CIA e Angola

Um outro ex espião fala sobre a CIA

Ente os membros da CIA isto foi conhecido como ‘IA-FEATURE”; as letras IA sendo a designação da agência para o país alvo, Angola, e FEATURE a palavra código para um especial operação encoberta. Quando a força tarefa de IAFEATURE foi reunida no verão anterior a 1975, na véspera da independência de Angola de Portugal, foi criada uma missão quase que impossível: auxiliar dois líderes angolanos que presumidamente permaneceriam amigos do Ocidente quando a grande colônia problemática ficasse por conta própria. Os diretores de IAFEATURE, que trabalhavam num local super seguro no quartel general da CIA em Langley, Va.,receberam iniciais 14 milhões de dólares para realizar esta tarefa

Assim começa uma história interna de como a operação da CIA cresceu e fracassou para alguém que esteve intimamente envolvido com ela: John Stockwell, de 40 anos, ex tenente dos Marine que, antes de sair da agência de inteligência, não somente foi agente da CIA por 12 anos mas serviu como analista de caso a cargo da missão Angola. O livro de Stockwell, “In Search of Enemies”, é uma narrativa da curta história de seis meses da IAFEATURE. Como “Decent Interval”, a narrativa altamente critica das operações da CIA no Vietnã pelo ex analista Frank Snepp, que acontece de ser amigo de Stockwell, “In Search of Enemies” foi publicado sem permissão da CIA. Esta então se tornou a mais recente entrada no que pode se tornar um novo gênero completo de literatura: livros “espione e conte” escritos por ex agentes operacionais de inteligência descontentes que declaram serem escritores muito mais por princípio que por lucros.

Como diz Stockwell, a meta da CIA em Angola a princípio era modesta: meramente tornar mais vagaroso o progresso do Movimento Popular pró Moscou de Agostinho Neto para o Movimento de Liberação de Angola (MPLA), que em meados de 1975 já controlava 12 das 15 províncias do país, e ver se havia alguma competição nas eleições pré independência. A CIA decidiu melhorar dois outros grupos de guerrilha, a Frente Nacional para Libertação de Angola (FNLA) sob Holden Roberto e a União Nacional para a Indepedência Total de Angola (UNITA) liderada por Jonas Savimbi. Mas muito antes, diz Stockwell, os guerreiros feitos de gelo em Langley começaram a ver Angola como “a nossa guerra,” e a meta se tornou a vitória para os grupos pró Ocidentais. No fim, a agência não apenas estava diretamente envolvida na disseminação do combate, o que logo dizimou as eleições, mas também mentiu sobre suas atividades ao Congresso e ao chamado Comitê 40, o grupo do Departamento do Estado -Casa Branca- Pentágono encarregado de supervisionar as operações de inteligência dos EUA.

Como cresceram as ambições para o IAFEATURE, também cresceu o seu custo para um total de 31.7 milhões de dólares. O dinheiro era usado principalmente para suprimentos militares para UNITA e FNLA, que eram canalizados através do Zaire. Stockwell tinha uma equipe de 26 pessoas, mais 83 agentes operacionais adicionais “no campo”. A CIA também recrutou um certo número de mercenários chamados de ” conselheiros militares estrangeiros” em deferência às sensibilidades africanas, para lutar com as unidades da UNITA e FNLA. Mas ao invés de deter o MPLA, Stockwell conta, estes esforços somente estimularam a assistência soviética e cubana que capacitou Neto de ganhar a guerra.

Quando IAFEATURE foi lançada, Stockwell insiste, a guerra civil era uma coisa tão baixa que duas metralhadoras C-47 com balas Gatling, ” Puff o Dragão Mágico do Vietnã” poderiam ter virado a maré para os moderados. Mas eles também poderiam ter exposto o envolvimento americano; então, ao invés foi decidido armar clandestinamente as guerrilhas. Diz Stockwell: “tinhamos embarcadas toneladas de armas, algumas delas sem marca de origem, e montes de armas da Segunda Guerra Mundial que a agência entendia que qualquer um no mundo poderia ter”. O equipamento era transportado por via aérea para Kinshasa, capital do Zaire, a bordo de C-141 pertencentes a Força Aérea dos EUA [que cobrava da CIA 80 mil dólares a cada entrega de 25 toneladas]. Os suprimentos eram então reeembarcados para bases angolanas a bordo de C-130s pertencentes ao Zaire e a África do Sul. As guerrilhas eram tão descuidadas com este equipamento não familiar que a CIA decidiu despachar especialistas paramilitares – oficialmente descritos como reunidores de inteligência – para ajuda-los.

Muito antes, Moscou havia decidido responder ao fornecer ao MPLA de Neto sofisticado equipamento soviético, incluindo foguetes 112 mm e caças MiG. Os movimentos das tropas cubanas em Angola aumentaram agudamente ao mesmo tempo. Para lidar com os MiGs, de modo não identificável, a CIA comerciou 50 misseis Redeye terra-ar com Israel, mas os angolanos nao os utilizavam eficazmente.

Stockwell argumenta que a agência deveria ter saído de Angola ou se movido mais fortemente no início. Eventualmente, ele diz, desenvolveu-se um “dualismo” sobre a operação : “As pessoas no campo estavam todas saindo, mas de volta para casa, ficavam tímidas”. Quando a agência finalmente decidiu sair fora, enviou um pagamento final de US$1.376.700 de dinheiro de consciência a Roberto e Savimbi por meio de Kinshasa. O dinheiro, Stockwell afirma, foi embolsado pelo Presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko.

Stockwell nasceu no Texas mas cresceu na África porque seu pai, um engenheiro, tinha um emprego no Congo Belga (agora Zaire) depois da Segunda Guerra Mundial. Stockwell diz que ele lutou com uma consciência perturbada sobre seu trabalho na agência por grande parte de sua carreira na CIA, mas não decidiu sair até depois desta “aventura angolana”.

Bater em operações sem sucesso é sempre facilmente perigoso [aqueles que trabalham raramente falam a respeito] e o ataque violento de Stockwell tem um equilíbrio negativo em importantes aspectos. Por exemplo, outros que estão familiarizados com o drama angolano dizem que a atividade dos EUA não foi o que provocou a pesada resposta soviético cubana, mas o movimento anterior da África do Sul para enviar tropas para apoiar Savimbi. As forças sul africanas moveram-se tão rapidamente que elas quase capturaram a capital de Angola, Luanda, antes de vir a independência.

Anúncios
Published in: on maio 7, 2008 at 1:16 pm  Comments (1)  
Tags: , ,

The URI to TrackBack this entry is: https://conspireassim.wordpress.com/2008/05/07/cia-e-angola/trackback/

RSS feed for comments on this post.

One CommentDeixe um comentário

  1. vamos nos todos trabalharpara uma angola melhor


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: