INSLAW / PROMIS

INSLAW / PROMIS

O Repórter Danny Casolaro tinha estado seguindo uma enorme rede de crime que é ligada a um programa de software chamado PROMIS, criado por uma companhia chamada Inslaw. Os executivos da Inslaw afirmaram que o PROMIS tinha sido roubado pelo governo e eles queriam ser indenizados. Enquanto acompanhava esta tortuosa história, Casolaro subitamente se tornou “suicida”. Ele tinha dito aos amigos dele que se lhes fosse dito que ele cometera suicídio, não acreditassem nisto, e soubessem que ele fora assassinado. Isto é uma conspiração muito, muito real e muito grande que tem sido alegada, embora secretamente, pela media principal.

“Isto é muito pior que Watergate.”

A seguir um trecho retirado do sumário do Governo das “queixas da Inslaw”:

Baseado em seu conhecimnto e crença, os Hamiltons [William e Nancy, proprietários da Inslaw] tem alegado que oficiais de alto nível no Departamento de Justiça conspiraram para roubar o avançado sistema de software chamado PROMIS. Como um elemento deste roubo, estes oficiais, que incluiram o ex Advogado Geral Edwin Meese e o Vice Advogado Geral Lowell Jensen, forçaram a INSLAW a ir à falência ao intencionalmente criar um vergonhoso contrato de disputa sobre os termos e condições que levaram à suspensão dos pagamentos devidos a Inslaw, pelo Departamento. Os Hamiltons sustentam que, depois de levar a companhia à falência, oficiais de justiça tentaram forçar a conversão do estado de falência da INSLAW do Capítulo 11: Reorganização, para o Capítulo 7: Liquidação. Eles avaliam que uma tal mudança na falência resultaria na venda forçada dos bens da INSLAW, incluindo o avançado programa de software PROMIS, para rivalizar uma companhia de computador chamada Hadron, Inc., a qual, naquele tempo, estava tentando conduzir um boicoite hostil da INSLAW.
Hadron, Inc., era controlada pela Biotech Capital Corporation, sob controle do Dr. Earl Brian, que era o presidente e diretor da corporação. Os Hamiltons avaliam que mesmo embora a tentativa de modificar o status de falência da INSLAW não tenha tido sucesso, o avançado programa PROMIS foi eventualmente fornecido ao Dr. Brian por indivíduos do Departamento com o conhecimento e o apoio do então Advogado Geral Meese, que tinha previamente trabalhado com o Dr. Brian no gabinete do Governador da Califórnia Ronald Reagan e mais tarde na Casa Branca com Reagan.
Segundo os Hamiltons, a meta máxima da conspiração era posicionar a Hadron e outras companhias de propriedade ou controladas pelo Dr. Brian para tirar vantagem de aproximadamente 3 bilhões de dólares, o que valia o processar automaticamente dados e contratos de atualização, planejados serem contemplados pelo Departamento de Justiça durante a década de 1980.
A informação obtida pelos Hamiltons por meio de declarações juramentadas de vários indivíduos, incluindo Ari Ben- Menashe, um ex agente israelense do Mossad, e Michael Riconosciuto, um indivíduo que afirma ter laços com a comunidade de inteligência, indicado como elemento deste empreendimento criminal em andamento por Mr. Meese, Dr. Brian e outros, incluiu as modificações no PROMIS para indivíduos associados com o mundo das cobertas operações de inteligência.
Os Hamiltons afirmam que a modificação do PROMIS foi um elemento essencial do empreendimento, porque o software foi subsequentemente distribuído pelo Dr. Brian para agências de inteligência internacionamente com uma rotina de “porta dos fundos’ [“back door”], de forma que as agências de inteligência americanas podiam encobertamente entrar neste sistema quando precisavam. Os Hamiltons também apresentaram informação indicando que o PROMIS tinha sido distribuído a várias agências federais, inclusive FBI, CIA e DEA.

A Morte de Um Jornalista Expõe um Governo Secreto
Novembro de 1991
de Paul DeRienzo

Joseph (Danny) Casolaro era um poeta, autor e jornalista investigativo que foi encontrado morto em agosto passado, aparentemente por suas próprias mãos, em um hotel da Virgínia Oriental. Embora uma nota de suicídio tenha sido encontrada perto de seu corpo, seus amigos e família lançam dúvidas sobre a versão do legista, que Casolaro tenha cortado seus próprios pulsos ao menos dez vezes enquanto permanecia sentado em uma banheira.

Casolaro estava planejando escrever um livro que exporia a história por trás do roubo de 1982 pelo Departamento de Justiça, rastreando e seguindo o fluxo de trabalho de um software de gerenciamento chamado PROMIS (PROsecution Management Information Systems), para ser usado pelas agências públicas de processo legal. O software, que hoje ainda está em uso, permite que os promotores rapida e acuradamente rastreiem casos correndo através das cortes.

A investigação tinha levado o pai divorciado de 44 anos a um mundo embrumado de crime organizado, cobiça corporativa e possivelmente operações encobertas da CIA que podem ter feito que Casolaro entrasse de cabeça em uma conspiração por homens com conexões com os mais altos níveis do governo americano, uma conspiração que Casolaro chamou de Octopus, por causa de seus tentáculos levarem desde o ramo de ação encoberta da CIA até o coração do mais infame escândalo da nossa era.

Casolaro sustentou até sua morte que o software PROMIS foi roubado e modificado pelo governo para vendas a agências de inteligência de vários países por todo o mundo. Ele baseava sua teoria principalmente no testemunho de um cientista, Michael Riconosciuto, que disse a uma corte federal que o software tinha sido retirado da reserva indígena Cabazon, no sul da Califórnia.

Riconosciuto disse à corte que ele foi contratado para modificar o PROMIS para venda a agências de inteligência em vários países, incluindo Iraque, Egito, Canadá, Israel e Jordânia, pelo Dr. Earl W. Brian, o chefe da Infotechnology Inc, uma companhia holding baseada em New York, financiada pelo mercado de obrigações financeiras por grandes investidores institucionais como Merrill Lynch Inc.
Entre a miríade de companhias controladas pela Infotechnology Inc está a United Press International (UPI), e até recentemente, o Financial News Network (FNN).

Dr. Brian tem negado as acusações, que ele chama de “tecido de mentiras”, mas segundo Maggie Mahar, a editora senior do prestigioso jornal de negócios, O conselho de Brian para a esposa do então conselheiro de Reagan, Edwin Meese, que comprasse ações da Infotechnology Inc, foi foco de investigações que quase sabotaram a nomeação de Meese como Advogado Geral. Foi durante a permanência de Meese como Advogado Geral que o roubo do software PROMIS ocorreu.

Riconosciuto previu que seu testemunho enfureceria poderosas figuras do governo e de fato logo depois dele dar este depoimento no caso INSLAW, foi preso e acusado de ter um laboratório de cocaína em Tacoma, Estado de Washington, onde ele atualmente está preso.

O Departamento de Justiça, sob o Advodado Geral do governo do Presidente Ronald Reagan, e a muito tempo associado deste, Edwin Meese, comprou o software dos Hamilton por US$10 milhões.

Segundo Hamilton,tão logo o Departamento de Justiça recebeu a entrega da versão de 1980 do PROMIS, eles renegaram o contrato e retiraram o pagamento, forçando a INSLAW a ir à falência. O Departamento de Justiça então lançou o que Bill Hamilton chamou de “um esforço encoberto” para liquidar completamente a Inslaw, e a Inslaw retaliou processando o Departamento de Justiça na Corte Federal de Falências. Depois de um julgamento de três semanas, o Juiz George Bason determinou que os oficiais do Departamento de Justiça roubaram 44 cópias do PROMIS, “por meio de traição, fraude e falsidade”, e então tentaram retirar a INSLAW dos negócios.

Uma Corte Federal de Apelação mais tarde confirmou os fatos no caso, mas transformou a decisão sobre a matéria técnica alegando que o processo havia corrido na jurisdição errada. A decisão está sendo apelada à Suprema Corte. Contudo, dez anos mais tarde, Bill Hamilton diz que ele não “recebeu um centavo” pelo PROMIS, enquanto 44 promotorias pelo país ainda estão usando o software.

Um mês depois de seu julgamento a favor dos Hamiltons, o Juiz Bason recebeu a chocante e bizarra notícia que sua reindicação para a corte havia sido negada, e que ele seria substituído por S. Martin Teel, um dos advogados do Departamento de Justiça que argumentou sem sucesso o caso contra a Inslaw diante de Bason.

Bill Hamilton traça seus problemas com o Departamento de Justiça a um telefonema recebido em 1983 de Dominic Laiti, o então presidente da Hadron Inc. Segundo Hamilton, depois de se identificar, Laiti disse que Hadron estava buscando um monopólio no fornecimento de software para cumprimento legal, e ele queria “comprar” a Inslaw. Hamilton diz que Laiti terminou o telefonema dizendo a ele que a Hadron “tinha contactos muito bons na atual administração”. Quando Hamilton declinou a venda da Inslaw, ele diz que Laiti retrucou, “temos meios de fazer você vender.”

Embora Laiti tenha negado que o telefonema tenha acontecido, Hadron definitivamente desfrutava de alguns “muito bons contactos políticos”. Hadron é controlada pela companhia do Dr. Earl Brian, a Infotechnology Inc.

No deserto oeste de Los Angeles perto da cidade de Indio, fica a reserva indígena de Cabazon. Uma pequena tribo, com apenas 30 membros, com uma enorme autoridade. Até 1980 a tribo não tinha água corrente nem eletricidade e cada negócio tribal era um fracasso.

A fortuna de Cabazon começou a mudar depois da chegada em 1978 de John P. Nichols, um não indígena, como administrador chefe da tribo. Nichols, um auto descrito agente operacional da inteligência que uma vez passou na prisão 18 meses por tentar arranjar um contrato de assassinato, trouxe uma maior operação de jogo de azar para a terra Cabazon. A reserva, reclamando a soberania como uma nação independente dentro dos EUA, logo adotou o estilo de cassino de Las Vegas, e altas apostas no salão de bingo, ambos financiados pelas concessões do Departamento de Casas e Desenvolvimento Urbano dos EUA.

Segundo o livro “Inside Job” de Stephen Pizzo, que documenta o escândalo de poupança e empréstimos, John P. Nichols era um sócio de negócios de um maior jogador S&L que obteve empréstimos questionáveis do Bank of Credit and Commerce International (BCCI), e do Silverado Bank no Colorado, que tinha em sua mesa de diretores Neil Bush, o filho do Presidente George Bush.

Uma recente série de artigos sobre a Reserva Indígena de Cabazon de autoria de Robert Littman no San Francisco Chronicle, relatou que os investidores privados estavam esperando tirar vantagem do status de nação soberana de Cabazon. Os investidores, que incluiam um grupo canadense, construíram ou planejaram uma usina elétrica de US$150 milhões e um luxuoso projeto de residência de 1300 unidades chamado Indian Village (com custeio do HUD), e um vasto incinerador de lixo médico, tudo sem declarações de impacto ambiental que normalmente seriam necessárias na Califórnia.

O artigo do The Chronicle também descreve uma tentativa de Nichols iniciar uma joint venture entre Cabazon e a corporação Wackenhut. Wackenhut, que conta com muitos ex agentes de inteligência entre seus diretores, é o terceiro maior fornecedor nacional de prisões partculares. O negócio da companhia se expandiu grandemente durante a guerra do Iraque, na medida em que os executivos e agências do governo reforçavam sua segurança. Nos anos recentes, Wackenhut tem sido substituída pelo Marine Corp. dos EUA como força de segurança para embaixadas no exterior, e eles também fornecem segurança para instalações de armas nucleares como Rocky Flats, Colorado e a área de teste nuclear em Nevada.

Um executivo senior da Wackenhut disse para a revista Computerworld, em abril passado, que embora a companhia tivesse entrado em uma joint venture com Cabazon, ela não tinha equipado a operação e a venture ficou encurralada quando não venceu qualquer contrato. Contudo, o repórter do Chronicle, Robert Littman disse à radio Pacifica em setembro que até recentemente os não informados guardas de segurança uniformizados da Wackenhut podiam ser vistos patrulhando a terra Cabazon.

Um cronista do caso Inslaw, Harry V. Martin, editor do Napa Valley Sentinel, descreveu Wackenhut durante um especial da WBAI sobre o caso Inslaw.

Se você viu o filme RoboCop, a corporação que estava dirigindo este departamento de polícia – isto é exatamente o que Wackenhut está se tornando. Em outras palavras, ela está tomando as funções do cumprimento da lei com base em um contrato. E a companhia é formada por antigo pessoal do FBI. E algumas pessoas do topo da CIA vieram para a organização quando se aposentaram.

Segundo o Chronicle, a reserva de Cabazon foi usada para demonstrar os óculos de visão noturna para os Contras da Nicarágua. Os Cabazons também se encontraram com oficiais do exército americano sobre o desenvolvimento de armas, os quais propuseram medidas de segurança para um palácio na Arábia Saudita e solicitaram propostas para o desenvolvimento de armas biológicas. A mais alarmante ocorrência na Reserva Cabazon foi a execução não resolvida com estilo de assassinato, em 1982, de Fred Alvarez, um líder indígena de Cabazon, e dois de seus companheiros.

Embora John P. Nichols negue qualquer envolvimento com os assassinatos ainda não resolvidos, uma repórter investigativa da Califórnia, Virginia McCullough, diz que o caso recentemente foi reaberto. McCullough, em uma entrevista exclusiva para Shadow, disse que a polícia da Califórnia tem indicado John P. Nichols Jr. como o principal suspeito no assassinato.

McCullough disse a Shadow que Alvarez tinha começado a falar contra o mau uso do povo Cabazon por Nichols e Wackenhut. Alvarez também disse a associados, que ele estava recebendo ameaças de morte e provavelmente morreria por causa de sua manifesta oposição à família de Nichols.

Michael Riconosciuto disse que Alvarez estava estreitamente ligado ao lado encoberto dos eventos que estavam ocorrendo na Reserva Cabazon. Riconosciuto afirma que ele estava na Reserva Cabazon reescrevendo o PROMIS para Earl Brian ao tempo do assassinato de Alvarez. Falando para a rádio Pacifica em agosto passado, Riconosciuto deu a seguinte declaração, na qual mantém que Alvarez estava envolvido na “October Surprise”, um alegado golpe da campanha presidencial de Reagan para roubar a eleição presidencial de 1980, que Riconosciuto mantém ter sido “cultivada” na Reserva Cabazon.

Riconosciuto disse que “Alvarez esteve presente em todos os encontros, e ele estava entusiasmado demais [gung-ho] por trás de Nichols (Dr. John P. Nichols), e tudo estava acontecendo lá. OK? Todos nós éramos americanos de sangue vermelho e acreditávamos nas coisas que estavam acontecendo! O modo como as coisas estavam sendo desenhadas com o comitê eleitoral de Reagan e as coisas que estavam sendo orquestradas nos deixaram preocupados. E Alvarez escreveu uma carta detalhada para Ronald Reagan expressando a preocupação dele. Todos os detalhes da questão dos reféns na “October Surprise” eram ressaltados naquela carta. Quero dizer, fatos específicos.”

A “October Surprise” é o nome dado ao alegado complô pela equipe de eleição de Reagan para arranjar que o governo do Irã mantesse presos os 55 americanos reféns até depois da eleição presidencial para ajudar a garantir a derrota de Jimmy Carter.

Riconosciuto, que tem uma história como um gênio brilhante ainda que errático, chegou a dizer que o roubo do software da Insaw foi um pagamento a John P. Nichols e Wackenhut Corp. por ajudar na “October Surprise”.

A habilidade de rodar o PROMIS internamente, num rastro de aquisição, era parte de um pacote de benefícios em recompensa para a posição Cabazon pelo que eles fizeram na ajuda do comitê eleitoral. Parte disto eram os escudos de artilharia. Parte disto eram os contratos para a Wackenhut.

Wackenhut tem negócios de segurança que eram tradicionalmente realizados pelos Marine Corps dos EUA. Agora, isto é feito em um lance aberto de companhias particulares, e a Wackenhut consistentemente tem ganhado a maioria dos negócios. E toda a nossa pesquisa de armas atômicas e áreas de teste são todos guardados por pessoal da Wackenhut. Na administração Reagan, a mudança ocorreu abruptamente dos Marine Corps e pessoal militar para o pessoal da Wackenhut. Esta foi uma mudança sem precedentes. E é minha posição que isto era parte do pacote de benefícios em recompensa pela cooperação e os serviços prestados durante a situação da eleição.

A investigação do assassinato de Alvarez foi realizada pelo respeitado Financial Times canadense, cujo repórter, Anson Ng, foi a Guatemala para encontrar Jimmy Hughes, um guarda de segurança da Wackenhut que foi indicado como testemunha no assassinato. Ng foi encontrado na Guatemala morto com uma bala em seu peito.

Logo depois da prisão de Riconosciuto por drogas, Dennis Eisman, um advogado da Philadelphia que estava a caminho do Estado de Washington para assumir a defesa de Riconosciuto, foi encontrado em seu carro morto por um tiro. Eisman estava a caminho de se encontrar com uma mulher em um estacionamento da Philadelphia, uma mulher que relatadamente tinha evidências de ameaças contra Riconosciuto feitas por associados ao Dr. Earl Brian. Segundo Harry Martin, duas semanas antes da morte de Casolaro, um participante no caso, John Friedrich foi encontrado morto com um único ferimento de bala na cabeça, na Austrália. Martin escreve que Friedrich era um estreito aliado do Coronel Oliver North e do chefe de contra terrorismo israelense Amiran Nir e tinha “muito conhecimento dos casos Iran-Contra e Inslaw.” Nir morreu no ano passado em uma misteriosa queda de avião no México.

O Octopus foi o nome que Danny Casolaro deu a sua teoria explicando o caso Inslaw e sua conexão com o braço de ação encoberta da CIA. Casolaro, que estava planejando escrever um livro sobre o Octopus telefonou de Indio (a cidade perto da Reserva Cabazon), tinha se concentrado nos relatórios que o ex conselheiro de segurança nacional Robert McFarlane tinha realmente dado o PROMIS ao governo israelense.

Os relatos eram baseados nas alegações do ex agente israelense de inteligência Ari Ben-Menashe, que disse que o software foi dado para a Força de Defesa de Israel e indica a unidade de Inteligência em 1982. Segundo os papéis preenchidos no caso Inslaw, o software era para ser usado para penetrar nos computadores de companhias estrangeiras que de nada sabiam e que também haviam recebido o mesmo software. (Ben-Menashe foi a fonte primária para um novo livro sobre o programa israelense de armas nucleares chamado “Samson Option”, de autoria do ex correspondente do New York Times, Seymour Hersh. O livro, que afirma que Israel tem mais de 300 ogivas nucleares mirando cidades árabes e soviéticas, cita Ben-Menashe como tendo dito que espiões israelenses trabalhando nos EUA roubaram segredos que então foram passados para a União Soviética pelo governo israelense ).

McFarlane, foi o diretor substituto do Conselho Nacional de Segurança naquele tempo e negou as acusações. O ex conselheiro de segurança nacional para Ronald Reagan, que também trabalhou com Oliver North, se declarou culpado no ano passado por mentir para o Congresso em relação ao escândalo de Irã-Contra.

Ben-Menashe serviu 12 anos as Forças de Defesa de Israel, incluindo 2 anos como consultor de inteligência para o Primeiro Ministro Yitzhak Shamir, antes de sair em 1989. Em um depoimento juramentado [affidavit] preenchido no caso Inslaw em março, Ben-Menashe disse que em 1987 compareceu a um encontro em Tel Aviv onde o Dr. Earl W. Brian fez um lance de vendas para o uso aumentado do software PROMIS pela instituição de defesa israelense.

Também uma declaração juramentada, o auto proclamado comerciante de armas iraniano Richard Babayan falou do alegado envolvimento de Brian na venda ilegal do PROMIS para o Iraque e a Coréia do Sul. Babayan, que recentemente está sendo mantido em um cela federal em Miami por acusações de fraude, também disse que o ex General da Força Aérea Richard Secord esteve presente em um encontro em 1987 com oficiais iraquianos em Bagdá, durante o qual Earl Brian fez lances de venda do PROMIS.

No livro, “The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade”, Alfred W. McCoy conta como a guerra coberta da CIA no Laos, que começou depois da derrota francesa pelos vietnamitas em Dien Bien Phu em 1954, pavimentou o caminho para embarques maciços de heroína para os EUA. A CIA ofereceu proteção para as tribos Hmong das montanhas ao longo da fronteira chinesa para alistá-los como soldados nos primeiros anos da guerra do Vietnã.

Em troca, os generais do Laos forneciam heroína aos sindicatos do crime em Saigon. McCoy estima que mais de um terço de todas as tropas dos EUA no Vietnã se tornaram viciadas em heroína fornecida por gângsteres associados ao mesmo governo Sul Vietnamita que supostamente deveria estar protegendo as tropas americanas.

O chefe da estação da CIA no Laos, na altura da operação da heroína, de 1966 a 1968, foi Theodore Shackley, que exerceu o comando completo da CIA na guerra secreta do Laos. Um amigo de Shackley e vice chefe da estação da CIA foi Thomas Clines, que manipulava os detalhes da operação no Laos. O General da Força Aérea Richard Secord era a ligação que fornecia a maioria das aeronaves essenciais ao combate no norte do Laos. Heroína era frequentemente embarcada na aeronave operada por uma companhia de fachada da CIA chamada Air America, até que revelações sobre a operação do Laos forçaram a troca do nome. A descendente da Air America se tornou a asa aérea da operação de suprimentos na América Central na guerra dos Contras, uma companhia conhecida como Southern Air Transport.

Por volta de 1977, a CIA tinha experimentado uma maior reorganização pelo então presidente Jimmy Carter, respondendo a revelação das atividades criminosas da CIA, incluindo espionagem doméstica e atividades do hostil agente operacional da CIA Edmund Wilson. Depois de ser condenado por dirigir uma operação particular de fornecimento de suprimento de armas para a Libia, Wilson recebeu sentença de prisão perpétua.

Wilson era um bom amigo e associado de Theodore Shackley e Thomas Clines, dos dia da guerra encoberta da CIA no Laos. Por causa da conexão de Wilson e das objeções dos burocratas seniores da CIA, Shackley e Clines foram ambos forçados a pedir exoneração da agência pelo então diretor da CIA Stansfield Turner. Depois de sairem, Clines e Shackley foram para o negócio de arranjar vendas de armas para vários países. Na década de 1980, quando o Tenente Coronel da Marinha Oliver North, que estava operando sob o comando do chefe do Conselho de Segurança Nacional, Robert McFarlane, formou uma rede secreta para armar os Contras que combatiam o governo Sandinista na Nicarágua, ele recrutou o recentemente aposentado General Richard Secord para operar o conduto das armas. Secord apresentou-se diante do Comitê do Congresso que investigava o caso Irã-Contra, para dizer que ele recrutou seu antigo “próximo associado dos dias da CIA”, Thomas Clines, para ajudá-lo a realizar a guerra dos Contra.

O Senador de Massachusetts do sub comitê, John Kerry, olhando as alegações de tráfico de cocaína pelos pilotos que estavam voando os embarques de armas para os Contras a partir dos EUA, ouviu o testemunho de cinco pessoas que afirmavam conhecimento pessoal direto do envolvimento de agentes operacionais da CIA no comércio da cocaína. No coração das alegações está um americano, John Hull, que operava um rancho em Costa Rica, usado para programar os ataques dos Contra contra a Nicarágua.

Hull foi indiciado dois anos atrás em uma investigação do governo de Costa Rica como um traficante de drogas e mais tarde foi banido da Costa Rica. Hull também foi implicado pelos costa riquenhos em uma tentativa de assassinato contra um recalcitrante comandante dos Contra chamado Eden Pastora. O bombardeio matou vários jornalistas que estavam entrevistando Pastora quando ocorreu o bombardeio.

Em dezembro de 1989, as tropas americanas invadiram o Panamá e aprisionaram o ditador panamenho Manuel Noriega, destruindo uma vizinhança pobre e matando mais de 3.000 civis no processo. O propósito do ataque era destituir Noriega, que estava sendo processado na Flórida por permitir que o Panamá fosse usado como uma estação para os traficantes de cocaína. Conquanto vários traficantes de porte médio com conhecimento do comércio internacional recentemente entrevistados por Shadow afirmem que o papel de Noriega no comércio de drogas foi “inconsequente”, o papel de bancos panamenhos era, e ainda é, importante. O Panamá tem algumas das regras bancárias menos restritivas do mundo, o que permite a lavagem de vastas somas de dinheiro das drogas dos EUA e para os cartéis colombianos de drogas. Em seu livro, “Crimes of Patriots”, Jonathan Kwitney expõe o papel do banco australiano Nugan-Hand em financiar atividades encobertas e tráfico de heroína no sudoeste asiático. O misterioso crescimento do banco em transferir os traços do alcance dos tentáculos do Octopus.

O banco foi fundado por Frank Nugan, um advogado australiano inseguro e incompetente, e por Michael John Hand, um homem com segundo grau que tinha ido ao Vietnã com os Boinas Verdes. Ele tinha servido no Laos na década de 1960 como um agente operacional contratado da CIA, combatendo com Thomas Clines, Theodore Shackley e Richard Secord, todos nomes muito grandes no escândalo Iran-Contra.

Michael John Hand trabalhou com William Colby, que tinha sido diretor da CIA durante o tempo em que Shackley estava no comando do escritório da CIA no Laos. Colby foi se tornar conselheiro legal do banco Nugan-Hand onde ele trabalhou com Michael Hand que também era um veterano da guerra comandada pela CIA no CIA.

Depois que emergiram as acusaçõs de contrabando de drogas contra o banco em 1977, o governo australiano começou uma investigação das operações do banco, e em 1980 Frank Nugan suicidou. As investigações descobriram uma rede de lavagem de dinheiro, comércio de drogas e de armas e até misteriosos laços com a CIA.

Em 1988, agentes da Aduana dos EUA em Tampa capturaram oficiais do BCCI [Bank of Credit and Commerce International] em um esquema de lavagem de dinheiro. Nos anos seguintes, o escândalo se ampliou até 1991, quando o governo britânico agarrou o banco sob acusações de fraude.

BCCI foi criado em 1972 por Agha Hasan Abedi, que era o presidente do maior banco particular do Paquistão. Abedi tinha estreitas conexões com os regentes do rico reino do petróleo do Golfo Pérsico de Abu Dhabi, e espalhou seu império bancário pelo mundo árabe. BCCI eventualmente cresceu e tinha ramos em 73 países e US$20 bilhões em bens. BCCI se tornou o 7o. maior banco particular do mundo.

Em julho o comitê do Senado sobre bancos manteve uma audiência sobre o BCCI e chamou vários investigadores, o chefe William Von Rabb e do partido democrático Clark Clifford. Foi revelado nas audiências que Clifford tinha emprestado seu nome em troca de pagamentos em dinheiro como diretor do First American,um banco comprado secretamente pelo BCCI em violaçao às leis bancárias dos EUA.

Conquanto o senado levantasse questões da impropriedade do BCCI, os senadores evitaram algumas das questões mais sensíveis levantadas pelo envolvimento da CIA no banco. O autor Alfred McCoy discutiu uma das questões não respondidas com Shadow, a expansão do comércio de heroína do sudeste asiático para a região fronteira entre Paquistão e Afganistão.

Pouco antes da invasão soviética do Afganistão em 1979, a CIA armou um pequeno grupo afegão de guerrilha sob o controle de Gulbuddin Hekmatyar, um favorito do serviço de inteligência paquistanês, e um muçulmano fundamentalista notado por jogar ácido no rosto das mulheres muçulmanas na universidade que se recusavam a usar véus. Construído em uma força formidável pela CIA, o exército de Hekmatyar tomou a primeira terra afegã e a usou para crescer plantações de papoulas, o material primário para a produção de heroína.

O tamanho dos embarques de heroína do Afganistão cresceu com o envolvimento dos militares paquistaneses. Por volta de 1988 uma queda de avião matou o ditador paquistanês Zia ul-Haq, o tráfico de heroína foi disseminado entre as alas de oficiais militares paquistaneses. O tráfico de heroína do Paquistão logo foi superado pelos embarques do sudeste asiático e por volta de 1991 mais de 60% da heroína vendida nas ruas da cidade de New York era originária do Afganistão.

Alfred McCoy especula que se uma investigação do Congresso perguntasse sobre o BCCI, descobriria o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro pelos aliados dos EUA protegidos de processo pela CIA. McCoy disse a Shadow, “Penso que possivelmente descobriríamos que a CIA estava embarcando seus fundos no Paquistão por meio do BCCI, protegendo portanto o BCCI de sérias investigações em outros lugares no mundo. Que os militares paquistaneses estavam de fato colocando no banco seus lucros com drogas, movimentando seus lucros com drogas de país consumidor de volta para o Paquistão através do BCCI.”

“De fato a explosão do comércio de drogas no Paquistão foi financiada pelo BCCI. O interralacionamento entre a resistência afegã e a CIA e o comércio de drogas paquistanês tudo pode ser visto por meio do BCCI, o banqueiro das operações, a resistência e o comércio de drogas.”

A história do BCCI traz um ciclo completo da teoria do Octopus, a existência de um pequeno grupo de agentes operacionais de inteligência envolvidos nos maiores escândalos de nosso tempo, uma teoria desenvolvida por Danny Casolaro para explicar o roubo do software PROMIS pelo Departamento de Justiça dos EUA.

O próximo aspecto da investigação do caso da Inslaw é a conexão com o BCCI. Alegações tem sido feitas repetidamente que o dinheiro levantado pela venda ilegal do software PROMIS foi lavado por meio do BCCI. Isto exige uma pergunta, “como pode o BCCI estar operando sem o consentimento dos reguladores de bancos que nada fazem sobre isto quando obviamente havia alertas e evidência sete ou oito anos antes, que o BCCI estava envolvido no negócio das drogas e na lavagem do dinheiro das drogas e em vários esquemas nefastos?.”

A razão pela qual os reguladores e as audiências do Congresso não parecem querer tocar neste assunto é que, muito possível e provavemente, o BCCI tenha laços diretos com o Departamento de Justiça e com os reguladores que deveriam supostamente verificar os depósitos. De fato, a razão pela qual o BCCI não foi investigado e processado um pouco mais cedo por suas atividades foi porque ele estava fornecendo os serviços necessários – um completo serviço bancário.

Anúncios
Published in: on abril 5, 2008 at 4:37 pm  Comments (2)  
Tags: , ,

The URI to TrackBack this entry is: https://conspireassim.wordpress.com/2008/04/05/inslaw-promis/trackback/

RSS feed for comments on this post.

2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] o qual podiam acessar qualquer informação que necessitassem do outros computadores do governo [usando o software PROMIS da INSLAW que foi roubado, por exemplo]. Isto incluia não apenas os bancos de dados do Pentágono mas também os arquivos de computador […]

  2. Oh my goodness! Impressive article dude! Thanks,
    However I am going through problems with your RSS.
    I don’t know why I am unable to join it. Is there anybody else getting identical RSS problems? Anybody who knows the answer will you kindly respond? Thanx!!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: