Bin Laden

O Tiro pela Culatra: Bin Laden, CIA e a Guerra Americana contra o Afganistão

Compilado por Richard Sanders,
Coordenador, Coalisão Para se Opor ao Comércio de Armas
09/12/01 20:42

Blowback é o termo que a CIA usa para descrever uma situação quando algum agente operativo, um terrorista ou alguma situação que eles tenham criado saia de controle e se vire contra eles. Esta é uma situação onde o cientista (Frankenstein) cria um monstro que ataca seu criador.

Manuel Noriega, Saddam Hussein, Timothy McVeigh e Osama bin Laden são todos bons exemplos de tiros pela culatra. Todos eles foram nutridos por muitos anos pela CIA, os militares americanos ou a inteligência militar. Todos eles eventalmente “sairam pela culatra.”.

Abaixo você encontrará alguns backgrounds sobre a guerra da CIA no Afganistão. Mais pesquisa é necessária sobre as conexões de Bin Laden com a CIA e suas contrapartes no Paquistão. Alguém tem algumas horas disponíveis para encontrar a informação sobre as conexões da CIA com Bin Laden? Isto seria muito útil para se aprofundar. Você pensaria que as pessoas possam querer a conexão deste camarada com os frupos terroristas patrocinados pelos EUA.

Aqui estão alguns fatos básicos no contexto no qual Bin Laden emergiu. Todos menos um dos seguintes artigos são da matéria COAT da CIA (#43) http://www.ncf.ca/coat/our_magazine/links/issue43/issue43.htm (Janeiro de 2001: Uma História das Pessoas da CIA: A subversão da democracia da Austrália ao Zaire)

Pre-1979-1989, Afganistâo: A grande Guerra encoberta da CIA

de Mark Zapezauer

Durante os anos de Reagan, a CIA dirigiu aproximadamente duas dúzias de operações cobertas contra vários governos. Entre estas, a do Afganistão foi a maior; era, de fato, a maior operação da CIA de todos os tempos, tanto em termos de dólares gastos (US$5 a US$6 bilhões) quanto a pessoal envolvido.

Seu principal propósito era o de “sangrar” a União Soviética, do mesmo modo em que os EUA foi sangrado no Vietnã. Antes da invasão russa de 1979, o Afganistão era governado por um ditador brutal. Como seu vizinho xá do Irã, ele permitiu que a CIA colocasse instalações de radar em seu país que eram utilizadas para monitorar os soviéticos. Em 1979, depois que várias dezenas de conselheiros foram massacrados por homens tribais afegãos, a União Soviética enviou o Exército Vermelho.

Os soviéticos tentaram instalar um flexível regime cliente, sem levar em consideração as atitudes locais . Muitos dos mullahs que controlavam pedaços do território afegão faziam objeção aos esforços soviéticos para educar as mulheres e instituir reformas agrárias. Outros, ultrajadados pelas tentativas soviéticas de suprimir o comércio da heroína, mudaram suas operações para o Paquistão.
Quanto a CIA, seu objetivo era simplesmente humilhar os soviéticos ao armar qualquer pessoa que quisesse lutar contra eles. A agência fornecia dinheiro e armas para mais de uma dúzia de grupos de guerrilhas, muitos dos quais tinham feito ataques relâmpagos do Paquistão muitos anos antes da invasão soviética. Por muitos anos, muito depois dos soviéticos deixarem o país, a maioria destes grupos ainda estava lutando entre eles próprios pelo controle do país.

Um notável veterano da operação afegã é o Sheique Sheik Abdel Rahman, famoso por ser papel no bombardeio do World Trade Center.

A CIA teve sucesso em criar o caos, mas nunca desenvolveu um plano para terminar com isto. Quando já havia dez anos que a guerra tinha acabado, um milhão de pessoas havia morrido e a heroína afegã havia capturado 60% do mercado americano.

Fonte: Exctraído de CIA’s Greatest Hits
<http://www.thirdworldtraveler.com/CIA%20Hits/Afghanistan_CIAHits.html

Osama bin Laden

de Michael Moran, Editor Internacional, MSNBC.

Desde o início da decáda de 1990, Osama bin Laden, herdeiro da fortuna de construção saudita, tem financiado ataques a interesses americanos e de seus aliados árabes.

Como declara sua biografia desclassificada da CIA, bin Laden deixou a Arábia Saudia em 1979 para lutar com o exército soviético no Afganistão. Por volta de 1984, ele estava dirigindo o Maktab al-Khidamar (MAK) que recebia dinheiro, armas e combatentes na guerra afegã. MAK era nutrida pela agência de inteligência paquistanesa, o primeiro condutor da CIA para realizar a guerra encoberta no Afganistão. Bin Laden e militantes islâmicos do Egito, Paquistão, Líbano, Síria e refugiados dos campos palestinos no Oriente Médio, eram parceiros na guerra da CIA.

Por 1988, bin Laden rompeu com o relativamente convencional MAK e estabeleceu um novo grupo, al-Qaida, que incluiu muitos membros do MAK .

Fonte: MSNBC, 24 de agosto de 1998.

http://www.msnbc.com/news/190144.asp

Misséis Stinger

de Christopher Kremmer

Os mísseis stinger, que buscavam os pontos quentes, disparados supersonicamente dos ombros de lançadores foram doados generosamente pela CIA para inflingir uma explosão humilhante da União Soviética.

De 1986 a 1989, a CIA distribuiu mais de mil destes mísseis de superfície para o ar aos mujihadeen afegãos, que usaram alguns deles para derrubar 270 aeronaves soviéticas. Os EUA ainda está procurando estes mísseis stinger, temendo que eles possam estar nas mãos de extremistas islâmicos, como Osama bin Laden, ou governos estrangeiros hostis.

Em um esquema encoberto de comprar de volta, custeado pelo Congresso americano, a CIA tem oferecido mais de $US175.000 por peça, cinco vezes o seu custo original, para recuperar estes mísseis. O esquema iniciamente provocou uma inundação de respostas dos senhores de guerra afgãos e dos sombrios intermediários paquistaneses. Centenas de Stingers são acreditados ainda não terem sido localizados.

Os técnicos paquistaneses treinaram os combatentes mujihadeen para usar os Stingers, que alcançavam uma taxa de 79% de ataque. A parte do leão dos mísseis foi para o líder mujihadeen, Gulbuddin Hekmatyar, que se tornou Primeiro Ministro Afegão apoiado pelos EUA. Agora ele está exilado no Irã. Há rumores que a China, Irã e Coréia do Norte estão entre os países que possuem stinger comprados dos comandantes afegãos.

Fonte: The Age, 15 de abril de 1999.

Mujahedeen: Os Heróis da Heroína da CIA

CIA apoiou pesadamente os mujahedeen pesadamente envolvidos no tráfico de drogas enquanto lutavam contra o governo apoiado pelos soviéticos e seus planos de reformar a sociedade afegã muito retrógrada. O principal cliente da CIA era Gulbuddin Hekmatyar, um dos principais senhores das drogas e um maior refinador de heroína. A CIA fornecia caminhões e mulas, que tinham carregado armas dentro do Afganistão, e foram usadas para transportar ópio aos laboratórios ao longo da fronteira afegã-paquistanesa. Eles forneciam mais da metade da heroína usada anualmente nos EUA e 3/4 da que era usada na Europa Oriental. Oficiais norte americanos admitiram em 1990 que eles tinham fracassado em investigar ou tomar ação contrária a operação das drogas. Em 1993, um oficial da Agência Americana de Repressão às Drogas [DEA] chamou o Afganistão de nova Colômbia do mundo das drogas.

Fonte: William Blum, A Brief History of CIA Involvement in the Drug Trade, 1997.
<http://serendipity.magnet.ch/cia/blum1.html>

The Los Angeles Times, May 4, 2000

As consequências de Nossas ações Externas: O sentimento Americano dos Efeitos do Tiro pela Culatra
por Chalmers Johnson

Nossas agências de Inteligência — a CIA e suas rivais no Pentágono — tem uma história de criar neologismos para descrever o nosso mundo que encobrem mais do que revelam. Tem sido orgulhosos apelidos como “apoio a nação hospedeira”, significando pagar a países estrangeiros para basear nossas tropas no solo deles, e jargão militar como “guerra de baixa intensidade” que reempacota os conflitos mais brutais em uma linguagem antiséptica.

Agora e então, contudo, uma nova palavra útil emerge do labirinto de nossos serviços secretos. A media americana recentemente começou a usar o termo “blowback” [o tiro pela culatra]. Agentes da CIA tinham isto para uso interno no despertar das decisões das administrações de Carter e Reagan para mergulhar profundamente a agência na guerra civil do Afganistão. Não foi muito antes da CIA estar secretamente armando cada voluntário moujahedeen a vista, sem considerar quem eles eram ou quais poderiam ser as políticas deles – tudo em nome de assegurar que a União Soviética tivesse sua própia experiência tipo Vietnã.

Não muitos anos depois, estes “lutadores da liberdade” começaram a aparecer em lugares inesperados. Eles bombardearam o World Trade Center na cidade de New York, assasinaram vários empregados da CIA na Virginia e alguns homens americanos de negócios no Paquistão e deram apoio a Osama bin Laden, um “bem” primário da CIA quando nossos conselheiros de segurança nacional não tinham receio de dar armas a fundamentalistas religiosos.

Neste contexto, “blowback” se torna a abreviação das consequências não intencionadas de nossas políticas americanas mantidas secretas do povo americano. De fato, para os oficiais da CIA e um crescente número de estudados americanos, blowback tem se tornado um termo de arte reconhecendo que os atos secretos, incontidos, frequentemente ilegais dos EUA em outros países que podem resultar em retaliação contra inocentes cidadãos americanos. Estes truques sujos das agências estão como um nervo dolorido para que nunca se estabeleça uma conexão com o que eles fazem e o que algumas vezes acontece para aqueles que pagam seus salários.

Assim somos supostos acreditar que os bombardeios das embaixadas americanas na África Oriental em 1998, a proliferação das armas sofisticadas de assassinato em massa, por todo o mundo, ou a epidemia da cocaína crack nas cidades americanas são simples exemplos de terrorismo, o trabalho de inescrupulosos traficantes de armas, senhores da droga, odios antigos, Estados hostis; qualquer coisa que não esteja ligada às políticas globais americanas.

Talvez o termo “blowback” possa nos ajudar a religar certos atos violentos contra americanos à politicas as quais eles secretamente – no que diz respeito aos americanos – disseminaram. De fluxos de refugiados através de nossas fronteiras ao sul de países onde os EUA apoiaram a repressão e que tem criado as condições de desesperança, até as políticas econômicas dos EUA que tem levado a uma miséria inimaginável, o blowback nos reintroduz em um mundo de causa e efeito.

Também devemos considerar a ampliação da aplicação mundial para tomar as consequências não pretendidas das políticas americanas que possam ter para outros. Por exemplo, até mesmo se as políticas que nosso governo estimulou e produziram o colapso econômico da Indonesia em 1997 nunca foram o tiro pela culatra para os EUA, as consequências não pretendidas para os indonésios tem estado a espera. Elas incluem a probreza, séria violência étnica e talvez desintegração política. Similarmente, nossas “mãos sujas’ na derrubada do Presidente Salvador Allende no Chile e na instalação do Gen. Augusto Pinochet, que subsequentemente matou milhares de seus próprios cidadãos, estão agora se tornando públicas. Até mesmo quando os tiros pela culatra de nossas políticas atingem principalente outros povos, isto tem um efeito corrosivo sobre nós, tirando a base do discurso político e nos fazendo nos sentir enganados quando as notícias finalmente emergem.

Os EUA gostam de pensar deles próprios como o vencedor da Guerra Fria. Com toda probabilidade, para aqueles que estejam olhando os tiros pela culatra de um século, ninguém venceu, particularmente se os EUA mantenham seu atual curso imperial.

Chalmers Johnson é Presidente do Instituto de Pesquisa de Política Japonesa e Autor of Blowback: the Costs and Consequences of American Empire (Metropolitan Books, 2000)

http://www.ratical.org/ratville/JFK/JohnJudge/linkscopy/RSblowback.html

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Published in: on abril 5, 2008 at 6:05 pm  Deixe um comentário  
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