HIV menos virulento?

O HIV Atual Pode Estar Menos Virulento, Estudo de Laboratório Sugere

de John S. James

Summário: Usamos este bem publicado achado de pesquisa como ponto incial da discussão de diferentes tipos de terapias baseadas no sistema imunológico .
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Um estudo de laboratório comparando recentes (2002-2003) vs. anteriores (1986-1989) HIV não tratados descobriu que o vírus recente reproduziu-se de certa forma menos bem, e pareceu mais sensível aos dois antiretrovirais testados (3TC e TAK-779, um antagonista de CCR5 que não mais está sendo desenvolvido como medicamento). Os autores sugerem que “esta atenuação” pode ser consequência de obstáculos seriais durante a transmissão e resultar em uma adaptação do HIV-1 ao hospedeiro humano.”

Comentário

É comum que as doenças infecciosas se tornem menos severas depois de terem estado na população por um longo tempo. Um mecanismo é que as bactérias ou vírus que matam pessoas ou animais muito rapidamente tenham menos tempo para se espalhar, e assim a maior virulência é uma desvantagem seletiva. Ao mesmo tempo, os indivíduos mais resistentes à doença são mais prováveis de sobreviverem e se reproduzirem. O novo estudo mostra a primeira evidência que tal atenuação do HIV (com o vírus sendo menos capaz de se reproduzir e também menos capaz de ser transitido) parece ter ocorrido.

Os “obstáculos” citados acima se referem ao fato de que o HIV perca sua diversidade genética quando transmitido de pessoa a pessoa – talvez porque somente um vírus ou muito poucos têm sucesso em serem estabelecidos na pessoa recentemente infectada. Infelizmente, a diversidade genética então se desenvolve novamente, separadamente dentro de cada pessoa infectada, já que o HIV comete muitos enganos na replicação. Esta diversidade é importante na progressão da doença, já que os vírus se tornam menos suscetíveis de controlar por partes do sistema imunológico, muito deles se tornando resistentes aos medicamentos. Os autores ressaltam que os obstáculos de transmissão podem resultar em uma completa redução na aptidão viral, se mais aptidão é perdida durante cada transmissão do que é ganha, na medida em que a diversidade viral novamente se desenvolve na pessoa infectada – um mecanismo possível da atenuação do HIV com o passar do tempo.

Outra evidência sugere que quando uma população animal tem a muito tempo estado infectada por um retrovirus, o vírus pode estar presente com uma alta carga viral, mas o animal não fica doente – enquanto o mesmo vírus mata animais em outras espécies onde ele não é nativo. Isto parece ser como as populações adotam os retrovirus (não há exemplos humanos, já que o HIV foi o primeiro retrovirus descoberto infectar humanos). Com certeza ninguém quer esperar séculos para que a epidemia do HIV se controle desta forma.

Esta observação animal apoia a crença que haverá dois tipos diferentes de tratamentos baseados no sistema imunológico – ajudando o sistema imunológico a suprimir o HIV e reduzir a carga viral [muito similar ao que fazem as drogas antiretrovirais], versus evitar as respostas humanas ao vírus que causam a doença sintomática [este tipo de tratamento pode não suprimir a carga viral, e até mesmo pode permitir que ela aumente]. Há muito tem sido de algum interesse na “terapia imunossupressiva” reduzir as respostas imunológicas à infecção HIV que podem causar mais mal que bem em alguns pacientes.

Hoje o problema é que pouca pesquisa tem sido feita em qualquer tipo de tratamento baseado no sistema imunológico. Não temos um bom entendimento de quais respostas imunológicas sejam necessárias para controlar o HIV – e conquanto um punhado de pessoas tenha usado drogas imunossupressoras como a prednisona para tratar a infecção pelo HIV, estas drogas não foram desenvolvidas ou formalmente testadas para este propósito e pouco é sabido se, quando e como fazer isto seguramente.

O sistema imunológico inclui muitos mecanismos diferentes; não pode ser pensado como de mais ou de menos (como a frase “estimular” o sistema imunológico erroneamente implica). A importância prática de obter corretamente esta imagem é que a terapia baseada na imunologia que atua contra o HIV não é o oposto da terapia imunossupressora. No futuro, ambos os tipos de terapia podem ser usadas – até mesmo juntas, no mesmo paciente e ao mesmo tempo.

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Published in: on maio 18, 2008 at 10:27 pm  Deixe um comentário  
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