Transgênicos

Existem drogas em meus cereais de milho?

Sementes de alimentos biotécnológicos estão se introduzindo nos estoques tradicionais, elevando o medo que sementes não alimentares experimentais também estejam lá.

de Gregory M. Lamb – escritor do The Christian Science Monitor

A indústria alimentícia já tem encontrado os perigos – e custos -, de permitir que plantações biotecnológicas não autorizadas entrem no suprimento dos alimentos. Agora uma outra ameaça tem emergido: as sementes.

O milho tradicional, o feijão soja e as sementes de canola disponíveis para venda para os fazendeiros americanos tem uma pequenina percentagem de sementes geneticamente modificadas (GM) misturados neles, mostra um novo estudo. As descobertas oferecem um desafio imediato para os fazendeiros e nações que tentam manter suas plantações livres de sementes modificadas geneticamente.

Ista também levanta questões chave na medida em que a acreagem das sementes geneticamente modificadas continua a aumentar mundialmente. Se o gênio está fora da garrafa para as sementes geneticamente modificadas aprovadas para consumo humano, o que evita que outras plantações experimentais geneticamente modificadas se movam para o suprimento alimentar? Os consumidores querem que os genes que significam a produção de drogas, plásticos e vacinas estejam escondidos em seus cereais de milho?

“Não há razão para crer que os transgênicos detectados neste estudo sejam somente aqueles que estão se movendo para o tradicional suprimento de sementes”, conclui o estudo, divulgado em 23 de fevereiro pela União dos Cientistas Preocupados (UCS), um grupo de vigilâcia localizado em Cambridge, Mass.

Este estudo também diz que as plantações geneticamente modificadas não aprovadas para consumo humano tem sido e continuam a ser testadas no campo, tornando possível a contaminação das variedades tradicionais.

Não tão rápido, os grupos da indústria retaliam. O estudo do UCS descobriu níveis de sementes geneticamente modificadas variando de apenas 0.05 a 1% misturado às sementes tradicionais, eles ressaltam. Os embarques regularmente contém quantidades similares de variedades de sementes de tipo não indicado que nada tem a ver com modificação genética. Nem há qualquer indicação que as plantações geneticamente modificadas ofereçam risco a saúde, estes grupos apontam.

Eles acrescentam que na medida em que as plantações biotecnológicas se tornam comercializadas, suas sementes naturalmente encontrarão seu próprio caminho dentro dos tradicionais lotes de sementes – mas em níveis muito pequenos.

“É esperado que elas serão mantidas em níveis razoavelmente baixos pelos procedimentos que asseguram a qualidade”, a Associação Americana de Comércio de Sementes (ASTA) disse em uma declaração.

Em outras palavras, “há baixos níveis que estão lá, mas eles são permitidos sob certas leis”, diz Christopher Novak, um portavoz da Syngenta, um agro-negócio multinacional que desenvolve sementes modificadas geneticamente, em uma entrevista telefônica. ‘Não existe uma questão de segurança porque todos estes produtos tem sido aprovados para uso alimentar” [ainda que isto seja uma outra mentira]

E quanto as plantações geneticamente modificadas que estão sendo testadas em campo para propósitos farmacêuticos e industriais?

“A conclusão de que estas plantações se misturarão com as plantações tradicionais não é apoiada pela ciência, lei ou prática”, diz Mr. Novak. Companhias como a Syngenta tem um auto-interesse em não permitir que plantações biotecnólogicas farmacêuticas e industriais entrem na cadeia alimentar, ele diz, se não fosse por qualquer outras razões além de ‘por causa da responsabilidade para nós, como companhia.”

Syngenta usa vários métodos para manter separadas as plantações geneticamente modificadas separadas, incluindo o fato de localiza-las longe das plantações tradicionais. As plantações geneticamente modificadas também podem ser plantadas em um tempo diferente, o que significa que não irão florescer quando o fazem as tradicionais plantações, tornando a polinização-cruzada impossível. As alterações físicas, tais como o milho “detassling” [?], também podem ser usadas para evitar a disseminação do pólen.

Mas Jane Rissler, uma cientista da UCS e co-autora do estudo, diz que estes passos não são suficientes. Conquanto ela conceda que as plantações geneticamente modificadas experimentais são desenvolvidas sob padrões mais rígidos que as outras plantações, os padrões apenas foram estreitados recentemente.

“Por muitos anos elas não eram desevolvidas sob as exigências estritas como são agora, e asim de fato, a contaminação pode ter ocorrido então”, ela disse em uma entrevista telefônica. ‘Temo que isto ainda ocorra agora”.

Com o milho, por exemplo, a possibilidade do gene fluir de uma variedade para outra é alta. “o pólen do milho pode viajar muito longe”, disse a Dra. Rissler. A insistência das companhias de sementes de que suas fazendas farmacêuticas e industriais são seguras ‘não é convincente para nós e francamente não é também convincente para a indústria alimentar’, que, ela diz, tem “sugerido muito fortemente que somente plantações não alimentares possam ser usadas para produzir farmacêuticos”.

A História de StarLink

A indústria já tem vivenciado os custos de permitir que plantações geneticamente modificadas não aprovadas entrem no suprimento alimentar. Em 2000, StarLink, uma variedade de milho geneticamente modificado destinado a alimentação animal e não aprovado para consumo humano foi encontrado em conchas de taco e outros itens de mercearia causando uma fúria pública. StarLink foi removido do mercado e seu fabricante, a farmacêutica francesa Aventis, foi forçada a pagar milhões de dólares em acordos legais aos plantadores de milho e gerenciadores de grãos cujos negócios foram prejudicados pela controvérsia.

Não surpreendentemente, tanto os produtores de sementes quanto os críticos concordam que nenhuma plantação geneticamente modificada para uso não alimentar deva entrar na cadeia alimentar. Mas uma questão traiçoeira, sugerem os especialistas, é qual o nível de sementes geneticamente modificadas reputadas seguras pelos EUA deve ser permitida em embarques rotulados como sementes não modificadas geneticamente?

“Não há um padrão uniforme mundial sobre o que constitui um nível apropriado de pureza das sementes”, diz Michael Fernandez da Iniciativa e Biotecnologia Alimentar Pew ,um grupo independente formador de opinião. Neste outono, Pew planeja realizar uma conferência que olhará os meios para criar padrões de testes das plantações geneticamente modificadas e pureza de sementes.

Nos EUA, os produtores são exigidos revelarem apenas quanto de semente “fora do tipo” está misturada com a semente rotulada, junto com qualquer substância estranha, tais como ervas daninhas.

Há “padrões de mercado local”, diz Mr. Fernandez. “Eles não são projetados como padrões de segurança”. As semente modificadas geneticamente aprovadas para consumo seriam simplesmente listadas somo uma das outras variedades presentes, ele diz. “A presunção é que nenhuma semente no mercado seja 100% pura.”

Contudo, a “contaminação” geneticamente modificada das sementes tradicionais pode se tornar um problema para o comércio com outras nações que são muito mais ariscas sobre os alimentos modificados geneticamente, sugere o relatório do UCS.

O governo britânico anunciou na terça-feira que permitiria o primeiro tipo de plantação geneticamente modificada, um tipo de milho, a ser plantado lá, a despeito dos alaridos de protesto. A Associação Médica Britânica relatou que os alimentos geneticamente modificados são altamente improváveis de serem um risco a saúde. Mas uma pesquisa recente citada no London Times mostrou que apenas 4% dos bretões favorecem fortemente os alimentos geneticamente modificados e os comeriam, enquanto 85% disse que as plantações geneticamente modificadas teriam um impacto negativo ao ambiente.

O ceticismo também permanece alto no resto da União Européia e na África. Até mesmo nos EUA, o condado de Mendocino no norte da Califórnia votou na semana passada para o banimento das plantações e animais geneticamente modificados. Outros governos locais estão considerando leis similares.

No mês passado, um encontro na Malaisia de mais de 80 países que tem assinado um protocolo da ONU sobre bio-segurança, concordaram em exigir o rótulo detalhado nos embarques internacionais das plantações geneticamente modificadas. [eles não lidaram com a questão das sementes padrão que contém traços de sementes geneticamente modificadas]. Os EUA discordaram do plano da rotulagem, mas como não assinou o protocolo da ONU, só pode comparecer como um observador.

Contudo, um relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Agro-Biotécnicas (ISAAA) mostra “esperança para o futuro que a biotecnologia está continuando a ganhar aceitação na medida em que mais pessoas entendam a segurança destes produtos”, dise o representante da Syngenta, Novak.

A acreagem global devotada a plantações geneticamente modificadas cresceram em 15% para 167.3 milhões de acres entre 2002 e 2003, segundo o ISAAA. Aproximadamente 61% desta acreagem está nos EUA e 99% tem se desenvolvido em apenas seis países (EUA, Canadá, China, África do Sul, Argentina, e Brasil). Em um impulso às plantações modificadas geneticamente, a China apenas deu luz verde para sete variedades de plantações geneticamente modificadas desenvolvidas no exterior para entrarem em seu mercado.

O que vem a seguir?

O relatório do UCS conclui que a mistura de traços de geneticamente modificados nos tradicionais suprimentos de sementes não “é inteiramente reversível”, mas argumenta que possa ser “substancialmente reduzido”. Estudos mais profundos e mais estudos sobre a “contaminação” pelos geneticamente modificados precisam ser feitos, diz a UCS.

A UCS também pede que o Departamento de Agricultura (USDA) realize uma investigação e que a Admistração de Drogas e Alimentos e a Agência de Proteção Ambiental emendem regulamentos para as plantações geneticamente modificadas farmacêuticas e industriais “para assegurar que o fornecimento de sementes para uso alimentar e plantações de alimentos não sejam contaminados em qualquer nível por drogas, vacinas, plásticos ou substâncias relacionadas”. Estas agências do governo aida não responderam ao estudo do UCS, Rissler diz.

Quão puras são as sementes americanas?

Quando as amostras tradicionais de milho, feijão soja e sementes de canola foram testadas pela União dos Cientistas Preocupados, as sementes foram descobertas estarem contaminadas por DNA transgênico a níveis de 0.05 a 1%. Se estas proporções estivessem nos suprimentos americanos, tanto quanto um total de 6.250 toneladas de sementes geneticamente modificadas estariam entrando no suprimento alimentar dos EUA sem o rótulo apropriado. O nível de 1% seria mais alto que os padrões de pureza para as sementes certificadas de feijão soja e canola estabelecidos pela Associação das Agências De Certificado Oficial das Sementes (AOSCA), abaixo:

Matéria inerte
2.00%
2.00%
1.00%

Sementes de Ervas Daninhas
0
0.05
25/lb.

Outras sementes de plantação
Sem padrões
0.60
0.25%

Outros contaminantes
0.50
0.50
0.25

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Published in: on junho 29, 2008 at 1:46 pm  Comments (1)  
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  1. O lobby das multinacionais dos transgênicos está em todo o lugar. No Brasil, acabaram de liberar outro milho transgênico, desta vez o da Syngenta. Além disso, querem alterar o projeto de lei dos transgênicos que obrigava a rotulagem e identificação dos produtos que continham organismos geneticamente modificados. Isso é ridículo! Querem nos obrigar a comer o que não queremos!
    Para quem ainda não leu e quer se informar mais, indico o livro da Marie-Monique Rodin, Le Monde Selon Monsanto.
    Transgênicos Não (http://transgenicosnao.blogspot.com)


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