Redesenhando o Oriente Médio

Ruflando os Tambores para uma Guerra Mais Ampla no Oriente Médio
Israel, Síria e Líbano Preparam os “Fronts em Casa”

de Mahdi Darius Nazemroaya

Global Research, 07 de maio de 2008

O Levante pode estar começando a apontar para um maior conflito internacional com ramificações globais que podem rapidamente sair do controle. Um tal conflito pode até mesmo envolver o uso das armas nucleares americanas e israelenses contra o Irã e a Síria. Adicionalmente, a Síria declarou estar se preparando para a guerra inevitável com Israel, a despeito do fato que ela acredite que as chances de uma guerra em 2008 sejam pequenas.

No cenário de uma guerra contra o Irã, a reação da Síria seria central. Damasco tem um papel principal e como ele age e reage terá um impacto definitivo sobre a estratégia israelense a respeito do Irã. É neste contexto que Israel, os EUA , com a ajuda da Arábia Saudita, Jordânia e Egito têm tentado impossibilitar e por último destruir, a aliança entre a Síria e o Irã. Isto é parte de um longo passo geo estratégico para evitar uma frente de batalha mediterrânea que pode emergir no Levante como resultado de um ataque ao Irã.

O caso de guerra para um ataque israelense ou um ataque conjunto israelense-americano, possivelmente envolvendo a OTAN, contra a Síria e o Irã pode usar o pretexto de qualquer forma de retaliação pelo Hezbollah contra Israel, pelo assassinato em Damasco de um de seus líderes, Imad Fayez Mughniyeh.

Hezbollah tem unido oficiais iranianos ao dizer que os militares americanos são incapazes de iniciarem uma outra guerra no Oriente Médio por lançar ataques ao Irã e a Síria. Oficiais israelenses também tem renovado chamados para paz ao abertamente mencionarem que Tel Aviv é voluntária em devolver as Colinas de Golã aos sírios, enquanto tem havido fortes barulhos políticos contra o movimento em Israel.

Tel Aviv é simultaneamente parte de um comportamento americano que clama que a Síria tem um secreto programa nuclear auxiliado pela Coréia do Norte. Esforços estratégicos, com fortes laços a preparações de guerra, também tem começado com o objetivo de trazer uma calma temporária aos territórios palestinos como parte do mesmo rastro de eventos no Levante.

Redesenhar o conflito árabe-israelense para justificar a guerra

O momento está sendo construído contra o Irã em uma lista de crescentes, e mais frequentes, acusações contra Teerã.

Irã é retratado como a principal ameaça a Israel. Ele também é acusado de intervir no Iraque ocupado e no Afeganistão. Neste sentido, planos de guerra israelenses-americanos no Levante tem sido ligados aos Irã, bem como a Síria. O jornalista investigativo Seymour M. Hersh, um ganhador de um prêmio Pulitzer, relatou em 2006 que a guerra israelense contra o Líbano era parte do mapa rodoviário militar israelense-americano para alvejar o Irã.

As acusações contra Teerã e Damasco são parte de um esforço calculado para justificar os ataques contra o Irã e a Síria na medida em que são os únicos meios de obter a paz no Levante entre Israel e os árabes. Elas também são sustentadas como justificativa para assegurar a segurança e o sucesso das forças de ocupação, para as forças anglo-americanas e da OTAN respectivamente, no Iraque e no Afeganistão.

A este rspeito, a Faixa de Gaza, ao longo do Líbano, está agora sendo descrita por Tel Aviv como uma ‘base iraniana’ contra Israel. Israel está apontando o dedo mais e mais na direção de Teerã como fonte de seus problemas.

Este argumento é fabricado. É uma flagrante contradição com a história do esforço palestino. As causa internas e a história do conflito árabe-israelense agora são postas de lado e ignoradas. O conflito árabe-israelense agora está sendo redefinido como um conflito meramente existencial entre Israel e umas poucas organizações árabes irracionais e violentas controladas por Teerã.

Todos os jogadores, Estados e não-Estados, tem interesses racionais e motivos. Todas as ações também são baseadas nestes mesmos interesses e motivos. Qualquer análise sem mencionar estes interesses visa colocar de lado assuntos específicos. Ao retratar os árabes como inerentemente violentos, a verdade está sendo posta de lado sem explicar o raciocínio completo dos ataques deles contra Israel.

Isto posto ao lado dos motivos é parte de uma campanha de desinformação, que é usada para camuflar a verdade. Os fatos históricos do Conflito árabe-israelense estão sendo redesenhados para apresentar Teerã como sempre tendo sido parte da figura como um destruidor e uma fonte do Conflito Árabe-Israelense. Os motivos para esta agenda são para justificar a irupção de um conflito com o Irã.

O Conflito árabe-israelense está sendo redesenhado como um Conflito iraniano-israelense, onde os árabes são retratados como os soltados a pé do Irã contra Tel Aviv.

Virando a maré do Conflito Árabe-israelense: embarques de armas iranianas para o Levante

Embora tenha havido relatos de embarques de armas iranianas para os palestinos e o Líbano desde a queda da monarquia iraniana, estes relatos tem um novo valor dado a eles depois de 2001.

O primeiro destes relatos a ressaltar veio em 03 de janeiro de 2002 quando Karine-A foi interceptado na rota do Mar Vermelho por comandos navais israelenses. Os céticos questionaram como o embarque não declarado de armas pudesse passar pelas águas pesadamente patrulhadas do Mar Vermelho pelos EUA e OTAN. A captura israelense fez manchetes internacionais em 2002, já que os israelenses revelaram que o navio estava transportando um maior depósito de armas dirigido a Faixa de Gaza. Um conjunto completo de ligações acusadoras foram feitas entre o navio e a Organização de Libertação Palestina [OLP], a Autoridade Palestina e o Irã. Os israelenses sustentaram que o navio veio de um porto marítimo iraniano no Golfo Pérsico. O evento foi usado não somente para chamar atenção para o Irã como um problema no Levante, mas também por Tel Aviv como parte de um esforço a caminho de retratar Yasser Arafat como não sendo um parceiro genuíno para a paz.

Hezbollah e Síria também tem sido armados e supridos pelo Irã por anos. Embora nem os Libaneses, nem a Síria atacariam Israel a menos que fossem atacados, invadidos ou ocupados.

Fora do que já possui, Israel não pode mais anexar território árabe, mais do que já tem. Nem pode Israel se projetar como já o fez. Este é um problema maior para o estabelecimento de uma nova ordem mundial. Os embarques de armas iranianas e ajuda militar tem aborrecido ambos interesses estratégicos anglo-americanos e israelenses no Oriente Médio. Arguidamente, isto tem necessitado de até mesmo um envolvimento mais ativo militarmente da América e britânico no Oriente Médio.

Depoiis de 2005 os israelenses afirmam sobre os suprimentos de armas iranianos para os palestinos que isto aumentou até mesmo mais com o estabelecimento do governo liderado pelo Hamas nos territórios palestinos. Depois de 2006, os relatos concernentes aos embarques de armas iranianas para o Hezbollah começaram a trazer um sentido de urgência que nunca haviam tido anteriormente. As atualizações sendo realizadas pelos militares sírios também foram vistas como provocadoras e inapropriadas, até mesmo embora os militares israelenses tenham posteriormente atualizado e modernizado seu arsenal militar.

Em 2007 e 2008, os israelenses relataram que o Irã havia aumentado seus embarques de armas para os palestinos. O Jerusalem Post fez uma destas declarações em 17 de abril de 2008: “Nos meses recentes, o IDF tem notado um aumento do armamento de fabricação iraniana na Faixa de Gaza, inclusive foguetes e morteiros. Grupos de terror [significando a resistência palestina] em Gaza recentemente estavam equipados por Teerã com dois tipos diferentes de morteiros fabricados no Irã: um de 120 mm com um alcance de 10 quilometros como um foguete Kassam e outro com um alcance de seis quilômetros”. O mesmo relato também continuou para declarar que milhares de morteiros iranianos foram também importados pela Faixa de Gaza, que Israel definiu como uma “Entidade Hostil.”

A Autoridade de Emergência Nacional de Israel [NEA] e suas Preparações de Guerra

A NEA de Israel foi criada para administrar e gerenciar Israel, o “Fronte do Lar” sob um cenário de ‘casualidade em massa’ resultante de uma guerra maior. O NEA de Israel foi criado em 2007 na sequência do ataque israelense de 2006 ao Líbano e os contra ataques de foguetes sobre Israel pelo Líbano. A criação da NEA é uma parte integral das preparações israelenses de guerra.

A nova organização planejou cinco dias de exercícios de emergência [6 a 11 de abril de 2008] que foram ligados a preparações militares e civis israelenses. Estes exercícios de emergência foram os maiores na história de Israel. Estrategicamente e como parte de uma imagem maior, o propósito primário dos exercícios de emergência era preparar Israel para – usando as palavras de Condoleezza Rice-, “as dores de nascimento de um novo Oriente Médio” ou uma nova ordem regional. Este processo, segundo Tel Aviv, será “doloroso para Israel.” Uma guerra regional contra a Síria, Irã e seus aliados tem sido apresentada a opinião pública israelense como um pré requisito para trazer esta nova ordem regional e até mesmo para a própria sobrevivência de Israel.

Os exercícios israelenses simularam evacuações em massa das “zonas de tiro” e grandes construções de pacientes nos apinhados hospitais israelenses. No evento do conflito exercido para Knesset, escritórios do governo, estações elétricas, pontes, instalações militares e edifícios do Estado também são esperados serem atacados,danificados e destruídos. Isto é o porque as entidades em perspectiva em Israel tais como os escritórios do Knesset e do governo israelense, todos participaram nos treinos.

Treinamentos envolvendo preparações para armas químicas e biológicas também foram executados. Israel também tem mantido que a Síria, com a ajuda do Irã, tem estado atualizando seu armamento químico. Relatos de um incidente envolvendo especialistas militares e engenheiros sirios e isrelenses também foram usados como justificativa por Israel em respeito às preparações contra as armas químicas e biológicas sírias durante os exercícios.

Segmentos de exercícios de emergência aconteceram de antemão. Começando em 18 d março de 2008, o Hospital Barzilai realizou exercícios em escala completa que simulavam acertos diretos de foguetes e de misseis no hospital da cidade em Ashkelon. A cidade de Ashkelon, adjacente a Faixa de Gaza, é um importante porto israelense comercial e marítimo e é o ponto de entrada de suprimentos de energia dos campos de gás natural do Egíto no Mar Mediterrâneo.

Tel Aviv mantém o público no escuro: Omittindo o Irã do Cenário de Guerra.

Em 2007, a campanha de propaganda da media foi lançada para influenciar a opinião pública internacional no evento de uma guerra contra o Líbano, Síria e Irã. Fontes israelenses tem afirmado que o Irã também está preparando seus jornalistas para uma guerra israelense contra o Líbano e a Síria. 2008 tem visto um estágio mais alto das preparações de guerra israelenses.

Em 2007, Aharon Ze’evi-Farkash, o ex comandante inteligência militar israelense, comunicou seu medo de que uma guerra contra o Irã, lançada pelo aliado americano de Israel, podia começar antes que o “Fronte de Casa” em Israel estivesse preparado.

Neste contexto os objetivos de exercício de emergência foram para condicionar os israelenses para tal guerra. Sob o cenário de guerra representado pelos oficiais israelenses, Israel inteiro foi parte de uma simulada frente de batalha na qual misseis e foguete seriam lançados dos territórios palestinos, Líbano e Síria. Sob o cenário, 400 a 500 projéteis eram esperados atingirem Israel em base diária.

Um aspecto chave e muito notável dos treinos de emergência foi que o envolvimento iraniano foi excluído do cenário. No evento de uma guerra com o Irã, Teerã tem crivelmente mantido que pode lançar 11.000 foguetes e misseis por minuto.

A este respeito, uma abordagem dupla foi tomada pelos oficiais israelenses a respeito de suas preparações de emergência. As preparações de guerra e os esboços do cenário tinham duas dimensões; uma para o público israelense e um acurado para manter o exame para os funcionáros israelenses que foi subtraído do público.

O raciocínio desta abordagem dupla dos oficiais em Tel Aviv era o de esconder o escopo real e a magnitude de uma guerra regional sobre Israel e reduzir medo, pânico e qualquer sentimento anti-guerra entre os israelenses que se desenvolveria se eles entendessem os danos imensos que eles enfrentariam se o governo deles lançasse uma guerra regional envolvendo a Síria e o Irã.

Adicionalmente, dias depois que os exercícios israelenses nacionais foram completados, os militares israelenses testaram uma imitação de missel balístico no isolamento, longe do público. Se não central, o Irã é claramente uma parte real e maior das preparações de guerra de Tel Aviv.

O Cenário de Emergência de Guerra: Uma Omissão Israelense dos Planos de Guerra?

O primeiro dia dos exercícios de emergência foram caracterizados pela formação de um cenário de gabinete de guerra israelense em resposta a um “maior ataque do inimigo”. Embora, deve ser notado que todas as respostas israelenses tem sido calculadas e predeterminadas e incluem o uso de uma opção de um ataque nuclear contra o Irã e a Síria. Um tal ato teria ramificações apocalípticas no Oriente Médio e mundialmente.

O cenário de guerra imaginado e simulado pelos planejadores israelenses durante o exercício de emergência nacional em Israel previu danos maciços e baixas por meio dos ataques de misseis e foguetes dos ‘inimigos árabes’. O cenário excluiu o arsenal significativamente maior iraniano. Isto responde pelo número inferior de tiros de misseis e foguetes: 400 a 500 por dia.

O cenário israelense, contudo, também projeta uma quantidade menor de ataques por foguetes e mísseis dos “inimigos árabes” no dia inicial da guerra. Em outras palavras, ataques em números realistas contra Israel estão perdendo o dia inicial do cenário de guerra e faz pouco sentido a respeito de uma hipotética ofensiva árabe contra Israel.

Hezbollah sozinho tem mais de 13.000 foguetes, segundo o próprio Israel. Além disso, do arsenal Hezbollah não é nada comparado às capacidades e tamanho daquele da Síria. Sob o cenário israelense de uma guerra hipotética que só perdura por uma semana, a matemática não confere, a menos que o cenário não seja o que os oficias militares mantém.

A simulação israelense é uma omissão a respeito de quem planeja começar a guerra e quem atacará em retaliação. Sob esta circunstância, Helmi Musa um colunista do As-Safir, um grande jornal libanês, ressaltou que “este exercício israelense tem sinalizado, pela primeira vez, quem começa e quem retalia”. Se os árabes estivessem para começar esta batalha, veriamos um intenso ataque de foguetes no primeiro dia com milhares de foguetes lançados [e não as centenas que os estrategistas militares israelenses prevêem]. Desconhecido para o público de Israel é o cenário que está sendo simulado seja um onde os “árabes inimigos” estão reagindo a um ataque israelenses e provavelmente combatendo também as incursões israelenses. Isto responderia pelo baixo número de ataques. Se eles, os participantes árabes ressaltados pelos treinos, fossem ter que atacar Israel primeiro, é justo assumir que o número de ataques sobre Israel teriam sido seus maiores no dia inicial do cenário.

Os Exércícios Sírios de Emergência Nacional: Uma contra-medida aos exercícios de guerra israelense

A Síria tem repetidamente mantido desde 2007 que tem tomado a decisão estratégica de buscar a paz com Israel, mas também está preparada para se proteger se atacada. No início de abril de 2008, o Vice Ministro do Exterior sírio, Fisal Al-Mekdad, em uma entrevista ao Al-Thawra, um jornal de propriedade do governo na Síria, reconheceu que Damasco está pronto para um confronto com Tel Aviv. Ele disse ao Al-Thawra que as preparações israelenses de guerra estão forçando os estrategistas sírios a desenharem seus próprios planos de contingência para um conflito futuro. “Se a Síria é o alvo de tudo isto [os exercícios de emergência israelense de guerra], saber que estamos acompanhando os treinos e também estamos desenvolvendo nossas capacidades e planos para enfrentar as “[manobras de] Israel.”ele disse ao Al-Thawra.

Bastante verdadeiro, em resposta as preparações de guerra israelenses, os sírios também anunciaram dois dias depois do início dos exercícios israelenses, que Damasco planejava realizar exercícios também. O Al-Thawra relatou que exercícios nacionais na Síria foram anunciados durante um encontro de gabinete dos ministros sírios. Os militares, a polícia, forças de segurança, institutos civis, todos foram dito terem papéis no que foi chamado parte de “preparações gerais para desastres naturais e crises” pelo governo sírio.

Na realidade as preparações de emergência foram parte da preparaão da Síria para repelir qualquer ataque israelense que possa ocorrer diretamente ou como resultado de uma guerra israelense com o Líbano que por extensão incluiria a Síria.

O que é crucial no entendimento do evoluidor cenário do teatro de guerra do Oriente Médio é que os movimentos que estão ocorrendo na Síria e em Israel não tem precedentes. Juntamente com as crescentes ameaças israelense-americanas diretamente contra o Irã, incluindo declarações de apoio para ação militar dos EUA e OTAN, há uma razão justificável para preocupação e apreensão.

2008: O Ano de Uma Invasão Israelense a Síria?

A fronteira da Síria com Israel tem sido pacífica por décadas e é uma das fronteiras mais pacíficas de Israel. Ainda que as tensões venham aumentando. Em 2006 Israel criou uma série de unidades militares especificamente para uma guerra com a Síria; entre elas estava a brigada de infantaria de Kfir, a maior unidade militar em Israel. Além disso, os militares israelenses previram em 2007 que uma guerra irromperia ente a Síria e Israel, se não fosse alcançado algum acordo entre Damasco e Tel Aviv.

Desde 2006, o fracasso de Israel no Líbano, os militares israelenses tem estado rotineiramente realizando simulações de uma invasão israelense à Síria. Uma grande parte de poder humano militar israelense tem sido dedicado a uma força de invasão que atacaria a Síria. O Major-General Eyal Ben-Reuven, um general reservista, declarou em 2007 que Israel está “se preparando para uma guerra total”. O Major-General Eyal Ben-Reuven também declarou que Israel deve invadir a Síria com tropas israelenses. Ele primeiro declarou que “a missão do IDF será muito bem focalizada e terá que ser rápida, para neutralizar o mais rápido possível as áreas estratégicas que ameaçam a ‘barriga macia” de Israel, então evitando que a Síria alcance seus objetos desejados”. Eyal Ben-Reuven também deu alguma descrição sobre a forma de uma guerra contra a Síria. Ben-Reuven declarou “que para realizar tais missões bem sucedidamente, uma extensa operação de solo seria necessária”, significando uma invasão por terra da Síria, a qual mais provavelmente alvejaria com velocidade Damasco e os governorados sírios ao sul.

Este objetivo estratégico também explica os bem relatados exercícios de invasão israelenses de modelo de vilas sirias e os exercícios militares nas Colinas de Golan. Israel e os EUA tem mantido encontros estratégicos para formularem o curso das ações militares a serem tomadas no Líbano e contra a Síria e o Irã. Segundo um relatório de Qatar pelo Al-Watan, um oficial senior sírio indicou que os exercícios de emergência israelenses foram supervisionados por um general americano e também envolveu operações militares nas fronteiras da Síria.

A mobilização síria na fronteira libanesa em preparação aos ataques israelenses.

Ehud Barak, como ministro de defesa israelense, em 2 de abril de 2008, renovou as ameaças de guerra israelenses contra o Hezbollah, Líbano e Síria. Segundo fontes israelenses os sírios acreditam que Israel lançará uma outra invasão militar do Líbano sob o pretexto de se dirigir ao Hezbollah em uma guerra preventiva. Neste contexto, desde 2006, Tel Aviv vem chamando o Hezbollah “a ameaça crescente no Líbano” ou “a crescente ameaça na fronteira norte”. A luz disso, fontes israelenses e do Oriente Médio tem relatado que a Síria começou a reforçar sua presença militar na fronteira do Líbano com a Síria, antes do começo de abril de 2008 e tem colocado todas as suas forças em alto alerta.

Os sírios também relataram que acreditam que a rodovia Beirute-Damasco seria alvejada com a maior ferocidade por Tel Aviv do que no verão de 2006, para evitar que apoio logístico alcance o Hezbollah e o Líbano. Fontes israelenses também mantém que os sírios começaram a mobilizar suas forças de reserva na fronteira do Líbano com a Síria. Além disso, os sírios relataram terem empregado três divisões blindadas , nove de infantaria mecanizada e unidades de forças especiais de oposiçao no Vale de Bekaa do Líbano. De acordo com estas fontes israelenses, adicionalmente insistiram que combatentes palestinos também estavam se reunindo no Vale de Bekaa em coordenação com a Síria e o Hezbollah.

Horas depois do relato original sobre a mobilização dos militares sírios ser divulgado por Al-Quds Al-Arabi, um jornal árabe baseado em Londres, o oficial senior de Israel veio responder. Major-General Dan Harel indiretamente deu uma mensagem a Damasco. O vice chefe de equipe dos militares israelenses disse aos repórteres reunidos para um encontro de imprensa que “qualquer um que tente prejudicar Israel deve se lembrar que este é o país mais forte da região, e a retaliação será poderosa e dolorosa”. A Síria foi dito para olhar.

Nos dias seguintes a esta declaração que se emanou de militar israelense, oficiais da síria deram respostas mistas sobre as preparações de guerra da Síria. Damasco negou relatos que as tropas sírias estivessem se reunindo na fronteira Sirio-Libanesa. Oficiais sírios responderam que a despeito do fato de que os israelenses estivessem fazendo preparações de guerra contra a Síria, Damasco não aumentaria a presença de tropas na dita fronteira.

Durante uma entrevista com Al-Arabiya, Mohammed Habash, um importante parlamentar da Síria, refutou os relatos sobre mobilização das reservas da Síria na preparação para um ataque a Israel. O parlamentar sírio, que é presidente do Comitê Sírio-Iraniano, um comitê estrategicamente importante, também apontou o dedo para Tel Aviv por escalar as tensões no Levante: “a Síria está pronta para se defender mas não procura pela guerra: é o lado israelense que está dando passos para trazer uma escalada.”

Ao mesmo tempo em que há relatos da mobilização síria na fronteira não fortificada sirio-libanesa, há também um aumento de tráfico áreo militar israelense perto das fronteiras sirio-libanesas. Os militars israelenses também reconhecem que aviões israelenses adicionais de guerra foram deslocados para as fronteiras nortes de Israel em um estado de alto alerta.

Internationacilando o Hezbollahn como uma ameaça: Pretexto para intrusões da OTAN no Líbano?

Em 8 de abril de 2008 Bernard Kouchner, o principal diplomata francês e chefe do Ministério do Exterior da França, revelou que Mohammed Zuhair Siddiq, o indivíduo que era uma testemunha chave no assassinato Hariri e uma fonte para as queixas do envolvimento sírio no evento, tinha desaparecido enquanto estava sob proteção francesa. Ainda mais significativo, Bernard Kouchner também proclamou que o Hezbollah não era mais “uma questão doméstica do Líbano”. As implicações desta declaração levam indicações significativas.

Monsieur Kouchner adicionalmente anunciou que as armas que Hezbollah transportava eram também uma séria ameaça. O solo estava pavimentado para o envolvimento ativo da OTAN no Líbano. Hezbollah estava sendo alvejado pelas preocupações internacionais quanto a suas armas. O que estava sendo implicado em Paris é que a ação internacional deveria ser tomada contra o Hezbollah.

As declarações dos EUA e de representantes da Coalisão no Iraque, tais como o General Petraeus, sobre o envolvimeno do Hezbollah em ataques contra tropas dos EUA e da Coalisão afirmam que o Hezbollah está treinando milicias iraquianas dentro do Irã que também servem a este propósito.

Apenas uns poucos dias depois das declarações de Bernard Kouchner, o chefe do disputado governo libanês, Fouad Siniora, avaliou em estreita proximidade as preparações de guerra israelenses e sírias e a renovada pressão americana sobre o Irã que o tempo para o diálogo interno havia acabado no Líbano. Fouad Siniora fez o anúncio enquanto o portavoz do parlamento libanês, Nabih Berri, estava em Damasco em um encontro com oficiais sírios como parte de um tour diplomático pelas capitais árabes para obter apoio da Liga Árabe para o novo diálogo político intra-libanês.

A Terceira Conferência Ministerial Expandida dos Paises Vizinhos do Iraque, que foi realizada no Kuwait, estava também relacionada ao Líbano. A conferência internacional hospedada pelos kuaitianos em 22 de abril de 2008, envolveu muito mais participantes internacionais do que apenas os vizinhos do Iraque e seu escopo incluiu o inteiro Oriente Médio.

Os EUA, Arábia Saudita, França, Grã Bretanha e vários outros Estados árabes todos empurraram a agenda adiante para internacionalizar o entrave político no Líbano e apresentar o Hezbollah como uma preocupação internacional também. Em liga com estes esforços para internacionalizar o Hezbollah como um problema global, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, também divulgou um relatório afimando que o Hezbollah era um problema internacional. Todos estes eventos foram parte da atitude temerária de internacionalizar o Hezbollah como uma ameaça e eventualmente justificar a intervenção dos EUA e da OTAN no Líbano.

Os esforços para internacionalizar o Hezbollah como uma ameaça também entraram em uma nova fase no Líbano. A Aliança de 14 de Março liderada por Hariri, que efetivamente forma o governo libanês, declarou que tomaria ação legal em maio de 2008 contra o Hezbollah por causa de uma rede de câmeras monitorando o principal aeroporto do Líbano e uma rede vital paralela de telecomunicações de segurança criadas pelo grupo. Estes esforços internos contra o Hezbollah foram executados pela coordenação da Aliança de 14 de Março com os diplomatas dos EUA e da Arábia Saudita em Beirut.

Líbano se prepara para os ataques israelenses

A fronteira síria com Israel é pesadamente fortificada, diferente da fronteira sirio-libanesa. Isto é o porque os militares israelenses estão tão desesperadamente empurrando para obter os bancos do Rio Litani antes que os sírios pudessem se preparar completamente em 2006. Um rápido assalto israelense por terra contra Damasco, que se localiza perto da fronteira sirio-libanesa, teria que atravessar o Libano e não as Colinas de Golan ou a fronteira israelense com a Síria. Qualquer invasão da Síria pela fronteira sirio-israelense seria secundária, por natureza. Por esta razao, entre tantas outras, o Líbano está ligado aos planos de guerra de Israel contra a Síria. Para invadir o Líbano é necessário um pretexto e o Hezbollah é este pretexto.

Depois do assassinato de Imad Mughniyeh, a marinha dos EUA empregou um continente de navios de guerra para o Leste do Mediterrâneo e a costa libanesa em 28 de fevereiro de 2008. A Casa Branca declarou que a razão para o emprego era estabelecer a estabilidade no Líbano e ajudar a democracia no Líbano.

Em um caso de amarga ironia o emprego naval teve efeito inverso. Ele contribuiu para elevar as tensões em Beirut e no país inteiro. O movimento dos EUA foi feito sem permissão do Líbano e o governo libanês foi forçado a denuncia-lo. A maioria dos cidadãos libaneses também se sentiram ameaçados e foram ultrajados pelo emprego americano em suas águas. Por causa da opinião pública no Líbano e o governo libanês e ainda a Aliança de 14 de março negarem qualquer laço ou conhecimento prévio sobre o emprego naval dos EUA fora da costa do Líbano.

Em conexão com o emprego naval dos EUA, irromperam notícias de uma alegada conspiração dos EUA contra o Movimento Livre Patriótico, o maior partido político cristão do Líbano e um membro da Oposição Nacional Libanesa.

Michel Aoun, o ex comandante dos militares libaneses e líder do Movimento Livre Patriótico, e outros líderes cristãos libaneses se opuseram aos interesses dos EUA, Israel e França no Líbano que tem sido sistematicamente alvejados. Em 2 de agosto de 2007, a Casa Branca até mesmo aprovou uma ordem executiva para congelar os bens financeiros de qualquer indivíduo ou grupo suposto de se opor a Fouad Siniora e aos atos pacíficos da Aliança de 14 de março. Os protestos em massa dos cidadãos libaneses contra a Aliança de 14 de Março, que foram atos pacíficos de expressão política e democrática, foram até mesmo chamados de “não democráticos e desestabilizadores” pelo Presidente George Bush Jr. e a Casa Branca.

O que isto significa, sem se considerar o intrometimento dos EUA em assuntos domésticos e políticos do Líbano, é que a oposição política ao governo libanês está sendo alvejada em nome da democracia e governabilidade.

Desde 2006, o Movimento Livre Patriótico e vários outros partidos políticos cristãos tem sido parados pelos aliados políticos do Hezbollah. Eles estão consequentemente em divergência com os EUA e a França e tem se recusado a se inclinar á pressão estrangeira. Eles firmemente se opõem a Israel e tem protestado do intrometimento dos EUA e da França nos assuntos internos do Líbano. Hezbollah, o Movimento Patriótico Livre e estes partidos políticos cristãos são todos aliados a vários outros partidos políticos que representam as comunidades libanesas dos Drusos, dos armênios étnicos [cristãos] e as dos sunitas muçulmanos.

Várias figuras políticas chave na Aliança 14 de Março, tais como Walid Jumblatt e Samir Geagea, tem estado trabalhando intimamente com a Casa Branca e Tel Aviv contra a aliança política entre o Movimento Livre Patriótico e o Hezbollah. Estes indivíduos tem encontros regulares com os EUA, os sauditas, os franceses e oficiais israelenses . Estes encontros incluem Ehud Barak onde ataques e táticas contra o Hezbollah, o Movimento Partiótico Livre e a Síria e o Irã foram discutidos.

Junto da família de Hariri, estas figuras libanesas estão sendo usadas para abrir um fronte interno contra o Hezbollah e seus aliados políticos no Líbano. Depois da derrota de 2006 de Israel, estas figuras libanesas e seus partidos também vagarosamente começaram a serem armados pelos EUA, Arábia Saudita e outros. Embarques de armas do Pentágono que fingiam ser para uso no Iraque anglo-americano ocupado, foram também encobertamente tomando seu caminho para as mãos destas facções libanesas. Os EUA também tem estado cooperando com eles nas preparações sendo feitas na fronteira libanesa-síria e nos esforços de fazer cadeias paralelas de comando nos militares libaneses que podem ser usadas contra o Hezbollah e a oposição nacional libanesa.

Se adiantando, dias antes dos exercícios de emergência israelenses, o governo de Siniora ordenou que os militares libaneses estivessem em alerta máximo por “violações israelenses”. No Libano, a Aliança 14 de Março e a Oposição Nacional Libanesa em concorrência compreenderam a possibilidade do conflito. Tanto o governo libanês quanto o Hezbollah deixaram claro que estavam observando as forças israelenses e que ambos estavam preparados para a séria possibilidade de um outro conflito entre o Líbano e Israel. Além disso, o oficial do Departamento de Estado dos EUA,responsável pelas relações ameicanas com o Líbano, C. David Welch,também prometeu “um verão quente” no Líbano se a Oposição Libanesa Nacional não capitulasse.

Segundo fontes israelenses citando a Agência Fars News (FNA) e o jornal sírio Al-Hakikah, Hezbollah avisou Israel que se ele lançasse um outro ataque de guerra contra o Libano, o Hezbollah levaria a guerra a Israel. Em Israel esta informação foi afirmada significar pelos elementos xenófobos e ultra sionistas que árabes israelenses (Palestinos com cidadania israelense que não deixaram sua terra natal) agiriam como quinta coluna para o Irã e o Líbano. Um senhor não identificado, oficial do Hezbollah foi citado dizendo, “Na próxima guerra, dirigiremos a batalha pela primeira vez desde 1948 dentro da Palestina. Eles ficarão mais surpresos do que nunca anteriormente, na medida em que veremos nossos combatentes combatendo-os não apenas no Líbano, como tem feito até agora. mas também dentro das casas deles e de seus assentamentos”. O mesmo oficial do Hezbollah também é citado dizendo, “a próxima guerra, se irromper, será ofensiva da nossa parte. Não significa que iniciaremos a guerra, mas que cada guerra que eles lançarem no futuro se tornará o que os exércitos organizados no mundo se referem a contra-ofensiva de nossa parte. Eles verão nossos combatents por trás das linhas deles, não em frente a elas.”

The Independent, um dos mais respeitados jornais britânicos, tem relatado que o Hezbollah também tem estado enviando treinantes para o Irã: ” Ainda que este seja um segredo aberto ao sul de Litani [Rio] que milhares de homens jovens tem deixado suas vilas para treinamento militar no Irã. Mais de 300 homens são tomados para Beirut em rota para Teerã a cada mês e a operações está funcionando desde 2006; no todo, tantos quantos 4.500 membros [Hezbollah] tem sido enviados para períodos de três meses de exercícios de tiro livre e de foguete para criar um núcleo de guerrilhas de treinamento iraniano para a ‘próxima'[ataque israelense contra o Líbano].”

Uma outra fonte britânica , The Observer, tem também relatado sobre as preparações de guerra no Líbano: Mas uma investigação do Observer [de Mitchell Prothero] tem descoberto que o [Hezbollah] “está quietamente mas sem parar substituindo seus mortos e redobrando seus esforços de recrutamento em antecipação de um novo conflito, até mesmo mais brutal. [Hezbollah] tem embarcado em uma maior expansão de sua capacidade de combate e agora está enviando centenas, se não milhares, de jovens homens para campos de treinamento intensivo no Libano, Síria e Irã para ficarem prontos para a guerra com Israel. Não é uma queste de “se”, diz um membro do Hezbollah. É uma questão de “quando” Sayed [Hassan] Nasrallah [o chefe político do Hezbollah] nos comande.”

A luz das preparações no Líbano para um ataque israelense, o número de violações israelenses do espaço aéreo libanês também aumentou, começando em março de 2008. Os israelenses violaram abertamente o espaço aéreo e realizaram vôos militares sobre Beirut e todas as parte do Líbano em abril e maio de 2008. Em abril de 2008, os militares libaneses até mesmo reconheceram que os aviões de guerra israelenses tinham estado a realizar missões de reconhecimento sobre o Líbano e que estas missões estavam ligadas às preparações israelenses de guerra.

The Independent também continuou para anunciar, com o contexto da guerra aérea em mente, que na próxima guerra contra o Líbano a supremacia israelense no ar seria desafiada pelos libaneses por causa da tecnologia militar iraniana e hardware: “Por meses, Sayed Hassan Nasrallah, o líder [Hezbollah], tem estado avisando Israel que a organização dele tem uma nova arma “surpresa” em seu armamento e são poucos no Líbano que suspeitam que este seja um novo missel terra-ar desenvolvido pelos iranianos” os foguetes que podem ao menos desafiar a supremacia aérea de Israel sobre o Líbano.

As visitas de Brzezinski e Carter a Damasco

Tel Aviv e Washington, D.C. não tem desistido de seus esforços para evitar a emergência de uma frente de batalha no Mediterrâneo em uma guerra contra o Irã. Com a elevação das tensões regionais no Oriente Médio foi anunciado que o ex presidente americano James E. Carter Jr. tinha voado ao Egito e ao Levante para uma missão de encontrar um fato com vistas a promover a paz. Para alguns, o anúncio soou como um alento de ar fresco. O ex presidente americano, se encontrou com líderes e oficiais no Egito, Israel, Banco Ocidental e Síria.

Deve ser notado que Jimmy Carter se encontrou com o Presidente Basher Al-Assad na Síria apenas meses depois que Zbigniew Brzezinski chefiou uma delegação da Corporação RAND para Damasco em 12 de fevereiro de 2008. A sequência destes encontros não é coincidência. Brzezinski foi um conselheiro de segurança nacional dos EUA sob a administração Carter. Ambos também tem estado envolvidos nas conversas com diplomatas iranianos e oficiais em Damasco.

O que realmente ressalta a viagem de Carter ao Oriente Médio foram seus encontros em Damasco com o líder em exílio do Hamas, Khaled Meshaal, em 18 e 19 de abril de 2008. A controvérsia por trás destes encontros com Hamas foi que eles tinham sido retratados como tabus diplomáticos em um esforço de isolar a organização palestina no Oriente Médio e na arena global.

Antes dos encontros em Damasco, Carter teve encontros anteriores com representantes de Hamas no Cairo. Do início das conversas entre a liderança política de Hamas e Jimmy Carter, a media relatou que Israel e os EUA se opunham ferozmente a estes encontros. Na realidade, Bush Jr. e Israel apoiaram estes encontros.

Engajando a Hamas: Uma Tentativa de Desativar a Abertura de uma Frente Palestina?

A despeito das declarações de Condoleezza Rice, o Centro Carter até mesmo divulgou uma declaração de seu quartel general em Atlanta dizendo que o Departamento de Estado dos EUA não fazia objeções aos encontros de Carter com oficiais do Hamas e os sírios. No passado, a Casa Branca apoiou secretamente a visita de 2007 de Nancy Pelosi a Damasco com uma delegação americana bipartidária. Foi a este tempo que um oficial do governo Bush chegou a Damasco para falar sobre os “refugiados iraquianos’ e que Condoleezza Rice foi manter conversas com o Ministro do Exterior da Síria no Egito. Neste caso, Jimmy Carter era parte dos esforços combinados pelos governos israelense e americano para desengajar o combate entre os palestinos e Israel na Faixa de Gaza por meio de um armistício.

Conquanto a opinião pública fosse levada a acreditar que Israel se opunha as conversas entre Carter e o Hamas, o ex presidente de fato estava diretamente negociando com o Hamas em benefício dos oficiais israelenses.

Comquanto o governo israelense reafirmasse que o Hamas não pode ser “parceiro para a paz”, Jimmy Carter estava passando mensagens do governo israelense para o Hamas e a Síria. Segundo as próprias palavras de Carter, ele estava agindo no Oriente Médio como um comunicador e intermediário entre as partes.

Um exame mais profundo do que transpirou entre Hamas e Carter revela a verdadeira natureza e propósito da missão de Carter.

O primeiro ministro substituto de Israel é Eli Yishai, que é também responsável pelo Ministério da Indústria israelense. O escritório de Eli Yishai reconheceu em 18 de abril de 2008 que o segundo oficial de mais alto ranking no governo israelense tinha pedido a Jimmy Carter para arranjar encontros entre o Hamas e Eli Yishai. O pretexto e a justificativa era discutir uma possível troca de prisioneiros por Gilad Shalit, um cabo israelense capturado pelo Hamas e dois outros grupos palestinos. Oficialmente, foi afirmado que Eli Yishai, o líder do partido Shas, tinha desafiado a política do governo com esta solicitação.

Na verdade, Israel tem estado negociando um cessar fogo com Hamas. Os comentários de Ehud Olmert para Yedioth Ahronoth, um jornal israelense, conta as razões reais porque Carter estava relatando não ter se encontrado com líderes israelenses antes de sua visita a Síria: “Fosse Jimmy Carter se encontrar comigo, e dois dias antes com Khaled Meshaal, isto poderia ter criado uma fachada de negociações entre nós e o Hamas.” A negativa pública de Ehud Olmert de Jimmy Carter foi também anunciada como não sendo pessoal por Yohanan Plesner, um membro do partido Kadima de Ehud Olmert, durante os encontros com Carter em Jerusalém. Indubitavelmente, o encontro entre Carter e Plesner não teria acontecido sem o OK de Olmert. As mensagens de Ehud Olmert estavam sendo passadas a Carter através de seu subordinado do Kadima.

Acrescentar contexto a missão de Carter é crucial. Sua visita veio em uma junção de tempo quando a guerra estava sendo abertamente falada não apenas contra o Líbano e a Síria, mas contra o Irã.

Em 20 de abril de 2008, o presidente sírio anunciou que as mensagens haviam sido trocadas entre Israel e Síria por meio de uma terceira parte não identificada, para explorar a possibilidade e reassumir as conversas de paz israelenses-sirias. Isto foi meramente dias depois da visita de Carter a Damasco.

Dois dias depois, em 23 de abril de 2008, foi mundialmente relatado que o governo israelense tinha notificado Damasco, em 22 de abril de 2008, por meio do Primeiro Ministro turco Recep Tayyip Erdogan, a terceira parte, que Israel estava pronto para devolver as Colinas de Golan à Siria. O governo turco havia servido como intermediário desde 2006, trocando mensagens entre Israel e Síria. Os israelenses, novamente, também insistiram, que a Síria sabia as condições para a paz, que eram: a dissociação de Damasco do Irã e do Bloco de Resistência.

O papel americano nestas aberturas ao Hamas e Síria é também um maior fator. A Síria foi até mesmo relatada ter requisitado o envolvimento dos EUA nas conversas de paz com os oficiais israelenses. De fato, uns poucos dias depois do fim da missão Carter, e das mensagens israelenses por meio da Turquia, o Ministro do Exterior sírio viajou para Teerã para discutir as propostas israelenses e americanas com o Irã. Enquanto no Irã, o Ministro do Exterior da Síria afirmou que Israel se retiraria da fronteira internacional de 1967 e não apenas se retiraria das Colinas de Golan.

A Frente Unida palestino-síria-iraniana

Dez diferentes oganizações palestinas que se opõem a Israel são hospedadas pela Síria, e então chamadas “Dez Palestinos de Damasco”, enquanto muitas outras capitais do mundo árabe tem se recusado a hospeda-las. Conquanto algumas destas organizações palestinas são sub-rogados sírios, elas são consideradas ‘rejeicionistas” porque elas claramente se opõem a acordos unilaterais pelestino-israelenses ditados pela Casa Branca e aceitos pela OLP. Entre os rejeicionistas estão Hamas, a Frente Democrática para Libertação da Palestina, O Jihad Islâmico Palestino, o Comando Geral da Frente Popular para Libertação da Palestina.

Hamas junto com os grupos palestinos baseados em Damasco estão alinhados com Damasco e Teerã. É nestas bases que os laços ligando os palestinos, a Síria e o Irã tem se desenvolvido.

O Primeiro Ministro palestino, Ismail Haniyeh, enquanto visitava Teerã em 2006 se referiu ao Irã como “a profundidade estratégica” do povo palestino em sua luta contra Israel. Oficiais sírios, libios, libaneses, algerianos e iraquianos, entre muitos outros do mundo árabe, também tem chamado o Irã de “profundidade estratégica” dos árabes contra Israel. No relacionamento para estes laços, Khaleed Meshaal annunciou em 2005, durante os encontros de alto nível em Teerã, que o Hamas e os palestinos apoiariam seu importante aliado Irã em uma guerra regional. Este fator é de imensa importância no caso de uma guerra israelense-americana diretamente contra a Síria e o Irã .

Juntamente com Hamas, a maioria das organizações palestinas e seus apoiadores, incluindo aqueles no Egito e na Jordânia, tem também deixado claro, pelos anúncios em 2005, 2006 e 2007 que eles liderariam os palestinos na batalha como parte da frente unida, no caso de um conflito abrangente no Oriente Médio. Isto é uma outra dimensão da frente de batalha mediterrânea que emergiria de uma guerra contra o Irã.

O Reino Hashemita da Jordânia poderia ser sugado dentro de qualquer guerra regional envolvendo os palestinos e aliados da Síria e do Irã. Há mais palestinos e iraquianos na Jordânia do que árabes jordanianos. A Jordânia também pode enfrentar uma guerra civil e uma troca de regime em Amman, onde um novo governo republicano pode se aliar a Síria e ao Irã. Isto teria maiores ramificações contra os EUA e Israel. Outros regimes árabes também estão vulneráveis.

A este respeito, o líder no Cairo tem sido empurrado para um armisstício entre Israel e os palestinos na Faixa de Gaza. Omar Sueiman, um ministro egípcio do gabinete trabalhando como chefe da inteligência egípcia, também foi enviado a Tel Aviv várias vezes por seu governo, para auxiliar Israel em neutralizar a potencial frente palestina de emergir no contexto de um cenário de guerra regional.

Sobretudo, se uma guerra regional fosse irromper, os combatentes palestinos confrontariam as forças israelenses com a ajuda da Síria e do Irã. Nesta situação particular, o diálogo com o Hamas é parte de um esforço de silenciar ou desengajar a frente palestina ao estabelecer um armistício entre o Hamas e Israel, antes do início de uma guerra com o Irã.

A marcha para a guerra no Levante e seu relacionamento com uma guerra mais ampla envolvendo o Irã

A despeito das conversas de paz israelenses/sírias, os dois lados estão envolvidos em preparações de guerra.

Zalman Shoval,um ex diplomata israelense e político, descreve esta situação em evolução como se segue: “A mensagem recebida em Washington a aproximadamente duas semanas atrás [no começo de abril de 2008] foi clara e incluiu um traço de desprazer. Porque vocês tem pessoas [em Israel], e ministros em particular, que continuam a se surpreender com a noção sem base que as condições para paz entre Israel e Síria tenham sido criadas?”

Aos olhos de ambos que controlam os governos americano e israelense, os termos da chamada paz devem ser ditados pelos vitoriosos, aqueles com mão superior. Segundo a rede Fox News o governo de Bush Jr. também assinou uma diretiva sigilosa, ampla e sem precedentes em março de 2008 para alvejar o Irã, a Síria, Hezbollah, e aqueles no Líbano que se opõem a agenda americana para estabelecer uma nova ordem regional.

Anúncios
Published in: on maio 15, 2008 at 9:27 pm  Deixe um comentário  
Tags: , ,

The URI to TrackBack this entry is: https://conspireassim.wordpress.com/2008/05/15/redesenhando-o-oriente-medio/trackback/

RSS feed for comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: