Uganda e o HIV

O Estudo de Uganda Descobriu que a Morte Reduziu a Prevalência do HIV: O Publico Levou para Casa a Mensagem Errada?

de John S. James

Sumário: Uganda tem tido um notável declínio na prevalência do HIV, e a questão do que tem causado este declínio é controvertida. Um intensivo estudo na região de Rakai, em Uganda, de 1994 a 2003, descobriu que muito da diminuída prevalência resultou da morte de pessoas com HIV. Mas a incidência de novas infecções HIV foi baixa durante todo este estudo e não mudou grandemente, sugerindo que a causa real do sucesso foi uma grande redução nas novas infecções antes do estudo haver começado. Os dados iniciais apresentados na conferência sobre retrovirus de fevereiro de 2005 também mostraram um uso aumentado de preservativos e alguma deterioração na redução do número de parceiros sexuais. Mas nenhuma mudança foi grande o bastante para afetar grandemente a incidência de novas infecções, ao menos nos dados agregados das 50  vilas estudadas. Em resumo, a grande redução na prevalência do HIV ocorreu por causa de mudanças que aconteceram antes do estudo, não medidas dentro dele. Portanto a nova informação não contradiz a redução no número de parceiros sexuais como a maior causa do sucesso de Uganda.

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Um estudo maior realizado na conferência de retrovirus [Boston, 22 a 25 de fevereiro de 2005) encontrou que a morte ds pessoas com HIV como responsáveis pela maioria do grande decréscimo na prevalência da infecção pelo HIV na população, em uma pequena área de Uganda, que foi intensivamente estudada de 1994 a 2003. Durante este período, nas 50 vilas estudadas no distito de Rakai, a percentagem de homens com mais de um parceiro sexual de alguma forma aumentou, o uso de preservativos grandemente aumentou mas abaixo de 100% e a incidência de novas infecções pelo HIV permaneceu estável.

Os pesquisadores notaram, “Em resumo, os declínios na prevalência do HIV em Rakai na década passada estão associados primariamente ao uso de preservativos e a morte, também citando a abstenção. Ser fiel, ou usar preservativos, o ponto das conversas que representa uma mobilização social e nacional mais compreensiva para evitar o HIV em Uganda.

O ponto chave de se ter em mente para a compreensão deste estudo, é que por todo o período do estudo, a incidência de novas infecções pelo HIV foi relativamente estável, principalmente abaixo de 1.5% ao ano. Mas antes do estudo começar, a incidência havia sido muito mais alta, ao menos em algumas partes de  Uganda (aparentemente não existem dados comparativos para estas mesmas vilas). Então a grande redução em novos casos já tinha ocorrido antes que começasse o estudo de Rakai.

Esta observação também explica que o achado aparentemente enigmático no estudo de Rakai é que enquanto a prevalência do HIV caia grandemente nos adultos, dificilmente mudou nos adolescentes [começou baixa e permaneceu baixa]. Aqueles que eram adolescentes durante o estudo não tinham idade suficiente para terem sido sexualmente ativos no tempo dos anos anteriores de alta transmissão. Assim os adolescentes não tiveram um excesso de mortes com as novas infecções, o que levou ao declínio da prevalência completa.

Comentário

O grande declínio na percentagem de pessoas com HIV, relatada no estudo de Rakai, aconteceu porque o número de mortes foi muito maior do que o número de pessoas recentemente infectadas. As muitas mortes no período do estudo foram uma sombra escura de tempo anterior onde a incidência do HIV [a nova taxa de infecção] era muito mais alta. A pergunta chave, então, é o que fez com que a incidência baixasse antes do estudo começar?

Parece improvável que tehnha sido o uso de preservativos, porque desde o início do estudo de Rakai, pouco mais de 10% dos adultos entrevistados relataram o uso deles com seu parceiro marital mais recente (esta percentagem aumentou rapidamente durante o estudo). A menos que os preservativos tenham sido utilizados anteriormente e então abandonados, esta baixa percentagem não pode ser atribuída a grande mudança na prevalêcia do HIV.

Pode a taxa reduzida de novas infecções ser explicada pela história natural da epidemia? Isto parece improvável, porque a maioria dos outros países em um ponto similar em que a epidemia tinha continuado a aumentar, a prevalência e a incidência do HIV, não declinaram como o fez em Uganda.

Então a mudança de comportamento no período anterior ao estudo pode ser mais provavelmente ter explicação na redução de novas infecções então. Durante o estudo, a percentagem de homens com idades entre 15 e 49 anos relatando apenas um parceiro sexual no último ano permaneceu maior do que a percentagem relatando dois ou mais [esta percentagem aumentou de certa forma durante este tempo] Enquanto isto, o uso de preservativos cresceu grandemente, dando aos homenas uma oportunidade adicional de se protegerem e a seus parceiros – mas não o bastante para se mostrar estatísticamente como a posterior redução completa da incidência do HIV, talvez porque o número de parceiros sexuais também aumentou e a idade média de início da vida sexual caiu no estudo, especialmente entre os homens.

O que provavelmente será feito agora é quebrar os dados por vilas, o que provavelmente diferirá em exatamente quando os preservativos foram introduzidos e exatamente quando as mudanças na direção de comportamentos de risco mais altos ocorreram. Então uma análise estatística pode separar melhor o efeito do uso do preservativo, versus o número de parceiros sexuais, versus a idade de início de atividade sexual, sobre a incidência de novas infecções HIV em cada vila. Também, a base de dados pode ser analisada para cada indivíduo – quando ele ou ela relataram o uso do preservativo, parceiros múltiplos ou se tornaram HIV positivos? Esta análise não estava presente no encontro, provavelmente porque isto não tinha sido feito ao tempo deste relatório de nova informação que não estava disponível ao tempo das usuais submissões à conferência. Este relatório inicial tem taxas completas do estudo inteiro, não separados por vilas – e a diminuição de novas infecções HIV devido ao uso do  preservativo, e o aumento devido aos riscos sexuais, podem ter sido parcialmente equilibrados um com o outro. Uma vez que o estudo de Rakai esteja completamente finalizado, pode fornecer alguma da melhor informação disponível sobre o que funciona e o que não.

Enquanto isto, este estudo encontrou alguma deterioração na redução do número de parceiros sexuais, no distrito de Rakai; claramente a retomada do uso de preservativo foi mais bem sucedida. Mas os resultados apresentados na conferência de retrovirus não contradizem a possibilidade de que uma grande redução anterior no número de parceiros sexuais [nos anos anteriores, de forma que não incluído nos dados recentemente relatados], foi grandemente responsável pelo declínio na prevalência do HIV que foi vista durante este estudo.

Incidentalmente, não vemos culpa; os pesquisadores acuradamente relataram os resultados deles e a imprensa corretamente relatou a informação dos pesquisadores. Mas na pressa da apresentação e na reportagem do dia seguinte, ninguém tem certeza que a mensagem recebida foi acurada. Seria trágico se o mau entendimento público levasse a uma ênfase menor nos meios eficazes de reduzir a disseminação do virus.

Nota: Esta análise é um trabalho em progresso. AIDS Treatment News está aberta para considerar opiniões diferentes, fazer correções se necessário e talvez publicar um artigo de acompanhamento.

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Published in: on abril 28, 2008 at 1:07 pm  Comments (2)  
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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Acho que no Brasil temos pontos de vista extremos, não é mesmo? De um lado, o governo, mandando as pessoas transarem com deus o mundo e um toco de árvore, desde que use camisinha e do outro a igreja com a abstinência…Acho que o meio termo é a chave: Redução do número de parceiros mais o uso do preservativo. Isoladamente nenhuma dos dois é 100% eficaz, muito embora, o preservativo tenha uma eficácia de 70 a 95%.

    Chamo atenção para uma análise que fiz de um estudo do Hospital Jonh Hopkins em:
    http://sognarelucido.wordpress.com

  2. Além disso, há sérias discussões sobre a própria porosidade do preservativo. Há um grupo de cientistas que defende a posição que o poro do preservativo é suficientemenet grande para impedir a passagem do minúsculo vírus do HIV.


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