Kissinger está de volta

Kissinger está de volta… como um buscador da verdade de 11 de setembro

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Pedir a Henry Kissinger para investigar a malignidade ou inocuidade do governo, é similar a pedir a Slobodan Milosevic para investigar crimes de guerra. Terrivelmente similar, já que Kissinger tem sido acusado, com causa, de se engajar em crimes de guerra seus próprios. Sobretudo, ele tem sido uma criança de poster para os piores excessos do governo secreto e da guerra secreta. Ainda que George W. Bush tenha chamado a ele para chefiar uma comissão supostamente independente para investigar os ataques de pesadelo de 11 de setembro de 2001, uma comissão que foi criada para dizer ao público o que deu errado naquele e antes daquele dia. Isto é uma piada doentia, branco é preto, guerra é paz – um insulto cruel à memória daqueles que morreram em 11 de setembro e uma afronta de “dane-se você” para qualquer americano que acredita que o público merece uma completa contabilização das ações do governo ou falta delas. Isto é como se Bush instruísse os conselheiros dele a virem com o nome da pessoas que literalmente seria a pior escolha absoluta para este posto e, uma vez eles tivessem feito isto, dissessem “assine em baixo.”

Hipérbole? Considere o registro.

Vietnã. Kissinger participou de uma conspiração GOP para impossibilitar as conversações de paz em Paris em 1968 para ajudar a campanha presidencial de Richard Nixon. Uma vez no ofício, Nixon nomeou Kissinger seu conselheiro de segurança nacional, e mais tarde o indicou Secretário de Estado. Como o co arquiteto da guerra de Nixon no Vietnã, Kissinger supervisionou a campanha secreta de bombardeio no Cambodia, uma argumentadamente operação ilegal estimada ter tomado as vidas de centenas de milhares de civis.

Bangladesh. Em 1971, o General paquistanês Yahya Khan, armado com armamento americano, derrubou um governo democraticamente eleito, em uma ação que levou a um massivo banho de sangue civil. Centenas de milhares foram mortos. Kissinger bloqueou a condenação dos EUA de Khan. Ao invés, ele ressaltou a ‘delicadeza e tato” de Khan.

Chile. No início da década de 1970, Kissinger supervisionava a extensa campanha encoberta da CIA para ajudar os conspiradores do golpe, alguns dos quais eventualmente derrubaram o governo democraticamente eleito de Salvador Allende e instalaram a ditadura militar assassina de Augusto Pinochet. Em 8 de junho de 1976, na altura da repressão de Pinochet, Kissinger teve um encontro com Pinochet e por trás de portas fechadas disse a ele que “nós somos simpáticos ao que você está tentando fazer aqui”, segundo as minutas da sessão [que são citadas no livro de Peter Kornbluh, “The Pinochet File”.)

Timor Leste. Em 1975, o Presidente Gerald Ford e Kissinger, ainda servindo como Secretário de Estado, ofereceram aprovação futura para a brutal invasão da Indonésia ao Timor Leste, que tomou as vidas de dezenas de milhares de timorenses. Por anos a seguir, Kissinger negou que o assunto até mesmo viesse a tona durante 6 de dezembro de 1975, no encontro dele e de Ford com o General Suharto, o regente militar da Indonésia, em Jacarta. Mas um [telegrama] cabo desclassificado americao obtido do Arquivo Nacional de Segurança mostra o contrário. Ele nota que Suharto pediu por “entendimento se nós acharmos isto necessário para tomar uma ação rápida e drástica” no Timor Leste. Ford disse, “Entenderemos e não pressionaremos sobre a questão. Entendemos o problema que você tem”. No dia seguinte, Suharto atacou Timor Leste. Kissinger é um mentiroso absoluto sobre este assunto.

Argentina. Em 1976, como uma junta militar fascista e anti-semita estava começando sua chamada “guerra suja” contra supostos subversivos – entre 9.000 e 30.000 pessoas estariam “desaparecedas” pelos militares durante os sete anos seguintes – o Ministro do Exterior da Argentina se encontrou com Kissinger e recebeu o que ele acreditou ser um encorajamento tático para os esforços violentos de seu governo. Segundo um [telegrama] cabo americano, liberado mais tarde neste ano, o Ministro do Exterior estava convencido depois da conversa com Kissinger que os EUA queriam que a campanha de terror na Argentina terminasse logo – não que Washington estivesse contra isto. O cabo dizia que o Ministro havia deixado este encontro com Kissinger “eufórico.” Dois anos mais tarde, Kissinger, então um cidadão particular, viajou a Buenos Aires como um convidado do ditador General Jorge Rafael Videla e cumprimentou a junta por ter feito isto, como um [telegrama] cabo mostra isto, “um excelente trabalho de dizimar as forças terroristas”. Como Raul Castro, o embaixador americano para a Argentina, notou ao tempo da mensagem para o Departamento de Estado, “Minha única preocupação é que a repetida alta congratulação de Kissinger à ação da Argentina em dizimar o terrorismo… possa ter subido em alguma extensão considerável às cabeças de seus hospedeiros… Há algum perigo que os argentinos possam usar as declarações congratulatórias de Kissinger como uma justificativa para endurecer sua postura de direitos humanos”. Isto é, Kissinger esteve, de certa forma, habilitando a tortura, rapto e assassinato.

Apropriadamente, Kissinger é um homem a correr de seus passados maus atos. Ele é alvo de dois processos legais, e juizes estrangeiros o tem procurado para questionamento de ações legais relacionadas a crimes de guerra. Nos EUA, a família do chileno General Rene Schneider processou Kissinger no ano passado. Schneider foi morto em 22 de outubro de 1970, pelos que seriam os fazedores do golpe trabalhando com agentes operacionais da CIA. Estes bens da CIA eram parte de um plano secreto autorizado por Nixon – e supervisionado por Kissinger – para fomentar um golpe, antes que Allende, um socialista, pudessse tomar posse como Presidente. Schneider, um constitucionalista que se opôs ao golpe, morreu três dias depois. Este programa secreto da CIA no Chile – apelidado “Track Two” – deu US$35.000 aos assasinos de Schneider depois do assassinato. Michael Tigar, um advogado da família Schneider, afirma, “Nosso caso mostra, documento por documento, que [Kissinger] estava envolvido em gande detalhe no apoio ás pessoas que mataram o General Schneider, e então os pagaram.”

Em 9 de setembro de 2001, ’60 Minutos’ [um programa da TV americana] transmitiu um segmento das acusações da família Schneider contra Kissinger. O ex Secretário de Estado aparece como parcialmente responsável ao que é o equivalente chileno do assassinato de JFK. Isto foi a maior explosão para a sua imagem pública: Kissinger aparece como apoiador de terroristas. Dois dias mais tarde, Osama bin Laden atacou. Imediatamente, Kissinger estava novamente na televisão, mas agora como um expert em terrorismo.

Em um outro processo legal, que deu entrada anteriormente neste mês, 11 vítimas chilenas dos direitos humanos – incluindo parentes de pessoas mortas depois do golpe de Pinochet — afirmaram que Kissinger sabidamente forneceu assistência tática e encorajamento ao regime Pinochet. O co acusado de Kissinger neste caso é Michael Townley, um agente chileno nascido americano que estava liderando o terrorismo internacional em meados da década de 1970. Em sua mais notória operação, Townley em 1976 colocou uma bomba no carro que matou Orlando Letelier, o embaixador de Allende para os EUA, e Ronni Moffitt, colega de Letelier, na linha da embaixada em Washington.

Kissinger tem mais problemas do que estes processos legais. A Suprema Corte Chilena enviou ao Departamento de Estado perguntas para Kissinger sobre a morte de Charles Horman, um jornalista americano morto durante o golpe de 1973 no Chile. (o assssinato de Horman foi assunto de um filme de 1982, ‘Missing’.) Um juiz criminal no Chile tem dito que ele deve incluir Kissinger em sua investigação da Operação Condor, um agora infame projeto secreto, no qual os serviços de segurança do Chile, Uruguai, Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina trabalharam juntos para raptar e assasinar oponentes políticos. (Letelier foi morto em uma operação Condor.) O juiz espanhol que requisitou em 1998 a prisão de Pinochet na Grã Bretanha, tem declarado que ele quer questionar Kissinger como testemunha em seu inquérito sobre crimes contra a humanidade cometidos por Pinochet e outros militares ditadores da América Latina. Na França, um juiz examinando o desaparecimento de cinco cidadãos franceses no Chile durante os anos de Pinochet quer falar com Kissinger. Em maio passado, ele enviou a polícia a um hotel de Paris, onde Kissinger ficava, para apresentar-lhe perguntas. Em fevereiro, Kissinger cancelou uma viagem ao Brasil, onde ele foi premiado com uma medalha pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Seu futuro hospedeiro disse que ele pulou fora para evitar protestos de grupos de direitos humanos.

Um camarada que tem mimado o terrorismo patrocinado pelo Estado tem sido posto a cargo desta investigação de terrorismo. Um comprovado mentiroso tem sido designado para a tarefa de encontrar a verdade. A propósito, em 1976, quando Kissinger era Secretário de Estado, ele foi informado por seu chefe auxiliar para a América Latina que os regimes militares latino americanos estavam tentando usar a ‘Operação Condor’ “para encontrar e matar oponentes políticos”. Kissinger rapidamente despachou um cabo instruindo os embaixadores americanos nos países de Condor a ressaltarem “a profunda preocupação” de Washington. Mas parece que nenhum destes avisos foi realmente conduzido. E um mês mais tarde esta ordem foi rescindida. No dia seguinte, Letelier e Moffit foram assassinatos. (Peter Kornbluh e o jornalista John Dinges recentemente fizeram a crônica deste triste episódio de Kissinger no Washington Post.) O Departamento de Estado de Kissinger não tem respondido com a força necessária para combater o terrorismo oficial de seus amigos na América do Sul. Talvez isto forneça a experiencia útil de Kissinger para examinar o fracasso do governo em evitar os atos mais recentes de terrorismo.

Outras qualificações para o trabalho, como Bush e o Vice Presidente Dick Cheney podem ver isto? Um obsecado por vazamentos, Kissinger, quando serviu como conselheiro de segurança nacional para Nixon, grampeou sua própria equipe. (Um de seus alvos, Morton Halperin, o processou e eventualmente ganhou um pedido de desculpas.) E quando ele deixou o escritório, Kissinger levou dezenas de milhares de páginas de documentos – criados por empregados do governo a serviço do governo – e os tratou como seus registros pessoais, os utilizando para as suas memórias e mantendo o material durante anos fora dos olhos investigadores dos historiadores e jornalistas. Ele e Bush-Cheney-Casa Branca concordam com um governo aberto: quanto menos melhor.

Lembre-se, a Casa Branca nunca tem sido adepta de criar uma comissão independente que responderia ao público. Cheney em um ponto relatadamente interveio para bloquear um compromisso que tinha sido dolorosamente trabalhado no Congresso a respeito da composição e regras da comissão. Finalmente, a Casa Branca disse OK, na medida em que pudesse escolher o presidente e colocar cláusulas que somente seriam divulgadas com o apoio de ao menos seis dos dez membros da comissão. Com Kissinger no controle, os mantenedores de segredos da Casa Branca – que já têm tido sucesso em evitar a investigação da inteligência dos comitês da Câmara e do Senado do 11 de setembro de divulgar informação embaraçosa ou desconfortável – terá pouca razão para temer.

A administração Bush-Cheney tem sido um centro de reabilitação para republicanos corruptos. O Almirante aposentado John Poindexter, um principal jogador do caso Irã-contra, foi colocado a cargo de um operação sensível e de alta tecnologia de reunião de inteligência do Pentágono destinada a revisar as massivas quantidades de dados pessoais individuais para descobrir possíveis terroristas. Elliott Abrams, que se declarou culpado de ter mentido ao Congresso no escândalo Irã-contra, foi calorosamente abraçado e levado a uma posição na equipe do Conselho de Segurança Nacional de Bush. Mas a seleção de Kissinger é o mais ultrajante destes atos de compaixão e perdão. É um movimento de desafio e excesso de confiança.

Para muitos no mundo, Kissinger é um símbolo da arrogância dos EUA e do mau uso do poder americano. No poder, ele se preocupou mais com a credibilidade dos EUA e vantagem geoestratégica do que com os direitos humanos e governo aberto. Ele tem tido uma carreia de movimentar acobertadamente dinheiro, não permitindo que eles fracassem. Ele não é um buscador da verdade. De fato, ele tem prevaricado sobre suas próprias ações e tentado limitar o acesso à informação do governo. Ele deve ser intimado, não se colocado no direito de intimar. Ele é um alvo, não um investigador.

Com a indicação de Kissinger, Bush tem feito de uma comissão independente uma vergonha. Os democratas devem imediatamente anunciar que eles se recusarão a preencher seus cinco lugares alocados. Mas depois que Bush escolheu Kissinger, os Democratas indicaram o ex senador democrata George Mitchell para ser vice-presidente do painel, assinalando que Kissinger estava bem para eles. Que infelicidade! O público seria melhor servido e as vítimas de 11 de setembro melhor honradas por nenhuma comissão, muito mais do que por uma liderada por Kissinger.

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Published in: on abril 5, 2008 at 6:08 pm  Comments (1)  
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  1. The greatest dangers to liberty lurk in insidious encroachment by men of zeal, well meaning, but without understanding.LouisBrandeisLouis Brandeis


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