O Que são armas de urânio?

Armas de Urânio no Afeganistão: O Genocídio Silencioso.

de Christoph R. Hörstel

Uma matéria especial no campo dos crimes de guerra cometidos pelas forças de ocupação no Afeganistão são as chamadas armas de urânio. O urânio é um metal pesado e, como uma consequência, tem um esfeito extremamente forte de penetrar armaduras [blindagens].  Já que os pobres e empoeirados afegãos não podem sustentar o luxo de qualquer placa de armadura, a questão tem que ser apresentada: qual o propósito do uso de um tal armamento especializado ter serventia quando a necessidade militar é questionável?

A qualidade das armas de urânio é, em sua maior parte, extraída pela queima de bastões de combustível e contém aproximadamente 60% da radioatividade do urânio elementar. Além disso, ela também pode conter traços de plutônio-239. Estas taxas de urânio são ligeiramente radioativas e a sua disposição ou armazenamento é cara e difícil. A este respeito, o uso militar é uma solução muito econômica. Quando um tal armamento é colocado em uso, dois efeitos se manifestam: um de natureza radioativa e outro de natureza quimiotóxica. Ambos os efeitos colocam em perigo, juntamente com as forças inimigas, não apenas os próprios soldados de alguém, mas também a população local igualmente.

A seguir está uma descrição de como funcionam as armas de urânio: a munição de urânio atinge seu alvo e o calor é produzido pela energia criada pelo impacto. Isto causa um metal de urânio altamente inflamável que se queima em uma temperatura extremamente alta. Portanto o urânio é vaporizado. Este processo intensifica o potencial destrutivo do projétil, que, sendo um metal pesado, fura uma blindagem literalmente como uma faca quente na manteiga. O urânio se acende e o pequenino urânio e as partículas de óxido de urânio são formadas se depositando no ambiente e contaminando o ar com a poeira e as partículas aéreas. Estas partículas, sendo diminutas [abaixo da escala nano] podem entrar no corpo como um aerosol pela inalação [de modo similar a fumar um cigarro], pela pele ou penetrando as paredes das células. A escala nano, a propósito, significa que nenhuma máscara de gás no mundo pode proteger contra isto, já que as partículas são tão pequeninas que elas passam por todos os filtros. Dependendo do tamanho das partículas, a poeira de urânio pode alcançar os pulmões e permanecer detectável lá por muitos anos. Adicionalmente, elas podem penetrar o tecido pulmonar e entrar na corrente sanguínea, dependendo da solubilidade da partícula. Como tantos exames, como os do Prof. Randall Parish demonstram, pode levar vinte anos para o urânio sair do corpo. Os pulmões e os rins são as áreas mais afetadas, contudo, ao longo dos cânceres, o dano genético pode também ocorrer, o que, por sua vez, pode causar que a estrutura genética danificada e as deformidades se manisfestem na prole da vítima.

Não pode ser negado que o urânio esvaziado é somente suavemente radioativo, mas quando o acima é contrabalançado com este argumento, então isto é um desvio da matéria subjacente. A radiação de um pedaço de metal urânio ou de uma bomba não explodida não vai longe e pode facilmente ser isolada. Mas se o urânio alcança o corpo sob a forma de uma poeira fina, onde ele se deposita nas células, então a radiação bombardeia a composição genética das celulas continuamente e pode levar a fraturas cromossomicas. O efeito carcinogênico é adicionalmente intensificado pela toxidade extrema da poeira de urânio. Inalado, ingerido na água potável ou na comida; ou absorvido pela pele, ele dá aumento a maciços problemas de saúde que podem levar a cânceres múltiplos na mesma pessoa.

A indignação provocada no povo afegão pela aplicação de tal armamento é citada da pesquisa dolorosa do professor afegão Daud Miraki:

“Depois que os americanos destruiram nossa vila e mataram muitos de nós, nós também perdemos nossas casas e nada tinhamos para comer. Contudo, teriamos suportado estas misérias e até mesmo as aceitado, se os americanos não nos tivessem condenado à morte. Quando vi meu neto deformado entendi que minhas esperanças no futuro tinham desaparecido para o bem, diferente da desesperança do barbarismo russo, até mesmo embora naquele tempo eu tenha perdido meu filho mais velho Shafiqullah. Desta vez, contudo, sei que somos parte de um genocídio invisível que nos foi trazido pela América, uma morte silenciosa da qual não escaparemos.”  (Jooma Khan da província de Laghman em março de 2003)

Os efeitos colaterais de tais armas, as complicações subsequentes e a taxa de mortalidade que tal dano provoca a longo prazo são bem conhecidos, contudo, muitos aspectos laterais da aplicação de tais armas, depois de quarenta anos de uso, não tem sido exaustivamente pesquisados.

As seguintes três conclusões de capital importância devem ser retiradas:

1. Todos os fatos indicam que as armas de urânio:

  • a)Não podem fazer distinção entre combatentes e não combatentes.
  • b)Não podem ter seus efeitos limitados ao campo de batalha.
  • c)Não deixam de funcionar depois que o conflito armado acabou.
  • d)Tem repercussões desnecessariamente cruéis.

A poeira de urânio que inevitavelmente resulta do uso das armas de urânio preenchem todas estas quatro condições, inevitavelmente e sempre. Por estas razões o uso das armas de urânio é por exemplo, já de acordo com as Convenções de Haia sobre Leis e Costumes de Guerra e Terra, as Convenções de Genebra e o Ditado da Humanidade (Martens Clause) claramente contrária à lei internacional.

No início de 2001 o então Ministro Federal de Defesa afirmou em uma entrevista com uma radio alemã (Deutschlandfunk), ao ar e em público, o seguinte:

“Em 1999 eu chamei atenção ao fato que a questão dos riscos da radiação não era um necessário a ser examinado por qualquer diligência particular. Não se pode ignorar isto, mas um risco muito mais sério pode terminar sendo que o urânio, como um metal pesado, está concentrado em certas partes do Kosovo, por exemplo, e também na Bósnia. Quando uma pessoa inala isto para os pulmões, esta concentração pode levar a doenças maliciosas. Este é um risco que precisamos monitorar.”

Nada decisivo tem acontecido até agora e os EUA e outros continuam a usar o armamento deles, envenenando povos inteiros [principalmente muçulmanos] no processo.

Os políticos devem portanto ver isto e o seu uso, a produção e proliferação destas armas deve ser proibido, mas isto, todavia, não acontece. Nenhuma menção explícita é feita para tornar isto fora da lei [as armas de urânio] – principalmente porque os países que usam estas armas detém qualquer tentativa de aprovar uma resolução apropriada sobre este assunto. Não obstante, isto não muda o fato de que qualquer uso de armas de urânio – como detalhado acima – é uma contravenção aos direitos humanos. Deste modo isto constitui um crime de guerra que não deve apenas ser punido, mas também deve manter o perpetrador responsável pelos danos incorridos.

2. Agora deve ser o dever de todos aqueles que usam tais armas, e todos os médicos nas áreas onde as pessoas são afetadas, fazer todo o possível e concebível para pesquisar os efeitos e as repercussões, para fazer diagnósticos e desenvolver contra-medidas iniciais. O Juramento de Hipócrates claramente estipula  que é o dever inalienável de cada médico prestar assistência, punivel pela não obediência com a revogação de sua licança médica. O Prof. Siegwart-Horst Günther, os especialistas americanos Doug Rokke e Asaf Durakovic (ambos os quais foram inicialmente ocupados em sua capacidade oficial no exército dos EUA com o assunto das armas de urânio], mas também especialistas não médicos, tais como Dan Williams, Tedd Weyman e muitos outros que estão fazendo contribuições notáveis para o esforço, a grande risco a própria saúde e pessoa.

Um contra-exemplo é uma clínica alemã em Kabul cuja gerência alemã tem até hoje se recusado a tomar até mesmo amostras de tecido que pudessem então ser testadas em institutos de cooperação neutros [raros, mas ainda existentes]. Sob tais condições, não é surpresa que a insurgência afegã toda ela, agora e então, realize operações contra as organizações de ajuda ocidentais, matando suas equipes. [Um outro, ainda que um capítulo não escrito, pode ser devotado a frequente cooperação silenciosa entre o nível de gerenciamento de tais organizações e os serviços secretos de seus países natais].

3. Sobre o assunto das armas de urânio, a nossa imprensa permanece, para falar o mínimo, de lingua presa: de fato, este tem sido o caso desde exatamente fevereiro de 2001. Artigos ocasionais de página inteira vieram perto de trazer para casa as proporções da destruição, horror e futuro dano. Não obstante, o cineasta alemão Frieder Wagner, em seu documentário premiado na TV alemã WDR “Poeira Letal”, diretamente aborda muitos aspectos do uso, repercussões e análise deles bem como questões políticas. De modo exemplar, ele é um de um punhado de companheiros de campanha mundialmente que levantam a consciência dos problemas envolvidos no uso de tais armas e advoga a ilegalidade de tais armas. Infelizmente, embora seu filme seja mais provável de ser visto por grupos particulares ao anoitecer nos cinemas [ou em escolas, graças aos esforços concentrados de professores dedicados, onde a apresentação do filme tem, contudo, sido um grande sucesso] do que depois do noticiário noturno principal.

Desde o início da década de 1990 tem sido primariamente os EUA e o Reino Unido que usam munição de urânio, como por exemplo na Segunda Guerra do Golfo em 1991; na Iuguslávia em 1999; no Iraque em 23003 e no Afeganistão desde 2001. Outros usuários ativos, contudo, são o Paquistão, a Rússia, Israel e a França.

Característico do modo com o qual os EUA lidam com seus próprios especialistas em urânio é o destino do Prof. Durakovic. Ele:

“foi levado ao Pentágono como um especialista em 1998. Entre outras coisas, ele serviu como chefe da equipe médica para o Experimento Conjunto Nuclear Americano-Soviético [experimentos relacionados a limitação dos testes nucleares] na Ásia Central.

Como chefe do Departamento de Medicina Nuclear que o Departamento de Assuntos Veteranos do Centro Veterinário em Wilmington, Delaware, mantém, ele foi responsável pelo exame dos veteranos americanos que estavam sofrendo da Síndrome da Guerra do Golfo. Estes soldados tinham ficado estacionados na Arábia Saudita e tinha estado em contacto com tanques que tinham sido destruídos pelo “fogo amigo” [isto é, os tanques que foram bombardeados por suas próprias tropas com munições de urânio esvaziado explosoras de tanques]. Depois de detectar a presença do urânio esvaziado, e em alguns casos de plutônio, nos corpos dos veteranos, ele foi aconselhado a continuar sua pesquisa em outros campos. Ele não se permitiu ser detido e descobriu que os arquivos de saúde e os testes de laboratório haviam desaparecido.

Em 1997, o Pentágono o substituiu. Juntamente com pessoal de mente similar, ele continuou sua pesquisa a su própria custa, fundando o Centro de Pesquisa Médica sobre Urânio (UMRC). A despeito das perseguições e ameaças, ele continuou a ser ativo contra o acobertamento e efeitos devastadores das armas de urânio esvaziado.

Sobre o tópico do Afeganistão, Durakovic afirmou em uma entrevista com Zeitfragen que:

“O Afeganistão forneceu uma oportunidade de realizar estudos ao tempo do conflito. A Operação Anaconda terminou exatamente quando a primeira equipe do URMC entrou no leste do Afeganistão. A equipe teve acesso aos bens fixos e estacionários, já que o equipamento  militar móvel ou tinha sido removido ou trancado. Os estudos da URMC da população das áreas de Jalalabad, Spin Gar, Tora Bora e Kabul tinham identificado civis sofrendo da mesma sintomatologia multiorgão encontrada na Primeira Guerra do Golfo e nos conflitos dos Balcãs. Os sintomas incluiam fraqueza física, dor de cabeça, dores musculares e esqueléticas inespecíficas, mudanças respiratórias, febre, tosse seca persistente, dor no peito, sintomas gastrointestinais, sintomas neorológicos, perda de memória, ansiedade e depressão.”

Durakovic então entrou em mais detalhes a respeito do preocedimento:

“Os sujeitos controle foram selecionados entre os residentes livres de sintomas de áreas não alvo. Uma avaliação da contaminação ambiental tinha sido realizada pela análise do solo, poeira, destroços bem como da água potável, segundo o critério estabelecido de estimativa de dispersão e riscos de actiniídeos e coleta pós impacto de amostras ambientais. Todos os sujeitos, incluindo os controles, foram instruídos sobre o protocolo e coleta de amostras nas linguagens locais Dari e Pashtu. Cada sujeito assinou um formulário de consentimento. Todas as amostras foram analisadas para a concentração de quatro isótopos de urânio – 234U, 235U, 236U, 238U -, por um multicoletor e indutivamente acoplado a espectrometria de ionização em massa do plasma em laboratórios da British Geological Survey, Nottingham, Inglaterra”.

Em um incidente de bombardeios em Kabul, por exemplo, a concentração média de urânio em um destes grupos testes foi por volta de  99,5 ng/l, níveis que estão dez vezes acima do normal. Mas em um menino dentro deste específico grupo de teste, medimos um valor de 2031,6 ng/l. Queríamos saber porque isto era assim. Estávamos lidando com uma anomalia estatística? Era um infortúnio estranho no laboratório ou algo inexplicável? Pegamos a história deste menino de 12 anos como tarefa. Ele estava em casa tomando o café da manhã com a família quando a bomba atingiu a vila deles. 27 membros de sua família morreram instantaneamente; o garoto sobreviveu. Em um estado de pânico, ele tentou resgatar os membros de sua família dos destroços da casa desabada. Todos estavam mortos. Estávamos chocados quando olhamos o resultado do laboratório deste menino chamado Hussein. Pensamos que pudesse haver um erro no método ou na análise. O teste foi repetido e novamente estava acima de 2,000 ng/l. Na inteira história da contaminação de urânio nunca tinha havido um tal caso. É a primeira vez na história da contaminação interna por actinídeo que um tal valor tem sido registrado como consequência da exposição pela inalação diretamente depois que uma arma ataca. Se este caso nos mostra alguma coisa, então são as consequências terríveis da contaminação interna pelos isótopos de urânio. ”

O resultado deste teste tem sido desafiado por alguns porque isto significa que simplesmente estamos lidando com uma anomalia inexplicável. O próprio Durakovic diz a mesma coisa mas dá, não obstante, uma explicação plausível, como detalhado acima. Contudo todos os outros resultados de testes tem sido desafiados como se sempre fosse o caso destas pessoas terem se tornado contaminadas de outros modos não monitorados pelos cientistas. Estamos seguros e todos cientes desta forma do debate da nicotina: é óbvio que um fumante pode ter contraído seu câncer de pulmão por outros meios. Somente temos umas poucas matérias de lobies para lidar com elas antes que gerenciemos para proibir o fumo em lugares públicos e ter os restaurantes ‘descontaminados’. ’

E devemos deixar isto claro, que nós, por 20 anos agora, não temos cumprido nosso mais alto dever: examinar exaustivamente o problema do urânio e, até onde possível, eliminar todas as dúvidas do processo. Nossa cumplicidade com aqueles que usam tais armas de destruição em massa é clara para o resto do mundo ver. Até onde a inescrupulosidade, o cinismo e o desprezo pela humanidade se estende aos políticos e militares responsáveis por mostrar quão claramente eles consideram seus próprios soldados sejam afligidos pela contaminação por urânio. Casos de soldados e membros da população local sofrendo de doenças ‘inexplicáveis’ estão se tornando crescentemente frequentes.

Assim o portavoz do Departamento de Assuntos dos Veteranos dos EUA,  Terry Jemison, disse à agência francesa de notícias AFP em agosto de 2004, que de 592.560 soldados dispensados ao tempo da segunda guerra do Golfo quase um terço estava pedindo benefício por incapacidade. Posteriormente, quase 25.000 casos estavam sendo processados. A comunicação em questão não pode ser encontrada no website deste departamento. Lamentamos esta incoveniência técnica.

Na Inglaterra em 2 de fevereiro de 2004 a primeira vítima do urânio do exército britânico, Kenny Duncan, foi oficialmente reconhecida. É característico das instituições que lidam com este assunto que o teste foi iniciado e pago pelo Dr. Albrecht Schott em Berlin, Presidente do Centro Mundial do Urânio Esvaziado (WODUC – registrado como caridade). Schrott escreveu que adicionais 66.000 veteranos britânicos de guerra estavam esperando similares reconhecimentos. É um testamento para dar poder aos lobies de armamentos que os soldados, que tem arriscado suas vidas e saúde terminem sofrendo de doenças evitáveis enquanto cumprem seu dever, e também tenham que lutar para ter suas queixas documentadas reconhecidas oficialmente. É provado que Kenny Duncan manteve, entre outras coisas, o dano genético que foi transmitido aos seus filhos.

Conquanto os diplomatas americanos e seus aliados alemães tenham no passado continuamente negado a nocividade das armas de urânio, o uso destas armas tem sido mostrado por muitas fontes oficiais.

Em um estudo sobre as armas de urânio e sua nocividade à saúde das pessoas e ao ambiente, o instituto do exército dos EUA preocupou-se com as invasões:

“Estes projéteis de metal sólido tem velocidade, massa e propriedades físicas para funcionar excepcionalmente bem contra alvos armados. Os projéteis de urânio esvaziado fornecem uma vantagem excepcional de performance, bem acima dos materiais competidores. Isto permite que os perpetradores do urânio esvaziado derrotem um alvo blindado em uma distância significativamente maior. Também, a densidade e as propriedades físicas do urânio esvaziado o tornam ideal para uso em placas blindadas. O urânio esvaziado tem sido usado nos sistemas do exército por muitos anos em ambas as aplicações. Por mais de 20 anos passados, o Departamento do Exército (DA) tem desenvolvido, testado e usado em campo um número de sistemas de armas contendo urânio esvaziado”.

Assume-se que os leitores oficiais que entretenham a idéia de advogar um banimento do uso das armas de urânio se refreiem de tais objeções para não prejudicar a habilidade das tropas no solo de fazer eficazmente a guerra. Um tal curso de não ação também retarda a necessidade do desenvolvimento caro de alternativas. Além disso, está claro para todos os leitores profissionais que ‘o desejo de mudança’ deles colocaria em movimento um exército inteiro de burocratas militares que estão certos de recusarem uma tal considerável confusão. Isto seria o suficiente para acabar com as promissoras carreiras de muitos que se oponham ao uso das armas de urânio. Entretanto o tom do estudo não deve ser uma surpresa: o exército dos EUA nega os efeitos nocivos destas armas, até mesmo em seu próprio pessoal, e alegremente assim o faz, sobretudo, por causa da eficiência digna de congratulações a que tais armas dão aumento, por sua vez, a ultrajantes avaliações tais como as seguintes:

“É altamente improvável que o urânio esvaziado seja um fator contribuinte das doenças inexplicáveis atualmente sendo relatadas pelos veteranos de Tempestade no Deserto”.

Os medos são amainados até mesmo no prefácio do relatório que qualquer dano ambiental teriam que ser resolvido depois do fim da guerra – ou que o correspondente risco de responsabilidade teria que ser suportado:

“Sobretudo, é improvável a futura mediação dos campos de batalha apenas para remover o urânio esvaziado será necessária.”

Conquanto isso levasse cinco anos na década de 1990 antes que os primeiros sintomas começassem a se manifestar em grande escala [sobretudo na área de Basra], a população do Afeganistão começou a mostrar sinais dos efeitos imediatamente, evidentemente devido a absoluta quantidade de material de urânio lançado. O Professor Miraki cita uma testemunha no Afeganistão:

“Entendi esta morte lenta, ainda que certa, quando vi sangue na minha urina e desenvolvi uma dor severa em meus rins juntamente com problemas de respiração que eu nunca tinha tido antes. Muitos membros da minha família começaram a se queixar de confusão e as mulheres grávidas abortaram seus bebês enquanto outras deram a luz à crianças defeituosas”. (Akbar Khan da província Paktika, fevereiro de 2003)

A existência de novas doenças agoniantes [em maior número e em várias manifestações] em áreas que tem sido intensamente bombardeadas não pode ser discutida de o quanto urgente a necessidade de uma pesquisa extensa seja. Mas este é exatamente um dos muitos problemas não explicados a respeito da pesquisa dos potenciais efeitos colaterais adversos das armas de urânio. De fato, estamos enfrentando uma variedade grande e imprevisível de sintomas para os quais as explicações padrão do meio exato pelo qual ocorre o envenenamento não pode ser contabilizado. A Assembléia Geral da ONU requisitou que o Secretário Geral avalie a opinião dos Estados membros e das organizações internacionais a respeito das ramificações do uso de munições de urânio que era para ser apresentado sob a forma de um relatório no próximo encontro da Assembléia Geral no outono de 2008. Esta seria uma oportunidade de ouro para o Bundestag (o governo federal alemão) apresentar todo seu conhecimento disponível a respeito do efeito completamente deletério das munições de urânio e a contravenção delas das leis internacionais para bom uso. Isto seria perfeitamente no interesse nacional, e não apenas porque o Bundeswehr tenha decidido esquecer o uso do urânio em seus sistemas de armas e usar o menos eficiente – mas também menos nocivo – carbureto de tungstênio, que supostamente causa câncer. Contudo, as companhias alemãs Rheinmetall e MBB experimentaram as armas de urânio em muitos testes na Alemanha pelos anos de 1970, bem como nos anos de 1990. O ex ministro de defesa Scharping permitiu a testagem das armas de urânio e deu aos militares a oportunidade de observar os possíveis riscos à saúde, risco à saúde que foram vivenciados por aqueles afligidos como se segue:

“Minha esposa estava grávida e estávamos alegremente esperando o momento de ver nosso segundo filho. No dia do parto, minha esposa se sentiu estranha, dizendo não se sentir bem e com dor no abdomen. Quando o bebê nasceu, dificilmente era humano. Parecia que alguém houvesse espancado um bebê e o coberto de farinha. Minha pobre criança parecia ter rolado em um cesto de farinha. Quando minha esposa viu o bebê, entrou em choque por cinco horas.”  (Qunduz, Zar Ghoon, Dezembro de 2002)

Segundo o jornal Jane’s Defence que publicou o seguinte angustiante diagrama   sobre o uso das armas de urânio, é o Afeganistão, de todos os lugares – um dos países mais pobres do mundo -, onde os vários tipos de armas tem sido usados mais extensamente [e também possivelmente onde a mais alta tonelagem foi lançada]. Além disso, Dai Williams ,  o especialista dedicado e auto-didata sobre armas de urânio, fornece o seguinte diagrama interessante:

De início foi proposta uma pergunta sobre qual o propósito tinha uma arma perfuradora de blindagem em um país atacado pela pobreza com quase nenhum concreto, blindagem ou proteção de qualquer tipo. Todos teremos que ficar acostumados com o fato que se isto não é sobre o efeito perfurador de blindagem de tais armas, e então só pode ser um genocídio silencioso e intencional. Todas as 36 nações do Hindu-Kush – inclusive a Alemanha -, são cúmplices do que está acontecendo sob seus próprios olhos; olhos fechados para a perpetração diária deste genocídio.

Gostaria de terminar esta seção com as palavras de um antigo membro do parlamento, ex executivo da media e advogado da paz, o Honorário Coronel do Exército dos EUA Dr. Juergen Todenhoefer, que comenta sobre a confusão moral feita pelo ocidente das violações dos direitos humanos de outros povos enquanto faz o pior eles próprios. “A comunidade ocidental, que é mantida unida por seu sistema de valor, fracassará, se esta padrão duplo não parar”.

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Published in: on dezembro 16, 2008 at 11:16 am  Deixe um comentário  
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