Prisioneiros islâmicos

Como a Tortura vem do Alto
de Jackson Diehl

sexta feira, 27 de agosto de 2004

Os mais recentes registros oficiais sobre o escândalo do abuso cometido contra os prisioneiros contêm uma clássica contradição de Washington. As manchetes deles proclamam que não há mandado oficial político que permita a tortura dos detidos no Iraque e no Afeganistão, e que nenhum oficial acima do escalão de coronel merece processo ou punição formal. Mas enterrado em centenas de páginas de detalhes, para qualquer pessoa que se preocupe em lê-las, está a clara e meticulsa narrativa de como as decisões tomadas pelo Presidente Bush, seus altos auxiliares políticos e principais comandantes militares levaram diretamente a aquelas endurecidas imagens de prisioneiros nus, sendo ameaçados por cães de guarda. Um tour abreviado da narrativa enterrada pode começar na página 33 do relatório do painel liderado por James R. Schlesinger. Há detalhes de como o presidente Bush, a conselho de seu conselheiro da Casa Branca e advogado geral, decidiram, em fevereiro de 2002, que as Convenções de Genebra não se aplicam a membros capturados da Al Qaeda e do Talibã. Isto, a despeito das objeções do Departamento de Estado e “muitos advogados do serviço” que se preocupavam que a decisão “destruiria a cultura militar dos EUA, que é extritamente baseda nas leis de guerra”.

Em outubro de 2002, Schlesinger reconta, as autoridades na prisão de Guantanamo Bay “solicitaram aprovação de técnicas fortalecidas de contra interrogatório” e que em dezembro, o Secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld autorizou alguns métodos cruéis. Ele foi desafiado pelos advogados militares que tinha deixado de consultar, e a política foi revista em abril de 2003.

Contudo, as técnicas primeiramente autorizadas por Rumsfeld estavam circulando pelo mundo. Segundo o relatório do Major General do Exército Gen. George R. Fay, “as técnicas empregadas em [Guantanamo] incluiram o uso de posições de stress, isolamento por mais de trinta dias, remoção das roupas e o uso das “fobias” dos detidos” (tais como o uso de cães),” todas eles aprovadas por Rumsfeld. ” A partir de dezembro de 2002, os interrogadores no Afeganistão estavam removendo as roupas, isolando pessoas por um longo período de tempo, usando posições de stress, explorando o medo de cães e implementando a deprivação do sono e da luz”. Como estas práticas abusivas se espalharam no Iraque, onde elas eram claramente ilegais sob as Convenções de Genebra? Fay escreve que “os interrogadores no Iraque, já familiares com as práticas de algumas destas novas idéias, implementadas por eles até mesmo anteriormente a orientação política” dos comandantes do Iraque. Mas também havia uma “orientação política”. Em agosto de 2003, Schlesinger diz, o Maj. Gen. Geoffrey D. Miller, então o comandante em Guantanamo Bay, chegou ao Iraque; “ele trouxe as orientações políticas de 16 de abril de 2003 do Secretário de Defesa com ele que deram esta política” para o Lt. Gen. Ricardo S. Sanchez, o principal comandante no Iraque.

Em 14 de setembro, como reconta Schlesinger, “Sanchez assinou um memorando autorizando uma dúzia de técnicas de interrogatório além” da prática padrão do Exército sob as Convenções de Genebra, incluindo “cinco além daquelas aprovadas para Guantanamo.” Ele fez asim, Schlesinger diz, “usando o raciocínio do memorando do Presidente de 7 de fevereiro de 2002,” no qual ele justificava “medidas mais duras adicionais.” Os métodos que ele aprovou inclui vários daqueles que Rumsfeld tinha assinado 10 meses antes e que subsequentemente haviam aparecido no Afeganistão: posições de stress, medo de cães, e privação do sono e da luz. A política de Sanchez foi revisada um mês depois, mas os interrogadores em Abu Ghraib, registra Fay, tinham começado imediatamente a utiliza-las. Consequentemente, alguns guardas e interrogadores que utilizavam cães para assustar os prisioneiros, tiraram deles as roupas ou os submeteram a isolamento extremo, tinham razões para acreditar que seus métodos eram autorizados. Como delicadamente colocou o Tenente Gen. Anthony R. Jones neste relatório, “Alguns destes incidentes envolveu conduta que, em retrospecto, violou a lei internacional. Contudo, ao tempo em que alguns soldados ou contratados cometeram estes atos, eles podem ter honestamente acreditado que as técnicas eram admitidas.”

A cadeia causal está toda aqui: da decisão de fevereiro de 2002 de Bush até a autorização de dezembro de 2002 de Rumsfeld de nudez, posições de stress e cães; a adoção destes métodos no Afeganistão e a sanção deles no Iraque por um comandante revendo a decisão de Bush; e finalmente, seu uso em detentos por soldados que racionalmente acreditaram que estivessem executando a política oficial. Então porque os autores do relatório negam o papel da política ou seus fazedores? Parcialmente por causa da inabilidade do Exército em ele próprio condenar; parcialmente por causa dos desejos dos velhos colegas de Rumsfeld, tal como Schlesinger, para protege-lo. Mas também existe um outro motivo; uma vontade prolongada de defender e preservar as decisões inovadoras – estas que põem de lado as Convenções de Genebra e permitem técnicas cruéis de interrogatório. Schlesinger argumenta que elas são necessárias para a “guerra contra o terrorismo”; ele e comandantes seniores do Exército disseram que estão preocupados sobre o “efeito desastroso” sobre os interrogatórios e um afrouxamento na reunião de inteligência.

A mensagem enterrada dos relatórios deles, embora, é que o novo sistema não é funcional. Uma vez que as regras são inclinadas para uma classe de prisioneiros, ou uma instalação de detenção, ou uma Agência, as práticas excepcionais não podem ser facilmente devolvidas as suas garrafas – e o caos em Abu Ghraib é um resultado previsível. Exatamente como o previram os profissionais do exército, a decisão de 2002 de Bush minou a “cultura militar dos EUA” e sua “estrita aderência às leis de guerra”. Esta é a manchete que os investigadores solaparam.

A tortura em Guantanamo e Abu Ghraib não tem sido apenas documentada pele próprio governo americano, com uma montanha de evidência incluindo mais de 700 fotografias. A tortura era tão brutal em alguns casos que os detentos realmente morreram como um resultado e pessoal militar de baixo escalão até mesmo tem ido a corte marcial por isto. Seu senso de realidade é distorcido pela constituição emocional que falha em usar o senso comum; De que tortura você está falando? Estamos jogando eles em espetos de madeira? Estamos arrancando as unhas deles? Degolando-os? Amputando pernas? Castrando prisioneiros?

Esta era a política antiga do governo de Saddam. A chamada humilhação sexual era realizada na virada da noite por menos de uma dúzia de pessoas. Qualquer um com um pingo de lógica sabe que você não pode ir do específico para o geral.

Foi revelado que o FBI tem documentos mostrando que os detidos em Guantanamo Bay, Cuba, se queixaram do mal tratamento dado ao Alcorão e que muitos disseram terem sido severamente espancados. Os documentos especificamente incluem uma alegação de um prisioneiro que os guardas “atiram o Alcorão na privada”.
E ontem, funcionários do Pentágono disseram aos investigadores que haviam identificado cinco incidentes de “mal manuseio” do Alcorão por guardas militares e investigadores. Foi a primeira vez que funcionários do Pentágono reconheceram o mal tratamento ao sagrado livro islâmico, embora eles insistissem que os episódios eram menores e ocorreram nos dias iniciais de Guantanamo.

Mas os EUA não podem libertar os prisioneiros de Guantanamo: Até mesmo se eles forem declarados inocentes das acusações contra eles.

de Sherwood Ross http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=8664
12 de abril de 2008

Até mesmo se um prisioneiro de Guantanamo é absolvido de todas as acusações em seu julgamento, o Pentághono ainda pode não liberta-lo sob o argumento que ele pode voltar aos campos de batalha, segundo um artigo de 14 de abril, de The New Yorker.

Jeffrey Toobin da revista The New Yorker, cita o Brig. General Thomas Hartmann, conselheiro legal do Escritório de Comissões Especiais do Pentágono, como dizendo, ” O que não é usual no que estamos fazendo é termos as comissões antes do fim da guerra. Os julgamentos de Nuremberg (dos nazistas acusados de crimes de guerra) foram depois da Segunda Guerra Mundial, e asim não havia a possibilidade de voltarem aos campos de batalha.”

Mas, Hartmann continuou, “Ainda temos um problema. Estamos julgando estes alegados criminosos de guerra durante a guerra. Assim, para proteger nossas tropas no campo, em geral não iremos liberar alguém que ofereça um perigo até que a guerra tenha acabado”. Por este raciocínio, escreve Toobin, “até mesmo aqueles detidos em Guantanamo e que são absolvidos de todas as acusações contra eles, são análogos aos crimonosos nazistas de guerra”.

Curiosamente, centenas de prisioneiros de Guantanamo – que tinham sido descritos pelo ex Secretário de Defesa Donald Rumsfeld como “os piores de um lote muito mau” – já tem sido libertados. Isto aumenta a suspeita que eles fossem vítimas inocentes de armadilhas para prisões ou vendidos aos EUA pelos caçadores afegãos para aumentar a imagem de milhares de terroristas islâmicos buscando atacar a América. Como coloca o historiador James Carroll em “Casa da Guerra” (Houghton Mifflin), os cárceres de Abu Ghraib e Guantanamo são “emblemas de um novo sistema de encarceramento legalmente duvidoso que envolveu mais de 11.000 detidos mantidos em localizações principalmente secretas (black site) pelo mundo”.

Como disse Clive Stafford Smith, um advogado dos detidos, ao The New Yorker: “Agora que está claro que Guantanamo seja um tal embaraço, eles estão apenas enviando muitos dos cativos para fora, tanto quanto podem, e apenas mantendo o suficiente para salvar-lhes as faces. É um processo político que tem pouco a ver com terrorismo.”

Somente um prisioneiro desde que Gitmo abriu pela primeira vez em 11 de janeiro de 2002 – um ex-esfolador de cangurus, David Hicks – tem sido reamente levado a julgamento. Ele barganhou um apelo para uma sentença de nove meses que cumpriu em sua terra natal, Austrália e agora está livre.

Aproximadamente 275 prisioneiros permanecem em Gitmo, de um pico estimado de 680 prisioneiros de 43 países. Segundo Toobin, aproximadamente 60 foram transferidos, se fossem encontrados países que os recebessem, e Hartmann antecipou que há evidência suficiente para levar a julgamento pela comissão em apenas 80 deles. Além disso, escreve Toobin, “há mais de 130 detidos que os oficiais da administração reconhecem que não ter plano, exceto uma detenção indefinida sem julgamento.” O título deste artigo de Toobin é “Camp Justice.”

Depois de anos de demora, um julgamento foi realmente programado para se iniciar em 5 de maio contra Omar Ahmed Khadr, um canadense que tinha 15 anos quando foi detido sob acusações de haver atirado uma granada de mão que matou um GI americano. Sedundo o The New York Times, de 12 de abril, o juiz militar Cel. Peter Brownback III, adiou a data deste julgamento e estabeleceu 9 de maio para ouvir mais argumentos dos advogados e matérias pré julgamento. O principal advogado de Khadr, o Tenente Comandante da Marinha. William Kuebler, é citado dizendo, “Não acredito que alguém possa ter uma absolvição em Guantanamo Bay.” Ele disse que algumas testemunhas do incidente do tiroteio disseram que o soldado americano pode ter sido morto por “fogo amigo” – uma acusação que o promotor de Khadr afirma deva ser desaprovada.

Ainda que o que importa isto? Até mesmo se provado inocente antes deste painel completamente militar, Khadr pode ser mantido preso por tanto tempo quanto o ocupante da Casa Branca diga que continua a Guerra ao Terror! Para muitos no Oriente Médio e em outros lugares, a duplicidade legalizada que se forma acima de Gitmo apenas não dará a América um olho negro, mas dois, mais um nariz quebrado, um lábio inchado e uma boca esvaziada de dentes – na medida em que George Bush golpeia fortemente para longe da Estátua da Liberdade com seu Clube de Guerra.

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