Ebola Virus

Ebola Virus

Encontrando o Doutor Morte

Forrest M. Mims III
Copyright 2006 de Forrest M. Mims III.

Há sempre algo especial sobre os encontros científicos. O 109.o Encontro da Academia de Ciências do Texas, na Universidade de Lamar em Beaumont, no período de 3 a 5 de março de 2006 foi especialmente excitante para mim, porque um estudante e seu professor apresentaram or resultados de um estudo de DNA que sugeri a eles no ano passado. Quanta realização por ver as folhas de baldcypress ( Taxodium distichum) que coletei no verão passado e minhas fotografias do anel da árvore transformados em uma apresentação científica de primeira classe que está quase pronta para ser submetida a uma revista científica (Brian Iken e Dr. Deanna McCullough, “Bald Cypress of the Texas Hill Country: Taxonomically Unique?” 109th Meeting of the Texas Academy of Science Program and Abstracts [ PDF ], Poster P59, p. 84, 2006).

Mas houve um lado gravemente perturbador daquele encontro científico que, caso contrário, seria significativamente científico, quando ví com surpresa como umas poucas centenas de membros da Academia de Ciências do Texa se levantaram e deram uma sonora ovação a uma palestra que entusiasticamente advogou a eliminação de 90% da população da Terra pela disseminação aérea do Ebola. A palestra foi dada pelo Dr. Eric R. Pianka, um ecologista evolucionário e expert em lagartos da Universidade do Texas que a Academia nomeou Cientista Distinguido do Texas em 2006.

Algo curioso ocorreu um minuto antes de Pianka começar a falar. Um oficial da Academia se aproximou de um operador de câmera de vídeo na frente do auditório e o engajou em uma animada conversa. O operador de câmera não parecia contente quanto ele apontou as lentes da grande câmera para o teto e vagarosamente começou a andar, se distanciando.

Este curioso incidente me veio a mente uns poucos minutos mais tarde quando o Professor Pianka começou sua fala ao explicar ao público geral que este ainda não estava pronto para ouvir o que ele tinha a nos dizer. Por causa dos muitos anos de experiência como escritor e editor, a estranha introdução de Pianka e o incidente da câmera de TV levantaram a bandeira vermelha em minha mente. Repentinamente esqueci que eu era um membro da Academia de Ciências do Texas e presidente de sua Seção de Ciência Ambiental. Ao invés, agarrei um bloco de notas e assim pude assumir o papel de repórter científico.

Um dos pontos iniciais de Pianka era a condenação do antropocentrismo, ou a idéia de que a humanidade ocupa uma posição privilegiada no Universo. Ele contou uma história sobre como um vizinho perguntou a ele que bons são os lagartos para que ele os estude. Ele respondeu, “Quão bom é você?”

Pianka martelou este ponto ao exclamar, “Não somos melhores do que uma bactéria!”

Pianka então começou a expor suas preocupações sobre como a superpopulação humana está arruinando a Terra. Ele apresentou um cenário de dia final no qual ele clamou que o agudo aumento da humanidade desde o início da era industrial está devastando o planeta. Ele advertiu que se não forem dados passos rápidos para restaurar o planeta será tarde demais.

Salvando a Terra com o Ebola

O Professor Pianka disse que a Terra que nós conhecemos não sobreviverá sem medidas drásticas. Então, e sem apresentar quaisquer dados para justificar este número, ele assertou que a única solução possível para salvar a Terra é reduzir a população a 10% do número atual.

Ele então mostrou soluções para a redução da população mundial na forma de um slide apresentando os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. A guerra e a fome não farão isto, ele explicou. Ao invés, a doença ofereceu o meio mais rápido e eficaz de matar bilhões que devem morrer logo, se a crise da população é para ser resolvida.

Pianka então apresentou um slide contendo linhas de crânios humanos, um dos quais tinha luzes vermelhas piscando dos buracos dos olhos.

AIDS não é um assassino eficiente porque é lenta demais, ele explicou. Seu candidato favorito para a eliminação de 90% da população mundial é a disseminação aérea do Ebola ( Ebola Reston ), porque ele é altamente letal e mata em poucos dias, ao invés de em anos. Contudo, o Professor Pianka não mencionou que as vítimas do Ebola tem uma morte vagarosa e torturante na medida em que o vírus inicia uma cascata de calamidades biológicas dentro da vítima que eventualmente liquefaz os órgãos internos.

Após louvar o vírus Ebola por sua eficiência em matar, Pianka fez uma pausa, se inclinou sobre o púlpito, olhou-nos cuidadosamente e disse “Temos obtido uma disseminação aérea com mortalidade de 90% dos humanos. Matar humanos. Pense sobre isto”.

Com seu slide de crânios humanos na tela acima e atrás dele, o Professor Pianka estava mortalmente sério. A audiência que tinha estado aplaudindo algumas destas declarações agora estava sentada e silenciosa.

Depois de uma drástica pausa, Pianka voltou a políticas e ambientalismo. Mas ele revisitou sua chamada pelo assassinato em massa quando refletiu sobre a situação do petróleo.

” E os combustíveis fósseis estão acabando”, disse ele.”assim penso que podemos ter que ficar com dois bilhões, o que é aproximadamente um terço do número de pessoas. Então a crise do petróleo sozinha pode requerer eliminar dois terços da população mundial.”.

Quão cedo deve começar o extermínio em massa se a Terra é para ser salva? Aparentemente bem cedo, porque Pianka sugeriu que ele pode estar por aqui quando a doença assassina começar a trabalhar. Ele nasceu em 1939, e seu longo obituário aparece no website dele.

Quando Pianka acabou suas observações, a audiência aplaudiu. Não foi meramente um aplauso polido que as audiências reservam diplomaticamente para palestrantes pobres ou tediosos. Foi um aplauso alto, vigoroso e entusiástico.

Perguntas para o Dr. Morte

Então veio a parte de perguntas e respostas, na qual o Professor Pianka afirmou que outras doenças também são assassinos eficientes.

A audiência riu quando ele disse, “Você sabe que a gripe aviária também é boa”. Eles riram novamente quando ele propôs, com uma discernível nota de regozijo em sua voz que, “Precisamos esterilizar todo mundo na Terra.”

Depois de ressaltar que a audiência não representava a população geral, um interrogador perguntou, “Que tipo de recepção você tem recebido quando apresenta estas idéias para outras audiências que não são representativas de nós?”

Pianka replicou, “Falo aos convertidos!”

Pianka respondeu mais perguntas condenando os políticos em geral e Al Gore nominalmente, porque eles não abordam o problema da população e… “porque eles enganam o público do todo modo que podem para permanecer no poder.”

Ele falou brilhantemente da política de Estado da China que impõe um só filho. Ele disse, ‘As pessoas mais inteligentes tem menos filhos.” Ele disse que aqueles que não tem uma consciência sobre a Terra herdarão a Terra, “… porque aqueles que importam tem menos bebês e aqueles que não importam tem mais.” Ele disse que evoluiremos como pessoas sem cuidado e “Penso que os QIs estão caindo pela mesma razão também.”

Com isto, o questionamento acabou. Imediatamente quase que todo cientista, professor e colega estudante ficaram de pé e aplaudiram vigorosamente o homem que tinha entusiasticamente endossado a eliminação de 90% da população humana. Alguns até mesmo torceram. Dúzias então cercaram o professor no púlpito para apresentar cumprimentos e fazer perguntas. Foi preciso esperar um pouco para que eu pudesse me aproximar o bastante para tirar algumas fotografias.

Fui designado para julgar um trabalho de uma competição de estudantes depois da palestra. No caminho, três professores desmentiram Pianka como um excêntrico. Enquanto esperava para entrar na sala da competição, um grupo de uma dúzia de estudantes da Universidade de Lamar expressou ultraje pela palestra de Pianka.

Ainda que cinco horas depois, o distinto líder da Academia de Ciências do Texas presenteou Pianka com uma placa em reconhecimento por ter sido nomeado Cientista Distinguido do Texas de 2006. Quando a sala de banquete estava cheia com mais de 400 pessoas respondendo com aplauso entusiástico, fiquei do lado de fora, em protesto.

Correspondendo-me com o Dr. Morte

Recentemente troquei alguns e-mails com Pianka. Ressaltei a ele que alguém pode inferir que seu desejo de morte estava realmente destinado aos africanos, porque o Ebola é apenas encontrado na África Central. Ele replicou que o Ebola não discrimina, mata qualquer um e pode se espalhar para a Europa e as Américas por um único passageiro infectado.

Em seu último e-mail, Pianka escreveu que fracassei completamente em entender seus argumentos. Assim fiz um exame e encontrei a verificação da minha interpretação de suas observações em seu próprio website. Em uma avaliação de estudante de um curso de 2004 que ele ensinou, um dos estudantes do Professor Pianka escreveu, “Embora eu concorde que a biologia de conservação [sic] seja da maior importância para o mundo, não penso que pregar que 90% da população mundial deva morrer pelo ebola [sic] seja o meio mais eficaz de encorajar a consciência da conservação .”

Ainda que a maioria das revisões dos estudantes dele fossem favoráveis, com um deles até mesmo dizendo “Venero Dr. Pianka.”

A palestra de 45 minutos diante da Academia de Ciências do Texas converteu um senior da biologia da universidade em um discípulo de Pianka, que então publicou um blog que sustenta seriamente o desejo de morte em massa de Pianka.

Tempos Perigosos

Deixe-me agora remover meu chapéu de repórter por um momento e lhe dizer o que eu penso. Vivemos tempos perigosos. A segurança nacional de muitos países está em risco. A ciência tem se tornado corrompida por casos altamente propagandizados de má conduta e fraude.

Devemos agora nos preocupar que a adoração de um ex estudante de Pianka possa algum dia vir a ser um biologista ou médico profissional com acesso as cadeias mais mortais de vírus e bactérias? Acredito que a disseminação aérea do Ebola seja improvável de ameaçar o mundo fora da África Central. Mas os cientistas tem regenerado o vírus da gripe espanhola de 1918 que matou 50 milhões de pessoas. Há a preocupação que a varíola possa voltar algum dia. E que outras pragas terríveis estão esperando lá fora no mundo natural para cruzar a barreira das espécies e que cientistas um dia terão acesso?

Neste meio tempo, ainda não posso retirar da minha mente o agradável dia de primavera no Texas quando umas poucas centenas de cientistas deram uma ovação de pé a um orador que eles tinham ouvido advogar a morte vagarosa e torturante de mais de 5 bilhões de seres humanos.

Forrest M. Mims III é o Presidente da Seção de Ciências Ambientais e o editor de The Citizen Scientist. Ele e sua ciência são encontrados online em

www.forrestmims.org
e
www.sunandsky.org.

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Published in: on abril 5, 2008 at 5:10 pm  Deixe um comentário  
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