuga que envolvia tantos riscos para todos os envolvidos. Ms se algo de natureza tão preciosa tinha, a todos os custos, que ser preservado das mãos hostis, porque não foi retirado antes? Porque foi mantido na fortaleza até o último e perigoso momento? A data precisa da trégua nos permite deduzir uma possível resposta a estas perguntas. Tinha sido solicitado pelos defensores, que voluntariamente oferecerem reféns para obter isso. Por alguma razão os defensores consideraram isso necessário até mesmo embora tudo isso apenas retardasse o inevitável por meras duas semanas. Talvez, concluimos, tal demora fosse necessária para ganhar tempo. Nenhum tempo em geral, mas um tempo específico. Isto coincidiu com o equinócio da primavera – e o equinócio pode bem ter desfrutado de algum status ritual para os cátaros. Isso também coincidiu com a Páscoa. E ainda que isso seja conhecido como um festival de algum tipo foi realizado em 14 de março, o dia anterior a tregua expirar. Parece haver pouca dúvida que a trégua foi requisitada para que o festival pudesse ser realizado. E há pouca dúvida que o festival pudesse ser realizado em uma data aleatória. Aparentemente, tinha que ser em 14 de março. Seja o que fosse o festival, ele claramente causou alguma impressão em alguns mercenários, alguns dos quais, desafiando a morte inevitável, se converteram ao credo cátaro.

Este fato pode manter ao menos a chave parcial para o que foi levado de Montsegur duas noites mais tarde? Pode, seja o que for que tenha sido levado, então necessário, de algum modo, para o festival do dia 14 de março? Isso poderia de alguma forma ser instrumental em persuadir ao menos 20 dos defensores a se tornarem Perfeitos no último momento? E isso pode de algum modo ter assegurado o conluio da guarnição, até mesmo sob o risco das próprias vidas? Se a resposta é sim a todas estas perguntas, isso explicaria porque seja o que for que foi removido mais cedo em janeiro, por exemplo, quando o tesouro monetário foi levado para segurança. Isso teria sido necessário ao festival. E isso então teria que ser preservado de mãos hostis.  Na medida em que ponderamos estas conclusões, somos constantemente lembrados das histórias que ligam os cátaros e o Santo Gral. Não estamos preparados para ver o Gral como algo mais que um mito. Certamente não estamos preparados para avaliar se isto realmente existiu, nem podemos imaginar um cálice ou uma taça, que tenha ou não recebido o sangue de Jesus, que fosse tão precioso para os Cátaros para quem Jesus, em um importante grau, era incidental. Não obstante, as histórias continuaram a nos assaltar e nos deixar perplexos.

O pensamento elusivo, que parece haver alguma ligação entre os Cátaros e o inteiro culto do Gral como ele evoluiu durante os séculos XII e XIII. Um número de escritores tem argumentado que os romances do Gral – aqueles de Chretien de Troyes e Wolfram von Eschenbach, por exemplo, são uma interpolação do pensamento cátaro, oculto em um elaborado simbolismo, no coração da cristandade ortodoxa. Pode haver algum exagero nesta avaliação, mas há também alguma verdade. Durante a Cruzada Albigense os eclesiásticos fulminaram contra os romances do Gral, declarando-os perniciosos, se não hereges. E em alguns desses romances há passagens isoladas que não são apenas altamente não ortodoxas, mas muito inconfundivelmente dualistas, ou em outras palavras, cátara. O que é mais, Wolfram von Eschenbach, em um dos seus romances do Gral, declara que o castelo do Gral era situado nos Pirineus; uma avaliação que Richard Wagner, em qualquer nível, tomaria literalmente. Segundo Wolfram, o nome do castelo do Gral era Munsalvaesche, uma versão germanizada aparentemente de Montsalvat, um termo cátaro. E em um dos poemas de Wolfram o senhor do castelo do Gral era Perilla. Muito interessantemente, o senhor de Montsegur era Raimon de Pereille cujo nome, em sua forma latina, aparece nos documentos do período como Perilla.

Se tais surpreendentes coincídências persistiram nos assombrando, eles podem ter também, concluimos, ter assombrado Sauniere que era, afinal, conhecedor das histórias e folclore da região. E como qualquer outro nativo da região, Sauniere pode ter estado constantemente ciente da proximidade de Montsegur, cujo destino trágico ainda domina a consciência local. Mas para Sauniere a própria proximidade do forte pode bem ter compreendido certas implicações práticas. Algo havia sido retirado de Montsegur exatamente depois que a trégua expirou. Segundo a tradição, os quatro homens que escaparam da cidadela condenada levaram com eles o tesouro cátaro, como o ‘tesouro’ que Sauniere descobriu, tem consistido primariamente em um segredo? Pode este segredo estar relacionado, de algum modo inimaginável, a algo que se tornou conhecido como o Santo Gral? Parece inconcebível para nós que os romances do Gral possam ser considerados literalmente. Em qualquer caso, seja o que for que foi retirado de Montsegur tinha que ser levado para algum lugar. Segundo a tradição, ele foi levado para as cavernas fortificadas de Orlonac em Ariege, onde um bando de cátaros foi exterminado pouco depois. Mas nada além de esqueletos tem sido encontrado em Orlonac. Por outro lado, Rennes-le-Chateau está apenas a meio dia a cavalo de Montsegur. Seja o que for que foi retirado de Montsegur bem pode ter sido levado a Rennes-le-Chateau, ou, mais provavelmente, para uma das cavernas que abundam nas montanhas adjacentes. E se o ’segredo’ de Montsegur foi o que subsequentemente Sauniere descobriu, isto obviamante explicaria uma grande parte. No caso dos cátaros, como com Sauniere, a palavra ‘tesouro’ parece ocultar algo mais de conhecimento ou informação de algum tipo. Dada a tenaz aderência dos cátaros ao seu credo e sua antipatia militante por Roma, imaginamos se tal conhecimento ou informação [assumindo que ela existiu] se relacionava de algum modo a cristandade – as doutrinas e teologia da cristandade, talvez sua história e origens. Se isso era possível, em resumo, o que os cátaros [ou ao menos certos cátaros] sabiam algo – algo que contribuiu para o fervor frenético com que Roma buscou o exterminio deles? O sacerdote que havia nos escrito tinha se referido a uma ‘prova incontroversa’. Poderia tal ‘prova’ ter sido conhecida pelos cátaros? A este tempo, não podemos apenas especular preguiçosamente. E a informação sobre os cátaros em geral é pouca e isso evita até mesmo uma hipótese funcional. Por outro lado nossa pesquisa sobre os cátaros tinha repetidamente impingido um outro assunto, até mesmo mais enigmático e misterioso e cercado de histórias evocativas. Este assunto era o dos Cavaleiros Templários. Portanto foram os Templários para onde a seguir dirigimos nossa investigação. E foi com os Templários que nossas buscas começaram a oferecer documentação concreta e o mistério começou a assumir proporções muito maiores do que nós podiamos ter imaginado.

Os Monges Guerreiros

Pesquisar os Cavaleiros Templários provou-se uma tarefa assustadora. A volumosa quantidade de material escrito devotada ao assunto era intimidante; e de início não podiamos estar certos de quanto desse material era confiável. Se os Cátaros tinham engendrado um reboliço de história mística e romantica, a mistificação cercando os Templários era até mesmo maior. Em um nível, eles estavam bastante familiriarizados para nós, os fanaticamente ferozes monges-guerreiros, cavaleiros místicos vestidos em um manto branco com uma cruz vermelha, que desempenharam um papel tão crucial nas Cruzadas. Aqui, em algum sentido, eram os cruzados arquetípicos as tropas de choque da Terra Santa, que combateram e morreram heroicamente por Cristo, aos milhares. Ainda que muitos escritores, até mesmo hoje, os vissem como uma instituição muito mais misteriosa, uma ordem essencialmente secreta, com intento em intrigas obscuras, maquinações clandestinas, sombrias conspirações e projetos. E lá permaneceu um fato preplexante e inexplicável. No fim da carreira deles de dois séculos, estes campeões vestidos de branco de Cristo foram acusados de negar e repudiar Cristo, de pisar e cuspir na cruz. No Ivanhoé de Scott, os Templários são apresentados como tiranos arrogantes e presunçosos, déspotas cobiçosos e hipócritas sem vergonha abusando de seu poder, manipuladores cobiçosos orquestrando os assuntos de homens e reinos. Em outros escritores do século XIX eles são apresentados como vis satanistas, adoradores do diabo, praticantes de todos os modos de obscenos, abomináveis e/ou heréticos ritos. Historiadores mais recentes tem estado inclinados a os verem como vítimas infelizes, peões sacrificiais nas manobras políticas de alto nível da Igreja e do Estado. E ainda havia outros escritores, especialmente na tradição da Livre Maçonaria, que viam os Templários como adeptos místicos e iniciados, guardiães de uma sabedoria arcana que transcende a própria cristandade. Seja qual for a tendência ou orientação particular de tais escritores, ninguém discute o zelo heróico dos templários ou a contribuição deles para a história. Nem há qualquer questão que a ordem deles é uma das mais glamurosas e enigmáticas instituições nos anais da cultura ocidental.

Nenhuma narrativa das Cruzadas ou, por este assunto, da Europa durante os séculos XII e XIII negligenciará em mencionar os Templários. Em seu zênite, eles eram a mais poderosa e influente organização da inteira cristandade, com a única possível exceção do Papado. E ainda que certas perguntas assustadoras permaneçam. Quem e o que eram os Cavaleiros Templários? Eles eram meramente o que pareciam ser, ou eram algo mais? Eles eram simples soldados sobre os quais uma aura de lenda e mistificação foi subsequentemente desenhada? Se assim o era, porque? Alternativamente havia um genuíno mistério ligado a eles? Pode haver algum fundamento para os posteriores embelezamentos do mito? Primeiro consideramos as narrativas aceitas dos Templários as narrativas oferecidas por historiadores respeitados e responsáveis. Em virtualmente cada ponto estas narrativas levantaram mais perguntas do que responderam. Elas não apenas desabavam sob exame, mas sugeriam algum tipo de ‘acobertamento’. Não podemos escapar da suspeita que algo havia sido deliberadamente ocultado e uma ‘história cobertura’ fabricada, que mais tarde os historiadores meramente repetiram.

Até onde geralmente é sabido, a primeira informação histórica sobre os Templários é fornecida por um historiador franco, Guillaume de Tyre, que escreveu entre 1175 e 1185. Este foi o pico das Cruzadas, quando os exércitos ocidentais já haviam conquistado a Terra Santa e estabelecido o Reino de Jerusalém ou, como isso foi chamado pelos próprios Templários, “Outremer”, ‘A Terra Alem do Mar’. Mas ao tempo que Guillaume de Tyre começou a escrever, a Palestina tinha estado em mãos ocidentais por 70 anos, e os Templários já estavam em existência por mais de 50 anos.  Guillaume estava portanto escrevendo sobre eventos que antederam seu próprio período de vida, eventos que ele não tinha testemunhado ou vivenciado ou vivenciado pessoalmente, mas que havia aprendido de uma segunda ou mesma terceira mão. Em segunda ou terceira mão e, sobretudo, com base em uma autoridade incerta. Não houve cronistas ocidentais entre 1127 e 1144. Então não há registros escritos sobre estes anos cruciais. Não sabemos, em resumo, quanto das fontes de Guilhaume, isso pode muito bem chamar algumas de suas declaraões em questão. Ele pode ter se guiado pela palavra popular, em nenhuma tradição oral confiável. Alternativamente, ele pode ter consultado os próprios Templários e recontado o que eles disseram a ele. Se isso assim o é, isso significa que ele estava relatando apenas  o que os Templários queriam que ele relatasse. Garantidamente, Guilhaume nos fornece certa informação básica;  e esta é a informação sobre a qual todas as narrativs subsequentes dos Templários, todas as explicações sobre sua fundação, todas as narrativas sobre suas atividdes, tem sido baseadas. Mas por causa da imprecisão e superficialidade de Guilhaume, por causa do tempo quando ele escreveu, por causa da morte das fontes documentadas, ele constitui uma base precária sobre a qual construir uma figura definitiva. As cronicas de Guilhaume são certamente úteis. Mas é um erro e um que muitos historiadores tem sucumbido em ve-las como impugnável e completamente acuradas. Até mesmo as datas de Guilhaume, como ressalta Sir Steven Runciman, ‘são confusas e as vezes demonstravelmente erradas’.

Segundo Guillaume de Tyre, a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão foi fundada em 1118. Seu fundador é dito ser Hugues de Payen, um nobre de Champagne e vassalo do Conde de Champagne. Um dia Hugues, sem solicitação, apresentou-se com oito camaradas no palácio do Rei Bauduino, Rei de Jerusalém, cujo irmão mais velho, Godfroi de Bouillon, tinha capturado a Cidade Santa dezenove anos antes. Bauduino parece te-los recebido muito cordialmente, como o fez o Patriarca de Jerusalém, o líder religioso do novo reino e emissário especial do Papa. O objetivo declarado dos Templários, continua Guillaume de Tyre, era, “até onde sua força permitisse, eles deviam manter as estradas e caminhos seguros… com especial consideração pela proteção dos romeiros”. Tão digno era este objetivo aparentemente que o Rei colocou uma ala inteira do palácio real a disposição dos Cavaleiros. E, a despeito de seu declarado voto de pobreza, os cavaleiros se moveram para as belas acomodações. Segundo a tradição, seus aposentos eram construídos sobre as fundações do antigo Templo de Salomão, e disto a Ordem principiante derivou seu nome. Por nove anos, nos conta Guillaume de Tyre, os novos Cavaleiros não admitiram novos candidatos em sua Ordem. Eles ainda supostamente estavam vivendo em pobreza, a tal pobreza que o selo oficial mostra dois cavaleiros montados em um único cavalo, implicando não apenas a fraternidade deles, mas também a penúria que impossibilitou montarias separadas. Este estilo de selo é frequentemente visto como o mais distintivo e famoso emblema dos Templários, descendendo dos primeiros dias da Ordem. Contudo, ele realmente data de um século completo depois, quando os Templários dificilmente eram pobres se, de fato, eles até mesmo o foram.

Segundo Guillaume de Tyre, escrevendo meio século depois, os Templários foram criados em 1118 e se mudaram para dentro do palácio do rei presumivelmente navegando daqui ´para proteger romeiros nas estradas e caminhos da Terra Santa’. E ainda que houvesse, a este tempo, um historiador real oficial, empregado pelo rei. Seu nome era Fulk de Chartres, e ele estava escrevendo não apenas 50 anos depois da suposta fundação da Ordem, mas durante os mesmos anos em questão. Muito curiosamente, Fulk de Chartres não faz qualquer menção a Hugues de Payen, aos companheiros de Hugues ou qualquer coisa até mesmo remotamente ligada aos Cavaleiros Templários. De fato há um estrondoso silêncio sobre as atividades dos Templários durante os dias iniciais de sua existência. Certamente não há registro em qualquer lugar nem até mesmo mais tarde sobre eles fazerem algo para proteger os romeiros. E não se pode senão imaginar como tão poucos homens poderiam esperar cumprir tal tarefa gigantesca auto-imposta. Nove homens para proteger os romeiros em todas as  passagens da Terra Santa? Apenas nove? E todos os romeiros? Se este fosse o objetivo deles, poder-se-ia certamente esperar que eles dessem boas vindas a novos recrutas. Ainda que, segundo Guillaume de Tyre, eles não admitissem novos candidatos na Ordem por nove anos. Nem ao menos, dentro de uma década a fama dos Templários parece ter se espalhado de volta a Europa. As autoridades eclesiásticas falavam altamente sobre eles e exaltavam sua tarefa cristã. Por 1128, ou pouco depois, um trato louvando suas virtudes e qualidades foi emitido por não menos uma pessoa que São Bernardo, o Abade de Clairvaux e o portavoz principal para a cristandade.

O trato de Bernardo ‘Em Louvor da Nova Cavalaria” declara os Templários serem o epítomo e a apoteose dos valores cristãos. Depois de nove anos, em 1127, a maioria dos nove Cavaleiros retornou a Europa em uma boa vinda triunfal, orquestrada em grande parte por São Bernardo. Em janeiro de 1128 um Concílio da Igreja se reuniu na côrte de Troyes do Conde de Champagne, o senhor de ligação de Hugues de Payen ao qual Bernardo era novamente o espírito guia. Neste Concílio os Templários foram oficialmente reconhecidos e incorporados como um Ordem religiosa militar. Hugues de Payen recebeu o título de Grão Mestre. Ele e seus subordinados eram para ser monges guerreiros, soldados místicos, combinando a disciplina austera do claustro com um zelo marcial supremo ao fanatismo; uma milícia de Cristo, como eles eram chamados naquele tempo. E foi novamente São Bernardo que ajudou a desenhar, com um prefácio entusiástico, a regra de conduta pela qual os cavaleiros adeririam a uma regra baseada naquela da ordem monástica cisterciana, na qual o próprio Bernardo era de influência dominante. Os Templários juravam pobreza, castidade e obediência. Eles eram obrigados a cortar o cabelo mas proibidos de cortar suas barbas, assim se distinguindo em uma era onde a maioria dos homens tinha a barba feita. Dieta, roupas e outros aspectos da vida diária eram estritamente regulados de acordo com as rotinas monástica e militar. Todos os membros da Ordem eram obrigados a vestir hábitos brancos, ou sobrecasacas e batinas, e estas logo evoluiram em um distintivo manto branco pelo qual os Templários se tornaram famosos. É garantido que ninguém vista hábitos brancos, ou tenham mantos brancos, exceto… os Cavaleiros de Cristo. Assim declarada a regra da Ordem, que elaborou o significado simbólico desta veste. Para todos os cavaleiros professos, tanto no inverno quanto no verão, damos, se eles podem ser procurados, vestimentas brancas, que aqueles que tem lançado atrás deles uma vida escura possam saber que eles eram dedicados ao seu Criador para uma vida pura e branca.

Além destes detalhes, a regra estabeleceu uma frouxa hierarquia e aparato administrativo, E o comportamento no campo de batalha era estritamente controlado. Se capturados, por exemplo, os Templários não tinham permissão para pedir misericórdia ou resgatar eles próprios. Eles eram compelidos a lutar até a morte. Eles não tinham permissão para recuar, a menos que as hordas contra eles excedessem três por um. Em 1139 uma Bula Papal foi emitida pelo Papa Inocente II, um antigo monge cisterciano em Clairvaux e protegido de São Bernardo. Segundo esta Bula, os Templários não deviam obediência a nenhum poder eclesiástico ou secular outro do que aquele do próprio Papa. Em outras palavras, eles foram deixados completamente independentes de todos os reis, príncipes e prelados, e toda interferência de ambas autoridades políticas e religiosas. Eles tinham se tornado, de fato, uma lei para eles mesmos, um império internacional autonomo. Durante as duas décadas que se seguiram ao Concílio de Troyes, a Ordem se expandiu com extraordinária rapidez e em uma escala extraordinária. Quando Hugues de Payen visitou a Inglaterra em 1128, ele foi recebido com “grande veneração’ pelo Rei Henrique I. Por toda Europa, os filhos mais novos das famílias nobres se alistaram nas fileiras da Ordem, e vastas doações em dinheiro, bens, e terra foram feitas para cada parte da cristandade. Hugues de Payen doou suas propriedades e todos os novos recrutas foram obrigados a fazerem o mesmo. Na admissão na Ordem, um homem era compelido a assinar doando todas as suas posses. Dado tais políticas, não é surpreendente que os bens dos Templários proliferassem.

Dentro de uns meros doze meses do Concílio de Troyes, a Ordem tinha propriedades substanciais na França, Inglaterra, Escócia, Flandres, Espanha e Portugal. Dentro de uma outra década, ela também tinha território na Itália, Áustria, Alemanha, Hungria a Terra Santa e pontos do oriente. Embora os cavaleiros individuais fossem ligados ao seu voto de pobreza, isto não evitou que a Ordem reunisse riqueza, e em uma escala sem precedentes. Todas as doações eram benvindas. Ao mesmo tempo, a Ordem era proibida de dispor de qualquer coisa até mesmo para resgatar seus líderes. O Templo recebia em abundância mas, como uma matéria de política estrita, ele nunca dava.

Quando Hugues de Payen voltou a Palestina em 1130, entretanto, com uma entourage bem considerável para aquele tempo de uns 300 cavaleiros, ele deixou para trás, sob a custódia de outros recrutas, vastas áreas de território europeu. Em 1146 os Templários adotaram a famosa cruz vermelha. Com este símbolo gravado em seus mantos, os Cavaleiros acompanharam o Rei Luis VII da França na Segunda Cruzada. Aqui eles estabeleceram sua reputação de zelo marcial acoplado a uma quase insana ousadia, e uma feroz arrogância também. Como um todo, contudo, eles eram magnificamente disciplinados – a mais disciplinada força combatente no mundo naquele tempo. O próprio Rei francês escreveu que foram apenas os Templários que evitaram que a Segunda Cruzada – mal concebida e mal gerenciada -, se degenerasse em um debacle total. Durante os próximos cem anos os Templários se tornaram um poder com influência internacional. Eles estavam constantemente engajados em uma diplomacia de alto nível entre nobres e monarcas pelo mundo ocidental e a Terra Santa. Na Inglaterra, por exemplo, o Mestre do Templo era regularmente chamado ao Parlamento do rei, e era visto como chefe de todas as ordens religiosas, tedo precedência sobre todos priores e abades na terra. Mantendo ligações estreitas com Henrique II e Thomas a Becket, os Templários foram instrumentais em tentar reconciliar o soberano e seu estranho arcebispo. Sucessivos reis ingleses, incluindo o Rei João, frequentemente residiram no preceptório do Templo em Londres, e o Mestre da Ordem permaneceu do lado do monarca ao assinar a Carta Magna.

Nem era o envolvimento político da Ordem confinado apenas a cristandade. Ligações estreitas foram construídas com o mundo muçulmano bem como o mundo tão frequentemente oposto ao campo de batalha e os Templários comandavam um respeito pelos líderes sarracenos que excedia o que era aceito por qualquer europeu. Ligações secretas também eram mantidas com os Hashishim ou Assassinos, a famosa seita de adeptos militantes e frequentemente fanáticos que eram o equivalente islâmico dos Templários. Os Hashishim pagavam tributo aos Templários e eram murmurados estarem a serviço deles. Em quase toda a política a Inglaterra ousou desafia-los, ameaçando confiscar os domínios deles. “Vocês Templários… tem tantas liberdades e cartas que suas possessões enormes os tornam cheios de orgulho e arrogância. O que foi imprudentemente dado deve entretanto ser prudentemente revogado; e o que foi inconsideradamente doado deve ser consideradamente tomado. ” O Mestre da Ordem respondeu, “O que dizes, Oh Rei? Longe esteja que vossa boca deva expressar uma palavra tão tola e desagradável. Tanto quanto vós deves exercer a justiça, vós reinareis. Ms se vós infrigis isso, cessará de ser Rei”. É difícil aceitar para a mente moderna a enormidade e a audácia desta declaração. Implicitamente o Mestre está tomando para sua Ordem e ele próprio o poder que nem até mesmo o Papado ousou explicitamente afirmar de fazer ou depor monarcas. Ao mesmo tempo, os interesses dos Templários se estendem além da guerra, diplomacia e intriga política. De fato eles criaram e estabeleceram a instituição dos bancos modernos. Ao emprestar vastas somas aos monarcas destituídos eles se tornaram os banqueiros para cada trono na Europa e para certos potentados muçulmanos também. Com sua rede de preceptórios por toda Europa e Oriente Médio, eles também organizaram, em modestas taxas de juros, a tranferência segura e eficiente de dinheiros para os mercadores do comércio, uma classe que se tornou crescentemente dependente deles.

O dinheiro depositado em uma cidade, por exemplo, podia ser pedido e retirado em outra, por meio de notas promissórias inscritas em intrincados códigos. Os Templários assim se tornaram os primários trocadores de dinheiro da era, e o preceptório de Paris se tornou o centro das finanças européias. É até mesmo provável que o cheque, como o conhecemos e usamos hoje, tenha sido inventado pela Ordem. E os Templários não comerciavam apenas em dinheiro, mas em pensamento também. Por meio de seu mantido e simpático contacto com as culturas islâmica e judaica, eles vieram a atuar como uma câmara de compensação para novas idéias, novas dimensões de conhecimento, novas ciências. Eles desfrutavam de um real monopólio sobre a melhor e mais avançada tecnologia de sua era, a melhor que podiam produzir os armeiros, trabalhadores em couro, pedreiros, arquitetos militares e engenheiros. Eles contribuiram para o desenvolvimento da vigilância, feitura de mapas, construção de estradas e navegação. Eles possuiam seus próprios portos marítimos, estaleiros e frotas comercial e militar, que estavam entre as primeiras a usar a bússola magnética. E como soldados, a necessidade de tratar de ferimentos e doenças os tornou adeptos do uso de drogas. A Ordem mantinha seus próprios hospitais com seus próprios médicos e cirurgiões cujo uso do extrato do mofo sugere um entendimento das propriedades dos antibióticos. Princípios modernos de higiene e limpeza eram compreendidos. E com uma compreensão também antecipada de seu tempo, eles viam a epilepsia não como uma possessão demoníaca mas como uma doença controlável. Inspirados por suas próprias realizações, o Templo na Europa se desenvolveu crescentemente rico, poderoso e complacente. Talvez não surpreendentemente, ele também ficou cada vez arrogante, brutal e corrupto. Beber como um Templário se tornou um clichê naquele tempo. E certas fontes avaliam que a Ordem estabeleceu um ponto ao recrutar cavaleiros excomungados. Mas enquanto os Templários atingiam prosperidade e notoriedade na Europa, a situação na Terra Santa tinha se deteriorado seriamente.

Em 1185 o Rei Bauduino IV de Jerusalém morreu. Na disputa dinástica que se seguiu, Gerard de Ridefort, o Grão Mestre do Templo, traiu um juramento feito ao monarca morto, e portanto colocou a comunidade européia na Palestina para trazer uma guerra civil. Nem foi esta a unica ação questionável de Ridefort. Sua atitude de cavaleiro em relação aos Sarracenos precipitou a ruptura de uma trégua de longo tempo, e provocou um novo ciclo de hostilidades. Então, em julho de 1187, Ridefort liderou seus cavaleiros, juntamente com o resto do exército cristão, em uma batalha áspera, mal concebida e, como transpirou, desastrosa em Hattin. As forças cristãs foram virtualmente aniquiladas; e dois meses depois Jerusalém foi capturada por mãos sarracenas. Durante o século seguinte a situação se tornou crescentemente sem esperança. Por 1291 quase todo Outremer havia caído, e a Terra Santa estava quase que completamente sob controle muçulmano. Somente Acre permanecia, e em maio de 1291 esta última fortaleza foi perdida também. Ao defenderem a cidade condenada, os Templários se mostraram mais heróicos. O próprio Grão Mestre, embora severamente ferido, continuou a lutar até sua morte. Como havia apenas espaço limitado nas galés da Ordem, apenas mulheres e crianças foram evacuadas, enquanto todos os cavaleiros, até mesmo os feridos, escolheram permanecer para trás. Quando o último bastião em Arce caiu, ele o fez com intensidade apocalíptica, as paredes desabando e enterrando atacantes e defensores igualmente.

Os Templários estabeleceram sua nova sede em Chipre; mas com a perda da Terra Santa, eles efetivamente haviam sido privados de sua razão de ser. Como não mais havia terras de infiéis a conquistar, a Ordem começou a voltar sua atenção para a Europa, esperando encontrar lá uma justificativa para sua continuada existência. Um século antes, os Templários haviam presidido a fundação de uma outra ordem cavaleiresca, religiosa-militar, os Cavaleiros Teutônicos. Os últimos eram ativos em pequenos números no Oriente Médio, mas por meados do século XIII tinham voltado sua atenção para as fronteiras a nordeste da cristandade. Aqui eles tinham escavado uma principalidade independente para eles próprios, a Ordenstoat ou Ordensland, que abrangia quase todo o Báltico oriental. Nesta principalidade que se estendia da Prússia ao Golfo da Finlândia e o que é agora solo russo os Cavaleiros Teutônicos desfrutavam de uma soberania não desafiada, muito longe do controle secular e eclesiástico. Para a própria inserção do Ordenstaat, os Templários tinham invejado a independência e a imunidade desta ordem similar. Depois da queda da Terra Santa, eles pensavam crescentemente em um Estado seu próprio no que eles exercessem a mesma autoridade irrestrita e autonomia dos Cavaleiros Teutônicos. Diferente dos Cavaleiros Teutônicos, contudo, os Templários não estavam interressados na selvageria ríspida da Europa Oriental. Por agora eles estavam acostumados demais com o luxo e a opulência. Consequentemente, eles sonhavam em fundar seu Estado em um solo mais acessível e congenial como o de Languedoc. De seus anos mais iniciais, O Templo havia mantido um certo entendimento caloroso com os Cátaros, especialmente no Languedoc. Muitos ricos proprietários de terras, eles próprios cátaros ou simpáticos aos cátaros, tinham doado grandes áreas de terra à Ordem. Segundo um escritor recente, ao menos um dos co-fundadores do Templo era um cátaro. Isto parece de certa forma improvável, mas está além de qualquer discussão que Bertrand de Blachefort, o quarto Grão Mestre da Ordem, veio de uma família cátara. Quarenta anos depois da morte de Bertrand, seus descendentes estavam lutando lado a lado com outros senhores cátaros contra os invasores nortistas de Simon de Montfort.

Durante a Cruzada Albigense, os Templários ostensivamente permaneceram neutros, se confinando no papel de testemunhas. Ao mesmo tempo, todavia, o Grão Mestre daquele tempo parece ter deixado clara a posição da Ordem quando declarou que havia apenas uma Cruzada, a cruzada contra os sarracenos. Sobretudo, um exame cuidadoso das narrativas contemporaneas revela que os Templários forneceram abrigo a muitos refugiados cátaros. Na ocasião, eles parecem ter tomado armas em benefício dos refugiados cátaros. E uma inspeção dos pergaminhos da Ordem na direção do início da Cruzada Albigense revela um maior influxo de cátaros nas fileiras do Templo onde nem mesmo os cruzados de Simon Montfort ousariam desafia-los. De fato, os pergaminhos dos Templários do período mostram que uma proporção significante dos dignatários de alto escalão da Ordem eram de familias cátaras. No Templo de Languedoc os oficiais eram mais frequentemente cátaros do que catolicos. E o que é mais, os nobres cátaros que se alistaram no Templo não pareciam ter se movido sobre o mundo como muitos de sua irmandade católica. Ao contrário, eles pareciam ter permanecido pela maior parte no Languedoc, assim criando para o Ordem uma base duradoura e estável na região. Em virtude de seu contacto com as culturas islâmica e judaica, os Templários já haviam absorvido muitas grandes idéias diferentes da cristandade romana ortodoxa. Os Mestres Templários, por exemplo, frequentemente empregavam secretários árabes, e muitos Templários, tendo aprendido o árabe no cativeiro, eram fluentes na lingua. Uma estreita compreensão foi também mantida com as comunidades judaicas, interesses financeiros e erudição. Pelo influxo de recrutas cátaros, eles agora também estavam expostos ao dualismo gnóstico se, de fato, eles realmente tivessem sido estranhos a isso.

Por 1306 Felipe, o Belo da França estava agudamente ansioso de livrar seu território dos Templários. Eles eram arrogantes e ingovernáveis. Eles eram eficientes e altamente treinados, uma força militar profissional muito mais forte e melhor organizada do que qualquer uma que ele próprio pudesse reunir. Eles estavam firmemente estabelecidos pela França, e por este tempo até mesmo a obediência ao Papa era apenas nominal. Felipe não tinha controle sobre a Ordem. Ela possuia o dinheiro dele. Ele havia sido humilhado quando, fugindo de uma multidão rebelada em Paris, ele foi obrigado a buscar o abjeto refúgio no preceptório do Templo. Ele invejava a imensa riqueza dos Templários, que sua residência em seus territórios tornou mais flagrantemente aparente para ele. E, tendo se aplicado para se unir a Ordem como postulante, ele sofreu a indignidade de ser claramente rejeitado. Estes fatos juntos, com certeza, com a alarmente perspectiva de um Estado Templário independente em sua porta de trás foi suficiente para estimular o rei à ação. E heresia era uma desculpa conveniente. Felipe primeiro tinha que aliciar a cooperação do Papa, ao qual, na teoria a qualquer nível, os Templários deviam fidelidade e obediência, Entre 1303 e 1305, o rei francês e seus ministros engendraram o rapto e morte de um Papa [Bonifácio VIII] e bem possivelmente o assassinato por veneno de um outro [Benedito XI]. Então, em 1305, Felipe gerenciou para assegurar a eleição de seu próprio candidato, o arcebispo de Bordeaux, para o trono papal vago. O novo pontífice tomou o nome de Clemente V. Em débito como ele estava com a influência de Felipe, ele dificilmente poderia recusar as exigências do rei. Felipe planejou cuidadosamente seus movimentos. Uma lista de acusações foi compilada, parcialmente dos espiões do rei que haviam infiltrado a Ordem, parcialmente de confissões voluntárias de um alegado Templário renegado. Armado com estas acusações, Felipe fez o último movimento; e quando ele enviou sua explosão, ela foi súbita, eficiente e letal. Em uma operação de segurança digna da SS e da Gestapo, o rei emitiu ordens secretas e lacradas aos seus senescais pelo interior. Estas ordens eram para ser abertas em todos os lugares simultaneamente e implementadas de uma vez. No amanhecer da sexta feira, 13 de outubro de 1307, todos os Templários na França eram para serem aprisionados e colocados sob prisão pelos homens do rei, seus preceptórios colocados sob sequestro real, seus bens confiscados.

Mas embora o objetivo de surpresa de Felipe possa ter sido alcançado, seu interesse primário na fortuna imensa da Ordem o enganou. Ela nunca foi encontrada, e o que se tornou o fabuloso tesouro dos templários tem permanecido um mistério. De fato é duvidoso se o ataque de surpresa à Ordem foi tão inesperado como ele, ou os historiadores subsequentes, acreditaram. Há considerável evidência a sugerir que os Templários foram avisados antecipadamente. Logo antes das prisões, por exemplo, o Grão Mestre, Jacques de Molay, pediu que muitos dos livros e regras fossem então queimados. Um cavaleiro que se retirou da Ordem naquele tempo foi dito pelo tesoureiro que ele estava sendo extremamente sábio e que a catástrofe era iminente. Uma nota oficial foi circulada em todos os preceptórios franceses, ressaltando que nenhuma informação a respeito dos costumes e rituais da Ordem tinha sido divulgada. De qualquer modo, se os templários foram avisados antecipadamente ou se eles deduziram o que estava no vento, certas precauções foram tomadas definitivamente. Em qualquer caso, os cavaleiros que foram capturados parecem terem se submetido passivamente, como se houvessem recebido instruções para assim o fazer. Em nenhum ponto há qualquer registro da Ordem na França resistindo ativamente aos senescais do rei. Em segundo lugar, há evidência persuasiva de algum tipo de fuga organizada por um grupo particular de cavaleiros virtualmente todos os quais de algum modo estavam ligados ao Tesoureiro da Ordem. Portanto, talvez não seja surpreendente, que o tesouro do Templo, juntamente com quase todos seus documentos e registros, deva ter desaparecido. Rumores persistentes mas não substanciados falam do tesouro sendo contrabandeado de noite do preceptório de Paris, pouco antes das prisões. Segundo estes rumores, ele foi transportado por vagões para a costa presumidamente para a base naval da Ordem em La Rochelle e carregado em 18 galés, e nunca foi ouvido falar dele novamente. Se isso é verdade ou não, pareceria que a frota dos Templários escapou dos guardas do rei porque não há relatos de qualquer navio da Ordem ter sido tomado. Ao contrário, estes navios parecem ter desaparecido totalmente, junto com seja o que for que eles estivessem transportando. Na França os Templários presos foram julgados e alguns submetidos a tortura. Estranhas confissões foram extraídas e até mesmo acusações mais estranhas feitas.

Rumores amargos começaram a circular pelo país. Os Templários supostamente veneravam um diabo chamado Baphomet. Em suas cerimônias secretas eles supostamente se prostravam diante de uma cabeça barbada masculina, que falava com eles e os investia de poderes ocultos. Testemunhas não autorizadas destas cerimônias nunca foram vistas novamente. E havia outras acusações também, que eram até mesmo mais vagas; de infanticídio, de ensinar as mulheres como abortar, de beijos obscenos na iniciação de postulantes; de homossexualidade. Mas de todas as acusações levantadas contra estes soldados de Cristo, que haviam lutado e dedicado suas vidas a Cristo, uma parece a mais bizarra e aparentemente improvável. Eles foram acusados de ritualmente negarem Cristo, de repudiarem, pisarem e cuspirem na cruz. Na França, ao menos, o destino dos Templários foi efetivamente selado. Felipe atormentou-os selvagemente e sem misericórdia.  Muitos foram queimados, muitos mais aprisionados e torturados. Ao mesmo tempo o rei continuou a intimidar o Papa, exigindo até mesmo medidas mais restritivas contra a Ordem. Depois de resistir por um tempo, o papa abriu mão em 1312, e os Cavaleiros Templários foram oficialmente dissolvidos sem um veredito conclusivo de culpa ou inocência ter sido até mesmo produzido.

Mas nos domínios de Felipe, os julgamentos, inquéritos e investigações continuaram por outros dois anos. No final, em março de 1314, Jacques de Molay, o Grão Mestre e Geoffroi de Charnay, Preceptor da Normandia, foram queimados até a morte um fogo brando. Com a execução deles, a Ordem ostensivamente desapareceu desta parte da história. Dado ao número de cavaleiros que escaparam, que permaneceram de fora ou que eram conhecidos, seria surpreendente se tivesse. Não obstante, a Ordem não deixou de existir.  Felipe havia tentado influenciar seus companheiros monarcas, esperando portanto assegurar que nenhum Templário na cristandade fosse poupado. De fato, o zelo do rei a este respeito é quase suspeito. Pode-se talvez compreende-lo querer se livrar em seus próprios domínios da presença da Ordem, mas é muito menos claro porque ele deve ter tido tal intento de exterminar os Templários em outros lugares. Certamente ele próprio não era um modelo de virtudes; e é difícil imaginar um monarca que providenciasse a morte de dois Papas sendo genuinamente preocupado pelas infrações à fé. Felipe simplesmente temia a vingança se a Ordem permanecesse intacta fora da França? Em qualquer caso, sua tentativa de eliminar os Templários fora da França não foi bem sucedida. O proprio enteado de Felipe, por exemplo, Eduardo II da Inglaterra, de início correu em defesa da Ordem. Eventualmente, pressionado pelo Papa e o rei francês, ele cumpriu as exigências deles, mas apenas parcial e tepidamente. Embora a maioria dos Templários pareça ter escapado completamente, um número foi preso. Destes contudo, a maioria recebeu sentenças leves algums vezes de não mais que poucos anos de penitência em abadias e monastérios, onde eles viviam em condições geralmente confortáveis. Suas terras foram consignadas aos Cavaleiros Hospitalários de São João, mas eles próprios foram poupados da perseguição viciosa que atingiu sua irmandade na França.

Em todos os lugares a eliminação dos Templários encontrou maior dificuldade, Na Escócia, por exemplo, havia uma guerra com a Inglaterra naquele tempo, e o consenquente caos deixou pouca oportunidade para implementar exatidões legais. Então as Bulas Papais dissolvendo a Ordem nunca foram proclamadas na Escócia e na Escócia, portanto, a Ordem nunca foi tecnicamente dissolvida. Muitos ingleses e, pareceria, Templários franceses fundaram um refúgio escocês, e um contingente considerável é dito ter lutado do lado de Robert Bruce na Batalha de Bannockburn em 1314. Segundo a história o corpo coerente na Escócia existiu por outros quatro séculos. Na luta de 1688-91, James II da Inglaterra foi deposto por William de Orange. Na Escócia os apoiadores do sitiado monarca Stuart se levantaram em revolta e, na Batalha de Killiecrankie em 1689, João  Claverhouse, Visconde de Dundee, foi morto no campo. Quando seu corpo foi recuperado, ele foi reportadamente encontrado usando a Grande Cruz da Ordem dos Templários – não um recente aparelho supostamente, mas um datando de antes de 1307. Em Lorraine, que era parte da Alemanha naquele tempo, não parte da França, os Templários foram apoiados pelo duque da principalidade. Um poucos foram julgados e exonerados. A maioria, parece, obedeceu ao seu Preceptor, que reputadamente os aconselhou a raspar suas barbas, abandonar a veste secular e se assimilarem na populaça local.

Na própria Alemanha os Templários abertamente desafiaram seus juízes, ameaçando tomar armas. Intimidados, seus juízes os pronunciaram inocentes; e quando a Ordem foi oficialmente dissolvida, muitos Templários alemães acharam um paraíso nos Hospitalários de São João e na Ordem Teutônica. Na Espanha, também,  os Templários resistiram aos seus perseguidores e encontraram refúgio em outras ordens. Em Portugal a Ordem foi clarificada por um inquérito e simplesmente mudou seu nome, se tornando, Cavaleiros de Cristo. Sob este título eles funcionavam bem dentro do século XVI se devotando a atividade marítima. Vasco da Gama era um Cavaleiro de Cristo, e o Príncipe Henrique o Navegador era um Grão Mestre da Ordem. Navios dos Cavaleiros de Cristo viajavam sob a familiar cruz vermelha. E foi sob a mesma cruz que Cristóvão Colombo atravessou o Atlântico para o Novo Mundo. O próprio Colombo era casado com a filha de um antigo Cavaleiro de Cristo, e tinha acesso aos mapas e diários de seu sogro. Então, em um número de modos diversos, os Templários sobreviveram ao ataque de 13 de outubro de 1307. E em 1522 a progenie prussiana dos Templários, os Cavaleiros Teutônicos, sulariri sed eles próprios, repudiaram sua aliança com Roma e deram seu apoio por trás de um rebelde e herege chamado Martinho Lutero. Dois século depois de sua dissolução, os Templários, contudo indiretamente, estavam exercendo a vingança contra a Igreja que os traiu.

Os Cavaleiros Templários e Os Mistérios

Em uma forma grandemente resumida, esta é a história dos Cavaleiros Templários como os escritores a tem aceito e apresentado, e como nós a encontramos em nossa pesquisa. Mas rapidamente descobrimos que há uma outra dimensão para a história da Ordem, consideravelmente mais evasiva, mais provocante e mais especulativa.  Até mesmo durante a existência deles, uma mística tem vindo a cercar os cavaleiros. Alguns disseram que eles eram feiticeiros e mágicos, adeptos secretos e alquimistas. Muitos de seus contemporaneos os evitavam, acreditando que eles estavam em contacto com poderes não limpos.  Tão cedo quanto 1208, no início da Cruzada Albigense, o Papa Inocente III tinha advertido os Templários por um comportamento não cristão, e se referiu explicitamente a necromancia. Por outro lado, havia indivíduos que os louvavam com entusiasmo estravagante. No século XII Wolfram von Eschenbach, o maior dos romancistas medievais, fez uma visita especial ao Outremer para testemunhar a Ordem em ação. E quando, entre 1195 e 1220, Wolfram compôs seu romance épico Parcival, ele conferiu aos Templários o mais exaltado status. No poema de Wolfram os cavaleiros que guardam o Santo Gral, o castelo do Gral e a família do Gral, são Templários. Depois da derrocada dos Templários, a mística que cerca isso persistiu. O ato final registrado na história da Ordem tem sido a queima do último Grão Mestre, Jacques de Molay, em março de 1314.  Quando a fumaça do fogo brando chocou a vida de seu corpo, é dito que Jacques de Molay  disse uma imprecação das chamas. Segundo a tradição, ele chamou seus perseguidores, o Papa Clemente e O Rei Felipe para se unirem a ele e responderem por eles próprios diante da Côrte de Deus dentro de um ano. Dentro de um mês, o Papa Clemente  estava morto, supostamente de um súbito ataque de desinteria. Pelo fim do ano Felipe estava morto também, por causas que permanecem obscuras até este dia. Há, de fato, nenhuma necessidade de procurar explicações sobrenaturais, Os Templários possuiam grande talento no uso de venenos. E havia certamente bastante pessoas entre os cavaleiros refugiados viajando incógnitas, simpatizantes da Ordem e parentes da irmandade perseguida para executar a vingança apropriada.

Não obstante, o aparente cumprimento da maldição do Grão Mestre emprestou crendencial a crença nos poderes ocultos da Ordem. Nem a maldição terminou lá. Segundo a história, foi para lançar um pálio sobre a linhagem real francesa dentro do futuro. E então os ecos dos supostos poderes místicos dos Templários reverberaram pelos séculos. Pelo século XVIII várias confraternidades secretas e semi-secretas estavam louvando os Templários como os precursores e iniciados místicos. Muitos Maçons Livres do periodo se apropriaram dos Templários como seus antecedentes. Certos ritos e observâncias maçonicas afirmaram a descendência linear direta da Ordem, bem como a custódia autorizada de seus segredos arcanos. Algumas destas afirmações eram claramente ridículas. Outras repousavam, por exemplo, na possível sobrevivência da Ordem na Escócia – podem bem ter tido um núcleo de validade, até mesmo se os enfeites aplicados são espúrios.

Por 1789 as histórias que cercavam os Templários tinham atingido proporções positivamente míticas, e a realidade histórica deles foi obscurecida por uma aura de ofuscação e romance. Eles eram vistos como adeptos ocultos, alquimistas iluminados, magos e sábios, mestres maçons e altos iniciados; reais superhomens dotados de um surpreendente arsenal de poder e conhecimento arcano. Eles também eram vistos como heróis e mártires,  arautos do espírito anti-clerical daquela era; e muitos Maçons Livres, ao conspirar contra Luis XVI, sentiram estarem ajudando a implementar a maldição agonizante de Jacques de Molay  sobre a linhagem francesa.  Quando a cabeça do rei caiu sob a guilhotina, um homem desconhecido é relatado ter saltado para o andaime. Ele molhou sua mão no sangue do manarca, sacudiu-a sobre a multidão adjacente e gritou: “Jacques de Molay, você está vingado!”

Desde a Revolução Francesa a aura que cerca os Templários não tem diminuído. Ao menos três organizações contemporâneas hoje se denominam Templários, afirmando possuir um pedigree de 1314 e cartas cuja autenticidade nunca tem sido estabelecida. Certas lojas maçonicas tem adotado o grau de Templário, bem como rituais e apelações supostamente descendendo da ordem original. Até o fim do século XIX, uma sinistra Ordem dos Novos Templários foi estabelecida na Alemanha e na Áustria, empregando a suástica como um de seus emblemas. Figuras como  H. P. Blavatsky, fundadora da Teosofia, e Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, falaram de ums esotérica tradição de sabedoria remontando aos Rosacrucianos e aos cátaros e Templários que eram supostamente o repositório de segredos ainda mais antigos. Nos Estados Unidos, adolescentes são admitidos na Sociedade De Molay, sem que até mesmo seus mentores tenham muita noção de onde deriva este nome. Na Bretanha, bem como em outras partes do ocidente, secretos ‘rotary clubs’ se dignificam com o nome Templário e incluem eminentes figuras públicas. Do reino celestial que ele devia conquistar com sua espada, Hugues de Payen deve agora olhar para baixo com uma certa perplexidade  irônica sobre os cavaleiros dos últimos dias, carecas, barrigudos e de óculos, que ele criou. E ainda que ele também esteja impressionado pela durabilidade e vitalidade de seu legado. Na França este legado é especialmente poderoso. De fato, os Templários são uma real indústria na França, tanto quanto Glastonbury, as linhas de comunicação ou o Monstro de Loch Ness são na Bretanha.

Em Paris livrarias estão cheias de histórias e narrativas da Ordem, algumas válidas, algumas beirando entusiasticamente ao lunático. Durante aproximadamente o último quarto de século, um número de afirmações extravagantes tem sido avançado em benefíco dos Templários, algumas das quais podem não ser inteiramente sem fundamento. Certo escritores tem creditado a eles, ao menos em grande parte, a construção das catedrais góticas ou ao menos eles terem fornecido um ímpeto de algum tipo para a explosão da energia arquitetonica e o gênio. Outros escritores tem argumentado que a Ordem estabeleceu contacto comercial com as Américas já em 1269, e derivou grande parte de sua riqueza da importada prata mexicana. Tem sido frequentemente avaliado que os Templários possuiam algum tipo de segredo escondendo as origens da cristandade. Tem sido dito que eles eram Gnósticos, que eles eram hereges, que eles eram desertores do Islã. Tem sido declarado que eles obtiveram uma unidade criativa entre sangues, raças e religiões, uma politíca sistemática de fusão entre o pensamento islâmico, cristão e judaico. E seguidamente isto é mantido, como  Wolfram von Eschenbach manteve quase oito séculos atrás, que os Templários eram os Guardiões do Santo Gral, seja o que possa ser o Santo Gral. As afirmações frequentemente são ridículas. Ao mesmo tempo, alguns dos segredos se relacionam ao que agora chamamos de esotérico. Gravações simbólicas nos preceptórios Templários, por exemplo, sugerem que alguns oficiais na hierarquia da Ordem eram familiarizados com tais disciplinas como astrologia, alquimia, geometria sagrada e numerologia, bem como, com certeza, astronomia que, nos séculos XII e XIII era inseparável da astrologia e cada porção como esotérica. Mas nem as afirmações extravagantes e nem os resíduos esoterícos foram o que nos intrigou. Ao contrário, nos encontramos fascinados por algo muito mais mundano, muito mais prosaico, a riqueza de contradições, improbabilidades, inconsistências, e aparentes ‘telas de fumaça’ na história aceita. Os segredos esotéricos dos Templários podem bem ter existido. Mas algo mais sobre eles estava sendo escondido tão bem enraizado nas correntes políticas e religiosas da época deles.

Foi a este nível que assumimos a maior parte de nossa investigação. Começamos pelo fim da história, a queda da Ordem e as acusações levantadas contra ela. Muitos livros tem sido escritos explorando e avaliando a possível verdade dessas acusações; e da evidência que nós, como a maioria dos pesquisadores, concluimos ter havido alguma base para elas. Submetidos a interrogatório pela Inquisição, um número de cavaleiros se referiu a algo chamado “Baphomet”; tantos, e em tantos lugares diferentes, para que Baphomet seja a invenção de um único indivíduo ou até mesmo um único preceptório. Ao mesmo tempo, não há indicação de quem ou o que possa ser Baphomet, o que ele ou isso representava, porque ele ou isso devesse ter um significado especial. Pareceria que Baphomet era visto com reverência, uma reverência talvez suprema até a idolatria. Em alguns casos o nome é associado com esculturas demoníacas como gárgulas encontradas em vários preceptórios. Em outras ocasiões Baphomet parece estar associado com uma aparição de uma cabeça barbada. A despeito das afirmações de alguns historiadores, parece claro que Baphomet não era uma corrupção do nome Maomé. Por outro lado, pode ter sido uma corrupção do árabe “abufihamet”, pronunciado entre os mouros espanhóis como “bufihimat”. Isto significa “Pai do Entendimento”, ou “Pai da Sabedoria” e ‘pai’ em árabe também é usado para implicar força. Se esta é de fato a origem de Baphomet, portanto ele se referiria presumidamente a algum princípio sobrenatural ou divino. Mas o que pode ter diferenciado Baphomet de qualquer outro princípio divino ou sobrenatural permanece não esclarecido. Se Baphomet era simplesmente Deus ou Alá, porque os cristãos se preocupariam em recristianiza-lo? E se Baphomet não era Deus ou Alá, quem ou o que era ele? Em qualquer caso, encontramos evidência incontestável da acusação de cerimonias secretas envolvendo uma cabeça de algum tipo.

De fato a existência de uma tal cabeça provou ser um dos temas dominantes correndo pelos registros da Inquisição. Como com Baphomet, contudo, o significado da cabeça permanece obscuro. Possa talvez pertencer a alquimia. No processo alquímico há uma fase chamada ‘Caput Mortuum’ ou ‘Cabeça Morta’, o ‘Nigredo’, ou “Enegrecido” que era dito ocorrer antes da precipitação da Pedra Filosofal. Segundo outras narrativas, contudo, a cabeça era aquela de Hugues de Payen, o fundador da Ordem e primeiro Grão Mestre; e é sugestivo que o escudo de Hugues consistisse em três cabeças negras em um campo de ouro. A  cabeça pode também estar ligada ao famoso Sudário de Turim, que parece ter estado sob a possessão dos Templários entre 1204 e 1307, e o qual, se dobrado, teria parecido como nada mais que uma cabeça. De fato, em um preceptório Templário de Templecombe em Somerset foi encontrada uma reprodução de uma cabeça com barbas com surpreendente semelhança ao Sudário de Turim. Ao mesmo tempo, uma especulação recente tem ligado a cabeça, ao menos por tentativa, com a cabeça cortada de João Batista; e certos escritores tem sugerido que os Templários foram ‘infectados’ pela heresia Joanita ou Mandeana que denunciou Jesus como ‘um falso profeta’ e reconheceu João como o verdadeiro Messias. De fato no curso de suas atividades no Oriente Médio os Templários indubitavelmente estabeleceram contacto com as seitas Joanitas, e a possibilidade de tendências Joanitas na Ordem não é improvável. Mas não se pode dizer que tais tendências foram obtidas pela Ordem como um todo, nem que elas eram questão de política oficial. Durante os interrogatórios que seguiram as prisões em 1307, uma cabeça também figurou em outras duas conexões. Segundo os registros da Inquisição, entre os bens confiscados do preceptório de Paris uma relíquia sob a forma de uma cabeça de mulher foi encontrada. Ela era alada no topo e continha o que pareciam terem sido relíquias de um tipo peculiar. Ela é descrita como se segue: uma grande cabeça de prata dourada, a mais bela, e constituindo uma imagem de uma mulher. Dentro havia dois ossos da cabeça envolvidos em um pano de linho branco, com outro pano vermelho ao seu redor. Um rótulo foi anexado, no qual foi escrito a legenda  CAPUT LVIIIm.

Os ossos dentro eram de uma mulher pequena. Uma relíquia curiosa, especialmente para uma rigida e monástica instituição militar como os Templários. Ainda que um cavaleiro sob interogatório, quando confrontado com esta cabeça feminina,  declarou que ela não tinha qualquer relação com a cabeça do homem barbado usada nos rituais da Ordem. Caput LVIII – cabeça 58m permanece um enigma surprendente. Mas vale a pela notar que ‘m’ pode afinal não ter sido um ‘m’, mas U, o símbolo astrológico para Virgem.

As figuras das cabeças aparecem novamente em uma outra história misteriosa tradicionalmente ligada aos Templários. Vale citar uma de suas várias variantes: uma grande senhora de Maraclea foi amada por um Templário, um Senhor de Sidon; mas ela morreu em sua juventude, e na noite de seu enterro, este amante perverso invadiu sua tumba, escavou seu corpo e o violou. Então uma voz do vazio ordenou que ele voltasse no tempo de nove meses para encontrar um filho. Ele obedeceu ao comando e no tempo indicado ele abriu a tumba novamente e encontrou uma cabeça sobre os ossos da pernas do esqueleto [cranio e ossos cruzados]. A mesma voz ordenou que ele guardasse isso bem, porque isso lhe daria todas as boas coisas, e então ele levou tudo isso embora com ele. Isso se tornou seu gênio protetor, e ele foi capaz de derrotar seus inimigos ao meramente mostrar a eles a cabeça mágica. No curso devido, isso passou para a posse da Ordem. Esta narrativa horrenda pode ser traçada ao menos até aquela do Mapa Walter, escrito no final do século XII. Mas nem ele ou outro escritor,  que reconta a mesma história quase um século mais tarde, especifica que este estrupador necrófilo era um Templário. Não obstante, por 1307 a história tinha se tornado estreitamente associada com a Ordem. Ela é mencionada repetidamente nos registros da Inquisição, e ao menos dois cavaleiros sob interrogatório confessaram sua familiaridade com ela. Nas narrativas subsequentes, como uma citada acima, o próprio estuprador é identificado como um Templário, e ele permanece assim ns versões preservadas pela Livre Maçonaria que adotou o cranio e os ossos cruzados, e frequentemente os empregou como um aparelho nas pedras de tumbas. Em parte a lenda pode ser vista quase como um grotesco disfarce da Imaculada Conceição. Em parte pareceria ser uma narrativa simbólica destorcida de algum rito iniciático, algum ritual envolvendo uma morte figurativa e ressureição. Um cronista cita o nome da mulher na história como Yse, que muito claramente derivaria de Isis. E certamente a lenda evoca e ecoa dos mistérios associados a Isis, bem como de aqueles associados a Tamuz ou Adonis, cuja cabeça foi atirada no mar, e de Orfeu, cuja cabeça foi atirada no rio da Via Láctea. As propriedades mágicas da cabeça também evocam a cabeça de Bran O Abençoado na mitologia celta e no Mabinogion. E este é o caldeirão místico de Bran que numerosos escritores tem tentado identificar como o precursor pagão do Santo Gral. Seja qual for a importância atribuida ao ‘culto da cabeça’, a Inquisição claramente acreditou que ele fosse importante. Em uma lista de acusações retiradas de 12 de agosto de 1308, há o seguinte: Item, que em cada província eles tinham ídolos, nomeadamante cabeças… Item, que eles adoravam estes ídolos… Item, que eles disseram que a cabeça podia salva-los. Item, que ela podia faze-los ricos… Item, que ela fez as três flores. Item, que ela fez a terrra germinar. Item, que eles cercavam ou tocavam cada cabeça dos ídolos supramencionados com pequenas cordas, que eles vestiam ao redor deles próprios perto da camisa ou da carne. A corda mencionada no último item é reminiscente dos Cátaros, que também eram alegados terem usado uma corda sagrada de algum tipo. Mas o mais surpreendente na lista é a proposta capacidade da cabeça de fazer riquezas, fazer árvores floridas e trazer fertilidade à terra. Estas propriedades coincidem notavelmente com aquelas atribuidas nos romances ao Santo Gral. De todas as acusações levantadas contra os Templários, as mais sérias eram de blasfemia e heresia de pisar, negar e cuspir na cruz. Não está precisamente claro o que ritual alegado pretendia significar – o que, em outras palavras, os Templários estavam realmente repudiando. Eles estavam repudiando Cristo? Ou eles estavam simplesmente repudiando a Crucificação? E seja o que for que eles repudiavam, o que exatamente eles enalteciam com esta posição?

Ninguém tem respondido satisfatoriamente a estas perguntas, mas parece claro que o repúdio de algum tipo ocorreu, e era um princípio integral da Ordem. Um cavaleiro, por exemplo, testemunhou que em sua iniciação na Ordem, foi dito a ele “Você crê erradamente, porque ele [o Cristo] é de fato um falso profeta. Acredite apenas em Deus no Céu e não nele.’ Um outro Templário declarou que foi dito a ele, ‘Não acredite que o homem chamado Jesus que os judeus crucificaram no Outremer é Deus e que ele pode salva-lo”. Um terceiro cavaleiro similarmente afirmou que ele foi instruido a não acreditar em Cristo, um falso profeta, mas apenas no Deus Superior. Então foi mostrado a ele um crucifixo e dito : “Não coloque muita fé nisso, porque isso é jovem demais”. Tais narrativas são frequentes e bastante consistentes para dar credencial a acusação. Eles eram também relativamente brandas; e se a Inquisição desejasse juntar evidência, ele poderia ter devisado algo muito mais dramático, mais incriminador, mais prejudicial. Então parece haver pouca dúvida que a atitude dos Templários em relação a Jesus não seguia a ortodoxia católica, mas é incerto precisamente qual era a atitude da Ordem. Em qualquer caso, há evidência que o ritual atribuido aos Templários de pisar e cuspir na cruz estava em vigor um século antes de 1307. Seu contexto é confuso, mas ele é mencionado em ligação com a Sexta Cruzada, que ocorreu em 1249.

O lado Oculto dos Cavaleiros Templários

Se o fim dos Cavaleiros Templários foi repleto de embaraçosos enigmas, a fundação e história inicial da Ordem nos pareceu ser até mesmo mais assim. Estávamos já pragueados por um número de inconsistências e improbabilidades. Nove cavaleiros, nove pobre cavaleiros  apareceram como se de nenhum lugar  e entre todos os outros Cruzados enxameando a Terra Santa prontamente tiveram os aposentos do rei entregues a eles! Nove pobre cavaleiros sem admitirem qualquer novo recruta em suas fileiras presumidamente, tudo por eles mesmos, defederam os caminhos da Palestina. E não há registro deles realente fazendo alguma coisa, nem mesmo de Fulk de Chartres, o cronista oficial do rei, que certamente deve ter sabido sobre o mapa. Como, imaginamos, podem as atividades deles, seus movimentos nas terras reais, ter escapado a percepção de Fulk? Parece incrível, ainda que o cronista nada diga. Ninguém diz qualquer coisa. De fato, até  Guillaume de Tyre, bons cinquenta anos depois. O que podemos concluir disso? Que os Cavaleiros não estavam engajados no louvável serviço público atribuído a eles? Que ao invés, talvez, eles estivessem envolvidos em uma atividade clandestina, da qual nem mesmo o cronista oficial estava ciente? Ou que o próprio cronista foi amordaçado? Esta última parece ser a explicação mais provável. Aos cavaleiros logo se uniram dois homens nobres mais ilustres, nobres cuja presença não poderia ter sido desapercebida.

Segundo  Guillaume de Tyre, a Ordem do Templo foi criada em 1118, originalmente composta por nove cavaleiros e não admitiu novos recrutas por nove anos. Contudo, está claramente em registro, que o Conde de Anjou – pai de Geoffrey Plantagenet, se uniu a Ordem em 1120, apenas dois anos depois de sua fundação. E em 1124 o Conde de Champagne, um dos senhores mais ricos da Europa, o fez igualmente. Se Guillaume de Tyre está correto, não deveria ter havido novos membros até 1127; mas por 1126 os Templários de fato haviam admitido  quatro novos membros em suas fileiras. Se Guilhaume está errado, então, em dizer que nenhum membro foi admitido por nove anos depois de sua fundação, sua fundação dataria de 1118, mas no máximo, de 1111 ou 1112. De fato há uma evidência muito persuasiva desta conclusão. Em 1114 o Conde de Champagne estava se preparando para a viagem a Terra Santa. Logo antes de sua partida, ele recebeu uma carta do Bispo de Chartres. Em um ponto, o Bispo escreveu, “Temos ouvido que… antes de partir para Jerusalém você fez um voto de se unir ‘a milícia de Cristo’, que voce deseja se alistar nesta ordem militar evangélica.’ A mílícia de Cristo foi o nome pelo qual os Templários foram originalmente conhecidos, e o nome pelo qual São Bernardo alude a eles. No contexto da carta do Bispo a apelação não pode possivelmente se referir a uma outra instituição. Isto não pode significar, por exemplo, que o Conde de Champagne simplesmente decidiu se tornar um Cruzado, porque o Bispo continua a falar no voto de castidade que sua decisão envolvia. Um  tal voto dificilmente teria sido requerido de um Cruzado comum. Da carta do Bispo de Chartres, então, está claro que os Templários já existiam, ou ao menos haviam sido planejados, já em 1114, quantro anos antes da data geralmente aceita; e que tão cedo quanto em 1114 o Conde de Champagne já pretendia se unir as fileiras deles – o que ele eventualmente o fez uma década depois. Um historiador que notou esta carta retirou uma curiosa conclusão que o bispo pode não ter significado o que ele disse. Ele pode não ter se referido aos Templários, argumenta o historiador em questão, porque os Templários não foram criados até quatro anos depois em 1118. Ou talvez o bispo não soubesse o ano de Nosso Senhor no qual ele estava escrevendo? Mas o bispo morreu em 1115,. Como, em 1114 ele podia enganadamente se referir a algo que ainda não existia? Há somente uma resposta possível e muito óbvia a esta pergunta que é que o bispo não estava errado, mas  Guillaume de Tyre, bem como todos os historiadores subsequentes que insistem em ver Guilhaume como uma voz impecável de autoridade. Por si só uma data anterior para a fundação da Ordem do Templo, não precisa necessariamente ser suspeito. Mas há outras circunstâncias e coincidências singulares que decididamente são. Ao menos três dos noves cavaleiros fundadores, inclusive  Hugues de Payen, parecem ter vindo de regiões adjacentes, terem tido laços familiares, terem conhecido uns aos outros previamente e terem sido vassalos do mesmo senhor. Este senhor era o Conde de Champagne, a quem o Bispo de Chartres doou a terra na qual São Bernardo, patrono dos Templários, construiu a famosa Abadia de Clairvaux; e um dos nove cavaleiros fundadores,  Andre de Montbard, era tio de São Bernardo. Em Tryes, sobretudo, a côrte do Conde de Champagne, uma escola influente de estudos cabalísticos e esotéricos tinha florescido desde 1070. No Concílio de Troyes em 1128 os Templários foram oficialmente incorporados. Nos próximos dois anos, Troyes permaneceu um centro estratégico para a Ordem; e até mesmo hoje há uma área amadeirada adjacente chamada de Forte do Templo.  E foi de Troyes, côrte do Conde de Champagne, que um dos primeiros romances do Gral foi emitido, muito possivelmente o primeiro, composto por Chretien de Troyes.

Entre esta riqueza de dados, podemos começar a ver uma rede tenue de ligações em um padrão que parece mais do que a mera coincidência. Se um tal padrão existe, certamente apoia a nossa suspeita que os Templários estavam envolvidos em alguma atividade clandestina. Não obstante, podemos apenas especular  qual pode ter sido tal atividade. Com base em nossas especulações específicas estava o local específico do domicilio dos cavaleiros na ala do palácio real, o Monte do Templo, tão inexplicavelmente conferida a eles. No ano de 70 o Templo que então estava de pé foi saqueado por legiões romanas sob Tito. Seu tesouro foi saqueado e levado a Roma, então novamente saqueado e levado talvez aos Pirineus. Mas que tal se houvesse algo mais no Templo bem como algo até mesmo mais importante do que o tesouro pilhado pelos Romanos? É certamente possível que os sacerdotes do Templo, confrontados pelo avanço da falange de centuriões, teriamdeixado aos saqueadores o botim que eles esperavam encontrar. E se houvesse algo mais, pode bem estar escondido em algum lugar nas proximidades. Sob o Templo, por exemplo. Entre os Manuscritos do Mar Morto encontrados em QumrAam, há um agora conhecido como como Pergaminho de Cobre. Este pergaminho, decifrado na Universidade de Manchester em 1955-6 faz referências explícitas as grandes quantidades de barras de ouro e prata, vasos sagrados, adicional material não especificado, e um ‘tesouro’ de natureza não determinada. Ele cita vinte e quatro tesouros enterrados sob o próprio Templo. Em meados do século XII uma romaria a Terra Santa, um  Johann von Wurzburg, escreveu sobre uma visita aos Estábulos de Salomão. Estes estábulos, situados diretamente sob o próprio Templo, ainda estão visíveis. Eles são suficientemente grandes, relatou Johann, para sustentar dois mil cavalos; e foi nestes estábulos que os Templários estabelecerem suas montarias. Segundo ao menos um historiador, os Templários estavam usando estes estábulos para seus cavalos já em 1124, quando eles ainda eram supostamente apenas nove em número. Parece então que a Ordem principiante, imediatamente depois de sua criação, realizou escavações sob o Templo. Tais escavações podem bem implicar que os cavaleiros estavam ativamente procurando por algo. Se esta suposição é válida, explicaria um número de anomalias – sua instalação no palácio real, por exemplo, e o silêncio do cronista. Msa se eles foram enviados a Palestina, quem os enviou? Em 1104 o Conde de Champagne tinha se encontrado em um conclave com certos nobres de alto escalão, ao menos um dos quais tinha acabado de voltar de Jerusalém. Entre estes presentes ao conclave estavam representantes de certas famílias como Brienne, Joinville e Chaumont que, como descobrimos mais tarde, figuraram importantemente em nossa história. Também presente estava o senhor de ligação de Andre de Montbard, Andre sendo um dos co-fundadores do Templo e tio de São Bernardo. Pouco depois do conclave, o Conde de Champagne partiu para a Terra Santa e permaneceu lá por quatro anos, voltando em 1108. Em 1114 ele fez uma segunda viagem a Palestina, tendando se unir a ‘milícia de Cristo’, então mudou de idéia e voltou a Europa um ano depois. Em sua volta, ele imediatamente doou um pedaço de terra a Ordem Cisterciana, cujo proeminente portavoz era São Bernardo. Neste pedaço de terra São Bernardo construiu sua própria residência e então consolidou a Ordem Cisterciana.  Antes de 1112 os Cistericianos estavam perigosamente perto da falência. Então, sob a orientação de São Bernardo, eles passaram por uma surpreendente mudança de fortuna. Dentro dos próximos poucos anos meia duzia de abadias foram criadas. Por 1153 havia mais de trezentas, das quais o próprio São Bernardo fundou sessenta e nove. Este crescimento extraordinário paraleliza diretamente aquele da Ordem do Templo, que estava se expandindo  do mesmo modo durante os mesmos anos.  E, como temos dito, um dos co-fundadores da Ordem do Templo foi o tio de São Bernardo,  Andre de Montbard.

Vale rever esta complicada sequência de eventos. Em 1104 o Conde de Champagne partiu para a Terra Santa depois de se encontrar com certos nobres, um dos quais era ligado a Andre Montbard. Em 1112 o sobrinho de Andre Montbard, São Bernardo, se uniu a Ordem Cisterciana. Em 1114 o Conde de Champagne partiu em uma segunda viagem para a Terra Santa, pretendendo se unir a Ordem do Templo que foi co-fundada pelo seu próprio vassalo com Andre Montbard, e o qual, como atesta a carta do Bispo de Chartres, já existia ou estava em processo de ser criada. Em 1115 o Conde de Champagne voltou a Europa, tendo estado lá por menos de um ano, e doou terra a Abadia de Clairvaux cujo abade era sobrinho de Andre Montbard. Nos anos que se seguiram tanto os Cistercianos quanto os Templários da Ordem de São Bernardo e de Andre Montbard se tornaram imensamente ricos e desfrutavam fases de um crescimento fenomenal. Como ponderamos esta sequência de eventos, nos tornamos crescentemente convencidos que havia algum padrão subjacente e governando tal rede intrincada. Certamente isso não nos parece ser aleatório, nem completamente coincidentes. Ao contrário, nos parece que estamos lidando com os vestígios de algum projeto completo complexo e ambicioso, os detalhes completos do qual tinham sido perdidos na história. Para reconstruir estes detalhes, desenvolvemos uma hipótese tentativa, um cenário, por assim dizer, que possa acomodar os fatos conhecidos. Supomos que algo foi descoberto na Terra Santa, por acidente ou projeto; algo de extrema importância, que levantou o interesse de alguns dos nobres europeus mais influentes. Posteriormente supomos que esta descoberta envolveu, direta ou indiretamente, uma grande parte de potencial riqueza também, talvez, como algo mais, algo que tinha que ser mantido secreto, algo que só poderia ser divulgado a um pequeno número de senhores de alto escalão. Finalmente, supomos que esta descoberta foi relatada e discutida no conclave de 1104. Imediatamente depois o Conde de Champagne partiu para a Terra Santa, talvez para verificar pessoalmente o que ele tinha ouvido, talvez para implementar algum curso de ação para a fundação, por exemplo, do que subsequentemente se tornou a Ordem do Templo. Em 1114, se não antes, os Templários foram estabelecidos com o Conde de Champagne desempenhando algum papel crucial, talvez agindo como espírito guia e patrocinador. Por 1115 o dinheiro já estava fluindo de volta a Europa e para dentro dos cofres dos Cistercianos, que, sob São Bernardo e de sua nova posição de força, endossou e conferiu credibilidade a iniciante Ordem do Templo. Sob Bernardo os Cistercianos atingiram uma ascendência espiritual na Europa. Sob Hugues de Paiens e Andre de Montbard, os Templários atingiram uma ascendência administrativa e militar na Terra Santa que rapidamente se espalhou para a Europa. Por trás do crescimento de ambas as Ordens se esgueirava a presença sombria de tio e sobrinho, bem como a riqueza, influência e patrocínio do Conde de Champagne. Estes três indivíduos constituem um link vital. Eles são como marcadores quebrando a superfície da história, indicando as sombrias configurações de algum projeto elaborado e oculto. Se um tal projeto realmente existiu, ele não pode, com certeza, ser restrito a apenas três homens. Ao contrário, ele deve ter compreendido uma grande dose de cooperação de certas outras pessoas e uma grande parte de meticulosa organização. A organização talvez seja a palavra chave; porque se nossa hipótese está correta, seria pressuposto um grau de organização somando a uma ordem nela própria uma terceira e secreta ordem por trás das Ordens conhecidas e documentadas dos Cistercianos e do Templo. A evidência para a existência uma tal terceira ordem não demorou a chegar. Enquanto isso, nesse meio tempo, devotamos nossa atenção a hipotética ‘descoberta’ na Terra Santa da base especulativa sobre a qual se estabeleceu o nosso cenário. O que pode ter sido encontrado lá? O que podem os Templários, juntamente com São Bernardo e o Conde de Champagne terem sido particularmente conhecedores? No fim da história deles, os Templários mantiveram inviolável o segredo sobre o paradeiro de seu tesouro e a natureza dele. Nem mesmo documentos sobreviveram. Se o tesouro fosse simplesmente barras de ouro e prata e financeira, por exemplo, não teria sido necessário destruir ou esconder todos os registros, todas as regras e todos os arquivos. A implicação é que os Templários tinham algo mais sob sua custódia, algo tão precioso  que nem mesmo a tortura arrancaria uma intimação dos lábios deles. A riqueza sozinha não teria causado um segredo tão unanimemente absoluto. Seja o que for que isso tenha a ver com outros assuntos, como a atitude da Ordem em relação a Jesus.

Em 13 de outubro de 1307, todos os Templários pela França foram presos pelos senescais de Felipe O Belo. Mas esta declaração não é bem verdadeira. Os Templários de ao menos um preceptório escorregaram pela lei do Rei, o preceptório de Bezu, adjacente a Rennes-le-Chateau. Como e porque eles escaparam? Para responder esta pergunta, fomos compelidos a investigarmos as atividades da Ordem na vizinhança de Bezu. Estas atividades se provaram serem muitos extensas. De fato, havia uma meia dúzia de preceptórios e outras propriedades na área, o que cobria algumas vinte milhas quadradas. Em 1153 um nobre da região, um nobre com simpatias cátaras se tornou o Quarto Grão Mestre da Ordem do Templo. Seu nome era Bertrand de Blanchefort, e seu lar ancestral estava situado em um pico de montanha a umas poucas milhas de Bezu e de Rennes-le-Chateau. Bertrand de Blanchefort, que presidiu a Ordem de 1153 a 1170 foi provavelmente o mais importante de todos os Grãos Mestres Templários. Antes de seu regime, a hierarquia e a estrutura administrativa da Ordem eram, na melhor das hipóteses, nebulosas. Foi Bertrand que transformou os Cavaleiros Templários, em uma instituição soberbamente eficiente, bem organizada e magnicificamente disciplinada hierárquica que eles então se tornaram. Foi Bertrand que lançou o envolvimento deles na diplomacia de alto nível e na política internacional. Foi Bertrand que criou para eles uma maior esfera de interesse na Europa e particularmente na França. E segundo a evidência que sobrevive, alguns historiadores de Bertrand até mesmo listam o conselheiro dele precedendo como Grão Mestre, que foi Andre Montbard. Dentro de poucos anos da incorporação dos Templários, Bertrand não apenas havia se unido as suas fileiras, mas também conferiu a elas terras nas cercanias de Rennes-le-Chataux e Bezu. E em 1156, sob o regime de Bertrand como Grão Mestre, é dito que a Ordem importou para a área um contingente de mineiros de lingua alemã. Estes trabalhadores eram supostos se submeterem a uma rígida disciplina, virtualmente militar. Eles eram proibidos de confraternizar de qualquer modo com a população local e eram mantidos estritamente segregados da comunidade adjacente.

Um corpo judicial especial, ‘la Judicature des Allemands’, foi até mesmo criado para lidar com as tecnicalidades legais relativas a eles. E a alegada tarefa deles era trabalhar nas minas de ouro dos aclives da montanha em Blanchefort; minas de ouro que tinham sido completamente exauridas pelos romanos quase mil anos antes. Durante o século XVII  engenheiros foram comissionados para investigar as perspectivas mineralógicas da área e escreverem relatos detalhados. No curso do relato de um deles, Cesar d’Arcons, discutiu as ruínas que ele havia encontrado, restos da atividade dos trabalhadores alemães. Com base na pesquisa dele, ele declarou que os trabalhadores alemães não parecem terem se engajado em mineração. Então, no que eles estavam engajados? Cesar d’Arcons estava incerto, fundição talvez, derreter algo lá embaixo, construir algo de metal, talvez até mesmo escavar uma cripta subterrânea de algum tipo e criar uma espécie de depositório. Seja qual for a resposta a este enigma, lá tinha havido a presença dos Templários nas vizinhanças de Rennes-le-Chateau desde ao menos meados do século XII. Por 1285 havia um maior preceptório a umas poucas milhas de Bezu, em  Campagnesur-Aude. Ainda que perto do fim do século XIII, Pierre de Voisins, senhor de Bezu e Rennes-le-Chateau, tenha convidado um destacamento separado de Templários para a área, um destacamento especial da província Aragonesa de Roussillon. Este novo destacamento se estabeleceu no pico da montanha de Bezu, eregindo um posto de observação e uma capela. Ostensivamente, os Templários de Roussillon tinham sido convidados a Bezu para manterem a segurança da região e proteger a rota de romaria que passa pelo vale para Santiago de Compostela na Espanha. Mas não está claro porque estes cavaleiros extras deveriam ter sido solicitados. Em primeiro lugar eles não podem ter sido muito numerosos e nem suficientes para fazer uma diferença significativa. Em segundo lugar, já havia Templários nas vizinhanças. Finalmente,  Pierre de Voisins tinha tropas suas próprias, juntamente com os Templários que já estavam lá, que podiam garantir a segurança das cercanias. Porque, então, os Templários de Roussillon vieram a Bezu? Segundo a tradição local, eles vieram para espionar. E para explorar ou enterrar ou guardar um tesouro de algum tipo. Seja qual for a misteriosa missão deles, eles obviamente desfrutaram de algum tipo de imunidade especial. De todos os Templários da França,  eles foram deixados não molestados pelos senescais do Rei Felipe O Belo em 13 de outubro de 1307. Naquele dia fatídico, o comandante do contingente Tempário em Bezu era um Senhor de Goth. E antes de tomar o nome de Clemente V, o arcebispo de Bordeaux, o peão vacilante do Rei Felipe era Bertrand de Goth. Sobretudo, a mãe do novo pontífice era Ida de Blanchefort, da mesma família de Bertrand de Blanchefort. O papa então conhecia algum segredo confiado a custódia de sua família, um segredo que permaneceu na família até o século XVIII, quando o Abade Antoine Bigou, o cura de Rennes-le-Chateau e confessor de Marie de Blanchefort, compôs os pergaminhos encontrados por Sauiere? Se este foi o caso, o papa podia bem ter estendido algum tipo de imunidade ao seu comando parental dos Templários em Bezu. A história dos Templários perto de Rennes-le-Chateau foi claramente tão repleta de enigmas perplexantes quanto a história da Ordem em geral. De fato, há um número de fatores do papel de Bertrand de Blanchefort, por exemplo, que parecerem constituir uma ligação discernível entre os enigmas mais gerais e os localizados. Nesse meio tempo, contudo, fomos confrontados com um conjunto assustador de coincidências numerosas demais para serem mesmo coincidências. Estávamos de fato lidando com um padrão calculado? Se assim o for, a questão óbvia era quem divisou isso, porque padrões tão intrincados não se criam sozinhos. Toda a evidência a nós disponível aponta para o planejamento meticuloso e organização cuidadosa tão crescentemente que suspeitamos deva haver um grupo específico de indivíduos, talvez comprendendo uma ordem de algum tipo, trabalhando assiduamente por trás das cenas. Não temos buscado a confirmação para a existência de tal Ordem. A própria confirmação se empurrou sobre nós. A confirmação de documentos secretos de uma terceira ordem por trás dos Templários e dos Cistercianos pulou ela própria sobre nós. De início, todavia, não pudemos considerar isso seriamente.

Os Enigmas que Compõem a História

A materia parecia tão não confiável, tão vaga e nebulosa como fonte. Até que pudessemos autenticar a veracidade desta fonte, não podiamos acreditar nas afirmações dela. Em 1956 uma série de livros, artigos, panfletos e outros documentos relacionados a Berenger Sauniere e ao enigma de Renes-le-Chateau começou a aparecer na França. Este material tinha constantemente proliferado e agora é volumoso. De fato, ele vem a constituir a base para uma verdadeira ‘indústria’. E sua grande quantidade, bem como o esforço e os recursos envolvidos em produzir e disseminar isso, implicitamente atestam algo de imensa importância, ainda que não explicada. Não surpreendentemente, o caso tem servido para excitar o apetite de inúmeros pesquisadores independentes  como nós mesmos, cujos trabalhos tem se acrescentado ao corpo do material disponível. O material original, contudo, parece ter saído de uma única fonte específica. Alguns claramente tem um vestido interesse em ‘promover’ Rennes-le-Chateau, em chamar a atenção pública para a história, em gerar publicidade e investigação posterior. Seja o que mais que isso possa ser, este vestido interesse não parece ser financeiro. Ao contrário, parece ser mais da ordem de propaganda; uma propaganda que estabelece a credibilidade para algo. E seja quem possam ser os indivíduos responsáveis por esta propaganda, eles tem buscado focar os holofotes em certas matérias enquanto mantém-se escrupulosamente nas sombras. Desde 1956 a quantidade de material relevante que tem sido deliberadamente e sistematicamente ‘vazada’, do modo pouco a pouco, fragmento por fragmento. A maioria desses fragmentos propõem uma matéria, implicita ou explicitamente, de alguma fonte ‘privilegiada’ ou ‘interna’. A maioria contém informação adicional, que suplementa o que era conhecido antes e assim contribui para o enigma completo. Nem a importação nem o significado do enigma completo ainda tem sido tornado claro, contudo. Ao invés, cada novo bocado de informação tem feito mais para intensificar do que para resolver o mistério. O resultado tem sido uma rede sempre proliferante de alusões sedutoras, pistas provocativas, referências cruzadas sugestivas e ligações. Ao confrontar a riqueza de dados agora disponível, o leitor bem pode sentir que ele está sendo brincado com, ou sendo engenhosamente e talentosamente levado de conclusão a conclusão por sucessivas cenouras penduradas diante de seu nariz. E sob tudo isso tudo está a constante e pervasiva intimação de um segredo; um segredo monumental de proporções explosivas. O material disseminado desde 1956 tem tomado um número de formas. Parte dele tem aparecido em livros populares, até mesmo best-sellers, mais ou menos sensacionais, mais ou menos cripticamente instigantes. Assim, por exemplo, Gerard de Sede tem produzido uma sequência trabalhos sobre tais aparente tópicos divergentes como os Cátaros, os Templários, a dinastia Merovíngia, a Rosa Cruz, Sauniere e Rennes-le-Chateau. Nestes trabalhos de Sede está frequentemente arqueando, modesto, deliberadamente mistificando e coquetemente evasivo. Seu tom implica constantemente que ele sabe mais do que está dizendo, talvez um instrumento para ocultar que ele não sabe tanto quanto finge saber. Mas seus livros contém bastante detalhes verificáveis para construir uma ligação entre seus temas respectivos. Seja mais o que for que possa se pensar, de Sede efetivamente estabelece que os assuntos diversos a que se dirige se entrelaçam e de alguma forma forma estão interconectados. Por outro lado, não podemos senão suspeitar que o trabalho de de Sede baseia-se pesadamente na informação fornecida por um informante  e de fato, de Sede mais ou menos reconhece isso ele próprio. Muito por acidente, sabemos quem era o informante. Em 1971, quando embarcamos em nosso primeiro filme para BBC sobre Rennes-le-Chateau, escrevemos ao publicante de de Sede em Paris para certo material visual. As fotografias que solicitamos foram de acordo postadas para nós. Em cada uma delas, na parte de trás, estava impresso Plantard. Naquele tempo o nome significava pouco para nós. Mas o apêndice de um dos livros de de Sede consistia em uma entrevista com um Pierre Plantard. E subsequentemente obtivemos evidência que Pierre Plantard tinha estado envolvido com certos trabalhos de de Sede. Eventualmente Pierre Plantard começou a emergir como uma das figuras dominantes em nossa investigação.

A informação disseminada desde 1956 não tem sido sempre contida na forma popular e acessível de de Sede. Parte dela tem aparecido em tomos pesados, assustadores e até mesmo pedantes, diametralmente opostos a abordagem jornalística de de Sede. Um de tais trabalhos foi produzido por Rene Descadeillas, antigo Diretor da Biblioteca Municipal de Carcassone. O livro de Descadeillas é estenuosamente anti-sensacional. Devotado a história de Rennes-le-Chateau e suas cercanias, ele contém uma plétora de minúncias sociais e economicas por exemplo, de nascimentos, mortes, casamentos, finanças, impostos e trabalhos públicos entre os anos de 1730 e 1820. No todo, ele não pode possivelmente diferir mais dos livros para o mercado de massa de de Sede que Descadeillas em algum lugar se submete ao fatal criticismo. Além dos livros publicados, incluindo alguns que tem sido publicados particularmente, tem havido um número de artigos em jornais e revistas. Tem havido entrevistas com vários indivíduos que afirmam serem versados em uma ou outra faceta do mistério. Mas a mais importante parte da informação não tem, em sua maior parte, aparecido sob a forma de um livro. A maior parte dela tem emergido em algum lugar em documentos e planfletos não destinados a circulação geral. Muitos destes documentos e planfletos tem sido depositados, em edições impressas limitadas e particulares, na Biblioteca Nacional de Paris. Eles parecem tem sido produzidos muito baratamente. Alguns, de fato, são meras páginas datilografadas, fotolitografia, e reproduzidos em um duplicador de escritório. Até mesmo mais do que marcados trabalhos, este corpo de efemera parece ter sido emitido da mesma fonte. Por meio de anotações cripticas paralelas e notas de rodapé pertencentes a Sauniere, Rennes-le-Chateau, Poussin, a dinastia Merovíngia e outros temas, cada pedaço disso complementa, aumenta e confirma as outras. Na maioria dos casos o efemera é de autoria incerta, aparecendo sob uma variedade de pesudônimos transparentes e até mesmo ‘adoráveis” como  Madeleine Blancassal, por exemplo, Nicolas Beaucean, Jean Delaude e Antoine Ermite.

”Madeleine’, com certeza, se refere a Maria Madalena, a Madalena, a quem a Igreja de Rennes-le-Chateau é dedicada e a quem Sauniere consagrou sua Torre, a Tour Magdala. ‘Blancassal’ é formado pelo nome de dois pequenos rios que convergem perto da vila de Rennes-le-Bains, o Blanque e o Sals.  Beaucean é uma variação de Beauseante, o oficial grito de batalha e estandarte de batalha dos Cavaleiros Templários. Jean Delaude é Jean de Aude, ou João do Aude, o departamento no qual é situado Rennes-le-Chateau. E Antoine Ermite é Santo Antonio o Eremita cuja estátua adorna a igreja de Rennes-le-Chateau e cujo dia de festa é 17 de janeiro – a data na tumba de Marie de Blanchefort e a data na qual Sauniere sofreu seu ataque cardíaco fatal. A palavra atribuida a Madeleine Blancassal é intitulada “Os Descendentes Merovingios e o Enigma dos Razes Visigodos”. Razes sendo o velho nome para a região de Sauniere. Segundo sua página titulo, este trabalho foi originalmente publicado em alemão e traduzido para o francês por  Walter Celse-Nazaire, um outro pseudônimo composto dos Santos Celso e Nazaire, a quem a igreja de Rennes-le-Bains é dedicada. E segundo a página título, o publicante do trabalho foi a Grande Loja Alpina, a suprema loja maçonica da Suiça – o equivalente suiço da Grande Loja da Bretanha ou Grande Oriente na França. Não há indicação como e porque uma moderna loja maçonica deva apresentar tal interesse no mistério que cerca um obscuro cura paroquial francês do século XIX e a história de sua paróquia um milenio e meio atrás. Um de nossos colegas e pesquisador independente afirma pessoalmente ter visto o trabalho nas prateleiras da biblioteca Alpina. E subsequentemente descobrimos que a impressão Alpina apareceu em dois outros planfletos também.

De todos os documentos particularmente publicados depositados na Biblioteca Ncional, o mais importante é uma compilação de papéis intitulados coletivamente “Dossiês Secretos’. Catalogo número 249, esta compilação agora está em microfilme. Até recentemente, contudo, ela compreendiam um pequeno volume não descrito, uma espécie de pasta com capas rígidas que contém uma frouxa semelhança dos itens ostensivamente não relacionados  de novos recortes, cartas coladas em folhas, panfletos, inúmeras árvores genealógicas, e estranhas páginas impressas aparentemente extraídas de algum outro trabalho. Periodicamente algumas das páginas individuais seriam removidas. Em tempos diferentes outras páginas seriam recentemente inseridas. Em certas páginas adições e correções algumas vezes seriam feitas em uma minúscula escrita completa. Em uma data posterior, estas páginas seriam substituídas por novas, impressas e incorporando todas as emendas prévias. O groso dos Dossiês, que consiste em árvores genealógicas, é atribuido a um Henri Lobineau, cujo nome aparece na página título. Dois itens adicionais na pasta declaram que Henri Lobineau é ainda um outro pseudônimo derivado talvez de uma rua, a Rue Lobineau, que corre fora de São Suspílcio em Paris e que as genealogias são realmente o trabalho de um homem chamado Leo Schidlof, um historiador austríaco e antiquário que supostamente viveu na Suiça e morreu em 1966. Com base nesta informação, quisemos saber o que pudéssemos sobre Leo Schidlof. Em 1978 conseguimos localizar a filha de Leo Schidlof, que estava vivendo na Inglaterra. Seu pai, ela disse, era de fato austríaco. Ele não era um genealogista, historiador ou antiquário, contudo era um especialista e comerciante de miniaturas, que tinha escrito dois trabalhos sobre o assunto. Em 1948 ele havia se estabelecido em Londres, onde viveu até sua morte em Viena em 1966, o ano e lugar especificado nos Dossiês Secretos. Miss Schidlof veementemente manteve que seu pai nunca tinha tido interesse em genalogias, na dinastia Merovíngia, ou nos misteriosos acontecimentos no sul da França. Ainda que, ela continuou, certas pessoas obviamente acreditassem que ele tivesse. Durante a década de 1960, por exemplo, ele tinha recebido inúmeras cartas e telefonemas de individuos não identificados tanto da Europa quanto dos Estados Unidos, que desejavam se encontrar com ele para discutir assuntos dos quais ele não tinha qualquer conhecimento. Em sua morte em 1966, houve outra barreira de mensagens, a maioria perguntando sobre os papéis dele. Seja qual for o caso no qual o pai de Miss Schifold foi envolvido, parece ter tocado uma corda sensível do governo americano. Ele havia pedido visto de entrada nos Estados Unidos. A aplicação foi recusada com base em uma suspeita espionagem ou alguma outra forma de atividade clandestina. Eventualmente o assunto foi revisto e o visto emitido e Leo Schidlof foi admitido nos Estados Unidos. Isto bem pode ter sido uma típica confusão burocratica. Mas Miss Schidlof parecia suspeitar que ela de alguma forma estava ligada com preocupações arcanas tão perplexantes atribuidas ao seu pai. A historia de Miss Schidlof nos deu uma pausa.  A recusa do visto americano pode bem ter sido uma coincidência, porque havia, entre os papéis nos Dossiês secretos, referências que ligavam o nome de Leo Schidlof com algum tipo de espionagem internacional. Neste meio tempo, todavia, um novo panfleto havia aparecido em Paris que, durante os meses que se seguiram, foi confirmado por outras fontes. Segundo este panfleto, o escorregdio Henri Lobineau não era afinal Leo Schidlof, mas um aristocrata francês de linhagem distinta, o Conde Henri de Lenoncourt. A questão da real identidde de Lobineau nÃo era o único enigma associado aos Dossiês Secretos.

Havia também um item que se referia a Maleta de Couro de Leo Schidlof. Esta maleta supostamente continha um número de papéis secretos relacionados a Rennes-le-Chateau entre 1600 e 1800. Pouco depois da morte de Schidlof, a maleta foi dita ter passado para as mãos de um mensageiro, um certo Fakhar ul Islam que, em fevereiro de 1967, estava para se encontrar na Alemanha Oriental com um ‘agente delegado de Genebra’ e confiar a maleta a ele. Antes que a transação pudesse ser efetuada, contudo, Fakhar ul Islam foi relatadamente expulso da Alemanha Oriental e voltou a Paris para aguardar ordens posteriores. Em 20 de fevereiro de 1967 seu corpo foi encontrado nos trilhos da ferrovia em Melun, tendo sido atirado do expresso Paris-Genebra. A maleta supostamente desapareceu. Iremos examinar esta lúrida história tão longe quanto pudermos. Uma serie de artigos nos jornais franceses de 21 de fevereiro confirmam isso. Um corpo decapitado tinha sido de fato encontrado nos trilhos em Melun. Ele foi identificado como um jovem paquistanês chamado Fakhar ul Islam. Por razões que permanecem oscuras, o homem morto foi expulso da Alemanha Oriental e estava viajando de Paris para Genebra engajado, assim parecia, em algum tipo de espionagem.  Segundo os relatos dos jornais, as autoridades suspeitavam de um delito, e o caso estava sendo investigado pelo DST [Diretorio de Vigilância Territorial, ou Contra-espionagem]. Por outro lado, os jornais não fizeram menção a Leo Schidlof, uma maleta de couro ou qualquer coisa mais que ligasse a ocorrência com o mistério de Rennes-le-Chateau. Como resultado, nos deparamos com um número de perguntas. Por um lado, era possível que a morte de Fakhar ul Islam estivesse ligada a Rennes-le-Chateau que, o item nos Dossiês Secretos de fato dirigiam para uma ‘informação interna’ inacessível aos jornais. Por outro lado, o item nos Dossiês Secretos pode ter sido uma mistificação deliberada e espúria. Precisava-se apenas encontrar qualquer morte suspeita ou inexplicável e atribuir isto, depois do fato, a um de seus próprios cavalos. Mas se este de fato fosse o caso, qual era o propósito do exercício? Porque alguém deliberadamente tentaria criar uma atmosfera de intriga sinistra ao redor de Rennes-le-Chateau? O que poderia ser ganho pela criação de uma tal atmosfera? E quem poderia lucrar com isso? Estas questões nos deixaram a todos perplexos, mas porque a morte de Fakhar ul Islam não foi, aparentemente, uma ocorrência isolada.

Menos de um mês depois um outro trabalho particularmente impresso foi depositado na Biblioteca Nacional. Era era chamdo A Serpente Vermelha, e datado simbolícamente, e muito sigificativamente, de 17 de janeiro. Sua página título o atribuia a três autores: Pierre Feugere, Louis Saint-Maxent e Gaston de Koker. A Serpente Vermelha é um trabalho singular. Ele contém uma genealogia Merovíngia e dois mapas da França nos tempos Merovíngios, junto com um comentário apressado. Ele também contém uma planta de solo de São Suspílcio em Paris, que delineia as capelas dos vários santos da igreja. Mas o grosso do texto consistem em 13 tipos de poemas em prosa de impressiva qualidade literária, muitos deles reminescentes dos trabalhos de e cada um corresponde a  um signo do Zodíaco; um zodíaco de 13 signos, com o 13o., Ophiuchus ou Mantenedor da Serpente, inserido entre Escorpião e Sagitário. Narrado na primeira pessoa, os 13 poemas em prosa são um tipo de simbólico: ou romaria alegórica, começando com Aquário e terminando com Capricórnio que, como afirma o texto explicitamente, preside sobre 17 de janeiro. Em um outro texto críptico, há referências familiares – a família Blanchefort, as decorações da igreja em Rennes-le-Chateau, a algumas das inscrições de Sauniere lá, a Poussin e a pintura dos “Pastores da Arcadia” , ao moto na tumba [Et Arcadia Ego]. Em um ponto, há menção a uma ’serpente vermelha’, citada nos pergaminhos, enrolada através dos séculos em uma explícita alusão, assim  parece, a uma linhagem sanguínea ou linhagem. E do signo astrológico de Leão, há um parágrafo enigmático digno de ser citado em sua inteireza: “Dela que eu desejo libertar, lá flutua em minha direção, a fragrância do perfume que impregna o Sepulcro. Antigamente, alguns a chamavam: Isis, rainha de todas as fontes benevolentes. Venham a mim todos que sofrem e estão aflitos e eu lhe darei o repouso. Para outros, ela é Madalena, do celebrado vaso cheio de bálsamo curador. O iniciado sabe o verdadeiro nome dela: NOTRE DAME DES CROSS.” As implicações deste parágrafo são extremamente interessantes. Isis, de fato, é a Deusa Mãe Egípcia, a patrona dos mistérios da ‘Rainha Branca’ em seus aspectos benevolentes, a ‘Rainha Negra’, nos aspectos malévolos. Inúmeros escritores, sobre mitologia, antropologia, psicologia, teologia tem traçado o culto da Mãe Deusa dos tempos pagãos à época cristã. E segundo estes escritores, ela é dita ter sobrevivido sob a Cristandade sob o disfarce da Virgem Maria, a ‘Rainha do Céu’, como a chamava São Bernardo, uma designação aplicada no Velho Testamento a Deusa Mãe Astarte, o equivalente fenício de Isis. Mas segundo o texto da Serpente Vermelha, a Deusa Mãe da Cristandade não parece ser virgem.  Ao contrário, ela pareceria ser Madalena a quem a igreja de Rennes-le-Chateau é dedicada e a quem Sauniere consagrou sua torre. Sobretudo, o texto pareceria implicar que Notre Dame não se aplica a Virgem também. Este título ressonante conferido em todas as grandes catedrais da França também pareceriam se referir a Madalena. Mas porque Madalena deve ser reverenciada como ‘Nossa Senhora’ e, ainda mais, como a Deusa Mãe? A maternidade é a última coisa geralmente associada a Madalena. Na popular tradição cristã ela é uma prostituta que acha a redenção ao aprender com Jesus. E ela figura mais importantemente no Quarto Evangelho, onde ela é a primeira pessoa a ver Jesus depois da Ressureição. Em consequência, ela é exaltada como Santa, especialmente na França, onde é dito ela ter trazido o Santo Gral.

Mas entronizar Madalena no lugar gerealmente reservado a Virgem pareceria, no mínimo, ser heretíco. Seja qual for o ponto, os autores da Serpente Vermelha – ou, muito mais,  os alegados autores, encontraram um destino tão pavoroso quanto aquele de Fakhar ul Islam. Em 6 de março de 1967, Louis Saint-Maxent e Gaston de Koker foram encontrados enforcados. E no dia seguinte, 7 de março, Pierre Feugere foi encontrado enforcado também. Pode-se imediatamente assumir, com certeza, que estas mortes estão de algum modo  ligadas com a composição e divulgação pública da Serpente Vermelha. Como no caso de Fakhar ul Islam, contudo, não se pode descartar uma explicação alternativa. Se alguém quisesse criar uma aura de mistério sinistro, seria muito fácil o fazer. Precisaria apenas folhear os jornais até encontrar uma morte suspeita ou, neste caso, três mortes suspeitas. Depois do fato, pode-se então apensar os nomes dos mortos a um panfleto de própria criação de alguém e depositar este panfleto na Biblioteca Nacional com uma data anterior [17 de janeiro] na página título. Seria virtualmente impossível expor uma tal fraude, que certamente produziria a desejada intimação do delito. Mas porque perpetrar uma tal fraude afinal? Porque alguém desejaria evocar uma aura de violência, assassinato e intriga? Um tal golpe dificilmente deteria os investigadores. Ao contrário, ele posteriormente os atrairia. Se, por outro lado, não estamos lidando com uma fraude, havia ainda um número de pergunts perplexantes. Acreditaríamos, por exemplo, que estes três homens foram vítimas de suicídio ou de assassinato? Suicídio, nas circunstâncias, parece fazer pouco sentido e assasinato não parece fazer muito sentido mais. Pode-se entender três pessoas sendo despachadas para que elas não divulguem certa informação.  Mas neste caso a informação já havia sido divulgada, já havia sido depositada na Biblioteca Nacional. Podem os assassinatos se é que eles tenham sido uma forma de punição, ou retribuição? Ou talvez um meio de evitar qulquer indiscrição subsequente? Nenhuma destas explicações é satisfatória. Se alguém está zangado pela revelação de uma certa informação, ou se alguém deseja evitar adicionais revelações, não atrai atenção sobre o assunto ao cometer um trio de lúridos e sensacionais assassinatos a menos que esteja razoavelmente confiante que não haverá um inquérito muito assíduo. Nossas próprias aventuras no curso de nossa investigação foram misericordiosamente menos dramáticas mas igualmente mistificantes. Em nossa pesquisa, por exemplo, temos encontrado repetidas referências ao trabalho de um Antoine Ermite intitulado ‘Um Tesouro Merovíngo em Rennes-le-Chateau’. Tentamos localizar este trabalho e rapidamente o encontramos listado no catálogo da Biblioteca Nacional; mas ele se provou incomumente difícil de se obter. Todo dia, durante uma semana, fomos a biblioteca e preenchemos a ficha de requisição do trabalho. Em cada ocasião a ficha retornou marcada ‘comunique’, indicando que o trabalho estava sendo usado por alguém mais. Isto por sí só não é não usual. Depois de um período de duas semanas, contudo, isso começou a se tornar assim e tão exasperante também, porque não podíamos permanecer em Paris por muito tempo mais. Pedimos a ajuda de um bibliotecário. Ele nos disse que o livro estaria indisponível por três meses – uma situação extremamente não usual e que não podiámos encomendar isto antecipadamente ao seu retorno. Na Inglaterra não muito depois uma amiga nossa anunciou que ela estava indo a Paris para umas férias. Pedimos a ela para tentar