EUA e os Conflitos no Oriente Medio

Os EUA e a Guerra Irã-Iraque

STEPHEN R. SHALOM

A guerra entre o Iraque e o Irã foi uma das maiores tragédias humanas na recente história do Oriente Médio. Talvez aproximadamente um milhão tenha morrido, muitos mais foram feridos e milhões se tornaram refugiados. Os recursos disperdiçados na guerra excederam o gasto do inteiro Terceiro Mundo com saúde pública por uma década.

A guerra começou em 22 de setembro de 1980, quando tropas iraquianas lançaram uma invasão em escala completa do Irã. Antes desta data tinha havido subversão de cada país dentro do outro e também maiores confrontos nas fronteiras. O Iraque esperava uma vitória relâmpago contra o vizinho internacionalmente isolado nas gargantas de uma revolta revolucionária. Mas a despeito dos sucessos iniciais iraquianos, os iranianos se reuniam e, usando sua população muito maior, foram hábeis de expulsarem os invasores em meados de 1982. Em junho de 1982, os iranianos passaram para a ofensiva, mas o Iraque, com uma vantagem significativa em armamento pesado, foi capaz de evitar um progresso decisivo iraniano. As armas finalmente se silenciaram em 20 de agosto de 1988.

A responsabilidade primária pelos oito longos anos de banhos de sangue deve descansar nos governos de dois países – o regime militar sem regras de Saddam Hussein no Iraque e o regime sem regras clerical do Ayatollah Khomeini no Irã. Khomeini foi dito ter um “complexo de mártir”, embora o Secretário de Estado dos EUA, Cyrus Vance, ironicamente observou, as pessoas com complexo de martir vivem muito para se tornarem velhas como Khomeini. Sejam quais forem seus complexos, Khomeini não tinha escrúpulos em enviar seus seguidores, inclusive jovens meninos, para a morte para sua maior glória. Este completo desrespeito pela vida humana não foi menos característico de Saddam Hussein. E, por uma questão de matéria, era também menos característico de grande parte da comunidae mundial, que não somente não podia ser aborrecida por umas poucas centenas de milhares de cádaveres do Terceiro Mundo, mas tentaram lucrar com o conflito.

A França se tornou a maior fonte do armamento de alta tecnologia do Iraque, em não pequena parte para proteger sua aposta financeira neste país. A União Soviética foi o maior fornecedor de armas para o Iraque, enquanto lutava por influência em ambas as capitais. Israel forneceu armas ao Irã, esperando sangrar os combatentes por prolongar a guerra. E ao menos dez nações venderam armas para ambos lados combatentes.

A lista dos países envolvidos neste comportamento lamentável, contudo, não estaria completa sem os EUA. O objetivo dos EUA não eram os lucros das vendas de armas, mas o objetivo muito mais significativo de controlar na maior extensão possível os recursos de petróleo da região. Antes de sintonizar a política durante a guerra Irã-Iraque, seria útil recordar alguma história dos EUA e o petróleo.

Um pouco de História Crua

Grande parte das comprovadas reservas mundiais de petróleo estão localizadas na área limitada do Golfo Pérsico [chamado pelas nações árabes de Golfo Arábico, e por aqueles que tentam manter seus dicionários geográficos politicamente neutros, simplesmente “o Golfo”).

Menos de 4% do consumo americano de petróleo vem do Golfo, mas, segundo o argumento oficial, a Europa Ocidental e o Japão são extremamente dependentes do petróleo do Golfo e portanto, se a região cair em mãos de um poder hostil, os aliados dos EUA podem ser postos de joelhos e a segurança dos EUA seria fundamental e ireparavelmente comprometida. Se alguém examina a história da política americana no Golfo, contudo, proteger os interesses de petróleo da Europa Ocidental e do Japão nunca pareceu ser um dos principais objetivos de Washington.

Já na década de 1920, o Departamento de Estado soube forçar a Grã Bretanha a dar a companhias americanas uma parte das lucrativas concessões de petróleo do Oriente Médio. O embaixador americano em Londres – que acontecia ser Andrew Mellon, o chefe da Gulf Oil Corporation (assim chamada por causa do Golfo do México, não por causa do Golfo Pérsico/árabe) – foi instruído a pressionar os britânicos para dar a Gulf Oil uma aposta no Oriente Médio. No final da Segunda Guerra Mundial, quando imensos depósitos de petróleo na Arábia Saudita se tornaram conhecidos, o Secretário da Marinha, James Forrestal disse ao Secretário de Estado Byrnes, “Não me importo qual companhia americana ou companhias desenvolvam as reservas árabes, mas penso mais enfaticamente que isto deva ser americano”. E não era com os russos que Forestal se preocupava. A principal competição era entre os EUA e a Bretanha pelo controle da área do petróleo.

Em 1928, a Standard Oil de New Jersey e a Mobil tinha unido interesses de petróleo franceses e ingleses ao assinarem o ‘Acordo da Linha Vermelha”, onde cada um se comprometia a não desenvolver o petróleo do Oriente Médio sem a participação dos outros. Não obstante, depois da Segunda Grande Guerra, estas duas firmas americanas [juntas com a Texaco e Standard Oil da Califórnia) pegaram as concessões sauditas para elas próprias, congelando os britânicos e os franceses. Quando foram mais tarde processadas com base no “Acordo da Linha Vermelha” que havia sido violado, Mobil e Jersey disseram a côrte que o acordo era nulo e vazio porque era monopolista.

No início da década de 1950, o petróleo foi usado como arma política pela primeira vez – pelos EUA e a Bretanha contra o Irã. O Irã havia nacionalizado sua companhia de petróleo de propriedade britânica, que tinha se recusado a partilhar seus lucros astronômicos com o governo hospedeiro. Em resposta, Washington e Londres organizaram um boicote do petróleo iraniano que trouxe o colapso para a economia iraniana. A CIA então instigou um golpe, colocando o Xá no poder e efetivamente desnacionalizando a companhia de petróleo, com as firmas americanas obtendo 40% da companhia de petróleo, originalmente 100% britânica. Isto foi, na opinião do New York Times, “uma lição objetiva no pesado custo que deve ser pago quando uma nação de Terceiro Mundo rica em petróleo que “vai freneticamente com um nacionalismo fanático”.

Em 1956, a arma do petróleo foi usada novamente, desta vez pelos EUA contra a Bretanha e a França. Depois das últimas duas nações juntamente com Israel invadirem o Egito, Washington deixou claro que o petróleo americano não seria enviado à Europa Ocidental até que a Bretanha e a França concordassem com uma rápida programação de retirada. Os EUA não eram avessos a derrubada de Nasser – “Se eles tivesem feito isto rapidamente, teríamos aceitado”, disse mais tarde Eisenhower – mas a operaçao militar desajeitada anglo-francesa ameaçava os interesses americanos na região.

Em outubro de 1969 o Xá do Irã pediu as EUA para comprar mais petróleo iraniano como um meio de impulsionar seus rendimentos. Mas o pedido do Xá foi rejeitado porque, como explicou um assistente do então presidente Nixon, “uma parte substancial dos lucros desta compra iria para companhias não americanas ,se o petroleo iraniano fosse liberado,” enquanto se o petróleo saudita fosse comprado, a parte americana seria muito maior.”

Pelo fim da década de 1960 o mercado internacional do petróleo estava muito diferente do que tinha sido dus décadas antes. Os suprimentos de petróleo eram estreitos, o número das companias de petroleo havia crescido, e os países produtores, reunidos na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, estavam buscando melhorar sua posição financeira.

Conversas cruciais sobre o preço do petróleo começaram em 1970 entre as companhias americanas e o governo da Líbia. Significativamente, Washington não pesou do lado das companhias, e de fato, as próprias companhias não colocaram muita resistência no aumento dos preços. Para as companhias de petróleo, preços mais altos seriam benéficos, tornando lucrativos seus crescentes investimentos nas nações desenvolvidas [por exemplo, no Mar do Norte e no Alasca]. Qualquer preço mais alto seria repassado aos consumidores – e de fato, em 1972-1973 as companhias aumentaram o preço delas em uma extensão muito maior do que os custos crus garantiam sozinhos.

Em 1972, o governo Nixon estava advogando preços mais altos para o petróleo. Segundo um estudo de a V. H. Oppenheim, baseado em entrevistas com funcionários americanos, “o peso da evidência sugere que a consideração principal por trás da indulgente atitude do governo em relação aos preços mais altos do petróleo foi a crença de que os preços mais altos produziriam benefícios econômicos para os EUA vis-a-vis seus competidores industriais, Europa Ocidental e Japão, e os Estados chave do Oriente Médio, Arábia Audita e Irã. E Henry Kissinger tem confirmado que este foi o pensamento do governo americano; “A elevação no preço da energia afetaria primariamente a Europa e o Japão e provavelmente melhoraria a posição competitiva dos EUA”.

Entre os crescentes avisos sobre um possível embargo de petróleo, os países ocidentais industrializados mantiveram encontros para decidirem a resposta deles. Mostrando preocupação com seus aliados, os EUA propuseram que os recursos fossem partilhados, mas em base de cada importaçao marítima do país, muito mais do que em base das necessidades totais de energia. Já que os EUA são muito menos dependentes das importações que os outros países, esta fórmula significou que no evento de um embargo os suprimentos de energia dos EUA seriam cortados muitos menos do que aqueles de seus “aliados”.

Depois de outubro de 1973 a guerra no Oriente Médio irrompeu, mas antes do embargo árabe, os funcionários das companhias de petróleo escreveram a Nixon, avisando que “a inteira posição dos EUA no Oriente Médio está a caminho de ser seriamente prejudicada, com interesses japoneses, europeus e talvez russos grandemente suplantando a presença dos EUA na área, em detrimento de nossa economia e segurança”. Note que a ameaça russa foi considderada apenas uma possibilidade, a ameaça aliada uma certeza.

No final de 1973 e em 1974, os produtores árabes do petróleo cortaram a produção deles e impuseram um embargo contra os EUA e a Holanda por sua posição pró Israel. O público tem memórias de longas linhas de bombas de gasolina, racionamento e uma atmosfera de crise. De fato, contudo, nas palavras de Kissinger, “o embargo árabe foi um gesto simbólico de impacto prático limitado.”. As companhias internacionais de petróleo, que monopolizavam totalmente a distribuição do petróleo e seu marketing, coligaram o petróleo delas, assim o racionamento dos suprimentos sauditas para os EUA foi composto por outras fontes. Sobretudo, as companhias de petróleo disseminaram os cortes de produção para minimizar o sofrimento e o país que mais apoia Israel – os EUA – sofreu muito menos. De janeiro a março de 1974, o consumo de petróleo nos EUA diminuiu apenas 5%, comparado aos 15% da França e Alemanha Ocidental.

Até mesmo estas estatísticas, contudo, superavaliam a dificuldade, porque de fato, não houve tempo para uma falta real de petróleo no mercado europeu. O consumo simplesmente respondeu ao aumento nos preços… Entre outubro de 1973 e abril de 1974, as reservas de produtos de petróleo nos países da Comunidade Européia nunca cairam abaixo do equivalente de consumo de 80 dias; na Itália, as reservas de fato aumentaram 23%”.No Japão, havia aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo a mais do que o governo admitiu, na medida em que a burocracia, a indústria do petróleo, e os usuários da indústria do petróleo conseguiram explorar a crise para sua própria vantagem.

No decair do embargo, os aliados dos EUA tentaram negociar seus próprios acordos bilaterais de compra de petróleo com as nações produtoras, sem ir através das maiores companhias internacionais de petróleo. Washington se opôs a estes esforços. Em resumo, o bem estar dos aliados dos EUA nunca havia sido uma consideração chave para os fazedores da política americana.

Nem foram uma questão de preocupação crucial com o bem estar do americano médio. Um ex funcionário do Departamento de Defesa tem estimado que isto custa aos contribuintes americanos aproximadamente 47 bilhões de dólares, apenas em 1985, com gastos militares relacionados ao Golfo; o ex Secretário da Marinha John Lehman estima a figura anual em 40 bilhões de dólares. Como isto pode valer estas somas incríveis?

Estes gastos não tem sido necessários para a sobrevivência do Ocidente. Em caso extremo, segundo o ex analista da CIA, Maj. Gen. Edward B. Atkeson, se todo petróleo do Golfo fosse cortado, a eliminação da direção recreativa (a qual nos EUA responde por 10% do consumo) reduziria as necessidades ocidentais de petróleo a um nível facilmente substituível pelas fontes fora do Golfo. Até mesmo em tempo de guerra, Atkeson concluiu, o petróleo do Golfo não é essencial para as necessidades ocidentais. E em um conflito global prolongado, podemos estar seguros que os campos de petróleo não durariam muito tempo diante dos ataques de mísseis.

Os bilhões de dólares, contudo, são um bom investimento para as companhias de petróleo, dado que elas não são as únicas que pagam a fatura. Para estar certo, as multinacionais não mais possuem diretamente a grande maioria da produção crua do Golfo. Mas elas tem acordos especiais de pagamento de retorno com os produtores, de quem elas compram a preços de barganha o petróleo dos campos que elas anteriormente possuiam. Por exemplo, segundo o ex Senador Frank Church, as firmas americanas “tem um arranjo de ‘namorados’ com a Arábia Saudita, não obstante a nacionalização nominal de suas propriedades ….” Regimes radicais querem vender petróleo tanto quanto os conservadores o desejam, mas a mudança de governo em qualquer Estado do Golfo pode eliminar a posição privilegiada das companhias de petróleo.

A segurança interna de regimes como o da Arábia Saudita depende pesadamente do exterior, particularmente do apoio americano. Muitos sauditas acreditam que em troca, seu país tem estado super produzindo para agradar os EUA, em detrimento dos interesses nacionais a longo prazo. Vender petróleo além do ponto no qual o procedimento possa ser produtivamente investido é economicamente irracional, particularmente dado o fato de que o petróleo no solo aumenta de valor. Os governos mais democráticos ou nacionalistas no Golfo podem não ser tão voluntários para sacrificarem seus próprios interesses. E tais governos também serão menos voluntários em acomodar a presença militar americana ou servir como substitutos americanos para manter o regional status quo.

E então por mais de quarenta anos, embora muitas circunstâncias tenham mudado, tem havido uma constante da política americana no Golfo: o apoio às forças locais mais conservadoras disponíveis para impedir que movimentos mais radicais e populares cheguem ao poder, não importa a que custo humano, não importa quão grande seja necessária a manipulação e a intervenção. Os EUA não tem sido invariavelmente bem sucedido em alcançar seus objetivos: em 1979, ele perdeu um de seus maiores sustentáculos com a derrubada do Xá do Irã, que tinha policiado o Golfo em benefício de Washington. Mas o padrão básico da política americana não tem mudado, bem como é ilustrado em sua política em direção a guerra entre om Irã e o Iraque.

A GUERRA DO GOLFO

Os EUA não tinham relações diplomáticas com qualquer uma das partes beligerantes em 1980, e anunciou sua neutralidade no conflito. Um funcionário do Departamento de Estado tipicamente humanitário, explicou em 1983: “não nos importamos nem um pouco enquanto a carnificina Irã-Iraque não afete os nossos aliados na região ou altere o equilíbrio do poder.” De fato, contudo, os EUA não eram indiferentes a guerra, mas viram um número de oportunidades positivas abertas por seu prolongamento.

A necessidade de armas e de dinheiro tornaria Bagdá mais dependente dos estados conservadores do Golfo e do Egito, e assim moderando as políticas iraquianas e ajudando a reparar os laços entre o Cairo e outros Estados árabes. A guerra tornaria o Irã – cujas armas tinham sido todas fornecidas pelos EUA no passado – desesperado para obter equipamentos e peças americanas. As exigências da guerra podiam fazer com que ambas nações mais voluntariamente restaurassem suas relações com Washington. Alternativamente, os deslocamentos de guerra podiam dar aos EUA maior habilidade para realizar operações encobertas no Irã e no Iraque. E o turbilhão no Golfo podia fazer com que outros Estados na área fossem mais sucetíveis a pressão americana para cooperação militar.

Quando a guerra irrompeu, a União Soviética trouxe de volta seus embarques de armas em rota para o Iraque, e pelo próximo ano e meio, enquanto o Iraque esteve na ofensiva, Moscou não forneceu armas a Bagdá. Em março de 1981, o Partido Comunista Iraquiano, representado por Saddam Hussein, fez transmissões para a União Soviética pedindo um fim da guerra e a retirada das tropas iraquianas. Neste mesmo mês, o Secretário de Estados dos EUA, Alexander Haig, disse ao Comitê de Relações Exteriores do Senado que ele via a possibilidade de melhorar os laços com Bagdá e aprovadoramente ressaltou que o Iraque estava preocupado pelo “comportamento do imperialismo soviético na área do Oriente Médio”. Os EUA então aprovaram a venda ao Iraque de cinco aeronaves de linha boing, e enviaram um secretário assistente de estado a Bagdá para conversas. Os EUA removeram o Iraque de sua lista notoriamente seletiva de nações que apoiavam o terrorismo internacional (a despeito do fato de que o terrorista Abu Nidal estava baseado no país) e Washington extendeu um crédito garantido de 400 milhões de dólares para exportações americanas para o Iraque. Em novembro de 1984, os EUA e o Iraque restauraram as relações diplomáticas que haviam sido rompidas em 1967.

A AMEAÇA SOVIÉTICA E O RÁPIDO EMPREGO DA FORÇA

Ao mesmo tempo que a guerra era estimulada pela posição americana no Iraque, ela também estendia as operações militares americanas em outros Estados do Golfo.

Washington tipicamente justificou seus desejos de laços miltares no Golfo e o desenvolvimento de forças para uso lá pelo aviso da ameaça soviética. Em janeiro de 1980, o Presidente Carter proclamou a “Doutrina Carter,” declarando que os EUA eram voluntários para utilizarem sua força militar se necessário, para evitar “um poder externo” de conquistar o Golfo. Como tem ressaltado Michael Klare, contudo, a real preocupação americana foi revelada cinco dias mais tarde, quando o Secretário de Defesa, Harold Brown, divulgou sua declaração de postura militar. Brown indicou que a maior ameaça não era o expansionismo da União Soviética, mas a turbulência não controlada no Terceiro Mundo. “Em um mundo de disputas e violência, não podemos tolerar ir para o exterior desarmados”, ele avisou. “A maaneira particular na qual se expande a nossa economia significa que temos que vir a depender em um grau não pequeno das importações, exportações e ganhos dos investimentos no exterior para nosso bem estar material”. Especificamente, Brown identificou “a proteção do fluxo do petróleo do Oriente Médio” como ‘uma clara parte de nosso interesse vital” em defesa do qual “tomaremos qualquer ação que seja apropriada, incluindo o uso de força militar.”

Brown não afirmou explicitamente que os EUA interviriam militarmente em resposta a ameaças internas, como revolução, mas depois que ele deixou o cargo ele explicou o que podia ser dito abertamente e o que não podia: “uma matéria sensível é se os EUA devem planejar proteger os campos de petróleo contra ameaças internas ou regionais. Qualquer comprometimento explícito deste tipo é mais provável aborrecer e enraivecer os fornecedores do petróleo do que reassegura-los.”

A sucetibilidade do Golfo sobre os “comprometimentos explícitos americanos para defender os campos de petróleo” tinham duas fontes. Primeiros, os sheiques não gostam de serem vistos como dependentes da força americana contra suas próprias populações. E segundo, os Estados do Golfo ficavam nervosos pela conversa frequente nos EUA de tomarem os campos de petróleo no evento de um outro embargo. Sempre tem havido um estudo do congresso da possibilidade de se apoderar dos campos de petróleo; e embora o estudo concluisse que tal operação seria improvável de ter sucesso militarmente, o mero fato disto ser considerado um sujeito apropriado para análise não instila confiança nas capitais do Golfo.

Dado a esta sensibilidade, Brown aconselhou que os EUA deveriam preparar planos e capacidades para intervenção – contra golpes e outras ameaças – mas deviam evitar uma política explícitamente declarada para este efeito.

A administração Carter começou a formação de uma Força de Rápido Emprego (RDF) para projetar o poder militar dos EUA na região do Golfo. Originalmente proposta em 1977, o planejamento não fez muito progresso até depois da invasão soviética do Afeganistão. O propósito fundamental da RDF foi sempre, nas palavras do conselheiro de Segurança Nacional de Carter, “ajudar um governo amigo sob ataque subversivo”; não obstante, para justificar a RDF, a ameaça soviética tinha que ser magnificada. De acordo, Carter falou em termos apocalípticos sobre o significado estratégico da invasão do Afeganistão, mesmo embora os especialistas militares estivessem cientes que um “impulso pelo Afeganistão seria de vantagem marginal para qualquer movimento soviético para o Irã e o Golfo.”

Em 1980, o Exército concluiu um exercício de simulação chamado “Gallant Knight” que asumiu uma completa invasão soviética do Irã. O exército concluiu que eles precisariam de 325.000 tropas para barrar o colosso soviético. Segundo um ex ajudande de assuntos militares do Senador Sam Nunn, o exército deliberadamente escolheu este cenário para garantir que forças imensas seriam necessárias. E embora uma força RDF deste tamanho possa ser desnecessariamente grande para combater os causadores de problemas do Terceiro Mundo, o Pentágono notou que em meados dos anos de 1980 os exércitos do Terceiro Mundo não mais seriam “bárbaros com facas”. Os EUA não mais poderiam esperar “estabilizar uma área apenas por mostrar uma bandeira.”

Quando Reagan tornou-se presidente, ele acrescentou o que se tornou conhecido como o “Codicilo de Reagan” para a “Doutrina Carter”, declarando em uma conferência de imprensa que “não permitiremos ” que a Arábia Saudita “seja um Irã.” O codicilo não representou uma nova política, mas meramente tornou explícito o que sempre tinha sido a política.

Sob Reagan, a CIA secretamente concluiu que a possibilidade de uma invasão soviética era remota – não surpreendentemente, dado que o Exército Vermelho dificilmente estivesse tendo momentos fáceis com os afegãos, que tinham metade da população e eram muito menos bem equipados. Apesar desta remota ameaça soviética, contudo, os EUA não tornaram mais vagarosa a construção da RDF.

Em 1982 o documento de Orientação de Defesa secreta do Pentágono afirmou que a União Soviética podia estender suas forças às área do Golfo “por outros meios que uma invasão direta”. Ele continuava: “Sejam quais forem as circunstâncias, devemos estar preparados para introduzir as forças americanas diretamente na região de forma que pareça que a segurança ao acesso do petróleo no Golfo Pérsico esteja ameaçado…”. No Senado, muitos argumentaram que não havia muita ênfase em conter a USSR, conquanto o foco devesse ser “prevenir e, se necessário, combater as guerras regionais ou insurgências esquerdistas ou nacionalistas que ameaçassem o acesso dos EUA e de seus Aliados aos suprimentos de petróleo da região.”

A linha oficial era que a RDF seria empregada quando um governo a convidasse para repelir um ataque soviético. Mas como um estudo da Biblioteca do Congresso ressaltou, esta opinião era camuflada por “documentos de orientação que dizem que as forças devem ser capazes de entrada coerciva sem esperar um convite”. Os Senadores Tower e Cohen afirmaram que eles favoreciam uma ênfase maior nos marines que podiam abrir fogo em seu caminho em terra firme contra a oposição militar. A administração ressaltou que os planos da RDF todos eles incluiam uma opção de “entrada forçada”, confiando nos Marines. “Devemos ser capazes de abrir nossas próprias portas” testemunhou o comandante dos Marines em março de 1982. Em resumo, estes camaradas não são apenas “bárbaros com facas.”

Para apoiar a RDF, o Pentágono precisava de uma rede de bases, e não apenas no Oriente Médio, mas mundialmente. “Para todos intentos e propósitos”, um ex funcionário senior do Departamento de Defesa obwservou: “as águas do Golfo agora se estendem do Estreito de Málaca para o Atlântico Sul”. Não obstante, as bases mais próximas do Golfo tinham especial importância e os planejadores do Pentágono exigiam “uma presença substancial em terra na medida em que isto possa ser gerenciado”. Os Estados do Golfo eram relutantes em ter um relacionamento tão aberto com os EUA, mas a guerra do Irã com o Iraque serviu para superar parte desta relutância. Em 1985, na medida em que os avanços iranianos pareciam ominosos, o New York Times relatou que Oman “tinha se tornado uma base para operações ocidentais de inteligência, manobras militares e preparações logísticas para qualquer defesa da produção de petróleo no Golfo Pérsico.” Uns poucos meses depois, um relatório secreto dos EUA foi vazado, indicando que a Arábia Saudita havia concordado em permitir que os EUA usassem bases em seu território em uma crise. As portas para a influências americanas estavam se abrindo mais amplas.

DUAS TRILHAS PARA TEEERÃ

A política americana em relação ao Irã foi muito mais complicada, porque ela seguia dois caminho em vez de um só. Por um lado, funcionários americanos viam “um grande potencial” para um programa encoberto para desestabilizar o governo de Teerã; por outro lado,Washington tentava construir laços com o mesmo governo.

As ações dos EUA na busca da primeira trilha mostravam muito claramente a oposição de Washington ao regime de Khomeini que nada tinham a ver com sua falta de democracia, porque os grupos que os EUA apoiavam contra Khomeini eram frequentemente apoiadores do ditador anterior, o Xá.

Começando em 1982 a CIA forneceu cem mil dólares mensais a um grupo em Paris chamado de Frente de Libertação do Irã, chefiado por Ali Amini, que tinha presidido a reversão do petróleo iraniano ao controle estrangeiro depois do golpe sustentado pela CIA em 1953. Os EUA também forneceram apoio a dois grupos paramilitares iranianos baseados na Turquia, um deles chefiado pelo General Bahram Aryana, o chefe do exército do Xá, que tinha estreitos laços com Shahpur Bakhtiar, o último primeiro ministro do Xá.

Em 1980, sob a administração Carter, os EUA começaram transmissões clandestinas de rádio dentro do Irã para o Egito, ao custo de aproximadamente vinte a trinta mil dólares por mês. As transmissões pediam a derrubada de Khomeini e exigiam apoio para Bakhtiar. Outras transmissões continham material anti soviético. Em 1986, a CIA pirateou a frequência da rede nacional de televisão do Irã para transmitir um endereçamento de 11 minutos do filho do Xá pela televisão iraniana. “Eu voltarei,” Reza Pahlavi jurou.

Simultâneo a estas atividades, os EUA buscavam sua segunda trilha: tentar estabelecer laços com os mullahs iranianos baseado nos interesses que eles partilhavam com Washington em combater a esquerda. O propósito dos EUA, Reagan anunciou em novembro de 1986, depois que havia explodido o escândalo do Irã-Contra, era “encontrar uma avenida para trazer o Irã de volta para onde ele uma vez esteve, que era na família das nações democráticas” – um bom truque, como Mansour Farhang tem comentado, já que desde antes de 1979 o Irã dificilmente fôra democrático.

Segundo a Comissão Tower, “Em 1983, os EUA ajudaram a trazer à atenção de Teerã a ameaça inerente a intensa infiltração do governo pelo partido comunista Tudeh e grupos militares soviéticos e pró soviéticos no país. Usando esta informação, o governo de Khomeini tomou medidas, inclusive execuções em massa, que virtualmente elminaram a infraestrutura soviética no Irã”. Estes massacres produziram o esperado nível de preocupação dos funcionários dos EUA. “Os esquerdistas estavam sendo vistos serem degolados”, advertiu um subsecretário de Estado da administração Carter. Os EUA também passaram aos iranianos “inteligência real e enganosa” sobre a ameaça soviética nas fronteiras do Irã.

Os funcionários da administração Reagan afirmavam que seus esforços no Irã eram destinados a construir laços com os moderados. De fato, contudo, eles estavam cientes de estarem lidando com fanáticos clericais. Oliver North disse a Robert McFarlane e John Poindexter em dezembro de 1985 que as armas anti-tanques que os EUA estavam secretamente fornecendo ao Irã, provavelmente iriam para a Guarda Revolucionária, as tropas de choque dos mullahs. Em agosto de 1986, o assistente especial para o primeiro ministro israelense instruiu George “Fora do Ciclo” Bush, dizendo a ele, “estamos lidando com os elementos mais radicais… Isto é bom porque aprendemos que eles podem entregar o que os moderados não podem”.

A idéia de construir uma conexão estratégica para o Irã tinha amplo apoio do governo dos EUA, embora a política de usar transferências de armas para conseguir isto não o tivesse. A Comissão Tower, por exemplo, afirmou que conquanto ela discordasse da transferência de armas, “uma abertura estratégica para o Irã pode ter sido no interesse nacional”. E deve ser feito claro que uma abertura estratégica não significa simplesmente começar um diálogo com ou agindo civilmente na direção, de um adversário anterior; muito mais, isto era parte de uma política para evitar qualquer acesso comparável para a União Soviética. Então, um trabalho de posição da CIA em 1985 notou que seja qual fosse o superpoder que fosse primeiro ao Irã seria “uma forte posição para trabalhar na direção da exclusão do outro”. Um outro funcionário da CIA queria alcançar “um fechamento do Irã” de forma que novamente “ele teria um relacionamento com os EUA” que seria “negado aos soviéticos”. E McFarlane mandou um cabograma para Poindexter depois de um encontro secreto em Teerã em maio de 1986: “estamos a caminho de algo que pode ser um verdadeiro ganho estratégico para nós ás custas dos soviéticos”.

ARMAS PARA O AYATOLLAH

A primcipal ferramenta pela qual os fazedores da política americana podiam assegurar sua posição no Irã em 1985 e 1986 era secretamente fornecer armas e informação de inteligência. Como havia se proclamado neutro na guerra Irã-Iraque, os EUA não eram supostos de fornecerem armas para qualquer um dos lados. Não obstante, os aliados dos EUA mantiveram os combatentes bem armazenados. Israel transferiu vastas quantidades de armas de origem americana para o Irã; em que extensão a permissão dos EUA para estes embarques era obtida [como exigida pela lei americana] não é conhecido, mas certamente os EUA tiveram um enorme alavancamento para evitar as transferências, se eles tivessem querido fazer isto.

Em 1984, por causa das vitórias iranianas nos campos de batalha e os crescentes laços dos EUA com os iraquianos, Washington lançou a “Operação Staunch,” um esforço para secar as fontes de armas para o Irã ao pressionar os aliados americanos a pararem de suprir Teerã. As vendas secretas de armas dos EUA para o Irã em 1985 e 1986 não apenas violaram a neutralidade dos EUA, mas também baratearam o que os EUA estavam tentando obter que todo mundo mais fizesse. O cínico ressaltaria que a Operação Staunch tornou as transferências de armas dos EUA para o Irã muito mais valiosas.

Quando os negócios destas armas se tornaram conhecidos, a administração Reagan estava diante de um maior escândalo em várias contagens. Os rendimentos das vendas de armas tinham sido desviados para os contra da Nicarágua em violação da Emenda Bolandt. E embora o professado descomprometimento da administração quanto ao terrorismo sempre tivesse sido hipócrita, dado seu patrocínio ao terrorismo na Nicarágua e em todos outros lugares, ser pego trocando “armas por reféns” foi particularmente embaraçoso.

Agora, de fato, isto não teria sido a primeira vez que os EUA ofereceram armas por reféns a Teerã. Em outubro de 1980, a administração Carter tinha declarado que partes sobressalentes de equipamento militar americano podiam ser vendidas ao Irã se os reféns da embaixada americana fossem prontamente libertados. Houve até mesmo conversa entre funcionários americanos sobre o pré posicionamento de algumas partes sobressalentes na Alemanha, Paquistão e Algéria de forma que os iranianos pudessem obter equipamento o mais rápido possível. Os republicanos acusaram Carter de estar tentando comprar reféns a tempo da eleição; há alguma evidência de que os republicanos enquanto isto estivessem engajados em uma manobra de eleição sua própria: negociar com o Irã para manter os reféns até depois da eleição para assegurar a vitória de Reagan [OCTUBER SURPRISE].

Em qualquer evento, a influência política, não os reféns, eram o objetivo da administração de Reagsan. A despeito do que estava na mente do presidente [e estava lá], o Conselho de Segurança Nacional foi claro que a agenda política era a chave.

Fossem quais fossem os argumentos para comprar a liberdade dos reféns, comerciar armas para obter a libertação deles é um outro assunto completamente diferente, já que estamos trocando as vidas de alguns reféns pelas vidas daqueles atingidos por estas armas. E comerciar armas para “uma abertura estratégica” é até mais repreeensível, particularmente quando as armas estao indo para um exército que está na ofensiva. Reagan declarou que as armas eram todas de natureza defensiva, mas isto não faz sentido. Mísseis anti-tanques nas mãos de um exército que avança são ofensivos. E os funcionários americanos sabiam exatamente para que os iranianos queriam as armas: por exemplo, como ressaltou a Comissão Tower, North e funcionários da CIA discutiram com seus contactos iranianos “a urgente necessidade do Irã” de “inteligênccia e armas a serem usadas nas operações ofensivas contra o Iraque”.

A inteligência que os EUA passaram aos iranianos eram uma mistura de informação factual e falsa. A CIA declarou que a informação falsa era para desencorajar a ofensiva final do Irã, por exemplo, exagerando os movimentos das tropas soviéticas na fronteira norte. Mas se os EUA simplesmente queriam desencorajar um ataque iraniano, isto poderia ter sido feito mais facilmente ao dizer ao Irã os planos de contingência de Washington para usar o poder aéreo americano no evento de uma rutura iraniana contra o Iraque. A desinformação sobre a União Soviética, contudo, tinha acrescentado vantagem de incitar a hostilidade iraniana para Moscou e os comunistas locais.

A inteligência dos EUA não lidou apenas com a União Soviética, mas também cobriu o fronte iraquiano também. O diretor substituto da CIA, John McMahon, afirmou que ele avisou Poindexter que tal inteligência daria aos iranianos “uma margem definitiva” com “resultados potencialmente cataclísmicos” e que ele era capaz de persuadir North de fornecer ao Irã apenas um segmento de inteligência. North, contudo, aparentemente deu os dados críticos ao Irã exatamente antes de sua vitória crucial na Península Fao em fevereiro de 1986. Não está claro em que extensão North estava aqui agindo por conta própria, mas é significativo que, a despeito dos avisos de McMahon, nem Poindexter nem o diretor da CIA Casey reverteram os planos para fornecer aos iranianos a completa informação de inteligência.

Ao mesmo tempo em que os EUA estavam dando armas a Teerã, um analista da CIA acreditava que isto poderia afetar o equilíbrio militar e passar a inteligência que a Comissão Tower avaliava de “potentialmente o maior significado” era também fornecer ao Iraque a informação de inteligência, alguma enganosa ou incompleta. Em 1986, a CIA estabeleceu uma ligação direta de Washington-para-Bagdá para fornecer aos iraquianos inteligência mais rápida dos satélites americanos. Simultaneamente, Casey estava exigindo que oficiais iraquianos realizassem mais ataques ao Irã, especialmente em alvos econômicos. Perguntado qual era a lógica em ajudar ambos os lados em uma guerra sangrenta, um antigo funcionário rspondeu, “você tinha que ter estado lá”.

O esforço de Washington em elevar sua posição com ambos lados terminou em 1986, quando uma facção do governo iraniano vazou a história do comércio americano de armas. Agora que a administração Reagan estava em uma posição inviável de ter alienado os iranianos e colocado em pânico todos os árabes, que concluiram que os EUA valorizavam mais a amizade iraniana que a deles. Para salvar a posição dos EUA com pelo menos um lado, Washington não tinha senão se inclinar — e inclinar-se pesadamente — na direção do Iraque.

A ARMADA AMERICANA

A oportunidade de demonstrar a inclinação veio rapidamente. O Kuwait tinha observado com crescente nervosismo os sucessos iranianos nos campos de batalha, talvez tornados possíveis pelas vendas de armas dos EUA e a informação de inteligência. O Irã era agora também conhecido por atacar navios que se dirigiam a portos no Kuwait, e para se proteger, o Kuwait decidiu tentar se dirigir aos EUA. Em setembro de 1986 [antes que o escândalo irrompesse], ele abordou Washington e Moscou e perguntou se eles estariam interessados em colocar sua bandeira nos navios kuwaitianos,e então proteger estas novas adições de sua marinha mercante. A reação inicial dos EUA foi indiferente. Mas quando os EUA souberam em março de 1987 que a União Soviética se ofereceu para colocar suas bandeiras em 11 petroleiros, eles prontamente se ofereceram para fazer a mesma coisa – o que afastaria a influência soviética do Golfo e daria aos EUA a oportunidade de demonstrar seu apoio ao Iraque.

O Kuwait aceitou a oferta americana, declinando a de Moscou, embora alugando três navios soviéticos como um meio de fornecer algum equilíbrio entre os EUA e a USSR, os kuwaitianos tendo menos medo da contaminação soviética do que de tinham de seus salvadores americanos. O Sub secretário de Assuntos Políticos Michael H. Armacost explicou, em junho de 1987, que se a USSR tivesse obtido um papel maior em proteger o petróleo do Golfo, os Estados do Golfo estariam sobre grande pressão para tornar disponíveis adicionais instalações para Moscou. A opinião dos EUA era a de que apenas um superpoder era permitido ter instalações na região, e este era os EUA. Então, quando em dezembro de 1980, a União Soviética propôs a neutralização do Golfo, sem alianças, sem bases, sem intervenção na região, e sem obstáculos ao livre comércio e rotas marítimas, Washington não mostrou interesse. Por agosto de 1987, os EUA tinham um porta aviões, um navio de batalha, seis cruisers e três destroyers, sete fragatas e inúmeros navios de apoio em ou na proximidade do Golfo, no que um estudo do Congresso chamou de ” a maior armada naval única empregada desde a altura da guerra do Vietnã”.

A administração Reagan afirmou que colocar sua bandeira era meramente pretendido proteger o fluxo de petróleo. Ela avisou que “qualquer interrupção significativa no petróleo do Golfo fariam com que os preços mundiais do petróleo disparassem”, amargamente evocando como os eventos em 1973-74 e 1978-79 demonstraram que “uma pequena interrupção – de menos de 5% – pode desencadear uma aguda escalada no preço do petróleo.”

Contudo, de fato, o petróleo – e seus preços -, nunca estiveram ameaçados. Tem havido uma abundância mundial de petróleo desde o início da década de 1980, com grande parte da capacidade de produção sub utilizada em nações fora do Golfo. A despeito dos horrendos custos humanos da guerra Irã-Íraque, os preços do petróleo tem realmente caído em 50% durante o curso do conflito. Pelo fim de 1987, 2/3 de todo o petróleo produzido no Golfo foi transportado pelo oleoduto. O estudo do Congresso notou que até mesmo no improvável evento de um fechamento real do Golfo, o impacto nos suprimentos de petróleo e nos preços seriam mínimos. É ilógico então que o Estreito de Hormuz possa ser visto como a ‘jugular’ das economias ocidentais.

Menos de 2% dos navios que transitam pelo Estreito foram atacados, e até mesmo esta estatística é enganosa porque muitos ataques causaram um dano menor.Somente um ataque iraniano em 10 causaram sérios danos.

Significativamente, o Irã se tornou mais agressivo em atacar os navios por causa da presença naval americana. Entre 1981 e abril de 1987, quando o uso da bandeira americana foi anunciado, o Irã atingiu 90 navios; em pouco mais de um ano portanto, o Irã atingiu 126 navios. Como notou o estudo do Congresso, “navegar no Golfo agora parece menos seguro do que antes de começar a construção naval americana”.

Se os EUA estivessem preocupados com a navegação livre, poderia ter dado alguma considração a proposta da União Soviética que a marinha americana e todas as marinhas nacionais se retirassem do Golfo, sendo substituidas por uma força da ONU. Mas Washington não estava interessado. De fato, alguns, como o New York Times, notaram que eram os EUA que poderiam fechar o Golfo — para as exportações iranianas — embora o Times acrescentasse que ‘tal ação de fato seria impensável a menos que solicitada pelos Estados árabes da região”. É muito para a liberdade da navegação.

Se o Iraque tivesse começado a guerra de petroleiros no Golfo em 1981, e tivesse continuado estes ataques em 1984 sem uma resposta paralela Iraniana no mar. Dois meses depois que o Iraque estabeleceu o passo e o escopo destes ataques em março de 1984, o Irã finalmente começou a responder. Os ataques iraquianos contudo, superaram em número aqueles do Irã até depois dos EUA anunciarem sua bandeira. A marinha americana protegeu os vasos rebandeirados e em abril de 1988 estendeu sua proteção para qualquer vaso neutro que sofresse ataque iraniano. Na prática, isto significava que o Iraque poderia atacar os vasos iranianos impunemente, com a marinha dos EUA evitaria a retaliação.

Washington justificou sua política ao ressaltar que o Iraque somente atacava navios iranianos enquanto que o Irã alvejava navios neutros: em particular aqueles do Kuwait. Este era um duvidoso argumento legal. Primeiramente, o Kuwait era neutro mas estava engajado em um comportamento não neutro. Entre outras coisas, ele abriu seus portos para entregas de material de querra que era transportado por terra para o Iraque. Segundo, o Iraque também atingia navios neutros, até mesmo navios sauditas, quando se destinavam ao Irã. O Iraque declarou certas águas iraquianas como “zona de exclusão de guerra’, mas um especialista em lei internacional tem notado, “os métodos iraquianos de cumprimento da lei eram muito próximos aos dos alemães” na Segunda Guerra Mundial, e sob “qualquer análise, a zona de exclusão iraquiana não pode ser justificada”. Os “ataques a navios mercantes neutros por ambos os lados devem ser condenados como violações da lei internacional”. Não havia uma justificativa legal para os EUA apoiarem o Iraque na guerra dos petroleiros.

Havia até menos qualquer lógica na qual a marinha americana pudesse ser referida como uma “força fazedora da paz”. Gary Sick, um ex funcionário do Conselho de Segurança Nacional a cargo do Irã, avaliou que as unidades navais americanas “teriam sido empregadas agressivamente e provocadoramente nas partes mais quentes do Golfo Pérsico”. “Nossa estratégia de patrulhamento agressivo”, ele observou, “tende a iniciar combates, não a terminá-los. As vezes nos comportamos como se o nosso objetivo fosse incitar o Irã a ir a guerra conosco”. Segundo um relatório do Congresso, funcionários em cada país do Golfo eram críticos “do meio altamente provocante no qual eram empregadas as forças dos EUA.” Quando em abril de 1988 os EUA tornaram um ataque de mina a um navio americano na maior batalha marítima dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, o Al Ittihad, um jornal que frequentemente refletia o pensamento do governo dos Emirados Árabes Unidos, criticou os ataques americanos notando que eles acrescentavam “combustível a tensão do Golfo”.

A postura agressiva dos EUA foi em marcante contraste com a postura da União Soviética. A União Soviética também estava escoltando navios no Golfo, particularmente os vasos transportando armas ao Kuwait para o Iraque. Em 6 de maio de 1987, barcos armados iranianos atacaram um navio mercante soviético, e duas semanas depois um dos navios soviéticos alugados pelo Kuwait foi a primeira vítima do ataque de minas desde 1984. Estes fatos não são amplamente conhecidos, porque a resposta soviética foi extremamente moderada.

A política soviética no Golfo foi objeto de um estudo comissionado pela marinha americana e escrita por um reputado intelectual de peso pesado, Francis Fukuyama, da Corporação Rand. Fukuyama concluiu que o “novo pensamento” de Gorbachev quanto à política externa era somente retórico quanto ao que dizia respeito ao Golfo Pérsico, porque Moscou continuava a buscar políticas de “soma zero” (isto é, totalmente competitivas) vis-a-vis os EUA. Mas os fatos apresentados no estudo sugerem uma conclusão muito diferente. Fukuyama nota que “os soviéticos, é verdade, estão enfrentando uma administração dos EUA que ela própria desempenha um jogo de soma zero no Golfo….O que os soviéticos teriam feito se enfrentassem um EUA mais colaborativo é instável e consequentemente não conhecível”. Não obstante, para Fukuyama a USSR é para ser culpada, já que Gorbachev tem sido acomodador em outras áreas de política diante da intransigência dos EUA e assim pode ter sido no Golfo, também.

Fukuyama reconhece que a União Soviética se refreou de seguir outras políticas mais agressivas no Golfo, tais como tentar sobrepujar Washington para influenciar o Kuwait. Ele observa que as unidades navais soviéticas no Golfo não foram empregadas ofensivamente, em contradição com aquelas dos EUA. (De fato, Fukuyama ressalta que desde o início da década de 1970 Moscou tinha lentificado o desenvolvimento de sua capacidade de projeção, diferentemente dos EUA.) A USSR soube usar instrumentos econômicos e políticos de política no Golfo, muito mais predominantemente do que aqueles militares como fizeram os EUA. E quando Moscou buscou suas próprias vantagens nas relações com o Irã, ele assim o fez em resposta aos acordos secretos em Teerã pela Casa Branca. Em resumo, se a política soviética no Golfo pode ser criticada por insuficiente “novo pensamento,” em comparação com a política dos EUA que é refletida como uma abordagem da Idade da Pedra.

Os empregos provocadores da marinha dos EUA no Golfo custaram pesadas baixas nos civis inocentes. Em novembro de 1987, um navio americano disparou suas metralhadoras de noite em um barco que acreditava ser um barco veloz iraniano com intento hostil; na realidade era um barco de pescadores dos Emirados Árabes Unidos. Uma pessoa morreu e três foram feridas. O incidente mais sério foi o U.S. cruiser Vicennes abater uma aeronave civil iraniana matando todos os 290 passageiros a bordo. O comandante de um outro navio no Golfo notou que enquanto “a condução de forças militares no mês anterior do incidente era apontada como não ameaçadora”, as ações do Vicennes “pareciam ser consistentemente agressivas”, levando a algumas mãos na marinha a se referirem ao navio como “Robo Cruiser.”

Ests tensões no Golfo continuaram a promover um importante objetivo dos EUA : elas encorajavam os Estados do Golfo a aperfeiçoarem sua cooperação militar com os EUA. Como ressaltado acima, os EUA tinham usado a guerra Irã-Iraque como uma alavanca para obterem direitos adicionais de base na região do Golfo. A operação da troca de bandeiras posteriormente aperfeiçoou a posição dos EUA. Segundo um relato da Associated Press, os EUA em geral, a cargo da RDF, afirmaram que “os EUA ganharam uma credibilidade sem precedentes com os líderes árabes como resultado de seu grande compromisso em escala naval no Golfo Pérsico”. Este comprometimento, ele disse, habilitou os EUA a estabelecerem melhores laços diplomáticos e militares com os Estados do Golfo.

INDIFERENÇA E DIPLOMACIA

Os empregos agressivos da marinha americana no Golfo não produziram uma dissenção do New York Times. Os editores reconheceram que ‘a declaração de neutralidade é a menor das folhas da figueira diplomática” de Washington. que na realidade a “América se inclinava na direção do Iraque.” Mas a inclinação era “por uma boa razão”, porque era uma estratégia destinada a obter a paz. A administração havia sido confundida, o Times admitiu, mas agora Washington tinha desenvolvido “uma política coerente para conter o Irã. E então por isso tem ganhado o direito de asumir riscos no Golfo.” E quando os riscos resultaram na destruição da aeronave civil iraniana, os editores declararam que a culpa podia estar no piloto iraniano, mas se não, certamente era culpa de Teerã por se recusar a acabar com a guerra.

Isto é uma opinião comum da guerra, amplamente promovida por Washington — que o Irã era o único obstáculo para a paz. Uma revisão da diplomacia da guerra, contudo, mostra que enquanto Khomeini certamente leva uma tremenda culpa pelo banho de sangue, a culpa não parava com ele.

Quando o Iraque atacou o Irã em 22 de setembro de 1980, o Conselho de Segurança da ONU esperou quatro dias antes de realizar um encontro. Em 28 de setembro, ele aprovou a Resolução 479 pedindo um fim do combate. Significativamente, contudo, a resolução não condenava [e nem sequer mencionava] a agressão iraquiana e não pedia o retorno às fronteiras internacionalmente reconhecidas. Como Ralph King, que tem estudado a respsta da ONU em detalhes, concluiu: “o Conselho mais ou menos deliberadamente ignorou as ações do Iraque em setembro de 1980″. Ele assim o fez porque o Conselho como um todo tinha uma opinião negativa do Irã e não estava preocupado o bastante sobre a situação difícil do Irã ir a sua ajuda. O delegado dos EUA notou que o Irã, como ele próprio havia violado as Resoluções da ONU quanto aos reféns da embaixada americana, dificilmente poderia se queixar sobre a opacidade da resposta do Conselho.

O Irã rejeitou a Resolução 479 como unilateral — o que de fato era. Quando a Noruega pediu uma retirada de forças internacionalmente supervisionada, o Iraque replicou – acertadamente – que isto violava a Resolução 479. O Irã se recusou a se engajar em qualquer discussão enquanto as forças iraquianas permanecessem em seu solo. Enquanto isto, funcionários do Departamento de Estado propuseram ” um esforço conjunto americano-soviético para promover uma solução”, mas Brzezinski argumentou que isto “legitimaria a posição soviética no Golfo e portanto prejudicaria nossos interesses vitais”. Nenhuma iniciativa dos EUA foi adiante. Uns poucos mais encontros infrutíferos do Conselho de Segurança foram realizados em outubro, e então não houve mais encontros formais sobre o assunto da guerra, a despeito da imensa carnificina, até julho de 1982.

Houve alguns esforços mediadores de terceiros. O primeiro foi realizado por Olof Palme, representando o Secretário Geral da ONU. Palme propôs como um passo inicial que os dois lados concordassem em ter o disputado caminho aquático de Shatt al-Arab limpo. Iraque, contudo, só concordaria se ele pudesse pagar todos os custos (o que legitimaria sua afirmação sobre o rio inteiro), e nenhum acordo pode ser alcançado. Então, um Comitê Ministerial Não Alinhado propôs um cessar fogo simultâneo com retirada, com zonas desmilitarizadas em ambos os lados. Por um tempo, Irã e Iraque aceitaram. Mas Bagdá logo mudaria de idéia esperando vencer no campo de batalha. Em nenhum dos casos houve significativa pressão externa para o Iraque se assentar.

No início de 1982, um outro esforço de mediação foi feito pelo governo da Algéria, que tinha ajudado o Irã e o Iraque a alcançarem um acordo de fronteiras em 1975 e também havia servido como intermediário para a libertação dos reféns da embaixada americana. Contudo, em 3 de maio de 1982, uma aeronave transportando o ministro do exterior algeriano e sua equipe de especialistas foi abatido no espaço aéreo iraniano por um avião caça iraquiano. Cinco anos depois, um piloto iraquiano capturado foi dito ter admitido que o ataque foi intencional, com o objetivo de ter o Irã culpado pela ação. Se isto foi verdade ou não, este abate eliminou do cenário os mediadores mais experientes.

Pelo fim de maio de 1982, o Irã tinha recapturado quase todo seu território e o Iraque estava procurando um meio de sair da guerra,. A Organização da Conferência Islâmica e o Conselho de Cooperação do Golfo tentaram mediar um acordo. Em 3 de junho, três homens liderados por um oficial da inteligência iraquiana tentaram assassinar o embaixador de Israel na Grã Bretanha, segundo um relatório, na esperança de provocar uma invasão israelense do Líbano, o que criaria as condições para que os combatentes do Golfo terminarem seu combate para enfrentar o inimigo comum: Israel. Israel não precisava de encorajamento para marchar sobre o Líbano, e sabia que a provocação nada tinha a ver com a OLP no Líbano, mas invadiu de qualquer maneira. Mas a guerra no Líbano não dissuadiu o Irã de continuar a guerra do Golfo, e pode ter sabotado os esforços de mediação.

O Iraque ofereceu retirar suas forças remanescentes do Irã e cessar fogo. Em Teerã um vigoroso debate decidiria se aceitaria ou não a oferta. Os mullahs tinham visto o crescimento do poder deles durante a guerra; embora o Xá tivesse originalmente sido expulso por uma ampla variedade de forças políticas, a cruzada contra o Iraque tinha habilitado os clérigos de ala direita a mobilizar a população e prevalecer sobre seus oponentes domésticos. Além disso, o Iraque havbia presumido erroneamente que o Irã se encontrava a beira de um colapso, em setembro de 1980, e agora o Irã via como se Saddam Hussein estivesse para cair. Khomeini decidiu continuar a guerra, declarando que o Irã não pararia de combater até ter derrubado Saddam Hussein, o culpado iraquiano da guerra e ter as reparações pagas.

Portanto cabe ao Irã a maior responsabilidade pela morte e destruição que se seguiu. Mas, significativamente, nenhum país industrial deu um forte apoio a paz naquele tempo. Dentro do governo dos EUA, o Secretário de Estado Alexander Haig propôs algum tipo de conferência internacional para a paz (embora sem a participação dos EUA e com certeza sem qualquer participação soviética). A proposta, recorda Haig, “fracassou em ganhar a atenção da Casa Branca”. Haig nota que a “guerra então estava em um estágio crítico, uma ofensiva iraniana tendo recuperado quase que todo território iraniano perdido, e é possível que uma iniciativa apropriada pudesse ser bem sucedida em terminar com as hostilidades.”

Em 12 de junho de 1982, o Conselho de Segurança abordou a questão da guerra pela primeira vez, desde 1980, e pediu a retirada para as fronteiras anteriores à guerra. O Irã considerou isto uma prova da parcialidade da ONU, já que o pedido de retirada veio no primeiro momento da guerra quando as forças iranianas mantinham qualquer território iraquiano.

O Iraque respondeu ás vitórias iranianas no solo fazendo uso de sua vantagem na tecnologia: isto escalou a guerra dos petroleiros, o emprego de armas químicas e ataques lançados sobre alvos civis. O Irã retaliou atacando os navios no Golfo, começando em 1984 e lançando seus próprios ataques sobre civis, embora em menor escala que o Iraque. O Irã acusou que cada ato do Conselho de Segurança refletia seu ânimo contra o Irã.

Em 1984 o Conselho de Segurança aprovou uma resolução sobre a guerra dos petroleiros que era dirigida primariamente contra as ações do Irã e não fez referências à conduta iraquiana, exceto para chamar todos os Estados a respeitarem o direito da livre navegação.

Sobre as armas químicas, o Conselho não aprovou qualquer resolução. Os EUA condenaram o uso de armas químicas, mas declinaram apoio a qualquer ação do Conselho contra o Iraque. O Conselho divulgou uma declaração muito menos significativa em 1985, condenando o uso de armas químicas, mas sem mencionar o nome do Iraque. Então, em março de 1986, pela primeira vez uma declaração do Conselho denunciou explicitamente o Iraque Isto, contudo, foi dois anos depois que o uso das armas químicas pelo Iraque tinha sido confirmado por uma equipe da ONU.

Em 1983 uma equipe da ONU descobriu que ambos os lados tinham atacado áreas civis, mas que o Irã havia sofrido um maior dano do que o Iraque. Teerã queria que o Conselho de Segurança aprovasse uma resolução que indicasse a maior responsabilidade do Iraque, mas o Conselho se recusou e nenhuma declaração foi divulgada. Em junho de 1984, o Secretário Geral foi capaz de fazer com que os dois lados concordassem em parar seus ataques a civis. Ambos os lados logo acusaram violações, mas as equipes de inspeção da ONU descobriram que enquanto o Iraque de fato estava em violação, o Irã não estava. Em março de 1985, a moratória tinha acabado.

Finalmente, em julho de 1988, com o sentimento iraniano anti-guerra disseminado, o Ayatollah Khomeini decidiu por fim nos combates. Em 18 de julho, o Irã declarou sua completa aceitação da Resolução 598. Mas, a este tempo, o Iraque havia virado a maré da batalha por terra, tendo recuperado virtualmente todo seu território e Saddam Hussein recusou-se a aceitar o cessar fogo. Bagdá continuou as operações ofensivas usando armas químicas contra o Irã e sua própria população curda. Não foi senão em 6 de agosto que a pressão internacional fez com que o Iraque concordasse com o cessar fogo, e levasse isto a efeito duas semanas depois. Ambos regimes continuaram a matar seus próprios cidadãos – os curdos no Iraque e os dissidentes, especialmente esquerdistas, no Irã – mas a guerra do Golfo havia acabado.

Três meses depois do fim da guerra, o Subsecretário Substituto da Marinha dos EUA, Seth Cropsy, expressou sua esperança que a consequência da operações dos EUA no Golfo dissipariam “a relutância nacional a se interpor às forças militares americanas nos conflitos de Terceiro Mundo, onde importantes matérias estão em jogo”. Aqueles que se opôem ao intervencionismo americano não partilharão desta esperança. Não que não houvesse importantes assuntos em jogo; havia. Mas não havia o perigo de uma invasão soviética ou ameaça às economias ocidentais de serem privadas de petróleo. Para Washington, o assunto importante era se ele seria ou não capaz de manter o status quo em uma região de grande valor esrtatégico para o Pentágono e grande valor econômico para as companhias de petróleo. Mas para aqueles externos aos corredores do poder, as materias reais tem sido, e continuarão a ser, como promover a paz, a justiça e a auto determinação no Golfo e em todos os lugares e estas matérias não se emprestam a diplomacia dos barcos atiradores.

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Published in: on maio 17, 2008 at 5:20 pm  Comments (4)  
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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. uhul esse site é muito grande façam um resumo

  2. Mano muito grandee.. Tem que fazer um resumo se puder..

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  4. muito bom!!!


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