Situação Real do Iraque

Testemunho de Veterano da Guerra no Iraque ao Congresso dos EUA

“Possa Deus abençoar a América e as pessoas do Iraque e todos sermos perdoados por termos participado de um tal conflito devastador”

do ex Sargento do Exército dos EUA Kristofer Shawn Goldsmith

Global Research, 17 de maio de 2008

Congresso dos EUA

O seguinte é o testemunho apresentado diante do Congresso por Kristofer Shawn Goldsmith em 15 de maio de 2008. Conquanto tenha havido poderosos testemunhos de vários veteranos do Iraque, todos dignos de observação, este em particular fornece o “gosto” do que realmente está acontecendo no Iraque, e o que os soldados de consciência enfrentam depois de voltarem para casa. [Dahr Jamail]

A afirmação do sucesso no Iraque devido ao “Aumento das Tropas” é enganadora. O termo “sucesso” tem sido consistentemente redefinido a qualquer tempo, quando ele é aplicado ao corrente estado dos assuntos no Iraque, não importa o que eles possam ser. A atual Missão é chamada de Operação Liberdade Iraquiana (OIF), ainda que seu tamanho real de realização ainda não tenha sido designado, depois de cinco anos que os soldados americanos começaram a deixar suas famílias e colocarem suas vidas em risco para servirem nossa grande nação. Desde que a Operação Liberdade começou, nós, auto proclamados “libertadores” do povo do Iraque, temos levado adiante apenas esforços fúteis para tentar assegurar a liberdade da população iraquiana, o mais simples, óbvio e obrigatório objetivo de uma missão com um tal nome. O dano causado pelo fracasso da Ocupação do Iraque só tem aumentado pelo Aumento das Tropas, tanto para os soldados americanos quanto para o povo do Iraque.

Meu nome é Kristofer Shawn Goldsmith, sou de Bellmore, em Long Island, New York. Com 18 anos em 2003, justamente quando concui o curso secundário, alistei-me no Exército como Observador de Artilharia e sabia muito bem que rapidamente seria enviado ao Iraque. Como muitos outros americanos naquele tempo, eu estava sob a influência da media e sua paranóia de Terrorismo, e acreditava que em algum lugar do deserto do Iraque estavam milhares de Armas de Destruição em Massa (WMD). Embora o ex ditador do Iraque, Saddam Hussein, tivesse sido capturado a menos de duas semanas antes que eu assinasse meu contrato militar, eu sabia que a luta não estava acabada, bem como haviam alegadas milícias Sunni-led-Baathist que estavam tentando causar o fracasso da Missão Americana. Meu intento ao me unir ao Exército, como Observador da Artilharia, era estar envolvido no combate e apoiar a missão nas linhas de frente.

Depois de me graduar na Unidade de Treinamento da Estação Um (OSUT, combinando treinamento básico e avançado individual [AIT]) em maio de 2004, em Fort Sill, Oklahoma e obter minha especiaidade ocupacional militar de “13-Foxtrot”, como um Especialista de Apoio de Fogo, fui designado para a Companhia Alfa, Terceiro Batalhão, 15o. Regimento dede Infantaria, da Segunda Brigada, Terceira Divisão de Infantaria de Fort Stewart, Georgia (um Co 3-15 IN, 2 BDE, 3ID of FSGA). Permaneci neste batalhão por mais de três anos, e depois fui remanejado para o Primeiro Batalhão, 13o. Regimento de Infantaria (1-30 IN) até o fim da minha carreira militar. Depois de minha chegada a Fort Stewart, comecei a ouvir rumores de ordens de fogo livre que eram dadas aos homens do 3-15 IN durante a invasão do Iraque em 2003, que indubitavelmente resultaram nas mortes de milhares de civis inocentes e plantaram as primeiras sementes de sentimentos anti americanos entre as pessoas do Iraque. Estas ordens de fogo livre eram descritas pelos soldados que tinham estado a serviço durante a invasão como tendo vindo de seus comandantes, que disseram a eles “matem tudo que se mexa”, incluindo todos os civis.

Até este ponto eu acreditava na honra dos Generais americanos e dos soldados que eles comandavam, e acreditava que uma tal atrocidade não tinha sido perpetrada por qualquer americano na história. Mas as histórias partilhadas pelos veteranos da Operação Liberdade Iraquiana I, e os novos soldados como eu próprio, eram umas de assassinos sem lei, saqueando e abusando de incontáveis iraquianos durante 2003. Um evento que havia sido cuidadosamente investigado pelo Exército, foi o saque de um banco iraquiano e a distribuição de dinheiro americano entre os membros do 3-15 IN, pessoas de alto ranking, como Primeiro Sargento. Porque este era um crime que o Exército tinha estado investigando, houve pouca conversa sobre quem estava envolvido na frente dos soldados que eram novos na unidade, tais como eu. Ao meu conhecimento, poucos foram declarados culpados destas acusações. Admito que acrescentei confusão aos agentes da Divisão de Investigação Criminal do Exército (CID) ao dizer a eles que não sabia o paradeiro de qualquer um que eles estivessem procurando entre os anos de 2004 e 2007. Inicialmente, enquanto no Serviço eu justifiquei e descartei tais atos ilegais cometidos por soldados americanos porque nos era dito que o sucesso no Iraque seria parcialmente alcançado ao instilar o medo na população iraniana, que ultimamente resultaria em obediência e diminuição da ameaça de resistência ou rebelião.

Antes de ser empregado no Iraque, não recebi treinamento de nenhum tipo sobre a história ou a cultura dos civis com os quais eu estaria lidando em uma base diária enquanto estivesse lá. Nosso treinamento em lingua árabe foi limitado a comandos que eram usados enquanto faziamos buscas em um veículo ou casa por armas. A pequena lista de comandos era impressa e colada nas coronhas de nossas carabinas M-4 e rifles M-16 porque não era esperado se preocupar o bastante para nos familiarizemos com a lingua ou memorizássemos qualquer coisa. Os soldados do 3-15 nunca foram instruídos sobre o atual estado social ou político da cidade de Sadr e a influência de Muqtada Al Sadr sobre a população civil, nunca foi explicada para nós. A concentração de nossos exercícios de treinamento era limitada estritamente a operações de combate, que raramente incluiam a presença de civis inocentes. Em nenhum ponto fomos treinados em ações baseadas em ajuda humanitária ou fomos instruídos sobre como conquistar “os corações e mentes” do povo iraquiano. Nos apresentar como uma unidade extremamente poderosa e agressiva parecia ser o único propósito de todos exercícios de treinamento. Os soldados como eu, ouviam dos veteranos da Operação Liberdade Iraquiana I que, “os iraquianos se lembrarão da marca da Terceira Divisão de Infantaria [a marca da unidade em nossos uniformes] desde a primeira vez e saberão não criar confusão conosco”. Tais afirmações eram comuns entre os soldados que tinham estado em minha unidade durante OIF-I porque eles sabiam que a brutalidade das ações deles tinham sido lembradas pelo povo do Iraque.

Apenas dias depois que os EUA declararam oficialmente que a busca pela armas de destruição em massa estava acabada, em janeiro de 2005, cheguei ao Iraque. Andei com o comboio dos 3-15 INs do Kuwait, ao norte para a Base de Operações Para Frente (FOB) War-Eagle, a nordeste da cidade de Sadr, ao fim de janeiro de 2005. Na medida em que a 3-15 IN substituia a unidade neste local o campo foi renomeado ‘FOB Hope’, por causa que as operações de combate eram consideradas encerradas e o novo nome era simbólico do processo humanitário e de reconstrução que era suposto começar com o emprego das minhas unidades. Os soldados da minha unidade ouviram que havia sido declarado um cessar fogo entre o exército de Muqtada Al Sadr e as forças americanas na cidade de Sadr em outubro de 2004, então a violência em nossa área de operação [AO] podia ser esperada ser mínima.

No dia da minha chegada na cidade de Sadr aprendi que não estávamos sendo saudados como “libertadores’ pela população civil, mas como uma Opressora Força de Ocupação. Adultos na área encorajavam as crianças a atirarem pedras, tijolos, lixo e garrafas de petróleo nos veículos do exército americano e em seu pessoal. A razão para isto era bem conhecida, tanto pelos iraquianos quanto pelas forças de ocupação; se os homens adultos atirassem tijolos, ele podiam receber tiros, mas as crianças não tinham medo de serem atingidas. O estado da cidade de Sadr era chocantemente repulsivo: enormes pilhas de lixo e enormes poças de esgoto aberto atravessavam as ruas por milhas, servindo como sinais óbvios da negligência do governo sobre a população. As crianças empobrecidas andavam descalças ou com sandálias no esgoto, parecendo inconscientes do potencial das doenças. O estado da cidade como testemunhei era percebido pela juventude da cidade de Sadr como um estado de normalidade, porque as crianças nunca haviam conhecido algo melhor sob o regime do Saddam Hussein ou durante a ocupação americana.. Embora o nível de violência entre as forças americanas e as milícias da cidade de Sadr fosse mínimo naquele tempo, o estado de revolta e descontentamento entre os civis era óbvio. Com somente um batalhão [menos de 800 soldados prontos para o combate] para cobrir uma cidade de 2 milhões de habitantes, o verdadeiro controle ou a ajuda para cidade nunca foi possível.

Por causa das condições do cessar fogo, eu não estava autorizado a qualquer tempo na cidade de Sadr a usar bens de fogo indireto [ morteiros, artilharia, ataque aéreo ou suporte aéreo próximo] como eu tinha sido treinado para fazer, assim meu dever principal se tornou fotografar e gravar todos os eventos sigificativos nos quais meu pelotão incorriam durante patrulhas, raids e todas as outras missões. Fotografei qualquer coisa que considerei relevante para o estado da cidade de Sadr e digno de ser submetido a inteligência. Os grafites políticos, tanto em inglês quanto em árabe, eram comuns nas paredes das escolas dizendo coisas como [em árabe] “Bem vinda América ao Segundo Vietnã”; [em inglês] “Os soldados americanos e o Primeiro Ministro Alawi são terroristas”; “Os soldados americanos são covardes porque matam inocentes”; “o exército americano é mais injusto que Saddam”. Estas são apenas algumas das frases pintadas que fotografei. Outras incluem desenhos de tanques americanos Abrams e veículos de combate Bradley destruindo propriedade e disparando contra civis. Infelizmente, não tenho a maioria das fotografias dos grafites em minha possessão traduzidas para o inglês.

Contactos civis amigáveis eram extremamente limitados na cidade de Sadr, porque nós éramos grandemente sem confiança dos locais. Os civis relatavam para nós que ferozes combates entre as unidades (2-5 e 1-12 regimenstos de cavalaria, Primeira Divisão de Cavalaria) que anteriormente ocuparam a cidade de Sadr e a milícia Mahdi tinham resultado em um alto número de baixas civis, geralmente devidas as aeronaves americanas e outros bens americanos de fogo indireto.

Além da frustação e raiva causada pelas baixas entre civis inocentes, os locais estavam ficando mais cansados das contínuas promessas falhas de que a energia elétrica, água potável, as situações do lixo e do esgoto na cidade seriam reparadas pelas forças americanas. Eu fui pessoalmente responsável por fornecer ao meu comando relatos diários intitulados “Relatórios de Esgota-Água- Eletricidade (SWET)”. Assim tenho esperiência no campo dos Serviços Públicos da cidade de Sadr em 2005. Sob ordens, eu pessoalmente fotografei e relatei ao meu comando, centenas de vezes entre fevereiro e agosto de 2005, a falta de adequada água potável, a interminável presença de lixo e esgoto nas ruas e as horas muito limitadas de fornecimento de energia elétrica fornecida a áreas dentro da área de operações da minha unidade, dentro da cidade de Sadr. Cada pelotão dentro do 3-15 IN foi responsável pelo mesmo relato diário SWET que era submetido aos quartéis generais do 3-15 IN e ostensivamente tratados como informação de inteligência para os altos níveis dentro do exército. Nós, os soldados no solo, representando a boa palavra da América, passávamos adiante as promessas de nosso comando ao povo da cidade de Sadr, dizendo que tão logo a paz fosse mantida com a milícia de Mahdi, nós trabalharíamos para melhorar suas vidas diárias. Estas promessas, na melhor das hipóteses eram fúteis, já que forneciamos apenas ocasionalmente ajuda humanitária.

O pelotão para o qual eu fui designado, o 3o. Pelotão da Companhia Alfa 3-15, participou em muito poucas missões de ajuda humanitária, enquanto que, ao invés, a presença diária de patrulhas tomava a maioria de nosso tempo. O propósito da patrulha de presença, como instruiram nossos comandantes, era mostrar aos civis iraquianos que havia uma constante presença militar fortemente armada na cidade deles. A meta da gotas de ajuda humanitária eram “ganhar os corações e mentes do povo”. Devo deixar claro que a ênfase colocada nas gotas de ajuda humanitária não era a de ajudar o povo, como acontece com a Cruz Vermelha, mas que elas eram missões militares usadas somente como uma ferramenta destinada a realizar o objetivo de fazer os iraquianos acreditarem que estávamos lá para ajuda-los. Em todo meu tempo na cidade de Sadr, meu pelotão somente trouxe suprimentos para uma instalação médica uma vez, em 10 de março de 2005. Os itens que entregamos no Hospital feminino da cidade de Sadr era uma carga de caminhão de fraldas. Nunca fornecemos qualquer suprimento médico real, a despeito do fato de que os hospitais e clínicas na área precisassem urgentemente de antibióticos e equipamento cirúrgico básico.

Nossa próxima missão de ajuda humanitária foi em 29 de março de 2005. Distribuimos aproximadamente 800 pequenas galinhas não congeladas e 20 cabras vivas em um escola perto do canto noroeste da cidade de Sadr. Fizemos isto sabendo muito bem que ninguém na área tinha energia para fazer um refrigerador funcionar para manter a carne fresca, e o combustível de cozinha estava difícil de ser obtido pelos civis. Fizemos com que cada galinha fosse para uma família que esperava na fila, e com duas libras, cada frango não era claramente suficiente para cada família. Dias mais tarde, os iraquianos me contaram que porque não havia meio de manter grandes quantidades de carne fresca, ao invés de matar e dividir as cabras, muitos foram forçados a vende-las ou troca-las por menos comida que as cabras teriam fornecido. Qualquer cabra mantida viva na cidade para produção de leite vivia do lixo e da água contaminada pelo esgoto.

Meu pelotão participou neste tipo de “gotas de frango” em uma média de uma vez por mês, entre fevereiro e agosto de 2005. Isto obviamente não era nem suficientemente perto de prover uma cidade cuja população era relatada estar com um excesso de 2.3 milhões de pessoas, a maioria vivendo a beira da inanição. A desesperança e desorientação deste tipo de missão matava o moral entre os soldados do meu pelotão, porque sentíamos que estávamos colocando nossas vidas em risco nestas missões sem a possibilidade de resultados positivos. Sabíamos que embora os residentes da cidade de Sadr aceitassem a comida, as pessoas ainda estavam zangadas conosco por não cumprirmos as promessas que a América havia feito de melhorar a economia e a condição social deles.

Aproximadamente três vezes por mês, começando em abril, nas manhãs de domingo, meu pelotão era designado para o dever de ir a estação municipal da cidade de Sadr para escoltar empregados do governo e assegurar que eles usassem caminhões com recipientes que removeriam o esgoto dos drenos obstruídos e ruas da cidade. Esta missão sempre durava de quatro a seis horas e era a mais odiada entre os soldados da minha unidade. Poucas coisas podiam quebrar o moral dos soldados mais do que serem designados para o dever de limpeza dos esgotos. Nós algumas vezes usaríamos ameaças de prisão por não realização do dever dos empregados municipais e para força-los a trabalharem com o esgoto cru sem qualquer roupa protetora. Frequentemente sem sapatos fechados, e sempre sem luvas e máscaras, estes iraquianos eram forçados a se exporem a óbvio risco de doenças. Meu trabalho era tirar fotografias dos empregados municipais sendo forçados a trabalharem nestas condições perigosas e mostrar aos nossos superiores que a nossa missão tinha sido cumprida. Depois que os caminhões com depósitos eram cheios em sua capacidade completa, escoltávamos os empregados para a borda da cidade e eles lá esvaziavam o esgoto na área de fazendas particulares ao redor. Isto indubitavelmente colocava as plantações em alto risco de contaminação, juntamente ao colocar em risco os eventuais consumidores de qualquer produto retirado dos campos.

Novamente, esta missão de ajuda humanitária não era movida pela meta de realmente ajudar as pessoas, mas somente o desejo de fazer com que se parecesse que os soldados americanos eram responsáveis pela limpeza dos esgotos. Queríamos criar uma ilusão temporária que os soldados americanos estavam realmente tentando consertar os problemas da área. Sem a real reconstrução dos sistemas sépticos da cidade de Sadr, as poças que eram limpas todo domingo, rapidamente reapareceriam com esgoto novo em cada sítio que deixássemos. Em uma base diária, testemunhamos crianças descalças cobertas até o joelho no esgoto, brincando nas ruas.

Pelos quase oito meses que estive na cidade de Sadr, fui a um local no qual os trabalhadores da construção estavam colocando um novo cano de esgoto. Desde o início do meu emprego, depois de questionar o engenheiro do local, aprendi que por causa que as garantias de dinheiro eram dadas aos construtores antes de completarem o projeto, era difícil encontrar um contratado que simplesmente não pegasse o dinheiro e fosse embora. Este grande sítio de construção perto do centro da cidade de Sadr onde a estrada havia sido destruída, nunca teve nada substancial completado antes que minha companhia fosse designada para uma outra área de Bagdá.

A água corrente que chegava as casas na cidade de Sadr era horrivelmente poluída devido ao alto nível de esgoto nas ruas. Os médicos das clínicas do Crescente Vermelho e dos hospitais relataram que havia um alto nível de mortalidade infantil, doença infantil e defeitos de nascimento devido a falta de água purificada. Além dos problemas criados pela contaminação da água corrente, a água só era disponível quando a energia elétrica estava ligada para as casas e as bombas de água.

Os problemas criados pela água não estar prontamente disponível durante os meses de verão no Iraque são óbvios. As pessoas da cidade de Sadr sabiam que este problema é algo que o governo americano não permitiria em seu próprio solo natal, e elas frequentemente expressavam raiva porque não estavam sendo tratados com o nível de respeito quando ocupamos a terra deles. Com a energia sendo fornecida aleatoriamente a cada dia por um máximo de duas a quatro horas, a disponibilidade de água era muito limitada a todos na cidade de Sadr. Na Clínica do Crescente Vermelho, a noroeste da cidade de Sadr, um sheique tinha tomado um embarque de bolsas Salinas que ele estava racionando para as crianças na área que chegavam a clínica mal ou desidratadas. Estas bolsas não eram usadas intravenosamente; elas eram abertas e bebidas porque não havia outra fonte de água purificada para aqueles que mais precisavam. A água encanada era tão suja que não era somente colorida e nublada, nas também cheia de pedaços de fezes.

A áua limpa não era um problema enfrentado somente pelos iraquianos durante a Operação Liberdade Iraquiana III. Nós, os soldados americanos em FOB Hope, frequentemente não teríamos rações da água fornecidas para nós pela Kellogg Brown e Root (KBR), a principal fonte do que era suposto ser nossa fonte de água potável. A água que nos era fornecida era tão contaminada que os soldados que escovavam os dentes com a água encanada em nossos prédios se tornaram terrivelmente doentes, com sintomas incluindo extrema dor no estomago, frequentes vômitos e diarréia. Isto indubitavelmente punha em risco as vidas dos soldados americanos, não somente devido a desidratação, mas porque tinham que sair em patrulha extremamente doentes, e assim não estando plenamente conscientes de suas cercanias. Estimo que uma vez no início de fevereiro de 2005, aproximadamente 80% dos soldados da companhia Alfa 3-15 estavam vivenciando estes sintomas. Ao tempo em que este testemunho está sendo escrito, 11 de maio de 2008, os soldados dos quartéis generais da companhia 1-30 IN, empregados na FOB Murray, ainda não podem usar a água fornecida pela KBR para escovar os dentes, sem falar em bebe-la. A única opção para água que não estivesse contaminada eram as garrafas de água fornecidas pela KBR, ainda que nunca em quantidade suficiente para realizar a higiene pessoal, além de escovar os dentes. A água engarrafada também tinha seus problemas, já que deve ser carregada e armazenada peos soldados, já que água pura não está realmente disponível no encanamento. Carregar grandes caixas de água potável no calor do Iraque somente aumenta os riscos de desidratação e sobrecarregamos soldados cuja energia deve ser dedicada apenas ao sucesso das missões deles. Acrescentar a pesada sobrecarga de transportar água potável para os quartéis dos soldados, acrescenta uma frustração individual e a quebra do moral da tropa.

Enquanto estava no apoio da Operação Liberdade Iraquiana III, o moral dos soldados do 3-15 da Infantaria estava muito baixo. Isto foi agravado pelo comando da unidade e as táticas que eles usaram para manter os números de realistamento. No verão de 2005, o Batalhão de Comando do Sargento Major e a Brigada de Comando do Sargento Major fechou soldados que se recusavam a realistar por horas em uma sala, exigindo que eles assinassem para um encontro com um conselheiro de carreira. Isto incluiu os soldados que foram afetados pela política de Pare as Perdas, que se não fosse pelo emprego a que eles estavam atualmente, teriam se separado do Dever Ativo. A maioria dos soldados de Parem as Perdas já tinham sido empregados na OIF-I. Eu pessoalmente me recusei a considerar o realistamento e ao invés de obter permissão para me hidratar e preparar meu equipamento para a patrulha seguinte, fui mantido nesta sala por mais de três horas. Esta tática de realistamento colocou a minha vida, e a vida daqueles com quem trabalhei, em real perigo físico. Durante este tempo, meu Sargento Maior do Comando do Batalhão, tentou fazer com que cada um que permaneceu na sala acreditasse que nenhum de nós teria sucesso na vida fora do Exército. Isto é uma prática comum em tentar obter os números de realistamento da minha antiga unidade. Nosso comando encurralaria os soldados que, por causa do stress, se sentiam sem esperanças sobre o futuro deles. Este soldados que podem ter sido candidatos para terapia, eram ao invés usados para se encontrarem com os números necessários de realistamento da unidade enquanto eles estavam obviamente desgastados. Uma outra tática não ética frequentemente utilizada pelo 3-15 para aumentar os números de realistamento era dar uma opção aos soldaddos que testassem positivo para uso de drogas se realistarem par fazer com que estes resultados “desaparecessem”. Esta tática era bem conhecida no meu Batalhão.

A frustação pessoal dos soldados do 3-15 IN foi aumentada quando encontramos os tijolos atirados pelas crianças quando patrulhávamos o norte das favelas de Bagdá em base diária. Ocasionalmente, trabalhariamos com uma unidade do exército iraquiano, para treina-los como fazer as missões da maneira que os americanos as fazem. Uma diferença clara era que enquanto nós nos refreavamos de usar a força contra as crianças e adolescentes que nos atiravam os tijolos,encorajávamos os membros do exército iraquiano a bater neles com seus rifles. Em múltiplas ocasiões meu pelotão despacharia os soldados do Exército iraquiano dentro da multidão, de forma que eles pudessem assaltar fisicamente qualquer pessoa que tinha estado nos aborrecendo. Eventualmente, as pessoas da cidade de Sadr aprenderam a temer os soldados do exército iraquiano, sabendo que se eles ficassem contra nós ou eles, os civis iriam ser feridos. Frequentemente depois de fornecer assistência ao exército iraquiano enquanto ele realizava raids na cidade de Sadr, os inocentes civis cujas casas eram invadidas nos relatariam que os soldados iraquianos pilharam dinheiro, jóias e armas pessoais. As pessoas na cidade de Sadr nos culpavam, e nos chamavam de “Cães de Guarda Americanos” por treinar e apoiar aos corruptos soldados do exército iraquiano quando suas casas eram roubadas.

Embora recebessemos dicas de que a milícia Mahdi tinha pontos ativos de checagem na cidade de Sadr, por meses ficamos sem ve-los. Os civis afirmavam que a segurança da cidade de Sadr era assegurada pelos homens de Muqtada Al Sadr, e que a presença americana somente colocava a segurança em risco. O que era óbvio era que os pontos de checagem de veículos da milícia shiita do Mahdi tinham mantido os terroristas sunitas fora da cidade de Sadr, onde debandaram ao tempo em que a patrulha americana chegou perto. Porque a milícia Mahdi se misturava tão bem com a população local, nos era impossível identificar então os homens que dirigiam ests pontos ilegais de checagem de veículos no ato.

O primeiro aparelho explosivo improvisado para veículos (VBIED) que explodiu dentro da cidade de Sadr foi em 23 de maio de 2005, e alvejou não americanos, mas um restaurante shiita que era frequentado por jovens universitários e militares iraquianos. O relato foi que oito iraquianos morreram, e outros 89 ficaram feridos. Os Sadristas responderam ao uniformizar os homens deles com calças negras e camisas amarelas e manter suas posições de checagem até mesmo quando as patrulhas americanas de aproximavam. O exército Mahdi era constituido de civis que procuravam proteger suas próprias ruas e cooperavam com a polícia iraquiana. Tipicamente a polícia iraquiana na cidade era também membro ativo da milícia Mahdi, assim a coordenação deles com os pontos de checagem de segurança eram benvindos para impulsionar a efetividade da sempre combatente polícia iraquiana. Estavamos não obstante instruídos a desarmar a milícia Mahdi de camisas amarelas e debandar seus pontos de checagem. Isto era uma outra razão porque o povo de Sadr estava descontente com os soldados americanos ocupando as ruas deles. Nós não permitiamos que eles se protegessem e insistiamos que confiassem apenas nas Forças da Coalisão.

O tempo inteiro em que estive em Bagdá no ano de 2005, minha unidade tinha que forçar o cumprimento do horário de recolher depois que escurecia. Nenhum iraquiano poderia ficar fora de sua casa depois das 9:00 pm e antes das 4:30 am. Qualquer carro sendo dirigido em violação do toque de recolher era empurrado, buscado e seus passageiros interrogados. Os pedrestres também estavam sujeitos a prisão. Forçavamos o cumprimento desta lei a despeito dos feriados religiosos que exigiam que os muçulmanos fizessem jejum o dia inteiro e celebrassem de noite. O toque de recolher também vigorava nos meses quentes do verão, quando as pessoas evitam sair de casa de dia devido ao calor insuportável. Nós estávamos essencialmente mantendo o povo de Sadr prisioneiro em suas próprias casas e por isto, eles nos odiavam. Durante meus oito meses em Bagdá, quando meu pelotão patrulhava a noite, não encontramos evidência – nem uma única vez – que os carros que empurrávamos contivessem terroristas quebrando o toque de recolher. Mais frequentemente, eram apenas de uma a três pessoas em cada carro que, as vezes, tinham pequenas armas para auto defesa (AK-47 ed pistolas). Nós nunca disparamos contra estes carros porque eles não representavam uma ameaça a cidade de Sadr. Havia ocorrências específicas onde se tratava de homens levando suas mulheres para o Hospital porque elas estavam em trabalho de parto. Porque havíamos recebido inteligência que uma vez uma mulher grávida foi usada para levar um VBIED para um hospital, estas mulheres em trabalho de parto era retiradas de seus carros e examinadas. A despeito do fato de que elas estivesem em óbvia necessidade de atenção médica, era nossa ordem verificar todas as mulheres grávidas e os carros delas em busca de potenciais ameaças de bombas. Novamente, nunca encontramos qualquer bomba no carro de uma mulher grávida. Também,nunca nos oferecemos para escolta-las até o hospital depois de descobrir que eram inofensivas. Ao invés, nós as liberávamos de nosso ponto de checagem sem qualquer garantia que um outro comboio americano não as parariam antes de chegarem o hospital. Este toque de recolher noturno era indubitavelmente uma razão para afrouxar a segurança dentro da cidade de Sadr, já que o 3-15 não tinha poder humano para manter todas as ruas limpas. Esta é uma outra razão para o descontentamento dos cidadãos afetados pelo toque de recolher. Esta era uma outra queixa principal dos iraquianos, que nos diziam frequentemente “a América nos prometeu liberdade, mas nos trata como prisioneiros”.

Durante o meu emprego na cidade de Sadr, a principal coisa que testemunhei foi o aumento das tensões entre os civis e as Forças da Coalisão. O contínuo desapontamento pela falta de comida, suprimentos médicos, água limpa e reparo das estradas – e nenhum melhoramento na atividade municipal – dava ao povo poucas razões para nos ver como seus guardiães e zeladores. A inabilidade do exército americano em evitar a violência, tal como o devastador carro bomba na cidade de Sadr em 23 de maio de 2005, e o fracasso de fornecer aos civis padrões melhores de vida desde o início da Operação Liberdade do Iraque em 2003, tem levado a uma aumentada desilusão em relação as forças americanas de ocupação. Enquanto eu estava na cidade de Sadr, a milícia Mahdi era vista como os verdadeiros protetores dos iraquianos. Muqtada Al Sadr, o comandante da milícia Mahdi é visto como um profeta religioso pelo povo da cidade depois de seu pai, um clérigo Shia, o falecido Grande Ayatollah Mohammad Mohammad Sadeq Al Sadr. Qualquer bala, foguete,morteiro ou bomba americana que se ache desviado e dirigido na direção dos residentes da cidade de Sadr somente aumenta os seguidores de Muqtada Al Sadr. Isto é óbvio quando alguém vê as minhas fotografias dos grafites nas paredes da cidade que apresentam os veículos americanos mostrando agressão contra civis, perto de um poster de Muqtada al Sadr com seu falecido pai e uma imagem de outros profetas e mártires islâmicos.

A ineficácia do papel do 3-15 IN durante a Operação de Liberdade Iraquiana III levou a uma queda imediata do moral da tropa. Depois de retornar para casa, na América em dezembro 2005 e janeiro de 2006, havia pouco do que os soldados se orgulhassem. Embora nós fossemos automaticamente considerados como “heróis” por termos servido no exterior, tudo o que fizemos bem na cidade de Sadr foi nos mantermos vivos. O tremendo sacrifício de tomar mais de mil soldados do 3-15 IN fora de seus lares e seus famílias para passarem oito meses na cidade de Sadr e fazer com que ele nada realizassem de valor, foi para sempre danoso para aqueles que fizeram o sacrifício.

Como em qualquer grupo que tem sido empregado, alguns vieram para a casa com sérios problemas mentais, tais como Desordem de Stress Pós Traumática e Depressão Crônica Severa. Quando estavamos nos preparando para deixar o Iraque, nos foi dado um teste de avaliação mental que era suposto identificar possiveis doenças mentais. Mas fomos avisados pela equipe médica que aplicou o teste que “se você for positivo para problemas mentais, você pode ser forçado a permanecer no Iraque por três ou quatro meses mais, antes de poder ir para casa”. A maioria mentiu enquanto completava o teste porque eles queriam ir para casa o mais cedo possível. Ninguém foi mantido no Iraque por mais tempo devido a este teste, mas em retrospecto, está claro que o aviso verbal foi usado para evitar a inconveniência do Exército ter soldados que precisem da atenção médica.

Alcoolismo, uso de drogas e violência pragueou a unidade em seu retorno para casa. Os relacionamentos reforçados por um ano de longo emprego resultou em dúzias de divórcios, enquanto muitos homens foram presos por dirigir sob influência do álcool ou assalto doméstico. Os oito meses na cidade Sadr, o ano total de emprego em Bagdá, não deixaram a psique de ninguém que serviu no 3-15 IN durante a Operação Liberdade Iraquiana III [OIF-III]. A maioria dos soldados cujo contrato estava valendo com o Exército depois que expirou a política de Parar as Perdas da OIF-III, saiu sem até mesmo buscar aconselhamento dos problemas de Saúde Mental, porque eles temiam que isto possivelmente estendesse seu tempo no Exército ou fizesse a saída mais difícil.

Para aqueles que ainda tinham tempo para servir ao Exército, obter ajuda para questões de alcoolismo ou metais era visto como uma das coisas mais prejudiciais que eles podiam fazer as carreiras deles. Durante as instruções semanais de segurança como por mandado do Exército, os comandantes quase brincando diziam “se você está pensando em se matar, não tenha medo em obter alguma ajuda”. Contudo estava atrás das mentes de todo mundo que se eles fossem encontrados serem ‘soldados quebrados” ou diagnosticados com qualquer doença mental, qualquer doença física, evitaria que eles fossem promovidos a uma ação favorável na unidade. Sobretudo, as reais instruções não eram fornecidas para informar os soldados da disponibilidade de asistência de saúde mental em Fort Stewart verbalmente, de forma escrita pelos comandantes, ou sendo postadas nos quadros de avisos nas áreas da companhia.

Sou um dos soldados que estava tão intimidado de obter ajuda quando entendi que precisava disto. Sofrendo de depressão e alcoolismo em 2006, fui promovido para sargento (E-5) e em maio tinha que esconder meus problemas para proteger minha carreira. Com a parte do meu dever ativo do contrato expirando em maio de 2007, tinha toda razão para acreditar que eu nunca iria colocar os pés no Iraque novamente, e iria para a faculdade no outono de 2007.

As coisas só pioraram para mim quando o Presidente George W. Bush anunciou seus planos de Aumento de Tropas de 2007, em janeiro de 2007. Mas desta vez o R3-15 IN tinha sido renomeado/rebandeirado para 1-30 IN, e já tinha sido estabelecido para emprego no verão de 2007. As Ordens de Parar as Perdas e o Movimento de Parar chegaram a minha unidade logo depois que o Aumento foi anunciado. Estas ordens significavam que nenhum soldado, por qualquer razão outra que separação administrativa, podia deixar a unidade até três meses depois que a unidade retornasse de seu posicionamento estratégico. O Aumento de Tropa significou que a minha Brigada, 2a Brigada, 3a Divisão de Infantaria estava sendo posicionada estrategicamente três meses antes, em maio de 2007. Em reação ao posicionamento estratégico inicial, minha unidade imediatamente programou dois meses de exercícios de campo, do final de janeiro a meados de março de 2007. Diante de tanto isolamento da família e dos entes queridos e um iminente 15 a 18 meses de posicionamento estratégico, mais de uma dúzia de soldados do 1-30 IN estiveram “AWOL”. Muitos soldados afetados pelo Parar as Perdas começaram a deixar de se importar com o treinamento e agiam apenas quando no dever, enquanto os testes de drogas aumentaram a seus mais altos níveis de testes positivos. Eu pessoalmente me encontrei extremamente frustrado durante os exercícios de campo e fui repreendido em umas poucas ocasiões por não ter maior auto controle. Em múltiplas ocasiões entre janeiro e março de 2007, tentei buscar aconselhamento mental, mas inicialmente não tive sucesso em obter ajuda. Como recomendado pela minha unidade, perguntei ao Pelotão Médico do 1-30 IN e recebi orientação para encontrar uma construção perto da minha companhia que tinha uma equipe de saude mental da Terceira Divisão de Infantaria. Encontrei este prédio abandonado e não recebi instrução posterior de como encontrar a equipe de Saúde Mental.

Em 27 de março de 2007, fui admitido na sala de emergência do Hospital Comuntário do Exército Winn em Fort Stewart queixando-me do que acreditei ser uma ataque cardíaco. Depois de vários exames cardíacos testei negativo para qualquer problema físico e depois de confidenciar ao médico que estava me sentindo depressivo e sob um tremendo stress, finalmente recebi instruções de como encontrar a Divisão de Saúde Mental no Hospital Comuntário do Exército Winn. Foi-me dito para assinar como um paciente de emergência com um possível risco de suicídio na escrivaninha da frente. Depois de aguardar ansiosamente aproximadamente umas seis horas na sala de espera, fui finalmente visto por um terapeuta, que me diagnosticou como Desordem de Ajustamento com Distúrbios das Emoções e Conduta. Embora eu mostrasse sintomas óbvios de Desordens de Stress Pós Traumático, não fui assim diagnosticado desta vez. Meses mais tarde, depois de me separar do Dever Ativo, finalmenente fui diagnosticado com Desordens de Stress Pós Traumático pelo Hospital de Assuntos dos Veteranos em Northport, New York.

Fui então recomendado pelo terapeuta a frequentar sessões de terapia de grupo, duas vezes por semana, com a Coronel Ana Parodi, porque o aconselhamento individual estava em sua maior parte indisponível devido que a equipe de Saúde Mental da Terceira Divisão de Infantaria tinha sido sobrecarregada pelos soldados e as famílias de soldados que precisavam de assistência. Frequentei o máximo de sessões que pude, mas achei poucos resultados positivos. Cdada sessão realizada durava 90 minutos e continha apenas um psicólogo, a Coronel Ana Parodi, e mais de duas dúzias de pacientes. Diferentemente da típica terapia de grupo, os pacientes que frequentavam variavam de idade, status social, escalão militar e relações civis com membros militares. Nem dois pacientes pareciam ter o mesmo problema, e assim a experiência terapêutica era mínima para todos os presentes. Frequentemente testemunhei pessoas saindo frustradas porque as sessões pareciam mais prejudiciais do que auxiliadoras. Houve muitas vezes quando pacientes pareciam desapontados com o cuidado que estavam recebendo, contudo, este era o melhor tratamento disponível para os soldados de Fort Stewart, e assim contiuamos a ir, apenas na esperança que as coisas ficassem melhores.

Depois de uma espera de três semanas, em abril de 2007, finalmente tive uma entrevista com um psiquiatra para sessão individual, onde então fui diagnosticado de Depressão Crônica, um outro sintoma da Desordem do Stress Pós Traumático. A despeito destes diagnósticos, e falando com a Coronel Parodi que tinha estado contemplando eu próprio me ferir, meu status de utilização permaneceu. Isto foi o mesmo para outros soldados que encontrei, enquanto frequentava as sessões de terapia. Parecia que a despeito de quão perturbado um soldado estivesse, ou em que terrível estado emocional, todo mundo era utilizável porque o Exército estava caindo em números e não podia suportar perder alguém devido a doenças mentais. Meu medo da minha unidade descobrir que eu havia sido diagnosticado com qualquer doença era reforçado tempo após tempo na medida em que o Comandante Sargento Major Altman, o Sargento Major a cargo da minha unidade, dizia semanalmente nas formações de instrução, ” se qualquer um de vocês tentar dizer que está deprimido e pensando em se matar, você vai ser destacado de qualquer modo, e quanto estivermos lá, você será meu chutador profissional de aparelho explosivo!” Embora eu não acreditasse nisto em um sentido literal, de realmente chutar aparelhos explosivos, o Comandante Altman da 1-30 IN deixou claro que não havia simpatia entre os escalões superiores no meu batalhão para o que era considerado “soldados quebrados”.

Depois que meu posicionamento estratégico foi adiado por três semanas devido a uma vital cirurgia no sinus, recebi duas semanas de licença médica. Eu começava a me sentir mais e mais sem esperança, sabendo que não havia meio de encontrar a ajuda que eu precisava enquanto estivesse no Exército. Parei de tomar minha medicação contra a dor, Percocet, e comecei a planejar um suicídio para coincidir com o “Memorial Day” [Dia da Lembrança que homenageia os soldados mortos em combate]. Depois de muita terapia, desde que deixei o Exército, com a ajuda de um psiquiatra, chegei a conclusão que tentar me matar era o que eu via como o último pedaço de controle que tinha em minha vida depois de ter sido do Pare com as Perdas. Em 28 de maio de 2007, ingeri aproximadamente uma dúzia de pílulas de Percocet com uma pesada dose de vodka. Escrevi com marcador permanente em meus braços “Parem com as perda de me matar’ e “Parem com o Parar as Perdas agora!” como uma tentativa de deixar claro porque eu tinha escolhido tirar minha própria vida.

Fui então encontrado inconsciente pela Polícia Militar de Fort Stewart, e levado as pressas para o hospital. Acordei algemado a uma maca na Enfermaria 3-A de Saude Mental do Hospital Comunitário do Exército Win. o Comandante do Destacamento da minha Companhia, Sargento do Staff David W. Bentley veio a enfermaria para discutir comigo e com meu psicólogo acompanhante, Doutor Doctor Randolph M. Capocasale, minha liberação do Exército. Foi determinado e concordado que o meu serviço tinha sido sem dúvida merecedor de uma Dispensa Honrosa e que eu tinha estado sob bastante stress e devia ser liberado do Exército o mais rápido possível. Segundo um acordo verbal, eu iria ter uma Dispensa Honrosa depois de duas semanas que eu deixasse a enfermaria 3-A. Depois de uma semana de observação, fui liberado com um diagnóstico reconfirmado de Desordem de Ajustamento, Desordem Depressiva e Overdose.

Continuei o tratamento diário na terapia de grupo e sessões individuais com um psiquiatra com a maior frequência que pude programa-las (um máximo de uma vez por três semanas) depois de minha tentativa de suicídio. Enquanto me submetia ao tratamento, conheci um soldado do Primeiro Batalhão, 64o. Regimento Blindado (1-64 AR, uma outra unidade que era parte da Segunda Brigada, Terceira Divisão de Infantaria) que também havia tentado tirar a própria vida. Depois dos posicionametos estratégicos com o 1-64 AR nas Operações Liberdade Iraquiana I e III, ele também estava Parar-Perdido, e atirou nele próprio perto de sua artéria femural, apenas dias antes de seu programado pisicionamento estratégico para a Operação Liberdade Iraquiana V. Foi-lhe dito por sua unidade, 1-64 AR que se ele não fosse colocado no avião com a sua companhia, ele seria posto na cadeia. Então apenas depois de receber suturas e ser liberado do Hospital em maio de 2007, ele foi intimidado a ir no avião antes de se curar. Enquanto em um campo de tiro no Kuwait, um oficial médico de uma outra companhia percebeu o soldado mancando com sangue manchando a coxa interna de seu uniforme de combate. Depois que o soldado explicou ao oficial o que tinha acontecido, ele foi imediatamente evacuado medicamente de volta para Fort Stewart. A despeito desta experiência horrorosa, ao invés de simplesmente ser tratado para o seu ferimento e sua óbvia doença mental, ele foi acusado de fingir-se incapacitado, e seu comandante pediu um tempo de cadeia. Perdi contacto com este soldado e não tenho meios de descobrir o que a unidade fez com ele depois que sai do exército.

Comecei tratamento para abuso de álcool e desordens pela matrícula no Programa de Abuso de Sustâncias do Exército (ASAP) em junho de 2007 como exigido pelo Exército para qualquer um hospitalizado por razões relacionadas ao álcool. Em 5 de julho de 2007, sem aviso, fui enquadrado no Artigo-15 do Código Uniforme de Justiça Militar (UCMJ), uma punição não judicial, por meu comandante de Brigada, Major Douglas R. Wesner. A acusação listada no Artigo-15 era fingir incapacidade, afirmando que “em ou aproximadamente 28 de maio de 2007, para o propósito de evitar o dever perigoso, isto é: Operação Liberdade Iraquiana V. fingiu um lapso mental. Isto é uma violação do Artigo 115, UCMJ.” A despeito do fato de eu haver sido diagnosticado com doenças mentais meses antes da minha tentativa de suicídio, minha unidade queria punir-me para me fazer um exemplo para todo mundo mais na unidade que considerasse se ferir. Depois de ler o Artigo 15, consultei o conselho legal, os Capitães de Defesa Legal Gannan e Nagaraj de Fort Stewart, mas foi-me dito para me declarar culpado da acusação, ou encarar um julgamento por Corte Marcial onde eu teria acusações adicionais e possivelmente um tempo de cadeia”. Assim meu conselho legal sobre este assunto era muito literal, ” você é culpado a despeito dos fatos”. Quando solicitei a defesa de meus doutores, Capocasale e Parodi, foi-me dito que eles não podiam fazer minha defesa por medo das carreiras deles serem colocadas em risco, a despeito o fato que eles sentissem que o que a minha unidade estava tentando fazer era moral e profissionalmente errado.

Depois meus pais peticionaram, em meu benefício, aos nossos representantes locais no Congresso, o Representante Peter King e a Senadora Hillary Clinton de New York- para começar uma investigação no Congresso a respeito da minha situação, o artigo 15 foi derrubado. Contudo, eu estava então sendo emitido uma Baixa Geral, com a razão narrativa de minha separação sendo Má conduta, Séria Ofensa, Sem seis anos de dever ativo, e eu não preenchia as exigências para uma mesa de apelos antes de ser separado do Exército em 16 de agosto de 2007. A Dispensa Geral veio ao custo da minha qualificação para receber os benefícios da Lei Montgomery GI (MGIB), um valor em dinheiro de aproximadamente 40.000 dólares, que é não reembolsável. Eu sempre havia deixado claro para aqueles com quem trabalhei e para o meu comandante que pretendia ir para a universidade depois de deixar o Exército. De fato eu sentia que a idéia de ir para a faculdade era o que ajudava a me motivar, e até mesmo viver enquanto estive a serviço.

Então, porque minha unidade não me achou culpado de fingimento de incapacidade sob o Artigo 15, deixei o Exército como Veterano Combatente, com uma Despensa Geral e uma narrativa de separação de Má Conduta e Séria Ofensa. Minha unidade, contudo, renovou minha credencial de segurança secreta exatamente antes da minha dispensa e me informou que eu podia encontar um recrutador e realistar para ter de volta meus beneficios para a universidade. O conselho legal deixou claro para mim que as Dispensas Gerais estavam sendo usadas como punição temporária e também como ferramenta para o realistamento. A falta de ajuda da universidade e a influência negativa sobre potenciais carreiras civis resultantes do estigma de uma Dispensa Geral força muitos a se realistarem na esperança de receber de volta segurança de emprego e financeira.

A questão de minha própria insegurança financeira tem sido algo que tem agravado os sintomas de Desordem de Stress Pós Traumático Crônica e Depressão Maior do Recrutamento. Desde que deixei o Exército tenho sido diagnosticado pelo Hospital dos Veteranos de males como fascite plantar bilateral e artrite dos joelhos [que torna doloroso ficar em pé e andar], além das desordens mentais listadas acima. Tenho achado impossível manter um emprego satisfatório enquanto suporto todos os problemas que atualmente enfrento como resultado de meu tempo de serviço. Depois de receber pouca instrução do Exército sobre como trabalhar com o Hospital dos Veteranos ou preencher queixas de compensação/incapacidade, entre 16 de abril e outubro de 2007, fui deixado abandonado e a mercê do alcoolismo e das minhas próprias questões médicas. Depois de preencher online o pedido de compensação através do website dos Veteranos do Exército em outubro de 2007, comecei o tratamento para tentar superar a Desordem de Stress Pós Traumático Crônica. Embora em 11 de maio de 2008 ainda não tenha recebido confirmação que minha queixa por compensação tenha sido processada e avaliada. Tenho estado esperando por sete meses desde que preenchi minha queixa e ainda não sei se uma compensação monetária está no meu futuro. Depois de estar desempregado por quase todos os nove meses depois que sai do Exército, estou vivenciando exatamente os benefícios do Exército – uma total falta de segurança. A poderosa ferramenta do realistamento do Exército, a Dispensa Geral, com perda dos benefícios da universidade, combinado com o backup das queixas por compensação, tem tido um imenso efeito prejudicial na minha vida. Mas sei que devido ao sempre diminuido padrão de alistamento do exército, a despeito das minhas moléstias, e da minha narrativa de Dispensa de “Má Conduta, Séria Ofensa”, hoje eu posso encontrar segurança financeira no escritório do mais próximo recrutador do Exército. Tenho recentemente enontrado muitos Veteranos em uma situação muito similar a minha que tem realistado com os militares, somente por sentirem-se sem esperança e incapazes de sobreviver como civis.

Depois que deixei o exército, um outro soldado da Companhia Alfa 1-30 tentou suicídio depois de vir para casa da Operação Liberdade Iraquiana-V [OIF] em uma visita. O especialista Rogelo Acevedo era um imigrante do México que se juntou ao Exército na esperança de ganhar a cidadania. Ele se alistou como técnico Veterinário mas foi reclassificado para a Infantaria, enviado para o Iraque e designado para o mesmo pelotão que eu em 2005, para os mesmos seis meses de OIF-III. Depois de voltar do Iraque, na guarnição em Fort Stewart, ele nunca recebeu qualquer ajuda para obter a cidadania, como lhe havia sido prometido pelos recrutadores e pelo Comando do 1-30 IN. Como alguém que havia se unido ao Exército para uma posição que não envolvia combate, ele repetidamente preencheu o status de objeção de consciência, mas foi constantemente negado. Ele foi então pela segunda vez posicionado estrategicamente como um homem da Infantaria com Co 1-30 IN em maio de 2007. Enquanto visitava sua família no Texas, ele tentou o suicídio a despeito de ter uma nova esposa e um filho recém nascido. Depois de ser liberado de um hospital civil perto de sua casa no Texas, ele voltou para Fort Stewart e foi a corte marcial como fingindo incapacidade, sentenciado a três meses de prisão. Como veterano combatente e ganhador de uma Medalha de Recomendação do Exército, ele então recebeu uma outra e não uma Dispensa Honrosa, que custou a ele a maioria dos benefícios. Ele ainda não recebeu qualquer ajuda para se tornar um cidadão americano antes de sua saída do Exército no outono de 2007. Ele atualmente está lutando para ganhar a cidadania americana e recuperar seus benefícios militares, sem qualquer ajuda da Burocracia dos Assuntos dos Veteranos.

Enquanto retornam os veteranos do Conflito do Iraque, como eu, estão sendo cuidados impropriamente, e a ocupação do Iraque cresce mais e mais instável a cada dia. Isto é especialmente verdadeiro dentro das fronteiras das novas paredes americanas que cercam e aprisionam a cidade de Sadr, separando seu povo do resto de Bagdá. Água limpa, suprimentos médicos e comida estão se tornando ainda mais severamente escassos, enquanto as inundações do esgoto e as montanhas de lixo que enchem as ruas e disseminam doenças entre os habitantes, estão se expandindo. Os toques de recolher diários, as restrições e o combate afetando as pessoas da cidade de Sadr a cada dia, desde 2003, estão atualmente resultando em niveis maciços de deslocamento entre os civis.

Ataques de misseis Hellfire desde o início de 2008, destinados a milicia Mahdi de Muqtada Al-Sadr tem exigido mais vidas de aproximadamente mil inocentes civis, segundo o Ministério da Saúde iraquiano. Cada civil inocente morto pelas armas americanas dentro da cidade de Sadr levanta o potencial da família inteira de se levantar em apoio da milícia Mahdi. A milícia Mahdise mistura muito bem com a população local e então a identificação positiva de todos os alvos dos helicópteros americanos empunhando misseis Hellfire é quase impossível. O único meio de evitar perdas posteriores de inocentes vidas civis e dos soldados americanos é a retirada de todas as Forças de Coalisão das ruas de Sadr e se concentrar na diplomacia com todos os grupos dentro do Iraque.

Soldados americanos estão morrendo em vão enquanto combatem para uma tarefa impossível de “vencer os corações e as mentes” dos mesmos civis que os foguetes americanos estão matando. Isto é uma desgraça não apenas para nossa nação mas para a humanidade como um todo. A s tropas americanas tem ocupado Sadr desde 2003 e ainda estão para serem responsáveis por um aumento nos padrões diários de vida da população de lá. Este círculo infindável de perpétua violência pelo Aumento da Tropa de 2007 nada tem feito ao tomar uma cidade, onde em 2005, eu, como um soldado americano, andava com pouco medo da milícia Mahdi; agora dúzias de americanos recentemente tem sido mortos ou horrivelmente feridos naquelas mesmas ruas. Não podemos esperar racionalmente que o povo de Sadr escolha apoiar o lado da força estrangeira que invadiu o país deles, colapsando o modo de vida deles, e passou anos deixando de cumprir as promessas de aumentar o estado de segurança, fortalecer a economia, e proteger o bem estar do povo iraquiano. A cidade de Sadr está perdida para a causa de George Bush, e não pode ser reparada por qualquer quantidade de balas e explosivos. A diplomacia, ajuda humanitária não militarizada e reparar a infraestrutura da cidade de Sadr é a nossa única esperança em direção a paz e o sucesso da missão Operação Liberdade Iraquiana.

No meu testemunho, tenho especificamente mencionado apenas três vítimas do Aumento de Tropas e a Política de Parar as Perdas. 30.000 soldados americanos foram diretamente afetados pelo Aumento de Tropas de George Bush. Milhares destes soldados eram como eu, Parar as Perdas, forçados a servirem no dever ativo além da data que eles assinaram no contrato deles. A maioria deles ainda está no exterior. Aqueles que não estão no exterior ou tem sido administrativamente separados do Exército e perderam os benefícios como eu, ou tem sido feridos e possivelmente perdido uma perna ou um olho e medicamente evacuados do combate, ou perdido suas vidas. A maioria dos soldados são elegíveis para mais de 40.000 dólares, bonus de realistamento livres de impostos enquanto estão no exterior; mas muitos estão escolhendo não se realistarem e simplesmentes esperam até que o Exército os libere do seus contratos involuntariamente estendidos. Isto está acontecendo enquanto as taxas de suicídio entre os veteranos são as mais altas desde que eles mantiveram tais registros em 1980. No ano passado, aproximadamente 1.200 soldados se auto feriram ou tentaram suicídio comparado a aproximadamente 350 em 2002, segundo o Plano de Ação de Prevenção do Suicídio do Comando Médico do Exército. Relatos dos Assuntos dos Veteranos afirmam que aproximadamente 20% dos Veteranos estão voltando do Iraque com sintomas de Deordens do Stress Pós Traumático e Depressão, 70% dos quais não buscam ajuda através do sistema médico do Exército ou dos Veteranos. Cada posicionamento estratégico relatadamente torna um soldado 60% mais provável de ter contraído uma doença mental. Alguns dos melhors, mais qualificados e patrióticos americanos da minha geração tem ficado mais cansados dos repetidos posicionamentos estratégicos em apoio a uma missão com objetivos não claros ou impossíveis, e se recusam a combater mais tempo. Os soldados de Parar as Perdas devem ser vistos não como parte de uma ‘força toda voluntária’ mas como protestadores silenciosos que recusam grandes somas de dinheiro e tem apenas escolhido esperar o tempo deles, muito mais do que continuar a servir nossa nação. Na realidade, os soldados de Parar as Perdas, uma parte enorme do Aumento de Tropas, são simplesmente prisioneiros dos contratos que os obrigam a uma guerra que eles não guerem mais lutar. Para o bem das almas dos militares americanos e dos milhões de civis que também sofrem da Desordem de Stress Pós Traumático, esta luta deve terminar.

“Possa Deus abençoar a América e as pessoas do Iraque e todos sermos perdoados por termos participado de um tal conflito devastador”

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Published in: on maio 20, 2008 at 1:16 am  Deixe um comentário  
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