Colômbia

Bush, Colômbia e Narco-Política

de: Andrés Cala
9 de março de 2008 (Originalmente publicado em 8 de agosto de 2007)

http://www.consortiumnews.com/2008/030908a.html

Nota do Editor: Em 1o. de março, as forças armadas colombianas atravessaram a fronteira com o Equador para matar 24 esquerdistas da guerrilha colombiana, inclusive um dos comandantes principais, Raul Reyes. O ataque provocou uma confrontação contraposta à Colômbia pelo Equador e a Venezuela, que condenou a violação da soberania do Equador e ressaltou que Reyes era uma figura chave nas negociações para libertação de prisioneiros e uma possível redução nas tensões políticas.

A administração Bush defendeu o direito da Colômbia atacar “terroristas” até mesmo se isto exigir cruzar a fronteira, uma posição ecoada pelos candidatos presidenciais deste ano, inclusive Hillary Clinton e Barack Obama. De fato, dos círculos de opinião de Washington, houve quase nenhuma crítica ao Presidente colombiano Alvaro Uribe, embora o círculo interno dele tenha a muito tempo sido ligado tanto ao terrorismo de direita, quanto ao tráfico de cocaína.

Em agosto passado, o jornalista Andres Cala examinou a nova evidência sobre os laços de Uribe com este escuro submundo da violência latino americana. Estamos republicando esta reportagem abaixo:

A estratégia de George W. Bush de antagonizar o presidente esquerdista da Venezuela, Hugo Chávez, ao estreitar os laços com o governo direitista da Colômbia tem sido barateada pela recente evidência da corrupção de alto nível de drogas e violações dos direitos humanos, implicando o círculo interno do Presidente Alvaro Uribe.

Estas novas alegações sobre a narco-política da Colômbia têm manchado a reputação de Uribe justamente quando Bush o tem sido exibido como um político educado, tipo Harvard e Oxford, bem como o paradigma de valores democráticos e uma alternativa para o agitado Chávez, que tem usado a riqueza do petróleo da Venezuela para financiar programas sociais para os pobres da região.

A despeito das revelações de corrupção e o fracasso de Uribe de impedir que a cocaína colombiana seja contrabandeada para os EUA, a administração Bush continua a chover sobre o governo de Uribe incentivos de comércio e bilhões de dólares em ajuda militar e ao desenvolvimento.

Com outros líderes regionais não se voluntariando a ficar do lado dos EUA contra Chavez, Bush pode ver pouca alternativa além de manter o curso do Uribe, de 55 anos de idade, e esperar que a corrupção na Colômbia não chame muita atenção nos EUA e na América do Sul.

Ironicamente, a mais recente evidência contra o governo de Uribe emergiu de um processo de paz sustentado pelos EUA que ofereceu complacência aos esquadrões da morte paramilitares de ala direita e seus sustentadores financeiros em troca de abrirem mão de suas armas e revelar os crimes passados.

Os paramilitares direitistas e seus benfeitores, traficantes de cocaína, testemunharam que elementos do governo colombiano colaboraram em uma campanha de uma década de terra queimada para não deixar recursos que matou quase que 10.000 civis, enquanto buscava desalojar o exército da guerrilha esquerdista conhecido como Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou FARC.

As confissões incluem histórias cheias de sangue de assassinatos políticos, contrabando de cocaína e corrupção do governo. Como um resultado, dúzias de ex e atuais congressistas, governadores, ministros de governo, oficiais militares, proeminentes líderes de negócios e corporações multinacionais estão sendo investigados ou tem sido presos.

Este chamado “para escândalo” revelou que a força de contra insurgência, conhecida como Forças Unidas de Auto Defesa da Colômbia, ou AUC, colaborou com os senhores das drogas para controlar o comércio da cocaína e simultaneamente trabalhou com as elites da Colômbia, inclusive com a família de Uribe, para defender-se da ameaça da guerrilha.

Um outro desdobramento problemático do processo de paz foi a criação de um paraíso seguro para os senhores das drogas, que apinharam um santuário de 370 quilômetros quadrados criado para a AUC.

O chefe da máfia colombiana, Fabio Enrique Ochoa Vasco, de 47 anos, que foi indiciado na Flórida em Setembro de 2004 por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, afirmou que ele era um dos 10 mais procurados traficantes nos EUA que encontrou proteção no santuário de Santa Fe Ralito.

Os líderes da AUC “prometeram incluir seus apoiadores financeiros na negociação” como um meio de escudar os alegados traficantes de cocaína contra a extradição para os EUA, Ochoa Vasco contou a uma revista colombiana em junho.

Isto tudo foi pré arranjado em 2001, segundo os paramilitares e narrativas dos senhores de drogas. Se Uribe vencesse as eleições para a presidência, os líderes paramilitares receberiam generosas reduções de sentenças e teriam permissão para servir o seu time fora das celas das prisões se eles desmobilizassem e confessassem.

A Ochoa Vasco, que alegadamente embarca 8 toneladas de cocaína mensalmente para os EUA, foi dito que ele e outros aliados da AUC seriam sentenciados na Colômbia por um máximo de 12 anos, muito mais que enfrentar as possíveis sentenças de prisão perpétua nas prisões americanas.

A História de Uribe

As novas revelações também tem trazido de volta à atenção pública a longa história da família de Uribe de laços com os senhores das drogas e milícias paramilitares. A Suprema Corte da Colômbia anunciou em julho que estava investigando o Senador Mario Uribe, primo do presidente e seu homem de ponta no congresso colombiano, por alegados links com a AUC.

Vários líderes paramilitares tem dito que Mario Uribe era um de seus aliados e um intermediário com o governo. Ele tem negado qualquer má ação.

Mas o link da família de apoio aos senhores das drogas data de várias décadas. Como um jovem e aspirante político, Álvaro Uribe perdeu sua posição como prefeito de Medellín “depois de somente cinco meses no cargo” porque o presidente do país o expulsou por causa das suspeitas conexões de sua família com os traficantes, segundo relatos da media daquele tempo.

O pai dele, Alberto Uribe, um rico proprietário de terras, reputadamente tinha sido um estreito associado do cartel de Medellín e seus chefes, tais como Pablo Escobar e os irmãos Ochoa, que eram amigos pessoais.

Em 1983, Alberto Uribe foi reportadamente procurado pelo governo dos EUA por tráfico de drogas, quando foi morto em uma tentativa de sequestro pela FARC. Segundo relatos da media, seu corpo foi transportado por via aérea para a sua família por um dos helicópteros de Escobar.

No início da década de 1990, o irmão de Álvaro Uribe, Santiago, foi investigado por alegadamente organizar e liderar uma milícia paramilitar que tinha seu quartel general na “hacienda” da família Uribe. Ele nunca foi acusado e o caso foi desmentido por falta de evidência. Mas Santiago foi fotografado ao lado de Fabio Ochoa em uma festa, até mesmo depois que o governo tinha declarado que Ochoa era um dos mais notórios chefes do cartel de Medellín.

O incidente com Santiago Uribe coincidiu com os 8 anos no senado de Álvaro Uribe, onde ele se opôs a extradição de suspeitos de drogas. Seus críticos o acusam de trabalhar para o cartel de Medellín .

Mas, o relacionamento entre os paramilitares financiados pelo narco tráfico, direitistas e o governo colombiano tem sido longo e complexo, com mudanças de alianças baseadas no auto interesse do momento.

Em 1992, DEA, CIA e os militares americanos, juntamente com os serviços de inteligência colombianos, uniram forças com o cartel de Cali, equiparam e coordenaram um grupo a descoberto de mercenários conhecidos como Pepes, um acrônimo para Perseguidos por Pablo Escobar. Entre seus líderes estava Carlos Castaño, que mais tarde dirigiria a AUC.

Sistematicamente, os Pepes assassinaram os principais homens de confiança de Escobar e suas famílias, finalmente matando o próprio Escobar em 1993. Os Pepes então se partiram. Alguns foram criar seus próprios impérios de drogas, enquanto Castaño construiu um exército paramilitar financiado por ricos proprietários de terras e comerciantes de drogas.

Desde a guerra contra a organização de Escobar, Castaño e o cartel de Cali “bem como oficiais militares colombianos” tem afirmado que trabalham lado a lado com as agências americanas, mas as autoridades americanas tem negado tal aliança.

A alienação de Washington se ampliou em 1994 quando o Presidente Ernesto Samper assumiu o poder entre revelações que a campanha dele tinha recebido doações dos cartéis de drogas. O Presidente Bill Clinton cortou a maior parte da ajuda e racionou algum suporte militar para a Colômbia por causa dos laços de Samper com os traficantes de drogas.

Com menos ajuda americana, o exército colombiano era incapaz de conter a FARC e os acres de coca decolaram. Os dirigentes da Colômbia responderam com a criação das milícias paramilitares que usavam o terror para reduzir o apoio popular às guerrilhas.

O governo de Samper empurrou o que foi conhecido como projeto Convivir. Suas cooperativas de defesa local armadas, treinadas e organizadas para fornecer ” segurança especial privada e serviços de vigilância” junto com as forças armadas, criaram uma outra cobertura para as forças paramilitares direitistas.

Subida de Uribe

A subida política de Alvaro Uribe foi ligada ao sucesso do Convivir. Em 1995, Uribe se tornou governador de Antioquia, um distrito a noroeste que tem Medellín por capital.

Uribe era o maior apoiador vocal do país às cooperativas de defesa, autorizando dúzias delas e com quase 20 destas cooperativas apoiadas por Uribe dirigidas por líderes paramilitares, inclusive o atual top comandante da AUC, Salvatore Mancuso. [Castaño, que operava em um estado diferente, não era um deles.]

Castaño é citado em uma biografia como dizendo que Uribe era o candidato á presidência com base de apoio social da AUC.

“Profundamente, ele é o homem mais próximo de nossa filosofia”, disse Castaño, acrescentando que o apoio de Uribe ao Convivir era baseado no mesmo princípio que deu origem ao paramilitarismo na Colômbia, o direito de auto defesa contra as guerrilhas.

Quando confrontado com as acusações de cumplicidade entre o Convivir e os paramilitares ligados às drogas, Uribe disse que naquele tempo ninguém sabia quem eram os líderes direitistas e os traficantes de cocaína.

Depois de um clamor internacional, contudo, o governo vagarosamente anulou em fases o Convivir. Ao tempo em que isto foi declarado ilegal, em 1998, contudo, mais de 200 cooperativas de defesa, contando milhares de homens, desafiaram a ordem para desmobilizar e se uniram à nova aliança paramilitar de Castaño, a AUC.

O Projeto Convivir tinha outras consequências a longo prazo. Além de estabelecer e armar milícias parmilitares, o projeto criou uma rede de cooperação entre os militares da Colômbia e os esquadrões da morte direitistas. Alguns líderes paramilitares, tais como Castaño, afirmaram que a CIA e o DEA também, deram um apoio discreto a AUC.

Ao menos dois altos comandantes paramilitares tem afirmado que os militares colombianos coordenaram operações de contra insurgência com a AUC.

“Sou uma prova viva do paramilitarismo patrocinado pelo Estado na Colômbia”, disse Mancuso da AUC em seu afidavit [declaração juramentada] mais cedo neste ano.

Os líderes da AUC tem nomeado vários oficiais colombianos de alto ranking como havendo colaborado com os paramilitares, inclusive o ex General Rito Alejo del Rio, o oficial comandante da Antioquia durante o governo de Uribe.

Quando concorria pela presidência em 2002, Uribe citou o percebido sucesso do programa Convivir em danificar a infraestrutura da FARC na Antioquia como uma razão chave pela qual os colombianos deviam votar nele.

A despeito das suspeitas de drogas “e os links aos esquadrões da morte paramilitares”, Uribe se beneficiou do desencantamento público com um interrompido processo da paz que tem fracassado em finalizar a guerra civil. Uribe emergiu vencedor com 53% dos votos.

Depois da eleição de Uribe, vários barões da droga afirmaram ter financiado sua campanha. O indiciado traficante Ochoa Vasco disse que ele contribuiu com US$150.000 de seu próprio dinheiro por soliciação da AUC.

Ochoa Vasco também disse que testemunhou uma conversa entre os líderes da AUC e supostos representantes da campanha de Uribe antes da eleição.

“Eles falaram sobre o processo de paz”, disse Ochoa Vasco. “Eles disseram que qualquer um com problemas com os EUA poderia ser envolvido. E em um outro encontro, havia homens de negócios, proprietários de terras e traficantes de drogas que a AUC pensou que eles também pudesssem ser incluídos, asssim eles disseram que eles ficassem prontos para o processo de paz.”

Todos os líderes paramilitares que negociaram o acordo de paz “sabiam a verdade. Eles sabiam que tinham de estar lá, eles investiram mais de 10 milhões de dólares”, disse Ochoa Vasco.

As negociações do governo com a AUC começaram quatro mess depois de Uribe tomar posse. Castaño se reconheceu como um oponente da corrupção das drogas que, por então, claramente infiltrava a AUC. Ele se exonerou como líder militar da AUC.

Em abril de 2004, Castaño foi emboscado por 20 paramilitares de elite seguindo as ordens dos principais líderes da AUC. Ele recebeu quase 12 tiros no rosto, foi partido em pedaços e queimado.

Os líderes sobreviventes da AUC e traficantes de drogas disseram que Castaño foi assassinado porque ele estava negociando sua rendição ao DEA juntamente com toda informação de tráfico sobre a AUC e seu governo e militares aliados. As autoridades americanas tem negado qualquer negociação.

Aliança Uribe-Bush

Enquanto isso, Uribe se colocou solidamente por trás do Presidente George W. Bush ao se tornar o únco líder sul americano a endossar a invasão do Iraque por Bush. Uribe também recebeu mais ajuda militar americana na medida em que ele definia a guerra civil contra a esquerdista FARC como parte da “guerra global contra o terror”.

A espinha dorsal da política dos EUA na Colômbia é o Plano Colômbia, um programa de ajuda militar principalmente para combater a produção de drogas e exércitos irregulares, mais notavelmente a FARC e a AUC. Desde 2001, Washington tem enviado mais de US$5 bilhões para Bogotá.

Não obstante, o Plano Colômbia pôs pouca batida na produção de cocaína. A acreagem de coca em 2006 estava ligeiramente maior que em 2001, quando o Plano Colômbia foi implementado. A acreagem foi reduzida em 2003 e 2004 mais disparou novamente em 2005 e 2006.

Mas o sucesso de Uribe em conter a violência política impulsionou sua popularidade na Colômbia. Ele pressionou vigorosamente a guerra contra a FARC, forçando as guerrilhas esquerdistas a uma retirada tática. Sobretudo, Uribe reduziu os números de assassinatos, sequestros e massacres em aproximadamente um terço.

O Congresso controlado por Uribe também aprovou a Lei de Justiça e Paz, que lançou um processo de paz com os paramilitares direitistas que desmobilizaram 30.000 homens e muheres. A lei foi escrita pelo Senador Mario Uribe, o primo que agora está sendo investigado por seus laços com a AUC. Até mesmo a administração Bush criticou os termos da lei como abertamente leniente.

Com a popularidade de Uribe crescendo, ele conseguiu que seus aliados do congresso mudassem a constituição para permitir um segundo período de mandato presidencial. Uribe então ganhou de roldão a reeleição em 2006, recebendo 62% dos votos.

Ainda que o molestassem as acusações de corrupção e violação não punidas dos direitos humanos.

Várias investigações, especialmente aquelas lideradas pela Suprema Corte da Colômbia, vagarosamente reuniram evidência contra ex e atuais oficiais do governo e figuras proeminentes entre a elite do país.

Estas evidências implicaram dúzias de atuais e ex membros do Congresso; oficiais militares de alto ranking, inclusive o atual chefe de staff; inteiros batalhões do exército alegadamente trabalhando para os cartéis de drogas; proeminentes homens de negócios; e alguns dos aliados mais próximos de Uribe, inclusive o pai e o irmão da ex Ministro das Relações Exteriores da Colômbia,María Consuelo Araújo.

Em março de 2006, um laptop pertencente a um top líder paramilitar foi tomado em um raid. O computador continha detalhada informação sobre as operações de tráfico de drogas, assassinatos cometidos durante o processo de paz, lista de alvos potenciais de outras vítimas, o plano da AUC para influenciar o governo, e uma lista de contribuidores e aliados políticos.

Uma das listas de alvos estava ligada ao serviço de inteligência da Colômbia e seu diretor, Jorge Noguera, um aliado próximo de Uribe que o Presidente nomeou cônsul em Milão depois que a investigação inicial foi aberta.

Noguera foi mais tarde preso por seus laços com a AUC e traficantes de drogas, por filtrar informação para a AUC, apagar evidência incriminadora de vários traficantes de drogas e líderes paramilitares, por cumplicidade nos assassinatos de vários líderes de união, e por obstruir operações para capturar seus aliados.

Outros oficiais da inteligência colombiana também foram presos, inclusive um oficial de alto ranking, Rafael García, que testemunhou ter rasurado evidência a pedido de Noguera. García também acusou Noguera de conspirar para assassinar o Presidente da Venezuela, Chávez, em coordenação com oficiais de alto nível da administração de Uribe, embora García não desse seus nomes.

O líder paramilitar Mancuso também acusou o Ministro de Defesa de Uribe, Juan Manuel Santos, em seu depoimento da conspiração com a AUC para matar o Presidente da Venezuela, Chávez, embora não esteja claro se Santos era um dos homens que o agente de inteligência García estava se referindo. Santos negou a acusação.

Então, em dezembro de 2006, embaraçado pela criminalidade em andamento na AUC no paraíso de segurança de Santa Fe Ralito, o governo colocou alguns líderes paramilitares na prisão. Mas, até mesmo lá, eles continuaram a viver uma alta vida no topo de suas operações criminosas.

A imprensa local publicou em maio transcrições de gravações de grampos revelando que os líderes da AUC continuavam a ordenar assassinatos e a dirigir o tráfico de drogas de dentro da prisão, enquanto se divertiam com festas de dança, orgias sexuais e álcool. Eles receberam “amigos mexicanos” e tinham acesso irrrestrito a telefones celulares e a Internet.

Em uma conversa, o frustrado guarda presidiário se queixou a um colega que as ordens dela eram constantemente passadas por cima pelos superiores dela quando os líderes paramilitares chamavam para se queixar o comissário da paz, ministros do governo e até mesmo o Presidente. O guarda carcerário logo requisitou ser realocado.

Enfurecido pelas revelações dos gampos, Uribe ordenou a exoneração de 12 top generais na polícia, mas ele pouco disse sobre a evidência da criminalidade da AUC além de prometer uma outra investigação.

Líderes da AUC também ameaçaram quebrar o processo de paz, acusando o governo de mudar os termos. Eles se sentiram traídos, eles disseram, e ameaçaram discriminar todos os seus aliados na elite, incluindo políticos, homen de negócios e multinacionais.

Problema Regional

A OEA, que tem supervisionado o processo de paz com a AUC, tem sido crítica dos resultados. A OEA avisou que os paramilitares estão se rearmando e reorganizando sob nomes diferentes, com laços mais fortes com os traficantes de drogas, e estão sendo liderados por alguns dos mesmos líderes que supostamente haviam se rendido.

O Secretário Assistente da OEA, General Albert Ramdin, disse este ano que o processo de desmobilização da AUC pode bem fracassar em resolver o problema da Colômbia com os grupos paramilitares financiados pelas drogas.

A abordagem da Colômbia “pode desencadear um prodesso de justiça e verdade que poria um fim aos grupos paramilitaes nas regiões e levaria à reconstrução do Estado”, disse Ramdin. “Ou, por outro lado, poderia acentuar a influência dos grupos paramilitares ligados ao tráfico de drogas.”

A despeito dos problemas da Colômbia “a corrupção, o abalado processo de paz e as deficiências de seu programa anti drogas”, Bush tem continuado a mostrar um pródigo suporte a Uribe. Chamando Uribe de verdadeiro democrata e forte líder, Bush tem visitado a Colômbia duas vezes, inclusive mais cedo neste ano, e se encontrou com Uribe várias vezes em Washington.

“Estou orgulhoso de chamar [Uribe] de amigo e aliado estratégico” Bush disse durante uma das visitas de Uribe. Em Bogotá, o Presidente dos EUA disse: “Aprecio a determinação do Presidente [colombiano] para trazer à justiça os violadores dos direitos humanos. Acredito que, dada uma chance justa, o Presidente Uribe pode realizar isto”.

Bush pediu ao Congresso americano para aumentar o suporte financeiro ao Plano Colombia, mas os Democratas cortaram a ajuda militar de 80% para 65% da alocação total, enquanto aumentavam a ajuda econômica e humanitária. Sobretudo, os Democratas anexaram extritas condições para o total de US$530 milhões.

Democratas tembém tem condicionado a ratificação deles para um acordo de livre comércio com a Colômbia se Uribe melhorar os registros de direitos humanos no país e processar os líderes paramilitares.

Na América do Sul, Uribe tem vagarosamente se mantido em uma esquina ao apoiar Bush. Enquanto a maioria dos países sul americanos tem se tornado mais críticos da política externa americana e seu Acordo de Livre Comércio das Américas, a Colômbia tem com dedicação apoiado as políticas de Bush e se distanciado de seus vizinhos.

Brasil e Equador tem relações mais próximas com a Venezuela, como o fazem a maioria dos países da região, em agudo contraste a uma década atrás. A Colômbia tem sido mantida fora da união de comércio regional, o Mercosul, enquanto a Venezuela espera entrar neste ano.

Uribe também tem perdido algum apoio regional em sua luta contra a FARC. O Equador tem resistido de rotular a FARC como uma organização terrorista, mas criticou o Plano Colômbia e exigiu reparações pelo dano colateral inflingido pelas forças colombianas sobre a população equatoriana na fronteira.

Enquanto isto, o escândalo da droga e da corrupção tem crescido. Embora Uribe tenha negado a maioria das acusações, o senhor das drogas Ochoa Vasco tem dito que ele voluntariamente pode negociar sua rendição ao DEA juntamente com a prova que sustenta suas acusações.

Ochoa Vasco disse que alguns líderes da AUC e traficantes de drogas agora estão dispostos a negociar a rendição deles com as agências de cumprimento legal americanas para evitarem serem assassinados na Colômbia, na medida em que forças poderosas buscam desesperadamente silencia-los e finalizar o “para escândalo”.

Em julho, Henao Gómez Bustamante “atribuidamente o mais importante senhor das drogas desde Pablo Escobar”, foi extraditado para enfrentar as acusações de tráfico de drogas nos EUA. Ele é acreditado ter sido um jogador chave na política direitista e um dos principais financiadores da AUC.

O alvo de ao menos meia dúzia de tentativas de assassinato enquanto estava na prisão, Gómez Bustamante disse a uma revista que ele preferia ser extraditado que assassinado. Ele também disse que revelará toda a informação sobre a corrupção das drogas na Colômbia, a infiltração da AUC e os cartéis mexicanos, em troca dde uma sentença mais leniente.

Seja como for que isto acabe sendo provado, contudo, o vazamento da evidência que liga Uribe a vasta indústria da cocaína colombiana e a história dos assassinatos políticos no país são más notícias para o Presidente Bush já que ele conta com Uribe para servir como modelo para o futuro da América do Sul e como uma peça importante contra Hugo Chávez.

O jornalista baseado em Madrid, Andrés Cala, tem escrito sobre o conflito civil da Colômbia desde 1998. Um jornalista premiado, trabalhou em seis países para vária matérias, incluindo-se Wall Street Journal, Dow Jones Newswires e Associated Press.

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Published in: on abril 5, 2008 at 6:04 pm  Deixe um comentário  
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