A História do Ouro Nazista

A História do Ouro Nazista

Parte 1: O Tesouro Merkers

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O ouro nazista – as palavras crepitam com um terror eletrizante como o raio de um relâmpago fatiando pelo céu. Não existem outras duas palavras que ligadas desencadeiem mais imagens da intriga e da brutalidade nazista. Infelizmente, há muitas lendas sobre o saque nazista, bem com existem muitas histórias verdadeiras. Nenhum outro aspecto da Segunda Guerra Mundial tem causado mais controvérsia, mais mitos e mais atordoamento. Até mesmo depois de mais de cinquenta anos, desde o fim da guerra, um mar de controvérsia ainda permanece. Igualmente importante, mas raramente mencionado, é o tesouro do saque coletado pelo Imperador do Japão. Ambos tesouros contêm enormes quantidades de ouro, prata, platina, jóias, arte e outros valores saqueados de um terço do mundo.

A outra razão que se acrescenta à controvérsia é a extrema complexidade do assunto. Uma visão toda abrangente do ouro nazista é quase impossível, na medida em que isto envolve o Vaticano, bancos suíços, bancos sul americanos, o Banco da Inglaterra, o Federal Reserve e os planos nazista para um renascimento. Adicionalmente, alguns principais oficiais nazistas se apoderaram de algum ouro e valores em tesouros pessoais. Sobretudo, os Aliados nunca relataram todo o ouro que eles recuperaram e o que a União Soviética recuperou permaneceu oculto por trás da Cortina de Ferro e só agora está se tornando conhecido. Quanto do tesouro tem sido recuperado é grandemente um jogo de suposições, na medida em que as estimativas disputadas variam selvagemente. A única certeza que cerca o tesouro é que grande parte dele permanece não contabilizado. Sobretudo, grande parte da riqueza foi muito provavelmente gasta reconstruindo a Alemanha depois da guerra. A riqueza tomada das vítimas dos nazistas custearam ao menos em parte o chamado milagre europeu na reconstrução da Europa depois da guerra.

Os nazistas tinham planos precisos para uma volta, como já detalhado em revisões históricas anteriores. Estes planos repousavam em sua habilidade de esconder seu saque fatídico dos Aliados. Parte do tesouro tem sido recolhido seguramente em secretas contas bancárias suíças. Outras porções foram embarcadas para a América do Sul [primariamente para a Argentina] para salvaguarda. Um dos condutos para a Argentina estava sob o controle e direção de Martin Bormann.

Provavelmente nenhum outro nazista tinha mais palavras escritas do que Martin Bormann. Seu destino apenas recentemente tem sido determinado. Contudo, os valores que ele embarcou para a Argentina em seu projeto Ação Terra do Fogo [Action Feuerland] ainda estão nublados por um fog de mistério e intriga.

Há várias narrativas sobre o destino de Bormann; algumas plausíveis e outras absurdas. A narrativa mais comum e crível é a de que Bormann alcançou a América do Sul e viveu sua vida lá. Uma narrativa igualmente provável é a de que Bormann morreu durante os últimos dias do Terceiro Reich enquanto tentava escapar de Berlim. Em uma terceira narrativa, Bormann escapou para a União Soviética e viveu sua vida lá. O General Gehlen começou esta narrativa. Ele afirmou ter reconhecido Bormann entre a multidão de um jogo de futebol quando a câmera da televisão passava pelos espectadores. Por último, duas narrativas ridículas tem emergido. Uma indica que Bormann era uma mancha soviética dentro do círculo interno de Hitler. A outra afirmou que uma unidade de comando britânica resgatou Bormann de Berlim para recuperar o tesouro nazista. Ele então viveu sua vida no interior da Inglaterra.

Obviamente, teria sido vantajoso para Bormann ser declarado morto em Berlim se ele tivesse sobrevivido. Não obstante, recente DNA retirado de um dos crânios encontrados em Berlim combinou estreitamente com o de um tio de Bormann. O crânio ainda tinha estilhaços de vidro entre os dentes. Se esta evidência for de fato correta, sugeriria que Bormann, sendo incapaz de escapar de Berlim, cometeu suicídio.

Antes que os testes de DNA estivessem disponíveis, existia uma controvérsia considerável sobre a identidade do crânio. De fato, o crânio estava encrostado de argila vulcânica vermelha não encontrada no solo ao redor de Berlim, mas que combina estreitamente com o solo do Paraguai. Não obstante, o governo entregou os restos à família que os cremaram e espalharam as cinzas no mar, na esperança de manter a controvérsia por todo o tempo.

Sobretudo, houve idôneos avistamentos de Bormann na América do Sul até a década de 1960. Considerando que o crânio estava encrostado de argila vermelha, parece que Bormann morreu na América do Sul e mais tarde seu corpo foi movido para Berlim. Esta opinião seria muito mais provável do que acreditar que ele morreu em Berlim. Há centenas de relatos críveis desde o fim da guerra até a decada de 1960 de avistamentos de Bormann em vários locais da Europa e mais tarde na América do Sul. Acreditar que Bormann morreu em Berlim exige desacreditar em todos estes relatos. Então, seu último destino é ainda desconhecido e nebuloso em um mar de controvérsia.

Contudo, o destino final de Bormann é somente de importância secundária neste capítulo. O que é de maior preocupação é o destino dos bens que ele enviou da Alemanha para a Argentina. Dois dos melhores livros cobrindo Bormann e a América do Sul são “Aftermath” de Ladislas Farago e “Martin Bormann: Nazi In Exile” de Paul Manning. Ambos tem sido desacreditados em algum grau. Manning foi um repórter durante a Segunda Guerra Mundial e escreveu os dois livros sobre a Segunda Guerra Mundial que são vistos como clássicos. Manning admite que Allen Dulles o enganou a respeito da América do Sul. A questão então permanece porque Dulles deliberadamente enganaria o autor. Como devemos ver mais tarde nos seguintes capítulos, Allen Dulles tinha muito que esconder.

Conquanto os nazistas tivessem planos concretos para embarcar o máximo de seu ouro e valores para outros países, os EUA tinham planos de recuperar estes valores. Uma boa quantidade do esforço americano em recuperar o ouro nazista caiu sob a Operação Safehaven. Contudo, ninguém entendeu o tamanho enorme e a complexidade da tarefa até o início de abril de 1945. Tarde no anoitecer de 22 de março de 1945, elementos do Terceiro Exército do General George Patton atravesaram o Reno. O que primeiro foi uma corrente se soldados atravessando o Reno, logo se tornou em uma furiosa inundação de tropas.

Pelo meio dia de 4 de abril, o Terceiro Exército tinha capturado a vila de Merkers. Durante os dias 4 e 5 de abril um destacamento de CIC (unidade de countra-inteligência) questionou pessoas deslocadas na vizinhança. Muitas destas pessoas deslocadas disseram ao CIC que uma atividade não usual havia sido observada ao redor da mina de potássio de Wintershal AG em Merkers. Posteriormente, estes rumores sugeriram que o Reichsbank tinha escondido suas reservas de ouro lá. A informação foi passada aos G2 e eles imediatamente emitiram uma ordem para excluir os civis da área.

Em uma barreira de estrada na manhã seguinte, duas mulheres das pessoas deslocadas se aproximaram da barreira e foram questionadas pelos guardas. Uma estava grávida e a caminho de Keiselbach para ver uma parteira. Os guardas no bloqueio então levaram as mulheres de volta para Merkers. Ao entrarem em Merkers, o motorista do jipe perguntou às mulheres que tipo de mina era Kaiseroda. Elas disseram a ele que era onde os nazistas tinham ocultado seu ouro e outros valores.

Pelo meio dia de 6 de abril, esta informação tinha alcançado o Ten. Cel. William A. Russell. Ele se dirigiu a Merkers e questionou vários civis deslocados que confirmaram a história. Adicionalmente, Russell aprendeu que o Dr. Paul Ortwin Rave, curador do Museu do Estado Alemão em Berlim bem como diretor assistente das National Galleries em Berlim, estava presente para cuidar das pinturas. Russell então confrontou os oficiais da mina com a informação. Ele também questionou Werner Veick, o tesoureiro chefe do Departamento de Notas Estrangeiras do Reichsbank que também estava na mina. Rave admitiu seu papel em cuidar das pinturas. Veick disse a Russell que a inteira reserva de ouro do Reichsbank estava oculta na mina.

Os telégrafos militares estavam agora explodindo com solicitações de reforços para guardar a mina. De início, Russell requisitou que o 712o. Batalhão de Tanques recebesse ordens para se dirigir a Merkers para guardar as entradas da mina. A 19a. Divisão da Polícia Militar forneceu forças adicionais para guardar as entradas da mina. Pelo anoitecer, cinco mais possíveis entradas foram descobertas e um batalhão de tanques não era suficiente para guardar todas as entradas. O Maj. Gen. Herbert L. Earnest então ordenou que o Primeiro Batalhão do 357o. Regimento de Infantaria continuasse para Merkers e reforçasse o 712o. Russell também informou a um oficial GR do XII corps o que estava acontecendo na mina.

Na manhã de 7 de abril entradas adicionais da mina foram localizadas. Os guardas foram colocados em cada uma das entradas adicionais. As 10 AM, Russell e dois outros oficiais juntamente com Rave e oficiais da mina entraram pela entrada principal. O principal veio os levou a 2.200 metros abaixo da superfície. No túnel principal eles encontraram 550 sacos de Reichsmarks. Descendo mais o túnel, eles encontraram a caverna principal. A caverna estava por trás de uma parede de tijolos de três pés de espessura e abarcava uma área de ao menos 100 pés de largura. No centro estava uma pesada porta de banco.

Patton foi informado que tinham entrado na mina e uma grande quantidade de Reichsmarks fora encontrada, mas nenhum ouro. Na medida em que as forças de Patton continuavam seu avanço relâmpago dentro da Alemanha, Patton ordenou que o 357o. Regimento de Infantaria exceto o Primeiro Batalhão, se movesse e unisse a 19a. Divisão de Infantaria. Patton também ordenou que a porta da caverna fosse aberta por explosivo.

Cedo em 8 de abril, Russell, acompanhado de um oficial de assuntos públicos, fotógrafos, repórteres e elementos do 282o. Batalhão de Engenharia de Combate reeentraram na mina. A porta foi facilmente explodida. Eles entraram no que foi chamado de SALA 8. O tamanho do tesouro era simplesmente surpreendente. Espalhado diante deles estava uma sala de aproximadamente 75 pés de largura por 150 pés de comprimento. A sala estava iluminada mas não ventilada.

Jazendo diantes deles estavam mais de 7.000 sacos, se esticando todo o caminho para o fundo da sala. Os sacos eram colocados em 20 filas limpas ao redor da altura dos joelhos e separadas por aproximadamente 2.5 pés. Todos os sacos estavam marcados. Ao longo de um lado da sala eles encontraram moeda afiançada empilhada. No fundo da sala estavam 18 sacos e 189 maletas, baús e caixas; cada um cuidadosamente marcado. Cada rótulo foi marcado com o nome Melmer. Era óbvio que estes containers pertenciam a SS. Também foi a primeira pista da complexidade e escopo do saque nazista da Europa.

Alguns dos selos nos sacos foram quebrados e assim o estoque pode ser inventariado. O inventário revelou que havia 8.198 barras de lingotes de ouro; 55 caixas de lingotes de ouro encrustados; centenas de sacos com itens de ouro; mais de 1.300 sacos de Reichsmarks de ouro, libras esterlinas britânicas, e francos franceses de ouro; 711 sacos de peças de ouro de 20 dólares americanos; centenas de sacos de moedas de ouro e de prata; centenas de sacos de moeda estrangeira; 9 sacos de moedas valiosas; 2.380 sacos e 1.300 caixas de Reichsmarks (2.76 bilhões de Reichsmarks); 20 barras de prata; 40 sacos contendo barras de prata; 63 caixas e 55 sacos de placas de prata; 1 saco contendo seis barras de platina; e 110 sacos de moedas de vários países. Em um outro túnel uma grande quantidade de trabalhos de arte foi encontrado. O tesouro também revelou a brutalidade do regime nazista. Incluido no inventário estavam sacos de preenchimentos de ouro de dentes extraidos das vítimas dos campos de concentração.

Uma vez ciente do enorme tamanho do tesouro, Patton considerou que o assunto era político e imediatamente solicitou que fosse entregue ao SHAEF. Eisenhower indicou o Coronel Bernard D. Bernstein, vice chefe, ramo financeiro, G-5 Divisão do SHAEF. Em 15 de abril, um comboio com constante proteção de caças acima moveram o tesouro para o Reichsbank em Frankfurt.

Por meados de agosto, o ouro tinha sido pesado e avaliado. O ouro foi avaliado em 262.213.000 dólares. A prata foi avaliada em 270.469 dólares. Adicionalente, uma tonelada da platina e oito sacos de raras moedas não tinham sido avaliados. No início de 1946, o ouro foi entregue a Agência de Reparação Inter-Aliada e entualmente foi entregue a Comissão Tripartite para a Restituição do Ouro Monetário. A Comissão Tripartite devolveu o ouro aos bancos centrais dos países de onde ele foi saqueado tão logo possível. Contudo, devido a Guerra Fria, algum ouro não foi distribuído até 1996.

A distribuição do ouro de Merkers, contudo, não é sem controvérsia.

Nenhuma contabilade foi realizada de quanto do ouro recuperado foi oriundo de derretimento do ouro dentário. Muito interessantemente, o exército microfilmou os registros do Departamento de Metais Preciosos do Reichsbank em 1948. Estes registros foram entregues a Albert Thoms, que estava trabalhando para o banco sucessor do Reichsbank. Estes registros desde então desapareceram na Alemanha e não foram relocalizados até a década de 1990.

Nenhum outro grupo de ouro e valores foi encontrado na Europa que se rivalize ao tamanho do achado em Merkers. Embora um dos grupos do Golden Lily, o tesouro saqueado do imperador japonês, relatadamente desenterrado por Marcos nas Filipinas fosse maior. O único grupo possível da Europa que pode rivalizar com o achado de Mercers seria o de Ustashis. Contudo, o ouro e valores saqueados pelos Ustashis nunca tem sido localizado e a melhor evidência sugere que foi contrabandeando para fora da Europa pelo caminho do Vaticano-CIA. Quanto do grupo Ustashi foi para dentro das cavernas do Vaticano ainda é envolto em segredo e mistério. Vários outros grupos menores foram localizados, a maioria na região alpína da Áustria, onde os nazistas tentaram estagiar um final resistência.

Não há controvérsia sobre o que consistia o tesouro de Merkers. Isto é sabido com certeza. A controvérsia está de onde veio o ouro e como ele foi distribuído. Sobretudo, uma outra controvérsia abunda sobre em que extensão o tesouro de Merkers era o total do tesouro nazista.

Para alcançar uma estimativa sobre a extensão do saque nazista, as reservas de ouro dos parceiros comerciais dos nazistas podem ser usadas para criar uma estimativa superior. Somente um punhado da Alemanha nazista. As estatísticas abaixo estão em milhões de dólares.

País         1939 reservas     1943 Reservas     Aumento
Espanha     42         104         62
Suecia         160         456         294
Turquia     88         221         234
Portugal     79.5         447.1 (1945)     367.6
Suíça         503         1.040         537

Obviamente, nem todo aumento pode ser atribuído aos nazistas. Contudo, as estatísticas foram colocadas no  limite superior. Posteriormente, desde que as únicas moedas não aceitas mundialmente eram o marco alemão, a lira italiana e o yen japonês, os países neutros continuaram a aceitar o dólar americano e a libra britânica. Adicional evidência veio dos declarados depósitos nos bancos suíços que tinham ascendido de 332 milhões de francos suíços em 1941 para 846 milhões em 1945. Novamente, nem todo o aumento nos depósitos pode ser atribuído aos nazistas, mas isto estabelece um limite superior de meio bilhão de dólares.

As estatísticas acima comparam favoravelmente com as mais recentes estimativas disponíveis. A mais recente evidência resultante dos relatos da iniciativa do Presidente Clinton, a Suiça recebeu 440 milhões de dólares dos nazistas, dos quais 316 milhões de dólares foram saqueados. Adicionalmente o relatório da inciativa de Clinton mostra que um milhão de dólares do ouro foi transferida para o Dresdner Bank e o Deutsch Bank; ambos os bancos eram bancos comerciais particulares. Estes bancos então venderam o ouro na Turquia por moeda estrangeira. O relatório continua que mais de 300 milhões de dólares do ouro nazista alcançaram Portugal, Suécia, Espanha e Turquia.

O Escritório do Exterior realizou uma vigorosa campanha avisando os países neutros sobre aceitar ouro dos nazistas. O Departamento de Estado dos Estados Unidos se recusou a apoiar a medida até julho de 1943, quando o aumento alarmante de reservas de ouro dos países neutros se tornou aparente. Até mesmo então, o apoio do Departamento de Estado foi no melhor caso, frio.

Os países listados acima não eram meros acidentes. Sem as matérias primas fornecidas pela Suécia, Espanha, Portugal e Turquia os nazistas não teriam sido capazes de realizarem a guerra. A Suécia forneceu o vitalmente necessário ferro de alto grau. A Turquia forneceu a Hitler o cromato. Portugal e Espanha forneceram tungstênio. Todos os três metais eram necessários para produção das munições de guerra e blindagem pesada. Os cromatos eram usados para endurecer o aço para a blindagem enquanto o tungstênio era de uso primário em ferramentas de máquina. As fontes nazistas para ambos os metais eram extremamente limitadas e eles eram forçados a confiar quase que 100% nestes países.

Considerando que a América do Sul foi o primeiro refúgio para os nazistas depois da guerra, é instrutivo olhar as mudanças das reservas de ouro dos países da América do Sul, particularmente a Argentina. As reservas de ouro da Argentina cresceram de 313.83 toneladas métricas em 1940 para 1.064 tonelas métricas em 1945. O aumento nas reservas de ouro da Argentina, em termos de dólares, foi um salto de 635 milhões de dólares. Para colocar a estatística em perspectiva, o orçamento dos EUA para 1940 foi de aproximadamente 9.4 bilhões de dólares. O Brasil também viu um aumento nas reservas de ouro de 45 toneladas métricas em 1940 para 314 toneladas métricas em 1945, ou um aumento de aproximadamente 228 milhões de dólares.

As estatísticas acima das reservas lançam alguma luz sobre o destino de algum saque nazista. Quanto dos aumentos nas reservas de ouro da América do Sul veio da Alemanha pelo fim da guerra para financiar a planejada volta nazista ainda é desconhecido. Contudo, o ouro é apenas uma pequena parte do plano e volta dos nazistas. Até mesmo mais valiosos para os planos nazistas eram as quantidades de ações ao portador,  obrigações e um número de corporações nazistas de fachada estabelecidas mundialmente por Bormann. Estas corporações mantinham valiosas patentes e produziriam uma corrente incansável de rendimento para financiar o subterrâneo nazista.

Parte 2: Operações Safehaven

Antes de olhar a recuperação de outros tesouros e os nazistas que o fizeram para a América do Sul, devemos olhar os vários métodos e programas que os Aliados tomaram para recuperar o ouro nazista. A Polônia tomou a primeira ação para evitar que os nazistas saqueassem. As autoridades polonesas tinham movido suas reservas de ouro para a Romania antes da invasão nazista da Polônia. Infelizmente para o governo polonês, os nazistas logo dominaram a Romania e se apoderaram das reservas polonesas de ouro.

Vários outros países europeus seguiram um caminho similar. Oficiais franceses do Banco Nacional embarcaram seu tesouro para os EUA. No fim de 1939, as autoridades belgas confiaram aos franceses 223 milhões para salvaguarda. Logo depois da invasão alemã dos Países Baixos, a Bélgica suplicou à França que embarcasse o ouro dela para Londres a bordo de cruisers militares. Contudo, os franceses transferiram o ouro para Dakar, sua colonia do Oeste da África do Senegal. Depois da queda da França e das negociações com a França de Vicky, os nazistas receberam o ouro belga.

Dentro da primeira hora da invasão nazista da Holanda, as autoridades holandesas tinham embarcados suas reservas de ouro de Amsterdam para a Inglaterra. O segundo barco contendo as reservas holandesas de ouro estocadas em Rotterdam, carregando 11.012 quilogramas de ouro, bateu em uma mina perto do litoral e foi abandonado. Por 1942, os nazistas haviam recuperado a maior parte do ouro a bordo. Outros países europeus falharam em tomar qualquer precaução e os nazistas se apoderaram da reserva de ouro deles tão logo dominaram o país. Então a maioria das reservas de ouro nos bancos centrais da Europa caíram nas mãos dos nazistas, exceto as da França e um parte das da Holanda.

A pimeira ação tomda pelos EUA foi a Ordem Executiva 8389 assinada por Roosevelt em 10 de abril de 1940, congelando os bens noruegueses e dinamarqueses nos EUA. Eventualmente, cada país europeu foi incluido, exceto a Inglaterra. Também incluídos no congelamento de bens foram o Japão e a China. Ao congelar os bens de um país uma vez os nazistas o dominassem, evitava-se que os nazistas usassem os bens dentro dos EUA para ganho posterior.

Em julho de 1942, os EUA publicaram uma lista negra de indivíduos e companhias. Esta Lista Proclamada de Nacionais Bloqueados proibia o comércio nas Américas com qualquer nome que aparecesse na lista. Os nomes que apareciam na lista eram considerados hostis para a defesa das Américas. Por toda a guerra, nomes eram continuamente acrescentados à lista, que alcançou vários milhares de nomes pelo fim da guerra.

Em 5 de janeiro de 1943, a Declaração Inter-aliada Contra Atos de Despossessão Cometidos em Territórios sob Ocupação Inimiga ou Controle, melhor conhecido como a Declaração de Londres, foi anunciado. A medida declarou que os Aliados não mais reconheceriam a transferência de propriedade nos países ocupados até mesmo se isso parecesse legal. Os Aliados estavam cientes que os nazistas nos países ocupados estavam forçando as pessoas a venderem ou transferirem propriedade para eles. Até esta data, os nazistas tinham dolorosamente criado a ilusão que tais transferências eram legais.

Em 22 de fevereiro de 1944, os EUA anunciaram a Declaração de Compra de Ouro. Os EUA declararam que não mais reconheceriam a transferência do ouro saqueado do Eixo. Os EUA posteriormente declararam que não compariam ouro de qualquer nação que não tivesse cortado relações com o Eixo. A Inglaterra e a União Soviética fizeram declarações similares.

Em julho e agosto de 1944, o Acordo de Bretton Woods foi alcançado. O Acordo pediu que os países neutros evitassem a disposição ou transferência de bens nos países ocupados. Em 14 de agosto de 1944, os EUA, Reino Unido, Suíça, o Acordo de Comércio de Guerra exigiu que a Suiça reduzisse o comércio com os nazistas.

Em 6 de dezembro de 1944, a Operação Safehaven foi organizada.

Em 10 de dezembro de 1944, o Departamento de Estado divulgou o papel exigindo uma linha suave em relação a Suíça. Esta data marca o primeiro passo na sabotagem do esforço de devolver os bens às vítimas do Holocausto. Em essência, é a continuidade da rixa entre o Departamento do Tesouro e o Departamento do Estado em termos de paz e os programas 4Ds de artigos anteriores.

Em fevereiro de 1945, a Conferência de Yalta concordou que as reparações seriam exigidas da Alemanha. A Conferência também estabeleceu o trabalho de base para a Comissão Aliada de Reparações.

A Operação Safehaven é de longe a maior e mais conhecida operação que os Aliados lançaram para recuperar os bens saqueados pelos nazistas. Leo T. Crowley, Diretor de Administração Econômica Estrangeira (FEA) primeiro propôs a necessidade de uma organização para a Safehaven em uma carta, ao Secretário do Tesouro em 5 de maio de 1944. Sobretudo, William T. Stone, Diretor do Ramo de Áreas Especiais do FEA, pediu para incluir os britânicos bem como as várias outras agências dos EUA em uma carta para Livingston T. Merchant no Departamento de Estado, em 15 de maio de 1944. Desde então, Safehaven envolveu elementos dos Departamentos de Estado e do Tesouro; isto foi pragueado desde o início por uma intensa rivalidade entre os dois departamentos. Safehaven sofreria o mesmo destino do programa 4D que levou ao atraso no indiciamento de criminosos de guerra e na desnazificação da Alemanha.

Em maio de 1944, Samuel Klaus, Assistente Especial do Conselho Geral do Departamento do Tesouro, propôs um plano para uma missão de achado de fatos para os países neutros lidando com o problema dos bens nazistas ocultos. O planejamento inicial para a viagem incluia apenas Klaus e Herbert J. Cummings, um funcionário do Departamento de Estado. Quando o Departamento do Tesouro soube da viagem, o Departamento do Tesouro enviou vários funcionários para compor uma delegação com Klaus. De agosto a outubro, Klaus visitou Londres, Estocolmo, Lisboa, Madri, Barcelona e Bilbao para encorajar a implementação do programa Safehaven. A missão cancelou os planos de visitar a Suiça e Portugal. A missão foi apenas marginalmente bem sucedida. Em seu relatório final, Klaus ressaltou seu corrente pensamento em amplas áreas de preocupação, como o trecho abaixo mostra:

“Ela [Safehaven] é apenas em seus aspectos mais estreitos e relativamente menos importantes de combater o capital inimigo. Em seus aspectos mais importantes está o uso dos países neutros como bases para manutenção de bens, talentos e pesquisa necessários para a conversão da Alemanha para uma base de guerra em uma data futura. A ocultação de jóias roubadas ou imagens, até mesmo se isto existe, é verdadeiramente importante do ponto de vista da retribuição dos crimes de guerra. Mas a presença de pessoal da I.G. Farben na Espanha, a expansão da produção da Siemens na Suécia, ou a presença de técnicos militares alemães na Argentina são de importância de muito mais longo alcance e constituem as mais difíceis atividades de Safehaven.”

Klaus tinha encontrado ser a situação na Espanha a mais problemática. Lá, o embaixador americano, Carlton Hayes, era completamente antipático às investigações da Operação Safehaven, embora a Espanha fosse o país mais prejudicial aos objetivos de Safehaven. De fato, o OSS tinha que operar na Espanha por Portugal devido ao embaixador, que identificaria para a polícia espanhola os agentes encobertos como agentes da inteligência. Hayes insistiu em censurar todas as mensagens que chegavam e saiam do OSS. Hayes até mesmo impediu que a Operação Safehaven transmitisse material durante um tempo. Hayes era definitivamente amigável para uma falha com o regime de Franco; contudo, é creditado a ele impedir que a Espanha se unisse ao Eixo. Uma tal aliança provavelmente nunca fez parte dos planos nazistas. Exatamente como Hitler reconheceu a necessidade de uma Suíça neutra para obter moeda estrangeira e lavar o ouro, os nazistas mais provavelmente reconheceram a necessidade de um porto neutro no Atlântico para receber os suprimentos. Um bom exemplo da dependência dos nazistas de um porto Atlântico neutro foi a importação de gasolina pela Espanha depois que Hitler invadiu a União Soviética.

Hayes estava ciente da importação de petróleo pela Espanha. Em 26 de fevereiro de 1943, ele comentou que os produtos de petróleo disponíveis na Espanha eram consideravelmente mais fáceis de se obter do que da Costa Leste dos EUA. Hayes revelou que a gasolina e produtos do petróleo disponíveis se igualavam a plena capacidade da frota de petroleiros da Espanha. Esta gasolina era fornecida por ninguém mais que a Standard Oil, de seus campos de petróleo na América do Sul. Isto também apresentou à administração Roosevelt uma caixa de Pandora de dilemas. Forçar a Standard a parar os embarques mais provavelmente teria resultado em que a Standard interrompesse o fornecimento de petróleo para os EUA. A um ponto da guerra, a Standard tinha ameaçado interromper o suprimento. Secundariamente, a resposta mais provável dos cidadãos americanos sofrendo pelo suprimento limitado da gasoina disponível por cartões de racionamento teria sido a rebelião contra o sistema de racionamento, ao saber que uma companhia americana estava suprindo os nazistas com o petróleo. Uma comoção similar seria esperada das tropas, muitas das quais eram convocadas para o serviço. Com as mãos do presidente eficazmente atadas, os embarques de petróleo para a Espanha continuaram. Se você é rico o suficiente, até mesmo a traição não é considerada um crime.

Como originalmente proposto, Safehaven era para ser inteiramente operada pela FEA, com a orientação do Departamento do Tesouro do lado financeiro e informativo e orientação do Departamento de Estado sobre o estbelecimento da política por outro lado. Contudo, a intensa rivalidade ente os Departamentos de Estado e do Tesouro e as diferenças com os britânicos enfraqueceram o papel da FEA. A Resolução VI da Conferência de Breton Woods deu a Safehaven a firme base lagal. A resolução se baseava nas propostas francesas e polonesas sobre bloquear os fundos nos países neutros para evitar que os nazistas usassem os bens saqueados. Em 2 de dezembro, os Deparatemento do Tesouro e do Estado com a FEA concordaram com os papéis das agências participantes. Cada agência recebeu alguma medida de liberdade operacional individual. Todos os dados e inteligência eram para serem centralizados em Londres.

No outono de 1944, o debate de longa duração sobre o tratamento dos neutros se elevou entre a FEA e o Departamento de Estado. A FEA queria manter os controles no lugar enquanto o Departamento de Estado queria levantar o bloqueio econômico depois do fim das hostilidades. Por esta vez, o Departamento de Estado tinha a voz mais forte na operação de Safehaven. Em outubro de 1944, Morgenthau, o Secretário do Tesouro, Joseph O’Connell, o Conselheiro Geral para o Tesouro e Harry Dexter White, Diretor de Pesquisa Montária para o Departamento do Tesouro, concordaram que agentes treinados do Tesouro deviam ser despachados para suplementar a equipe das embaixadas nos países neutros.

Em 6 de dezembro de 1944, o Departamento de Estado divulgou sua há muito esperada Instrução Circular para as Missões dos EUA sobre assuntos da Safehaven. A divulgação da Circular marcou o início das fases politica e diplomática da Operação Safehaven sob o Departamento de Estado.

Coletar dados e avaliar os dados estavam grandemente confinados ao OSS. Dentro do OSS, Safehaven foi confinada às divisões SI (Inteligência Secreta) e X2 (contra-inteligência). X2 frequentemente desempenhou um papel dominante dentro do OSS, especialmente com os mais importantes neutros da Suíça, Portugal e Espanha. X2 estava particularmente envolvida no esforço de transferir os bens saqueados para países estrangeiros. Para o OSS, isto significava pouco mais que um redirecionamento de suas operações de inteligência para obter dados econômicos. A cooperação entre o OSS e Safehaven foi uma de base informal até 30 de novembro de 1944. No fim de novembro, instruções enviadas a todas as estações do OSS detalhavam a exigência de inteligência a ser gerada para o programa Safehaven. Em substância, Safehaven estava indo nas costas das já ativas operações do OSS.

Sob certas condições, é dificilmente surpreendente que Safehaven fosse dependente das personalidades dos vários chefes das estações do OSS. Como já foi mencionado, a operação do OSS na Espanha estava comprometida por causa do embaixador. Na Suíça, Allen Dulles era o chefe da estação. Dulles já tinha sido esposto por um operação anterior em um programa conjunto com os britânicos de espionar americanos e era suspeito de sersimpático à causa nazista. Dulles tinha sido enviado deliberadamente à Suíça onde ele teria a maior tentação de ajudar seus clientes. Pelo tempo em que Dulles tinha alcançado Berna, ele estava ciente que estava sendo observado. Dulles sabia que estava incapaz de usar os canais oficiais para ajudar seus clientes nos EUA. Assim,Dulles usou suas ligações com o Vaticano para ajudar os nazistas e os correios do Vaticano a ajudarem seus cientes na América, já que os correios do Vaticano tinham imunidade diplomática. O Vaticano prontamente concordou em ajudar Dulles no zelo deles de reconquistar seus próprios bens na Alemanha e adiantar sua fanática filosofia anti-comunista.

Arquivos desclassificados mostram que o bispo esloveno, Gregory Rozman, estava tentando arranjar a transferência de enormes quantidades de ouro controlado pelos nazistas e moeda ocidental que tinha sido discretamente colocada nos bancos suíços durante a guerra. O bispo tinha sido enviado a Berna com a ajuda de amigos de Dulles dentro do serviço de inteligência. Por uns poucos meses, os Aliados tiveram sucesso em evitar que Rozman recebesse os fundos. Então repentinamente, Rozman tinha os fundos de seus amigos nazistas residindo na Argentina. Dulles tinha reparado isto. Esta ação pode ser apenas a ponta do iceberg. Em 1945, o Departamento do Tesouro dos EUA acusou Dulles de lavagem de fundos para o Banco Nazista da Hungria para a Suíça. Acusações similares foram feitas contra o agente de Dulles, Hans Bernd Gisevius, que tinha trabalhado como um agente do OSS enquanto servia ao Reichsbank. O Departamento de Estado rapidamente tomou o caso do Tesouro, depois do que a investigação foi silenciada e caiu rapidamente. Gisevius pode também ter estado envolvido nas rotas de escape para os criminosos nazistas de guerra.

De fato, a carreira de Dulles em Berna durante a Segunda Guerra Mundial é marcada por vários casos de lavagem de dinheiro. Depois que os nazistas avisaram Dulles que os códigos suíços haviam sido quebrados, Dulles mudou sua operação para Bancos da Bélgica, Luxemburgo e Liechtenstein, usando uma rota indireta pelo Japão auxiliado pelos correios do Vaticano. Depois do fim da guerra todos os bancos nestes países se recusaram a permitir que investigadores aliados olhassem os livros deles. Um dos truques mais sujos de Dulles pode ter sido um esforço para ganhar mais tempo para mover o ouro nazista pela Suíça. Um ex oficial de inteligência do Bloco Oriental tem confirmado que Dulles avisou os nazistas que o código japonês havia sido quebrado em um tempo crucial. Logo depois do aviso aos nazistas, as SS subitamente disseram ao Alto Comando para usar um código de segurança mais apertado e parar de usar o rádio. Eles subitamente pararam de usar o  Ultra e mudaram para os correios. Por uma vez, os Aliados não tinham informação do plano alemão de batalha. Isto mais provavelmente explica como os alemães foram capazes de lançar a Batalha do Bulge como uma completa surpresa.

Dulles e seus camaradas certamente exerciam uma grande quantidade de influência para assegurar que investimentos americanos na Alemanha nazista não fossem tomados pelas repartições. Na Suíça, as SS tinham comprado uma grande quantidade de ações em corporações americanas e lavado o dinheiro delas pelos bancos Chase e Corn Exchange. Até mesmo mais abrasado foi o caso dos clippers da Pan Am contratados pela W.R. Grace Corporation para transportar pedras preciosas nazistas, moeda, ações e garantias para a América do Sul. As operações eram produtos da lavagem de dinheiro de Dulles. Vários oficiais americanos prontamente admitem que grande parte do ouro nazista nunca foi entregue a eles. Um oficial admite ter estado em uma enorme caverna cheia de ouro, pedras preciosas e moeda que nunca apareceram nos arquivos americanos.

Dulles tinha sido um apoiador da Alemanha por um longo tempo e ele via a Alemanha como uma antepara contra os Soviéticos. O jovem Ten. William Casey foi um outro agente do OSS que partilhava da opinião de Dulles de uma antepara alemã. Casey serviu na divisão SI na França e Países Baixos depois que eles foram recapturados. Em um relatório de Paris, Casey escreveu que Safehaven era um campo valioso de disciplina, especialmente por causa da potencial alavancagem com os círculos financeiros alemães etc, no futuro. Depois da guerra, Casey entrou em uma carreira em Wall Street antes de se tornar diretor da CIA sob Reagan.

Em 1946, os homens de Dulles simplesmente trocaram seus uniformes do OSS e se tornaram a Unidade de Serviços Estratégicos do Departamento de Guerra dos EUA. Algumas vezes eles eram o Destacamento do Departamento da Guerra e outras a Unidade de Disposição de Documentos. De fato, havia duas facções deixadas pelo OSS. Uma, a facção liberal recebia ordens do Presidente e a outra estava sob o controle de Dulles. Esta última facção estava esperando uma vitória conservadora por Dewey para que eles pudessem desencadear seu exército emigrado contra os soviéticos. Dulles tinham um aliado secreto na IV Região ao redor de Munique, onde o Corpo de Contra-Inteligência (CIC) estava ajudando a recrutar ex nazistas.

Dado a estreita associação de Dulles com os industrialistas alemães, ele não estava disposto a dar atenção a Safehaven como Washington esperava. Em novembro de 1944, com os Aliados agora no controle da França, uma rota por terra para a Suiça tinha sido restabelecida, o que tornou possível enviar um agente X2 para ajudar a dirigir o programa Safehaven lá. Por abril de 1945, X2 em Berna tinha desenterrado uma grande quantidade de informação sobre os negócios nazistas. Incluídos nestes negócios:

Ouro e garantias saqueados da Europa e recebidos por certos bancos suíços.

Fundos adicionais do Deutsche Verkehrs-Kreditbank de Karlsruhe para Basel.

Ações e garantias mantidas em Zurique por firmas particulares pelo partido nazista.

Tesouros de francos suíços creditados a contas particulares em vários bancos suíços.

Dinheiro e propriedade mantida em Liechtenstein.

Mais de dois milhões de francos mantidos pelo Reichsbank na Suíça.

45 milhões de Reichsmarks mantidos em contas encobertas em banco suíço.

Uma tal informação reunida em menos de quatro meses pelo agente do X2 somente confirma a informação que ter submergido sobre os anos que Dulles estava trabalhando bastante para os nazistas esconderem seu saque, especialmente considerando que Dulles era amigo do Diretor Americano do Banco para Assentamentos Internacionacionais e principais oficiais de bancos nazistas.

Depois da investigação sobre sua lavagem de dinheiro, Dulles pediu demissão do OSS e voltou a New York. Ele então procurou Thomas McKittrick, o ex chefe do Banco Internacional de Assentamentos. Os nazistas tinham movido uma grande quantidade de seus bens da Suíça para a Argentina. Dulles logo foi trabalhar para um surpreendente número de clientes argentinos. Dulles e Donovan concordaram que cada esforço deveria ser feito para sabotar Truman e os liberais. Para este fim, Dulles enganou Donovan para servir na diretoria da Corporação de Comércio Mundial da qual Dulles era o advogado. O dinheiro nazista fluiu em um círculo da Alemanha para o Vaticano e então para a Argentina e de volta para a Alemanha. A economia da Argentina floresceu pelo influxo do dinheiro nazista. O chamado milagre econômico da década de 1950 veio do mesmo dinheiro que os nazistas saquearam da Europa na década de 1940.

Desde o início, Safehaven era um projeto ambicioso com várias metas além de seu objetivo imediato de forçar os países neutros a pararem de comerciar com os nazistas. As metas secundárias de Safehaven estão listadas abaixo: .

Restrigir a penetração econômica alemã fora das fronteiras do Reich.

Evitar que a Alemanha sequestrasse bens em países neutros.

Assegurar que os bens alemães estariam disponíveis para reparações pós-guerra e para reconstruir a Europa.

Evitar a escapada daqueles membros da elite regente nazista que já tinha sido marcada para os julgamentos dos crimes de guerra.

Embora Safehaven fosse um programa grande e ambicioso, ele foi terrivelmente falto de pessoal. Até a rendição dos nazistas em maio de 1944, os agentes do SI designados para Safehaven tinham que se concentrar em informação estratégica antes de devotarem qualquer tempo a Safehaven. Agentes bem treinados adicionais simplesmente não estavam disponíveis. Secundariamente, Safehaven foi pragueada desde o início com a longa rivalidade entre os Departamentos do Tesouro e do Estado e em menor extensão pela hesitação britânica em empregar medidas rígidas. Finalmente, o sucesso da Operação Safehaven foi proporcional à voluntariedade dos países neutros em cumprirem as demandas dos aliados de pararem de comerciar com os nazistas. Finalmente,as operações de Safehaven foram frequentemente [durante a guerra e especialmente pelo fim do guerra] deixadas nas mãos do CIC, o Corpo de Contra-Inteligência, ou do CID, a Divisão de Investigação Criminal dos militares. Quando as tropas de Patton se levantaram em Dachua, não havia oficiais disponíveis para prenderem os remanescentes guardas SS e eles simplesmente foram embora sem serem molestados.

Parte 3: A Ação TERRA DO FOGO [Aktion Feuerland] de Bormann

O Ministério de Guerra Econômica (MEW) britânico estimou que o tesouro de Merkers era apenas 20% de todo o ouro mantido pela Alemanha. Em agosto de 1945, o Banco da Inglaterra estimou que lá haveria somente o suficiente em ouro disponível para 50% das queixas de restituição. Isto somente concluiu as queixas dos bancos centrais e não as queixas particulares. Para onde foi o resto de ouro? Até este dia, a CIA nega que os nazistas tivessem um plano de retorno a despeito dos capturados documentos nazistas mostrarem o contrário. Até mesmo membros do Congresso e em particular membros do Comitê Kilgore  estavam cientes dos planos nazistas para uma volta. Eles vieram de documentos capturados perto do fim da guerra. Para entender para onde foi o ouro desaparecido, precisamos olhar os planos de retorno dos nazistas.

Definitivamente os nazistas tinham planos organizados para um retorno. No centro do plano estava Martin Bormann, o Reichsleiter. Bormann tinha subido nos escalões para Secretário do Partido, o  posto número dois na hierarquia nazista. Hitler tinha confiado a Bormann assegurar que o Reich seria capaz de programar um retorno, uma vez as hostilidades cessassem. O encontro na Casa Vermelha foi o início do esforço de Bormann de expandir seu plano para incluir industriais e oficiais de alto escalão. O encontro tinha sido resultado de uma ordem de Bormann. Contudo, Bormann não compareceu ao encontro. O Departamento do Tesuro tinha uma transcrição do encontro de um documento capturado. O agente SS que conduziu o encontro disse ao grupo que todo material industrial era para ser imediatamente evacuado para Alemanha imediatamente; admitindo que a batalha pela França estava perdida. Ele também assegurou que a ‘Lei da Traição Contra a Nação’ sobre troca estrangeira foi repelida. Em uma conferência menor naquele anoitecer, o Dr. Bosse do Ministerio Alemão de Armamentos indicou que o governo nazista tornaria enormes somas disponíveis para os industriais para ajudar a assegurar bases em países estrangeiros. O Dr. Bosse aconselhou os industriais que dois bancos principais podia ser usados para a exportação do capital: Schweizerische Kreditanstalt de Zurique e o Basler Handelsbank. Ele também aconselhou os industriais de ocultações suíças que comprariam propriedade suíça por uma comissão de 5%. Um mês mais tarde, Bormann supendeu a politica da terra queimada de Hitler para preservar a base industrial da Alemanha.

Bormann sabia que os nazistas haviam perdido a guerra desde que os Aliados desembarcaram na Normandia no Dia D. Ele se concedeu nove meses para colocar em operação seu programa de fuga de capitais e encontrar um paraíso seguro para os bens líquidos dos nazistas. Essencialmente, a área da Alsácia e Lorena serviria como um microcosmos para seus planos. Os alemães possuiam o interesse controlador em muitos bancos franceses na área. Uma propriedde majoritária alemã também controlava muitas das fábricas. Em essência, Bormann confiaria na camuflagem para ocultar as corporações alemãs. Bormann era amigo íntimo de Schmitz, um diretor da I.G Farben e estudou o método da I.G.de camuflagem extensamente. Bormann classificou seus registros e então os embarcou para a Argentina via Espanha. Bormann começou sua fuga de capital, já tendo controle da Auslands-Organisation e da I.G. Verbindungsmanner. Ambas as organizações colocaram espiões em países estrangeiros disfarçados como técnicos e diretores de corporações alemãs.

Por este tempo, estava acontecendo a Batalha do Bulge; Bormann já tinha sido muito bem sucedido em mover bens para fora da Alemanha. Em 1938, o número de registro de patentes para companhias alemãs era 1.618, mas depois do encontro da Casa Vermelha ele subiu para 3.377. Bormann tinha também criado um sistema de dois preços com os parceiros de comércio da Alemanha. Nele, o preço era clareado ou estabelecido no fim do dia bancário, o preço superior era retido nos livros do importador neutro. A diferença era acumulada em uma conta alemã, e se tornava a fuga do capital no depósito. Sob este sistema, Bomann reuniu por volta de 18 milhões de coroas e 12 milhões de liras turcas. As folhas de balanço na Suécia mostravam que Bormann adquiriu sete minas na Suécia central. Bormann criou 750 novas corporações. As corporações eram espalhadas através do globo e representavam uma ampla distribuição de atividade econômica de companhias de aço, químicos e elétricas. As firmas foram localizadas como se segue: 58 em Portugal, 112 na Espanha, 233 na Suécia, 234 na Suiça, 35 na Turquia e 98 na Argentina. Todas as companhias criadas por Bormann publicaram garantias ao portador, assim a propriedade real era impossível de ser estabelecida.

Bormann tinha vários meios de dispersar os bens nazistas. Ele usou as malas diplomáticas do ministro do exterior alemão, von Ribbentrop, para enviar ouro, diamantes, ações e garantias para a Suécia duas vezes por mês. Um padrão similar foi utilizado para embarcar mais valores para a América do Sul. Além do projeto “Aktion Feuerland” de Bormann, Bormann permitiu que outros nazistas transferissem seus próprios valores pelos mesmos canais.

Na Turquia, os bancos Deutsche Istanbul e Deusche Orient tiveram permissão para reterem todos os seus ganhos ao invés de envia-los de volta para Berlim. Os ganhos eram meros itens de escrita que estavam prontos para serem transferidos para qualquer lugar no mundo.

Em 1941, os investimentos alemães nas corporações dos EUA mantinham uma maioria de votos em 170 corporações e uma propriedade minoritária em outras 108 corporações americanas. Muitas destas corporações eram parte do cartel da I.G. Farben. Adicionalmente, as corporações americanas tinham investimentos na Alemanha totalizando 420 milhões de dólares. Com seu programa para a fuga de capital bem em seu caminho, Bormann deu permissão aos nazistas para mais uma vez comprarem ações americanas.

A compra das ações americanas era geralmente feita por meio de um país neutro, tipicamente a Suíça ou a Argentina. Dos fundos de troca estrangeira dos depósitos na Suíça e na Argentina, grandes depósitos de demanda foram colocados em bancos tais de New York National City, Chase, Manufacturers Hanover, Morgan Guaranty e Irving Trust. Os relatórios de Manning dizem que mais de 5 bilhões de dólares de ações americanas foram compradas de tal maneira. Estes mesmos bancos eram ativos em apoiar a Alemanha. Além disso, cada maior corporação nazista transferiu bens e pessoal para as subsidiárias estrangeiras.

Os EUA e a Bretanha nunca puderam completamente captar a extensão da fuga de capital nazista. John Pehle fornece um interessante insight do porque os EUA foram incapazes de parar Bormann e seu movimento dos bens nazistas para os países neutros. Pehle foi o diretor original do Controle de Fundos Estrangeiros. O raciocínio de Pehle é dado abaixo:

“Em 1944, a ênfase em Washington mudou dos controles fiscais no exterior para a assistência aos judeus refugiados de guerra. Sob ordem presidencial, tornei-me o diretor executivo da Diretoria de Refugiados de Guerra em janeiro de 1944. Orvis Schmidt tornou-se o diretor do Controle de Fundos Estrangeiros. Algum poder pessoal que ele tinha foi transferido, e enquanto os alemães evidentemente estavam fazendo o melhor possível para evitar a tomada Aliada dos bens, nós estávamos fazendo o melhor possível para retirar o máximo de judeus da Europa”.

A explicação de Pehle parece abertamente simples. Pessoal adicional teria sido útil e mais poderia ter sido realizado. Contudo, o problema real era o apodrecimento e a corrupção dentro dos EUA. Os líderes das maiores corporações da América eram todos simpáticos aos nazistas e quase todos eles tinham investido pesadamente na Alemanha nazista. Além disso, havia muitos no Congresso que simpatizavam com a causa nazista. O humor no Congresso era um de ‘traga os garotos para casa e vamos aos negócios”. Quando Orvis Schmidt testemunhou diante do congresso a extensão da infiltração nazista nos países neutros antes do fim do guerra, isto caiu em ouvidos surdos. Um trecho de seu testemunho é dado abaixo:

“O perigo não reside tanto no fato de que os gigantes industriais alemães tenham perfurado como uma colméia os neutros, Turquia e Argentina, com ramos e afiliados que sabem como subverter seu interesse comercial em espionagem e demandas de sabotagem do governo deles. Contudo é importante e perigoso que muitos destes ramos, subsidiárias e afiliados nos neutros e grande parte do dinheiro, seguridades, patentes, contratos, trusts, empréstimos, companhias holding, ações ao portador e similares por pessoas  e companhias de fachada declarando nacionalidade neutra e toda a alegada proteção e privilégios que se elevam de tais identidades. O problema real é quebrar o véu de segredo e alcançar e eliminar a habilidade alemã de financiar uma outra guerra mundial. Devemos tornar inútil os aparelhos e ocultações que tem sido empregados para ocultar os bens alemães.”

Temos descoberto uma lista da I.G. Farben de suas próprias companhias domésticas e no exterior – uma lista secreta e de fato desconhecida – que nomeia mais de 700 companhias nas quais a I.G. Farben tem um interesse.”

A lista referida na citação não inclui as 750 companhias que Bormann criou. Depois da guerra Schmidt testemunhou novamente para o congresso:

“Eles estavam inclinados a estarem muito indignados. Sua atitude geral e expectativas eram a de que a guerra havia acabado e nós novamente deviamos auxilia-los para recuperar a I.G. Farben e a indústria alemã. Alguns deles tem abertamente dito que este questionamento e investigação era, na avaliação deles, um fenômeno de curta duração, porque tão logo as coisas ficassem um pouco assentadas, eles esperavam que os amigos deles nos EUA e na Inglaterra viessem. Os amigos deles, assim eles disseram, poriam uma parada em atividades tais como estas investigações e providenciariam que eles recebessem o tratamento que eles viam como apropriado e a ajuda seria dada a eles para ajudar a restabelecer a indústria deles.”

Aqui novamente vemos como o programa 4D foi sabotado. De fato, em cada país liberado houve uma grande relutância em perturbar a máquina do dinheiro e a indústria ligada a Alemanha por acordos de cartel. A presença alemã foi reduzida mas não eliminada. A propriedade oculta assegurou a continuidade para os nazistas. Até mesmo a Grande Duquesa, Charlotte de Luxemburgo, tinha suas próprias idéias. Ao voltar para casa do exílio, a Duquesa dispensou a equipe investigativa americana e ordenou que eles saissem do país. Em 26 de julho de 1945, o presidente do sub-comitê para assuntos militares do Senado dos EUA, Elbert D. Thomas, comentou sobre Luxemburgo. Um trecho dos comentários dele:

” Tínhamos uma missão em Luxemburgo que estava obtendo um pouco de informação sobre o cartel do aço até que a Grande Duquesa voltou. A informação foi então bloqueada de nós e a missão teve que se retirar com a informação que já tinha coletada. Havia muito que aprender sobre o modo pelo qual os pequenos Estados como Luxemburgo tinham sido usados pelos cartéis. O episódio sugere que alguns governantes, de quem temos sido amigos, podem ser esperados auxiliarem os cartelistas em seus esforços pós-guerra para recuperar a dominância.”

O que a Grande Duquesa tinha aprendido de seu ministro das finanças era simples. Não mexa com o cartel. Luxemburgo havia feito uma vasta soma de dinheiro e havia cada indicação que eles podiam fazer muito mais. Tudo que Luxemburgo precisava fazer era reajustar a propriedade das ações para agradar os Aliados. Amigos poderosos da organização Bormann tinham entendido o que estava em jogo e planejaram de acordo. Espalhado pelo globo em vários pontos de controle tais como Wall Street, Washington, Londres e Paris estava um grupo de banqueiros que estava bem ciente dos benefícios financeiros de cooperarem com o subterrâneo nazista.

Os planos nazistas repousavam no medo americano do comunismo. O livre empreendimento e os direitos de propriedade estavam para tomar o centro enquanto que a moralidade era convenientemente descartada como supérflua. Tal foi o caso nos votos de quatro para um da mesa de apelos para libertar Richard Freudenberg, o maior fabricante de sapatos da Alemanha. Freudenberg era um conselheiro econômico regional de Bormann e um fervoroso nazista. Ele estava na categoria de prisão automática. O embaixador Murphy expressou o argumento do livre empreendimento em seus comentários da defesa de Freudenberg. Este é o mesmo Murphy que fez parte do conselho de controle. Seus comentários:

“O que estamos fazendo aqui pela desnazificação não é uma simples revolução social. Se os russos querem bolchevizar seu lado do Elba, este é o negócio deles, mas não está em conformidade com os padrões americanos estar contra as bases da propriedade privada. Este homem é um industrial extremamente capaz, um tipo de Henry Ford.”

Em testemunho dado em Nuremberg, Herman Schmitz elogiou Bormann pela maneira pela qual ele espalhou os bens alemães ao redor do globo. De particular interese foi a opinião de Schmitz de que estava no estoque para os diretores da I.G Farben já que a guerra tinha acabado. A passagem segue abaixo.

“Podemos continuar. Temos um plano operacional. Contudo, não acredito que nossos membros na mesa serão detidos por muito tempo. Nem eu. Mas devemos ir por um procedimento de investigação antes de libertar e assim tenho sido dito por nosso pessoal N.W. que tem excelentes contactos em Washington.”

Esta última frase na citação acima, “que tem excelentes contactos em Washington,” deve ter estabelecido os sinos de alarme da equipe de acusação em Nuremberg. Aqui está a prova direta das pessoas no poder em Washington colaborando com uma parte integral da máquina de guerra nazista. Onde houve uma investigação de acompanhamento determinando quem eram estes contactos? Há razões pelas quais muitos arquivos da Segunda Guerra Mundial não tenham sido liberados. Além de revelar que os industriais e membros do Congresso mencionados nos artigos anteriores como traidores, tais arquivos revelariam muitos empregados de carreira do Departamento de Estado e da comunidade militar-inteligência como traidores.

Ao invés de ser investigado, como tanto outros líderes produtivos, isto foi derrubado. Esta atitude dos principais diretores da I.G. Farben foi típica. Eles sabiam antecipadamente que eles sofreriam apenas menores penalidades. Como nos lembrou George Seldes, há pessoas poderosas demais ou ricas demais para serem submetidas as nossas leis, até mesmo quando isto envolve traição. A informação de Schmitz estava ligeiramente errada no que 12 executivos da I.G. Farben foram julgados em Nuremberg. Schmitz recebeu uma sentença de quatro anos. Contudo, todas as sentenças foram mais tarde reduzidas para o tempo já cumprido e todos retornaram as suas posições anteriores.

A este ponto, precisamos voltar ao tesouro de  Merkers. Relatórios da inteligência desde 1940 indicam que os nazistas estavam acumulando uma fortuna de aproximadamente um bilhão de dólares em 1940 ou 10 bilhões de dólares nos dias de hoje. A descoberta do tesouro de Merkers criou um conjunto complexo de problemas. Primeiro, o achado era somente a metade do estimado tesouro nazista. Conquanto o tesouro de Merker fose o monte das propriedades do Reichsbank, havia adicional ouro e moeda deixada em Berlim. Segundo, dividir o tesouro apresentava uma miríade de problemas, que ainda permanece uma controvérsia  hoje.

Toda a problemática estava nas contas de Melmer e Max Heiliger. O interrogatório dos oficiais nazistas de banco logo revelou a natureza destas contas. Albert Thoms explicou que o botim tomado pela Wehrmacht foi diretamente para o Reichshauptkasse, ou Tesouro. Contudo, o Reichsbank manuseava exclusivamente o saque tomado pela Schutzstaffeln (SS). O banco primeiro creditava o saque a conta de Melmer. Depois que o banco tinha avaliado o valor, o Reichsbank creditava a quantia a conta de Heiliger. Somente cinco pessoas tinham acesso a conta de Heiliger: o presidente do Reichsbank Walter Funk, o vice-presidente do Reichsbank Emil Puhl, o tesoureiro chefe Kropf, o diretor Fronknecht, e Albert Thoms, Chefe do Departamento de Metais Preciosos. A conta das SS mantinha os ganhos advindos da operação Action Reinhardt que começou em 1943 para despir os prisioneiros dos campos de concentração sistematicamente de todas as moedas de ouro, jóias e roupas. Puhl ajudava nesta operação porque além de sua posição no Reichsbank ele também era o diretor do Banco Internacional de Assentamentos. Então ele estava em perfeita posição de agir como uma proteção internacional depois que a concentração do ouro era derretida em barras de ouro.

A conta de Melmer era indicativa que outras contas particulares podem existir. De fato muitos nazistas de alto escalão, de coronel para cima, tinham reunido seus próprios tesouros. Alguns destes tesouros particulares tais como aquele de Goering, eram tesouros substanciais por seu próprio direito, enquanto outros eram modestos. O valor total destes tesouros particulares é desconhecido, como o destino de muitos deles.

Houve achados adicionais na área de Merkers. Em uma outra mina, os aliados encontraram 400 toneladas de registros do Escritório Alemão de Patentes, registros suficientes para encherem 30 vagões ferroviários. Outros achados incluiram mais de dois milhões de livros, os registros do Alto Comando Alemão, e muito mais material.

Parta 4: A Corrupção se Apodera de Safehaven

Com a captura de Merkers, os Aliados estavam se aproximando rapidamente de Berlim. Na medida em que os aliados continuavam a avançar, os nazistas fizeram uma tentativa desesperada para salvar os remanecentes bens do Reichsbank ao move-los para o sul da Alemanha na área alpina. Muitos principais oficiais nazistas que estavam desesperados para se salvarem e também fugiram para esta região com suas próprias fortunas saqueadas.

Ernst Kaltenbrunner, Chefe do Escritorio Principal de Segurança do Reich, reuniu uma tal fortuna particular e a transportou para os Alpes Bavaros para se salvar e a sua fatídica fortuna. Somente um documento sobrevive sobre o conteúdo dos bens que Kaltenbrunner moveu para o sul. O conteúdo deste pequeno tesouro é listado abaixo:

50 caixotes de moedas de ouro e artigos de ouro [cada um pesando 100 libras]
2 milhões de dólares americanos
2 milhões de francos suiços
5 caixotes de diamantes e pedras preciosas
uma coleção de selos cujo valor era de 5 milhões de marcos de ouro
110 libras de barras de ouro

Goering também transportou seu tesouro particular para a região, incluindo uma grande coleção de vinhos vintage.

Os nazistas não embarcaram todo ouro e moeda de Berlim para Merkers; eles retiveram alguns fundos em Berlim para pagar as tropas e outras despesas. O embarque dos bens remanecentes do Reichsbank incluiu 730 barras de ouro e milhões em moedas de ouro. O valor do ouro era aproximadamente de 10 milhões. Adicionalmente, o embarque incluiu uma prodigiosa quantidade de papel moeda. Isto deixou remanenescentes 3.434.625 dólares em ouro em Berlim.

O tesouro era para ser embarcado para o sul em dois trens especiais, apelido Adler (que significa Águia) e Dohle (que significa Gralha). Devido ao rápido avanço aliado e cobertura aérea, os dois trens foram incapazes de irem diretamente para Munique. Em 16 de abril, depois de três dias, os trens estavam encalhados a aproximadamente dez milhas de  Pilsen, Checoslováquia. Lá, alguns tesouros foram carregados em caminhões para a jornada restante a Munique. Em 19 de abril, os trens estavam exatamente dentro da fronteira bavara e uma outra porção do tesouro foi novamente carregada em caminhões.

Em 19 de abril, o trem alcançou Peissenberg, aproximadamente a 50 milhas ao sul de Munique. Os planos eram esconder o ouro em uma mina de chumbo. Contudo a energia elétrica faltou e a mina estava se enchendo de água. A este ponto, é acreditado que a fortuna consistia no seguinte:

365 sacos contendo duas barras de ouro cada um
9 envelopes de registros
4 caixas de barras de ouro
2 sacos de moedas de ouro
6 caixotes de moedas dinamarquesas
94 sacos de dinheiro estrangeiro
34 placas de impressão e u suprimento de papel moeda

Funk foi chamado e ele decidiu que o tesouro deia se mover por caminhão para uma pequena cidade chamada Mittenwald.

Até mesmo depois que o embarque deixou Berlim, uma pequena quantidade do tesouro permaneceu no banco de Berlim. Ernst Kaltenbrunner tomou pela força das armas os bens renacescentes do  Reichsbank em Berlim e transportou para o sul. O SS General Josef Spacil, chefe do Office II realizou o roubo. As melhores estimativas de ouro e pedras preciosas são de um pouco mais de 9 milhões. Mais uma vez, o saque foi levado para o sul na mesma região geral do embarque prévio.

Spacil tinha reunido um enorme tesouro particular para ele mesmo. Nos dias finais, Spacil parcialmente o dividiu entre oficiais da Gestapo. Spacil deu a Otto Skorzeny: 50.000 francos de ouro, 10.000 coroas espanholas, 5.000 dólares, 5.000 francos suiços e 5 milhões de marcos do Reich. Skorzeny estava se escondendo no Tirol austríaco. Vale a pena dizer que o dinheiro dado a Skorzeny nunca foi recuperado. Depois que Skorzeny apareceu na Espanha, ele viveu magnificentemente e correu parte de sua rota de fuga de lá. Adicionalmente, ele se tornou um comerciante de armas. Durante a década de 1950, estava claro para a inteligência americana que Skorzeny tinha amplos fundos a sua disposição.

As autoridades americanas mais tarde fraudaram Spacil a entregar a elas um pequeno conteúdo de 19 sacos de moedas de ouro e barras de ouro de valor de 11.722 dolares e dinheiro moeda no valor de 160.179 dólares e 96.614 libras inglesas. Houve muitos outros tesouros particulares que terminaram na mesma área geral do sul da Alemanha.

Começando em 19 de abril de 1945, as equipes de Gold Rush estavam em plena operação. Coronel Berstein, Comandante Joel Fisher e o Ten. Herbert DuBois chefiavam as equipes. Albert Thoms, o chefe do Departamento de Metais Preciosos do Reichsbank e Emil Puhl, o vice presidente do Reichsbank, os auxiliaram. As equipes do Gold Rush encontraram vários tesouros. Em 26 de abril, o ramo do Reichsbank em Halle, eles encontraram 65 sacos de dinheiro estrangeiro, que incluia um milhão de dólares. Em Plauen eles encontraram 35 sacos de moedas de ouro, incluindo um milhão de francos suíços e um quarto de milhão de dólares de ouro. Em 27 de abril, eles descobriram a localização de 82 barras de ouro em Aue, que ainda estava pesadamente defendida. Em 28 de abril, eles localizaram mais 600 barras de prata e 500 caixotes de barras de prata. Esta prata era a inteira reserva de prata da Hungria. Em 29 de abril eles encontraram 82 barras de ouro em Eschwege. No dia seguinte eles encontraram 82 barras de ouro escondidas sob uma pilha de estrume em Coburg. Em 1o. de maio, eles encontraram 34 caixotes e dois sacos de ouro que não era do Reich em Nuremberg. Todos estes tesouros foram embarcados de volta para Frankfurt.

As tropas de combate e as equipes de ouro encontram esconderijos do tesouro saqueado, incluindo o famoso trem de ouro contendo os tesouros saqueados da Hungria. O valor total de todos os tesouros recuperados foi estimado em 500 milhões e incluia 350 milhões em ouro.

O ouro recuperado dos vários ramos do Reichsbank totalizou três milhões. Contudo, de interrogatórios e documentos capturados, as equipes do Gold Rush sabiam que os ramos do Reichsbank tinham contido mais de 17 milhões de dólares de ouro. Aproximadamente três milhões tinham sido capturados pelos russos em Berlim. O remanescente tinha sido embarcado para o sul da Alemanha. No início de maio, Bernstein tinha que voltar para Washington para discussões com o Presidente Truman sobre o programa de descartelização, pelo qual ele também era responsável. O Ten. DuBois então ficou a cargo dos esforços de recuperação no sul da Alemanha.

Os Aliados não recuperariam qualquer ouro no sul da Alemanha até 7 de junho. Um destacamento chefiado pelo Major William Geiler (mais tarde na justica da Suprema Corte de New York) recuperou 728 barras de ouro. Diferente do mito que rodeia esta descoberta, estas barras foram embarcadas para Frankfurt e apropriadamente inventariadas. É geralmente confundido com a recuperação do ouro pelo Sargento Singleton. Singleton tinha recuperado um acúmulo de ouro descrito como sendo de três pés de altura e aproximadamente três pés de largura. Este ouro foi apropriadamente enviado para Munique mas nunca alcançou Frankfurt.

Robert Kempner, o promotor chefe para o julgamento dos diplomatas nazistas expressou em uma carta a Perry Lankhuff da divisão política do governo militar muitos dos problemas que praguearam a completa recuperação do ouro nazista. A carta aparece abaixo:

“No curso de nosso julgamento contra os diplomatas nazistas que apenas tinha acabado de ser concluido, foi trazido a luz que o Escritório do Exterior Alemão tinha – além de outros fundos em ouro – um especial fundo de ouro Ribbentrop, em barras de ouro, pesando aproximadamente 15 toneladas. Narrativas de líderes e de jornais de vários países no Hemisfério Ocidental indicam que o ouro não recuperado do Escritório do Exterior, ainda está a trabalho para propósitos anti-americanos. Grandes números de antigos diplomatas alemães que estavam relacionados ao Escritório do Exterior ainda estão em países esrtangeiros, isto é, Espanha, Itália, Irlanda, Argentina, Suécia e Suíça, vivendo de recursos desconhecidos.

Deve ser notado que além de outros antigos diplomatas alemães, um cunhado de Ribbentrop está vivendo na Suíça e ao menos outros dois funcionários de Escritório do Exterior Alemão que lidavam com os assuntos do ouro alemão.

Além das 15 toneladas, aproximadamente 11 toneladas do ouro do Escritório do Exterior de   Ribbentrop foi apressadamente removido de Berlim em 1945:

1. 6.5 toneladas do Casde Fuschl de Ribbentrop na Áustria (agora zona americana da Áustria). A maior parte desta consignação alegadamente foi entregue a tropas americanas nas vizinhanças de  Fuschl. Contudo funcionários do Escritório do Exterior Alemão afirmaram aqui em Nurenberg que a quantidade alegadamente devolvida era menor que a quantidade que foi embarcada para Fuschl.

2. 2 toneladas para Schleswig-Holstein na zona britânica alegadamente foram entregues aos britânicos.

3. 3 toneladas para o sul da Alemanha nas costas do Lago Konstanze, uma área que naquele tempo estava em mãos americanas. Fora da última quantidade, 2/3 de uma tonelada foram trazidos para Berna, Suíça, nos dias finais da guerra. Isto foi feito na presença do filho do antigo Ministro de Assuntos Exteriores da Alemanha, von Neurath, que segundo notícias de jornais, chegou um pouco tempo depois na Argentina.

Aproximadamente quatro toneladas foram enviadas entre 1943 e 1945 para embaixadas alemãs, notavelmente para Madri, Espanha (uma tonelada), para Estocolmo, Suécia (meia tonelada), para Berna, Suíça (3/4 de tonelada), para Ancara, Turquia (aproximadamente uma tonelada), para Lisboa, Portugal (uma quantidade desconhecida).

Já que entrevistei várias centenas de diplomatas alemães, incluindo embaixadores, ministros, e pessoal fiscal e administrador, sei que a soma que fiz acima é altamente confiável.

Mas até onde sei, nunca qualquer exame foi feito se o ouro desta quantidade foi recuperado ou se a quantidade de ouro do Escritório do Exterior foi devolvida pelo pessoal alemão do serviço no exterior para as autoridades Aliadas no fim da guerra, com as somas indicadas pela minha investigação.

Durante o julgamento, tenho de tempos em tempos ressaltado o perigo e o problema deste ouro desaparecido, mas ninguém ainda abordou o problema, e com minha pesada carga de trabalho nos julgamentos em Nuremberg, não pude devotar muito tempo a isto, já que não há crime de guerra envolvido. Sinto muito fortemente que este projeto do ouro não deve ser negligenciado para depois nestes tempos críticos, no qual uma grande quantidade de ouro não controlado constitui uma força para o mal e má conduta nas mãos de oportunistas inescrupulosos trabalhando estreitamente juntos e localizados em muitos países pelo mundo. ”

A única certeza sobre o ouro de Ribbentrop é que um pouco mais de quatro toneladas foram recuperados. As 6.5 tonelaadas alegadamente recuperadas do castelo de Ribbentrop parecem ter desaparecido, já que não há registros no Depositório das Trocas Federais. Segundo os registros de julgamento de Wilhelmstrasse, uma grande parte deste ouro foi entregue ao Terceiro ou Sétimo Exército em 15 de junho de 1945. Contudo, os livros da ocupação aliada não mostram traços deste ouro, que valeria 108 milhões hoje. Kempner continuou a procurar o ouro desaparecido. Em 1950 ele fez lobby no Congresso para olhar a matéria. O Congresso foi incapaz de encontrar nova informação.

O desaparecimento de vários tesouros recuperados no Sul da Alemanha foram todos consequências comuns demais. Uma pilha de papel moeda foi recupreada dos jardins de von Bluechers. O único documento desta recuperação é um recibo mau datilografado que Luder e Hubert von Bluecher exigiram antes de entregar o dinheiro ao Capitão Fred Neumann. O recibo reconhece que os von Bluechers entregaram ao exército americano $404.840 dólares e 405 libras inglesas. O Capitão Neumann e os von Bluechers foram suspeitos de envolvimento no dinheiro desaparecido. Contudo, com documentos recentemente liberados dos arquivos do governo, agora é óbvio que este desaparecimento do dinheiro recuperado foi parte de um problema muito maior e limpou Neumann e os von Bluechers.

Parte do problema residiu na rivalidade entre o Exército e as agência militares do governo e a falta de coordenação entre elas. A CID [Divisão de Investigação Criminal] era principalmente responsável pelo Exército. Contudo, o  CIC (Corpo de Contra Inteligência) era principalmente responsável pelo governo militar. A recuperação do ouro nazista envolveu ambos os grupos. Sobretudo, a estrututura de ambos, do governo militar e do Exército, era vertical e a comunicação do alto para os níveis inferiores era na melhor das hipóteses vacilante. Muitos comandantes do governo militar se consideravam  serem agentes livres e ignoravam as diretivas de cima. Complicando o problema estava a alta rotação do pessoal e os contratos limitados que o governo militar podia oferecer. O governo militar estava limitado a publicar contratos somente por um ano e restrito ao pagamento máximo de 10 mil dólares por ano.

Inicialmente, o CID teve a responsabilidade de investigar o tesouro do Reichsbank. No fim da guerra o CID estava cheio de homens contando os dias antes de voltarem para casa. A maioria tinha sido recrutado de unidades policiais militares. Os exames do background dos novos recrutas frequentemente faltavam. Vários foram encontrados terem registros criminais enquanto outros foram descobertos serem desacreditados oficiais de polícia. O CID dispensava estes recrutas logo que eles eram descobertos.

Ultimamente, todas as unidades do CID estiveram sob o Command Provost Marshal, Brigadeiro General George H. (pappy) Weems. Weems era um oficial de West Point e seu ramo básico de serviço era a cavalaria. Aparentemente, Weems não era capaz de manter e fazer uma mudança da cavalaria para as divisões blindadas. Antes de sua transferência para a Alemanha, Weems tinha sido o chefe da missão militar na Hungria. Completamente ausente em seu background estava qualquer passado em trabalho policial ou investigativo. Também aparente foi que Weems parecia ter sofrido de algum derrame médio. Ele andava com uma bengala e tinha falhas de memória, perdia a capacidade de entender qualquer coisa de natureza complexa. O general também sofria de um déficit na audição e era conhecido por publicar ordens ultrajantes e ter ataques de choro. Weems tinha uma estranha obsessão por máquinas de escrever. Qualquer caso envolvendo uma máquina de escrever relatada roubada ou perdida tinha que ser levado a sua atenção pessoal. Em resumo, Weems estava senil, mais provavelmente como resultado de um derrame médio.

Não foi senão em setembro de 1947 que o Tenente Coronel William Karp substituiu Weems. Obviamente a CID estava deficiente do topo para baixo devido a designação inapropriada de Weems. Exatamente como no programa 4Ds estava tamponado por uma falta de poder humano e treinamento, o CID estava tamponado com os mesmos problemas. Isto não se aplica as equipes iniciais de busca do ouro de Bernstein que fizeram um trabalho admirável. Contudo, estas equipes foram desmanteladas logo depois que a guerra terminou [a maioria das equipes iniciais foi desmantelada em junho]. Como Weems veio a ser designado para este posto e aqueles responsáveis, deve fazer uma interessante leitura e é deixado para futuros pesquisadores.

Os problemas também praguearam o CIC. O CIC foi enredado em uma luta interna entre agentes. Muitos dos agentes eram judeus nascidos na Alemanha. Estes agentes se dividiram em dois grupos. Um grupo considerava a Alemanha como sua casa e trabalhava duro para desenraizar o nazismo e voltar a Alemanha para um Estado democrático. O outro grupo, principalmente da Europa Oriental, somente considerava a Alemanha como um passo em seu caminho para o Estado de Israel. Outros agentes do CIC eram a primeira geração de poloneses, checos e outros de origem no leste europeu. Tais agentes levavam a lealdades divididas, stress internos e até mesmo alianças ilegais alcançando fora do CIC. Até longe, a unidade CID era muito mais profissional com o CIC frequentemente descrito pelos agentes do CIC como um grupo de brutamontes.

Começando em junho de 1945, e até 1947, isto foi um triste estado de coisas atrasando o caso Garmisch , no qual o ouro foi recuperado e então perdido. O CID era abertamente compartimentalizado sem objetivos claros, sem direção, sem coordenação e mais importantemente, sem base de dados centralizada. Em resumo, o CID permitiu que várias unidades errassem gravemente no escuro para seguir suas próprias metas individuais. O caso foi complicado pelo fato que ninguém sabia exatamente quanto ouro e moeda tinha desaparecido. Levaria um outro ano antes que o Depositório de Troca Federal descobrisse que sua conta no Reichsbank estava menor em dois milhões de dólares. Somente recentemente, com a divulgação de documentos anteriormente classificados, alguém pode começar a entender o desaparecimento do ouro e moeda recuperados. Os registros mostram que os fundos recuperados foram depositados no Banco Central da Terra em Munique. Lá o ouro e o dinheiro parecem ter desaparecido.

O que os registros agora mostram é que nenhuma das recuperações na área ao redor de Garmisch até mesmo alcançou o Depositório de Troca Federal. As várias autoridades americanas na cadeia de Garmisch a Frankfurt estavam todas familiarizadas com os procedimentos de transferência de fundos. Os fundos alcançariam Munique e de lá desapareceram. Depois de uma busca exaustiva, os autores Ian Sayer e Douglas Botting concluiram que 432.985.013 dólares do Reichsbank nunca foram contabilizados. Notavelmente,  incluídos estavam diamantes, seguridades e moedas dadas a Otto Skorzeny pelo SS General Spacil totalizando $9.131.000 dólares dos quais apenas 492.401 dólares foram recuperados.  Em um caso, o Major Roger Rawley recuperou oito milhões de dólares em papel moeda e o entregou ao Major Kenneth McIntyre. De lá, os fundos desapareceram

A seguir o colapso da Alemanha para os Aliados, a economia caiu no mercado negro com cigarros como o meio preferido de troca. Um cigarro Camel valia mais que o dobro de um dia de pagamento para um alemão contratado para limpar destroços. De início, o General Clay, parecia inconsciente do mercado negro, mas quando o CID relatou a ele que o mercado negro era uma ameaça à segurança, Clay tomou todas as medidas para encobrir isto. Os americanos voluntariamente se engajaram no mercado negro todo o caminho até o topo e incluiu a esposa de Clay, que relatadamente era muito ativa no mercado negro. A Aduana dos EUA, o Distrito da Flórida tornou mais difícil para o General Clay encobrir o mercado negro depois que eles enviaram uma queixa, listando os pousos do avião pessoal de Clay na área de Miami. Em cada caso, o piloto relatou o pouso como uma missão classificada, assim contornando a Aduana. Contudo, estava claro que ele estava apenas tomando a queda para alguém mais.

Muitos americanos tentaram atingir a rica economia do mercado negro, mas falharam. Contudo, o número daqueles que tiveram sucesso vieram predominantemente do Escritório do Governo Militar na Bavaria. O chefe da Divisão Financeira em Munique era o Coronel Lord e seu ajudante o Major McCarthy para controle da proriedade. Ambos indivíduos figuram proeminentemente no desaparecimento do ouro e da moeda uma vez que eles chegavam a Munique. Uma vez o ouro de Garmisch foi entregue as autoridades apropriadas em Munique, somente McCarthy e Lord teriam acesso a isto. Um investigador americano tabém acusou McCarthy de ter uma mão no comércio de drogas em e ao redor de Garmisch e Munique.

A extensão da corrupção do governo militar é melhor revelada na seuinte passagem do Ten. Kulka. Kulka era um ajudante do Coronel Smith e eles foram designados para investigar a corrupção na área de Garmisch e Munique. Kulka tinha sido enviado a uma casa civil convertida em Escritórios dos Solteiros Americanos em um relato de que um jovem oficial estava partilhando seu quarto com sua namorada, uma baronesa, o que era extritamente proibido.  A governanta confundiu Kulka como um mensageiro e deu a ele uma maleta.

” Ela me olhou e disse, “Oh, você deve ser o jovem que veio buscar a maleta com os papéis para a Suíça”. Eu disse, “suponho que sim”. Ela disse, “oh, sim, o tenente me disse que você estava vindo para pegar isto e que você é um jovem piloto” Então eu disse, “sim.” A dama voltou e me entregou a maleta e uma grande caixa anexada, que tinha sido lacrada com o selo diplomático. Então, eu os peguei e sai apressadamente. Levei-os para meu quarto e para minha surpresa encontrei a caixa cheia de libras britânicas e também jóias. Descobri que a maleta estava cheia com aproximadmente dez pastas que continham colunas muito bem escritas de nomes de pessoas com data e seu escalão, a localização delas e as somas de dinheiro – todas as instruções e registros de como o dinheiro tinha sido transportado através da fronteira. Imediatamente fui ao Coronel Smith e ele ficou extremamente interessado. Fomos pela papelada e descobrimos um número de nomes importantes, inclusive um número de coronéis dos quartéis generais. A única coisa que eles tinham em comum é que todos eles pertenciam a unidades que tinham por uma vez ou outra controlado a travessia da fronteira para a Suíça – polícia militar, agências militares do governo e o CIC.”

Em meados de julho de 1947, Coronel Smith tinha completado sua investigação preliminar e prencheu seu relato para o General Clay. O relatório ressaltou que havia evidência suficiente para garantir uma investigação em escala completa. O General Clay divulgou uma ordem para aquele efeito. Smith, temendo por sua vida, imediatamente pediu transferência. Imediatamente depois, o governador militar e o comandante do posto de Garmisch foram reembarcados para os EUA e vários outros oficiais transferidos para fora da área. O Escritório do Inspetor Geral repentinamente encerrou a investigação. Kulka alega que a ordem para parar a investigação veio do escritório de Clay. Adicionalmente, ele afirma que metade do comando dos EUA estaria em problemas se a investigação continuasse.Os arquivos reunidos por Smith e Kulka foram destruidos. Kulka recebeu ordens de ficar calado e então foi acusado de contrabando de armas e de esconder um estrangeiro em sua dependência, que acontecia de ser sua avó de 87 anos. Adicionalmente, sua noiva que estava prestes a ser sua esposa, foi listada como um alemã do Sudeto e expulsa para a Checoslováquia e não como uma DP judia. Quando Kulka contou ao seu senador o problema, foi feita tanta pressão sobre sua avó e sua noiva que ele teve que manter a boca fechada. Somente por um acidente foi que sua futura esposa conseguiu sua permissão de saída. O Coronel Smite foi transferido de Berlim para o Equador. Em 1978, Kulka relatou que seus amigos ainda sofrem de mortes e suicídios misteriosos que ele acredita serem avisos do caso de Garmisch para que ele mantenha a boca calada.

O caso de Garmisch não terminou com a investigação de Smith e Kulka. Em setembro em Bad Tohr, Frank Gammache foi acusado de apropriação indébita de propriedade militar e condura de desordem e inidoneidade. As acusações eram tão triviais comparadas à atividade criminosa na área que eram ridículas. Gammache iria ser um pequeno camarada em queda, A Operação Garpeck abriu uma investtigação posterior. Chefiando a operação estavam Victor Peccarelli e Philip von Pfluge Benzell. O caso logo alcançou lugar tão longe quanto San Francisco, onde agora vivia civilmente o Capitão Neumann. O caso também reabriu a investigação sobre o Major McCarthy. A influência de McCarthy ainda se prolongava em Munique e assim os arquivos sobre ele desapareceram antes que os investigadores chegassem até eles. Logo depois, os investigadores começaram a grampear o telefone dele, mas McCarthy soube do grampo e se mudou.

A investigação logo atravessou o caminho do jornalista Guenter Reinhardt. Reinhardt era oriundo de uma família judia alemã. Com 21 anos ele tinha emigrado para os EUA. Seu primero emprego em New York tinha sido em um banco, mas por 1933 ele tinha se tornado um jornalista freelance. Ele escrevia uma coluna sindicada sobre assuntos externos para os jornais McClure. Suas ligações com vários grupos bancários e cívicos o comissionaram a realizar uma investigação sobre as prováveis futuras relações internacionais da Alemanha. Reinhardt entregou ao Comitê da Câmara sobre Imigração e Naturalização a informação que ele descobriu sobre as atividades nazistas nos EUA. Isto levou Reinhardt ao seu envolvimento com a inteligência americana. Em 1934, ele agiu como uma ligação entre o Comitê McCormick e o FBI. Durante 1942 e 1943, Reinhardt infiltrou organizações comunistas para o FBI. Em 1946, ele se uniu ao CIC na Alemanha.

Por todos os relatos, Reinhardt era um agente entusiasmado e dedicado na Europa. Contudo, ele logo começou a mostrar sinais de fadiga na medida em que ele entendia que o sistema inteiro estava corrupto. Pelo verão de 1947, ele entendeu que sua carreira com o CIC estava em perigo. Seus superiores tinham arranjado secretamente enviar Reinhardt para casa. Ele se queixou sobre a transferência. Não houve apelo para ele e ele foi proibido de ir ao Inspetor Geral sob a ameaça de prisão imediata. Ele posteriormente foi advertido que se falasse à imprensa ou tentasse obter um outro emprego na Alemanha ele seria preso por violações dos regulamentos de segurança. Adicionalmente, eles ameaçaram de arrastar sua namorada na lama.

Ultrajado pelas ações e ameaças, Reinhardt divulgou o primeiro de dois memorandos, conhecidos como os Memorandos Reinhardt. O primeiro era um relatório formal de 48 páginas revelando as irregularidades e falsos relatos de inteligência na região de Munique. O relatório acusava o CIC de corrupção e incompetência disseminadas. O relatório escrito em novembro causou um abalo imediato. O chefe de operações para a Bavaria foi dispensado imediatamente e o oficial executivo foi transferido. Contudo, houve também o acobertamento de duas cadeias, uma de Garmisch para Augsburg, e a outra de Munique a Nuremberg. Depois que ele cheou a New York em dezembro, Reinhardt escreveu seu segundo memorando, um documento de 55 páginas. Este documento estava dividido em nove seções. A seção de abertura tinha o título de “Situações de Saque e Contrabando” descrevendo como o pessoal americano estava continuando a contrabandear valores para Estados. Quanto maior o escalão, maior o problema. No caso de um general, e outros valores saqueados de castelos ao redor de Hesse. Reinhardt ditou seu memorando ao Secretário Assistente do Exército, Gordon Gray, depois da indicação de Reinhardt como consultor especial. Gray mais tarde se elevaria para se tornar o Diretor da CIA.

O coração do memorando residia na acusação que um gupo de alemães e americanos envolvidos na corrupção disseminada na área de Garmisch detinha poder suciente para sabotar qualquer investigação. O chefe do grupo era John McCarthy. O memorando foi enviado ao General Clay na Alemanha e causou uma imediata revolução. Clay odiava qualquer escândalo dentro de seu comando, e muito mais que limpar a confusão, ele lançou um vasto acobertamento. O General Weems cancelou a Operação Garpeck em andamento logo depois que o memorando de Reinhardt chegou na Alemanha. O exército decidiu que as acusações eram exageradas.

McCarthy e seu superior, Coronel Lord não escaparam ilesos. Conquanto eles sobrevivessem às acusações do memorando de Reinhardt, sua cobiça irrefreável eventualmente os pegou. A dupla concebeu um esquema para comprar as várias fábricas I.G. Fraben por meio de uma fachada que eles criaram em Liechtenstein. Uma investigação ordenou que o General Clay desmascarasse o esquema deles e o exército dispensou ambos idivíduos. Contudo, o General Clay não fez o anúncio público da ilegalidade do esquema ou sua consequência.

Parte 5: Operação Andrew & e a Neutralidade da Suécia

Conquanto o governo militar na área de Munique estivesse cercado pela corrupção, o saque do tesouro nazista empalidece em comparação com a lavagem de dinheiro pelos países neutros para os nazistas. Contudo, antes de olhar os países neutros, um outro aspecto dos nazistas deve ser examinado. Embora isto não consista em fundos saqueados, isto figura proeminentemente nos planos financeiros nazistas. Este talvez seja um dos aspectos mais compreendidos da guerra que frequentemente é chamado erroneaneamente de Operação Bernhard. O nome verdadeiro para este complô nazista para falsificar libras britânicas era Operação Andrew ou Andreas. Como um coringa em um baralho de cartas, ninguém sabe com certeza a extensão da operação ou até mesmo quantas notas falsificadas os nazistas colocaram em circulação.

O Banco de Londres tem suas próprias razões para se manter mudo sobre as notas falsificadas encontradas em circulação, já que a operação era destinada a causar a queda da libra britânica. A Operação Andrew era o produto intelectual de Alfred Nanjocks, um nazista fanático. Nanjocks era o oficial que simulou o ataque polonês em uma estação de rádio alemã, o que iniciou a guerra. Depois de ocupar os Países Baixos, Heydrich transferiu Nanjocks para a divisão de documentos do SD porque Nanjocks tinha adquirido uma reputação de ser impulsivo e violento demais para seu próprio bem. Falsificar passaportes não era o gosto do fanático. Contudo, inundar o mundo com moeda falsificada [libras britânicas] o agradou. Nanjocks estava divisando exatamente isto, inundar o mundo com moeda falsificada [libras britânicas], para desestabilizar a economia da Inglaterra.

Imediatamente depois que os britânicos tinham deixado cair certificados auxiliares de pagamento alemão falsificado para 50 Reichsfenning, Nanjocks, levou a idéia a Heydrich. O intento britânico em cair certificados forjados era o mesmo de Nanjock, apenas que eles se destinavam a enfraquecer a Alemanha.  Heydrich gostou da idéia e acrescentou a ela a falsificação de dólares americanos e conseguiu a aprovação de Hitler. Hitler se recusou a aprovar a idéia de falsificar dólares, porque naquele tempo a Alemanha não estava em Guerra com os EUA. Funk e outros burocratas não gostaram muito da idéia. Funk se preocupava que ao desestabilizar a libra isto podia criar um retrocesso de crédito de desestabilizar o Reichsmark. As preocupações de Funk eram surpreendentes. Uma tal preocupação apenas pode testemunhar  um grande grau de colaboração entre o Banco da Inglaterra e os nazistas, e o mesmo se aplica aos amigos nazistas de Wall Street e dos bancos centralizados em New York do grande dinheiro. Antes da guerra, o Banco da Inglaterra investiu e emprestou somas substanciais à Alemanha nazista.

Heydrich entegou o assunto ao RSHA Bureau IV, que criou uma nova divisão chamada SHARP 4 para supervisionar isto. No verão de 1942, o anel de falsificação estava criado dentro do campo de concentração Sachsenhausen.  O SS major Fredrich Kruger foi selecionado para chefiar a operação. Em Berlim a operação era conhecida formalmente como Aktion 1. Usando trabalho prisioneiro, a falsificação não apresentava problema. Contudo, o grupo tinha muita dificuldade em desenvolver o papel apropriado. O trabalho em Sachenhausen era isolado do resto do campo. Max Bober, um impressor por profissão, chefiava a equipe de sessenta prisioneiros. Os nazistas forneciam aos presos tudo o que eles precisavam. A sabotagem teria resultado em morte imediata. Não foi senão em 1943 que o papel apropriado foi produzido pela fábrica de papel Hahnemuhl. A fábrica enviava 120 folhas por mês para o operação. Cada folha produzia oito notas. Até mesmo então as notas falsificadas era na melhor das hipóteses, medíocres. Não foi senão quando os nazistas localizaram Salomon Smolianoff, um excelente falsificador, que notas apropriadas puderam ser produzidas.

Uma vez Smolianoff tinha corrigido os enganos anteriores, a imprenssão trabalhava de 15 a 20 horas. Os prisioneiros examinavam cada nota individualmente e selecionavam apenas as melhores. Estas notas então passavam por um procedimento de envelhecimento para fazer com que parecessem usadas. A operação produziu todas as denominações, inclusive a nota de cem libras. Contudo, a nota de cinco libras fazia 40% das impressoras correrem. A equipe de Kruger, em meados de 1943, tinha crescido para 140 prisioneiros e estava fazendo por volta de 40.000 notas por mês. Diferente do resto do campo, os prisioneiros de Kruger recebiam alimentação adequada e ração de cigarros.

As notas produzidas eram divididas em quatro categorias: perfeitas, quase perfeitas, defeituosas e rejeitadas. As rejeitadas eram distruídas embora inicialmente tenha sido planejado lança-las por via aérea sobre a Inglaterra. As notas perfeitas eram reservadas para os espiões alemães usarem nos países neutros. As notas quase perfeitas eram arrumadas em maços e eram para serem usadas pela SS nos países ocupados. As notas defeituosas também eram usadas desta maneira. Na medida em que a operação continuava, a qualidade das notas melhorava a um tal estado que os bancos pelo mundo as aceitavam. O Banco da Inglaterra somente tropeçava nas notas fasificadas. Uma tesoureira de um banco notou que duas notas que ela tinha em suas mãos tinham o mesmo número de série. As notas eram tão boas que o único meio de detecção era ao compara-la com uma nota genuina de mesmo número serial da nota falsificada. .

O equivalente a 4.5 bilhões de libras britânicas foi eventualmente embarcado para Berlim e então para o mundo todo. Os agentes operacionais usavam as notas falsificadas para comprarem objetos legítimos, que então eram revendidos por estáveis moedas mundiais. Algumas notas eram distribuidas para as embaixadas alemãs nos países neutros e trocadas pela moeda local. As tentativas iniciais de distribuir as notas de modo maciço foram desastrosas. Os militares alemães prenderam seus próprios agentes quando eles tentavam passar as notas falsificadas, já que Action 1 era super secreta.

Em algum ponto, a missão subjacente de Action 1 mudou. Himmler e o Ten. Grobel, chefe do Bureau VI, se tornaram cheios de cobiça. Eles divisaram lavar as notas em uma grande distribuição e se apoderar os lucros em seu benefício pessoal. Para realizar a distribuição disseminada, Friedrich Schwend foi trazido para a operação. Na década de 1920, Schwend era um comerciante de armas. Ele se casou com a sobrinha do Ministro do Exterior, Barão von Neurath. Por meio das ligações da família da esposa, ele conseguiu ser indicado como administrador pessoal da família Bunge, extremamente rica. Esta é a mesma família Bunge ligada ao assassinato de John F Kennedy que fez uma pequena fortuna ao causar um curto-circuito no mercado no dia em que Kennedy foi assassinado. Na década de 1930, Schwend estava trabalhando em New York gerenciando os investimentos de Bunge & Born.

Schwend foi trazido ao Bureau IV como tesoureiro mestre do fim do esquema de lavagem de dinheiro. A este ponto ele recebeu uma falsa identificação como Major Wendig, um oficial legal da Gestapo e um membro do corpo de tanques. Em setembro de 1943, Schwend começou a estabelecer sua rede e solicitou o  Coronel Josef Spacil para manter os aspectos da contabilidade da operação. O mesmo Coronel Spacil que esteve envolvido em custear Skorzeny como relatado anteriormente neste capítulo. Operação Bernhard é limitada a este esquema de enriquecimento particular. Schwend estava desviando um terço das notas falsificadas para este grupo.

Esta operação continuou até o fim da guerra com muito sucesso. O Banco da Inglaterra sofreu perdas enormes. Até mesmo com os russos se aproximando de Sachenhausen, a operação não encerrou. Ela apenas se mudou para o sul da Alemanha, perto da fronteira austríaca. Lá ela continuou até aproximadamente 3 de maio. Algumas das últimas cargas de notas falsificadas terminaram no fundo do Lago Topltz. As caixas eram escondidas lá em uma operação de bote a remo a meia noite. As caixas foram localizadas em 2000. O destino do inventário das notas é desconhecido.

Tanto quanto metade do ouro do Reichsbank permanece não contabilizado. Bormann indubitavelmente transferiu parte disso para fora da Alemanha. Outras partes foram saqueadas por principais oficiais nazistas e pessoal americano. Os nazistas usaram grande parte do ouro saqueado para comprar munições e matérias primas dos países neutros. Então, uma breve revisão dos problemas que os Aliados enfrentaram em tentar interceder entre a Alemanha nazista e os países neutros é necesária.

Ciente que a Alemanha nazista estava dispondo da propriedade saqueada em países neutros, os britânicos instigaram as conversas com os outros Aliados. Em 5 de janeiro de 1945 a Declaração Inter-aliada Contra Atos de Despossessão Cometidos em Territórios sob Ocupação ou Controle do Inimigo foi publicada. A declaração era o resultado das conversas e assinada por 16 nações e a Inglaterra. A declaração simplesmente afirmava que as nações que assinavam se reservavam o direito de declarar inválida qualquer transação concernente a propriedade de qualquer dos territórios ocupados.  A Declaração era grandemente uma declaração política. Tanto o Banco da Inglaterra quanto o Departamento do Tesouro tinham dúvidas que a declaração pudesse alcançar os resultados desejados. Havia pouco que os Aliados pudessem fazer para fazer cumprir a declaração sem danificar sua própria situação econômica ou prejudicar futuras relações com os neutros. Tecnicamente, o ato estava restrito apenas aos negócios com ouro. Outros queriam ampliar o escopo do ato para incluir outros valores. Não foi senão até a Declaração do Ouro de 5 de janeiro de 1943 que os EUA começaram uma campanha agressiva em relação aos neutros e seus acordos de ouro.

De preocupação particular para os EUA era a Suíça. Contudo, a Suíça era vagarosa em responder. Não foi senão quando a maré da guerra estava claramente a favor dos Aliados que a Suíça respondeu. Em 28 de dezembro de 1944, a Suíça anunciou que tinha bloqueado todas as contas da Hungria, Eslováquia e Croácia. Em 7 de fevereiro de 1945 os delegados britânicos e americanos se encontraram com representantes suíços em Berna para negociarem um acordo sobre os objetivos imediatos da guerra econômica e as exportações suíças para a a Alemanha. Por sua vez os suíços queriam ajudar em obter matérias primas e comida, na forma de cotas importantes dos Aliados e assistência com as facilidades de trânsito através da França. Em 16 de fevereiro, a Suiça anunciou um bloqueio de todos os bens alemães. Em 8 de março, a Suíça assinou um acordo sob o qual o governo suíço tomou três medidas: assegurar que o território da Confederação Suíça não devia ser usado como um agrupamento de bens saqueados, realizar um censo de bens alemães na Suíça e não mais comprar ouro da Alemanha, exceto na quantidade necessária às despesas diplomáticas. Não foi senão três meses antes da derrota da Alemanha nazista que a Suíça tomou qualquer ação contra os nazistas e foi somente um mês antes da derrota dos nazistas que a Suiça baniu o comércio de ouro com os nazistas. A voluntariedade de outros países neutros seguiu um cronologia similar; não foi senão quando estava claro que os nazistas foram derrotados que eles tomariam qualquer ação.

As bases para a recuperaçãode ouro e bens nazistas fora da Alemanha foi governada por declarações publicadas em 5 de junho de 1945 pelos Quatro Poderes e o Relatório da Conferência de Potsdam de 2 de agosto de 1945, a qual afirmou que o Conselho de Controle Aliado tomaria as medidas que fossem apropriadas para exercer o controle sobre os bens alemãos no exterior, e exercer o direito de dispor destes bens. Ambos os atos conferiam poderes aos Aliados que não eram fáceis de serem exercidos e não eram bem recebidos por muitos dos países neutros. Legalmente, a posição aliada era fraca. Tanto a Suécia quanto a Suíça foram rápidas em responderem que uma tal exigência conflitava com suas próprias legislações e e com seus status como neutros. Nenhum acordo sobre como lidar com os neutros foi alcançado até dezembro de 1945. Até mesmo então o acordo era visto fracamente prevalecer nos países neutros para a devolução dos bens nazistas. Contudo, o acordo não oferecia orientação de como prevalecer sobre os neutros. Os EUA queriam empregar sanções enquanto os britânicos rejeitaram as sanções como não cumpríveis durante o tempo de paz. Eventualmente, foi concordado que os EUA deveriam abrir negociações com a Suíça em Washington. Como uma alavancagem contra a Suíça, os EUA não desbloqueariam as contas suíças nos EUA e nem removeriam as companhias suíças da lista negra aliada a menos que um acordo pudese ser alcançado. Uma breve pesquisa das nações neutras e os problemas encontrados e cada uma delas segue-se:

Durante a guerra, a Suécia era abertamente pró fascista. Contudo, a Suécia era um dos países mais cooperativos dos neutros. O ferro de alto grau sueco formava a base de uma forte conexão lucrativa entre a Suécia e os nazistas. Os nazistas viam este suprimento de ferro como vital. Tão vital de fato que os nazistas atrasaram a invasão dos Países Baixos para invadir primeiro a Dinamarca e a Noruega para proteger a rota de embarque do ferro sueco.

A produção S & K era uma outra companhia sueca que desfrutava de um relacionamento lucrativo com os nazistas. S & K também apresentava um problema especial para os EUA, já que os EUA eram igualmente dependentes da S & K para produção. S & K fez o melhor possível para retardar a produção de munição de guerra em suas fábricas americanas. Uma tal situação apresentou um dilema para Roosevelt. Os EUA podiam impor sanções sobre a S & K, a Suécia, ou ambas. As sanções provavelmente resultariam em uma represália da  S & K e posteriormente limitariam a produção de mancais e interromperiam a produção de munições de guerra. A segunda opção para a administração seria se apoderar das fábricas durante a duração da gerra. Um tal movimento somente desencadearia acusações de rampante comunismo e socialismo presentes na administração pelos críticos de Roosevelt. A única outra opção era permitir que a S & K continuasse com o negócio como o usual, que foi como o curso seguiu. A despeito de quem vencesse a guerra, a S & K estava certa de ganhar muito ao suprir ambos os lados.

Havia muitas outras corporações suecas que desfrutavam de um relacionamento lucrativo com os nazistas. Contudo, uma das mais queridas dos nazistas era o Banco Enskilda, de propriedade dos Wallenbergs. Com um bom relacionamento com um banco, os nazistas podiam tomar emprestados fundos e lavar seu ouro roubado. Os documentos de Safehaven revelaram que os EUA tinham estado rastreando as atividades pró nazistas dos Wallenbergs por vários anos. Em fevereiro de 1945, Morgenthau, em uma carta ao Secretário de Estado, Edward Stettinius, acusou que o Enskilda estava fazendo empréstimos substanciais aos nazistas sem colateral e fazendo investimentos encobertos para capitalistas alemães nas indústrias americanas. Note que a carta de Morgenthau confirma o plano de Bormann de permitir que os nazistas investissem nos EUA como meio de preservarem seus bens. Ele posteriormente acusou que o banco estava repetidamente ligado a grandes operações do mercado negro. Na carta, Morgenthau identificou Jacob Wallenberg como fortemente pró-nazista e refuta a afimação que Marcus era pró-aliado. Os Wallenbergs estavam jogando de ambos os lados, exatamente como o estava fazendo a  S & K. Raul Wallenberg, um primo, ajudou a salvar 20 mil judeus em Budapest. Quando o exército soviético recapturou Budapest, eles prenderam Raul como um espião americano. Em junho de 1996, o ‘US News and Reports’ relatou em uma revisão de documentos desclassificados que Raul Wallenberg era um espião para o OSS.

Em um memorando do tesouro datado de 7 de fevereiro de 1945 Morgenthau detalha sua preocupação sobre os irmãos Wallenberg. Eis o texto do memorando:

“Jacob Wallenberg recentemente indicou que ele estava voluntário em vender aos alemães uma fábrica sueca em Hamburg e o preço fornecido em ouro era alto o suficiente para evitar possíveis complicações.

Os fatos seguintes devem ser considerados para que se avalie a impressão mantida em alguns círculos que Marcus Wallenberg é fortemente pró-aliado.

A. Conquanto Marcus Wallenberg fosse aparentemente simpático à causa aliada, Jacob Wallenberg, seu irmão e sócio no Banco Enskilda é sabidamente simpático e trabalha para os alemães .

B. Jacob Wallenberg foi o autor do acordo alemão-sueco.

C. Jacob Wallenberg é um membro da Comissão Permanente Conjunta de Comércio sueca-alemã e Marcus Wallenberg é um membro do Comitê Permanente Conjunto criado pelo Acordo de Comércio Anglo-sueco.

D. Marcus Wallenberg veio para os EUA em 1940 e tentou comprar em benefício dos interesses alemães um bloco de securidades alemães mantidas por americanos.

E. O Banco Enskilda tem estado repetidamente ligado com grandes blocos de operações de mercado de moedas estrangeiras, incluindo dólares relatados terem sido esvaziados pelos alemães.

A Bretanha e os EUA inicialmente começaram a lista da Suécia no programa Safehaven em 1944. A Bretanha era a favor de restringir o programa na Suécia apenas ao ouro, enquanto os EUA queriam incluir outros bens também. Os EUA usaram acordos de comércio como um incentivo para a cooperação. O Riksdag, o Parlamento Sueco, externou sua aprovação de Safehaven e em fevereiro de 1945, a Suécia começou um inventário de seu ouro e moeda estrangeira para ver quanto estava ligado aos nazistas. Pela primavera, os britânicos concorreram com os americanos e uma proposta foi rascunhada para a Suécia. A proposta foi então usada como base para conversas em Lisboa e Madri. Pelo verão de 1945, a Suécia tinha aprovado várias medidas para controlar a propriedade alemã or restringir sua venda ou dispersão, e expandiu o alcance e seu censo para incluir todos os tipos de propriedade alemã. Em janeiro de 1946, pela demanda dos Aliados, a Suécia expandiu as leis para incluir as subsidiárias alemãs. Em novembro de 1945, a Suécia deu ao Departamento do Tesouro um relatório das transações de ouro suecas. Do relatório,o Tesouro concluiu que a Suécia tinha recebido 22.7 milhões em ouro saqueado de origem belga. A quantidade foi reduzida para 17 milhões.

Em 11 de fevereiro de 1946, a embaixada dos EUA informou a Suécia os detalhes da Lei ACC 5 referente aos titulos dos bens alemães em outros países com as autoridade de ocupação e convidou uma delegação sueca a Washington. A Suécia expressou graves preocupações, mas concordou com a conversa. Em 5 de abril, a Suécia informou à embaixada americana que o assunto teria que ser submetido ao Riksdag, onde provavelmente ele enfrentaria a derrota baseado na crença que a queixa Aliada não era válida na lei internacional e portanto uma violação aos direitos da propriedade privada. Além disso, a Suécia requisitou que seus bens nos EUA, congelados depois da guerra, fossem liberados antes da negociação e que eles obtivessem permissão para inspecionar as propriedades suecas na Alemanha. A solicitação foi negada.

Pelo fim de março, depois de discussões com a Bretanha e a França sobre os bens alemães dentro da Suécia, os EUA acreditaram que eles tivessem a imagem quase completa dos bens alemães dentro da Suécia e começaram a empurrar as negociações. As negociações formais começaram em 29 de maio em Washington. A delegação americana era chefiada por Seymour Rubin, vice-diretor do Escritório de Política de Segurança Econômica do Departamento de Estado. A delegação britânica foi liderada por Francis W. McCombe do Escritório do Exterior. Quem chefiou a delegação francesa foi Christian Valensi, Conselheiro Financeiro da Embaixada francesa em Washington. O Juiz Emil Sandstrom chefiou a delegação da Suécia. De início, a Suécia concordou com o perigo dos bens nazistas serem utilizados para fornecer um rival do nazismo, mas contestou a validade das queixas dos aliados sobre os bens.

As negociações continuaram de modo amigável e em 18 de julho ambos os lados chegaram a um acordo. Dos estimados 378 milhões de coroas  (aproximadamente 90.7 milhões de dólares) em bens alemães na Suécia, a Suécia concordou em dividir os bens como se segue: 50 milhões de coroas [12.5 milhões e dólares] iriam para a Comitê Intergovernamental de Refugiados [mais tarde a Organização Internacional de Refugiados]; 75 milhões do coroas [aproximadamente 18 milhões de dólares] iriam para a Agência Inter-aliada de Reparações (IARA), excluindo as quantidades que receberiam os EUA, Bretanha e França; 150 milhões de coroas [aproximadamente 36 milhões de dólares] iria para a assistência para evitar a doença e a revolta na Alemanha. A última soma seria usada para comprar na Suécia ou outros paises, comodidades esenciais para a economia alemã. Sobretudo, o acordo permitiu que os proprietários suecos e alemães da propriedade liquidada fossem compensados em moeda alemã; permitiu que um missão sueca viajasse para as zonas americanas, britânicas e francesas da Alemanha ocupada para inspecionar as propriedades suecas; pedia a liberação dos bens suecos congelados nos EUA [estimados naquele tempo em 200 milhões de dólares]; a remoção de qualquer lista negra e permitiu que os aliados mantivessem na reserva suas queixas para propriedades alemãs na Suécia.

No acordo, a Suécia restituiria a quantidade de 7.555.326,64 quilogramas de fino ouro [aproximdamente 8.1 milhões de dólares] correspondentes a quantidade de ouro derivado do Banco da Bélgica. A Suécia seria mantida sem prejuízo de qualquer queixa derivada de transferências do Riksbank sueco a terceiros países de ouro a ser restituído. Finalmente, o acordo proibia que os Aliados fizessem queixas  a respeito de qualquer ouro adquirido pela Suécia da Alemanha e transferido a terceiros países antes de 1o. de junho de 1945 ou qualquer queixa adicional depois de 1o. de julho de 1945. Neste relatório, Rubin notou que as conversas procederam suavemente e na ausência de amargura.

A Suécia formalmente ratificou o acordo em novembro de 1946. Logo antes da expiração de 1o. de julho de 1947, o ponto final para as queixas de ouro, os Aliados preecheram uma requisição para a restituição de 638 barras de ouro saqueadas da Holanda [10 milhões de dolares]. O desafio sueco repousou na queixa que parte deste ouro foi adquirido antes da Declaração de Londres. Os aliados se queixaram que o acordo incluia todo o ouro adquirido. O debate sobre o ouro holandês continuou pela década de 1950. Negociações posteriores do ouro holandês foram infrutíferas. Finalmente, a Suécia restituiu 6 toneladas de ouro [aproximadamente 6.8 milhões] para a Holanda em 1955.

Outros problemas também se levantaram para a implementação do acordo. A Suécia não devolveu o ouro especificado no acordo de julho de 1946 por março e no tempo final de 1948. Adicionalmente, a Suécia agilmente cumpriu sua obrigação com o IRO em julho de  1947. Contudo, não foi assim com os fundo do IARA. Por todo o período a Suécia manteve que a lei 5 era inválida.

A mais recente investigação realizada por uma comissão indicada por um banco revelou que a Suécia aceitou 59.7 toneladas métricas de ouro dos nazistas. O ouro recentemente descoberto tem a mesma marca do ouro roubado da Holanda. A investigação também encontrou 6 toneladas de ouro de origem não determinada que possivelmente veio das vítimas dos campos de concentração. Este achado adicional do ouro foi perdido inteiramente pela operação Safehaven. Até então, a Súecia tem apenas devolvido  um total de 13.2 tonelas a Bélgica e a Holanda. A comissão devolveu seus achados ao governo sueco. Não está claro se esta comissão teria o poder de recomendar a restitução do ouro. Um dos investigadores diz que a Suécia tem a obrigação moral de devolver o ouro, mas não tem uma obrigação legal. O relatório foi divulgado em 1997.

Parte 6: Portugal, Espanha e Ouro Nazista

Anes de entrar na questão do ouro com Portugal, um pouco de background histórico é necessário para entender completamente o problema. Antes do início da segunda guerra mundial, Portugal tinha mantido fortes laços emocionais e políticos de longo prazo com a Bretanha remontando a Aliança anglo-portuguesa do século XIV. A Inglaterra era o maior parceiro comercial de Portugal em 1938. Portugal tinha se unido aos britânicos na primeira guerra mundial e enviado 50.000 tropas para a linha de frente.

A associação de Portugal coma Alemanha nazista emergiu durante a Guerra Civil Espanhola. Durante o conflito, o ditador e homem forte Dr. Antonio de Oliveira Salazar ficou do lado de Franco e Hitler. Salazar ajudou a Alemanha a contrabandear armas para as forças de Franco e despachou voluntários portugueses para lutar com Franco. Ao fazer isso, Salazar esperava alcançar seu objetivo de longo prazo de estabilização e desenvovimento da economia do país. Pelo fim de 1938, a Alemanha era o segundo maior parceiro comercial de Portugal. Salazar contudo, protestou quando da invasão da católoca Polônia por  Hitler.

A escolha de Salazar de permanecer neutro durante a segunda guerra mundial tinha muita base na geografia bem como na ideologia.  Portugal ocupava uma posição estratégica no mapa da Europa no qual ela tinha muitos portos ao longo de sua costa atlântica que seria dificil para a Inglaterra bloquear. Contudo, o maior medo de Salazar era uma invasão de Portugal pela máquina de guerra nazista. Depois da ocupação da França, a Wehrmacht estava a menos de 260 milhas da fronteira de Portugal. Seu outro medo era que se Hitler e Franco formasem uma aliança, eles colocassem as tropas nazistas na fronteira de Portugal. Dean Acheson, então Secretário Assistente de Estado, expressou a opinião que Salazar garantiu favores a Alemanha no comércio de guerra após avaliar “o relativo perigo da pressão alemã e aliada sobre ele.”

Salazar prometeu a Alemanha e a Betranha comércio aberto aos valiosos recursos domésticos e coloniais de Portugal. Ao permanecer neutro, a economia de Portugal se beneficou tremendamente. O equilíbrio de comércio de Portugal subiu de um déficit de 90 milhões em 1939 para um superávit de 68 milhões em 1942. Os bens em bancos particulares praticamente dobraram durante os primeiros quatro anos da guerra, enquanto os bens do Banco de Portugal quase que triplicaram. Tanto os nazistas quanto os aliados moviam uma guerra econômica por meio de ameaças e lucrativos acordos de comércio. Contudo, Portugal não podia cortar seus laços com os Aliados, já que era dependente dos EUA para as importações de petróleo, carvão, sulfato de amônia e trigo. Em outubro, a Bretanha capitalizou seu relacionamento de longa data com Portugal ao induzir Portugal a aceitar a libra esterlina em pagamento por mercadorias. Naquele tempo, as reservas de ouro da Bretanha eram baixas, e a Suécia e a Suíça estavam exigindo ouro como pagamento.

O sucesso econômico de Portugal residia em seus ricos depósitos de tungstênio. Os nazistas eram totalmente dependentes de Portugal e da Espanha para seu fornecimento de tungstênio. O tungstênio tinha uma variedade de usos, incluindo os filamentos das lâmpadas elétricas. Contudo, seu valor particular estava na produção de munições de guerra. A indústria mecanizada alemã usava carbureto de tungstênio quase que exclusivamente, enquanto os EUA ainda estavam usando grandemente as inferiores ferramentas de molibdênio, primariamente por causa do acordo do cartel GE mantido com Krupp a respeito do carboloi ou carbureto de tungstênio cimentado. Adicionalmente, o tungstênio era útil em munições perfurantes de blindados. A Bretanha e os EUA concordaram que as exigências mínimas da Alemanha pelo tungstênio eram de 3.500 tonelas por ano.

Considerando a quantidade que os nazistas necessitavam e os meios extraordinários a que eles foram para assegurar os suprimentos das minas de tungstênio, os Aliados corretamente avaliaram que para os nazistas o tugstênio era um recurso vital. Era igualmente importante para os aliados, mas os aliados não eram unicamente dependentes de Portugal e Espanha e podiam obter tungstênio de outras fontes. Assim, uma das metas dos Aliados era privar a Alemanha nazista de tanto tugstênio quanto possível. A competição pelo tungstênio era grande em 1943, em benefício de Portugal, e o preço aumentou 775% acima das taxas anteriores a guerra. A produção também disparou de 2.419 toneladas métricas em 1938  para 6.500 tonelaas métricas em 1942.

Para manter sua neutralidade, Portugal criou um sistema estrito de cotas em 1942. O sistema permitia que cada lado recebesse a exportação de suas minas e uma percentagem fixa da produção das minas independentes. A Inglaterra possuia a mina maior, enquanto que a Alemanha possuia duas minas de tamanho médio e várias minas menores. A produção da segunda maior mina de Portugal era de propriedade da França e a produção estava ligada em legação por 1941. Em janeiro de 1942, Portugal concluiu um secreto pacto comercial com a Alemanha. O pacto permitia que os nazistas exportassem mais de 2.800 toneladas de tungstênio. Em troca, a Alemanha forneceria a Portugal carvão, aço  e fertilizantes, que Portugal necessitava e que os aliados não podiam fornecer. Em 1943 os Aliados tentaram negociar um novo acordo de tungstênio. Portugal pediu reduções nos preços no sulfato de amônio, produtos do petróleo e outros materiais dos Aliados. Os Aliados recusaram qualquer redução no preço e Portugal se recusou a aumentar as licenças de exportação dos Aliados. Ao mesmo tempo, Portugal completou um novo acordo com a Alemanha nazista.

Paralelas às negociações do tungstênio estavam as negociações para adquirir bases aereas nas ilhas dos Açores. As ilhas seriam capazes de fornecer uma base crítica para a guerra anti-submarino, na medida em que a batalha no Atlântico atingia o auge. Os aliados tinham falhado em tomar os Açores pela força, temendo que a a Alemanha invadisse Portugal em represália. Em 17 de agosto de 1943, a Bretanha concluiu um acordo com Portugal para o uso das ilhas começando em outubro depois de evocar a Aliança Anglo-Portuguesa. No final de 1943, Portugal interrompeu o acordo para incluir a força aérea dos EUA também.

Em abril de 1944, os EUA decidiram usar sanções econômicas para induzirem Portugal a cortar o fornecimento de tungstênio aos nazistas. Portugal era dependente dos EUA pelo petróleo e outros produtos. Em 05 de junho de 944, os Aliados pressionaram Portugal para cessar os embarques de tungstênio para a Alemanha. Os alemães imediatamente começaram a ocultar seus interesses de mineração em Portugal ao vende-los e comprar outros negócios. Por junho de 1946, os Aliados estimaram que os nazistas tinham ocultado aproximadamente 2 milhões de dólares em hotéis, cinemas etc. Ao mesmo tempo um U-boat alemão se apoderou de um vaso português, aumentando o sentimento anti-alemanha dentro de Portugal. Os EUA começaram negociações para construir uma base aérea nos Açores. A construção foi retardada até que um acordo fosse alcançado sobre uma ampla variedade de suprimentos e serviços. Em 28 de novembro de 1944 o acordo foi assinado. Adicionalmente, os EUA concordaram com a participação portuguesa na campanha para liberar Timor dos japoneses.

Em 14 maio de 1945, Portugal aprovou a lei 34.600, congelando todos os bens alemães em Portugal, criando um sistema de licenciamento para desbloqueio dos bens, providenciando um censo para estes bens, proibindo o comércio de moeda estrangeira e estabelecendo um regime de penalidade para fazer cumprir estas determinações. Em 23 de maio, Portugal estendeu a lei para incluir todas as colônias portuguesas. Incluidos nestes bens estavam as construões do governo alemão. Em 6 de maio, a pedido dos Aliados, Portugal tomou todos as construções do governo  alemão. Isto incluiu a tomada de 5.000 soberanos de ouro, o fundo da Legação Alemã em Lisboa.

Conquanto a lei portuguesa desse a aparência de cooperação, o Departamento de Estado temia que ela contivesse muitas escapatórias. O censo excluiu os Aliados da participação. A lei também permitia a transferência dos bens bloqueados para indivíduos para sua subsistência e o exercício normal de atividade comercial ou industrial. Em uma relatório publicado em 19 de junho de 1946, a Divisão de Controles de Securidade Econômica concluiu que as firmas alemãs continuavam a operar sem qualquer deficiência séria e muitos dos bens da Alemanha já tinham sido dissipados. Adicionalmente, o censo português tinha falhado em recuperar qualquer propriedade que os Aliados ainda não tivessem identificado.

Em 3 de setembro de 1946, negociações entre Portugal e os Aliados começaram sobre como avaliar, liquidar e distribuir os bens alemães. Seymour Rubin relatou ao embaixador americano para Portugal, John C. Wiley. Conquanto as conversas fossem cordiais, sérios desacordos separavam os lados. As negociações estavam paradas em quatro pontos:

1. Definir que bens alemães se qualificariam para liquidação

2.  Determinar quanto os portugueses podiam declarar pelas perdas de tempo de guerra contra a Alemanha.

3. Decidir o papel que cada lado teria na supervisão da liquidação.

4. Decidir quanto ouro, se algum, Portugal teria  a entregar aos Aliados.

Nenhum destes assuntos foi resolvido nas conversas de Lisboa de 1946-1947. Portugal tomou uma posição firme em 1945 que não era responsabilidade deles devolver o ouro que eles tinham trocado com a Alemanha por bens tangíveis. Portugal manteve esta posição indo tão longe até declarar que nenhum ouro foi embarcado da Alemanha para Portugal entre os anos de 1938 e 1945.

A inteligência aliada concluiu que Portugal tinha recebido 143.8 milhões do ouro do Banco Nacional Suíço, aproximadamene metade do aumento das reservas de ouro de Portugal relatadas anteriormente neste capítulo. Desta quantidade, os Aliados estavam certos que 22.6 milhões era ouro saqueado da Bélgica e da porção remanescente 72% foi saqueada pelos nazistas. Durante as negociações, os Aliados propuseram que Portugal devolvesse 50.5 milhões. Os Aliados contestavam que esta quantidade de ouro foi obtida depois de 1942, quando estava claro para todo mundo que as reservas alemãs de ouro foram expandidas pelo saque da Europa. Portugal declarou não estar ciente de tal saque. Mais tarde nas negociações, Portugal declarou que todo ouro que eles obtiveram foi de boa fé e não saqueado. Pelo longo período das negociações com Portugal se arrastando para os anos de 1950, Portugal só concordaria em devolver 4.4 milhões.

Recentemente tem aparecido evidência que mostra que as afirmações de Portugal eram na melhor das hipóteses insinceras. Em um relatório confidencial descoberto recentemente, Victor Gautier, um oficial de alto escalão do Banco Nacional Suíço relata seu encontro com Albino Garble Peso, secretário-geral do Banco de Portugal, que Portugal não aceitaria ouro dos nazistas. Ele notou que a razão provavelmente  se estende de motivações políticas à necessidade de cautela legal. Ele posteriormente notou que as objeções dos portugueses se evaporariam se o dinheiro fosse para passar por nossas mãos e a necessidade de explorar aquela opção. Estas declarações e outras dentro do relatório de Gautier deixam claro que os portugueses queriam o ouro nazista e um passado limpo dos lavadores de dinheiro suíços. Inicialmente, Portugal usou o Banco Internacional de Assentamentos e o Banco Nacional Iugoslavo em Basel para lavar o ouro nazista.

Contudo, começando em 1941 com a invasão nazista da Iugoslávia, Portugal foi forçada a procurar por outros meios para lavar o ouro. Também em 8 de janeiro de 1942, Montagu C. Norman, diretor do Banco da Inglaterra, notificou Thomas McKittrick, o diretor americano do Banco de Assentamentos Internacionais que ele não mais reorganizaria embarques de ouro do Banco Internacional para Portugal como válidos. Portugal então insistiu que o Reichsbank vendesse seu ouro em uma taxa diária ao Banco Nacional Suíço por francos. Os francos então seriam depositados pelo Reichsbank na conta do Banco de Portugal com o banco suiço. O Banco de Portugal então usaria estes francos para comprar ouro do Banco Nacional Suíço. Uma conta foi usada para depósito de ouro transferido no pagamento para a compra de escudos pelo SNB do Banco de Portugal. A segunda conta foi usada para o ouro que o Banco de Portugal financiou com francos suiços. Esta última conta fechava o círculo para a transferência do ouro das ordens de Berlim para a conta do Banco de Portugal em Zurique.

O Banco Espirito Santo também desempenhou um papel importante na obtenção do tungstênio pelos nazistas. Um relatório da FEA datado de outubro de 1945 acusou o banco de ser o principal agente financeiro para as operações nazistas de tungstênio. Depois que os Aliados tinham compelido o banco a esquecer seus laços nazistas, os nazistas transferiram suas contas para o Banco Lisboa e Acores.

Adicionalmente, houve uma quantidade significativa de ouro contrabandeado para dentro de Portugal. O adido comercial alemão em Madri admitiu ter contrabandeado quase que 1 milhão de soberanos ingleses de ouro de Berlim para a embaixada alemã em Lisboa. As moedas tinham sido enviadas em malas diplomáticas durante 1943 e 1944. Um outro relatório indicou que 360.000 dólares em ouro tinham voado para Portugal em junho e julho de 1944 e depositado no Banco de Portugal sob o nome do embaixador. O diretor do banco admitiu que vários outros dignatários tinham contas especiais, inclusive o irmão de Franco.

Conquanto os portugueses alcançassem um acordo anterior com os aliados sobre a propriedade alemã, a questão do ouro parou nas conversações. Sobretudo, Portugal ligou o acordo da propriedade à questão do ouro e se recusou a liquidar a propriedade até que a questão do ouro fosse resolvida. Esta ação retardada somente serviu para erodir o valor da propriedade nazista tomada. As conversas continuavam  em bases formais ou não. Documentos recentemente desclassificados mostram que os negociadores americanos estavam cientes de um memorando do OSS datado de 7 de fevereiro de 1946 declarando que Portugal tinha recebido 124 toneladas de ouro nazista. Não obstante, os negociadores americanos estavam apenas buscando o retorno de 44 toneladas de ouro. Os Açores complicaram a inteira negociação do fim da guerra até 1953. Durante a guerra, Portugal tinha garantido a permissão aos EUA para construir uma base aérea nos Açores para uso durante a guerra e por cinco anos depois da guerra. Por julho de 1947, o Departamento de Estado estava urgindo que os negociadores facilitassem a linha dura de abordagem e buscassem um compromisso com Portugal sobre a questão do ouro. O mais importante para o Departamento de Estado era a negociação da base aérea nos Açores. Em 1945, a Junta de Chefes tinha considerado a base dos açores uma das nove bases estratégicas essenciais necessárias para manter a segurança dos EUA. As negociações sobre o ouro foram suspensas em 1947 até que as negociações sobre os Açores estivessem completas.

Em 1948, Robert Lovett escreveu ao Secretário do Tesouro que ” superando as considerações políticas e estratégicas de nossa política externa, torna essencial que os bens de Portugal nos EUA sejam desbloqueados”. Uma semana depois o Departamento do Tesouro enfraqueceu os procedimentos de licenciamento, efetivamente desbloqueando os bens. Com esta ação, os EUA perderam toda a alavancagem sobre Portugal. Em 17 de julho de 1951, o Departamento de Estado se comunicou com Lisboa para assentar nos termos portugueses. A decisão era baseada em superar a importância dos objetivos políticos e militares. Portugal tinha se tornado um membro pleno da OTAN. Também em jogo estava o arrendamento a longo prazo de uma base aérea nos Açores, o último acordo tinham somente estendido o arrendamento para cinco anos. Baseado nas prioridades dos objetivos da Guerra Fria e consultando as autoridades britânicas, o Departamento de Estado recomendou estabelecer a questão do ouro com Portugal em meros 4.4 milhões de dólares.

O Departamento do Tesouro concordaria com os termos se o Tesouro recebesse uma carta assinada a nível de secretário assistente, indicando que houve considerações políticas que garantiram um asentamento e que qualquer acordo não resultaria em queixas contra os EUA. Agindo como Secretário Assistente para os Assuntos Europeus James Bonbright assinou a carta para o Tesouro. O acordo com Portugal foi finalmente alcançado em 24 de junho de 1953. Contudo, Portugal condicionou o acordo à condição que isto alcançasse a concordância da Alemanha Ocidental. Demoraria até junho de 1958 antes que Portugal alcançasse o acordo com a Alemanha. Não foi senão em 1959 que Portugal restituiu os $4.4 milhões em ouro.

Conquanto muitos dos neutros se inclinassem na direção do fascismo, ninguém era tão completamente fascista quanto a Espanha de Franco. Tanto a Alemanha quanto a Itália haviam fornecido apoio a Franco durante a Guerra Civil Espanhola. De fato, Franco despachou 40.000 voluntários para a Alemanha em 1941. Eles serviram no front russo conhecido como Divisão Azul até 1943. Embora Franco declarasse neutralidade tão logo a guerra irrompeu na Europa, a Espanha balançava na inclinação de se unir aos poderes do Eixo por 1940 e 1941. A beligerância espanhola era baseada em uma prematura vitória alemã sobre a Bretanha e o acordo alemão que permitiria a Franco se expandir territorialmente no Marrocos francês, África e talvez até mesmo Europa.

Os nazistas já reconheciam a localização estratégica da Espanha. Tão cedo quanto em meados de 1940, os nazistas tinham planos compreensivos de invadirem Gibraltar. O nome código do plano, Operação Felix, originalmente pedia por uma operação em meados de 1941. O plano pedia que dois corpos se movessem através da Espanha, com a permissão de Franco, pelas estradas. O sistema feroviário espanhol era de um calibre diferente do resto da Europa, forçando os nazistas a confiarem no sistema rodoviário. Uma vez em posição, Gibraltar seria atacada por terra e por ar com a mortal eficiência nazista. Os planos também incluiam que duas divisões adicionais atacassem o Marrocos uma vez a Operação Felix fosse bem sucedida.

Certamente, o General Franco, como os nazistas, reconhecia a importância estratégica de Gibraltar. Com os Pilares de Hercules guardando a entrada do Mar Mediterrâneo, uma tomada nazista de Gibraltar acrescentaria semanas para que os petroleiros alcançassem a Bretanha vindos do Oriente Médio e daria aos nazistas o controle estratégico do Mediterrâneo. Igualmente, Franco certamente deve ter estado ciente da situação precária da Bretanha em 1940. A Inglaterra mal era capaz de se defender. Na medida em que o império estivesse mundialmente sob ataque, estaria dificilmente em posição de defender uma outra parte do império. O ataque até mesmo incluia uma ataque de acompanhamento a Marrocos, o país que Franco ambicionava. Não obstante, os nazistas falharam em obter a aprovação de Franco. Se a falha foi devida a interferência do embaixador americano ou a pobre diplomacia da parte dos nazistas, isto tem sido um dos maiores erros crassos diplomáticos e estratégicos que os nazistas cometeram.

Depois que passou 1941 houve planos similares de atacar Gibraltar. Contudo, depois que os alemães invadiram a Rússia, tais planos eram impraticáveis porque os nazistas não tinham equipamento ou poder humano para gastar abrindo uma nova frente de batalha.

Um dos maiores laços entre a Espanha e a Alemanha nazista era o débito incorrido pela Espanha durante a Guerra Civil. A Espanha devia a Alemanha mais de 212 milhões em suprimentos de material de guerra e outros itens para as forças do General Franco.

A Bretanha e os EUA se engajaram em um esforo em manter a Espanha neutra durante o início dos anos de 1940. A Espanha era fornecida com grãos e gasolina. Grande parte, se não a maioria dos produtos de petróleo que os EUA forneciam a Espanha, eram enviados aos nazistas. Franco fazia os EUA de tolos. Ele alegremente aceitava a gasolina, separava uma pequena parte para suas necessidades e despachava o resto para os nazistas. A neutralidade da Espanha dependia de uma ameaça de invasão. Depois de 1941, a Espanha foi levada pela corrente para mais perto dos Aliados. Franco forneceu um abrigo para os judeus que puderam escapar pelos Pirineus. Por 1943, a precupação americana e espanhola com uma invasão desapareceram. Acompanhado da reduzida ameaça dos nazistas em 1943, a Espanha mudou para uma neutralidade mais clara.

Em julho de 1943, o embaixador americano se encontrou com Franco e explicou que havia três maiores aspectos da política espanhola que precisavam ser revisados se a Espanha fosse demonstrar real neutralidade. Um, a Espanha teria que anunciar inequivocamente sua neutralidade. Dois, os órgãos do governo controlados pela Falange teriam que adotar a politica da imparcialidade já seguida pelo Ministério do Exterior. Finalmente, a Divisão Azul teria que ser chamada para casa. Franco respondeu que ele ainda não podia renunciar completamente da não beligerância mas podia começar a mudar na direção da neutralidade. Em 1947, um memorando do Departamento de Estado concluiu que Franco tinha agido de um modo mais que de neutralidade para os primeiros quatro anos de guerra fornecendo aos nazistas significativas quantidades de bens estratégicos, bem como apoio militar e de inteligência. Segundo mensagens interceptadas, um aspecto chave deste apoio de inteligência era as redes de espionagem criadas nos EUA e na Bretanha e operadas pelas embaixadas espanholas em Washington e Londres. A operação destas redes de espionagem parece ter começado em 1942; as mensagens desencriptadas estavam disponíveis para os líderes americanos.

Além do débito que os ligava aos nazistas, a Espanha como Portugal, tinha consideráveis minerais vitais necessários aos nazistas. A Sociedad Financiera Industrial (SOFINDUS) foi formada em 1936 sob o nome de Rowak. Era um grande conglomerado comercial que agiria como peça central no comércio espanhol-alemão. Por especiais acordos bilaterais em 1937 e 1939 garantindo tratamento econômico favorecido a empreendimentos alemães, o SOFINDUS adquiriu um império comercial ao tempo em que a guerra irrompeu. Em um  protocolo secreto para um acordo espanhol-alemão em 1939, a Espanha prometeu servir como conduto de suprimentos da América do Sul. Em maio de 1940, a Espanha assinou um acordo de três anos com a Itália prometendo suprimentos vitais. Por 1942, o comércio entre a Espanha e a Alemanha tinha mudado para a maioria dos alimentos e minerais essenciais à guerra. A Espanha tinha ricos depósitos de pirita, um ferro de alto grau.  70% do comércio mineral ente os dois países era devido a pirita. Os nazistas também compravam zinco, chumbo, mercúrio, fluorita, celestita, mica e  amligonita da Espanha. Contudo, o tungstênio era o mais vital, já que a Espanha era um dos dois fornecedores deste mineral para a Alemanha. Navios de bandeira espanhola eram usados para contrabandear bens da América do Sul para os nazistas. O bloqueio dos aliados era eficaz em eliminar grandes itens mas os itens pequenos, como os diamantes industriais ou platina, que serve com o catalizador na produção e nitratos e ácido sufúrico, compunham o grosso do comércio de contrabando.

O comércio aliado com a Espanha tinha três objetivos. O primeiro objetivo era obter os bens necessários que não estavam disponíveis em outros lugares. Secundariamente, ao comprarem materiais vitais da Espanha os Aliados podiam negar aos nazistas uma fonte para estes materiais. Finalmente, ao realizarem o comércio dos materiais necessários à economia da Espanha, os Aliados podiam diminuir a influência da Alemanha sobre a Espanha. Os esforços para alcançar esta política começaram em março de 1940, pela Bretanha, quando ela assinou um acordo de seis meses de fornecer a Espanha certos materiais que esta necessitava, tais como produtos de petróleo e fertilizantes, em troca de minério de ferro, outros minerais e frutas cítricas. O acordo foi renovado a cada seis meses durante a guerra. Em maio de 1943, devido ao contrabando de materiais dentro da Espanha para os nazistas, os EUA iniciaram um programa para comprar as fontes destes materiais na América do Sul.

Contudo, a real competição no comércio com a Espanha era pelo minério do tungstênio. Diferentemente de Portugal, que tinha um sistema de cota, a Espanha confiava no mercado aberto para o tungstênio.  O mercado aberto fornecia uma margem aos Aliados com seu melhor acesso a boa moeda. Por 1941, a Alemanha tinha desenvolvido a maioria das minas de tungstênio da Espanha e controlado os maiores produtores através do SOFINDUS. Em 1941, os nazistas adquiriram quase todo minério de tungstênio produzido. A Inglaterra só havia conseguido comprar 32 tonelas. Começando em 1942. a Inglaterra e os EUA começaram um programa unificado para comprar o máximo possível do minério. O programa causou o output das minas a quase dobrar a produção do ano anterior. A produção havia aumentado para aproximadamente 2.000 toneladas e o preço havia subido de $75 uma tonelada para $16.800. Em junho, a Espanha estabeleceu um  preço mínimo de $16.380 por tonelada, o que incluia uma taxa de importação de $4.546. Em um esforço para melhor competir com os nazistas, os Aliados criaram sua própria frente de fachada corporativa para comprar o minério e em 1942 compraram aproximadamente metade do minério.

Em dezembro de 1942, sob pressão dos nazistas, A Espanha assinou um novo acordo de comércio com a Alemanha com cotas mais explícitas. O acordo logo caiu com ambos os lados culpando o outro pela falha. Em fevereiro de 1943, a Espanha assinou um acordo secreto com a Alemanha para substituir o acordo fracassado. A Alemanha concordou de fornecer a Espanha armamentos ao custo. Contudo, durante as negociações os nazistas tiveram uma primeira demanda de 400% no encarecimento das armas. Os nazistas, desesperados pelo tungstênio e pesetas espanholas, tinham que ceder a demanda de armas pelo custo da Espanha. Depois da guerra, o negociador nazista notou que as conversas foram tensas e difíceis. Em agosto de 1942, a Espanha tinha alcançado o acordo com os nazista para repagar seu débito da Guerra Civil em quatro prestações, nas quais os nazistas usariam o dinheiro para comprar tungstênio. Durante 1943, a Alemanha comprou a grosso modo 35% da produção total de tungstênio. A produção total das minas na Espanha era a grosso modo 4 a 5 vezes a produção de 1940.

Em janeiro de 1944, depois que o embaixador britânico, Sir Samuel Hoare, se encontrou com Franco em uma tentativa infrutífera de persudir a Espanha a suspender a venda de tungstênio aos nazistas, os Aliados impuseram um embargo de petróleo à Espanha. Em 2 de maio a Espanha concordou a limitar a exportação de tungstênio para a Alemanha a 580 toneladas e 300 toneladas já haviam sido enviadas. O acordo cortou pela metade as exportações alemãs. Contudo, devido ao contrabando, documentos capturados mostram que a Alemanha conseguiu comprar um total de 865.5 toneladas. As exportações de tungstênio da Espanha para a Alemanha terminaram em agosto de 1944, quando a fronteira foi fechada.

A Operação Safehaven na Espanha começou na primavera de 1944. Samuel Klaus do FEA liderou a equipe. Klaus relatou que a Espanha era o mais desencorajador bem como o mais difícil de todos os neutros. Ele indicou que o embaixador americano, Carlton Hayes, não era voluntário para cooperar. Klaus notou que os nazistas podiam facilmente ocultar seus negócios na Espanha devido a corrupção dos oficiais. Ele também indicou que Tangiers estava sendo usada como um conduto para mover os bens deles da Espanha e Portugal para a Argentina. Este conduto confirma o programa de Bormann da fuga de capital.

No outono de 1944, os Aliados fizeram sua primeira solicitação para que a Espanha cessasse todas as transações de ouro envolvendo interesses inimigos. A Espanha deixou de responder. Em janeiro de 1945, o Tesouro e o FEA queriam ligar Safehaven com as futuras conversas com a Espanha sobre o expirado acordo de comércio, notando que os Aliados tinam cortado todas as rotas por terra ente a Espanha e a Alemanha. A Bretanha se opôs obstinadamente a uma tal ligação, sendo mais dependente do comércio espanhol. Não foi senão em 5 de maio de 1945 que a Espanha divulgou um decreto para congelar e imobilizar todos os bens com uma Curadoria anglo-americana para tomar controle do Estado alemão e das propriedades quase oficiais. Os problemas com o acordo da curatela se levantaram imediatamente. Por julho de 1947, a curadoria tinha tomado o controle de apenas 25.3 milhões dos estimados 95 milhões de bens alemães na Espanha.

A informação sobre as transações de ouro da Espanha vieram da inteligência Aliada, registros capturados do Reichsbank alemão, declarações de funcionários de bancos suíços, e registros tomados de escritórios das corporações quse oficiais SOFINDUS e Transportes Marion. A melhor estimativa foi que a Espanha tinha recebido 138.2 milhões de ouro diretamente da Alemanha ou indiretamente via Suíça. Adicionalmente, estatísticas publicadas mostravam que as holdings de ouro da Espanha aumentaram de 42 milhões em 1941 para 110 milhões em 1945.

As negociações começaram com a Espanha em novembro de 1946 em Madri. Mais uma vez Seymour Rubin liderava os negociadores. As negociações se arrastaram através de 1947 para dentro de 1948. O acordo final foi alcançado para os bens nazistas e a questão do ouro em 3 de maio de 1948. A Espanha concordou em expatriar 114.329 dólares em ouro que se acreditava ter vindo da Holanda. Contudo, os Aliados tinham que publicar uma declaração que a Espanha não estava ciente que o ouro tinha sido saqueado pelos nazistas, como especificado no acordo.

Aqui existiam dois fatores adicionais que aceleraram as negociações para um acordo mais cedo do que aquele com Portugal. O Departamento de Estado tinha sua usual solicitação para um fácil assentamento para facilitar o caminho para adquirir bases militares dentro da Espanha.  Contudo, o fator mais crítico era a Espanha ser vista como um pária depois da guerra. Os aliados tinham concordado em Potsdam de excluir a Espanha da afiliação a ONU devido ao seu background fascista. Em dezembro de 1945, o embaixador americano, Norman Armour, deixou Madri. Nenhum embaixador foi indicado até 1951 para ocupar a posição vazia. Outras nações também retiraram seus embaixadores. Em um relatório durante maio de 1946, um sub-comitê da ONU apresentou evidência da natureza fascista da Espanha, suas atividades pró-nazistas e o apoio pós guerra e santuário a criminosos de guerra nazista e repressão política dos oponentes. De fato, a Espanha foi isolada como uma nação não amigável. Apenas em 1955 a Espanha foi admitida na ONU.

Parte 7:Turquia, Argentina e o Ouro Nazista

Como outros países neutros, a Turquia estava ligada aos nazistas pelo comércio, mas aqui era onde as similaridades paravam. A Turquia descendia do Império Otomano e era primariamente uma nação muçulmana. Durante a primeira guerra mundial, a Turquia tinha se alinhado com a Alemanha. Imediatamente depois da primeira guerra mundial, a Turquia ralizou um programa para extermínio dos Armenios, uma acusação que a Turquia ainda nega vigorosamente. Sobretudo, a Turquia começou a Segunda Guerra Mundial ligada a Bretanha e a França pela aliança militar de outubro de 1939; ela declarou neutralidade em junho de 1940, depois da queda da França e terminou como aliada de guerra dos Aliados. Grande parte da razão da Turquia declarar neutralidade foi resultado do medo turco de uma invasão nazista. Depois da Queda dos Balcãs pelos nazistas, a Turquia assinou um Tratado de Amizade com a Alemanha em junho de 1941.

Por toda a guerra, a Turquia andou em uma corda estreita, equilibrando as necessidades e expectativas dos nazistas contra aquelas dos Aliados. No entanto Istambul era um centro de espionagem e de intriga durante a guerra. A Turquia não tomou ação aberta contra os nazistas e por sua vez os nazistas nunca violaram as fronteiras da Turquia. Em outubro de 1941, a Turquia asinou um importante acordo de comércio com a Alemanha.  Em  troca de matéria prima, especialmente o minério cromita, a Alemanha supriria a Turquia com materiais de guerra e outros bens acabados. Ao mesmo tempo, a Turquia mantinha relações amigáveis com os EUA e a Bretanha, que forneciam a Turquia moderno equipamento de guerra em troca do minério cromita. O minério cromita da Turquia era crítico para os nazistas. A Turquia era a única fonte de cromo, um elemento vital na indústria do aço. Albert Speer afirmou que o minério cromita da Turquia era tão vital para os nazistas que a produção de guerra chegaria a uma parada completa dez meses depois que o suprimento foi cortado. O minério era embarcado da Turquia por trem através da parte mais escarpada de um país no mundo. Para o fim da guerra, os aliados alvejaram pontes ao longo das principais linhas ferroviárias para parar os embarques de cromita.

Em 1941, a Turquia foi acrescentada as nações de transferência de bens e serviços disponíveis para receberem equipamento. Em janeiro de 1943, durante a Conferência de Casablanca, Roosevelt considerou pedir a Turquia para entrar na guerra. Em novembro de 1943, todos os três grandes líderes Churchill, Roosevelt e Stalin, pediram para a Turquia entrar na guerra. Em fevereiro de 1944, depois que a Turquia fez sua entrada na guerra contingente a maciça assistência militar e uma significativa presença militar aliada, a Bretanha e os EUA pararam o programa de ajuda. Por 1943, os Aliados previram que não existia ameaça de uma invasão nazista. Não foi senão em abril de 1944 que a Turquia parou as exportações de cromita para a Alemanha e então apenas depois de ser ameaçada com as mesmas sanções econômicas que estavam colocadas sobre outros países neutros. Mais tarde em agosto, a Turquia suspendeu todas as relações diplomáticas com a Alemanha. Mais tarde em fevereiro de 1945, na véspera das criação da ONU, a Turqia declarou guerra a Alemanha.

A Turquia não foi um grande recebedor do ouro dos nazistas. De fato, as melhores estimativas dos especialistas americanos estavam na faixa de 15 milhões de dólares. A maioria do ouro era acreditada ter sido saqueada da Bélgica. Além disso, dois bancos particulares alemãos, o Deutsche Bank e o Dresdner Bank, venderam ouro da conta de Melmer em troca de moeda estrangeira.

Os esforços aliados de recuperar ouro da Turquia nunca foram perseguidos com qualquer vigor. A localização geográfica da Turquia, controlando o acesso ao Mar Negro, e sua fronteira com a União Soviética a tornou a pedra fundamental para os interesses estratégicos dos EUA na Guerra Fria vindoura. Em 1946, conversas formais foram realizadas considerando o ouro recebido dos nazistas bem como os bens alemães na Turquia. Os Aliados estimaram que os bens alemães na Turquia totalizavam 51 milhões. Em março de 1947, a Doutrina Truman incluiu a Turquia junto com a Grécia. Em julho, os EUA assinaram um acordo de comércio de 150 milhões com a Turquia. O acordo lidava com um choque fatal para qualquer negociação posterior sobre restituição. A Turquia nunca devolveu qualquer ouro.

Pela década de 1930, a Argentina era governada por uma sucessão de ditadores militares e presidentes fraudulentamente eleitos. Estes regimes eram enfraquecidos pela corrupção interna e deviam se legitimar ao reviver uma antiga aliança hispânica de Cruz e Espada. Os laços com Franco de raça, religião e linguagem eram enfatizados. Alguns até mesmo pediam para desfazer a guerra de independência da Argentina da Espanha e pediam um governo por um Vice-Rei. Os líderes militares e a Igreja Católica, como solicitado pelo Vaticano, sonhavam em criar uma nação católica hispânica que equilibraria os EUA no Hemisfério Ocidental. Ao tempo em que a guerra irrompeu, a politica externa da Argentina estava dividida em dois campos, um pró-nazista e outro pró-aliados. Contudo, a politica externa da Argentina era controlada por agentes operacionais ligados ao Vaticano que pediam um triângulo de paz entre a Argentina, a Espanha e o Vaticano.

No início da guerra na Europa, o fraco presidente da Argentina Ramon Castillo anunciou uma política de prudente neutralidade. A despeito de ter concordado com a Conferência de Havana de 1940, na qual o ataque a qualquer país do Hemisfério Ocidental seria considerado um ato de agressão a todos os Estados americanos, a Argentina aderiu a esta política de neutralidade. A Argentina fracamente defendeu sua neutralidade política ao afirmar que qualquer ação tomada em resposta a um ataque era uma questão da interpretação individual de cada Estado. A Argentina tinha permanecido neutra durante a primeira guerra mundial e sua economia se beneficou muito bem como uma consequência. Novamente havia a esperança que uma política de neutralidade reviveria a economia da devastadora depressão da década de 1930.

Em janeiro de 1942, a Argentina concordou com os termos da Conferência do Rio para cortar todas as relações comerciais e financeiras com os poderes do Eixo. Em junho de 1942, a Argentina concordou com o Ato Final da Conferência Inter-americana sobre Controles Econômicos e Financeiros, obrigando todos os Estados a finalizar todo intercurso comercial, direto ou indireto, com o Eixo. A Argentina ignorou os termos e continuou com os negócios como usual com os nazistas. Sobretudo, durante 1942 Juan Goyeneche, um agente confidencial de Peron e Adrian Escobar, o embaixador argentino para a Espanha, viajaram pela Europa devastada pela guerra, encontrando-se com oficiais nazistas e do Vaticano. Goyeeneche colaborou extensamente com o Rao de Inteligência Estrangeira das SS. Escobar e seu consul Aquilino Lopez estavam coloaborando com o serviço secreto de Himmler ao atravessar a França de Vichy e relatar detalhes dos diplomatas espanhóis e aliados.

Depois de extensos encontros com o secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Luigi Magione, um acordo foi alcançado no qual uma vez a paz fosse estabelecida, a Argentina aplicaria generosamente suas leis de imigração. Estes encontros aparentemente inocentes tomam uma importância crítica no fim da guerra. Isto prova que o Vaticano estava planejando ajudar os nazistas criminosos de guerra a escaparem da Europa já em 1942. Este encontro estabeleceu as linhas de fuga do Vaticano.

Em 10 de outubro, o Papa recebeu Escobar e recebeu bem a opinião da Argentina que era apropriado para o Vaticano participar nas conversas de paz. Depois deste encontro com o Vaticano em outubro, Goyeneche viajou para a Alemanha e se encontrou com Ribbentrop, buscando o apoio nazista para o candidato nacionalista nas eleições de 1943. Esta fachada de neutralidade seria mantida até 1943 a a revolução dos coronéis que eventualmente trouxe Peron ao poder.

Uma vez os coronéis estavam no poder, eles primeiro buscaram armas da Alemanha para o caso de irromper uma guerra entre a Argentina e o Brasil. Por setembro de 1943, os coronéis desistiram da idéia de contrabandear armas para a Argentina vindas da Alemanha e ao invés buscaram uma aliança com os nazistas. O grupo de coronéis despachou Osmar Hellmuth e Carlos Velez para a Espanha para negociar com os nazistas. Infelizmente para os coronéis, o  interceptador US Magic tinha detectado a missão em andamento de transmissões entre o agente das SS na Argentina, um Capitão Backer e Schellenberg na Alemanha e os britânicos prenderam Hellmuth quando o navio aportou em Trinidad.

A prisão de Hellmuth falhou em deter complôs posteriores. Peron e Becker continuaram a tramar derrubar os governos vizinhos para criar um bloco pró-nazista na América do Sul. Peron escreveu em um secreto manifesto dos coronéis como se segue.

“Formar alianças será o primeiro passo. Temos o Paraguai, a Bolívia e o Chile. Com a Argentina, Paraguai, Bolivia e Chile, será fácil pressionar o Uruguai. Então as cinco nações unidas será fácil envolver o Brasil por causa de seu tipo de governo e seu grande núcleo de alemães. Com a queda do Brasil, o continente americano será nosso.”

Em 20 de dezembro de 1943, um golpe militar no Uruguai instalou o General Gualberto Villarrod como presidente. Peron e Becker tinham planejado o golpe. A contra-inteligência americana estava ciente do golpe pelas desencriptações do Magic das transmissões de Becker da Argentina. O golpe todavia, foi um fracasso para os nazistas. Usando o material das decriptações Magic, os EUA torceram o braço da Argentina. Enfrentando a ameaça dos EUA de divulgarem as decriptações das admissões de Hellmuth e de interrogatórios implicando o papel da Argentina no golpe, a Argentina foi forçada a romper diplomaticamente comos nazistas em janeiro de 1944. Contudo, a Argentina manteve a sua neutralidade e não declarou guerra contra a Alemanha até um mês antes do suicídio de Hitler.

Durante o ano final da guerra, a Argentina era a primeira destinação de muitos bens que Bormann estava retirando da Alemanha para o renascimento do Terceiro Reich. Depois da guerra, a Argentina também foi o principal destino dos criminosos nazistas de guerra. Até mesmo os criminosos nazistas de guerra que escaparam para outros países sul-americanos geralmente primeiro entraram no continente pela Argentina. Enquanto outros países sul-americanos geralmente apoiaram as políticas americanas durante a guerra, não houve cooperação da Argentina. Outras países aderiram a Lista Proclamada e tomaram medidas para eliminarem qualquer esforço de contrabando. O Departamento do Tesouro urgiu ações mais rígidas em relação a Argentina do que aquelas que o Departamento do Estado era voluntário em implementar. O Departamento de Estado estava tomado pelo medo que uma política mais rígida alienasse outros países sul-americanos e por uma diferença de opinião com os britânicos. Durante ambas as guerras mundiais a Inglaterra dependeu da Argentina por carne. Contudo, já em 1942, a neutralidade política da Argentina tornou isto o foco principal do Departamento do Tesouro e da Diretoria de Guerra Econômica.

O grande número de companhias alemãs na Argentina permitia que os lucros voltassem para as organizações nazistas de espionagem em troca de créditos em Reichsmark na Alemanha. O Departamento do Tesouro também suspeitava que a Argentina fez quantidades substanciais de moeda estrangeira disponível aos países do Eixo, aceitou a entrada de grandes quantidades de moeda saqueada e securidades em seus mercados, e permitiu que firmas alemãs escondessem seus bens. Um relatório do FBI divulgado em junho de 1943 descreveu como Buenos Aires serviu como uma fachada do Hemisfério Ocidental para as notas bancárias dos EUA que tinham sido saqueadas na Europa ocupada e entraram no tráfico comercial na Suíça.

Por toda a guerra a Argentina serviu como um centro de atividade para as operações nazistas de contrabando. Grandes itens de comércio eram facilmente parados pelo bloqueio. Contudo, itens críticos de pequeno tamanho, tais como diamantes industriais e platina eram especialmente necessários na Alemanha e podiam ser contrabandeados pelo bloqueio em bases regulares. Imediatamente depois de Pearl Harbor, Morgenthau queria congelar os bens da Argentina. Em maio de 1942, Morgenthau apresentou evidência ao Presidente Roosevelt que numerosas companhias argentinas estavam ocultando fundos alemães nos EUA e que a Argentina tinha recentemente enviado mais de um milhão de dólares para os EUA em moeda saqueada. Contudo, Roosevelt continuou com a politica estabelecida pelo Departamento de Estado. Depois de repetidas solicitações do Departamento do Tesouro, o Departamento de Estado concordou com o bloqueio ad hoc de contas argentinas selecionadas em outubro. Mais de 150 indivíduos e firmas na Argentina foram acrescentados a Lista Negra.

As negociações de Safehaven com a Argentina começaram em 1944 e foram restringidas por relações ansiosas. Em fevereiro de 1944, o presidente argentino Ramirez delegou seus poderes ao General Edelmiro Farrell. Os EUA falharam em reconhecer o governo de Farrell e retiraram seu embaixador. Em agosto e setembro o Departamento de Estado anunciou sanções adicionais contra a Argentina devido a sua falha em cumprir com a desnazificação da Argentina. Em resposta, a Argentina se retirou do Comitê de Montividéu para defesa política do continente. O Banco Central da Argentina no entanto forneceu uma pequena ajuda aos investigadores americanos na localização de bens alemães. Depois que Cordell Hull pediu exoneração como Secretário de Estado em novembro de 1944, o secretário seguinte, Edward Stettinius, formulou uma política mais fácil em relação a Argentina. Nelson Rockefeller, o indicado chefe da inteligência sul-americana em tempos de guerra, também favorecia termos mais fáceis para a Argentina. Rockefeller controlava bancos que haviam ilegamente transferido fundos entre os EUA e a Argentina de contas congeladas.

Em 7 e fevereiro de 1945, o Secretário do Tesouro Morgenthau sugeriu ao atuante Secretário de Estado Joseph C. Grew que um especial representante do Tesouro fosse enviado a Argentina para descobrir e controlar os bens externos nazistas na Argentina. Grew rejeitou a solicitação, citando considerações políticas. Em 1945, quando foi aprovada uma resolução em apoio da Resolução VI Bretton Woods pela Conferência Inter-Americana sobre Guerra e Paz realizada na cidade do México. A resolução, conhecida como o Ato de Chapultepec, contudo, não garantiu o controle dos bens nazistas nos países da América Latina para corpos multinacionais de governo, mas reconheceu o direito de cada uma das repúblicas americanas, incluindo os EUA, para a propriedade alemã dentro de sua própria jurisdição. Devido a sua continua política pró-nazista, a Argentina foi excluida do encontro. Reconhecendo seus crescente isolamento das outras nações do Hemisfério Ocidental, a Argentina foi forçada a declarar guerra contra a Alemanha no último mês das hostilidades.

Em 11 de fevereiro de 1946, o Departamento de Estado pubicou o famoso Livro Azul sobre a Argentina. O livro confirmou que o governo argentino não exerceu nenhum controle sobre as firmas alemãs e os esforços para tomar os bens delas foram retardados até que estes bens pudessem ser dispostos em outros lugares. O livro também confirmou que a Alemanha nazista transferiu grandes somas de dinheiro a sua embaixada na Argentina sem qualquer obstáculo sério. Alguns historiadores creditam a divulgação do Livro Azul para a eleição de Peron devido ao seu retrocesso anti-americano. Em 22 de maio de 1946, a equipe de Safehaven relatou que o valor total dos bens alemães era aproximadamente de 200 milhões. Os bens incluiam balanços de banco, propriedades imobiliárias, mercadorias e similares. Nenhum grupo de pedras preciosas ou tesouros de arte foi encontrado e a equipe concluiu que a Argentina não era a maior destinação do tesouro saqueado. Sobretudo, a equipe relatou que nenhum registro revelava que a Argentina tenha sido receptora do ouro nazista.

Já em 1942, os EUA tinham conhecimento dos acordos ilegais de moeda da Argentina. Em abril de 1942, o consulado dos EUA na Suiça relatou que um diplomata argentino estava contrabandeando dólares roubados pelos nazistas para venda em sua terra natal; os procedimentos eram então transferidos para a Suiça. Cabogramas britânicos de 1944 mostram que a Argentina realizou um vigoroso comércio com a Suiça e que frequentemente o pagamento era em ouro. Por 1945, os Departamentos de Estado e do Tesouro tinham encontrado evidência conclusiva de extensas transações envolvendo a transferência de pesos argentinos,   Reichsmarks, e francos suiços da Argentina para a Suiça. Em maio de 1947, a Argentina propôs uma transferência de 170 milhões de sua conta no Federal Reserve. A preocupação sobre a fonte do ouro retardou apenas temporariamente a transferência. Guyatt, relata que em 1973, quando Peron voltou ao poder, 400 toneladas de ouro pertencentes a Peron foram colocadas a venda no mercado negro.  Peron apelidou a venda de Bormann 1345. Conquanto o governo espanhol tenha tutoriado a venda, o agente da transferência rotulou a venda como de natureza política. A despeito do maciço aumento das reservas de ouro da Argentina e o número de criminosos nazistas que encontraram um santuário na Argentina, até mesmo cinquenta anos depois, há pouca prova da Argentina ter aceitado ouro dos nazistas.

A Guerra Fria comprometeu muitissimo a operação Safehaven na Argentina. Em 3 de junho de 1947,  o Presidente Truman e o embaixador argentino Ivanissevich divulgaram um anúncio conjunto que os dois países renovariam consultas com outros países latino americanos sobre a criação de um tratado de assistência mútua. Em setembro, a Argentina se uniu aos EUA e outras Repúblicas americanas na concordância do Tratado Inter-americano de Assistência Recíproca, o Pacto do Rio, para defesa mútua contra agressão. As companhias escondidas por Bormann na Argentina, bem como qualquer tesouro estava garantido e seguro. O hemisfério tinha que se proteger do comunismo.

Em 10 de abril de 1941, depois da invasão nazista da Iugoslávia o chamado Estado independente da Croácia foi criado; chefiado por Ante Pavelic, um membro do movimento político fascista croata Ustasha. A Croacia foi declarada um protetorado da Itália e era apoiado pelos nazistas e a Itália. Os Usrashi eram também intimamente alinhados com o Vaticano. Em 18 de maio de 1941, O Secretário atuante de Estado Sumner Welles reafirmou que o governo no exílio da Iugoslávia não reconhecia o Estado independente da Croácia. Logo depois, a Croácia fechou a embaixada americana em Zagreb. Já que a Croácia apenas existia como um Estado durante a guerra, e os EUA nunca reconheceram o Estado, as estatísticas apresentadas nesta seção são muito mais prováveis de serem submetidas a revisão no futuro.

Relatos pós guerra indicam que o tesouro Ustasha tinha a sua disposição mais de 80 milhões [principalmente em moedas de ouro], algumas das quais os Ustashi roubaram das vítimas. Em 31 de maio de 1944, a Croacia depositou $403.000 no Banco Nacional Suíço. Em 4 de agosto de 1944, a Croácia depositou outros 1.1 milhão em ouro. Um relatório do OSS de julho de 1945 concluiu que as contas comerciais de propriedade da Croácia em Berna totalizavam mais de 93 mil dólares. A Seção Histórica da Força Tarefa do Departamento Federal Suíço de Assuntos Externos indica que o Banco Nacional Suíço devolveu todos os 1.338 quilogramas de ouro em 121 lingotes na conta de tempo de guerra do regime croata ao Banco Nacional da Iugoslávia em 24 de julho de 1945.

Conquanto os registros bancários de depósitos não sejam muito prováveis de serem alterados, a quantidade de ouro dos Ustashi que eles levaram com eles quando fugiram para a Áustria quando a guerra estava terminando, ainda está muito na dúvida. As estimativas colocaram o valor do ouro que Ante Pavelic tinha quando entrou na Áustria como 5 a 6 milhões. Seja qual for o valor do saque com o qual os Ustashi escaparam, é certamente que grande parte dele tenha sido usado para criar e manter as rotas de fuga conjuntamente com o Vaticano. Em outubro de 1946 a inteligência dos EUA (SSU) relatou para o Departamento do Tesouro que eles acreditavam que os Ustashi tinham 47 milhões depositados no Vaticano antes que os Ustashi os tranferissem para a Espanha e então para a Argentina. Devido a Guerra Fria, os Aliados despenderam pouco esforço em devolver milhares de criminosos de guerra da Itália para a Iugoslávia. A questão do ouro dos Ustashi recebeu até menos atenção com o fim da guerra.

Parte 8: A Suíça e o Ouro Nazista

De todos os países neutros nenhum estava mais no centro de fazer negócios com os nazistas que a Suíça. Geograficamente, a Suíça estava cercada pelo Terceiro Reich depois da queda da França. Posteriormente, uma olhada precendente dos outros países já tinham implicado a Suiça em um papel central no comércio com os nazistas por meio dos bancos suiços. Quando se referem a Suíça, a maioria dos americanos pensa em exóticos chocolates, excelentes relógios e visões de Heidi caçado cabras nos campos alpinos. Não obstante, a Suiça é uma nação muito diferente durante a década de 1940, a despeito desta visão idílica.

A constituição de 1848 estabeleceu a forma atual do governo suíço ao aprovar três cantões, liberdades civis e a forma parlamentar da democracia. A cidadania não se estendia as mulheres até 1971. A Suíça tinha sido governada pr décadas por uma coalisão de partidos de centro direita. Durante a Segunda Guerra Mundial estes partidos eram conservadores cristãos, sociais democratas, liberais e o partido dos fazendeiros e artesãos. A mesma colisão governa hoje, embora alguns nomes de partidos tenham mudado. Um Conselho Federal de sete membros, os membros dos quais o parlamento seleciona por termos de um ano, governa a Suíça.

A maioria da cumplicidade da Suiça com os nazistas tem apenas recentemente vindo a vanguarda dos esforços de ação do presidente Clinton em indicar Eizenstat para liderar uma comissão na busca de um assentamento justo para as vítimas do Holocausto. Conquanto viva a lenda da feroz neutralidade suíça, isto é mais um mito, considerando a política suíça durante a segunda guerra mundial que era pesadamente equilibrada a favor dos nazistas. Similarmente, a ameaça de uma invasão nazista da Suiça não tem base em fatos. Já na década de 1930, os nazistas estavam ocupados em esconder suas corporações e acordos de cartéis com frentes suíças. Uma invasão teria comprometido todo o trabalho difícil que eles tinham dispendido para ocultarem as corporações deles. Como temos visto no caso de outros países neutros, quando os nazistas invadiram a Rússia, eles simplesmente perderam poder humano e equipamento para abrirem um outro front. Finalmente, a Suíça não tinha uma localização estratégica, diferentemente da Espanha e da Turquia. Seu único valor estratégico para os nazistas eram seus bancos internacionais. Os nazistas podiam usar os bancos internacionais para obterem moeda difícil e lavar o ouro saqueado deles.

Contudo, a Suíça era única em comparação a outros países neutros, já que a Suíça era igualmente dependente da Alemanha para carvão. Depois que a França caiu, a única fonte para a Suíça de carvão para o aquecimento no inverno era a Alemanha. Contudo, os nazistas usavam as compras suíças de carvão para outro propósito. As mercadorias que eram embarcadas para a Suíça da Alemanha seriam sub-faturadas. Isto  deixava uma quantidade de francos suíços em depósito nos bancos suíços que os nazistas usavam para comprar moeda estrangeira. Nao obstante, o comércio suíço com os nazistas se estendia além de banco e carvão. Fabricantes suíços forneciam aos nazistas produções, cronômetros e outros bens manufaturados usados na produção de equipamento de guerra.

O Conselho Federal governante com poderes ditatoriais devido aos tempos de guerra era responsável por criar a colaboração econômica com os nazistas. A despeitos das sempre presentes negativas suíças, o Conselho Federal era responsável pelo ato mais vergonhoso da neutralidade suíça. Em agosto de 1938, depois do Anschluss, o Conselho Federal declarou as fronteiras fechadas. Temendo uma mistura de refugiados, inclusive judeus, o Conselho Federal peticionou ao governos nazista em Berlim para afixar um selo “J” em todos os passaportes de judeus. Os nazistas inicialmente não estavam entusiasmados com a idéia, já que eles pensavam em usar a imigração como meio de livrar a Alemanha dos judeus. As negociações continuaram pelo verão e outono. Eventualmente a Suíça ameaçou exigir vistos para todos os alemães que entrassem na Suíça. Os nazistas então propuseram a stampa “J” nos passaportes como uma solução. Agora esta foi uma ideia nazista aos olhos do Conselho Federal.

A única razão para que os suíços quisessem tanto estas marcas nos pasaportes era para que os guardas de fronteira pudessem devolver os judeus. A despeito do mito de que a Suíça foi um refúgio para os judeus durante a guerra, os guardas da fronteira devolveram 30.000 refugiados judeus. Em agosto de 1942, o Conselho Federal aprovou uma outra lei para fechar a fronteira para os refugiados judeus, a despeito das vigorosas súplicas de alguns membros da igreja e da imprensa. A despeito da posição anti-semita do governo suíço adotada durante a guerra, o povo suíço não era anti-semita e geralmente se opôs a política do governo. Além de fechar a fronteira para os refugiados judeus, nenhuma outra lei anti-semita foi aprovada. A comunidade judaica dentro da Suiça estava dividida em dois campos e uma minoria era favorável a demonstrações que permitissem mais imigração de judeus. Contudo, a maioria favorecia a política de não criar problemas.

Até mesmo se os refugiados judeus eram capazes de passar pelos guardas da fronteira, os oficiais suíços exigiam ver os passaportes deles. Se o passaporte tivesse o selo “J” os oficiais forçavam os indefesos judeus de volta pela fronteira para as mãos dos nazistas. O guarda de fronteira,  Grueninger tinha recebido sua ordem em 1938 de não permitir que os judeus entrassem. Contudo, Grueninger permitiu a entrada de 3.600 judeus e os ajudou a alterar os passaportes deles para que pudesem permanecer na Suiça. Alertados pelos nazistas dos atos de humanidade de Grueninger, os suíços suspenderam Grueninger em dezembro de 1938. Em novembro de 1939, o governo entrou com acusações contra ele por falsificar documentos. Em 1941, uma côrte o julgou culpado da acusação de insubordinação e o condenou a perder seu emprego, seu afastamento e sem pagamento e ainda aplicou uma multa. Ele nunca foi capaz de encontrar um emprego apropriado depois e saltava de um emprego para outro. Sobretudo, ele foi acusado por rumores de ter exigido dinheiro e favores sexuais daqueles que ele ajudou. Estes rumores eram infundados e foram vigorosamente negados pelo antigo guarda de fronteira.

Grande parte da parcialidade pró-nazista da Suíça pode ser atribuida a Pilet Golaz, que depis da invasão da França urgiu que a nação se adaptasse as novas realidades políticas da Europa. Em outras palavras, havia muito dinheiro a ser ganho no negócio com os nazistas. A política Suíça como aquela de todo os outros neutros, dependia das fortunas de guerra e na medida em que os Aliados começaram a marcha deles através da Europa das praias da Normandia, a política suíça mudou a favor dos aliados. Até mesmo as fortunas políticas de Golaz sofreram o mesmo destino, já que ele foi expulso do ofício em 1944, quando a maré claramente tinha virado a favor dos Aliados.

Os oficiais do governo suíço sabiam dos efeitos e metodologia inicial do genocídio nazista desde o início. Os nazistas haviam convidado médicos do exército suíço para servirem no front oriental para tratarem de soldados nazistas feridos na Operação Barbarossa. Ao mesmo tempo, bandos excursionistas de Einsatzgruppen realizavam as matanças a tiros em massa de judeus que eles tinham cercado. Conquanto os médicos suíços não pudesem ver os esquadrões da morte diretamente, eles certamente viram os efeitos e os relataram para a Cruz Vermelha e oficiais do governo. Um relatório legal do Banco Nacional de 1943 menciona as deportações e perseguições dos judeus.

A única área na qual a Suiça apresentou algo próximo a uma verdadeira neutralidade foi na área da espionagem. A polícia suíça deixou os agentes nazistas e aliados sem molesta-los e livres para irem e virem da Suíça. Contudo, depois que a França caiu não havia uma rota por terra para os aliados viajarem para e de a Suiça.

As primeiras notícias sobre o Holocausto alcançaram o ocidente em um telegrama de 8 de agosto de 1942 de Gerhart Riegner. O informante havia fornecido a informação a um homem de negócios de Leipzig,  Eduard Scholte. Eis o texto do telegrama:

“Recebi relato alarmante que nos quartéis generais do Furhrer está um plano sendo discutido e sob consideração segundo o qual todos os judeus nos países ocupados ou controlados pela Alemanha, somando 3.5 milhões ou 4 milhões devem depois da deportação e concentração no leste serem exterminados de uma vez para resolver de uma vez por todas a questão judaica na Europa. A ação relatada foi planejada para o outono; os métodos sob discussão incluem o ácido prússico. Transmitimos a informação com toda a reserva necessária já que a exatidão não pode ser confirmada. O informante declarou ter ligações íntimas com as mais altas autoridades alemãs e seus relatos são geralmente confiáveis.”

Infelizmente, este relato foi altamente desacreditado no ocidente, até mesmo pelos judeus. Allen Dulles o rotulou como histérica propaganda judia. O Rabino Stephen Wise, um dos receptores do telegrama  o divulgou para a imprensa em 24 de novembro de 1942. Depois disso, todo mundo estava ciente da selvageria e horror que ocorriam dentro do Terceiro Reich.

Similarmente, um artigo de junho de 1943 do Financial Times, escrito por Paul Einzig relativo a declaração dos Aliados de janeiro de 1943, enviou tremores entre a comunidade banqueira suíça. O artigo detalhou como todas as transferências de propriedade compradas por um neutro dos nazistas seria declarada inválida e a restauração seria devida. A preocupação dos banqueiros era sobre as transferências de ouro. Em julho de 1943, o Comitê do Banco Nacional Suíço se reuniu para decidir se eles deviam continuar a aceitar o ouro nazista. O comitê adotou a opinião que a Suiça, tendo um padrão ouro, era compelida a aceitar todo o ouro. O comitê concordou em pedir ao Conselho Federal um regulamento. O comitê foi instruído em outubro sobre o assunto, incluindo o fato de que os Aliados tinham aconselhado o Banco Nacional que algum do ouro podia ter sido saqueado. Em novembro, o Conselho determinou que isto estava de acordo com os oficiais do banco, portanto dando luz verde aos bancos suiços para aceitação posterior do ouro nazista.

O relatório no. 26904, escrito em 30 de janeiro de 1945 pela Adminitração Econômica Externa, implicou o Credit Suisse e o Union Bank em fornecer aos nazistas moeda estrangeira. Anexo ao memorando estavam 28 interceptações de comunicações do Credit Suisse e do Union Bank. Nove das interceptações diziam respeito ao triângulo financeiro da Alemanha, Suíça e Pirtugal sobre transferência de ouro como detalhado anteriormente neste capítulo. Os memorandos anexados mostravam que o Credit Suisse sozinho tinha tornado disponível aos nazistas 500.000 escudos e 200.000 coroas.

Um relatório do grupo de inteligência econômica dos Aliados intitulado Queixas Aliadas Contra a Suíça para o Retorno do Ouro Saqueado, datado de 5 de fevereiro de 1946, fornece a melhor estimativa do ouro saqueado dos bancos centrais da Europa. O relatório mostra um total de 648 milhões em ouro nazista. No irromper da guerra, a melhor estimativa das reservas de ouro nazistas era de 100 milhões. A diferença de 548 milhões foi saqueada dos países da Europa. O relatório estima dos registros de bancos que entre 275 milhões e 282 milhões foram vendidos ao Banco Nacional Suiço. Além disso, outros 20 milhões foram vendidos a bancos comerciais suiços. O relatório conclui que grande parte do ouro, depois de ser lavado pelos suiços, terminou em Portugal e Espanha.

Em um outro relatório, Safehaven No. 2969, enviado pelos americanos em Berna ao Secretário de Estado, o documento de seis páginas detalha a extensão dos bens nazistas na Suiça. O relatório afirma que os nazistas possuiam ou controlavam um total de 358 empreeendimentos econômicos suiços. Em 263 deles, o capital nazista investido totalizava aproximadamente 114 milhões. Os empreendimentos se espalhavam por todas as áreas de atividade econômica. O relatório listou 6 em manufatura textil, 6 em manufatura de transporte, 15 em empreendimentos de seguros, 67 em varejo e atacado, 9 bancos, 15 atividades químicas e 330 holdings e companhias financeiras, 11 em outras manufaturas de maquinário e 7 outros tipos com menos de três de cada. No relatório, um banqueiro suíço estima que os bancos mantinham 100 milhões de dólares em bens nazistas. A quantidade dos bens alemães na Suíça variaram amplamente, como o demonstra a tabela abaixo.

fonte da estimativa             quantidade
Departamento do Tesouro         $500 milhões
Departamento de Estado             $250-$500 milhões
Delegação Suiça             $250 milhões
Relatos de Imprensa             $750 milhões

Além disso, os nazistas tinham grandes quantidades de ouro, moeda, pedras preciosas e arte armazenadas em caixas de segurança de depósitos. Os britânicos estimaram o valor total de todas as pinturas saqueadas de 390 a 545 milhões.

A cooperação da Suiça com os esforços aliados na recuperação do ouro e término do comércio com os nazistas era aproximadamente não existente. Em resposta ao pedido dos EUA para congelar os bens suiços visando evitar o uso deles pelos alemães, a Suiça cortou o fornecimento de carvão para a embaixada dos EUA no inverno de 1941. A embaixada da Alemanha ainda recebia sua cota de carvão. As negociações com os suiços sempre foram difíceis. Na medida em que a guerra progredia, tornou-se claro para todos que os nazistas foram derrotados. Conquanto a Suiça suprisse os nazistas com muitos bens manufaturados que exigiam muito talento para serem fabricados, tais como ferramentas de máquinas, ela fornecia outros itens incluindo locomotivas e até mesmo armas e munição. Duas exportações chave suiças eram energia elétrica e alumínio.

Análises pós guerra do bloqueio pelos britânicos mostram que nos anos iniciais da guerra o bloqueio foi ineficaz. E em nenhum tempo durante este período os nazistas vivenciaram a falta de matérias primas. Foi somente a maciça campanha de bombardeio e as grandes perdas de batalha em 1944 que finalmente enfraqueceram o Terceiro Reich. Em 22 de junho de 1944, o Secretário de Guerra Stimson notou que o período de calma gentil dos neutros tinha acabado. Depois da invasão da Normandia no Dia D, as baixas aliadas cresceram dramaticamente. Acompanhando o aumento das baixas estava o aumento da pressão exercida pelos Aliados sobre todos os países neutros.

Em 10 de julho de 1944, Bill Donovan, chefe do OSS, informou Roosevelt que a Suíça tinha concordado em comprar mensalmente 7 a 10 milhões em ouro dos nazistas. Roosevelt disse a Donovan que levasse adiante o assunto com o Secretário de Estado Cordell Hull, e a pressão fosse colocada sobre os suíços. No dia 14, Hull chamou o Ministro Suiço Charles Bruggmann e revisou as baixas crescentes e o custo e deu uma pista gentil do que os EUA veriam do comércio continuado com os nazistas duramente. Com o sucesso da invasão da Normandia em agosto de 1944, o Departamento de Estado comandou sua legação em Berna para começar as conversas informais para limitar o comércio suiço-nazista. A resposta da Suiça veio no final de agosto e revela a duplicidade dos suiços. Eis a resposta:

“Isto vai sem dizer que a guerra já está perto dos Alpes e muda os aspectos do problema do trânsito e tem uma influência em sua solução. Por esta razão as autoridades Federais mantém este problema sob constante e cuidadosa observação. Elas tem então sido capazes de observar que o tráfego em ambas as direções tem em geral diminuido e não aumentado desde a primavera. No espírito da verdadeira neutralidade que as guia verão como isto segue a tendência que as circunstâncias demandam.”

Por causa da pressão vinda dos EUA e da Inglaterra, a Suiça reduziu suas exportações de materiais estratégicos tais como munição, locomotivas, ferramentas de máquina etc. A Administração Econômica Federal apoiou as rígidas medidas contra os suiços, inclusive retirando alimentos e alimentos para animais domésticos previamente prometidos a Suiça pelos aliados. A Junta de Chefes de Estado também favoreceu retirar suprimentos para a Suiça. Contudo, a Bretanha se opôs a tais medidas rígidas. Em outubro de 1944, o Sub Secretário de Guerra Patterson notou em um memorando que os comboios suiços carregando embarques eda Espanha através da França para a Suiça tinha recomeçado no final de setembro de 1944. Paterson argumentou que tais embarques deveriam ser parados até que a Suiça concordasse  em terminar todo comércio com os nazistas.

Em 8 de dezembro de 1944, o comitê executivo de Política Econômica Externa aprovou uma política econômica dos Aliados em relação aos países neutros. A política aprovada refletiu o pensamento da FEA, que exigia a continuidade dos controles de comércio, controles de câmbio e regulamentos de congelamento no período pós guerra, como alavancagem para ganhar o apoio dos neutros para alcançar os objetivos da Operação Safehaven. A despeito da aprovação do Presidente Roosevelt, várias agências do governo e departamentos contunaram a discutir a política.

Em fevereiro de 1945, depois de muita discordância sobre impor políticas mais rígidas contra a Suíça,  Lauchlin Currie, Assistente do Presidente Roosevelt, chefiou a delegação americana para a Suiça para conversas sobre parar o comércio dos tempos de guerra e começar negociações sobre as questões do ouro. O Dr. William Rappard chefiou a delegação suiça, embora o homem que puxasse as cordas fosse Walter Stucki. Em março, Currie relatou algum sucesso. A Suíça tinha concordado em congelar todos os bens alemães na Suiça, proibir a importação, exportação e negócios com toda a moeda estrangeira e restringir as compras suíças de ouro da Alemanha. Enquanto a missão de Currie era saudada pelo sucesso, contudo, a controvérsia logo se seguiria. Em maio de 1945, a legação americana em Berna relatou que os suíços compraram 3.000 quilos de ouro da Alemanha. O acordo Currie claramente excluia a compra. Contudo, a Suíça argumentou que o ouro não era saqueado.

Em junho de 1945, Harley Kilgore presidiu o Sub-comitê de Mobilização de Guerra do Senado. Nas audiências, ele apresentou documentos descobertos por investigadores aliados de correspondência entre o Vice-Presidente do Reichsbank, Emil Puhl e o Ministro alemão de Assuntos Econômicos Walter Funk, sobre discussões comerciais alemães-suiças realizadas durante a missão Currie. A traição dos suiços recebeu ampla publicidade. Orvis A. Schmidt, Diretor do Controle de Fundos Estrangeiros para o Departamento do Tesouro e um membro da missão Currie em Berna, testemunhou diante do sub-comitê:

“Até mesmo a esta data, o Governo Suíço é adverso a dar os passos necessários para forçar os bancos e outras instituições escondidas a revelar os proprietários de bens mantidos em ou pela Suiça. Isto significa que os bens alemães mantidos em ou pela Suiça não serão identificados. Assim, a verdadeira imagem da penetração financeira e industrial alemã pelo mundo será mantida secreta. Pelo mesmo sinal, os bancos suíços continuarão a lucrar ao proteger, por suas leis de sigilo, o potencial alemão de guerra e os bens ocultos de seus financiadores e industriais”.

Em setembro, Leland Harrison, ministro dos EUA na Suíça, expressou a Max Petitpierre, o Ministro Suíço para Asuntos Externos, a insatisfação americana com os esforços da Suíça de completar um censo dos bens alemães e a geral não cooperação da Suíça. As revelações do comitê Kilgore levantaram alarmes na Suíça. Alguns papéis de ala direita na Suíça foram tão longe para afirmar que a Suíça não podia suportar uma outra crise como a do comitê Kilgore.

Em março de 1946, conversas formais com a Suíça, EUA, Bretanha e França começaram em Washington. Quando as conversas formais com a Suíça começaram, os negociadores americanos mantinham uma visão otimista que a Suíça estivesse comprometida com o Acordo da Missão Currie e que a Suíça não se tornaria um paraíso para os bens nazistas. Por ouro lado, a Suíça via suas ações durante a guerra como consistentes com suas obrigações internacionalmente reconhecidas e direitos como um poder neutro. Os suíços avaliaram a lei internacional de acordo com a tomada nazista do ouro monetário dos países ocupados [o direito dos poderes de ocupação ao botim de guerra]. E dai, a recepção do ouro pela Suíça era legal. A Suíça argumentou que as queixas aliados pelos bens alemães além da fronteira da Alemanha era ilegal e uma violação da soberania suíça. Adicionalmente, a Suíça queria a remoção de todas as companhias suíças e indivíduos da lista negra aliada.

Com tais pontos de ista diametralmente opostos, as conversas foram estabelecidas em negociações longas e acaloradamente contestadas. A disputa entre os EUA e os britânicos como o uso de sanções para induzir o cumprimento posteriormente complicaram o lado aliado das conversas. O material de instrução do Tesouro para os negociadores americanos urgia uma abordagem global da questão do ouro, muito mais que a quantidade de ouro saqueado em cada transação. Adicionalmente, o Tesouro queria um cláusula aberta em qualquer acordo onde a Suíça seria obrigada a devolver qualquer ouro saqueado posterior que pudesse ser encontrado uma vez o acordo fosse alcançado. O Secretário Assistente do Tesouro Harry Dexter White insistiu que os fundos suíços permanecesem bloqueados nos EUA até que os suíços fornecessem garantias férreas que eles identificariam e tomariam todas as contas sob controle alemão. White estimou que o total de bens alemães na Suíça, excluindo as contas numeradas e os bens ocultados somassem 500 milhões.

Os negociadores americanos tinham o benefício de duas compreensivas avaliações dos movimentos alemães de ouro durante a Segunda Guerra Mundial. Ambos relatórios foram preparados dos registros do Reichsbank. Otto Fletcher, Assistente Especial para a Divisão de Controles de Segurança Econômica do Departamento de Estado, estimou que no início da guerra, as reservas nazistas de ouro totalizavam 120 milhões e que os nazistas adquiriram outros 661 milhões em ouro monetário durante a guerra, a maioria do qual foi saqueado. Fletcher também relatou que todo ouro vendido pelos nazistas depois do início de 1943 era saqueado. Seu relatório mostrou que os nazistas venderam ou transferiram 414 milhões do ouro saqueado para o Banco Nacional Suíço. O segundo relatório, preparado por James Mann do Departamento do Tesouro, estimou o total do ouro monetário saqueado pela Alemanha em um total de 579 milhões, fora os 785 milhões disponíveis para a Alemanha depois de 30 de junho de 1940. O relatório de Mann concluiu que os suíços receberm um total de 289 milhões.

A estratégia do Tesouro para as negociações giravam ao redor de que os países neutros reconhecessem a autoridade do direito legal do Conselho de Controle Aliado (ACC) a todos os bens externos alemães sob o Decreto Vesting. Até mesmo antes que as conversas começassem, o Tesouro insistiu que a Suíça reconhecesse o Decreto Vesting do ACC e concordasse em restituir aos Aliados para as reparações 378 milhões de ouro monetário saqueado estimados.

Randolph Paul foi designado Assistente Especial do Presidente Truman a cargo do contingente americano para as negociações entre os aliados e os suiços. Paul teve um importante papel em urgir o  resgate dos judeus na Europa na extensão em que o Holocausto se tornou conhecido. Seymour Rubin e Walter Surrey, e oficiais seniores do Departamento de Estado responsáveis pelos programas de segurança econômica auxiliaram Paul. Walter Stucki chefiou a delegação suiça.

As declarações de abertura de todos os países revelaram um cisma separando os dois lados. Em um esforço para remover o entrave, os aliados abriram mão de sua queixa por todos os bens alemães e ofereceram aos suíços uma parte de 20%. Depois de voltar para Berna, Stucki escreveu para Paul, reservando a posição legal suiça mas incluindo um rascunho de um acordo que aceitava o papel dos aliados na liquidação dos bens alemães na Suiça pelo estabelecimento de uma comissão conjunta e um plano para partilhar os rendimentos em alguma proporção não revelada. Dois dias mais tarde, os suiços divulgaram um relatório intitulado “Observações Suíças a Respeito do Problema do Ouro” que diferia marcantemente dos cálculos aliados a respeito dos holdings alemães de ouro no início da guerra, e questionava a credibilidade da informação fornecida pelo antigo vice presidente do Reichsbank Emil Puhl. Puhl tinha informado as investigadores aliados que o Banco Nacional Suíço sabia que eles estavam obtendo ouro saqueado porque ele tinha dito isso a eles.

A reação aliada a resposta suíça foi extremamente negativa. Por então as conversas nada mais eram que uma troca de notas e memorandos. Esforços posteriores continuaram e outras propostas se elevaram, mas nenhuma foi satisfatória para os dois lados. Finalmente, em 24 de abril, Seymour Rubin informou ao Sub Secretário Acheson e ao Secretário Assistente Clayton que os suíços haviam suspenso as negociações. Os Aliados tinham tentado o retorno de 130 milhões em ouro saqueado da Bélgica e rastreado até a Suiça,

Em dois de maio, os suiços retomaram as negociações em um encontro arranjado pelo embaixador suiço em   Washington, Ministro Bruggmann. Stucki deu sua ordem final sobre sua palavra de honra. O acordo propsto forneceu uma divisão de 50% nos procedimentos dos bens alemães na Suíça e um pagamento de 58.1 milhões no assentamento da questão do ouro. Paul sentiu que os suiços ofereciam o lance final. Paul tinha o benefício dos relatórios da inteligência dos EUA sobre a flexibilidade, que o governo suiço tinha dado a Stucki para basear a opinião dele. Em resumo, Paul já sabia quanta latitude o governo suiço tinha dado a Stucki para alcançar um acordo. Paul lembrou aos britânicos e franceses que a proposta original deles de 88 milhões em ouro tinha sido um bom caso, mas eles tinham que concordar com um assentamento de 75 milhões. Paul sentia que um melhor acordo podia ser alcançado apenas se os controles econômicos contra os suiços permanecessem no lugar. Paul se encontrou com Stucki antes que ele voltasse a Berna e concordou com a oferta se o pagamento fosse elevado para 70 milhões. Stucki não apenas recusou, mas também sugeriu que a Suíça poderia subtrair 2% de comissão como uma taxa de coleta dos bens alemães. Paul conduziu seus pensamentos em uma carta ao Secretário Assistente de Estado Clayton e Secretário do Tesouro Vinson que a oferta final suiça tinha sido feita. Ele observou que havia um sentimento significativo na França, Bretanha e nos EUA para a eliminação dos controles sobre as atividades comerciais e financeiras.

Depois de três semanas de encontros entre os Aliados, o acordo suiço foi finalmente aceito.

O acordo final com os suiços foi asinado em 26 de maio. Ele consistia em um Acordo, um Anexo , um acordo de cavalheiros e uma troca de cartas entre as delegações suiça e aliada. Em 3 de junho, Paul submeteu um resumo ao Presidente Truman. São pontos maiores do acordo:.

1. O Escritório de Compensação Suiça liquidaria as propriedades alemãs na Suiça

2. Os alemães cuja propriedade fosse liquidada teriam direito a compensação em dinheiro alemão.

3. O Escritório de Compensação Suiça liquidaria os bens alemães em cooperação com uma Comissão conjunta composta de representantes aliados.

4. Os bens liquidados seriam divididos em uma base de 50% entre a Suiça e os Aliados.

5. O governo suiço tornaria disponível aos Aliados a quantidade em ouro equivalente a 250 milhões de francos suiços [58.1 milhões] sobre a demanda do ouro em New York.

6. Os EUA desbloqueariam os bens suiços e os Aliados descontinuariam as listas negras de comércio como elas eram aplicadas à Suiça.

7. A interpretação do acordo podia ser estabelecida por arbitragem

8. A data efetiva do acordo seria a data de ratificação pelo parlamento suiço.

Em 24 de maio de 1946, o Senador Harley Kilgore escreveu uma carta ao Presidente Truman, urgindo a rejeição do acordo e revertendo ao seu acordo anterior. O representante Joseph Clark Baldwin também urgiu que Truman rejeitasse o acordo. Truman aceitou o acordo. Em outubro de 1946, os EUA desbloquearam os bens privados suiços nos EUA. Pelo fim de 1948, os EUA tinham desbloqueado aproximadamente 1.1 bilhão em bens suiços nos EUA. Contudo, a Suiça cotinuava a arrastar os pés em realizar o acordo. No período de julho a setembro de 1946, os suiços argumentaram que eles não podiam começar a liquidar os bens alemães até que os Aliados fixassem uma taxa justa de câmbio ente os Reichsmark e os francos suiços. Em 22 de julho de 1947, os aliados enviaram sua proposta de taxa de câmbio para os suiços. A Suiça rapidamente rejeitou a proposta, argumentando que a taxa não podia ser fixada unilateralmente pela França, EUA e Reino Unido.

Este não foi o único caso da duplicidade suiça. Durante o verão de 1946, os suiços questionaram a quantidade de ouro a ser devolvida. Em 2 de agosto de 1946, em uma nota ao Departamento de Estado da legação suiça, os suiços declararam que estavam preparados para devolver aos Aliados 50.807 quilogramas de ouro em pagamento por sua obrigação de 250 milhões de francos suiços. Esta quantidade equivalia a 800 quilogramas e perto de um milhão a menos dos 58 milhões antecipados pelos Aliados. Os suiços tinham chegado a uma  nova estatística ao desvalorizar o franco. Os suiços insistiram na arbitragem em 1947, somente para finalmente recuarem em maio de 1947.

As negociações com a Suíça continuaram até 1952 antes que um acordo final fosse alcançado. Por todos estes anos, a Suiça exibiu um desrespeito e desprezo da autoridade dos Aliados. Todas as negociações foram marcadas pela duplicidade da Suiça, especialmente quanto aos bens sem herdeiros. No caso dos bens sem herdeiros, os bancos suiços não tinham problemas em liquidar estas contas em benefício do banco mas para os judeus que buscavam as contas de seus seres amados perdidos no Holocausto, os bancos se recusaram a ajudar. Frequentes vezes os bancos exigiriam um certificado de óbito, sabendo que certificados de óbito não eram divulgados para as vítimas dos campos de concentração. Esta questão final não foi assentada até a iniciativa da década de 1990 do presidente Clinton e chefiada por Eizenstat.

Contudo houveram conversas renovadas na década de 1990 , onde abunda a duplicidade suiça. Um novo escândalo emergiu em 1997 quando o antigo guarda de banco Christoph Meili se apresentou com a evidência que o Union Bank da Suiça estava destruindo documentos a respeito das atividades do banco com os nazistas. Meili, um guarda noturno do Union Bank descobriu uma grande quantidade de documentos esperando serem destruídos. Entre os documentos estavam registros dos tempos de guerra. O jovem guarda pegou dois livros e páginas rasgadas de um outro para seu armário naquela noite, e então os levou para casa. Meili então entregou os livros para uma organização judaica na Suiça. As leis suiças proibem a destruição de documentos que podem se relacionar às investigações da segunda guerra mundial. Por uma recompensa em seus esforços para descobrir a verdade, o Union Bank despediu Mr. Meili. O governo também está investigando se Meili violou alguma lei suiça de sigilo. O jovem homem foi submetido a ameaças de sequestro de suas filhas e então se mudou para os EUA. Meili ainda recebe ameças de morte. O Presidente Clinton assinou uma lei que garantiu a família de Meili statutus de residente permanente.  Christoph Meili tem a distinção de ser o único cidadão suiço que teve garantido ailo político nos EUA.

O ouro recuperado na Alemanha, e o  que foi devolvido pelos países neutros, foi usado para estabelecer um fundo de ouro sob o controle da Comissão Tripartite de Ouro (TGC), que foi criada em 27 de setembro de 1946. O Acodo de Paris especificou a restituição do ouro onetário a cada país participante na proporção das perdas sofridas em ouro. Os problemas  resultantes da recuperação econômica pós guerra de várias nações fizeram com que o TGC fizesse uma disstribuição inicial do ouro monetário até mesmo antes de reunir o fundo de ouro completamente. Dez nações preencheram queixas coma TGC: (Albania, Áustria, Bélgica, Chechoslovaquia, Grécia, Itália, Luxemburgo e Holanda, Polônia e Iugoslávia. Em 17 de outubro de 1947 o  TGC anunciou em Bruxelas a distribuição preliminar para a Bélgica, Luxemburgo e Holanda. Em
novembro e dezembro foram feitas distribuições para a Itália, Áustria. A Checoslováquia e a Iugoslávia  receberam alcações parciais em 1948. A distribuição da Albania foi retardada até outubro de 1996. Sobretudo, um total de $379.161.426 foi distribuida para as nações queixosas. Já que as queixas excederam muito a quantidade do ouro recuperado e os reclamante receberam apenas 65% de suas queixas reconhecidas. O TGC presentemenet retém controle  de aproximadamente to milhões em ouro. Deste 70 milhões,aproximadamente 47 milhões estão armaenados no Banco da Inglaterra e o remanscente no Banco Federal Reserve de New York. A tabela abaixo lista a fonte do ouro no fundo do ouro.

fonte                        quantidade         ano de contribuição
Depositório de Câmbio Externo             $263.680,452.*         1947
Suiça                         $58 milhões         1947
Banco para Assentamentos Internacionais       $4.2 milhões         1948
Espanha                     $114.329         1948
Suécia                         $8 milhões         1949
Suécia                         $7 milhões         1955
Portugal                     $4 milhões         1959
Portugal                     $360.000         1959

* ouro recuperado na Alemanha

Conquanto  os países neutros devam para sempre carregar a vergonha de ajudar a Alemanha nazista ao aceitar o ouro saqueado, os Aliados, e em particular os EUA, tamém devem carregar alguma vergonha na recuperação dos bens roubados. Com a exceção da Argentina, todos os neutros afirmaram a ameaça de uma possível invasão nazista. Em muitos casos, a ameaça foi real até 1941, antes que os nazistas invadissem a Rússia.  Contudo, a ameaça não existiu depois disso. De fato, pode ser argumentado inequivocamente que os nazistas eram incapazes de abrir um outro front depois da invasão russa pelo fato que eles tiveram que retardar a Operação Barbarossa até depois que a campanha dos Balcãs estivesse completa para liberar as tropas necessárias para a campanha russa. Adicionalmente, a quantidade do comércio e o grau de neutralidade exibida por cada uma das nações neutras era dependente das fortunas da guerra. Isto foi particularmente verdadeiro para a Suiça, que continuou comerciando com os nazistas até que os Aliados estivessem em sua fronteira ocidental. O resultado final foi que os países neutros eram voluntários em aceitar o dinheiro sangrento por vantagens econômicas.

Contudo, nas negociações sobre a questão do ouro, os Aliados e os EUA em particular foram igualmente voluntários em sacrificar sua moralidade por ganhos estratégicos na Guerra Fria. Adicionalmente, é prontamente aparente a falta de consideração dos Aliados e que os EUA exibiram no manuseio do ouro não monetário e das vítimas do Holocausto. As autoridades americanas estavam cientes do problema desde o início com a descoberta da conta Melmer em Merkers consistindo em ouro dentário, relógios de ouro, alianças de casamento etc. Albert Thoms, chefe do Departamento de Metais Preciosos do Reichsbank identificou 207 sacos em Merkers como pertencentes a conta Melmer. O General Frank McSherry reconheceu a importância da conta Melmer quase que imediatamente. McSherry sugeriu que “esta propriedade das SS contém evidência que pode ser útil na acusação dos criminosos de guerra das SS”.

Os detalhes da conta de Melmer foram reunidos pelos exames dos registros do Reichsbank e pelos interrogatórios de Thoms, do vice-presidente do Reichsbank, Emil Puhl, e do SS-Hauptsturmführer (Capitão) Bruno Melmer. Como chefe do departamento de metais preciosos do Reichsbank, Thoms foi capaz de fornecer aos aliados muitos detalhes concernentes a conta das SS.  Thoms disse aos seus interrogadores que  Frommknecht o enviou a Puhl no verão de 1942. Puhl o informou que as SS estavam para começar os embarques para o Reichsbank, e que os embarques conteriam jóias e outros itens de ouro e prata não monetário. Contudo, por causa do sigilo necessário, o Reichsbank seria responsável pela sua disposição. Logo depois deste encontro, o SS-Brigadeführer (brigadeiro general) informou a Thoms que um oficial das SS de nome Melmer enviaria o primeiro embarque em um caminhão. O embarque chegou em 26 de agosto de 1942, e foi o primeiro a incluir ouro dentário.

Os materiais eram primeiro depositados na conta Melmer. Os itens eram então separados. Barras de ouro e de prata, bem como moeda, eram comprados pelo banco pelo valor real. Os itens menores como as alianças eram enviados para a Prussian Mint para serem derretidos. Os itens maiores de jóias eram enviados ao Municipal Pawnshop, que vendia os itens mais valiosos. O resto do material era enviado ao (Deutsche Gold-und Silber-Scheideanstalt) Degussa para derretimento. Degussa era permitido manter uma pequena parte para propósitos industriais. Mas qualquer ouro em excesso era vendido ao Reichsbank e a quantidade creditada a conta Melmer.

Degussa era uma grande firma alemã engajada no refino de metais e na produção de químicos, incluindo os tabletes de cianeto Zyklon-B usados nas câmaras de gás. Os tabletes de Zyklon-B eram produzidos por  Degesch, que era de propriedade da Degussa e da IG Farben, um composto químico que foi dissolvido depois da guerra. Degussa também era a firma que fornecia urânio para o projeto da bomba atômica dos nazistas. Recentemente, Degussa falou que as pessoas tinham laços reconhecidos entre a Degussa e a I.G. Farben durante a guerra. Grande parte da informação que tem surgido recentemente sobre a Degussa vem de um processo legal em andamento em New Jersey. Degussa mantinha um contrato exclusivo com os nazistas para derreter itens retirados dos judeus nos campos de concentração, inclusive o ouro dentário. Havia ouro demais sendo retirado das vítimas de Auschwitz que a Degussa construiu um derretimento lá. Segundo o  Oberstrumbannfuhrer Rudoff Hoss, o comandante de Auschwitz, a quantidade diária de ouro no campo era de 24 libras.

Mais recentemente, o papel da Degussa na proliferação nuclear tem sido trazido a luz no filme documentário “Stealing the Fire’. Os cineastas documentam o julgamento de Karl-Heinz Schaab, que foi julgado por traição em Munique.  Schaab é a primeira pessoa no mundo condenada de espionagem atômica em um julgamento aberto nos últimos cinquenta anos. Ele vendeu documentos top secretos roubados da Alemanha para Saddam Hussein, e viajou para Bagdá inúmeras vezes para ajudar o Iraque a construir a bomba atômica. Schaab estava ligado a Degussa e a Leybold, uma subsidiária da Degussa. Ele recebeu uma sentença extremamente leve depois da condenação. Ele foi multado em apenas 100.000 marcos alemães e condenado a cinco anos de prisão.

Contudo, há mais do que o olho vê na sentena de Schaab. Depois da guerra, Gernot Zippe, conhecido como o “pai da centrífuga” e um empregado da Degussa foi de grande interesse para os militares de várias nações industrializadas.  Zippe foi capturado pelos russos e os ajudou a construir a bomba atômica deles. Ele foi devolvido ao Ocidente em 1956. Em seu retorno, a CIA imediatamente o agarrou para trabalhar na tecnologia da centrífuga americana, que é crítica na separação dos isótopos de urânio. Por um caminho tortuoso, uma variante da tecnologia da centrífuga de Zippe foi descoberrta no Iraque em 1996. Devido ao lamacento sub-mundo do comércio de armas, a Degussa foi poupada de acusações de traição, grandemente devido a suas ligações com os contratados americanos de defesa, tais como a Du Pont. Shaab foi um conveniente camarada em queda. A tecnologia do Míssel Sucud-b iraquiana pode ser descrita como 90% alemã e sua tecnologia atômica como 60% alemã.

Adicionalmente, em 1990 a Degussa foi multada em 800.000 por ilegalmente reexportar armas nucleares e material relacionado para a Coréia do Norte. A firma também foi implicada em exportar gás veenoso para a Líbia. A Degussa também foi um grande contribuinte para a campanha de eleição de George W. Bush. Já em junho de 1999, a Degussa havia contribuido com 1.950,67 dólares. Deve ser notado que a Degussa é uma companhia alemã contribuindo para uma campanha eleitoral americana. Hoje a Degussa é um conglomerado mundial que relata vendas de 11.8 trilhões de euros. Mais uma vez, uma corporação associada aos nazistas tem avançado sem impedimentos, desde o fim da guerra. A Degussa também representa uma corporação que tem sido tão completamente corrompida com seus negócios passados com os nazistas que está além de uma reforma. Ela deve ser quebrada antes que seus negócios possam provocar uma outra guerra. Com a elevação do fascismo globalmente, a melhor chance do fascista, de recuperar o controle ainda reside em provocar uma outra guerra.

O Depositório de Câmbio Estrangeiro concluiu que houve 78 envios para a conta Melmer, dos quais aproximadamente 43 foram completamente inventariados pelo Reichsbank. Bernstein estimou o valor total de todas as entregas Melmer por volta de 36.17 milhões de Reichsmarks, como moedas de ouro e prata e lingotes respondendo por 10.67 milhões. A controvérsia da distribuição do ouro monetário repousa na inclusão do ouro tomado das vítimas dos campos de concentração. Todas as moedas de ouro e barras foram consideradas serem ouro monetário. As quantidades adicionais do ouro das vítimas clasificadas como ouro monetário vieram do derretimento de itens de ouro pela Degussa e do Reichsbank depois que os judeus receberam ordens de entregar todo ouro e prata em 1939. Este ouro das vítimas se tornou misturado com o ouro monetário e parte dele foi vendido aos países neutros. A controversia se renovou na decáda de 1990 e tem mostrado além de qualquer dúvida que a inclusão do ouro das vítimas no ouro monetário foi feita sob o conhecimento dos Aliados, inclusive os EUA. Conquanto os Aliados tenham estimado que a quantidade de ouro retirada das vítimas dos nazistas tenha sido de 14.5 milhões, apenas aproximadamente 3 milhões foi usado para auxiliar as vítimas.

Parte 9: Histórias do Ouro Nazista da Argentina

Antes de continuar com os problemas dos bens sem herdeiros, uma breve olhada no que pode ser chamado de histórias do ouro, lendas, ou mitos, para trazer uma luz adicional aos tesouros nazistas desaparecidos. O maior tesouro ainda é aquele do projeto Aktion Feuerland [ação terra do fogo] de Bormann. Indubitavelmente, há muitos mitos bem com o fatos que cercam o tesouro de Bormann. Alguns tem tomado o aspecto de lendas. Portanto o leitor é de antemão avisado que o que se segue referente a este tesouro pode ser parcialmente falso. O que é sabido com certeza é que até junho de 1944, Bormann transferiu seu saque através da França em caminhões para a Espanha. Na Espanha, o tesouro foi transferido para U-boats,que então viajaram para a Argentina. Depois do Dia D, a rota por terra fechou para a Espanha. Bormann continuou sua transferência por ar. O autor,  Ladislas Farago afirma que virtualmente o registro completo desta operação está preservado nos arquivos da Coordenação Federal em Buenos Aires, nos arquivos do FBI e nos arquivos do Almirantado britânico. O último assumiu que os U-boats estavam em patrulha regular.  Farago afirma que os embarques começaram em 1943 e chegaram em bases regulares com espaço de seis a oito semanas. Ele afirma que o dinheiro e o ouro foram depositados no nome de Eva Peron.

Segundo Farago, os Perons conseguiram ganhar o controle de grande parte do tesouro de Bormann e no Tour de Arco Iris da Europa de Eva ela depositou mais de 800 milhões em contas numeradas em vários bancos suiços. Farago lista o tesouro como:

187.692.400 marcos de ouro
17.576.386 dólares americanos
4.632.500 libras esterlinas
24.976.442 francos suiços
8.370.000 florins holandeses
17.280.009 francos belgas
54.968.000 francos franceses
87 quilogramas de platina
2.511 quilogramas de ouro
4.638 quilates de diamantes e outras pedras preciosas.

A lista de Farago do tesouro de Bormann tem sido parcialmente verificada por Adam Lebor, na medida em que ele especificamente lista as mesmas quantidades de ouro e diamantes. Embora Farago inicie os envios de ouro antes do encontro da Casa Vermelha, os Aliados primeiro se tornaram alarmados com as transferências de ouro nazista em 1943. A inteligência aliada acreditava que grande parte do primeiro ouro a chegar na Argentina foi usada para financiar a rede de espionagem nazista na América do Sul.

Uma história relativa a Argentina e as queixas do ouro nazista conta que nos dias próximos do fim da guerra uma frota de U-boats nazistas contendo o tesouro nazista e os principais oficiais nazistas, inclusive Hitler, deixou a Alemanha para a Argentina. Na rota para a Argentina eles encontraram uma força tarefa naval aliada e uma batalha resultou na perda de vários navios aliados, o que os EUA continuam a negar. Recentemente, evidência adicional aparareceu no Pravda lançando uma nova luz na história. É sabido que 10 U-boats foram despachados para a Argentina nos últimos dias da guerra. O Pravda afirma que ao menos cinco deles alcançaram a Argentina com não menos que 50 principais oficiais nazistas. Durante a viagem os U-boats afundaram um navio americano de batalha e o cruizer brasileiro Bahia com uma taxa de 400 mortes, inclusive cidadãos americanos.

O Pravda afirma que o navio americano era o USS Eagle 56. Contudo, o US Eagle 56 foi afundado em 23 de abril de 1945, fora da costa do Maine rebocando alvos para prática de mergulho de bombardeio. Somente 13 dos 67 membros da tripulação sobreviveram. A marinha manteve que o navio foi afundado por uma explosão na sala de caldeiras até recentemente, finalmente reconhecendo que o USS Eagle 56 tinha sido de fato afundado por um U-boat U-853. O U-853 foi afundado em 6 de maio de 1945, no Mar do Norte a sudeste de New London.

O  Bahia foi afundado pelo U977, que circundava no Mar del Plata, Argentina em 17 de agosto de 1945, e foi entregue para os EUA para testes. Quatro homens de radio americanos: William Joseph Eustace, Andrew Jackson Pendleton, Emmet Peper Salles e Frank Benjamin Sparksere estavam a bordo do Bahia e foram mortos.A marinha americana ainda lista os homens como perdidos em ação. O Brasil atribui o afundamento do Bahia a uma explosão a bordo

O artigo no Pravda foi baseado na informação dos pesquisadores da Argentina  Carlos De Napoli e Juan Salinas. Eles afirmam que uma frota de quase 20 U-boats navegou do porto norueguês de Bergen, entre 1o. de maio e 6 de maio. Eles se juntaram a um outro grupo de U-boats vindo das costas dos EUA ao redor de   Cape Verde. Lá eles souberam da rendição.  Alguns afundaram seus botes, outros se renderam e ainda outros estabeleceram o curso para a Alemanha. Contudo, ao menos seis dos U-boats continuaram para a Argentina. A seguir, o artigo afirmou que a Marinha Argentina recebeu ordens de parar de atacar os U-boats alemães operando perto das praias da argentina, por ordens de Churchill. Farago para alguém disse que as ordens para a Marinha da Argentina vieram de Peron. Ele contudo não menciona que a ordem veio da Bretanha.

O artigo do Pravda contém um sério erro no nome do navio americano afundado. Devido a controvérsia do afundado ser listado como uma explosão de caldeira quando os sobreviventes relataram ver um cavalo trotando em um escudo vermeho na torre de comando de submarino, o afundamento do USS Eagle 56 tem sido cuidadosamente investigado. Contudo, o artigo contém muita informação sabida ser verdadeira, incluindo a listagem de dois dos U-boats: U-530 e U-977. U-530 se rendeu no Mar del Plata, Argentina em 10 de julho de 1945. Isto foi entregue aos EUA para testes. Outra informação que tem sido parcialmente confirmada por outros investigadores. é também sabido inicialmente que os EUA não acreditaram no relato do suicídio de Hitler e lançaram uma busca na América do Sul por ele e outros principais nazistas desaparecidos. Depois da rendição, o comandante do U-977 Heinz Schaeffer foi preso e acusado de contrabandear criminosos de guerra para a América do Sul.

Interesssantemente, o U-530 pareceu ter estado estacionado ao redor de Cape Verde em 1944. Em 23 de junho de 1944, U530 se encontrou com o submarino japonês I-52 para transferir um detector de radar a aproximadamente 850 milhas a oeste das ilhas. Os Aliados estavam cientes da transferência e os aviões aliados pretenderam afundar o submarino japonês. O  I-52 foi localizado em 1955 e ainda continha 2 toneladas de ouro.

Informação adicional apareceu em 1997 na Argentina. O jornal nacional, Ambito Financiero, foi contactado por um homem dando seu nome completo alemão e sua identidade de comandante número 75. Ele afirmou ter chegado a Argentina depois de afundar seu U-boat. Na década de 1970, uma pessoa diferente fazendo a mesma declaração contactou o mesmo jornal. Este comandante de U-boat escreveu que, sob ordens específicas de Hitler, dez submarinos, cada um com 50 oficiais e tripulação, viajaram para a Argentina para ajudarem a fundar o Quarto Reich. Recentemente, mais informação sobre esta frota de U-boats veio da Noruega. Lá, uma pessoa afirmando ter alegadamente trabalhado em um departamento de arquivo da Marinha nazista, uma grande parte do qual estava estacionada no sul da Noruega durante a guerra, descobriu documentos adicionais que corroboram a informação Argentina. Outros pesquisadores a muito tem afirmado que dois U-boats foram afundados depois de descarregarem sua carga de documentos e ouro em águas rasas, o que confirmaria os dois contactos com o jornal.

Informação posterior dos planos nazistas vem da rendição do  U-234 em Portsmouth, New Hampshire em 16 de maio de 1945. U-234 partiu da Noruega em 16 de abril de 1945. Enquanto no mar no Atlântico Norte, o U-234 soube da rendição e a ordem de Doenitz de abandonar as operações e se render. A lista da carga do U234 segue:

oma toneada de correio pessoal e diplomático
desenhos técnicos e plantas de armamento avançado de combate
armas anti-tanques
miras avançadas e sistemas de controle de incêndio
radar aéreo
um caça a jato Me 262
adicionais motores a jato
560 quilogramas de óxido de urânio

Adicionalmente o U-234 carregava os seguintes principais especialistas nazistas:
O General DA Luftwaffe Ulrich Kessler, em seu caminho para se tornar adido aéreo alemão em Tóquio
O Ten. Cel. da Luftwaffe  Fritz von Sandrart e o Ten. Erich Menzel, especialistas em comunicações aéreas, radadr aéreo e defesas AA
quatro oficiais Kriegsmarine, incluindo um especialista em aviação naval, um especialista AA, um engenheiro costrutor naval, e um juiz naval [cujo trabalho seria finalmente eiminar os últimos vestígios do anel de espionagem Sorge]
August Brinewald e Franz Ruf, especialistas em tecnologia e construção de aeronave a jato cuja missão era começar a produção sos caças a jato Me 262 no Japão
Dr. Heinz Schlike, um especialista em tecnologias de radar e de infra-vermelho

O U-234 contudo, se destinava ao Japão. A carga de óxido de urânio era destinada ao projeto japonês de enriquecimento de urânio em Hungnam no norte da Coréia sob o direção do Dr. Nishina. Os documentos técnicos ajudaram imensamente no entendimento das defesas japonesas. As plantas também apressavam o desenvolvimento do armamento avançado dos EUA. Conquanto o U-234 não fosse parte da fuga para a Argentina, ele confere confiança a habilidade dos nazistas em transferirem a tecnologia deles para o exterior e dá a idéia do escopo dessa transferência. De fato, houve uma grande quantidade de cooperação entre o Japão e a Alemanha perto do fim da guerra; muito mais do que anteriormente acreditado.

Em ‘Gold Warriors’ os Seagraves confirmam este comércio de urânio entre a Alemanha Nazista e o Japão. Eles relatam que os submarinos de carga japoneses eram usados para transportar o ouro para a base subterrânea nazista em Lorient, França para pagar as compras de urânio. Os U-boats alemães e rápidos raiders de superfície transportavam o urânio para pontos de encontro na Indonésia e nas Filipinas. Destes pontos de encontro, os submarinos japoneses transportavam o urânio para seus destinos finais no Japão e na Coréia.

Adicionalmente a Argentina estava ligada aos nazistas pela companhia austríaca de munições Hirtenburg. Hirtenburg estava ligada estreitamente com o Banco J. Henry Schroeder de New York por meio de uma companhia holding suiça, a Herbertus AG e a argentina SA de Finanzas. O Banco J. Henry Schroeder de New York era um ramo da Schroeder Rockerfeller Co Investment Bankers cujos três proprietários durante a guerra eram Avery Rockefeller, Bruno von Schroeder em Londres e Kurt von Schroeder de Colonia na Alemanha Nazista.  Nelson Rockefeller estava a cargo da segurança da América do Sul durante a Segunda Guerra Mundial; contudo, Tesden ligada a Goering servia como uma ligação financeira entre as Bahamas e Cuba com a Alemanha nazista. O Banco das Bahamas estava ligado ao Banco mexicano Continenta e o Banco Stein de Colonia e era usado para criar contas no exterior para os agentes da Gestapo nos EUA.

Esta breve olhada no tesouro de Bormann transferido para a Argentina prontamente ilustra a dificuldade de separar os fatos de ficção sobre o saque nazista. O autor, Uki Goni tem também apresentado prova das dificuldades encontradas em confiar nos registros argentinos. Ele descobriu que estes registros tem sido expurgados dos arquivos incriminadores em ao menos duas ocasiões diferentes. A verdade completa sobre o tesouro de Bormann pode nunca vir a ser revelada a menos que os EUA e a Inglaterra desclassifiquem todos os documentos da Segunda Guerra Mundial. O artigo do Pravda obviamente foi grandemente inflado ao longo das linhas das suspeitas soviéticas do tempo. Contudo, colocando à parte estas faltas, ele lança luz adicional sobre as operações de Bormann que os EUA e a Inglaterra gostariam de ver enterradas. Buscas adicionais pelos U-boats alemães ao longo da costa argentina já estão sendo planejadas. Qualquer descoberta somente serviria para confirmar mais do artigo do Pravda bem como dos contactos do jornal argentino.

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Published in: on agosto 28, 2008 at 4:36 pm  Comments (12)  
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12 ComentáriosDeixe um comentário

  1. achei muito interessante o assunto sobre ouro nazista, ressalto que me interesso muito por assuntos nazistas, moro em porto alegre – rs / brasil

  2. Estou pedindo autorização para colocar no meu livro partes do documentario da divisão do ouro nazista. Achei um tanto contido o fato de haver o Ouro Nazista ter se esparamado por diversas nações. E que o Japão se apoderou talvez de uma quantidade maior de ouro. É hora de contarmos ao mundo a verdade do Holocausto

    Dr. Neri Merlo

    • Autorização concedida, com muita alegria.
      Um abraço

    • Caro Dr. Neri Melo,

      Fico muito feliz em ceder minha traduo para o seu livro. Acho importantssimo mantermos acesa a chama da verdade sobre o Holocausto e tudo que puder ser feito neste sentido s pode receber louvor e apoio.

      Sinceramente, Lythe

      • Boa Noite:

        Dr: Lythe

        Sua tradução já esta em meu livro o Ouro de Hitler, que no maximo em 30 dias farei o lançamento.
        É muito importante que nossos filhos leiam.
        Sr: Lythe como não posso lhe agradecer pessoalmente, devo dizer que você o o Sr: é uma personalidade impar.
        Obrigado por tudo.
        Dr: Neri Merlo

      • Dr Neri Melo

        Estou profundamente feliz por ter-lhe sido útil. Tenho andado um tanto adoentada e por este motivo este blog tem ficado bem parado… Suas palavras me proporcionaram uma energia nova para retornar às traduções. Desejo-lhe o maior sucesso e toda a felicidade do mundo. Quem tem muito mais a lhe agradecer sou eu. O senhor me deu a energia que me faltava.
        Muito obrigado
        Lythe

  3. Lythe, sua tradução é um espetaculo a parte, um trabalho de folego, um tradutor de muita qualidade, muitos brasileiros não sabem nada disso que você com muita elegacia traduziu para nosso conhecimento desejo melhoras
    Att: Dr. Neri Merlo

  4. CONTATO:

    Como não possuo seu endereço, mas gostaria de lhe enviar um livro, passo a editóra que o publicou. Editora Baraúna. O titulo do livro. O Ouro de Hitler.
    Se possivel mande seu endereço, o livro sai em 6 dias, mais uma vez muito obrigado.
    Dr. Neri Merlo

  5. Obrigado por tudo, que Deus esteja com você.

    Cordial saudação.

    Dr. Neri Merlo

  6. Gostei muito do artigo, sou muito interessado pelo ouro que o tirano roubou do mundo na Segunda Guerra. Comprarei o livro do Dr Neri Merlo hoje mesmo. Foi uma honra ter lido seu texto.
    UM abraço
    Alguém muito interessado

  7. Wow that was odd. I just wrote an very long comment
    but after I clicked submit my comment didn’t appear. Grrrr… well I’m not writing all that over
    again. Regardless, just wanted to say great blog!

  8. “O tesouro também revelou a brutalidade do regime nazista. Incluido no inventário estavam sacos de preenchimentos de ouro de dentes extraidos das vítimas dos campos de concentração”.
    Estava tão bem explicitado as quantidades quando de repente: … ‘sacos de preenchimentos de ouro de dentes extraídos das vítimas dos campos de concentração”.
    Qual foi a quantidade de sacos de ouro de dentes. Outro site também chutou ..”malas”. Tem coisa mal contada…não? Achei tendenciosa essa reportagem.


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