Sudeste Asiático

Solução de Burnet: O Plano de Envenenar o Sudeste Asiático
de Brendan Nicholson
Correspondente político
10 de março de 2002

O microbiologista mundialmente famoso Sir Macfarlane Burnet, o vencedor do Prêmio Nobel, reverenciado como o maior cientista de pesquisa médica da Austrália, secretamente urge que o governo desenvolva armas biológicas para usar contra a Indonésia e outros países “superpopulados” do sudeste asiático.

A revelação está contida em arquivos top secretos desclassificados pelos Arquivos Nacionais da Austrália, a despeito da resistência do Departamento de Assuntos Estrangeiros e Comércio.

Sir Macfarlane recomendou em um relatório secreto de 1947 que armas biológicas e químicas devessem ser desenvolvidas para alvejar plantações de alimentos e disseminar doenças infecciosas.

Seu papel de conselheiro na guerra biológica foi descoberto pelo historiador de Canberra, Philip Dorling, nos Arquivos Nacionais em 1998.

O departamento inicialmente bloqueou a divulgação do material com o argumento de que isto danificaria as relações internacionais da Austrália. Dr. Dorling procurou uma revisão e o material foi finalmente liberado para ele no fim do ano passado.

Os arquivos incluem um memorandum compreensivo escrito por Sir Macfarlane para o Departamento de Defesa em 1947 no qual ele diz que a Austrália deve desenvolver armas biológicas que funcionariam na Ásia Tropical sem se disseminar aos centros populacionais mais temperados da Austrália.

“Especificamente para a situação australiana, a contra ofensiva mais eficaz à ameaçada invasão pelos países asiáticos superpopulados seria dirigida pela destruição por meios químicos e biológicos das plantações de alimentos tropicais e a disseminação de doenças infecciosas capazes de serem disseminadas no trópico mas não sob as condições australianas”, disse Sir Macfarlane.

Ele foi também o imunologista nascido em Vitória, que chefiou o Instituto de Pesquisa Médica Walter and Eliza Hall, vencedor do Prêmio Nobel para medicina em 1960. Ele morreu em 1985, mas suas teorias sobre imunidade e “seleção clonal” forneceram as bases para a moderna biotecnologia e engenharia genética.

Em 24 de dezembro de 1946, o secretário do Departamento de Defesa, F.G. Shedden, escreveu a Macfarlane Burnet dizendo que a Austrália não pode ignorar o fato de que muitos países estavam realizando intensa pesquisa em guerra biológica e convidando Macfarlane para um encontro com altos oficiais militares para discutir a questão.

As minutas de um encontro realizado em janeiro de 1947, revelam que Sir Macfarlane argumentou que o clima temperado da Austrália podia dar a isto uma significativa vantagem militar.

“A principal contribuição da pesquisa local no que diz respeito a Austrália pode ser estudar intensamente as possibilidades de guerra biológica nos trópicos contra tropas e populações civis em um nível de higiene relativamente baixo e com a correspondente resistência as doenças infecciosas comuns”, ele disse no encontro.

Em setembro de 1947, Sir Macfarlane foi convidado a se unir ao subcomitê de guerra química e biológica de Desenvolvimento de Novas Armas e Equipamentos.

Ele preparou um relatório secreto intitulado “Nota sobre a Guerra de um Ângulo Biológico” sugerindo que a guerra biológica pode ser uma arma poderosa para ajudar a defender a pequenamente populada Austrália.

Sir Macfarlane também urgiu que o governo encoraje as universidades a pesquisarem estes ramos de ciências biológicas que tinham uma especial sustentação para a guerra biológica.

Uma abordagem clinicamente científica é evidente em uma nota que ele escreveu em junho de 1948.

Ele disse que um ataque bem sucedido com um agente microbiológico sobre uma grande população teria um tal impacto devastador que seu uso é extremamente improvável se ambos lados fossem capazes de retaliação.

“O principal uso estratégico da guerra biológica pode bem ser para administrar um golpe de misericórdia a um inimigo virtualmente derrotado e compelir a rendição da mesma forma que a bomba atômica serviu em 1945.”

“Seu uso tem a tremenda vantagem de não destruir o potencial industrial do inimigo que pode então ser tomado intacto.”

“Uma guerra biológica aberta pode ser usada para forçar a rendição por medidas psicológicas, muito mais que por medidas diretamente destrutivas.”

As minutas de um encontro em Victoria Barracks de Melbourne em 1948 notou que Sir Macfarlane “era de opinião que se a Austrália realizasse trabalho neste campo isto deveria ser sob o lado ofensivo tropical muito mais que defensivo. Havia muito pouco conhecimento sobre ataque biológico sobre plantações tropicais.”

Depois de visitar o Reino Unido em 1950 e examinar o esforço britânico na pesquisa da guerra química e biológica, Sir Macfarlane disse ao comitê que a iniciação de epidemias entre as populações inimigas tinha sido geralmente descartada como um meio de fazer guerra porque isto era capaz de atingir o usuário.

“Em um país com baixo saneamento a introdução de patógenos intestinais exóticos, isto é, contaminação da água, pode iniciar uma disseminação em grande escala”, ele disse.

“A introdução de febre amarela em um país com os apropriados mosquitos vetores pode construir uma epidemia incapacitante antes que medidas de controle fossem estabelecidas.”

O subcomitê recomendou que “as possibilidades de um ataque aos suprimentos alimentares do sudeste asiático e da Indonésia usando agentes de guerra biológica deve ser considerado por um pequeno grupo de estudos.”

Em 1951 este comentou que “um painel que se dirija ao subcomitê de guerra química e biológica deve ser autorizado a relatar sobre a potencialidade ofensiva dos agentes biológicos prováveis de serem eficazes contra os suprimentos locais de comida do sudeste asiático e da Indonésia.”

Dr. Dorling disse que conquanto Sir Macfarlane fosse um grande australiano, ele foi também um produto dos tempos, quando muitos australianos tinham grandes temores sobre os países asiáticos mais populosos.

Ele disse que o governo de Menzies estava mais interessado em tentar adquirir armas nucleares. “Felizmente isto se provou impraticável e a Austrália nunca adquiriu armas de destruição em massa.”

O secretário da Federação das Sociedades Científicas e Tecnológias Australianas, Peter French, disse que ele ainda não tinha visto os arquivos, mas a noção total de guerra biológica é algo com que os cientistas australianos não estariam confortáveis nos dias atuais. “Visto pelos olhos de hoje, isto é claramente uma abominável sugestão”, disse Dr. French.

http://www.theage.com.au/articles/2002/03/09/1015365752044.html?oneclick=true

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Published in: on abril 5, 2008 at 5:59 pm  Deixe um comentário  

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