Imperialismo

Isto é Imperialismo, Estupido!

Noam Chomsky
Khaleej Times, 04 de junho de 2005

Em sua fala de 28 de junho, o Presidente Bush avaliou que a invasão do Iraque foi realizada como parte de “uma guerra global contra o terror” que os EUA estão travando. Em realidade, como previsto, a invasão aumentou a ameaça de terror, talvez significativamente.

Meias-verdades, desinformação e agendas ocultas tem caracterizado os pronunciamentos oficiais sobre os motivos da guerra dos EUA no Iraque desde o início. As recentes revelações sobre a pressa em guerrear no Iraque permanecem todas mais rigorosamente entre o caos que varre o país e as ameaças à região e de fato ao mundo.

Em 2002 os EUA e o Reino Unido proclamaram o direito de invadir o Iraque porque este país estava desenvolvendo armas de destruição em massa. Esta foi a “única questão’, como constantemente ressaltado por Bush, o Primeiro Ministro Blair e seus Associados. Foi também esta a única base que deu a Bush a autorização do Congresso para o uso da força.

A resposta a esta “única questão” foi dada pouco depois e relutantemente admitida: as armas de destruição em massa não existiam. Raramente perdendo uma batida, o governo e o sistema doutrinário da media conceberam novos pretextos e justificativas para irem à guerra.

“Os americanos não gostam de se auto imaginarem agressores, mas a agressão crua é o que aconteceu no Iraque, “o analista de inteligência e de segurança nacional John Prados concluiu depois de sua revisão extensa e cuidadosa dos registros documentados em seu livro de 2004 “Hoodwinked.”

Prados descrive o esquema de Bush “para convencer a América e o mundo que a guerra com o Iraque era necessária e urgente” como “um caso de estudo da desonestidade do governo… que exige declarações patentemente não verdadeiras e a egrégia manipulação da inteligência”. O memorando de Downing Street , publicado em 1o de maio no The Sunday Times de Londres, juntamente com outros documentos confidenciais recentemente disponíveis, tem aprofundado o registro da fraude.

O memorando veio de um encontro do gabinete de guerra de Blair em 23 de julho de 2003, no qual Sir Richard Dearlove, chefe da inteligência britânica para o exterior, fez uma avaliação agora notória que “a inteligência e os fatos estavam sendo pré determinados ao redor da política” de ir à guerra no Iraque.

O memorando também cita o Secretário britânico de Defesa, Geoff Hoon, como tendo dito “os EUA já começaram “pontas de atividade” de colocar pressão no regime.”

O jornalista britânico Michael Smith, que revelou a história do memorando, tem elaborado sobre seu contexto e conteúdos em artigos subsequentes. As “pontas de atividade” aparentemente incluiam uma campanha para coalisão aérea, o que significava provocar o Iraque em algum ato que pudesse ser retratado como chama o memorando, um “casus belli.”

Aviões começaram a bombardear o sul do Iraque em maio de 2002, 10 toneladas por mês, segundo as estatísticas do governo britânico. Uma “ponta” especial começou em agosto (para um total em setembro de 54.6 toneladas).

“Em outras palavras, Bush e Blair não começaram a guerra deles em março de 2003, como todo mundo acreditou, mas no fim de agosto de 2002, seis semanas antes do Congresso aprovar uma ação militar contra o Iraque,” escreveu Smith.

O bombardeio estava presente como ação defensiva para proteger a colisão de aviões na zona proibida ao vôo. O Iraque protestou na ONU, mas não caiu na armadilha da retaliação. Para os aviões americanos e do Reino Unido, invadir o Iraque era uma prioridade muito mais alta do que “a guerra ao terror“. No dia anterior da invasão aliada, um relatório classificado do Conselho Nacional de Inteligência [NIC], o centro da comunidade de inteligência para o pensamento estratégico, “previu que uma invasão liderada pelos americanos ao Iraque aumentaria o apoio para o Islã político e resultaria em uma sociedade iraquiana profundamente dividida com tendências a um conflito interno”, relatataram Douglas Jehl e David E. Sangerno. no The New York Times em setembro passado. Em dezembro de 2004, Jehl relatou umas poucas semanas depois, que o NIC avisou que “Iraque e outros conflitos possíveis no futuro forneceriam o recrutamento, bases de treinamento, talentos técnicos e proficiência na língua para uma nova classe de terroristas que são “profissionalizados” e cuja violência política se torna o próprio fim.” A voluntariedade dos principais planejadores de arriscarem o aumento da violência de fato não indica que eles recebam bem suas consequências. Muito mais, eles [atos de violência] simplesmente não são uma alta prioridade em comparação com outros objetivos, tais como controlar as maiores fontes de energia do mundo.

Pouco depois da invasão do Iraque, Zbigniew Brzezinski, um dos planejadores e analistas seniores mais astutos, ressaltou na revista National Interest que o controle da América sobre o Oriente Médio “dá a ela indiretamente – embora criticamente política – a alavancagem sobre as economias européias e asiáticas que também são dependentes das exportações de energia da região. Se os EUA possam manter seu controle sobre o Iraque, com as segunda maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo, e o direito ao coração dos maiores suprimentos de energia, isto aumentará significativamente seu poder estratégico e influência sobre seus maiores rivais neste mundo tripolar que tem estado tomando forma nos últimos 30 anos: a América do Norte dominada pelos EUA, Europa e o nordeste da Ásia ligado às economias do sul e sudeste asiático.

Este é um cálculo racional, sob a assunção que a sobrevivência humana não é particularmente significativa em comparação com o poder a curto prazo e riqueza. E isto não é nada novo. Estes temas ressoam na história. A diferença nos dias de hoje, na idade das armas nucleares, é apenas que as apostas são mais altas.

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Published in: on abril 14, 2008 at 11:04 am  Deixe um comentário  
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